A IMPRESCINDÍVEL SERENIDADE

Após a Segunda Guerra Mundial, 44 países se reuniram em Breton Woods (EUA) para estabelecer a nova ordem econômico-financeira, visando a estabilidade monetária das nações. Consolidou-se, definitivamente, a preferência e o apego ao dinheiro, o fetiche e o ídolo cultuado pela humanidade, um simples papel pintado que, na verdade, representa a grande ilusão criada pelo materialismo, sendo aceita coercitivamente pelo seu poder de comprar as coisas, inclusive os seres humanos. A cobiça pelo dinheiro não tem limites; mas algum dia se evidenciará o seu pé de barro. Até lá, assistiremos a muitas desgraças.

As relações comerciais passaram a se efetivar de forma crescente em dólares, moeda da qual tudo passou a depender. Em geral, os países mal geridos, dependentes de commodities e suas instabilidades, buscavam financiamento externo para cobrir os continuados rombos. Quanto mais o Estado foi ampliando a sua interferência na vida econômica, mais dependente foi se tornando de tomar dinheiro no mercado, pois sua arrecadação era insuficiente para cobrir todos os encargos e desperdícios.

Isso veio a calhar porque o dinheiro sempre tende a aumentar, por novas emissões ou ganhos. Financiar os governos perdulários se mostrou como oportuna forma de absorver os excedentes. No entanto, com o avolumar da dívida, acrescida de juros, formou-se a bola de neve com suas ameaças ao sistema. Então surgiram as receitas de austeridade geral, por vezes sem bom senso, gerando crises e instabilidades.

O dinheiro continuou sendo emitido e crescendo. Hoje se prega juros baixos ou negativos. A capacidade de criar dinheiro envolve uma grande complexidade de variáveis e consequências que requerem mais aprofundamento para que favoreçam o progresso em vez de travá-lo. Nas últimas décadas, enquanto nos bastidores os personagens urdiam planos de partilha do butim, no palco da vida predominavam falsas aparências. Com a expansão dos abusos, rompeu-se a cortina pondo a descoberto as mazelas tramadas às escondidas, expondo-as para lavagem geral.

No cenário mundial, ocorre a luta entre os que querem se esconder ao abrigo das cortinas e os que desejam abri-las amplamente. A tendência é que caiam as cortinas encobridoras da verdade, mas o que se verá não será bonito, agravado por lutas para manter uma situação que não se sustenta mais. Os homens se digladiam para encobrir a verdade e se manterem no poder.

Com a abertura comercial, vários setores fabris perderam potência interrompendo o aprendizado tecnológico; hoje, além do atraso, deixamos de produzir vários itens, provocando declínio na produção de manufaturas. A importação depende do preço do dólar, que depende da taxa de juros, mas a dívida subiu muito. O Brasil não fabrica dólar e a economia estagnou. Perdemos terreno na indústria, exportamos tudo in natura, inclusive o precioso algodão, mas importamos tecidos e confecções. Com o real valorizado a juros elevados formamos grande montante de dívida, acrescida da indisciplina fiscal. Bons empregos foram exportados, a renda caiu. O desarranjo é global, mas de difícil solução face aos interesses egoísticos. Há de se examinar atentamente as causas e buscar a solução.

O Brasil está correndo o sério risco de fazer parte do grupo com atraso geral, sem rumo, sem autonomia. Precisamos de união em defesa do país e esforço para evitar a consumação do declínio. É preciso entender o que se passa nos bastidores internacionais. A guerra comercial aumenta a turbulência na economia. O crescimento da dívida já vinha de longe, mas não se dava muita atenção; de repente, se percebe o tamanho do buraco que trava tudo.

Os acontecimentos se sucedem velozmente atropelando tudo, isto é, um em cima de outro e de outro. As pessoas se vergam sob a pressão. Isso mexe com os nervos delas que, inquietas, não seguram, não filtram e como pingue-pongue é um bate e volta sem pausa. Uma pessoa já impactada pelo acontecimento está desarmada e se ainda recebe o rebate de outra, tem duplo impacto sobre o cérebro e se expande pelo corpo. É preciso filtrar os acontecimentos e dosar as reações para que o mundo não se torne um hospício de esquizofrênicos impacientes e inquietos que adoecem e contaminam o ambiente. Conservai puro o foco dos pensamentos para abrir o caminho para a serenidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A QUESTÃO DAS TAXAS DE JUROS E DO CÂMBIO

No Brasil da pré-globalização, produzia-se e consumia-se mais, pois a renda não estava tão travada, mas havia a elevada dívida externa a juros pesados. A inflação foi surgindo com as emissões destinadas a pagar dólares das exportações que eram utilizados nos resgates da dívida externa. O dólar caro promovia exportações, mas para comprar os dólares para pagar a dívida o governo emitia e inflacionava.

Algo precisava ser feito, então surgiu a dolarização que no Brasil se deu com o Plano Real. Com o dólar artificialmente barato, os eleitores ficaram iludidos. A ilusão durou até 2015. Em 2019, a realidade se mostra brutal. Fábricas fecharam, cortando os empregos. É um fenômeno mundial; tudo vem pronto de fora. Se os empregos desaparecem, algo têm de ser feito. Com a queda na renda, o consumo estagnou, mas a dívida chegou ao topo. O mercado teme que haja insolvência com os juros praticados, já está quase impagável.

