A RAPINAGEM VEM DE LONGE

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Segundo o historiador Jorge Caldeira, o Barão de Mauá foi sabotado e com ele a própria modernização do Brasil que permaneceu exportador de primários com trabalho escravo. Com a Lei Áurea, em 1888, D. Pedro II perdeu o trono, e os republicanos nada fizeram para integrar o contingente liberado, e assim fomos deitando em berço esplêndido, sem mercado interno, sem renda, e com precária educação que tem piorado ainda mais na atualidade. Precisamos redespertar o sonho de um Brasil melhor e trabalhar com seriedade e equilíbrio nas contas internas e externas.

O Banco Central já vendeu em janeiro de 2017 o equivalente a US$ 5,7 bilhões para rolar o total de US$ 6,431 bilhões que vence em fevereiro. Qual foi o resultado dessa rolagem? Ganho ou perda? Os países atrasados deveriam se posicionar para obter uma situação cambial estável, mais realista e favorecedora de exportação, mas se apegaram aos benefícios eleitorais do dólar barato para importações mesmo que aumentem o déficit. Com os fluxos especulativos, o câmbio perdeu toda a sustentabilidade, varia de acordo com as manipulações.

O editorial Uma longa jornada, do Jornal Folha de São Paulo, explica o crescimento do rombo, mas a rapinagem vem de longe. Neste último período extrapolou todos os limites. Em 2016, houve R$ 167 bilhões de déficit que somados aos juros, o elevou para quase 10 % do PIB, tendendo a dívida ao montante de mais de 80% do PIB. É muito triste ver a situação em que o país ficou, endividado e em declínio. A grande maioria da população será penalizada pela desonestidade, incompetência e falta de patriotismo dos gestores. Além da balburdia financeira, foi permitida deterioração geral na saúde, educação e na indústria. Os empregos diminuem. O salário encolhe e fica comprimido, mas os reajustes de preços prosseguem, resultando no empobrecimento e precarização geral.

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A ECONOMIA E AS GUERRAS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Os países endividados, mal geridos e com população sem preparo como o Brasil que se cuidem, pois terão seus recursos cobiçados. Desde a República, proclamada em 1889, os governantes pouco se esforçaram para forjar um país independente, com população bem preparada para a vida, apto a evoluir. Foram 500 anos de atividade predatória, mas nos últimos 127 anos de República mal concebida, com o Estado atrelado a interesses particulares, o país ficou longe da melhora real.

Com mais de 12 milhões desempregados, deixam de circular de sete a dez bilhões de reais ao mês com seu efeito dinâmico, que vai emperrando as engrenagens da economia. Economistas precisam focar nesse problema que é mundial, buscando alternativas antes que seja tarde demais. Lamentável. Como consequência, vai sendo desconstruída a nacionalidade, o idioma, a indústria, os rios, as novas gerações. Enquanto a Venezuela foi desconstruída em decorrência do voluntarismo de seu comando, no Brasil a desconstrução roubou a fibra, e a população não sabe mais qual o potencial do país e nem tem preparo para aproveitar esse potencial para o bem geral.

O economista Angus Deaton, ganhador do prêmio Nobel, disse em entrevista que a globalização não está agonizando e que trouxe muitos benefícios. Deaton tem razão; após a globalização algumas coisas melhoram nesse mundo que até fins do século 19 admitia o trabalho escravo como fator de produção. Mas a humanidade está doente e os culpados são os próprios seres humanos que se afastaram das leis naturais, tateando com seu cérebro dominador sem se esforçar para ouvir a voz interior, que é a intuição com sua conexão com esferas mais elevadas. Em sua restrição, o cérebro criou teorias e armadilhas, mas a essência dos males está na falta da espiritualidade e no domínio do egoísmo e sede de poder. Mas segundo o economista, as coisas poderão piorar ainda mais com a chegada dos robôs para substituir o trabalho humano. Leia mais