O DECEPCIONANTE PREPARO DOS JOVENS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

O orçamento público do Brasil tem se caracterizado por uma sucessão de déficits, que em 2018, segundo as estimativas, chegará a R$ 157 bilhões. Como planejar as contas internas e externas de forma que contribuam para gerar empregos e possibilitar o bom preparo da população? A grande questão é como dar equilíbrio e sustentabilidade à conta corrente do país com o exterior, sem ter de ficar eternamente dependente de financiamento externo. É fundamental cortar despesas supérfluas e investir em obras prioritárias com seriedade.

Como resultado do despreparo continuado a que as novas gerações foram submetidas, o Banco Mundial relata que embora as habilidades de brasileiros de 15 anos tenham melhorado, no ritmo atual de avanço, eles não atingirão a nota média dos países ricos em matemática por 75 anos. Em leitura, vai demorar mais de 260 anos. Não é só a matemática; é o todo. Faltam clareza, naturalidade e raciocínio lúcido. Aonde poderemos chegar?

A questão de despreparo continuado tem desvalorizado a população. As riquezas têm sido sugadas e transferidas em vez de reaplicadas na melhora das condições gerais de vida. Em vez de esperança na melhora através do trabalho, semeia-se insatisfação e ódio. A beleza e a riqueza natural estão sendo detonadas pela exploração predatória do campo e desenvolvimento caótico das cidades. Rios são transformados em dutos de esgoto e a água potável vai rareando enquanto o sistema desumano permanece inalterado.

O sistema é complexo, pois se há tantas coisas para serem feitas no Brasil, há inércia e nada é feito. Florestas e rios destruídos, rodovias arruinadas, cidades caóticas, moradias precárias, população sem adequado preparo para a vida e o trabalho. Qual a causa? O que deveria ser feito para sair da condição sub-humana?

Enquanto o preço da gasolina e energia elétrica vai subindo, a Petrobras deverá pagar aos investidores US$ 2,95 bilhões em três parcelas, que começarão a ser desembolsadas após a aprovação preliminar do juiz da Corte Federal de Nova York, onde corre a ação coletiva, o que certamente será repassado aos consumidores. Não bastassem as falcatruas, as jogadas como a da refinaria de Passadena, agora mais essa como consequência da gestão irresponsável e corrupta.

A situação mundial é complicada, resulta da ausência de um projeto geral de humanização da vida e da falta de responsabilidade para com o futuro, mas diante de tantos problemas, como as contas estouradas e os conflitos, importaria saber o que é bom para a humanidade. Globalização ou o que seria apropriado para restabelecer o equilíbrio geral entre os povos, entre os homens e a natureza? Como educar as novas gerações? A religião ainda tem algum papel a desempenhar?

Nos séculos passados, europeus navegavam em busca de ouro e mão de obra escrava para ampliar riqueza e poder. Hoje, o poder se reflete na posse de dólares e bens que possibilitem renda, e tudo continua sendo permitido como naqueles tempos para acumular riqueza. Mas o planeta reage e as massas indolentes, em vez de buscar o aprimoramento, vão acumulando insatisfação e ódio, uma bomba que algum dia vai explodir.

Já estamos enfrentando o desequilíbrio climático. Ondas de calor sem chuvas secam tudo. Massas frias congelam. Chuvas e vendavais atuam destrutivamente por onde passam. As causas disso ainda são desconhecidas. Fenômenos de tal magnitude que o homem tem de se submeter sem que possa modificar, pois, de fato, com sua unilateralidade provocou o desequilíbrio geral que atinge o planeta.

Da discussão nascia a luz. Bons tempos quando havia empenho em solucionar as questões humanas e perseguir a melhora continuada nas condições gerais de vida e no aprimoramento da humanidade. Isso aconteceu no passado. Hoje, as discussões se tornaram lutas para defender pontos de vista e conservar o poder; um falatório sem sinceridade. O grande atraso decorre do descaso continuado com a população. O preparo das novas gerações tem sido decepcionante, ficando bem abaixo do que era de se esperar. As novas gerações representam o futuro, e este deve ser programado com sabedoria e responsabilidade. A TV e a Internet, que se tornaram os meios de maior penetração, deveriam ser utilizadas nesse sentido.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O DESALENTO DE UMA ERA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Entramos num túnel escuro há tempos. Resultado: economia fraca, desemprego, despreparo, moradias precárias. Trava-se uma luta pelo poder com alguns querendo ter nas mãos um Estado forte interferindo em tudo. Melhor que o Estado não seja empresário porque os empresários se tornaram financistas, visando acúmulo de riqueza e poder, e descuidaram de promover progresso equitativo com liberdade e responsabilidade. Quando o planeta conseguirá alcançar o equilíbrio com todas as ações voltadas para a paz, progresso e elevação da espécie humana?

