VIVER É LUTAR

“Viver é lutar. A vida é combate, que aos fracos abate, que aos fortes, aos bravos só pode exaltar”. Gonçalves Dias (1823/1864).

O que virá após a pandemia tão confusa no que diz respeito ao seu tratamento, seja por ignorância ou por interesses escusos? Poderemos chegar ao pandemônio provocado por pessoas mesquinhas para satisfazer suas cobiças atraindo desordens nas contas públicas, na economia, no trabalho, na alimentação. Se chegarmos a isso estaremos perto do fim da civilização livre que possibilita evolução espiritual e mental.

O sistema econômico foi perdendo a naturalidade, gerando uma caótica situação em decorrência dos desequilíbrios causados por sua frágil estruturação globalizada. Uma situação bem difícil para países atrasados. Em geral, a vida empresarial se modificou muito em quase todos os ramos; os pequenos e médios empresários têm muitas dificuldades porque, com a globalização, a competição internacional se tornou feroz e desigual. Mas agora, a economia desequilibrada está sendo arrasada pelo covid-19.

A economia vinha apresentando problemas há algum tempo. O ocidente de livre mercado optou por produzir na Ásia com menor custo do trabalho. As finanças inflaram. As lutas políticas e a geopolítica impedem uma ação coordenada visando o bem geral e a melhora de condições de vida. Na China, o Capitalismo de Estado segura tudo com mão forte. As incoerências da economia deixam o futuro incerto.

É indispensável pensar seriamente no futuro. Como vai ficar a finança pública? De onde virá o dinheiro quando não houver mais arrecadação por falta de atividades? Como será resolvida a questão da massa de desempregados? Vamos ter de vender o Brasil e deixar a precarização tomar conta de tudo? Além disso, o que restou da indústria suportará o golpe? Vamos ter de importar de tudo em troca de commodities? Os governantes devem sempre agir em benefício do país e sua população, mas isso foi abandonado há décadas. Precisamos modificar esse quadro, mas a ruína que herdamos é profunda.

Em maio de 1888 era promulgada a Lei Áurea, extinguindo com grande atraso o trabalho escravo no Brasil. No ano seguinte um grupo de revoltosos despreparados destituiu D. Pedro II e começou a nova história do Brasil, um país sem rumo, presa fácil de interesses internacionais. Com tantos recursos que o Brasil dispõe faltaram estadistas sábios e patriotas que transformassem “o país do futuro” numa nação forte e autônoma onde seu povo pudesse evoluir continuadamente.

A amizade verdadeira é um sentimento nobre que se preocupa com o futuro da pessoa amiga. Hoje as amizades surgem na base de interesses mútuos, ou na expectativa de que uma pessoa possa ser útil para que outra possa alcançar os seus objetivos. Como os interesses estão em constante mudança, as amizades também. Relações pessoais, políticas ou internacionais mantêm semelhanças, uma vez que prevalecem os interesses particulares que não raro levam ao suborno e à chantagem para conseguir o que se cobiça.

O suborno ou propina é a quantia paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos. É ampla e encoberta a prática de oferecer muito dinheiro a uma autoridade para que ela favoreça determinados interesses altamente lucrativos de grupos e países, que enriquecem a classe política e as empresas envolvidas, mas empobrece o país e sua população pela falta de patriotismo dos governantes. Tem sido praticado por todos os países, como Inglaterra, Europa, EUA e Japão. Agora a China também faz parte do grupo.

Inquietas as pessoas estão se tornando incompreensivas diante das situações adversas, indo aos limites do equilíbrio emocional, perdendo o controle. As fúrias ficam espreitando tudo, prontas para desencaminhar os seres humanos. Mas como bem disse o poeta Gonçalves Dias (1823/1864): “Viver é lutar. A vida é combate, que aos fracos abate, que aos fortes, aos bravos só pode exaltar”.

Se o viver não tiver propósitos enobrecedores, tais como a busca pelo saber, autoaprimoramento, e a vontade de contribuir para a melhora geral das condições de vida, que espécie de luta será esse viver dominado por paixões e mesquinharias? Viver é lutar por um existir humano e digno, seja qual for a idade, seja qual for a situação do ser humano. Sem alvo elevado, a vida cai numa rotina aborrecida à espera do fim sem que cada indivíduo tenha aproveitado a existência desde o início. É lamentável a atual condição humana. Viver é lutar pela libertação espiritual.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A SEMENTE ESPIRITUAL

O que é a semente espiritual? É o espírito dotado naturalmente do impulso para adquirir autoconsciência, mas que precisa do solo adequado para o seu desenvolvimento. Nasceram os seres humanos na Terra, com suas raízes no espiritual para de lá captar a energia e aplicá-la no beneficiamento de tudo e evoluir. O espírito deveria permanecer forte e progredir nas vivências, mas acabou se deixando dominar pelo intelecto.

