TRAGÉDIAS INCOMPREENSIVEIS

TRAGÉDIAS INCOMPREENSIVEIS
(19/11/2003)

Muito nos desaponta e entristece como seres humanos, esse trágico episódio que no município de Embu-Guaçu vitimou os jovens Liana e Felipe. Contudo, os estudiosos tem permanecido muito superficialmente quanto a discussão e investigação das causas que, continuamente, tem promovido a retrogradação humana.

Não se pode supor que a simples redução da maioridade para fins de penalização, possa eliminar a bestialidade que tão facilmente encontra guarida na mente humana. É fato porém, que muitas crianças já nascem predispostas a atos criminosos, o que certamente lhes tira bem cedo a condição de infantes agradáveis e dedicados, empenhados em se desenvolverem amparados no bem e na lealdade, e certamente sabem que estão procedendo maldosamente, o que impõe a necessidade de responsabilização pelos atos cometidos.

A questão seria a de investigar as causas que levam os seres humanos ao embrutecimento. Isto exige muita seriedade e desprendimento, pois os investigadores deveriam antes de tudo se libertar de pressupostos falsos que definem todas as crianças como inocentes, mesmo quando já tenham dado publicamente mostras de sua maldade.

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Em todo o reino animal, os filhotes sempre são tratados cuidadosamente e protegidos até que possam cuidar de si mesmos instintivamente. As crianças também requerem cuidados especiais. Mas nos seres humanos adultos há uma diferença fundamental, a possibilidade de decidir o que e como agir, e que se vem manifestando precocemente em muitos jovens e crianças, antes mesmo de completarem o desenvolvimento físico.

Olhando-se superficialmente para todo o caos humano que se evidenciou nitidamente a partir do século 21, somos tentados a atribuir a causa do embrutecimento às desigualdades econômicas e sociais. Mas, não seriam elas já um efeito em si de uma causa mais profunda ainda, menos visível? De onde procede o sentimento de desespero e desilusão que se vai instalando entre as populações?

É fato que o pendor pelo poder terreno e dominação tem cegado os seres humanos fazendo-os agirem bestialmente, mas de onde procede esse pendor e como eliminá-lo? Aí se torna indispensável uma profunda análise do evoluir humano para encontrar o elo perdido que possa elucidar o enigma.

Na Mensagem do Graal, Abdruschin esclarece que a grande falha humana consistiu em supervalorizar o raciocínio colocando-o acima do espírito, o que se foi perpetuando através das novas gerações que assim foram progressivamente restringindo a atividade espiritual.

"O ser humano recebeu o raciocínio a fim de que este lhe dê para cada vida terrena, em relação ao espiritual que tende para cima, um contrapeso para baixo, com a finalidade de que o ser humano na Terra não paire somente em alturas espirituais, esquecendo com isso a sua missão terrenal. O raciocínio deve também servir-lhe para facilitar toda a vida terrena. Antes de tudo, porém, para transmitir ao pequeno âmbito terrenal, para levar à efetivação na matéria terrenalmente visível, o forte impulso pelo que é elevado, puro e perfeito, que reside no espírito. Como sua constituição mais intrínseca. Atuando como servente do espírito vivo, como seu criado! Não como quem decide nem como quem dirige. Deve auxiliar a criar possibilidades terrenas, portanto materiais, para a concretização do impulso espiritual. Deve ser o instrumento e o servo do espírito." (Mensagem do Graal, Na Luz da Verdade, de Abdruschin, dissertação: Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem!)

Reunindo uma série de esclarecimentos nessa dissertação, Abdruschin aponta, claramente, a causa do falhar humano hoje dominante em toda a parte, e tornado visível através de um quadro planetário da mais desoladora confusão, violência e muita miséria.

Incapazes de encontrar saídas com o emprego do intelecto, fatalmente os seres humanos acabarão indo ao encontro do descalabro, provocando mortes e destruição. E, enquanto não se dispuserem a buscar seriamente pela real maturidade espiritual, tal quadro jamais poderá ser revertido, pois o raciocínio, em meio ao desespero por ele mesmo criado, impede que o anseio pela elevação, inerente ao espírito, se manifeste livremente em busca do indispensável auxilio da Luz para emergir do caos.