A RECESSÃO TEM DE SER REVERTIDA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Lamentavelmente o desenvolvimento do Brasil vem sendo detonado e não é de hoje. Começou nas áreas de educação, saúde e dependência financeira. Avançou pelo consumo de drogas, alcoolismo, e outros vícios que enfraquecem as novas gerações no período áureo da adolescência, comprometendo o futuro. A indústria também tem sido prejudicada pelos efeitos negativos desde os empreendimentos pioneiros de Mauá. Há muitas coisas para serem modificadas para que o país possa ter um futuro melhor. Seriedade e responsabilidade são indispensáveis.

Atraso e corrupção estão presentes em quase tudo que é feito. A destruição ocorre por todas as regiões, ao lado do aumento da ignorância. Esta parte do continente americano vai consolidando a decadência como normal, mas isso está errado, pois o certo seria a evolução humana. Uma civilização evoluída não teria esse descaramento para obter lucros com o mínimo esforço e falta de respeito pelas demais espécies. O descaso se amplia e as pessoas também vão sendo coisificadas.

Vem de longa data a cultura de “Zé Carioca” personagem fictício criado pelos estúdios Walt Disney no começo da década de 1940 como o típico malandro, sempre escapando com o “jeitinho” astucioso. Basta observar os humoristas, sempre insinuando a malandragem como forma de sobreviver no país que tardou em promulgar a lei áurea, e quando o fez, não teve a competência de elaborar de um plano geral de integração. No Brasil os “gatos grandes” não se incomodam com os “ratos pequenos”, e quem pode mete a mão sem preconceitos nos cofres do Estado recheados com o dinheiro recolhido da população. Faltam seriedade e bons exemplos.

O grande problema não está na economia, mas nos homens. Para que nasce o ser humano? Através da existência terrena o espírito tem a oportunidade de se fortalecer e evoluir, e dar a sua contribuição para a elevação das condições existentes na Terra no sentido do embelezamento e enobrecimento.

A economia brasileira está recessiva há três anos. Isso precisa ser revertido, pois se continuar assim corremos o risco de regredir ao estágio de produtor de commodities. No entanto, entre 2016 e 2017 terá ocorrido uma sobrecarga de juros de aproximadamente R$ 1 trilhão sobre a dívida. Isso vai pesar como ocorreu nos anos 1980 em que o Estado ficou amarrado, sem condições de dar estímulos para investimentos em infraestrutura, pois o setor privado não tem conseguido dar impulso, enquanto os gastos governamentais sempre apresentam vícios sem atentar para o que seja essencial e prioritário.

A complexa estruturação dos Estados foge da naturalidade das leis da Criação. O Estado deveria se pautar pelo equilíbrio nas contas internas e externas. Governos desatentos deixaram a situação rolar com juros compostos. Estatísticas revelam que a dívida pública global alcançou o nível de 325% do PIB mundial, correspondendo a US$ 215 trilhões. Juros, câmbio e déficits formam o tripé que promove riqueza para uns e dívidas para muitos.

O mundo vive um delicado momento. A corrupção e o barbarismo estão se esparramando e se fazem notar em acontecimentos trágicos e tristes em várias partes do mundo, testemunhando o embrutecimento do ser humano afastado da espiritualidade. Além disso, ocorrem as catástrofes da natureza, querendo transmitir a mensagem de que a humanidade abusou do tempo e da responsabilidade, e não se esforçou para construir um mundo efetivamente humano, livre das misérias e sofrimentos.

Com relação às incertezas do futuro do mercado de trabalho, Martin Boehm, reitor da IE Business Schooll, falou sobre a predominância do ensino teórico em prejuízo do foco nos comportamentos mentais. “O melhor é ensinar os alunos a serem essencialmente humanos e a terem uma visão holística do mundo.” Atualmente, com o modo de vida vazia de sentido, muitos seres humanos parecem estar perdidos, sem foco, sem visão da vida real. No passado, as pessoas, apesar de pouca escolaridade, tinham contato com a vida real e sua sabedoria, pois com a faculdade de ouvir a própria intuição, tinham clareza e agiam com bom senso. Os seres humanos têm de se esforçar para recuperar a consciência própria para despertarem novamente para a vida e não serem apenas simples teleguiados.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

NOVOS RUMOS PARA O ESTADO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Ao encerramento do feudalismo foi sendo estruturado o Estado em que os reis tinham poder de vida e morte. Esperava-se a melhora das condições e soberania territorial. Já naquela época começavam a ser geradas as bases para o governo emitir moeda e garantir a sua circulação, gerar receita, ter a capacidade de contratar empréstimos a juros e assegurar solvabilidade.