Na atual crise brasileira, alguns fatores foram terríveis: crédito caro e difícil, impostos em excesso, despreparo geral, e diante do quadro de globalização, o Brasil teve fragilizada a sua energia taurina, inclusive os empresários. É bom ter dólar barato para reduzir o custo dos importados, mas para quem tem dólares insuficientes a situação tende para a insustentabilidade. A política também influiu, dada a rejeição aos métodos do PT. São esses os fatores que devem ser solucionados com liberdade e responsabilidade para que o progresso ressurja.

O Brasil precisa destruir as travas que emperram o bom preparo das novas gerações. Os pais têm de acompanhar o que acontece na escola, ajudar a criança a superar dificuldades e eliminar o bullying. As escolas deveriam promover palestras realizadas por psicólogos para auxiliar e orientar os pais sobre questões ligadas à educação e preparo para a vida. O grande atraso surgiu como consequência de lutas pelo poder e interesses pessoais. Faltaram programas sérios de longo prazo para a construção de um país independente voltado para a melhora das condições de vida e qualidade humana. Os partidos não se ocuparam com isso nem seus líderes gananciosos. O Brasil precisa de homens dispostos a reconstruir o país com denodo sem se curvar aos interesses particulares e que são contrários ao progresso real.

O Brasil parece estar sem rumo; há muito tempo falta uma séria visão de futuro melhor, mas isso depende em grande parte da educação e preparo das novas gerações que precisam adquirir motivação para dar ao país uma conformação mais humana voltada para o progresso geral. O grande descuido tem sido a ausência de metas ousadas. Perdemos um tempo enorme que levou o país ao declínio em todos os setores essenciais, mormente no preparo das novas gerações. Com isso, estamos numa vala e com dificuldade para levantar a cabeça.

Em tudo que os homens têm feito observa-se a falta do equilíbrio, a palavra mágica da boa construção. O componente humano requer consideração e não pode agir como máquina; tem de por a sua vontade em movimento visando o bom aproveitamento do tempo e a busca continuada da excelência, e ser remunerado de forma adequada para uma existência condigna.

A inovação e o progresso estão relacionados com as metas do país e de sua população. O que querem as pessoas, a classe política, as empresas? Qual a meta dos brasileiros, adultos e jovens? Não sabem bem o que querem, vivem longe da realidade da vida. Tudo exige esforço, mas o hábito tem sido buscar molezas para ficar acomodado em berço esplêndido. O que tem prevalecido é o imediatismo geral sem visão de melhor futuro, com absoluto descuido e lutas pelos ganhos e poder. Não há uma estrutura de equilíbrio geral nas contas internas e externas, na produção, empregos, importações e exportações. É hora de definir metas adequadas e sérias e ações na conquista da evolução.

Em sua essência o impulso primário do homem era a busca de sua origem transcendental, que aos poucos foi sendo acomodada pela procura com prioridade para as coisas do perecível mundo material. Isso foi conveniente para aqueles que cobiçam poder terreno, levando às massas a indolência máxima. Os homens da Religião, do Capitalismo de Mercado e do Estado visavam o mesmo. Agora tudo está mais confuso com a invenção do Capitalismo de Estado. A indolência e robotização do ser humano tende a ser total aumentando o desalento. O homem precisa reconhecer as leis da natureza e segui-las para não criar situações anormais. Evidentemente a intervenção dos homens sempre produz consequências, boas ou más. É preciso estudar as leis naturais da Criação para não gerar situações desastrosas.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

RODA GIGANTE

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Com grande fidelidade, Woody Allen dramatiza as misérias humanas no filme Roda Gigante. Nos anos 1950, um casal mal ajustado – Ginny (Kate Winslet) e Humpty (James Belushi) – enfrenta as dificuldades financeiras da época e a desarmonia reinante em seu lar. Um interminável desfilar de egoísmos, caprichos, como se os fios do destino mantivessem o casal acorrentado, sem buscar força de vontade e discernimento para encontrar uma saída em conformidade com as leis da vida. E lá vão eles se complicando cada vez mais, contribuindo, para isso, a chegada de Caroline (Juno Temple), a filha do primeiro casamento de Humpty.

As resoluções dos personagens vão enrolando os fios do destino cada vez mais com a entrada de Mickey (Justin Timberlake) na vida dessas mulheres, se bem que Caroline era divorciada e estava se afastando do ex-marido, e com sua jovialidade demonstrasse alguma intenção de encontrar caminhos melhores para si. Homens e mulheres deveriam ser mais cautelosos em seus envolvimentos íntimos forçados pelo instinto sexual sem maiores afinidades psíquicas. Os acontecimentos se avolumam e nas encruzilhadas da vida acabam prevalecendo os sentimentos mesquinhos ditados pelo raciocínio egoístico que sufoca o coração intuitivo.