Com o raciocínio se tornando mais forte do que a intuição, as raízes do alto foram secando e se alojando no solo perecível do mundo material. Preso à Terra o ser humano deixou de haurir a energia espiritual e foi adoecendo e contaminando tudo.

Para subsistir e subir os degraus da escada que eleva, terá agora de fazer todo esforço que puder para recuperar as raízes destruídas, mas isso somente será possível para aqueles que buscarem o verdadeiro saber da vida e das leis que regem a Criação, pois elas encerram a Vontade do Criador.

LÍDERES SÁBIOS E PATRIOTAS

Durante séculos o mundo esteve olhando só para o dinheiro, esquecendo tudo o mais, deixando em segundo plano a riqueza que nos é dada pela natureza como o ar, a água e demais elementos essenciais para a vida, o que gerou desequilíbrio geral. A sociedade está sujeita a crises de todas as espécies que ocorrerão com frequência; eventos que evidenciarão a estupidez dos homens em relação à própria vida e à sustentabilidade do planeta.

Em sua trajetória para evoluir, o homem foi moldando o poder para atender à sua cobiça. A humanidade não reconheceu a origem de Jesus e a amplitude espiritual de seus ensinamentos. A Igreja, criada bem depois, dominou por séculos. Veio a era do dinheiro, o fim do poder dos reis, a criação dos Estados, o declínio do poder da Igreja e da sua interferência nas decisões. Surgiu o Estado laico.

A República foi se tornando corrupta e abusada. A globalização quis uniformizar as culturas. No auge da desfaçatez da classe política surgiram líderes com patriotismo. É necessário zelar pelo país para que os recursos naturais sejam utilizados para o progresso e bem geral. Uma esperança percorre o Brasil, mas a sociedade brasileira tem de se movimentar para extirpar o veneno da cobiça e corrupção.

O regime chinês, aproveitando-se de sua vasta mão de obra de baixo custo, criou o Capitalismo de Estado dirigido pela mão dos homens fortes do partido único, com poder absoluto, que mandam em tudo sem depender de congresso ou do poder judiciário. Provavelmente esse seja o modelo que os seres humanos materialistas querem implantar no mundo, subordinando tudo apenas às leis materiais afastadas da Luz e das leis da Criação acessíveis aos espíritos ativos que não se deixaram adormecer pelas ilusões do mundo material. Cada indivíduo tem que se movimentar em busca da Verdade, de sua libertação espiritual, evoluir, construir e beneficiar. Subir por si mesmo a escada que eleva.

Nada de tão grave ocorria na economia desde 1929 quando tudo parou. Se tudo está parado não há renda; sem renda fica difícil sustentar empreendimentos deficitários. Enfim, pouco podemos fazer e decidir enquanto a economia não entrar em ritmo normal. Até lá temos de ir levando do melhor jeito que pudermos. Cada país, com amor à pátria, terá de se dedicar intensamente na recuperação em seus limites, cuidando de seu povo e sua cultura. No entanto, tirar vantagens de outros povos e outras nações é algo que tem de ser banido para que haja paz e progresso.

O Brasil pouco cuidou do preparo das novas gerações e da criação de oportunidades, um problema que se arrasta desde a Lei Áurea, mas que se agravou com a crise da dívida externa gerida pelo FMI. O consenso de Washington, o neoliberalismo e a globalização enfiaram na cabeça dos governantes que, para criar riqueza, tinham de eliminar as barreiras alfandegárias e abrir o mercado sem este estar preparado, renunciando a própria cultura. Perdida, a classe política tratou de arrumar a si mesma e assim caímos na precarização.

O mundo precisa de líderes sábios que respeitem o solo pátrio para que cada povo possa aprimorar a si mesmo e a própria cultura. Os seres humanos, dominados pela cobiça, se tornaram desconfiados e estranhos uns aos outros. Raramente notamos um gesto de cordialidade e consideração ou uma palavra amistosa tão frequentes em épocas passadas. Os homens cobiçosos se julgam donos do planeta e impuseram suas ideias restritas ao povo despreparado e acomodado que tudo aceitou em troca de migalhas e diversão. Assim, o mundo foi rumando para o abismo, mas acima do homem estão as leis do Criador que trazem de forma impetuosa a colheita de tudo que foi semeado. A cura está no reconhecimento e obediência às Leis do Criador.

O cérebro é uma poderosa ferramenta para atuar raciocinando em conjunto com o cerebelo cuja função é captar a intuição proveniente da alma. Infelizmente, a intuição foi sufocada. O cerebelo ficou pouco desenvolvido e o raciocínio, raramente lúcido, se tornou dominante. Temos de pensar com clareza e reaprender a ouvir a voz da intuição. No entanto, atualmente há uma forte pressão que restringe, fechando os horizontes do ser humano que deveria se desenvolver e beneficiar tudo na Criação.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

BRASIL SOB ATAQUE

As dificuldades vão perdurar além do que se poderia esperar enquanto, na calada da noite, se fazem tramas políticas contra o Brasil e sua população. A situação mundial é de extrema gravidade, os desequilíbrios se espalharam por todas as áreas: economia, política, trabalho, meio ambiente, saúde, educação e, consequentemente, virão outras crises que serão cada vez mais frequentes.