O Estado, que deveria ser o garantidor da ordem e da propriedade privada, passou a se intrometer em tudo e a tutelar os indivíduos despreparados para a vida e com pouca iniciativa. As pessoas têm de ser fortes e independentes. O Estado foi ganhando força e poder e a classe política tornou-se dominante e abusiva com tantas possibilidades em suas mãos. Com o fortalecimento da esfera do poder econômico, iniciou-se um processo de redução do poder do Estado cujos governos pouco a pouco vão tendo seu poder de decisão reduzido.

O dinheiro público continua sendo o grande atrativo. Os sanguessugas estão sempre atentos. Surgiram esquemas favorecedores de políticos e protegidos na forma de parceria espúria. Décadas de descaso e inépcia estão levando ao descalabro, ao colapso do poder público, à falência do Estado e da República pela falta de tratamento adequado das finanças públicas e do progresso da população.

Chegamos ao limite da incoerência em que as aplicações financeiras especulativas se tornaram mais rentáveis do que qualquer empreendimento que se queira iniciar. As variáveis de juros, câmbio e ações abriram inúmeras oportunidades de ganhos pouco éticos a custo de toda a sociedade. É constrangedora a perda do dinamismo pela economia global. Por vários fatores deixou de ser interessante produzir no Brasil e em vários outros locais. Está isso certo? A globalização e a consequente abertura dos mercados aumentaram a circulação, mas também as disparidades. O que fazer para restabelecer o equilíbrio? A continuar dessa forma qual será o futuro do Brasil e de outros países atolados em dívidas e sem atrativos para produzir internamente? Há alternativas para promover melhoras gerais?

Sem a reforma do ser humano, tudo o mais será paliativo e tudo permanecerá nos baixios da desfaçatez, da irresponsabilidade. Inacreditável, mas essa é a real e deplorável situação da decadência da humanidade onde indivíduos de mau-caráter se postaram como donos e dirigentes, arrastando a população para o abismo da decadência. Falta um diagnóstico claro sobre as causas do declínio e o que fazer para sair da beira do abismo. Precisamos mesmo de uma higienização geral.

A coesão social da humanidade como um todo se acha em processo de ruptura. Após o término da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se um processo de mudança radical do modo de vida e de pensar dos seres humanos com forte apelo para a sexualidade displicente, concretizando o afastamento do espiritual, promovendo o aumento do caos sem definir com clareza um modo de vida que conduza ao progresso real. Como efeito disso, a espécie humana está perdendo a consciência de sua missão de compreender o funcionamento das leis da vida e beneficiar a Criação, e não sabe mais para que está vivendo.

Com a forte sedução do materialismo e o aumento da aspereza nos relacionamentos, a coesão social da humanidade entrou em colapso e a consciência de um ideal comum está sendo destruída pela ausência da utilização da energia espiritual. Aumentam o descontentamento e insatisfação, predispondo a movimentos de massa de consequências imprevisíveis.

O momento exige um esforço redobrado para manter vivos os propósitos e valores humanos, não permitindo que entrem em colapso. Se a chama do ideal não for preservada forte e brilhante, a confiança e a solidariedade entre os seres humanos serão abaladas, passando a ver o seu semelhante como um competidor, um inimigo que precisa ser vigiado. Falta educação e preparo. A humanidade tem agido com displicência a respeito do significado da própria vida, pois sua tarefa é buscar a compreensão da lógica que reside na Criação e suas leis e, amparada nelas, agir de forma construtiva.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ALMA: A ESSÊNCIA DO SER HUMANO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

A frieza do mundo em 2029 é o cenário do filme Vigilante do Amanhã (Ghost in Sell). Na trama, Cutter (Peter Ferdinando) é o poderoso CEO da Hanka Corporation que quer construir uma arma letal, transplantando o cérebro humano para resistentes corpos manufaturados, mas que não tenham alma. Ele quer criar seres que sejam frios, sem coração e obedientes, sem nunca questionar sua autoridade. Cutter discorda do método da Dra. Ouelet (Juliette Binoche), que permite que a consciência da Major Mira Killian (Scarlett Johansson), uma das pessoas transplantadas, não seja apagada de todo. Cutter queria que suas criaturas agissem como máquinas sem capacidade de refletir, mas Aramaki (Takeshi Kitano), o coordenador da segurança, revela sabedoria e comanda Mira no combate ao crime, dando a ela um tratamento humano, o que também desagrada ao diretor da companhia.

