MOMENTO DE ANSIEDADE MUNDIAL

A economia mundial apresenta-se fragilizada, inclusive no Brasil onde pouco se produz, embora haja baixo consumo. Dentre as causas se incluem a concentração da renda nas mãos de poucos e o encolhimento dos salários de muitos. Há grande volume de dinheiro, juros beirando a zero, e daí? Ocorreu uma mudança radical na estrutura produtiva mundial com a busca de menores custos de mão de obra, o que causou aumento da precarização no ocidente, e alguma melhora no oriente, do qual pouco se sabe das reais condições de vida.

Entre as causas do entorpecimento da atividade econômica no Brasil está o enlace do tabelamento do preço do dólar com juros elevados. Se os juros tivessem baixado há mais tempo, e com seriedade na administração pública, os empresários deveriam ter seguido uma linha idônea de produzir com qualidade e preços normais. Agora que a indústria está no chão, os juros baixam, mas os importados não querem ceder espaço. Necessitamos de grande esforço para reanimar as atividades e sair da estagnação tecnológica, pois a revolução industrial 4.0 está em curso no mundo despreparado para evoluir.

É preciso examinar atentamente as causas da paradeira que aflige não só o Brasil. Corte de juros não garante crescimento imediato, mas vai dar um alívio. Temos os fatores internos, corrupção, indisciplina fiscal, incompetência dos governantes que aproveitaram a maré de dinheiro pelo mundo, mas a crise financeira de 2008 fragilizou o ocidente, enquanto a China foi consolidando sua máquina de produzir manufaturados e acumular dólares. Mas agora o mundo, com alto endividamento, se defronta com novos problemas e incoerências econômicas. O funcionamento equilibrado da economia requer atividades produtivas e empregos para a população.

Há décadas o Brasil trava luta contra inflação, aparentemente domada, mas e a economia real da produção e empregos? Há muitos fatores além da inflação para serem acompanhados como o PIB, os empregos, o dólar que é a variável mais decisiva para o funcionamento geral da economia. Os países progrediram produzindo para o mercado externo; fizemos o oposto e agora não estamos produzindo nem para o mercado interno.

Muitos trabalhadores perderam a vaga nas indústrias de manufatura e de serviços relativamente sofisticados, e tiveram de se empregar em outras áreas como varejo, restaurantes, padarias etc. O remanescente dos ferramenteiros não tem mais onde exercer a sua profissão. A inflação tem de ser controlada, mas o PIB não deve cair.

No ano passado, o déficit comercial dos EUA com a China chegou a US$419 bilhões. Após o anúncio do FED sobre a redução dos juros, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 10% sobre mais US$ 300 bilhões em produtos chineses intensificando a guerra comercial. Que consequências esses anúncios poderão trazer para a economia? No Twitter o presidente Trump disse que se as empresas estrangeiras não quiserem pagar tarifas devem se transferir para os EUA e gerar empregos no país.

Se as grandes empresas e os governantes tivessem olhado para a questão do equilíbrio geral, provavelmente não teríamos chegado a essa situação de guerra comercial de difícil solução face aos interesses envolvidos. Os sistemas econômicos deveriam ter como meta atender o crescimento natural da população. Cada povo surgiu numa determinada região formando espontaneamente uma nação, mas são erradas as manias de grandeza que os seres humanos intelectivos costumam desenvolver.

O momento atual exige extrema cautela e vigilância. Há uma grande efervescência de desejos e vontades, mas, ao mesmo tempo, há um poderoso reforço de energia da Luz que impulsiona as leis da Criação para os desfechos individuais e coletivos dos fios do destino tecidos por cada ser humano. Nada mais pode ficar parado, tudo tem de se movimentar e se mostrar como realmente é, e não como aparentemente se apresentava.

É muito importante observar atentamente a sintonização, o que estamos querendo, o que estamos pensando, pois tudo recebe reforços, sejam os pensamentos negativos de desconfiança, medo, ódio, inveja e cobiça, assim como os pensamentos voltados para o bem, para a busca da Luz da Verdade. Consciente ou inconscientemente, todos são envolvidos na turbulência. Que seja um envolvimento benéfico e construtivo que enobreça e eleve as criaturas humanas.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O QUE A HUMANIDADE QUER?

A globalização, iniciada nos anos 1980, permitiu o surgimento de mecanismos de geração de acúmulo de dólares através do avanço de produção massiva de manufaturas com menores custos para colocação no mercado externo, o que gerou complicadas consequências. No cenário do sáculo 21, evidenciaram-se, dentre os resultados da globalização, o choque de competição entre indústrias que pagam salários de até cem dólares por mês, produzindo para o mercado externo, com outras com política salarial tradicional. Em vez de produzir melhora geral, surgiu uma situação de perda de empregos e da cultura, além do aumento da desigualdade e desarranjo ambiental.

Tristes lembranças de um país cuja displicência dos governantes acabou jogando tudo no atraso. O Brasil optou pela valorização de sua moeda diante do dólar. Alguns economistas advertiam, mas o governo cuidava de manter essa situação, mesmo diante das reclamações dos exportadores que tinham dificuldades para exportar seus produtos frente a desvalorização do dólar que reduzia a competitividade de nossos produtos no exterior, penalizando as receitas de exportações e destruindo empregos. Porém as autoridades diziam que a intenção era evitar a exportação de renda e empregos diante da persistente valorização do real.