De forma inquietante, Woody Allen compartilha o sentimento da vacuidade da vida, a ausência de propósitos elevados, a sensação fatalista de que nada pode dar certo neste mundo de aspereza no qual os seres humanos desperdiçam seu precioso tempo, mas na verdade, o que ele mostra são as consequências das ações humanas, a colheita obrigatória determinada pelas Leis da Criação, também chamadas leis naturais, ou leis universais, ou cósmicas, que conduzem a Energia Criadora que a tudo sustenta, e a sua atuação se dá com toda amplitude em todas as dimensões, visíveis aos nossos olhos ou não. Através delas, o livre arbítrio tece os destinos dos seres humanos individuais e da humanidade como um todo. Cada pessoa recebe de volta as consequências de seus atos, bons ou maus, incluindo os pensamentos, as falas e as ações.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A BUSCA DA VERDADE DA VIDA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Com a Palavra de Jesus esclarecedora do significado da vida e do funcionamento da Criação, acabou ocorrendo uma inversão de seu significado simples, claro e natural: “A simplicidade, puramente objetiva, teve, sim, de sucumbir no momento em que o culto principal se tornou estritamente pessoal, voltado para o Portador da Luz!”.

As trevas odeiam a Luz, como demonstram os acontecimentos perpetrados pela humanidade contra Jesus, o Filho de Deus, e que bem poderiam se repetir nos dias de hoje. 144 mil seres humanos fizeram a promessa de ajudar na obra de esclarecimento da Verdade, a Vontade do Criador, pois o ser humano afastou-se do saber do significado espiritual da vida. A grande maioria, porém, ficou enredada nos meandros do materialismo e da vaidade, deixando o Mestre Abdruschin só e isolado. Em 1938, foi preso pela polícia nazista e submetido a cárcere domiciliar, impossibilitado de falar livremente, e só não foi enviado aos campos de concentração porque seus amigos comprovaram a sua linhagem germânica de longa data. Abdruschin, pseudônimo de Oskar Ernest Bernhardt (1875-1941), sempre exigiu que os seres humanos se preocupassem com as palavras e não com a pessoa do autor. Por essa razão os aspectos de sua vida terrena sempre foram deixados de lado.

“Uma explicação da vontade divina é sempre no fundo apenas a interpretação do funcionamento da sua Criação, na qual vivem os seres humanos que a ela pertencem. E conhecer a Criação significa tudo! O ser humano, conhecendo-a, facílimo lhe será utilizar-se de tudo quanto encerra e oferece. O poder utilizar, por sua vez, proporciona-lhe toda a vantagem. Assim, brevemente reconhecerá e cumprirá a verdadeira finalidade da existência e, beneficiando tudo, ascenderá rumo à Luz, para alegria própria e somente para bênção de seu ambiente”. (Ver: Pai Perdoai-lhes, pois Não Sabem o que Fazem, Mensagem do Graal).

“Com a sua Mensagem NA LUZ DA VERDADE, Abdruschin deu aos seres a possibilidade de se libertarem, espiritual e terrenamente, do caos atual, de levarem uma vida digna na matéria e um dia voltarem para sua pátria espiritual. O ser humano tem seu livre arbítrio, podendo decidir se seu caminho deve conduzir rumo a Luz ou para as trevas… Essa Mensagem constitui uma âncora de salvação para aqueles que ainda mantêm dentro de si uma fagulha para o bem. Uma âncora de salvação que Abdruschin em sua imensurável bondade ofereceu aos seres humanos ainda no último minuto, apesar do falhar abalador”. (Harry von Sass, 1992).

A Mensagem do Graal Na Luz da Verdade, de Abdruschin, edição em três volumes. No entanto, nada impede que o leitor estude a Criação através da primeira edição de 1931, pois ambas procedem da mesma origem.

Benedicto Ismael Camargo Dutra, estudioso da Mensagem do Graal, de Abdruschin.
https://youtu.be/n8kThZj-bRo

CONFRONTAÇÃO ENTRE OS POVOS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Teceu-se um amontoado de incompreensões, discórdias e conflitos entre os seres humanos, mas o Criador de Todos os Mundos é único e suas leis alcançam todos os seres humanos independentemente em que fronteiras tenham nascido e em que acreditem. Uma das tarefas prioritárias de nosso existir é a busca por esclarecimentos sobre a finalidade da existência, e se isso não for feito desde cedo, a fase da velhice deve ser aproveitada para esse propósito com toda a energia.

O Natal deveria ser a época de festejar a paz e a boa vontade, mas a humanidade ainda não compreendeu direito a missão de Jesus, que não veio à Terra para abolir as Leis da Criação ou os ensinamentos dos Profetas, mas sim complementar o saber com a Luz da Verdade, trazendo a aurora da libertação espiritual. Além do “colhereis o que semeares”, pouca coisa mais restou de seus ensinamentos originais, seja porque não foram compreendidos, ou foram esquecidos ou modificados.