A alma dá vida ao corpo, mas com o trabalho do cérebro pré-programado, entra em dormência, não consegue se manifestar e deixa de ser ouvida. Quantos seres humanos não se encontram nessa situação? Observando atentamente, o filme leva ao debate sobre a dicotomia entre cérebro e coração. Cutter não quer que o coração se manifeste, pois isso leva as pessoas a refletir sobre a existência e o significado da vida. Mas como grande parte das obras da atualidade, o filme também trata superficialmente essa questão prioritária – a da formação de uma civilização humana evoluída, sem o descaramento para obter lucros de qualquer forma, com o mínimo esforço e falta de respeito pelos demais. O descaso se amplia e as pessoas vão sendo coisificadas sem se darem conta disso.

Mira ansiava por ser ela mesma, não uma máquina. Queria olhar os acontecimentos e discernir por si; ter conexão com o eu interior. Não queria ser conduzida pelos comandos e estímulos externos recebidos pelo cérebro sem permitir que o eu interior, a alma, se manifestasse. No mundo real, o fisiologista russo Ivan Pavlov descobriu a influência do condicionamento (reflexo condicionado) no comportamento dos seres humanos que facilmente vão se acomodando, bloqueando a conexão com o eu interior, se tornando produtos de massa, dóceis e manipulados porque pensam pouco por si mesmos. Todos vão ficando parecidos uns com os outros, agindo de forma semelhante, enquanto as características individuais desaparecem.

Atualmente, com o modo de vida vazia de sentido, muitas pessoas parecem estar perdidas, sem foco, sem visão da vida real. Sem possuir uma vontade forte, se deixam arrastar por um sistema de comunicação doentio, que trava a consciência promovendo a falta de clareza e incapacitação para refletir por si, canalizando as energias para o supérfluo. No passado, muitos seres humanos, apesar da pouca escolaridade, tinham contato com a vida real e sua sabedoria, pois com a faculdade de ouvir a própria intuição, tinham clareza e agiam com bom senso. Então vem a pergunta: o que é o ser humano? É o espírito, guarnecido pela alma encapsulada no corpo terreno (ghost in shell) e que preexistia há milênios, tendo, através da reencarnação, a nova possibilidade de permanecer por mais um novo período no grande ponto de transição que é a Terra, de onde poderá desembaraçar-se das trevas dos erros humanos, reencontrar-se consigo mesmo e com o perdido caminho da iluminação, para não ficar vagando a esmo pelos séculos como alma presa aos pendores que o agrilhoam ao mundo material.

Na ficção, Mira é perseguida por Cutter que, preocupado com o sucesso de seu projeto, quer destruí-la antes que ela consiga recuperar a consciência humana. Na vida real, os seres humanos também têm de lutar para recuperar a consciência própria para despertarem novamente e não serem apenas simples teleguiados sem vida própria.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

EFEITOS DOS DESEQUILÍBRIOS GLOBAIS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Como explicar a demora em sair do voo de galinha e dar uma arrancada na economia carente? Em países como o Brasil não há poupança, a baixa renda média é direcionada para o consumo. O investimento é pífio, pois não há interesse maior e o dinheiro excedente, assim como os capitais flutuantes, após o desfrute do diferencial da taxa de juro interno e externo, acaba sendo remetido para o exterior em vez de permanecer no ciclo produtivo. É a nova sangria que pereniza a crise. A liquidez global criou duas esferas, a da economia real que deveria ser a fundamental e a das finanças, que se move em vida independente, distante dos problemas e fins da própria humanidade.

Catástrofes da natureza e econômicas afligem a humanidade. São sinais pouco observados. Com a aceleração geral, o ser humano está perdendo a capacidade de refletir e analisar por si a vida e os acontecimentos que o rodeiam. No início do século passado houve um movimento para fortalecer o Estado como meio de suprir os déficits de capital e promover o desenvolvimento. No andar da carruagem, a classe política se foi aboletando na força do poder político, mas paulatinamente o Estado foi perdendo o poder econômico. Estrategicamente as alterações legais iam se infiltrando por convencimento ou imposição, reduzindo o poder do Estado.