Como enfrentar a maior crise econômica que se aproxima especificamente do país? Cai a produção. Restaurantes, comércio e shopping centers fechados. Serviços básicos fechados. Eventos cancelados. Hotéis vazios. Não há circulação de dinheiro. Como pagar as contas se não há receitas? O que vai acontecer? Será a falência generalizada? Como prefeitos e governadores enfrentarão os encargos? O governo federal está no limite do endividamento? O que será do Brasil e sua população?

A cobiça pelo poder impede que haja união para solucionar a crise. Pessoas sem patriotismo fazem tudo pelo poder. Esta época requer que sejamos poupadores e façamos reservas para enfrentar o desconhecido. Estamos no limite extremo, empresas e pessoas têm de se adaptar. Temos de restringir os gastos lembrando que todos estão enfrentando as mesmas dificuldades da economia paralisada.

O Brasil tinha adentrado em fase de transição, pois corria o risco de perder o status de nação independente. Temos de zelar pelo país para que seus recursos naturais sejam utilizados para o progresso e bem geral. Apesar de tudo, ainda resta uma esperança percorrendo o país, mas a sociedade brasileira tem de se movimentar. Nós todos, sob a Luz da Verdade, como forma de gratidão ao Todo-Poderoso Criador, temos de zelar pela maravilhosa pátria que nos foi concedida na Terra.

Fala-se que diante de tantos problemas a humanidade se encontra num beco sem saída. Mas sempre há uma saída, muitas vezes não percebida por não ser procurada. Nada surge pronto. Tudo tem o começo pequeno, o crescimento, as correções e o resultado final, que sempre poderá receber alguma melhora.

Muitas vezes o bom resultado depende de como olhamos para o problema e com qual atitude: com vontade forte de resolver, ou com insatisfação e desânimo. Lutar, buscar, encontrar. A intuição surge como uma imagem ou mais de uma, que formam a sequência do caminho para a solução que estamos procurando. Vamos espalhar sabedoria, tornando-a acessível a todos que a procuram; isso é muito gratificante e salutar; é o dar para receber.

O livre mercado tem mantido o seu olhar voltado para o lucro máximo. O capitalismo de Estado se utiliza de fatores especiais de competitividade na produção e exportação que promoveram a desindustrialização em várias regiões. É sempre a cobiça dos homens que não querem assumir sua responsabilidade perante a vida e a utilização dos recursos concedidos pela natureza. Ian Bremmer, consultor sobre riscos globais, apontou o fim do livre mercado, incapaz de competir com o Capitalismo de Estado e, consequentemente, o fim das liberdades individuais e avanço da precarização geral.

Há muita insatisfação e discórdias, mas para aqueles que vivem nesta região maravilhosa, a prioridade tem que ser o Brasil, até hoje sugado pelo grupo que se refestela no poder desde 1889, sem ter contribuído para o engrandecimento e felicidade do povo, e que, por incompetência, arcaram com juros de cerca de R$ 400 bilhões por ano, deixando dívidas e ignorância.

Há pressão forte para que as pessoas mantenham o olhar para baixo, para coisas mesquinhas. Com força de vontade, as pessoas poderão perceber o que está faltando para a humanidade alcançar a condição verdadeiramente humana, construindo e beneficiando tudo ao seu redor. Falta humildade, sobra arrogância. Podemos sentir as animosidades na pele. Os seres humanos se tornaram desconfiados e estranhos uns aos outros. Raramente notamos um gesto de cordialidade, uma palavra amistosa que era tão frequente em épocas passadas.

Temos pela frente um penoso período de embates, uma fase que vai exigir esforço e perseverança. Nada pode se realizar sem esforço e vigilância; é uma fase de depuração. Os brasileiros têm sido indolentes e displicentes. Até 2022 teremos um período turbulento com ataques e golpes baixos contra o Brasil. Se houver esforço e merecimento, pode ser que venhamos a ter um período mais ameno, mas tudo vai depender do merecimento e esforço de todos.

A GRANDE ESPERANÇA

O Brasil precisa de esperança, confiança e ação para recuperar o terreno perdido. Os acontecimentos atuais mostram os riscos de depender de uma única fonte de suprimento. Há muitos desequilíbrios para serem sanados, mas requerem força de vontade. Os seres humanos estão abdicando de suas capacitações de examinar, ponderar, refletir de forma intuitiva, o que permite a ampliação e dominação da manipulação agora facilitada pelos novos recursos tecnológicos.

