A SEDUÇÃO DO PODER NAS ORGANIZAÇÕES

A SEDUÇÃO DO PODER NAS ORGANIZAÇÕES
(10/12/2007)

Organizaçãoé uma palavra abrangente, que não se refere exclusivamente a empreendimentos comerciais, podendo ser aplicada tambémàs instituições religiosas, governamentais e a associações de toda espécie, cada qual fundamentada em sua cultura e objetivos próprios. O que todas apresentam em comum é que se estabeleceram com base no planejamento feito pelo raciocínio com vista aos objetivos determinados. E foi a partir do séc. XV que as organizações, especialmente as comerciais, passaram a ter projeção no cenário mundial e a competir com o poder monopolístico da religião.

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A questão é que o poder existente no âmago dessas instituições nem sempre é perceptível. Nada é mais sedutor do que o poder de decidir e de influenciar as massas ou grupos de pessoas. E esse fascínio tem acompanhado o ser humano desde longa data. O surgimento das companhias como hoje as conhecemos provocou um novo impacto sobre a civilização humana, na medida em que rompeu as muralhas que isolavam os povos e as cidades, levando bens monetários, mercadorias, pessoas e culturas para todos os recantos da Terra. E ao crescerem e ampliarem seus tentáculos, estabeleceram grande influência sobre a vida, determinando silenciosamente a forma de viver.

As companhias passaram a influir de forma decisiva no controle das atividades humanas, se constituindo na base da prosperidade do Ocidente. Mas não podemos nos esquecer de que quem está por trás disso tudo é o ser humano - a mesma criatura que desde sempre buscou pelas posições de destaque e comando.

O poder sempre exerceu grande fascínio e a sua busca egocêntrica contribuiu para aumentar o embrutecimento e para proliferar as desgraças e miséria sobre a Terra.

Na antigüidade, a sede de poder levou à exploração das pessoas através do trabalho escravo. E tal prática, posteriormente exercida sobretudo nas Américas, marcou o início do declínio da civilização européia, e provocou conseqüências terríveis para o desenvolvimento do Brasil. Atualmente o trabalho escravo é tido como barbárie. No entanto, ainda observamos que existem muitas pessoas exercendo cargos de comando sem consideração, nas quais se sobressai o desejo de subjugar outro ser humano, condenando-o a uma existência sacrificada sem tempo para si mesmo.

E os centros de decisão reservados a um núcleo restrito sem abertura para participação, provoca nas pessoas, em conseqüência, um vazio existencial. A falta de maior envolvimento com as metas a serem alcançadas, a falta de metas mais elevadas, favorece a busca de uma fuga da realidade através do fumo, do consumo de drogas ilícitas, e o abuso no consumo de bebidas alcoólicas. E é justamente nesse ambiente que temos de atuar. Essa missão pode parecer difícil, e realmente o é, porque a participação do elemento humano fica muito despersonalizada, sentindo-se muitos como peças descartáveis neste mundo de poucos empregos e elevada população. Ademais, os grandes avanços tecnológicos, têm propiciado a substituição do trabalho humano pela automação, sem que tivéssemos ainda alcançado uma etapa mais avançada da economia que permita a liberação do ser humano para cultivar o auto-aprimoramento.

O importante é não desanimar. A vida moderna exige competência, aprendizado continuado e bom senso, e é imprescindível que não nos deixemos contaminar pelo baixo astral. Para isso basta fazer o que precisa ser feito, com dedicação, atenção e otimismo. Hoje mais do que nunca se constata que o trabalho deve propiciar satisfação, alegria, felicidade e ser percebido como uma parte fundamental da vida.

Cada ser humano necessita, no trabalho e na vida pessoal, de um significado, de um propósito. É o que nos dá sustentação física, emocional e psicológica. Apenas quando o ser humano reconhecer que além do instinto e do cérebro, também possui alma e intuição para agir com nobreza, poderá alcançar um estágio mais avançado. Assim teremos trabalho e organizações com alma. O trabalho deixará de ser uma impiedosa luta pela sobrevivência, transformando-se em fonte de alegria e auto-realização, impulsionando a verdadeira evolução humana.