Quem deveria ser forte é a população bem preparada para a vida, pois assim os indivíduos seriam autônomos, sabendo que em primeira linha dependem de si mesmos, de seus esforços, e não de um Estado paternalista que amolece a fibra individual. Essa é a fórmula para o Estado poder deixar de tutelar os cidadãos, e estes, por sua vez, estarão atentos para coibir abusos, seja dos gestores do governo ou das empresas.

Ao completar sessenta anos da comunidade europeia, a tradicional Europa deveria com sabedoria estar na frente, mas se tornou um centro de propagação de cobiças e enfrenta as fissuras das escolhas dos indivíduos. A humanidade se encontra longe de onde deveria estar. Algo muito complicado se formou nesses anos de globalização e simultânea fragilização do Estado e dos cidadãos. O sistema foi sendo gerado de improvisos, sem olhar para o futuro visando os interesses imediatistas. A disparidade de custos de produção entre Kuala Lampur, Malásia e Estados Unidos acaba gerando uma situação inusitada de precarização que não era alvo da ciência econômica. As regiões atrasadas que deveriam ter evoluído há mais tempo, agora provocam uma confusão salarial geral atraindo a precarização imposta por diferentes estruturas de remuneração da mão de obra. Dessa forma, em breve o caos será generalizado, e tudo que a humanidade esperava construir de qualidade de vida poderá cair por terra.

O alvo da civilização deveria ser a busca da continuada melhora das condições gerais de vida, como ideal a ser perseguido pela humanidade, desde o bom preparo das novas gerações, até aos cuidados com a preservação da sustentabilidade ambiental. Nisso todos deveriam estar cooperando: governo, empresas, universidades e população em geral.

O mundo se acha diante de ótima oportunidade para refletir sobre a situação da humanidade. O poder econômico na mão do Estado acaba solapando a liberdade, a responsabilidade e o discernimento próprio. Os homens do governo acabam se colocando como os donos da verdade e fazem o que querem para segurar o poder, se tornando, por fim, tiranos. Os homens das empresas também se sentem atraídos pelo poder agindo de forma a manter a população subordinada enquanto decidem de acordo com o que acham que seja o melhor.

Como equilibrar esse embate e promover o progresso com liberdade e responsabilidade, pois com o aumento da população acaba surgindo mais desigualdade? As novas gerações precisam querer ardentemente alcançar a melhora geral, e diante da concorrência global, que as empresas tenham condição de produzir, criar empregos e distribuir renda. Diante das limitações adversas impostas pelos interesses econômicos globais, falta ao Estado vontade e empenho para criar as condições para solucionar as questões básicas que atravancam o dinamismo da economia e a melhora geral, mantendo a humanidade estagnada.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

COMO SAIR DO TURBILHÃO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Com a aceleração geral, o ser humano está perdendo a capacidade de refletir e analisar a vida e os acontecimentos que o rodeiam e não consegue mais refletir por si, perdendo a essência e capacitações. A vida está acelerada, mas cultural e moralmente há estagnação e retrocesso. Os relacionamentos são superficiais, movidos por interesses do momento. No turbilhão de acontecimentos, o desgaste é grande e tudo vai ficando efêmero, sem que se aproveite o presente de corpo e alma, com intensidade, colhendo vivências úteis. Não há mais espaço para reflexões sobre a espiritualidade.

Há muitas questões para serem pensadas e examinadas, mas na aceleração em que estamos vivendo nada se pensa porque falta vontade e os problemas se avolumam, pois não são compreendidos e nada é feito para solucionar, o que amplia o distanciamento do ritmo natural da vida. Nada mais é respeitado e as leis naturais da Criação permanecem desconhecidas. Tudo vai empurrando e sendo empurrado para o vazio, alienação e depressão. Perde-se a tranquilidade da alma. A vida vai seguindo sem que se saiba exatamente por que e para quê.