No livro A Construção Política do Brasil, o economista Bresser Pereira afirma que Lula errou ao manter os juros altos e o câmbio apreciado, e com esse simples erro, também mantido por Dilma, estamos com a economia estagnada, dívida enorme e atraso geral. No câmbio, a taxa de juros influencia a lei da oferta e procura. Se os juros caem, cai a procura e a moeda se desvaloriza; no inverso, elevando-se os juros, cresce o movimento de procura pela moeda, valorizando-a. No Brasil, o real foi mantido valente à custa de juros elevados. Não fosse isso, há tempos o dólar teria ultrapassado a casa dos quatro reais. É o que poderia ter acontecido se o BC tivesse baixado a taxa Selic dos atuais 6,5%.

No passado, o padrão ouro mantinha estabilidade no câmbio, mas a criação de moeda se tornava grande obstáculo para a estabilidade dos valores cambiais. Atualmente, as taxas de juros exercem forte influência no mercado de moedas que revoam pelo mundo em busca de melhores ganhos, mas isso impacta no comércio externo dos países, favorecendo ou dificultando as exportações.

Agora estão surgindo as criptomoedas, que circulam separadas da rede bancária. A libra, a nova criptomoeda que está sendo criada para ser ancorada nas contas do Facebook, vai surgir da troca por dólar ou euro. Essa criptomoeda seria para facilitar a vida ou representa mais uma grande jogada?

Muitos economistas reconhecem que o Brasil está com a dívida descontrolada, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria, eles dizem. Está certo. Mas e o resto da economia detonada desde a prática da valorização do real com juros elevados, como vai ficar?

No século 21, prenuncia-se o surgimento de nova guerra cambial, que no fundo é um processo de desvalorização para fomentar as exportações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronuncia contra o “dólar tão forte” criticando a política monetária da Reserva Federal (Fed), depois de o banco central norte-americano ter aprovado elevações das taxas de juros ao longo do ano passado. A elevação dessas taxas incentiva investimentos em dólares, impulsionando o valor da moeda norte-americana, mas afetam as exportações. É compreensível que o BC do Brasil esteja cauteloso diante desse cenário de provável baixa nas taxas de juros.

A instabilidade cambial tem provocado graves distúrbios na economia. Falar em moeda única pressupõe a eliminação da moeda nacional por uma geral. Mas quem ficaria com o controle e emissão dessa moeda? Certamente teria um poder maior do que teve a libra e que tem o dólar acossado pelo euro e yuan. Algo precisa ser feito. O Brasil e sua população já enfrentaram perdas enormes, dificuldades e atraso em decorrência do sistema cambial adotado.

Está claro que sofremos drenagem nos juros e empregos. O efeito da destruição industrial e produtiva do Brasil é visível a olhos nus, basta ver a região do ABC em paralelo à cidade de Detroit. Temos de sair do estágio de economia das padarias, dos cabeleireiros e manicures, e das lojas de importados nas esquinas. Atrasamos a produtividade e o desenvolvimento tecnológico. Hora de limpar a casa, afastar os maus gestores, fazer ajustes, retirar o Brasil de sua rota declinante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ECONOMICISMO OU HUMANISMO?

A economia sempre nos surpreende; a do Brasil entrou em rota de mornidão há algum tempo. Invariavelmente, tivemos políticos ruins e perdulários, os juros sempre nas alturas com efeitos negativos; mesmo assim produzia-se, estudava-se, consumia-se e havia uma consciência coletiva de confiança no progresso do país. Além da taxa de juros, existem outros fatores que promovem a aceleração ou estagnação da atividade econômica, os quais têm de ser identificados. Quem se habilita, a partir disso, a corrigir as distorções para que o país não afunde nas garras da precarização geral?

A China aproveitou bem a situação criada pela globalização e acabou provocando desindustrialização no mercado mundial com custos baixos, dumping, câmbio favorável e escalas de produção sem precedentes, mas os responsáveis pela economia no Brasil optaram por ter dólar barato, às custas de juros altos para debelar a inflação em vez de incentivar aumento da produção. Foi uma breve alegria de carnaval e agora estamos enfrentando a ressaca da quarta-feira de cinzas. Situação difícil. Como a produção interna de manufaturados ficou restrita, aumentos de renda acarretam aumento das importações.

Há uma guerra cambial visando desvalorizações competitivas. No Brasil, até recentemente fez-se o inverso, valorizando o real. Se o BC baixasse os juros que efeitos isso traria para o dólar? Subiria ou baixaria? Que efeitos isso traria para a produção, PIB e para as importações e exportações? Muitos analistas preferem apontar culpados em vez de examinar atentamente as causas da paradeira que aflige não só o Brasil.

Temos fatores internos como corrupção, indisciplina fiscal, incompetência dos governantes que aproveitaram a maré de dinheiro pelo mundo, mas a crise de 2008 fragilizou o ocidente, enquanto a China foi consolidando sua máquina de produzir manufaturados e acumular dólares. Foi uma guinada impensável que acarretou novos problemas. Será que esses problemas foram objeto das conversações do G 20, a reunião das maiores economias que se debateram com suas próprias incoerências?