Os homens públicos têm que ser chamados para assumirem suas responsabilidades neste momento crítico mundial, com elevado nível de população despreparada. Sem circulação, a economia não anda; sem produção, a circulação se reduz. O livre mercado não tem como competir com os custos asiáticos. O Estado deve contribuir para que haja oportunidades de progresso para todos. Os artífices queriam um Estado que tivesse arrecadação e pudesse contrair empréstimos. Aí vieram os burocratas e melou tudo. O dinheiro nunca é suficiente, as dívidas crescem e tudo o mais fica por fazer.

Erigiu-se toda uma estruturação para surgir o Estado Laico e Republicano, sem a figura do rei absoluto. No Brasil, isso foi feito por um grupo despreparado em represália a D. Pedro II por este ter eliminado o trabalho escravo e que acabou entregando sua autonomia a banqueiros ingleses. Mas a população deveria ser bem preparada e o Estado não deveria ser o tutor de todos, tributando a tudo e a todos, e fazendo negociatas.

Cada povo, em seu solo e tradições, todos seguindo as leis naturais da Criação. Mas a cobiça dominou e o resto da história mostra Estados endividados, falidos, população despreparada, famílias desestruturada, cidades caóticas. O que os governantes fizeram com o dinheiro? O Estado nacional contemporâneo tem como princípio realizar a soberania política e militar dentro de um determinado território delimitado por fronteiras para proteger seus recursos naturais. As nações que se anteciparam no desenvolvimento industrial buscam suprir suas necessidades de matérias-primas e consumidores, e por isso derrubam ou chutam a escada do desenvolvimento para os demais, como explica o economista sul coreano Ha-Joon Chang no livro Chutando a Escada.

O dinheiro precisa circular para movimentar a economia. A dívida pública subiu de forma vertiginosa. O país deixou que fábricas fechassem e, consequentemente, contribuiu para a perda de empregos. O governo tem déficit e dívida alta, o mesmo ocorre com grande parte da população cuja renda caiu. Fica o dilema: como dar impulso à economia, enquanto a miséria continua aumentando? A casa estava recebendo uma limpeza de desperdícios a começar na cobertura, transferindo o dinheiro economizado para ativar a economia, mas com a invasão do covid-19 a ordem planetária foi manter todo mundo dentro das moradias, grandes ou pequenas.

A saúde é a grande riqueza; sem ela tudo o mais perde o seu valor para o ser humano que depende de seu corpo sadio para cumprir sua tarefa na Terra. O corpo é de uma perfeição espetacular; as condições de hospitalidade do planeta, também. Mas o ser humano não se esforçou para entender a naturalidade e causou danos a si e à natureza.

O mundo se defronta com a grande turbulência. Com mais de sete bilhões de pessoas e inúmeras decisões imediatistas, a situação está beirando ao caos. Veladamente, anuncia-se o fim da possibilidade de dar solução condigna aos problemas criados pelo ser humano. Há risco de que água potável e alimentos não sejam suficientes.

As casas onde se criam as leis dos homens estão desatentas. Há décadas o poder mundial, está concentrado nas finanças. Precisamos de homens sábios e responsáveis no comando, e de seres humanos que se movimentem buscando o bem, sem se deixar dominar pela indolência.

O Brasil adentrou na fase de transição pois corria o risco de perder o status de nação independente. Agora é importante zelar pelo país para que seus recursos naturais sejam utilizados para o progresso e bem geral. Circula uma grande esperança de norte a sul, mas a sociedade tem de se movimentar. O país tem sido menosprezado, pois muito dinheiro foi carreado para o exterior, apesar das nossas grandes necessidades. Nós todos, sob a Luz da Verdade, como forma de gratidão ao Todo-Poderoso Criador, temos de zelar pela maravilhosa Pátria que nos foi concedida na Terra.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

CONHECER O SIGNIFICADO DA VIDA

Desenvolvemos muitas práticas inúteis, fúteis e superficiais, que absorvem grande parte do nosso tempo de vida, que poderiam ser abandonadas tranquilamente sem fazer falta alguma para a humanidade. A epidemia do covid-19 está mostrando isso. Algumas coisas, porém, foram postas de lado sem critério, sendo as principais, o trabalho, o estudo e a atividade física. O trabalho deveria ser mais bem pensado, com menos horas de ocupação e mais horas de estudo. O sistema 24 horas por 7 dias das semanas já se revelou antinatural, pois as noites foram feitas para o repouso.