A incompreensão é de tal monta como se observa na canção Noite Feliz cuja versão em português se refere ao “pobrezinho que nasceu em Belém”, diferentemente da letra original alemã Stille Nacht. O Enviado de Deus não era um “pobrezinho”, era o Filho de Deus, encarnado como ser humano com toda a pompa do Universo, e um cometa anunciou o seu nascimento. Centenas de vídeos de Natal são compartilhados para alegrar e divertir os seres humanos, poucos inspiram uma reflexão mais profunda sobre a noite sagrada.

Com o crescente domínio do raciocínio em oposição ao espiritual, a aspereza expandiu-se e muitos seres humanos desenvolveram o pior em si mesmos. Muitas pessoas sentem o impulso para mudar de sintonização, mas não sabem como, quedando-se sem forças. Charlie Chaplin, estudioso da vida, não temia falar abertamente o que sentia e desejava, porém não foi compreendido e sofreu por isso, tendo sentido no mundo materialista fortes barreiras para exercer o humanismo que quer o aprimoramento. Expressou bem esse desejo no filme de 1940, O Grande Ditador:

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.

Com base em financiamento, produção, exportação que geraram empregos e ganhos o poder econômico fez a América grande e poderosa. Depois veio o crescimento do Japão com trabalho e yen barato. Agora surge a China com mão de obra em abundância e polpuda reserva gerando disputas. O presidente Trump entra em campo com a outra potência já montada em polpuda reserva constituída com o que o sistema permitiu, feito que não havia sido alcançado nem pelo Japão. Nesse meio pergunta-se: o que de benéfico os EUA e a China estão propiciando ao mundo? Como sairemos da crise política, cultural e econômica que estamos atravessando?

A América chora de barriga cheia, mas agora os velhos mecanismos não funcionam e a China vai crescendo a 7%, então vão surgindo atitudes que poderão acelerar a curva do desequilíbrio histórico. Entre as inúmeras dificuldades que enfrentamos, agora acresce a desordenação geral que se vai ampliando. É o mundo VICA (ou VUCA), conceito que exprime a velocidade, incerteza, complexidade e ambiguidade que cercam os acontecimentos de nossos dias instabilizando as relações humanas, tornando incerto o futuro.

Na disputa pelos mercados o presidente Trump fala que quer fazer a América grande outra vez – a MAGA -, e surgem planos econômicos nesta época em que as finanças e a economia a tudo suplantaram pondo o humanismo a perder espaço. Nos embates, a massa vai empobrecendo. Meio ambiente, impostos, câmbio, juros, tudo vai sendo mobilizado na confrontação geoeconômica pelo aumento de poder; não sabemos no que isso vai dar, o planeta e a humanidade estremecem.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O GRANDE DESAFIO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

O grande atraso do Brasil decorre da falta de preparo da população que tem permanecido apartada dos reais problemas da vida, sendo condicionada a um viver de quimeras e ilusões, esquecendo que o progresso pessoal e do país é fruto do trabalho dedicado na autoeducação e na concretização dos propósitos enobrecedores. Futebol, carnaval e telenovela são importantes como lazer, não como finalidade de vida.

Há um confuso embate político e uma forte tentação dos políticos de esquerda para abraçar o capitalismo de Estado, centralizando o poder, interferindo em tudo, assustando, ameaçando a já precária liberdade. Os de mercado estão tensos, dado o aumento da insatisfação da população induzida a acreditar que o Estado pode tudo, mas ao crer nisso podem estar entrando num caminho tormentoso para a liberdade. Poucos querem ver a razão. Sem autenticidade e busca de equilíbrio, a solução fica muito difícil.

O grande desafio para quem assumir a presidência está em transformar o Brasil num país com progresso ordenado. Como o país poderá planejar suas contas internas e externas com equilíbrio, sustentabilidade, empregos e bom preparo da população? Reduzir tamanho do Estado, cortar despesas supérfluas, ajuste da carga tributária poderia dar fôlego ao orçamento, mas ainda fica a grande questão de como dar equilíbrio e sustentabilidade à conta corrente do país com o exterior, sem ter de ficar eternamente dependente de financiamento externo.

A ascensão do dinheiro e sua crescente influência vêm ocorrendo há alguns séculos, mas parece que ainda não foi encontrada a maneira certa de manter o equilíbrio entre os países e entre produção, comércio, emprego e consumo. Com a ausência do equilíbrio, surgiram as perturbações constrangedoras como crises, estagnação, desemprego, progressão das desigualdades, tudo retendo o avanço da humanidade chegando mesmo a promover retrocessos.