Neste mundo que se afastou do humanismo e das leis da Criação restam poucos pensadores profundos sobre a realidade que estamos vivendo. Na mecanização do ser humano, poucos deixam a alma atuar na pesquisa do significado da vida. O filosofo Edgar Morin permanece ativo, mas todos os seres humanos têm de prosseguir, ir além, perceber o dom da vida na Terra para que o espírito possa se fortalecer e evoluir beneficiando tudo, e não ficar achando que pode agir como se fosse o dono do planeta, destruindo e emporcalhando tudo.

Em recente viagem a São Paulo, Morin disse em entrevista: “Meu esforço nas minhas obras é tentar efetivamente esse pensamento. O que estamos vivendo? O que está acontecendo? Para onde estamos indo? Não inserimos no programa (de ensino) temas que podem ajudar os jovens, sobretudo quando virarem adultos, a enfrentar os problemas da vida”.

A economista Kate Raworth, autora do livro Doughnut Economics – Seven Ways to Think Like a 21st Century Economist (Sete meios para pensar como um economista do século 21) adverte a espécie humana sobre as incertezas do futuro, pois o crescimento infinito que vemos como modelo nos negócios, “chamamos de câncer em nossos corpos”. Quem não observa as leis da natureza semeia destruição.

Numa palestra na Associação Comercial do Paraná o vice-presidente Mourão apontou a possibilidade de colapso no sistema financeiro global porque há muito dinheiro aplicado em papel que não está significando a realidade, agravado com o fluxo de capitais ilícitos do narcotráfico e de outros meios. Mencionou também a questão das fontes de energia e o problema da escassez da água em países como a Índia, embora no Brasil tenhamos abundância desse elemento.

Os sistemas deveriam ter como meta a autossuficiência acompanhando o crescimento natural da população. Com a invenção do dinheiro, associada ao “financeirismo”, a meta passou a ser fazer o dinheiro engordar através do seu giro acelerado e da maximização do resultado. Nessas condições, tudo que não favoreça o aumento do ganho financeiro passa a ser considerado como desnecessário, inclusive a preservação da sustentabilidade, pondo de lado o humanismo no relacionamento entre as pessoas, adotando o mecanicismo como se fossem máquinas sem alma. Temos de combater a tendência de precarização geral e, com humanismo, estabelecer cenários mais condizentes com a nossa espécie.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A CRISE É SEVERA

Estamos enfrentando um tipo de crise mais severa por alastrar-se a vários setores e a diversas regiões do mundo como, por exemplo, os coletes amarelos de Paris, a crise dos refugiados da Síria, os desacordos na Inglaterra com a questão do Brexit relativa à saída daquele país da União Europeia, os ataques a petroleiros no golfo de Omã, e no Brasil endividado surgem muitas confusões como greves e paralisações.

Não está fácil entender o que acontece no nosso país e sua atual economia errática. Estamos ficando para trás na guerra econômica global. Os argumentos e análises se tornam eleitoreiros, sem que haja esforço para a compreensão das causas do atraso geral. O país do futuro fica amarrado na mesquinharia dos políticos. É como disse Getúlio Vargas, todos querem alguma coisa para si e para seus amigos, nunca para o bem do Brasil.

Desenvolvimento e aprimoramento da humanidade se tornaram secundários, tudo se tornou questão de dinheiro. Urge fortalecer a vontade para fortalecer o humano. A evolução da humanidade e a produção de bens requerem liberdade e responsabilidade. Muitas pessoas acusam o capitalismo como responsável pela geração das misérias, mas antes de surgir esse e outros sistemas econômicos, o homem já tinha se afastado do espiritual, dando mão livre ao seu egoísmo e cobiças.

O problema real se situa no afastamento da espiritualidade, resultando nos sistemas desequilibrados como consequência. O reequilíbrio só poderá ser reconquistado com a busca sincera do saber sobre o significado da vida e da integração Espírito-Alma-Corpo. Há no mundo muita tristeza; falta a alegria e a coragem do espírito desperto. É preciso ser forte. Mas onde se escondeu o espírito que deveria agir embelezando e beneficiando tudo?

Os seres humanos se matam por poder e dinheiro, o que mais falta é a generosidade do coração. Quase nada foi entendido sobre os esclarecimentos de Jesus a respeito da vida. Ele não tinha qualquer pretensão ao poder, cargo ou honrarias terrenas, pois seu reino não é o perecível e transitório mundo material ofertado à humanidade para que pudesse evoluir espiritualmente, e não para aqui vir e portar-se como dono no curto período da existência terrena.

O Brasil é tido como país abençoado com povo amigo, respeitador, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendita seja a pátria chamada Brasil. Isso tudo impõe alta dose de responsabilidade. Que seu povo atraia a Luz do bem. Temos de deixar de ser país subdesenvolvido espiritual e materialmente. Temos de adquirir discernimento para seguir nosso destino. Para isso precisamos de adequado preparo para a vida, desde a primeira infância.

O fluxo de caixa do governo vem sendo detonado há décadas. Não há poupança. O crédito é raro e caro. O governo arrecada uma fatia gorda e deveria dinamizar a economia com bons investimentos. Nos anos 1980, havia a dívida em dólares e como esforço para o resgate havia o lema “exportar é o que importa”, mas isso acabou sendo descuidado e os empregos foram sumindo. Hoje, o Brasil permanece exportando commodities. A renda é baixa e está encolhendo, faltam capitais produtivos. Os investidores privados têm sido ágeis em fazer aquisições lucrativas e obter ganhos especulativos, mas na economia ainda não surgiram resultados positivos, em compensação aumenta o passivo na remessa de lucros e a dependência a interesses externos. O PIB precisa crescer e gerar empregos.