Tudo que a humanidade faz ficou impregnado da ânsia pelo dinheiro, o que retira a naturalidade dos seus afazeres em oposição ao significado e finalidade da vida. Em vez de atuarem naturalmente para atender às próprias necessidades de forma condigna, as pessoas acabaram se tornando meros fatores de atividades econômicas para o acúmulo de dinheiro e poder nas mãos da classe que se comporta como se fosse dona do planeta, pondo de lado a amplitude da vida e da Criação, que inclui o aquém e o além, sendo tudo uma só coisa. Seres humanos intelectivos e materialistas fizeram a separação para se alienarem da vida real. Com a pressão reforçada da Luz do Criador, todas as consequências do modo errado de viver estão surgindo aceleradamente, de forma dramática, para que sejam extirpadas da face da Terra e a humanidade possa beneficiar tudo através de alegres atividades e evoluir em paz.

Para favorecer a paz duradoura é imprescindível que a educação promova a busca pelo aprimoramento pessoal e espiritual continuadamente, de forma que os estudantes se tornem seres humanos de qualidade e que tenham consideração sincera pelo próximo, buscando a continuada melhora nas condições gerais; mas sem conhecer o significado da vida, permanecerão transitando por caminhos errados. E como seria a forma de viver na Terra se os humanos conhecessem o real significado da vida?

O desenvolvimento da nossa espécie refere-se ao progresso sadio, com a possibilidade de manifestar a vontade do eu interior livremente. Clarificar o espírito. Adquirir maturidade. Intuir e pensar com simplicidade, clareza e naturalidade. Por seu modo de ser, o espírito esclarecido estabelece a paz em redor de si, sem manifestação raivosa, com serena objetividade no grande impulso de atuação alegre.

As trevas dos erros humanos envolveram a Terra. Vivemos numa época caótica cuja loucura e insensatez atingem a todos, e tendem a aumentar. Se não ficarmos vigilantes, o aumento do estresse, os descontentamentos e a tristeza acabarão moldando o nosso querer. Perde-se a esperança de que as situações possam ser modificadas pela generosidade.

As novas gerações encontram o terreno minado e vão avançando em meio à escuridão. Os seres humanos nasceram livres com intuição ativa, mas deixaram o intelecto dominar e se acorrentaram aos erros, perdendo a liberdade espiritual e agora vivem como escravos do raciocínio. Só a Luz da Verdade poderá libertar os que a buscarem com toda sua força.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Brasil, hás de ser uma pátria livre banhada pela Luz do Criador, apesar de todo jogo sujo desenvolvido pelos homens que agem como lobos assassinos dos semelhantes.

Falta união pelo bem geral. Os partidos e seus representantes se aglutinam por interesses; em primeira linha está a conquista do poder. Se o que é bom para o país não é bom para a eleição dos pretendentes, que se dane o país e sua população. E assim caminha, a humanidade, seja em que país for os homens se digladiam pela conquista do poder e controle das riquezas.

Nesta época de crise muitos gastam sua energia procurando culpados. Eles existem sim; a humanidade semeou e agora colhe. Não faltaram advertências. Nada acontece por acaso. O atuar das leis da Criação expressa inexorável justiça tecida pelos fios do destino gerados pelas ações dos seres humanos. O vento é forte. O momento é difícil e mostra a nossa pequenez. Necessitamos ter confiança na sabedoria da Luz, Força para resistir e coragem para prosseguir.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

SERÁ O FIM OU O RECOMEÇO DO BRASIL?

O que temos ensinado aos jovens que ingressam nas faculdades de economia? A questão não está no sistema, mas em quem o criou, ou seja, os próprios seres humanos que esqueceram a espiritualidade e seguiram na sintonização puramente materialista e deu nisso, a precarização geral da vida. No afã de minimizar os custos e manter os ganhos, as indústrias foram para a Ásia, mas dessa forma foram subtraídos empregos e renda. Em seu imediatismo, o ser humano destrói as condições de subsistência e também sua morada temporária.

Os ares estão mais leves, a quarentena está mostrando quanta displicência há no modo de vida frenético de produzir coisas úteis e muitas bugigangas que servem para nada. Pessoas indo e vindo desordenadamente, todos no mesmo horário lotando trens, ônibus, avenidas. O olho gordo do ganho foi o biombo que escondeu toda a insensatez e que agora foi lançado por terra pela epidemia, convidando ao bom senso e à busca do sentido da vida.

Estamos sob a tempestade bem montada. Aviões estão no chão. Ações sobem puxadas pelos ventos, mas descem quando o vento diminui. Colocou-se muita dependência na oficina chinesa, mas quem poderia pensar que algum dia ela pudesse dar uma parada? Bancos Centrais cortam os juros. Aumentam a liquidez. Recompram papéis. Evitam o caos financeiro.

A epidemia global do covid-19 ocasionou uma parada geral. Os ativos se depreciam, o PIB permanece estagnado com possibilidade de queda. Faltam empregos. O coronavírus está impactando todas as atividades. O dinheiro deixa de circular, os negócios ficam paralisados, o que acontecerá com os empregos e o PIB?

