A FALTA QUE FAZ O ESPÍRITO

A FALTA QUE FAZ O ESPÍRITO
(02/08/2004)

No mundo inteiro as pessoas não estão contentes com o rumo que as coisas vão tomando. Poucos são os que reconhecem que, se a situação está piorando, é porque nada foi feito para melhorá-la. São conseqüências e decorrências daquilo que foi feito no passado, dando formas ao presente áspero e severo que promete gerar um futuro com maiores dificuldades ainda, posto que os seres humanos não aceitam a idéia de que são os responsáveis pelas inóspitas condições de vida existentes no Planeta. Ao invés disso se deixam dominar pelo ódio e revolta, mas isso só piora a situação.

imagem

O que se pode esperar se nos Estados Unidos, nas próximas eleições, a oposição vencer? Talvez pouca coisa mude, embora nas campanhas sempre se afirme o contrário. Também no Brasil, o novo partido no governo deu continuidade às políticas do anterior. As engrenagens das leis da Criação foram postas em movimento em sentido contrário, trazendo os desagradáveis efeitos finais.

Na atual situação há pouco espaço para amenidades e progresso real. No mundo de hoje impera a desconfiança. A inveja e o ódio se fundem rompendo o equilíbrio entre os humanos, e tudo se torna brutal. Ainda se observa a existência de alguma solidariedade, mas de um modo geral, sob a pressão da Luz, em todos os países e por toda a parte, as coisas parecem se encaminhar para um salve-se quem puder, com todos contra todos, pois o amor desinteressado está desaparecendo. Muitos querem receber e tomar para si, para atender aos seus objetivos pessoais, poucos dar e oferecer, compartilhando.

Na época da Revolução Industrial, as populações foram empurradas do campo para uma vida precária nas cidades com jornadas de trabalho superiores a 14 horas. Se muita miséria ocorreu, miséria maior vem pela frente. Bilhões de pessoas vão adentrando desordenadamente na economia industrial na Ásia, especialmente na China e naÍndia, numa desumana luta pela sobrevivência ocorrendo com freqüência turnos de 20 a 30 horas de trabalho sem interrupção, acarretando conseqüências econômicas a nível mundial.

Com a estagnação econômica e sem que surjam alternativas para o modelo comênfase nas lucrativas operações financeiras, as transformações na vida humana calcada no dinheiro acabaram por produzir a completa desvalorização da mão de obra, vale dizer, do ser humano.

Com a economia dependendo diretamente de um consumismo altamente sorvedor de energia e desastroso para o meio ambiente, as elevações do preço do petróleo estão acabando com a energia barata, porém, mais grave ainda para a humanidade, será a escassez de água potável, que se aproxima como resultado do descaso com a preservação desse precioso bem vital.

Isso tudo está pondo por terra o “american dream” (sonho que o povo americano pôde alimentar de que o viver seria sempre uma festa com músicas, danças e muita fartura), pois lá também se tornam visíveis os sintomas da decepção e da precarização do trabalho, principalmente na utilização da mão de obra imigrante.

O filme “O Pianista”, nos faz lembrar de como aquelas pessoas se tornaram solidárias umas com as outras, diante do sofrimento e das aflitivas condições de vida durante a Segunda Guerra. No pós guerra havia no ar uma certa auréola de esperança num melhor futuro. Os anos 60 e em parte 70 foram palco de muitos estudos e análises sobre a vida. Não somente as pessoas de maior cultura, mas também a população em geral apresentava um vivo interesse em perscrutar a vida em sua essência. O grande sofrimento quebrou a indolência dos seres humanos, levando-os a pesquisar o sentido da vida. Com o anseio por prazeres e a aumentada pressão da luta pela sobrevivência, esse impulso se foi estagnando progressivamente.

“Uma coisa sabemos: as sociedades humanas estão sofrendo uma reestruturação e mudança global aceleradas. Nós humanos, estamos nos aproximando de nosso exame final sobre a Terra. Se não pudermos aprender a coexistir e viver com outras espécies dentro das regras biosféricas, seremos extintos...Nossa tarefa essencial é aprender a viver sabiamente e em harmonia com a natureza.”(Hazel Henderson, “Além da Globalização”, Cultrix). Em seu livro, a pesquisadora citou Václav Havel, Presidente da República Tcheca:

imagem
“É necessário mudar e melhorar nossa compreensão acerca da verdadeira finalidade de nossa existência e o porquêde estarmos neste mundo. É somente com essa nova compreensão que poderemos desenvolver novos modelos de comportamento, novas escalas de valores e metas, e, conseqüentemente, investir nas regulamentações globais, tratados e instituições com um novo espírito e significado.”

Mas, agora, de novo estamos diante de uma delicadíssima situação neste planeta tão inquieto, assolado por tantas misérias e aflições, com o medo açoitando a humanidade. Mais do que nunca, os seres humanos deveriam readquirir a indispensável solidariedade e mútua consideração para com tudo o que vive na maravilhosa Criação.

Nisso tudo, o espírito que vivifica o corpo, poderia fazer a grande diferença, pois, é para isso que se acha encarnado, para evoluir e trazer nobreza para as atividades humanas. Mas para tanto teria que estar forte no saber, no que foi impedido pelo atamento ao qual foi forçado, sendo hoje indispensável que os seres humanos se conscientizem de que se compõem de um conjunto formado pelo espírito, corpo e mente, para que alcancem a verdadeira liberdade espiritual, pois livre somente é o ser humano que vive conscientemente nas leis da Criação.

“Tudo o auxiliará então, em vez de lhe obstruir o caminho. Tudo o servirá, porque ele de tudo se utilizará de modo certo.” (Na Luz da Verdade, a Mensagem do Graal, de Abdruschin, Vol. 1, Submissão).