O cenário internacional se complica. A crise se agrava. Cada grupo cuida de seus interesses, sem encarar os problemas e suas causas para encontrar as soluções. O governo tem uma arrecadação tributária expressiva, mas planeja mal, gasta tudo e ainda fica devendo, pouco investe e mesmo esses investimentos têm sido realizados de forma estúpida e com desvios. Milhares de obras foram iniciadas e interrompidas, é quase como se o dinheiro tivesse sido jogado fora.

A gestão governamental tem sido precária e sem planejamento. Atabalhoadamente tenta-se reduzir o déficit fiscal. Foram tantos erros que agora poucos se arriscam a fazer sugestões. Muitas pessoas preferem engrossar as críticas que nada resolvem, mas engrossam o clima de incerteza quanto ao futuro do Brasil, que ainda não achou o caminho sadio da recuperação com participação e o apoio de todos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS DIFICULDADES DO BRASIL

Parece que o Brasil está correndo o sério risco de ser jogado no grupo de países com atraso geral, sem rumo, sem autonomia. Poucas pessoas estão percebendo e se esforçando para evitar a consumação do declínio. Desde a trágica gestão de Fernando Collor tem faltado patriotismo e seriedade, mas neste momento é preciso entender o que se passa nos bastidores internacionais. Precisamos de união em defesa do país.

O que acontecia até 2014 no Brasil? O governo mirava a reeleição, injetava dinheiro que não tinha e segurava o dólar com swap cambial. Tudo rodava no “toma lá dá cá” entre os poderes. As importações iam bem enquanto a produção permanecia estagnada. Apesar do artificialismo, circulava mais dinheiro. Após a reeleição, com a dívida lá em cima, a fonte secou. Aguerra comercial aumenta a turbulência na economia. O que fazer para produzir e empregar mais?

Onde estavam os congressistas no governo de Dilma Rousseff, do PT? No período entre 2012 e 2017 a dívida incorporou juros em mais de dois trilhões de reais, questão de suma gravidade, mas pouco se falou. Assim a dívida gorda travou tudo e se tornou tão avassaladora que agora os governantes se acham diante de grandes obstáculos para destravar o país para produzir, gerar empregos, melhorar a renda, fortalecer o Brasil. Os principais problemas do atraso: má conduta nas finanças públicas, câmbio valorizado, exportação de empregos, juros elevados e despreparo educacional.

A economia deveria andar independente do governo. O livre mercado é que teria de planejar e produzir, visando atender as necessidades da população. No capitalismo de Estado, o governo exerce forte influência no planejamento da produção. A economia global adentra no túnel escuro para o qual foi direcionada. A máquina chinesa de produzir conta com a estratégia de Estado, não de uma só multinacional, e produz quantidade, qualidade e preço. Competir torna-se uma tarefa muito difícil no grande tabuleiro da globalização.

A guerra comercial deste século é diferente da fria que tinha o confronto ideológico pelo poder mundial como pano de fundo. Na atual guerra morna pelo poder, estão envolvidos fortes interesses econômicos que vão interferindo em todas as atividades e nas relações que envolvem poder e dinheiro. E tudo vai sendo afetado pelas disputas e retaliações. A humanidade adentra num período de gravidade maior do que as anteriores.

Essa situação já vinha de longe, mas não se dava muita atenção; de repente se percebe que o endividamento mundial cresceu muito. A questão da dívida deveria ser solucionada de modo a possibilitar desenvolvimento econômico mais equitativo em oposição à crescente precarização geral resultante do encolhimento da renda. A moeda forte se tornou o objetivo de todos. Países que não conseguiam manter o equilíbrio, caso dos emergentes, tinham de captar em moedas estrangeiras, interferindo na política cambial.

As recorrentes desvalorizações cambiais provocavam crises e recessões. Japão e Coreia do Sul tiveram a visão de que deveriam produzir e exportar como meio de captar a moeda forte. A China, observando tudo, elaborou seu planejamento extraordinário e acumulou fabulosa reserva em dólares, mas a consequência foi a desindustrialização em muitos países, Brasil inclusive, e desemprego. A pergunta é: como consertar esse desequilíbrio?

Nas últimas décadas, vimos no palco da vida um falso jogo de cenas, enquanto nos bastidores os personagens urdiam planos de partilha do butim. Com a expansão dos abusos como coisa normal, rompeu-se a cortina, pondo a descoberto as mazelas tramadas às escondidas, expondo-as para lavagem geral. No mundo ocorre a luta entre os que querem se esconder no abrigo das cortinas e os que desejam abri-las ainda mais. A tendência é que caiam todas as cortinas encobridoras da verdade, mas o que se verá não será bonito, agravado por lutas para manter uma situação que não se sustenta mais. Os homens se digladiam para encobrir a verdade e se manter no poder.