A análise das contas da previdência divulgada pelo economista Delfim Netto mostra que os números de 2007 (R$ 306 bilhões e R$ 338 bilhões para receita e despesa) atingiram em 2016, respectivamente, R$ 635 e R$ 875 bilhões. O déficit cresceu de R$ 32 bilhões para R$ 240 bilhões, à taxa exponencial de 25% ao ano! Uma questão de demografia, mas também de incompetência e displicência gerencial do Estado com a ausência da busca do progresso equitativo e bom preparo da população. No fundo há também a não menos complicada questão global da mudança na estruturação dos empregos.

Como desenvolver e fortalecer as competências emocionais das novas gerações num mundo tão acelerado em que nada se consolida, onde tudo se vai automatizando e robotizando? A forma de viver se tornou muito estressante. Precisamos de formas mais sábias de viver que preservem a humanidade e a sensibilidade das novas gerações. Elas têm de ser orientadas para a compreensão da natureza, suas belezas, suas leis, sua lógica, pois é na natureza que vamos encontrar as bases da ciência.

O impulso primário do homem para a busca de sua origem transcendental aos poucos foi cedendo a prioridade para a procura de realização exclusivamente no perecível mundo material. Isso foi conveniente para aqueles que cobiçam poder terreno conduzindo as massas à indolência máxima. Os homens da Religião, do Estado, e do Capitalismo de Mercado e também tinham em mira o poder. Agora as coisas estão confusas. Com o surgimento do Capitalismo de Estado, a indolência e a robotização do ser humano tende a ser total.

Para não cair nisso os seres humanos devem buscar viver autenticamente, sempre visando o bem. Em seu entorpecimento, as pessoas vão se acomodando na vida rotineira como sonâmbulos, perdem o estímulo para definir propósitos e ir atrás, e também perdem a iniciativa que deveria buscar a realização de sua vontade intuitiva ora bem adormecida. No entanto, de todos os lados a mente recebe, principalmente da mídia, lembretes que impulsionam os indivíduos a agirem: alguém fumando ou bebendo, brigando, xingando, comprando algo, e tantas coisas mais que não levam a lugar nenhum. Enquanto a vida vai transcorrendo na mediocridade paralisante, faltam lembretes positivos, tais como: ajudar alguém, ler um bom livro, falar uma palavra amiga, procurar o bem geral e o real sentido da vida.
* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

MOISÉS, LUTERO, ABDRUSCHIN

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

No longo trajeto do Egito para a Terra Prometida, Moisés recebeu as recomendações de Deus para a elevação da humanidade. Ao longo dos séculos, o saber original foi sendo perdido pela desatenta humanidade às mais importantes recomendações que havia recebido e, com isso, o embrutecimento e a decadência não se fizeram tardar. Abdruschin explica no livro Os Dez Mandamentos o real significado dos ensinamentos, restabelecendo os caminhos que foram atulhados por conceitos ditados pelo comodismo espiritual.

A Terra e seus habitantes passarão em breve por provações fora de série. A água vem escasseando a olhos vistos. Níveis freáticos estão baixando, lagos, lagoas, açudes e represas estão evaporando, e a humanidade vai se acomodando até a consumação do caos. Realizada em Bohn, na Alemanha, a 23ª Conferência do Clima (COP – 23), mais uma vez travou intensos debates entre cerca de 200 países sobre o aquecimento global e suas consequências. Provavelmente já ultrapassamos do ponto de um possível retorno, só restando agora uma rígida adaptação às condições que se agravam de ano para ano. Evidentemente ampliar áreas florestadas e saneamento básico deverá trazer alguma atenuação, mormente na escassez da água.

Qual a missão da universidade, do reitor, do professor, do estudante? Tudo deveria convergir para a busca da melhora das condições gerais de vida, mas se transformou na corrida por verbas para equilibrar orçamentos divorciados da real missão. Acima de tudo não podemos esquecer que somos seres humanos que além das nossas habilidades para o trabalho, não podemos deixar de dedicar tempo na busca pela compreensão do significado e sentido da vida. Por que e para que nascemos neste planeta?

O que governo arrecada deveria naturalmente ser aplicado em benfeitorias, gerar emprego, fazer o dinheiro circular. Grande parte das obras e do que o governo compra são superfaturados, custam o triplo, além dos juros da dívida que correspondem a 8% do PIB. Os poderes legislativo e judiciário consomem muito, a população não se educa, o país definha, a miséria aumenta.