Com o declínio na produção industrial, os gastos públicos ocultavam o encolhimento do potencial de crescimento. Pena que muitos desses gastos foram inúteis e realizados na base de tomar empréstimos a juros elevados. Estamos necessitando de reformas e de algo mais que gere condições para produzir, empregar, pagar salários e ter algum ganho. Há saldo positivo na balança comercial decorrente da exportação de commodities, mas o déficit de empregos é cruel.

O dólar se tornou a cobiçada mercadoria financeira que tudo pode, embora envolvida em incertezas. Quem a produz? Quem a controla? Quem regula as cotações? Qual é o objetivo dos investidores? Especular? Enquanto isso ocorre no mercado financeiro, o mundo real da produção se acha em crise e a economia global ameaça implodir com endividamento astronômico.

A China, através da possibilidade de organizar a produção com custos menores para exportação, forjou um mecanismo de fazer dólares constituindo elevada reserva, enquanto o Brasil e outros aumentaram as dívidas. Agora a China busca o refinamento de sua economia e tecnologia, substituindo importações, focada na exportação, e investindo pelo mundo para consolidar riqueza real.

Com sua grande expansão, o dinheiro, encarnado no dólar, e com a sua ascensão a condutor dos negócios e da vida, não está fácil compreender o que está rolando. Para os nacionalistas dos EUA, a valorização da moeda principal afeta as exportações da rival China. Mas o que pensam os globalistas que acham desnecessárias as fronteiras territoriais e que estariam mirando o governo e moeda única?

Está havendo grande disputa pelos mercados e tecnologia. No palco da disputa estão o desenvolvimento do 5G, a próxima geração de rede de internet móvel que promete acelerar ainda mais a velocidade das interações, e a consolidação da inteligência artificial, para utilização na produção e fins bélicos.

Os EUA e China poderiam resolver seu desentendimento a bem da paz e do progresso equitativo entre os povos. Os presidentes americanos acompanharam passivamente à transferência de produção e empregos. No Brasil, os governantes mantinham o dólar barato artificialmente para seduzir o eleitorado. Com o crescimento do déficit comercial e da dívida, caiu a ficha. Enquanto o Brasil tem de cobrir déficits em dólares com financiamento, a China soube planejar o acúmulo de grande reserva em dólares, administrando-a com eficiência.

Uma nova ordem mundial está em gestação, mas a administração do Estado não pode padronizar e se tornar a tutora das ações dos seres humanos. Sem liberdade, tudo tende à estagnação. Cada povo tem direito à sua autonomia e sua cultura. Só o reconhecimento e respeito às leis da Criação poderia balizar o comportamento humano de acordo com o princípio “ama o próximo como a ti mesmo” sem causar-lhe danos para satisfazer a própria cobiça.

No emaranhado de desafios do século 21, a humanidade tem de manifestar o que realmente quer da vida. A base deveria ser o anseio dos indivíduos a partir de seu íntimo, mas há muitas influências externas e ausência de visão clara sobre o real significado da vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

COMO SAIR DA ESTAGNAÇÃO

De tanto verem cenas de pessoas fumando, homens e mulheres passaram a achar que fumar seria algo natural, esquecendo de que se trata de uma ação nociva para a saúde. Esse processo de condicionamento acabou tendo grande aplicação, pois ficou demonstrado que o cérebro vai assimilando tudo o que lhe é mostrado de forma repetida. Atualmente, as comunicações estão empregando com frequência o uso de falsidades e violência com uma frieza jamais imaginada. O que se poderá esperar dessa forma de comunicação?

Se as pessoas não examinarem atentamente tudo que receberem, teremos o caos muito em breve, inclusive na economia onde se fala muito, mas não se apontam as causas reais da estagnação e as soluções adequadas. Cada ser humano deveria dar sua contribuição de acordo com as suas características individuais. Mas os seres humanos foram se acomodando, não examinando a vida por si mesmos, nem buscando conclusões próprias refletindo intuitivamente, o que fortaleceria o eu interior.

Com o aumento da indolência, ampliou-se a aceitação sem examinar tudo o que era oferecido de fora. Surgiu o produto de massa com hábitos facilmente identificáveis que se revelam através de algoritmos estatísticos. O ser humano tem de reconhecer a importância da reflexão e seguir a lei do movimento certo para não estagnar e enterrar os talentos espirituais, passando a agir como máquina repetidora.

O homem tem de entender a natureza e suas leis, mas em seu afã de dominá-la se torna um ignorante. Quando não observadas, as leis naturais são implacáveis, como a da gravidade. O que ocorre no plano físico da natureza também ocorre em outras áreas, como no descontrole das dívidas, das contas, do comércio, no dinheiro público, nos descuidos com a população.

A mentira, a falsidade, a ocultação da verdade sempre existiram. O que se espalhava boca a boca e pelo jornal impresso, hoje inunda o ar. Agora vivemos o auge da mentira em tudo na vida, mas com as novas máquinas e programas será mais fácil criar narrativas falsas. Ainda veremos maior frieza e astúcia na preparação e divulgação das falsas narrativas motivadas pela cobiça dos homens e da geopolítica.