Durante décadas, o Brasil tem caminhado passivamente como massa sem futuro, rumo ao abismo. Bastou a tomada de consciência de que o país é mais do que foi legado, de que os brasileiros são mais do que pão e circo e começou a gritaria contra aqueles que lançam a Luz da Verdade para enxergar o caminho seguro da retidão.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

FALTAM RUMOS E METAS

Como explicar a estagnação econômica do Brasil? A China e outros países aproveitaram condições mais favoráveis no câmbio e no custo de fabricação, tudo em favor das exportações. No Brasil, muitos empresários se acomodaram na zona de conforto do conluio com o governo. Outro importante fator negativo é o descalabro nas contas públicas da União, estados e municípios, decorrente da má gestão pública por incompetência ou por más intenções, elevando o custo do dinheiro. Isso tudo evoluiu para a atual estagnação. O país tem de encarar os embaraços existentes com realismo.

Os três poderes se mantiveram acomodados, vivendo no país das maravilhas, enquanto as dificuldades iam crescendo. O atraso é grande e se nada for feito para reequilibrar a situação, o país tenderá ao atraso político-econômico semelhante ao dos países africanos. Mas a turma prefere brigar pelo poder. Juros altos atraem dólares valorizando o real e barateando importados. Foi bom enquanto durou. Não produzimos dólares, mas temos muitas contas na dita moeda.

Economistas experientes cobram mais efetividade do governo no combate à estagnação e na dinamização da atividade econômica, além das correções necessárias na previdência. Mas nas atuais condições de baixa renda e encalhe de manufaturados no mundo, resta saber onde os investidores poderiam alocar os seus recursos com sucesso. As organizações globais permitiram o desarranjo do parque industrial transferido para a região asiática em que há mão de obra e outros fatores bem abaixo do padrão ocidental.

As dificuldades surgiram devido à displicência financeira e administrativa do governo que permitiu acúmulo de juros no montante de dois trilhões de reais de 2012 a 2017. O ajuste fiscal é imperioso, mas há que se reorganizar a produção e comércio global, pois a precarização avança pelos países sem que haja como dar trabalho e renda às respectivas populações.

A dívida chega a 80% do PIB e com isso a desindustrialização avança. A previdência é a casca do problema econômico do Brasil, mas o caroço é a desintegração da economia e o desemprego de milhões. A China aumentou de forma considerável a produção em busca de dólares. O equilíbrio deveria ser o alvo da economia global. Alguns países acumularam ganhos no jogo da globalização; outros, como o Brasil, tiveram perdas. Atualmente o país está endividado e não consegue dar pleno atendimento às necessidades de sua população. Há grande liquidez no mercado global, mas também elevadas dívidas. Se os juros subirem, tudo vai desabar.

A criação de riqueza decorre da produção, a qual gera emprego, renda e consumo. Aqui tivemos o inverso disso na indústria. O real valorizado, em consequência de juros exorbitantes, colocou os manufaturados nacionais em desvantagem competitiva. Com isso perdermos empregos, mas ampliamos o crédito. A dívida pública já chega a cerca de um trilhão de dólares, e a arrecadação não cobre os gastos. Já não é mais a depressão de um ciclo; é um buraco muito grande. Como solucionar? O Brasil ficou com a dívida descontrolada, como reconhecem muitos economistas, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria.

Moeda é questão fundamental, mas pouco estudada e entendida. No século 20, ocorreu a grande ascensão do dinheiro papel e daqueles que detém o seu controle. Uma ideia bem estruturada ao lado do Estado, desenvolvida através dos séculos para criar a mercadoria desejada por todos: o dinheiro, em papel ou digital.

O dinheiro passou a ser a mais cobiçada mercadoria e a vida passou a girar em torno dele. A economia atingiu os extremos nas finanças e na produção num novo vale-tudo para acumular dinheiro. Há superprodução de bens e dinheiro gerando desequilíbrios. Na África, falta o que comer apesar de sua riqueza mineral. No Brasil e em outros países, não está dando para produzir e obter lucro. Não surgem empregos, aumenta a precarização.

O globalismo está mais para saco de gatos em que os mais fortes comandam os mais fracos, destruindo a natureza, ampliando a miséria fora da área dominante, sem respeito aos interesses econômicos mútuos para assegurar relações equilibradas. As novas gerações precisam de preparo que as fortaleça interiormente para que estabeleçam metas de vida edificante. O mesmo tem de ocorrer com o país.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A GRANDE ESTAGNAÇÃO

A economia de um país teria de produzir o suficiente para atender às necessidades de sua população diretamente, ou produzir o suficiente para ter um excedente que permitisse fazer trocas com outros países, sem precisar recorrer a financiamentos para cobrir déficits do comércio. Aí entrou a imaturidade da classe política e a fragilidade do dinheiro próprio no mercado mundial. A globalização colocou na mesma arena o capitalismo de livre mercado e o capitalismo de Estado com poder centralizado, gerando desindustrialização, perda na renda, o que amplia os desequilíbrios existentes. No Brasil, a situação se agrava com o desequilíbrio fiscal e o crescimento da dívida.

Grande parte das operações do capitalismo hoje estão sob a égide do capitalismo de Estado que cria dificuldades e conflitos com o capitalismo ocidental viciado e dominado por forças corruptoras, mas que apesar de tudo enseja alguma liberdade. O problema, como sempre, está no ser humano e sua cobiça por riqueza, poder e desrespeito às leis naturais da Criação.