Na cegueira da vida moderna, os homens se tornam imediatistas descuidando da busca da melhora geral e aprimoramento da humanidade, vendo no acúmulo de dinheiro o seu principal alvo sem se preocupar com os meios. Assim, a humanidade que havia alcançado algum progresso tende a regredir e embrutecer pela ausência de alvos enobrecedores. Um povo sem propósitos dignos não tardará em cair em desgraça. O desmazelo com a administração do Brasil tem sido uma praga. Sem dar um norte nobre para as novas gerações, não haverá futuro. Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, a economista Zeina Latif, referindo-se à atual situação, disse o seguinte: “A crise ceifa oportunidades e gera falta de perspectivas, um veneno que arrasta os jovens para a criminalidade e gravidez precoce”. O artigo dela deveria ser lido no Congresso, com a presença de presidentes, candidatos, governadores e prefeitos para que percebam o quanto têm falhado na condução do Brasil.

As contas públicas, internas e externas, seguiram descontroladas por sucessivos governos. O Brasil tem vivido apagando incêndios nas finanças. Com as contas deficitárias, o governo não ataca o que está emperrando a economia. A projeção do déficit se auto alimenta e acresce os encargos com juros. Como a trajetória do déficit e aumento da dívida poderia ser interrompida? Como provocar investimentos que ativem a economia, a renda e o consumo, saindo do círculo vicioso em que tem vivido há séculos. Como aumentar a poupança?

Enquanto alguns países seguiram as pregações da Reforma Protestante de Martinho Lutero, outros seguiram a Contra Reforma que trouxe mais do mesmo, rebaixando o ser humano a uma condição passiva, sem fazer uso de suas capacitações para examinar, analisar e refletir intuitivamente por si, resultando na permanência da indolência e marasmo, na falta de iniciativa esperando tudo cair do Céu e, mais tarde, do Estado, em oposição ao que Cristo exigia: a análise de tudo, a movimentação própria e a não aceitação de postulados dogmáticos, a dispensabilidade de intermediários para entender a vida e as leis que a regem. A vida não é só trabalhar e se divertir. “É dever sagrado do espírito humano pesquisar por que se encontra na Terra, e por que motivo vive nesta Criação”.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A UBERIZAÇÃO DA VIDA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Os recursos naturais do Brasil são os mais valiosos do planeta e, por isso, muito cobiçados. A população tem de ser conscientizada e preparada para a correta utilização desses bens. As florestas não podem continuar sendo destruídas. Os recursos naturais asseguram a continuidade da vida, sendo a água é o sustentáculo, porém ar, água, solo, e florestas estão deteriorando de forma exponencial.

No momento atual, países, empresas e entidades enfrentam uma fase muito difícil. O estrago em Mariana, decorrente do vazamento da Samarco, que despejou uma montanha de resíduos tóxicos no rio Doce, revela a displicência com a vida, com as criaturas, com a natureza, tudo pelo pensamento unilateral voltado para os interesses materiais. A recuperação das florestas, das nascentes, da fauna, poderia se constituir numa atividade para dar ocupação, renda e conhecimento sobre a natureza e a vida para essas populações desassistidas desde os tempos do Brasil Colônia, mas em vez disso permanece o despreparo, baixa escolaridade, atraso, e falta de motivação para a continuada melhora.

Uma bem coordenada pela autocracia chinesa resultou em continuadas vantagens na balança comercial, enquanto o Ocidente ficou viciado em ganhos financeiros especulativos, gerando desníveis globais na concentração de renda. Isso pode afetar o nível de empregos, mas provavelmente não afeta o equilíbrio das contas do dólar sempre bem planejadas. O que poderíamos fazer para não cairmos numa autocracia global?

Com a invasão cultural os países jovens e menos preparados estão perdendo o sentimento pátrio. No Brasil, muitas pessoas mal sabem o vocabulário português, mas utilizam várias palavras estrangeiras sem saber exatamente o significado, a pronúncia, a origem. Costumes, bandeira, história, nada significam diante da avalanche de informações e motivações superficiais. Declina o potencial da população; não há propósitos; as pessoas seguem alheias ao real significado da vida. Se as nações tendem a desaparecer por interesses e influências alienígenas, o que virá em seu lugar?

De onde vem a desigualdade econômica? Como se formam grandes fortunas? Com ações imorais como a corrupção, especulação em geral e privilégios. O PIB e lucros se formam com a participação de todos que produzem, utilizando recursos da natureza anteriores ao homem. A desigualdade na renda se combate com oportunidades gerais, com o esforço dos indivíduos para trabalhar bem e para ampliar seu potencial de forma contínua. Se o ganho vem do trabalho de todos, por que não estabelecer participação no resultado, avaliando o mérito individual?

O Brasil vacilou e agora não sabe como se recuperar, pois enfrentou a inflação com valorização cambial, descuidou do equilíbrio das contas internas e externas, e conforme tabela do crescimento apresentada pelo economista Delfim Neto, desde 1994 vem apresentando crescimento inferior aos emergentes. Há o receio de que a maioria dos candidatos às eleições 2018 não esteja preparada para reconhecer o problema e promover melhoras no crescimento e na qualidade de vida. Precisamos de políticos idôneos e empenhados com o progresso do país escolhendo equipes competentes.