Com o incremento das importações, a produção ficou travada desde os anos 1990. Urge ativar a produção e criar empregos, mas através de atividades úteis e benéficas, melhorando a renda e o consumo. Sem produção, a circulação do dinheiro definha acarretando estagnação. Com o declínio da produção os custos ficaram insuportáveis e muitas empresas fecharam as portas.

Alguma ação paliativa é necessária, mas não será suficiente, como simplesmente disponibilizar o dinheiro para as pessoas consumirem. Necessitamos algo duradouro que dê estabilidade à economia e à vida, senão continuaremos caminhando aos sobressaltos sem sustentabilidade. Os imediatismos geraram a desorganização e decaímos às dificuldades semelhantes aos anos 1930, mas ficamos sem força para produzir.

Baixar os juros SELIC representaria segurar o crescimento da dívida e, enquanto o mundo baixa os juros, não fazer o mesmo serviria para atrair capitais especulativos que promoveriam a valorização do real, mas o caixa do governo com déficits nas contas continuaria no aperto.

As nações surgiram decomunidades estáveis formadas por vontade própria de um grupo de indivíduos, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e espirituais. Com a massificação, isso mudou. As aspirações de progresso material com equilíbrio foram substituídas pela cobiça e guerras, e as espirituais de amplitude universal, por religiões que deram espaço aos sectarismos e fundamentalismos, em vez de se tornarem o solo adequado para o progresso espiritual da humanidade. O espiritualismo inato perdeu força diante do fortalecimento do materialismo egoístico encobridor das causas da decadência.

Tornado politicamente independente em 1822, o Brasil não avançou o tanto quanto poderia se tivesse sido bem administrado. Ainda falta muito para ser uma República digna e humanista. O pessimismo se instalou entre os empresários. As novas gerações desanimam com empregos elementares de baixos salários. Há cerca de 14 milhões de desempregados. A população, que há décadas sofre com a falta de bons rumos para o país, está saindo do torpor e ordeiramente vai pedindo a recuperação e a libertação da desfaçatez e da estagnação moral e econômica. Precisamos das condições que assegurem mais produção, empregos, renda, educação e progresso real.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS BONS TEMPOS VÃO VOLTAR?

É triste a realidade da humanidade. Para onde foi canalizada a melancolia que brota no coração dos adolescentes? Que modelos foram oferecidos? A cultura poderia e deveria ter propiciado os elementos para a formação de caráter beneficiador, honesto, altruísta. Desinteressados sobre o futuro, muitos jovens recorrem ao uso de drogas e atividade sexual precoce, antes mesmo da conclusão da formação física.

No Brasil, temos o grave problema secular da falta de empenho geral na consolidação de um país livre e na ausência de empenho para dar às novas gerações adequado preparo para a vida. Com a falta de seriedade e auto-estima, as pessoas são incentivadas a deixar rolar para ver como fica. Não há metas nem planos perseverantes, tudo declina continuadamente. Temos permitido abusos, estagnação e declínio. As pessoas que vivem no Brasil deveriam ser incentivadas a pensar com otimismo no bem geral.

Bons tempos nos anos de 1930 a 1950, quando a cidade de São Paulo dava orgulho por ser considerada o maior centro industrial da América Latina, e a USP era reconhecida como excelente universidade para a formação de uma geração forte, tida como a esperança de melhor futuro. Depois, as elites ficaram descuidadas. Castro e Guevara ensejaram nova teologia. A dívida externa fincou suas garras. Nada mais é como antes na educação, saúde, indústria, empregos. Assumiu uma classe política interesseira que deixou arrasadas as contas, a indústria e os empregos. A dívida foi ressuscitada em nova forma e acabou travando tudo.

No passado, a situação do Brasil estava complicada. Com a abrupta derrubada de D. Pedro II o país ficou meio perdido, o que para os banqueiros da Inglaterra se tornou um grande atrativo lucrativo. E de lá para cá o país nunca se libertou do anzol da dívida. Hoje, teme-se o declínio geral apesar dos recursos naturais disponíveis. Mas o foco permanece voltado para o poder e no imediatismo da próxima eleição.

A população do Brasil está dividida em três grupos: os endinheirados temerosos de perder as mordomias; os deslumbrados com o circo e utopias e que não examinam o que lhes é impingido; e os que tomaram consciência da desfaçatez vigente no poder há décadas e que têm cuidado só dos interesses particulares, errando e embromando e deixando o país endividado e sem rumo. Com tantos recursos naturais, o Brasil tem de se afastar da rota de declínio e ignorância.

Quando Fernando Henrique Cardoso foi sucedido no governo por Lula, a fase de valorização do Real já tinha expirado, mas a economia prosseguiu com juros elevados. Em poucos anos a dívida cresceu trilhões em juros. O rombo se tornou visível nas contas públicas, no PIB, na desindustrialização, na perda em qualidade humana. Como corrigir tudo isso?

Se a previdência se limitar a fazer cortes gerais nas aposentadorias e pensões, só vai ajudar a contenção da escalada do risco Brasil para os financiadores. Melhor equilíbrio na distribuição requer redistribuição dos valores abusivos de uns para melhora nos valores irrisórios de grande parte dos aposentados.