As empresas, em sua maioria, fazem a contabilidade em dólares, buscando ajustar os preços praticados. Grande parte da classe trabalhadora recebe em reais. Se a taxa de juros Selic aumentar, pode acontecer de a cotação do dólar baixar pela entrada dessa moeda para desfrutar dos juros atraentes. Com isso, simultaneamente, ocorrerá valorização do real, mas essa entrada vai refletir na dívida e aumento da despesa com juros, deixando os importados mais baratos. Também dificultará as exportações, embora haverá o momento de fazer o ajuste e tudo será invertido.

Desde o ciclo do açúcar e café, o comércio exterior no Brasil tem sido negócio para poucos. Atrai divisas, mas não chegou a dinamizar a economia interna. A China tem de alimentar sua população e dar oportunidades, e por isso escolheu a via da exportação de manufaturados, bem-sucedida pelo controle de custos que o ocidente não consegue seguir. O que dirão os economistas do futuro quando analisarem esse pesadelo econômico que está assustando bilhões de pessoas?

Não podemos permitir que a situação desande ainda mais. A economia tem de ser destravada e respeitar as leis da natureza. Um absurdo a poluição dos rios que transportam esgoto pelas cidades. A Baía da Guanabara virou a baía do lixo. Segundo o genial Leonardo da Vinci (1452-1519), nada do que há na Terra ficaria sem ser perseguido e destruído para satisfazer as cobiças por riquezas que serão extraídas das entranhas da Terra, como se fosse o sangue de um organismo, debilitando-a.

Há décadas vemos muitos teóricos opinando sobre educação e preparo das novas gerações para um futuro melhor, mas a decadência geral persiste. Estudar a natureza e suas leis terá de ser a base do estudo da ciência, pois nela se encontram os fundamentos que mostram como tudo funciona, com causas e efeitos bem determinados em amplitude cósmica. Por fim, será também o elo de união do homem com a espiritualidade.

As crianças precisam ser auxiliadas a desenvolver o controle pessoal, observando os próprios impulsos e as emoções, e serem motivadas para aprender. Escrever e fazer contas a lápis são excelentes meios para o desenvolvimento cerebral. Na educação infantil, falta o aprendizado sobre a vida, somos todos peregrinos e devemos nos esforçar para evoluir.

Há tendência de precarização geral, não só no Brasil que conta com mais de 13 milhões sem emprego. Estão surgindo alguns empregos elementares de baixos salários. Há 60 milhões de pessoas enredadas em dívidas. Desindustrialização. Perda na renda. Os desequilíbrios se agudizaram. A dominância da dívida travou tudo. O dinheiro está sumindo, e com a ampliação da austeridade não há alívio para a população.

A economia brasileira não pode continuar estagnada. É preciso produzir, empregar e consumir mais, equilibrar a balança comercial e as contas externas, conter o endividamento estúpido que nada produz e aumenta a carga de juros sobre a população. Devemos melhorar a educação, estabelecer projetos enobrecedores para que os adolescentes não desperdicem seu tempo em discotecas contaminadas por drogas que minam o caráter, enfraquecem a saúde e a nação. É preciso reconhecer que nada surge por acaso. Decair é fácil. Progredir requer esforço. Esse é o Brasil que queremos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O BRASIL E A DÍVIDA

Estamos mais uma vez no buraco, pois deixaram a dívida subir. A arrecadação caiu. Faltam bilhões, sem contar os juros. Está em curso no mundo uma disputa pelo poder financeiro e tecnológico. A especulação financeira continua desenfreada. A China aproveita os fatores favoráveis e vai produzindo e colocando seus produtos no resto do mundo com poucos empregos, trocando-os por dólares, enquanto os outros, Brasil na frente, estão desorientados, brigando escandalosamente pelo poder interno e precisando equilibrar as contas para segurar a dívida irresponsavelmente descontrolada para poder tomar novos empréstimos, pois não podem emitir para não depreciar a moeda.

Os supersalários públicos e as superaposentadorias contêm abusos e privilégios anormais. A queda na renda já afeta o consumo. Aumentar a produção é imperativo. O monetarismo vai colhendo ganhos até onde dá, depois fica sem maiores alternativas para ativar a produção e consumo que requerem atividades úteis e benéficas. Sem produção, a circulação do dinheiro vai perdendo velocidade trazendo estagnação e deterioração.

Há uma nova turbulência, e é na economia que os efeitos se fazem sentir primeiro, mas os efeitos abrangem tudo. Se olharmos atentamente perceberemos que tudo se acha em ebulição no Brasil e no mundo, inclusive a mania de grandeza dos homens que estão demonstrando a completa ausência do bom senso para recuperar o equilíbrio perdido. Mas o destino é implacável com os desatinos. O mundo está se tornando um depósito de esquizofrênicos. Já começa na infância com a falta de conexão com o eu interior. Vai prosseguindo com a falta de propósitos advindos do querer da alma trazendo forte motivação. Está aberto o caminho para o vazio da vida sem sentido, para os transtornos emocionais e uso de drogas.

Na fase atual, tudo acontece aceleradamente, muitas vezes nos pegando de surpresa, gerando ansiedade. Ficar lançando pensamentos de ansiedade a esmo cria um ambiente tenso que vai bloqueando a intuição. É preciso cultivar a serenidade, só assim damos chance para que o espírito possa examinar intuitivamente e nos alertar.