O Brasil está em clima semelhante ao dos anos 1980, com a dívida externa e sua outra face inflacionária. Tudo andava devagar. Agora a dívida está em reais, mas é gigante, e de novo andamos em clima de país endividado necessitando de dinheiro, sem alternativas para agir. Não há máscaras nem equipamentos necessários para os profissionais da área de saúde; tardiamente se percebe a importância da indústria nacional.

Congressistas e governadores demandam dinheiro, mas a renda da população em geral e dos servidores públicos se precariza. Quem está disposto a investir em produção? Exclua a carga tributária, baixe os juros e mesmo assim o importado produzido em larga escala chega mais barato. Mas o produto importado demanda dólares que estão em fuga, agora com cotação mais real.

Vivemos numa época que não preza mais a verdade. Estamos na era da pós-verdade, dos ataques à moral. O bullying e a infâmia são as armas desleais utilizadas por inimigos e pessoas de baixo nível que querem desorientar e confundir. Cada um que examine a si mesmo e às reações que teve quando atacado injustamente com falsidades e mentiras. O ser humano não é uma barata. É preciso uma forte couraça para se safar desse tipo de ataque.

Numa relação sadia com seus cidadãos, o Estado não deveria se agigantar para manter a população acomodada, desfrutando das migalhas enquanto os tubarões ficam com o filé. Um povo forte, bem preparado, não precisa de Estado grande que interfira em tudo, mas que defenda os interesses econômicos, culturais e espirituais da nação.

Dizem que o país está dividido e isso é natural porque antes todos estavam iludidos com as migalhas. Apenas uma parte abriu os olhos e viu a realidade; outros permanecem no engano. Tudo contribui para a cegueira: a imprensa, as TVs, as fakenews, mas principalmente a indolência do ser humano que vê e não quer enxergar, não quer ativar as próprias capacitações para analisar e refletir.

Passamos a importar de tudo, pois era mais simples e barato. Isso começou em 1995. Em menos de 30 anos acabamos com a indústria e o país enfraqueceu. Exportamos madeira, importamos móveis. A globalização foi o grande engano. Com dólar mantido barato artificialmente, as indústrias não puderam resistir à concorrência do importado feito com mão de obra barata. O poder está na economia produtiva não na especulação, que trouxe o desemprego, queda na renda e a precarização geral aceita pelos governantes, inclusive nos EUA. A rota da decadência prossegue. O que fará a classe política? Será o fim do Brasil como pátria livre ou um recomeço?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

GERAÇÃO DESORIENTADA

A política deixou de ser exercida por estadistas atentos ao futuro. A economia se tornou imediatista visando ganhos de curto prazo, mas no longo prazo os resultados dessa forma de agir falam por si. A economia deveria seguir seu curso em liberdade, pois a interferência governamental acaba sendo nociva, mas requer um consenso entre governo, empresas e população. Objetivos factíveis com a participação de todos.

Com a falta de preparo e indolência, a população acaba sendo manipulada em função de interesses particulares. Os políticos pensam na próxima eleição, as empresas, para o lucro imediato, e as pessoas se deixam enganar, esquecendo que o progresso é fruto do trabalho persistente. Tudo acaba perdendo a naturalidade e a consistência, tendendo ao desmoronamento. Os humanos deveriam conviver em paz e progresso, cumprindo sua tarefa melhorar as condições gerais de vida no planeta, mas em vez disso querem ser donos do mundo e ficam brigando para ver quem manda mais.

O mundo ficou convulsionado e instável, na economia não há um parâmetro dentro da normalidade, tudo subordinado a interesses daqueles que dividem a riqueza, o poder e as conveniências momentâneas. Não é à toa que o navio ameaça afundar. Na gangorra cambial, quando há renda, o real valoriza e os brasileiros importam e viajam levando dólares para fora. Quando a renda cai, o real desvaloriza, o que deixa tudo mais barato em dólar. Um sistema monetário canibal com conivência da classe política.

Como o país obtém dólares? Exportando, vendendo ativos ou tomando empréstimos, e agora, inclusive, através do mercado aberto atraindo dólares com juros altos. Desde o plano real, o dólar ficou barato à custa de juros altos para conter a inflação, permitindo importações de produtos com valor inferior ao produzido no país. Quanto isso custou? A dívida pública está em R$ 5,5 trilhões, e a indústria foi minguando, empregos sumindo, e a arrecadação em baixa exigiu aumento nas alíquotas.

Como se chegou ao descalabro fiscal? No início era tudo liberal, mas havia responsabilidade com os compromissos assumidos pelos governos. Depois veio o relaxamento na contratação de pessoal, a demagogia, as obras superfaturadas, os déficits, os juros extorsivos, a União como cobertor. Havia de onde tirar o dinheiro, mas com a crise econômica, a perda na produção industrial, nos empregos, na renda, na contenção do câmbio, tudo ficou estreito.

A má gestão, a corrupção, a forma relaxada como se permitiu o aumento da dívida pública levam à venda de ativos para reduzir a dívida monstruosa e ainda continuar devendo muito. A classe que trabalha e mal ganha para o sustento está arcando com o ônus do descuido geral.