A raiz do problema está em como promover a retomada do crescimento econômico estagnado há décadas. Por que um país que tinha economia pujante, empresários ágeis, mão de obra experiente e ativa caiu na letargia? Os impostos eram ruins, a burocracia emperrava as iniciativas, os políticos eram insensíveis, mas a economia andava, havia esperança. De repente tudo foi parando. Trabalhadores especializados tiveram de ir trabalhar em lojas ou restaurantes para sobreviver.

Há uma guerra psicológica nas comunicações. As pessoas têm de ficar espertas, pois as notícias falsas são bem elaboradas, misturando verdades com mentiras de forma a iludir quem recebe a informação. Mas a mentira vem de longe, utilizada em muitas coisas sérias para iludir e dominar as pessoas desatentas. De longa data os problemas reais e as causas da estagnação econômica têm sido varridos para debaixo do tapete. Sem a apuração das causas reais, tudo o mais é paliativo. Isso já custou muito, levando o país endividado e deficitário ao caos. Urge aumentar a produção, empregos e consumo. Os líderes têm de se esforçar e se unir a bem do Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A IMPRESCINDÍVEL SERENIDADE

Após a Segunda Guerra Mundial, 44 países se reuniram em Breton Woods (EUA) para estabelecer a nova ordem econômico-financeira, visando a estabilidade monetária das nações. Consolidou-se, definitivamente, a preferência e o apego ao dinheiro, o fetiche e o ídolo cultuado pela humanidade, um simples papel pintado que, na verdade, representa a grande ilusão criada pelo materialismo, sendo aceita coercitivamente pelo seu poder de comprar as coisas, inclusive os seres humanos. A cobiça pelo dinheiro não tem limites; mas algum dia se evidenciará o seu pé de barro. Até lá, assistiremos a muitas desgraças.

As relações comerciais passaram a se efetivar de forma crescente em dólares, moeda da qual tudo passou a depender. Em geral, os países mal geridos, dependentes de commodities e suas instabilidades, buscavam financiamento externo para cobrir os continuados rombos. Quanto mais o Estado foi ampliando a sua interferência na vida econômica, mais dependente foi se tornando de tomar dinheiro no mercado, pois sua arrecadação era insuficiente para cobrir todos os encargos e desperdícios.

Isso veio a calhar porque o dinheiro sempre tende a aumentar, por novas emissões ou ganhos. Financiar os governos perdulários se mostrou como oportuna forma de absorver os excedentes. No entanto, com o avolumar da dívida, acrescida de juros, formou-se a bola de neve com suas ameaças ao sistema. Então surgiram as receitas de austeridade geral, por vezes sem bom senso, gerando crises e instabilidades.

O dinheiro continuou sendo emitido e crescendo. Hoje se prega juros baixos ou negativos. A capacidade de criar dinheiro envolve uma grande complexidade de variáveis e consequências que requerem mais aprofundamento para que favoreçam o progresso em vez de travá-lo. Nas últimas décadas, enquanto nos bastidores os personagens urdiam planos de partilha do butim, no palco da vida predominavam falsas aparências. Com a expansão dos abusos, rompeu-se a cortina pondo a descoberto as mazelas tramadas às escondidas, expondo-as para lavagem geral.

No cenário mundial, ocorre a luta entre os que querem se esconder ao abrigo das cortinas e os que desejam abri-las amplamente. A tendência é que caiam as cortinas encobridoras da verdade, mas o que se verá não será bonito, agravado por lutas para manter uma situação que não se sustenta mais. Os homens se digladiam para encobrir a verdade e se manterem no poder.

Com a abertura comercial, vários setores fabris perderam potência interrompendo o aprendizado tecnológico; hoje, além do atraso, deixamos de produzir vários itens, provocando declínio na produção de manufaturas. A importação depende do preço do dólar, que depende da taxa de juros, mas a dívida subiu muito. O Brasil não fabrica dólar e a economia estagnou. Perdemos terreno na indústria, exportamos tudo in natura, inclusive o precioso algodão, mas importamos tecidos e confecções. Com o real valorizado a juros elevados formamos grande montante de dívida, acrescida da indisciplina fiscal. Bons empregos foram exportados, a renda caiu. O desarranjo é global, mas de difícil solução face aos interesses egoísticos. Há de se examinar atentamente as causas e buscar a solução.

O Brasil está correndo o sério risco de fazer parte do grupo com atraso geral, sem rumo, sem autonomia. Precisamos de união em defesa do país e esforço para evitar a consumação do declínio. É preciso entender o que se passa nos bastidores internacionais. A guerra comercial aumenta a turbulência na economia. O crescimento da dívida já vinha de longe, mas não se dava muita atenção; de repente, se percebe o tamanho do buraco que trava tudo.

Os acontecimentos se sucedem velozmente atropelando tudo, isto é, um em cima de outro e de outro. As pessoas se vergam sob a pressão. Isso mexe com os nervos delas que, inquietas, não seguram, não filtram e como pingue-pongue é um bate e volta sem pausa. Uma pessoa já impactada pelo acontecimento está desarmada e se ainda recebe o rebate de outra, tem duplo impacto sobre o cérebro e se expande pelo corpo. É preciso filtrar os acontecimentos e dosar as reações para que o mundo não se torne um hospício de esquizofrênicos impacientes e inquietos que adoecem e contaminam o ambiente. Conservai puro o foco dos pensamentos para abrir o caminho para a serenidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A QUESTÃO DAS TAXAS DE JUROS E DO CÂMBIO

No Brasil da pré-globalização, produzia-se e consumia-se mais, pois a renda não estava tão travada, mas havia a elevada dívida externa a juros pesados. A inflação foi surgindo com as emissões destinadas a pagar dólares das exportações que eram utilizados nos resgates da dívida externa. O dólar caro promovia exportações, mas para comprar os dólares para pagar a dívida o governo emitia e inflacionava.

