CRIMES SEM CORAÇÃO

CRIMES SEM CORAÇÃO
(27/11/2002)

A vida é um dom, uma dádiva do Criador que em puro amor concede aos seres humanos a oportunidade de alcançarem a evolução, tornando-se espíritos esclarecidos, mensageiros da paz. Então, como explicar os bárbaros assassinatos cometidos pelos humanos e amplamente divulgados nos jornais, nos filmes e na televisão? Como podem filhos insurgirem-se contra a vida dos próprios pais?

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São muitas e ramificadas questões, aparentemente de difícil elucidação. Mas tudo acaba se resumindo numa única causa, da qual decorreram todos os males: “Só o fato de elevar o raciocínio preso à Terra aídolo foi o suficiente para mudar todo o caminho do ser humano, que o Criador lhe designou em Sua Criação.” (Mensagem do Graal, Vol. 3, pg. 32).

O raciocínio, a ferramenta terrena do ser humano assumiu o controle de tudo. A intuição ou voz interior foi cada vez mais comprimida, encarcerada. Então em muitos pais o amor acabou se tornando um amor egoístico, ao mesmo tempo em que presenteavam os filhos com tudo o que necessitassem, contemporizando todos os seus erros e fraquezas, teciam a permanente dependência. Sam Mendes apresentou isso com maestria em a “Estrada da Perdição”, (Road to Perdition), filme em que Paul Newman, interpreta um poderoso chefão que era condescendente com as mais horrendas atrocidades praticadas por seu filho para o qual a vida dos outros não valia nada, nem a do próprio pai. Filhos como esse não vêem a hora de tomar conta de tudo empurrando os pais para a desgraça.

São os crimes hediondos sem coração, tão em moda ultimamente, e que somente os humanos são capazes de cometer, porque o intelecto não dá valor à vida. Haja estômago para se ver tanta perversidade. Estamos vivendo numa época difícil e de muita aspereza produzida pelos seres humanos sem coração. Jamais se viu na história humana uma violência tão brutal como a do século XX. Como se pensa que o século XXI será? Toda essa aspereza só pode partir de seres humanos sem coração, isto é seres humanos dominados pelo raciocínio frio e calculista e pelas emoções que o cérebro administra como quer, sem dar a mínima chance para que o espírito se manifeste através da intuição humanizando as suas ações.

Agora que a situação assumiu esse quadro deplorável, surgem as indagações: Como educar os filhos? Como ensinar o devido respeito à vida? De fato a educação é o ponto critico. Se as crianças recebem uma educação voltada exclusivamente para o adestramento material através do aprimoramento do uso do raciocínio, o espirito já enfraquecido acabará ficando totalmente marginalizado pela sua inatividade. Então, o ser humano cujo corpo terreno é vivificado pelo espírito, acaba se tornando o ser dominado pelo intelecto, modificando completamente o seu modo de ser, posto que o espirito é mantido inoperante, sem condições de participar ativamente da condução da vida levando em consideração os valores espirituais que se situam bem acima da perecível materialidade.

Inegavelmente, muitos pais desejam ardentemente a felicidade dos filhos como condição para serem felizes também, sofrendo muito com os reveses dos mesmos. Contudo, pais e filhos conservam uma conceituação errônea do seu adequado relacionamento, pois os filhos ao crescerem deixam de ser as crianças dependentes que necessitam de amparo durante a fase do seu crescimento e fortalecimento. Uma vez tornados adultos, terão que direcionar a própria vida buscando a realização de seus sonhos e seus objetivos, alcançando a evolução, tornando-se espíritos esclarecidos.

Se não houver uma mudança de rumo na educação humana, como será a vida no futuro próximo posto que as projeções apontam para um crescimento da população de dois a três bilhões. Quem se deu ao trabalho de pesquisar seriamente as causas do crescimento explosivo da população? O Planeta já mostra os visíveis sinais da forma irresponsável como tem sido explorado pelos seres humanos. O caos tende a aumentar nas regiões urbanas super-saturadas. Como se espera que as massas agirão face ao aumento da insatisfação e diante dos conflitos étnicos e religiosos?

Então o modo de educar as crianças precisa ser modificado mostrando-se a elas a sua origem espiritual, pois somente assim poderão se tornar verdadeiros e completos seres humanos aptos a construir uma forma de vida adequada em todos os sentidos. Já ficou patente que uma educação dogmática não conduz ao aprimoramento. Ao lado do adestramento do raciocínio, é indispensável o fortalecimento do espirito através da conscientização e da ampliação do saber das leis da Criação. Mas os adultos também deverão ter o máximo interesse nesse saber. Segundo Abdruschin, “a aquisição e ampliação do saber da Criação, do saber espiritual, constitui o verdadeiro conteúdo de toda a vida!” E, quando a educação caminhar nessa direção, não tardarão em surgir os frutos sadios produzidos pelas mãos humanas na direção da paz e da felicidade.