O Brasil foi sendo sucateado e endividado. Segundo o economista José Oureiro: “O que acontece é que 20 a 25 anos de juro alto e câmbio valorizado provocaram efeitos de histerese na produção industrial. Foi um período muito longo durante o qual a indústria de transformação não investiu em modernização, perdeu mercados no exterior e permitiu que se abrisse um grande hiato tecnológico entre o Brasil e os países mais competitivos.”

A grande questão da educação é que os pais estão desorientados, não se lembram mais por que nasceram na Terra nem qual é o significado da vida. Assim, o viver vai se tornando uma chatice porque não há propósitos enobrecedores, não há rumos claros e os jovens se sentem desamparados neste mundo onde a natureza está reagindo de forma drástica. Na economia, os empregos estão sumindo e os líderes não sabem o que fazer com a massa disponível e sem renda, então as telas (de smartphones, computadores e televisão) se apresentam como uma forma de manter a turma distraída e camuflar o problema.

Não basta brigar só pelo clima. “Demonstramos que estamos unidos e que nós, jovens, somos imparáveis”, disse Greta no Palácio de Vidro, sede da ONU, onde foi aplaudida. Mas os jovens precisam ser orientados com bom preparo para compreender o significado da vida e suas leis naturais e ver que há muitas áreas para atuarem. Relaxadamente, o planeta virou uma lata de lixo, os rios uma cloaca devido à falta de saneamento e ao aumento das moradias precárias. Isso tudo têm de ser combatido pelos jovens com a mesma ênfase.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS DONOS DO BRASIL

No livro Os Donos do Poder, partindo das origens portuguesas de nosso patronato político, Raimundo Faoro demonstra como o Brasil foi governado desde a colônia por uma comunidade burocrática que acabou por frustrar o desenvolvimento de uma nação independente sempre permitindo a preponderância de interesses externos favorecida por agentes públicos corruptos que só pensam nos interesses próprios. Sua análise abarca o longo período que vai da Revolução Portuguesa do século XIV até a Revolução de 1930 no Brasil.

Do Brasil colônia até a tomada do poder por Getúlio Vargas, perdurou a mesma estrutura político-social que resistiu a todas as transformações fundamentais e aos desafios mais profundos de um mundo em transformações aceleradas. No entanto, após o suicídio de Getúlio Vargas, um grupo foi se articulando e aos poucos reassumiu o controle do país e, com o auxílio das comunicações, foi dopando a população com demagogia e ilusões que acabaram engessando o país com atraso, dívidas e despreparo.

Para Faoro, a renovação só virá através dos “negativamente privilegiados em relação à minoria dominante”, afirmando que enquanto houver a reprodução do estamento burocrático, não surgirão condições para o desenvolvimento do capitalismo industrial. O que se espera é que esses “negativamente privilegiados” se conscientizem da dominação estamental e forcem uma evolução ampla da nação. Surgiu um grupo cujos membros pensam e agem com os mesmos objetivos, um círculo fechado para o exercício do poder e para desfrutar o butim, as riquezas, as benesses do poder, e que perdura até nossos dias e lutam com todos os meios para que nada atrapalhe seus planos de domínio do país.

Não surgiu uma Nação para o povo e, sim, para a perpetuação do poder daqueles que se posicionaram como donos do Brasil e de sua população. A alternativa se encontraria no livre desenvolvimento de um capitalismo industrial que ensejaria a criação de uma sociedade nacional conscientizada, apta a desenvolver “uma cultura genuína”. Mas com a política de valorização do real na base de juros elevados por período de quase trinta anos a indústria foi desaparecendo e com ela a experiência técnica. Os importados eram baratos, mas não havia mais empregos.

Hoje invoca-se tudo no exercício do poder, mas são criações humanas. Nem os profetas, nem Jesus Cristo criaram religiões. No geral, a humanidade permanece alheia ao significado da vida e suas leis. Mais do que ideologias teóricas e religiões, o pano de fundo dos gestores públicos e seres humanos deveria ser a busca do aprimoramento da espécie e a continuada melhora das condições gerais de vida.

Na China, a região de Shenzen, com mão de obra barata, seriedade na gestão, câmbio depreciado, produziu para o mercado externo e acumulou dólares. No Brasil, foi criada a zona franca de Manaus, que ajudou a proteger a região com um monte de incentivos, câmbio favorecido para importar com financiamento especial, mas virou corredor de importados e ainda precisou do xerife Romeu Tuma para coibir um brutal desvio de dólares.