Algo precisava ser feito, então surgiu a dolarização que no Brasil se deu com o Plano Real. Com o dólar artificialmente barato, os eleitores ficaram iludidos. A ilusão durou até 2015. Em 2019, a realidade se mostra brutal. Fábricas fecharam, cortando os empregos. É um fenômeno mundial; tudo vem pronto de fora. Se os empregos desaparecem, algo têm de ser feito. Com a queda na renda, o consumo estagnou, mas a dívida chegou ao topo. O mercado teme que haja insolvência com os juros praticados, já está quase impagável.

No livro A Construção Política do Brasil, o economista Bresser Pereira afirma que Lula errou ao manter os juros altos e o câmbio apreciado, e com esse simples erro, também mantido por Dilma, estamos com a economia estagnada, dívida enorme e atraso geral. No câmbio, a taxa de juros influencia a lei da oferta e procura. Se os juros caem, cai a procura e a moeda se desvaloriza; no inverso, elevando-se os juros, cresce o movimento de procura pela moeda, valorizando-a. No Brasil, o real foi mantido valente à custa de juros elevados. Não fosse isso, há tempos o dólar teria ultrapassado a casa dos quatro reais. É o que poderia ter acontecido se o BC tivesse baixado a taxa Selic dos atuais 6,5%.

No passado, o padrão ouro mantinha estabilidade no câmbio, mas a criação de moeda se tornava grande obstáculo para a estabilidade dos valores cambiais. Atualmente, as taxas de juros exercem forte influência no mercado de moedas que revoam pelo mundo em busca de melhores ganhos, mas isso impacta no comércio externo dos países, favorecendo ou dificultando as exportações.

Agora estão surgindo as criptomoedas, que circulam separadas da rede bancária. A libra, a nova criptomoeda que está sendo criada para ser ancorada nas contas do Facebook, vai surgir da troca por dólar ou euro. Essa criptomoeda seria para facilitar a vida ou representa mais uma grande jogada?

Muitos economistas reconhecem que o Brasil está com a dívida descontrolada, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria, eles dizem. Está certo. Mas e o resto da economia detonada desde a prática da valorização do real com juros elevados, como vai ficar?

No século 21, prenuncia-se o surgimento de nova guerra cambial, que no fundo é um processo de desvalorização para fomentar as exportações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronuncia contra o “dólar tão forte” criticando a política monetária da Reserva Federal (Fed), depois de o banco central norte-americano ter aprovado elevações das taxas de juros ao longo do ano passado. A elevação dessas taxas incentiva investimentos em dólares, impulsionando o valor da moeda norte-americana, mas afetam as exportações. É compreensível que o BC do Brasil esteja cauteloso diante desse cenário de provável baixa nas taxas de juros.

A instabilidade cambial tem provocado graves distúrbios na economia. Falar em moeda única pressupõe a eliminação da moeda nacional por uma geral. Mas quem ficaria com o controle e emissão dessa moeda? Certamente teria um poder maior do que teve a libra e que tem o dólar acossado pelo euro e yuan. Algo precisa ser feito. O Brasil e sua população já enfrentaram perdas enormes, dificuldades e atraso em decorrência do sistema cambial adotado.

Está claro que sofremos drenagem nos juros e empregos. O efeito da destruição industrial e produtiva do Brasil é visível a olhos nus, basta ver a região do ABC em paralelo à cidade de Detroit. Temos de sair do estágio de economia das padarias, dos cabeleireiros e manicures, e das lojas de importados nas esquinas. Atrasamos a produtividade e o desenvolvimento tecnológico. Hora de limpar a casa, afastar os maus gestores, fazer ajustes, retirar o Brasil de sua rota declinante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ECONOMICISMO OU HUMANISMO?

A economia sempre nos surpreende; a do Brasil entrou em rota de mornidão há algum tempo. Invariavelmente, tivemos políticos ruins e perdulários, os juros sempre nas alturas com efeitos negativos; mesmo assim produzia-se, estudava-se, consumia-se e havia uma consciência coletiva de confiança no progresso do país. Além da taxa de juros, existem outros fatores que promovem a aceleração ou estagnação da atividade econômica, os quais têm de ser identificados. Quem se habilita, a partir disso, a corrigir as distorções para que o país não afunde nas garras da precarização geral?

A China aproveitou bem a situação criada pela globalização e acabou provocando desindustrialização no mercado mundial com custos baixos, dumping, câmbio favorável e escalas de produção sem precedentes, mas os responsáveis pela economia no Brasil optaram por ter dólar barato, às custas de juros altos para debelar a inflação em vez de incentivar aumento da produção. Foi uma breve alegria de carnaval e agora estamos enfrentando a ressaca da quarta-feira de cinzas. Situação difícil. Como a produção interna de manufaturados ficou restrita, aumentos de renda acarretam aumento das importações.