Há muito dinheiro sem ter em que ser aplicado. Os BCs baixam os juros, mas para o pequeno tomador os juros permanecem caros. Nos países em geral caiu a produção de manufaturas e empregos. Os bens importados geram poucos empregos e levam divisas para fora. Cai o salário, afetando o consumo. Juros negativos não conseguem resolver o problema do desequilíbrio na produção. Tudo junto gera a tal de estagnação secular de produção e empregos em rota descendente.

É o fundo do poço. Os serviços dependem da renda auferida pela população em outras atividades. Bancos automatizam. Governo corta tudo. Indústria não sabe o que fazer com a superprodução global em liquidação. Na globalização, como novo mercantilismo, as nações estão produzindo com todos os artifícios visando os mercados externos para trocar manufaturas por dólares. As nações da América do Sul permanecem endividadas e fornecedoras de commodities. Amigos do Brasil seriam os países que viessem investir para aumentar produção e empregos, mas no atual desequilíbrio da economia o mundo vive o salve-se quem puder, como se observa na guerra das tarifas.

A economia brasileira anda mal já faz tempo devido ao artificialismo nos juros, no câmbio, na fragilização da indústria, no preparo da mão de obra. Predominam as falcatruas e corrupção, tudo indo afetar a economia. A bolsa, como em outras regiões, deveria funcionar como plataforma de investimento e desenvolvimento, mas se tornou a mina onde os garimpeiros buscam ouro; funciona como cassino onde o dinheiro esperto cava oportunidades de ganhos.

No mundo globalizado, não basta o simples comércio para a paz democrática. No Brasil, exportamos as montanhas de minério, mas contamos 13 milhões de desempregados. A paz e a democracia deverão ser consolidadas com o equilíbrio econômico e comercial entre os povos. Para competir com China e Coreia do Sul, será que os países terão de impor o 9x9x6, isto é, 72 horas de trabalho por semana sem adicional de hora extra? Muito do comércio mundial tem dado vantagens para uns em prejuízo de outros, o que abriu o caminho para líderes nacionalistas, pois as repúblicas não ofereceram o esperado pela população. O Brasil não deve permanecer sendo tratado como colônia de commodities e permanecer decadente.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A RESPONSABILIDADE DE MÃES E PAIS

Há a percepção de que há algo errado na vida, mas não se conhece a causa, então aumentam o descontentamento, insatisfação, revolta e o estresse. O celular e suas conexões são a válvula de escape, mas que na verdade consomem a pouca energia existente. Faltam propósitos e força de vontade; o tempo vai escapando e as dificuldades aumentam. Característica marcante desta era é a baixa resiliência das novas gerações. Aliam-se a isso a enxurrada de negativismo que leva as pessoas a se preocuparem só com as dificuldades diárias, sem esforço para entender o significado da vida.

As novas gerações deveriam receber, como motivação básica, a necessidade de se esforçarem para construir um mundo melhor, com ética e responsabilidade. Seria isso demais? Mas os adultos têm coisas “ditas” mais importantes para se ocupar do que se relacionar com o próximo de forma construtiva e equilibrada e dar bons exemplos. Talvez temam que os jovens adquiram clareza e, descobrindo o sentido da vida, percebam as incoerências do sistema, passando a reivindicar mudanças que poderiam ferir privilégios consolidados há séculos.

Uma criança que foi protegida e teve, habitualmente, tudo o que quis, vai desenvolver em sua mente a presunção de sua importância sobre os demais. Assim, irá ignorar os esforços dos seus pais e presumirá que todos devem lhe dar ouvidos; e se vier a assumir cargo de comando, não terá empatia para com os subalternos e sempre encontrará culpados pelos insucessos sem se autoexaminar. Esse tipo de pessoa, que pode ter boa formação acadêmica, não consegue vivenciar os problemas reais e raramente sentirá contentamento, pois sempre tentará sugar as ideias dos outros, cobiçando tudo, e dessa forma será péssimo exemplo para os filhos.

Em Calcutá, na Índia, uma jovem de 21 anos homenageou seu pai levando-o por toda a cidade sentado no “rickshaw” – um transporte comum naquele país até hoje. O pai dela é condutor desse tipo de veículo, chegando a puxar duas ou três pessoas, no sol e na chuva, dia e noite para sustentar a família composta de esposa e três filhas que moram na favela. Essa menina estudou com ajuda de lamparinas e em escola e faculdade mantidas respectivamente pela prefeitura e pelo governo. Ela completou o segundo grau e a faculdade com notas mais altas e agora alcançou o primeiro lugar na prova mais cobiçada e difícil na Índia! Sonho de milhares e milhares, pois somente uma em cada 200 mil pessoas consegue entrar na lista de aprovadas para os Indian Administrative Services que treinam os administradores de todos os setores do governo. Essa menina tinha fé e estudou sozinha num quarto onde moram cinco pessoas, sem energia elétrica e sem recursos. Uma lição de humildade, trabalho, dedicação e determinação para todos nós!