Evidentemente, a velocidade das comunicações e dos transportes impulsiona as tomadas de decisões. Através do celular, as pessoas são acionadas dia e noite. Essa nova situação possibilitou a ascensão do dinheiro ao centro das motivações humanas, dando ensejo a operações especulativas aceleradas que provocam instabilidades permanentes no mercado e aumento da aspereza nos relacionamentos, pois o dinheiro se dissociou da economia real e gira pelo mundo visando gerar mais dinheiro em operações ousadas e competitivas entre grupos poderosos, interferindo na economia de Estados e suas populações.

A aceleração geral tende a criar a avidez de consumir sem parar para refletir e desfrutar, provocando o esgotamento dos recursos; o planeta já mostra fraturas expostas. Com a limitação dos recursos, agravada pelas alterações climáticas e elevada população que precisa ser atendida, os preços dos bens essenciais tendem a subir gerando inflação, com exceção daqueles produtos que encalham nos pontos de venda porque falta renda nas mãos dos consumidores. Não se trata só de uma questão monetária, mas de algo mais limitante. Mesmo assim, não faltam os que advogam que o controle de preços exige a necessidade de manter as taxas de juros elevadas, restringindo a economia ainda mais.

O desenvolvimento humano e o nível de qualidade de vida no Brasil vêm se arrastando desde os tempos do Império. Atualmente o Brasil ocupa o 79º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A economia se encontra no chão, abatida e sem forças para se reerguer. Ganhos especulativos com juros, câmbio e cambalachos criaram um ambiente propício para a busca de vantagens particulares em prejuízo do progresso real do todo. A questão é como ter uma economia com sustentabilidade e fortalecimento do mercado interno?

O aumento da aspereza se torna uma constante. Perde-se tempo precioso com futilidades, mas a dor causada pela grande aspereza poderá despertar aqueles que cultivam o anseio inconsciente para entender o que está se passando. Mesmo assim, correm o perigo de serem afastados de seu anseio e de sua busca pela compreensão, pois a aceleração dificulta a parada para pensar. O desassossego se multiplica com as nuvens de informações e imagens que querem adentrar na mente das pessoas sem pedir licença. Imagens chocantes. Palavras de horror e desesperança que atravancam e desorientam, desconectando o indivíduo do que se passa ao seu redor. Com tanto impacto negativo, o mundo se desumaniza.

O aprendizado da vida ficou soterrado sob o monte de entulho despejado sobre o cérebro dos estudantes, enchendo-lhes a cabeça sem que seja formada uma estrutura básica para raciocinar com clareza. Não há tempo para o sonho, nem para a reflexão pausada. Alguns países deram à educação um papel preponderante na formação de uma civilização séria e disciplinada, com alvos nobres. No entanto, a educação deve alcançar o nível compatível para promover discernimento, profundidade e humanidade. Desacelerar é o imperativo para sair do turbilhão e restabelecer o ritmo natural do corpo e da alma, humanizando a vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

DESCONEXÃO E FRAGMENTAÇÃO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Há um sentimento de perda geral de conexão do indivíduo consigo mesmo e com as demais pessoas; entre as pessoas e entre essas e tudo o mais. Há também o fenômeno da fragmentação. Tudo parece estar em pedaços para dificultar a visão clara. A mentira é a grande arma que destrói a humanidade e vem sendo empregada há milênios, como meio de dominação, na religião, na política e na economia, ou seja, na vida em geral.

Enfrentamos a grande crise de credibilidade devido ao abusivo uso da mentira e da falsidade, em vez de usar a simplicidade e naturalidade da verdade, e tudo foi perdendo a clareza, ficando obscuro. O mundo está em transformação que vai acelerando a desconexão do ser. Ninguém acredita em mais nada.

Com os modernismos, caímos no alheamento do significado da vida, uma questão complexa posta de lado por pais e educadores, mas os jovens precisam ser despertados para essas questões: o que estamos fazendo neste planeta; como melhorar as condições de vida; qual o significado da vida; de onde viemos, para onde vamos; o que é a Criação.

Com a crise econômica a vida se tornou mais difícil para os jovens pela redução de oportunidades de futuro melhor. É preciso que busquem a compreensão da existência e a melhora geral das condições do planeta para não caírem na depressão, desinteresse e vida sem sentido. Trata-se de uma luta árdua, dada a invasão de suas mentes por tantas informações fragmentadas e desconexas. Os jovens têm talentos que precisam ser despertados e postos em ação para que isso lhes traga a alegria de estar participando de algo nobre, engrandecedor.