Há uma guerra cambial visando desvalorizações competitivas. No Brasil, até recentemente fez-se o inverso, valorizando o real. Se o BC baixasse os juros que efeitos isso traria para o dólar? Subiria ou baixaria? Que efeitos isso traria para a produção, PIB e para as importações e exportações? Muitos analistas preferem apontar culpados em vez de examinar atentamente as causas da paradeira que aflige não só o Brasil.

Temos fatores internos como corrupção, indisciplina fiscal, incompetência dos governantes que aproveitaram a maré de dinheiro pelo mundo, mas a crise de 2008 fragilizou o ocidente, enquanto a China foi consolidando sua máquina de produzir manufaturados e acumular dólares. Foi uma guinada impensável que acarretou novos problemas. Será que esses problemas foram objeto das conversações do G 20, a reunião das maiores economias que se debateram com suas próprias incoerências?

Neste mundo que se afastou do humanismo e das leis da Criação restam poucos pensadores profundos sobre a realidade que estamos vivendo. Na mecanização do ser humano, poucos deixam a alma atuar na pesquisa do significado da vida. O filosofo Edgar Morin permanece ativo, mas todos os seres humanos têm de prosseguir, ir além, perceber o dom da vida na Terra para que o espírito possa se fortalecer e evoluir beneficiando tudo, e não ficar achando que pode agir como se fosse o dono do planeta, destruindo e emporcalhando tudo.

Em recente viagem a São Paulo, Morin disse em entrevista: “Meu esforço nas minhas obras é tentar efetivamente esse pensamento. O que estamos vivendo? O que está acontecendo? Para onde estamos indo? Não inserimos no programa (de ensino) temas que podem ajudar os jovens, sobretudo quando virarem adultos, a enfrentar os problemas da vida”.

A economista Kate Raworth, autora do livro Doughnut Economics – Seven Ways to Think Like a 21st Century Economist (Sete meios para pensar como um economista do século 21) adverte a espécie humana sobre as incertezas do futuro, pois o crescimento infinito que vemos como modelo nos negócios, “chamamos de câncer em nossos corpos”. Quem não observa as leis da natureza semeia destruição.

Numa palestra na Associação Comercial do Paraná o vice-presidente Mourão apontou a possibilidade de colapso no sistema financeiro global porque há muito dinheiro aplicado em papel que não está significando a realidade, agravado com o fluxo de capitais ilícitos do narcotráfico e de outros meios. Mencionou também a questão das fontes de energia e o problema da escassez da água em países como a Índia, embora no Brasil tenhamos abundância desse elemento.

Os sistemas deveriam ter como meta a autossuficiência acompanhando o crescimento natural da população. Com a invenção do dinheiro, associada ao “financeirismo”, a meta passou a ser fazer o dinheiro engordar através do seu giro acelerado e da maximização do resultado. Nessas condições, tudo que não favoreça o aumento do ganho financeiro passa a ser considerado como desnecessário, inclusive a preservação da sustentabilidade, pondo de lado o humanismo no relacionamento entre as pessoas, adotando o mecanicismo como se fossem máquinas sem alma. Temos de combater a tendência de precarização geral e, com humanismo, estabelecer cenários mais condizentes com a nossa espécie.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A CRISE É SEVERA

Estamos enfrentando um tipo de crise mais severa por alastrar-se a vários setores e a diversas regiões do mundo como, por exemplo, os coletes amarelos de Paris, a crise dos refugiados da Síria, os desacordos na Inglaterra com a questão do Brexit relativa à saída daquele país da União Europeia, os ataques a petroleiros no golfo de Omã, e no Brasil endividado surgem muitas confusões como greves e paralisações.

Não está fácil entender o que acontece no nosso país e sua atual economia errática. Estamos ficando para trás na guerra econômica global. Os argumentos e análises se tornam eleitoreiros, sem que haja esforço para a compreensão das causas do atraso geral. O país do futuro fica amarrado na mesquinharia dos políticos. É como disse Getúlio Vargas, todos querem alguma coisa para si e para seus amigos, nunca para o bem do Brasil.

Desenvolvimento e aprimoramento da humanidade se tornaram secundários, tudo se tornou questão de dinheiro. Urge fortalecer a vontade para fortalecer o humano. A evolução da humanidade e a produção de bens requerem liberdade e responsabilidade. Muitas pessoas acusam o capitalismo como responsável pela geração das misérias, mas antes de surgir esse e outros sistemas econômicos, o homem já tinha se afastado do espiritual, dando mão livre ao seu egoísmo e cobiças.

O problema real se situa no afastamento da espiritualidade, resultando nos sistemas desequilibrados como consequência. O reequilíbrio só poderá ser reconquistado com a busca sincera do saber sobre o significado da vida e da integração Espírito-Alma-Corpo. Há no mundo muita tristeza; falta a alegria e a coragem do espírito desperto. É preciso ser forte. Mas onde se escondeu o espírito que deveria agir embelezando e beneficiando tudo?

Os seres humanos se matam por poder e dinheiro, o que mais falta é a generosidade do coração. Quase nada foi entendido sobre os esclarecimentos de Jesus a respeito da vida. Ele não tinha qualquer pretensão ao poder, cargo ou honrarias terrenas, pois seu reino não é o perecível e transitório mundo material ofertado à humanidade para que pudesse evoluir espiritualmente, e não para aqui vir e portar-se como dono no curto período da existência terrena.