Privatizar é necessário, pois o Estado-empresário não dá certo porque tudo fica nas mãos dos mandarins que fazem o que querem para beneficiarem a si mesmos. Endividar o país para privatizar tem um aroma de safadeza que vem arruinando o Brasil há décadas. O país perdeu o rumo ao permitir que as maracutaias fossem aceitas, levando à falta de seriedade que desestrutura tudo e incrementa a violência. Governo endividado, empresas em dificuldades, população descontente, produção reduzida.

Despreparo. Trabalhador ganhando pouco. Bônus para ganhos especulativos financeiros. Em contrapartida não há participação nos lucros embora toda a equipe deva dar a sua colaboração. A retração no mercado interno e o aumento da concentração de renda podem ter como uma das prováveis causas a “Uberização” da produção mundial com o processo de redução do custo que vai acarretando desemprego crescente onde os custos sejam inelásticos.

O estudante brasileiro tem de criar mais disposição para estudar. Quando a pessoa tem potencial acima do que sua atividade requer, consegue expandir; caso seja de potencial inferior, a atividade tende a estagnar ou regredir. Por isso, para alcançar o progresso real, é indispensável que as pessoas busquem a ampliação do seu potencial de forma continuada.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A GLOBALIZAÇÃO E OS PAÍSES

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Os homens se apegam ao poder desde longa data. A nobreza tinha os direitos sobre a terra. Com a ascensão do dinheiro e crédito, o capitalismo alcançou o comando. Comunistas e socialistas, ambos intervencionistas, também foram atrás do poder com a bandeira de defender os desprotegidos. A globalização tem seu valor e suas contribuições, mas jamais poderia se sobrepor aos legítimos interesses dos países cujos governantes têm o dever de zelar pela continuada melhora das condições gerais de vida, da qualidade humana e da preservação da sustentabilidade.

Em reunião do Fórum de Cooperação Econômica, realizada no Vietnã, o presidente Donald Trump prometeu que defenderia os interesses econômicos dos americanos em relação à exploração estrangeira e não deixaria mais que “se tirasse vantagem” dos EUA. “Sempre vou colocar os EUA em primeiro lugar, da mesma maneira que espero que todos vocês aqui nesta sala coloquem seus países em primeiro lugar”, ele disse. Em contraste, o líder chinês Xi Jinping foi eloquente ao defender a globalização.

Após a crise de 2008, ocorreu uma severa restrição ao crédito. Não é fácil entender toda a complexidade da finança global. O Bank for International Settlements (BIS) alerta para o risco representado pelo volume dos swaps cambiais pendentes cujo valor ultrapassa a casa dos 58 trilhões de dólares, quase o PIB mundial. Com aumento do risco e queda no rendimento de intermediação, o crédito se restringiu, declinando os investimentos e o consumo. O que poderia acontecer no mundo se os juros americanos fossem elevados para 4%?

Quem está interessado em avaliar os riscos e agir com prudência para evitar o soçobro econômico-financeiro? Cada um acha que o pato será o outro que vai ficar com o mico, ou seja, o papel desvalorizado que ninguém quer. Mas quem arca com o peso do mico é a sociedade que tem de suportar o custo da derrocada para evitar ou retardar a queda no abismo do desastre criado pela especulação desenfreada no mercado financeiro.

Após o fracasso do comunismo, o capitalismo de livre mercado e a tecnologia tiveram grande expansão, enquanto ocorria significativa perda de eficiência pelos Estados e seus gestores. A economia ocidental tem sido veemente na defesa da concorrência como fator de incremento da produtividade, mas nesse meio chegou o Capitalismo de Estado gerido com unidade de comando alterando profundamente a economia e a produção industrial introduzindo novas regras, redução nos custos e aumento da produtividade. Um misto de intervenção do Estado e ação empresarial visando lucro e acúmulo de reservas através da produção para exportação.

O grande desastre no desenvolvimento dos povos tem sido a cobiça pelo poder, ganância especulativa, falta de seriedade e empenho da governança em fortalecer a população que se tornou facilmente presa de interesses alienígenas corruptores, dando origem à desagregação ética e moral de alto a baixo. Uma governança consciente sempre adota políticas adequadas ao desenvolvimento segundo as características do país não se curvando a interesses espúrios. O Brasil colhe o fruto dessa insensatez sem atentar para a raiz do mal que leva à estagnação e atraso de difícil recuperação, pois falta preparo geral. O indispensável é que sejam asseguradas a liberdade individual, responsabilidade e direito à propriedade