As dificuldades aumentam, mas poucos se aventuram em buscar as causas. A vida não é só uma corrida atrás de dinheiro e comida. As novas gerações não veem mais pessoas procurando o sentido da vida e então nem pensam nisso. Vão adentrando na vida mecânica e em ansiedade e depressões quanto ao futuro, exaurindo-se no presente. O futuro da humanidade depende do bom preparo das novas gerações que começa desde quando são gerados por seus pais para se tornarem seres humanos de qualidade, benéficos ao planeta. No Brasil, faltam creches com cuidadoras bem preparadas e dedicadas, e escolas que ensinem as crianças a ler e escrever corretamente e a fazer contas elementares.

Sem saber ler direito, a pessoa é nada. Mas não podemos esquecer a responsabilidade dos pais e mães. No mundo, tudo se tornou uma questão de dinheiro e o desenvolvimento e aprimoramento da humanidade se tornou secundário. É preciso vontade forte para fortalecer o humano, o espírito. Pais e mães não estão conseguindo transmitir os valores da vida e de bom senso às novas gerações. Tudo está submetido a um sistema de comunicação de modelagem adequada para alcançar os fins definidos por uma elite materialista. Mas o ser humano é mais do que comida, dinheiro e prazeres. A vida não é só isso; o tempo é precioso e deve ser aproveitado para a evolução pessoal e espiritual.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A NOVA RECESSÃO MUNDIAL

Nos anos 1980, apesar das crises e dos juros escorchantes da dívida externa, havia produção industrial, empregos e renda; produzia-se para exportar e pagar a dívida. A população era mais otimista e sobrava um dinheirinho para uma pizza no fim de semana. A exploração da classe política no Brasil foi se insurgindo, sugando ao máximo. Argentina e Brasil fizeram as mesmas besteiras achando que com juros altos e dólar barato resolveriam todos os problemas. Gastamos cerca de 400 bilhões de reais de juros ano. Hoje, os dois países estão no buraco, o da Argentina é mais fundo. A indústria perdeu espaço. Asiáticos seguiram produzindo, exportando e fazendo reservas. Com a nova recessão geopolítica tudo vai ficando mais difícil.

A economia e a produção no Brasil estão estagnadas. Nas discussões sobre desemprego e renda desigual a globalização não pode ser posta de lado. Há países que reconhecem a necessidade de estabelecer regras para o trabalho, mas onde há muita pobreza e fome as pessoas trabalham para viver, e se a produção for destinada ao mercado globalizado isso afeta seriamente o trabalho, o que até agora não foi pouco discutido, mas a desindustrialização e a precarização avançam pelo mundo.

Desde os anos 1980, a principal opção econômica do Brasil tem sido a dos juros altos. Acomodaram-se empresários e políticos, estes últimos visando sua permanência no poder. Em recente artigo, Ian Bremmer, cientista político norte-americano, fala da recessão geopolítica mundial que envolve a luta pelo poder no controle da riqueza financeira e física, que afeta países como o Brasil que já vinham perdendo terreno na indústria.

A estagnação freia o consumo. Asiáticos produzem muito, para converter sua mercadoria em dólares baixam preços; os emergentes ficam sem ação: o que produzir além de matérias primas, que podem entrar em ciclo de baixa, e comida? Adentramos nesse ciclo de conflitos comerciais que freiam avanços na economia e na melhora das condições gerais de vida. Quais seriam os efeitos da manutenção das atuais taxas de juros americanos? E de sua elevação ou redução?

Para o que a civilização do dinheiro está olhando? Como sempre, para o dinheiro. O Brasil tem cometido muitos erros contra a sustentabilidade da natureza. Desmatamento, poluição dos rios e mares, falta de saneamento e tratamento do esgoto, uso de inseticidas e pesticidas nocivos que matam lavradores e abelhas, tudo prejudicial. Montanhas de minérios do Brasil têm sido arrasadas para exportar commodities a preços vis, exploradas por empresas e fundos de investimentos mundiais que visam e desfrute sem maiores cuidados, como aconteceu em Mariana e Brumadinho, e nada falaram. O que eles pensam do Brasil e sua população?

A crise da humanidade antecede a crise da democracia. Se a humanidade tivesse se mantido firme no propósito do direito de evolução de todos os povos, a história mostraria justiça e não haveria esse cenário caótico de imigrações e refugiados pelo mundo. Os homens fortes no poder se espalham desde a Rússia e China e vários países. No Brasil, apesar de o Estado ter sido aparelhado, em 2018 tivemos eleições livres e a população fez a sua escolha. Legislativo e Judiciário funcionam com autonomia. Faltam seriedade e união por um Brasil melhor.

A juventude ansiava conhecer as causas do sofrimento e miséria existentes na Terra. Os jovens nascidos no século 21 estão com baixa resiliência para lidar com os problemas e crescentes dificuldades da vida, caindo facilmente em depressão. Com muitas informações, o mundo se tornou objetivo, só com exterioridades. Sem introspecção não há aprofundamento.

Como motivar os alunos ao fortalecimento do querer saber? Aos seres humanos em geral falta a visão do significado da vida e suas leis naturais, em nossos dias mais ainda. A solução não está no ensino de religião com seus dogmas e regras. Os jovens deveriam ser instigados a conhecer o verdadeiro significado da vida, sua origem e finalidades, pois as leis da Criação jamais poderão ser burladas impunemente. O ser humano é criatura espiritual que tem a livre resolução: pode contribuir para a melhora geral das condições de vida no planeta, ou dar espaço ao querer egoístico para satisfazer sua vaidade e cobiça de poder, mas terá de arcar com as consequências.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7