A amizade verdadeira é um sentimento nobre que se preocupa com o futuro da pessoa amiga. Hoje as relações pessoais ou internacionais surgem na base de interesses mútuos, ou na expectativa de que uma pessoa possa ser útil para que outra possa alcançar os seus objetivos, com sedução ou corrupção. Como os interesses estão em constante mudança, as amizades também. Mas o extremo dessa situação é quando há o chamado “pato” envolvido na falsa amizade. Isso vai além da diplomacia, pois envolve bajulação e prestatividade que desaparecem uma vez alcançado o alvo, o benefício próprio.

A quem interessam as consequências econômicas negativas do coronavírus? O mundo continua precisando de comida. O Brasil pode e deve produzir, vender com preço justo e aplicar os resultados na melhora geral. Há união do povo no combate ao vírus, mas os políticos permanecem em sua campanha tenebrosa para conservar o poder. As pessoas têm um pressentimento de que a crise vai passar, mas ao término dela o aumento da pobreza estará bem nítido. O Brasil, fragilizado há décadas, estará mais frágil ainda diante das sombrias cobiças. Dos pobres, a globalização só retira, mas indica que é hora para aproveitar os talentos que cada país possui para produzir mais internamente. Coragem Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

2020 NÃO É 2002

Dizia-se que 2020 seria um ano de renovação. Havia uma expectativa de melhora geral no Brasil e no mundo. De repente, chegou a epidemia do coronavírus e tudo foi parando. Assustaram a todos e aos idosos mais ainda. A orientação é: “não saia de casa para não morrer; não deixe que saiam de casa para não matar”. Ficar em casa, desacelerar é o que a humanidade precisa, mas isso deve ser acompanhado de um esforço para entender a trama dos fios do destino que nos levaram a isso. Um momento significativo na história propício para introspecção sobre o que é a vida, tão fragilizada nesta fase de inquietação mundial.

O ano de 2020, do qual muito se esperava, surge como algo semelhante a 2002, o ano seguinte ao atentado de 11 de setembro, que provocou uma ruptura com o século 20 e havia a esperança de tempos menos perturbados. Ambos formam o quatro. Mas agora as pessoas começam a perceber os estragos da paralisação num mundo movido a fluxos de dinheiro. A inquietação e a aflição vão aumentar.

Sabemos que a partir dos anos 1990 a economia desandou e surgiu o capitalismo de Estado com superforça competitiva entre as nações. Os países pararam de fabricar, os serviços não são suficientes para sustentar. De lá para cá faltou empenho na busca das causas da decadência e aumento da precarização geral da vida.

Países superendividados. Os juros baixaram, houve uma corrida para a Bolsa que, com a crise, mostra sua inconsistência cotando empresas abaixo do seu valor real. Hoje a falta de seriedade é geral e não existem fontes confiáveis, tudo virou luta política. A globalização é antinatural por uniformizar tudo e todas as culturas, e colocar as pequenas e médias empresas em confronto direto com o capitalismo de Estado, não tendo como sobreviver.

O coronavírus caiu na sopa. Está em andamento um processo de desmantelamento geral. O que poderá resultar disso? Trata-se de uma questão para os pesquisadores e esse assunto tem que sair da esfera da luta política para que se possa examinar os fatos objetivamente. Saúde, economia e aprimoramento da espécie devem ser as metas da humanidade.

Há décadas vivemos em plena guerra econômica que agora se acirra visando aumento de riqueza e poder. Os países e a população são manipulados diariamente sem perceber. Tudo faz parte do jogo onde os ganhadores são sempre os mesmos enquanto aumenta a precarização geral.

Na vida e mais ainda nas crises é fundamental o sentimento intuitivo voltado para o bem e os pensamentos nessa mesma direção. Essa é a forma adequada como deveriam agir os humanos, a única espécie que possui a capacitação de livre resolução. Mas tudo conspira contra, a começar pela falta de força de vontade voltada para o bem e, de todas as formas, os seres humanos vão sendo empurrados para os baixios da vida, na TV, nos filmes, muitos deles causando puro desânimo e perda de esperança na humanidade, contribuindo para aumentar o alarmismo e medos. Falta a autêntica solidariedade. Só conta o dinheiro e o poder.

Há dois mil anos os ensinamentos de Jesus caíam como água da vida sobre a população simples que não tinha cobiça de poder. Os poderosos temiam perder o controle do povo e por isso fizeram uma campanha de calúnias, culminando com o processo e condenação do Filho de Deus. Em Lucas 21.11 e 21.36 são mencionados os tempos vindouros de aflições e da vinda do prometido Filho do Homem. “Trata-se da profecia da vinda do Filho do Homem, dada como estrela de esperança e, não obstante, também como severa advertência, pelo Filho de Deus”. (Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, Abdruschin).

Amor é severidade. A crise se reveste de um chamado ao ser humano. Depois da tempestade vem a bonança. Os auxílios da Luz sempre estão disponíveis, mas é preciso a gratidão, os pensamentos voltados para o bem, e a confiança de que tudo se encaminhará para o desfecho certo de acordo com as leis do Criador.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7