Endividamento e juros quebram Estados. Automação e globalização destroem empregos. Como manter a previdência? É um problema que se aproxima. Há erros antigos nas relações do trabalho que vêm à tona. É necessário que se crie um novo regime de trabalho que se fundamente no equilíbrio entre o que se recebe e o que se oferece. Só assim poderão ser eliminados os conflitos.

A abertura entre as nações foi como colocar crianças para jogar com adultos experientes; os mais jovens sempre perdem o jogo. Muita gente ganhou muito nesse jogo, mas agora a mesa está rachada, perdendo a sustentabilidade. Tecnologia, comunicações e política formam a base, mas a política se dobra diante dos interesses dos grupos que favorecem a eleição e reeleição, pois não há busca de equilíbrio, prevalecendo os ganhos de uns para perdas de muitos, gerando insatisfação, violência, aumento do uso de drogas, desesperança, criminalidade, abrindo o caminho para o populismo.

Livre Mercado e Capitalismo de Estado têm que implantar metas que criem estabilidade e oportunidades de desenvolvimento humano, para não gerar mais insatisfeitos e indisciplina. A população precisa de trabalho e renda para consumir; de educação que promova o aumento da qualidade humana, do bom senso e discernimento. Enfim bom preparo para alcançar um futuro melhor. É indispensável que sejam feitos todos os esforços para formar seres humanos de qualidade, autônomos, atentos, com raciocínio lúcido e clareza no pensar, aprendendo, vendo e fazendo.

Estamos vivendo a era do apagão mental e da desconexão geral com o mundo; ela começa no indivíduo que vai se separando de si mesmo, de sua essência espiritual e da vida real, e passando a viver exclusivamente em função do conteúdo que assimila através do cérebro, ligando-o a uma realidade ilusória gerada pelos conceitos falsos. Significa a alienação da vida real, a perda da visão e capacidade de enxergar por si mesmo e tomar decisões conscientes. Com isso, ele acaba perdendo a condição humana, caindo no enrijecimento, vivendo como alienado.

Para se reconectar consigo mesmo e com a realidade da vida, o ser humano tem de buscar a Luz da Verdade e servir-se de sua energia curativa para forjar o renascimento ético, moral, econômico. Um alvo nobre que requer a participação de todos, com a prioridade de construir um mundo digno, que visa a melhora da qualidade humana e das condições gerais de vida com equilíbrio, eficiência e continuado progresso.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS NOVAS GERAÇÕES E O BRASIL

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

O drama das novas gerações se alastra pelo mundo. No Brasil já perdemos algumas delas. Com o advento da quarta revolução industrial o trabalho está em transformação, podendo eliminar o vínculo empregatício duradouro, o que vai mexer com tudo, sem que se saiba qual será seu formato, afetando também o sistema previdenciário. É preciso impedir o avanço da miséria criando modos adequados de aproveitamento da mão de obra ociosa.

As crianças têm que ser educadas para o trabalho e para viver de forma independente. Devem aprender a cuidar de si próprias desde cedo. Têm de se empenhar para escapar do retrocesso e das consequências das decisões imediatistas, e buscar a melhora geral e o aprimoramento da espécie, impedindo o avanço da decadência e do caos generalizado. Com a formação de seres humanos fortes e independentes, os países também têm de se fortalecer para serem capazes de se sustentar com seus próprios meios, em vez de só ficar esperando ajuda externa.

O sistema preparou os indivíduos para aceitarem tudo que lhes é imposto sem fazer análises e reflexões, e para se distrair e se divertir sem levar a vida a sério. No geral, o sistema criou a dependência de dólares. A abertura do mercado financeiro reduziu a necessidade de empréstimo externo, ensejando possibilidades especulativas. Além da taxa de juros tem o câmbio, tudo gerando uma ciranda fabulosa. A dívida do Brasil de aproximadamente um trilhão de dólares consome por ano juros praticamente iguais à dívida americana de 18 trilhões; o que há de errado?

Com a ampliação da crise geral, a humanidade vai retrocedendo. Um grande rearranjo nas finanças e no comércio internacional está sendo desenhado. Com o agravamento da crise mundial se tornam visíveis as complicações criadas pela globalização. Exportar fica mais difícil, mas o país criou grande dependência de importações, como vai pagar? Financiando, aumentando a conta juros? Perdendo autodeterminação? Onde vai parar a essência humana? Resta buscar o equilíbrio, aumentar a produção para consumo interno, gerar empregos, controlar os custos, eliminar gastos supérfluos.