O Brasil é tido como país abençoado com povo amigo, respeitador, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendita seja a pátria chamada Brasil. Isso tudo impõe alta dose de responsabilidade. Que seu povo atraia a Luz do bem. Temos de deixar de ser país subdesenvolvido espiritual e materialmente. Temos de adquirir discernimento para seguir nosso destino. Para isso precisamos de adequado preparo para a vida, desde a primeira infância.

O fluxo de caixa do governo vem sendo detonado há décadas. Não há poupança. O crédito é raro e caro. O governo arrecada uma fatia gorda e deveria dinamizar a economia com bons investimentos. Nos anos 1980, havia a dívida em dólares e como esforço para o resgate havia o lema “exportar é o que importa”, mas isso acabou sendo descuidado e os empregos foram sumindo. Hoje, o Brasil permanece exportando commodities. A renda é baixa e está encolhendo, faltam capitais produtivos. Os investidores privados têm sido ágeis em fazer aquisições lucrativas e obter ganhos especulativos, mas na economia ainda não surgiram resultados positivos, em compensação aumenta o passivo na remessa de lucros e a dependência a interesses externos. O PIB precisa crescer e gerar empregos.

O cenário internacional se complica. A crise se agrava. Cada grupo cuida de seus interesses, sem encarar os problemas e suas causas para encontrar as soluções. O governo tem uma arrecadação tributária expressiva, mas planeja mal, gasta tudo e ainda fica devendo, pouco investe e mesmo esses investimentos têm sido realizados de forma estúpida e com desvios. Milhares de obras foram iniciadas e interrompidas, é quase como se o dinheiro tivesse sido jogado fora.

A gestão governamental tem sido precária e sem planejamento. Atabalhoadamente tenta-se reduzir o déficit fiscal. Foram tantos erros que agora poucos se arriscam a fazer sugestões. Muitas pessoas preferem engrossar as críticas que nada resolvem, mas engrossam o clima de incerteza quanto ao futuro do Brasil, que ainda não achou o caminho sadio da recuperação com participação e o apoio de todos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS DIFICULDADES DO BRASIL

Parece que o Brasil está correndo o sério risco de ser jogado no grupo de países com atraso geral, sem rumo, sem autonomia. Poucas pessoas estão percebendo e se esforçando para evitar a consumação do declínio. Desde a trágica gestão de Fernando Collor tem faltado patriotismo e seriedade, mas neste momento é preciso entender o que se passa nos bastidores internacionais. Precisamos de união em defesa do país.

O que acontecia até 2014 no Brasil? O governo mirava a reeleição, injetava dinheiro que não tinha e segurava o dólar com swap cambial. Tudo rodava no “toma lá dá cá” entre os poderes. As importações iam bem enquanto a produção permanecia estagnada. Apesar do artificialismo, circulava mais dinheiro. Após a reeleição, com a dívida lá em cima, a fonte secou. Aguerra comercial aumenta a turbulência na economia. O que fazer para produzir e empregar mais?

Onde estavam os congressistas no governo de Dilma Rousseff, do PT? No período entre 2012 e 2017 a dívida incorporou juros em mais de dois trilhões de reais, questão de suma gravidade, mas pouco se falou. Assim a dívida gorda travou tudo e se tornou tão avassaladora que agora os governantes se acham diante de grandes obstáculos para destravar o país para produzir, gerar empregos, melhorar a renda, fortalecer o Brasil. Os principais problemas do atraso: má conduta nas finanças públicas, câmbio valorizado, exportação de empregos, juros elevados e despreparo educacional.

A economia deveria andar independente do governo. O livre mercado é que teria de planejar e produzir, visando atender as necessidades da população. No capitalismo de Estado, o governo exerce forte influência no planejamento da produção. A economia global adentra no túnel escuro para o qual foi direcionada. A máquina chinesa de produzir conta com a estratégia de Estado, não de uma só multinacional, e produz quantidade, qualidade e preço. Competir torna-se uma tarefa muito difícil no grande tabuleiro da globalização.

A guerra comercial deste século é diferente da fria que tinha o confronto ideológico pelo poder mundial como pano de fundo. Na atual guerra morna pelo poder, estão envolvidos fortes interesses econômicos que vão interferindo em todas as atividades e nas relações que envolvem poder e dinheiro. E tudo vai sendo afetado pelas disputas e retaliações. A humanidade adentra num período de gravidade maior do que as anteriores.

Essa situação já vinha de longe, mas não se dava muita atenção; de repente se percebe que o endividamento mundial cresceu muito. A questão da dívida deveria ser solucionada de modo a possibilitar desenvolvimento econômico mais equitativo em oposição à crescente precarização geral resultante do encolhimento da renda. A moeda forte se tornou o objetivo de todos. Países que não conseguiam manter o equilíbrio, caso dos emergentes, tinham de captar em moedas estrangeiras, interferindo na política cambial.

As recorrentes desvalorizações cambiais provocavam crises e recessões. Japão e Coreia do Sul tiveram a visão de que deveriam produzir e exportar como meio de captar a moeda forte. A China, observando tudo, elaborou seu planejamento extraordinário e acumulou fabulosa reserva em dólares, mas a consequência foi a desindustrialização em muitos países, Brasil inclusive, e desemprego. A pergunta é: como consertar esse desequilíbrio?