O mundo caminha para os limites críticos nos recursos naturais e na vida psíquica. Na fase atual de transformações é fundamental que a educação das novas gerações se debruce sobre a natureza, seu funcionamento, sua coerência e leis inflexíveis para delas tirar o melhor proveito, inclusive para desenvolver o raciocínio lúcido e lógico. Além da grave poluição do ar, há o descaso com a poluição dos mares e rios e a falta de tratamento do esgoto. A natureza é a grande riqueza. Sem água pura e cristalina e sem ar limpo, a vida perde a sustentabilidade. Sem cobertura florestal, os mananciais se desfazem e o solo se erode. Se faltar água potável a vida perderá a sustentação, essa a grande verdade inconveniente para a qual a humanidade fechou os olhos. Os seres humanos têm de se preparar e se movimentar para formar as bases de uma vida decente visando à melhora das condições gerais, a evolução natural e o progresso da humanidade em paz.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A AGITADA MARÉ DO SÉCULO 21

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Os problemas das cidades precisam ser examinados com objetividade e perseverante vontade de resolver, como é o caso da questão do transporte sobre trilhos na cidade de São Paulo. Infelizmente, quando se discute, há sempre um viés ideológico, seja de direitistas liberais para atender seus fins, ou esquerdistas que aparelham o Estado para dominar e controlar tudo; e o povo sempre fica esquecido. O serviço precisa de mais eficiência; alguns usuários agem com displicência sem respeito nem consideração com o patrimônio público ou demais usuários. Há também os deploráveis ataques de homens anormais contra mulheres.

O recurso mais importante é o fator humano. A educação não é uma etapa isolada, tudo influi a começar do preparo dos pais, da convivência doméstica, das músicas, leituras e programas da televisão. Uma arte tosca inspirada em baixarias deforma. No Brasil, o descuido vem desde a proclamação da República quando não se ofereceu adequado preparo à mão de obra liberada das fazendas pela lei Áurea. Há muitas coisas para serem corrigidas para melhorar a qualidade humana do país.

A questão do preparo das novas gerações requer o comprometimento não só do governo, mas de toda a sociedade. Onde estão os ensinamentos dos professores que enobrecem a humanidade? Eles deveriam estar na sala de aula e em tudo o mais. O cinema é a escola onde abundam modelos decadentes. A educação deve conduzir ao enobrecimento, formar pessoas honestas com clareza mental e bom senso. Os jovens têm de ser incentivados a cultivar o sentido de beleza que enobrece para não caírem nas baixarias que promovem o retrocesso da humanidade. O essencial é que o governo e toda a sociedade tenham como alvo a continuada melhora das condições gerais de vida.

O dinheiro é como a água que faz o moinho dos negócios girar. Girando e acumulando, expandindo os negócios até o limite, depois surgem os processos de armazenamento em paraísos fiscais e vão se separando da economia real, passando a rodar pelo mundo buscando ganhos, seja em empréstimos soberanos, especulação, bolhas, ficando tudo sujeito às instabilidades. Ativos se valorizam acima do que rendem. Grandes dívidas ficam com a garantia defasada. Como a pessoa que se empanturrou, o sistema fatalmente cai na limpeza purgativa. Importante seria ampliar a análise das consequências sobre a armadilha do endividamento e do efeito bolha sobre os ativos.

O volume de exportações coloca a China em destacada posição na economia global. O eficiente modelo chinês de governo mais enxuto, com plano único a que todos se submetem, tem despertado interesse como meio de conquistar e conservar o poder. É necessário examinar as consequências do confronto entre a economia socialista de mercado e o mercado liberal do ocidente que vai perdendo espaço na produção industrial e nos empregos. O Brasil, que se subordinou às amarras americanas, tem de se cuidar para não se tornar apenas um polo de abastecimento de matérias-primas e alimentos para a China.

Os países precisam ter objetivos, homens sérios e competentes, e uma estratégia flexível em busca das melhores soluções para que o progresso continuado seja alcançado. Mas é preciso que a população também participe, e se o alvo for apenas de cunho material, a decadência moral e ruína serão inevitáveis como já tem ocorrido em diversas civilizações, que por falta de metas enobrecedoras acabaram soçobrando: egípcios, gregos, romanos, e os alemães no século 20. Sem a efetiva evolução material e espiritual o homem não consegue construir obras duradouras.

Como tantos outros, o filme Churchill contém pouca alma, não empolga nem motiva, e é um tanto deprimente, mas mostra a frieza das guerras, a insensibilidade com a vida dos soldados no front e com os danos colaterais. A tirania sempre tem de ser combatida e banida. O que se lamenta é que a humanidade tenha decaído tanto a ponto de possibilitar o surgimento de tiranos impiedosos que se opõem ao real sentido da vida causando caos, miséria e retrocesso. As guerras mostram o coroamento da bruteza dos homens. O período entre 1939 e 1945 foi o mais negro da história da humanidade. Resta saber se na galopante maré do século 21 enfrentaremos fases piores.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7