O Brasil permanece estagnado desde 1889 quando os congressistas deveriam ter equacionado a educação e integração da mão de obra liberada das fazendas. Veio a crise de 1929 e a guerra, e o mercado interno sempre com baixa renda. A revolução caiu no abismo da dívida externa em 1981. Collor deu tiro no mercado interno com o bloqueio da poupança em 1990. Endividados, em 1994 fomos para a dolarização. Lula quis ampliar o mercado por decreto, mas a corrupção nos arrastou de novo ao abismo.

Enquanto permanecemos no atraso em tudo, a dívida cresceu outra vez, o mercado interno encolheu mais uma vez e enfrentamos a grande recessão. O desequilíbrio nas contas internas e externas avança pelo mundo. O Brasil é o campeão. Todos querem dólares. Insensatamente a natureza vai sendo destruída e com ela a sustentabilidade da vida. Alguns acham que isso pode acontecer na América do Sul ou na África, esquecendo que o planeta é um só. O que dizer desses líderes que entregam tudo por um punhado de dinheiro?

Faltam alvos nobres seja nas corporações ou no capitalismo de Estado. Livre Mercado e Capitalismo de Estado têm que entender que sem a implantação de metas que criem oportunidades e desenvolvimento humano, continuaremos gerando mais insatisfeitos, perdas na renda e consumo, aumento do uso drogas, miséria e desordem.

A população precisa de trabalho e renda para consumir; de educação que promova o aumento da qualidade humana, do bom senso e discernimento. Sem bom preparo das novas gerações desejosas de um futuro melhor, decairemos na ladeira dos países sem rumo. Seremos meros mercados e depósitos de recursos para os mais organizados que tomaram a dianteira e querem permanecer ampliando a sua supremacia.

Com queda na produção e na renda média, o mercado consumidor fica estagnado, a humanidade não evolui. São as consequências das decisões imediatistas para satisfação da cobiça em vez da busca da melhora geral. Assim vamos regredindo e provocando caos na Terra de forma continuada. A instabilidade cambial e os ganhos especulativos precisam ser contidos para dar consistência ao desenvolvimento próprio.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O FUTURO DA DÍVIDA E DO PAÍS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Nos países superpovoados, o que é humano vai perdendo valor. Não é certo que se pague salário quando não se produz nada, mas a produção de riqueza deveria ser distribuída com equilíbrio. Tudo se agrava com os encargos criados pelos governos para sustentar gastança e juros. Os seres humanos são desiguais entre si, mas todos têm a capacitação de se autoaprimorar ou se degradar, pois a livre resolução é inerente. O mundo necessita de pessoas capacitadas para encontrar soluções inovadoras para problemas complexos, isto é, pessoas que tenham a capacidade intuitiva em funcionamento, pois só ela possibilita a visão ampla, como se fosse em terceira dimensão.

A Internet e as redes sociais, como o Facebook, estão oferecendo novas e especiais oportunidades a todos os povos que podem ser bem aproveitadas. O que todos necessitam é ter a chance de se preparar para trabalhar de forma eficiente, e ter uma vida condigna, para que, com isso, se possa assegurar equidade na distribuição da riqueza ofertada pela natureza que acabou ficando concentrada em poucas mãos.

O Brasil precisa encontrar o seu rumo e dar oportunidades para a sua população; enquanto isso não for feito, as portas vão se abrindo para o populismo que se utiliza de todos os meios, quer galgar o poder e suas benesses, desfrutar da gorda arrecadação, dos empréstimos, das estatais, canalizando tudo para as contas pessoais para fazer frente às grandes corporações que ganham o que querem. No meio permanece a população sempre levando a pior.

A irresponsabilidade no trato do dinheiro público vai desequilibrando tudo. Quanto estão devendo Estados e prefeituras? Vendem o imposto adiantado, como vão pagar as contas? Assumir dívida com juros de R$ 540 bilhões no ano de 2016, somando com o previsto para 2017 chegaremos a R$ 1 trilhão em dois anos, não é uma coisa que vai além da imaginação? Enquanto a colossal dívida dos Estados Unidos de US$ 18 trilhões, a juros de 1% acarretaria um acréscimo de US$ 180 bilhões, o Brasil com dívida equivalente a US$ 1 trilhão (dólar a R$3,50) gerou encargo da ordem de U$ 155 bilhões. É fato que o Brasil não emite dólares, mas isso não justifica essa enorme disparidade.