Nas últimas décadas, vimos no palco da vida um falso jogo de cenas, enquanto nos bastidores os personagens urdiam planos de partilha do butim. Com a expansão dos abusos como coisa normal, rompeu-se a cortina, pondo a descoberto as mazelas tramadas às escondidas, expondo-as para lavagem geral. No mundo ocorre a luta entre os que querem se esconder no abrigo das cortinas e os que desejam abri-las ainda mais. A tendência é que caiam todas as cortinas encobridoras da verdade, mas o que se verá não será bonito, agravado por lutas para manter uma situação que não se sustenta mais. Os homens se digladiam para encobrir a verdade e se manter no poder.

Durante décadas, o Brasil tem caminhado passivamente como massa sem futuro, rumo ao abismo. Bastou a tomada de consciência de que o país é mais do que foi legado, de que os brasileiros são mais do que pão e circo e começou a gritaria contra aqueles que lançam a Luz da Verdade para enxergar o caminho seguro da retidão.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

FALTAM RUMOS E METAS

Como explicar a estagnação econômica do Brasil? A China e outros países aproveitaram condições mais favoráveis no câmbio e no custo de fabricação, tudo em favor das exportações. No Brasil, muitos empresários se acomodaram na zona de conforto do conluio com o governo. Outro importante fator negativo é o descalabro nas contas públicas da União, estados e municípios, decorrente da má gestão pública por incompetência ou por más intenções, elevando o custo do dinheiro. Isso tudo evoluiu para a atual estagnação. O país tem de encarar os embaraços existentes com realismo.

Os três poderes se mantiveram acomodados, vivendo no país das maravilhas, enquanto as dificuldades iam crescendo. O atraso é grande e se nada for feito para reequilibrar a situação, o país tenderá ao atraso político-econômico semelhante ao dos países africanos. Mas a turma prefere brigar pelo poder. Juros altos atraem dólares valorizando o real e barateando importados. Foi bom enquanto durou. Não produzimos dólares, mas temos muitas contas na dita moeda.

Economistas experientes cobram mais efetividade do governo no combate à estagnação e na dinamização da atividade econômica, além das correções necessárias na previdência. Mas nas atuais condições de baixa renda e encalhe de manufaturados no mundo, resta saber onde os investidores poderiam alocar os seus recursos com sucesso. As organizações globais permitiram o desarranjo do parque industrial transferido para a região asiática em que há mão de obra e outros fatores bem abaixo do padrão ocidental.

As dificuldades surgiram devido à displicência financeira e administrativa do governo que permitiu acúmulo de juros no montante de dois trilhões de reais de 2012 a 2017. O ajuste fiscal é imperioso, mas há que se reorganizar a produção e comércio global, pois a precarização avança pelos países sem que haja como dar trabalho e renda às respectivas populações.

A dívida chega a 80% do PIB e com isso a desindustrialização avança. A previdência é a casca do problema econômico do Brasil, mas o caroço é a desintegração da economia e o desemprego de milhões. A China aumentou de forma considerável a produção em busca de dólares. O equilíbrio deveria ser o alvo da economia global. Alguns países acumularam ganhos no jogo da globalização; outros, como o Brasil, tiveram perdas. Atualmente o país está endividado e não consegue dar pleno atendimento às necessidades de sua população. Há grande liquidez no mercado global, mas também elevadas dívidas. Se os juros subirem, tudo vai desabar.

A criação de riqueza decorre da produção, a qual gera emprego, renda e consumo. Aqui tivemos o inverso disso na indústria. O real valorizado, em consequência de juros exorbitantes, colocou os manufaturados nacionais em desvantagem competitiva. Com isso perdermos empregos, mas ampliamos o crédito. A dívida pública já chega a cerca de um trilhão de dólares, e a arrecadação não cobre os gastos. Já não é mais a depressão de um ciclo; é um buraco muito grande. Como solucionar? O Brasil ficou com a dívida descontrolada, como reconhecem muitos economistas, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria.

Moeda é questão fundamental, mas pouco estudada e entendida. No século 20, ocorreu a grande ascensão do dinheiro papel e daqueles que detém o seu controle. Uma ideia bem estruturada ao lado do Estado, desenvolvida através dos séculos para criar a mercadoria desejada por todos: o dinheiro, em papel ou digital.

O dinheiro passou a ser a mais cobiçada mercadoria e a vida passou a girar em torno dele. A economia atingiu os extremos nas finanças e na produção num novo vale-tudo para acumular dinheiro. Há superprodução de bens e dinheiro gerando desequilíbrios. Na África, falta o que comer apesar de sua riqueza mineral. No Brasil e em outros países, não está dando para produzir e obter lucro. Não surgem empregos, aumenta a precarização.

O globalismo está mais para saco de gatos em que os mais fortes comandam os mais fracos, destruindo a natureza, ampliando a miséria fora da área dominante, sem respeito aos interesses econômicos mútuos para assegurar relações equilibradas. As novas gerações precisam de preparo que as fortaleça interiormente para que estabeleçam metas de vida edificante. O mesmo tem de ocorrer com o país.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7