No Brasil, a cotação do dólar é muito volátil: em janeiro de 2015 foi de R$2,50; em setembro de 2016, R$ 4,10; e em fevereiro de 2017 ficou em R$3,06. Qual é o efeito sobre a indústria, exportações e inflação? Além dos juros, a flutuação do real também é fator de entrada dos especulativos: entra na cotação alta para sair na valorização, levando muito mais dólares? Enfim, o que se observa é a grande desordem monetária e cambial global.

O jogo do dinheiro ainda poderá criar um pânico mundial com a dança das moedas que se desvalorizam correndo para as que se valorizam. Trata-se de um volume monumental que nada tem a ver com a produção e comércio de bens; é mero jogo financeiro de fuga de um lugar para outro, um dinheiro que vai e vem como enxame nesse mundo que abriu as portas para a livre circulação monetária, seja para investimento e produção ou pura especulação. Se houver perda de estabilidade das moedas, a qualquer momento poderemos ter a nova corrida do ouro causando pânico geral nos mercados.

Mais juros diminui a inflação, ou o contrário? Num país como o Brasil que gasta mais do que arrecada, que tem um ralo de dimensões gigantescas na corrupção, que não consegue equilibrar as contas internas nem as externas, que vai aumentando a dívida, os juros são uma parte ofensiva, e o grande nó é o crescimento da dívida, que com juros compostos elevados logo vai além do PIB. O problema, como já se tem dito, é o gasto descontrolado, a falta de atender ao que é prioritário. Então o que fazer para fortalecer o país para gerar empregos, estabilidade, crescimento compatível com as necessidades humanas, além do controle das contas? Soluções precisam ser encontradas. Que debatam os entendidos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

EDUCAÇÃO: UMA QUESTÃO VITAL

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Que futuro poderemos ter no atual ambiente de decadência geral e desmotivação? Sem bom preparo dos jovens com nobres aspirações, não haverá futuro. É preciso formar o ser, combater o apagão mental e o desinteresse pela vida, desenvolver o raciocínio lúcido. Precisamos redespertar o sonho de manter o planeta em constante melhora e trabalhar com seriedade e equilíbrio para o efetivo progresso da humanidade. O salário encolhe e fica comprimido, mas os reajustes de preços prosseguem, resultando no empobrecimento e precarização geral.

A propósito dos empregos em queda, o filme XXX: Reativado é quase um exemplo do que está acontecendo na atualidade, com excesso de tudo: bebidas, tatuagens, sexo, drogas, sede de poder e carência de bom senso e de propósitos de vida. Na ficção, o agente Gibon (Samuel L Jackson) nos introduz na civilização falida comandada pelo poder do dinheiro. Um mundo precarizado, povoado por consumidores sem propósitos, com poucos empregos, embora haja tantas coisas benéficas para serem feitas. No mundo real há uma bagunça horrorosa que tende para desordem geral quando se evidencia a falta de sinceridade dos líderes e as esperanças se desvanecerem. O desemprego é um fantasma que vem crescendo continuadamente.

Hoje ainda não desfrutamos da liberdade plena, mas em muitos países nem isso é permitido. As pessoas vivem acomodadas num círculo fechado com poucos incentivos para buscar a verdade; apenas alguns ainda fazem reflexões sérias e sinceras. O ser humano não pode continuar caminhando pela vida às cegas. Qual a origem da vida? O que precisamos fazer para encontrar as respostas certas? O que é o nascimento? O que é a morte? O tempo passa ou nós passamos pelo tempo? Seria tudo obra do acaso? De onde procede o Amor, a força que encandece os corações? A lógica de tudo está na pouco estudada atuação das imutáveis leis da Criação.

Na verdade, ainda pouco entendemos do significado da existência. A geração de seres humanos é uma das questões mais importantes da humanidade, mas seu estudo, envolvendo a sexualidade e a responsabilidade não foi desenvolvido com a necessária seriedade, e mesmo com a queda do tabu do sexo, permanece a ignorância e pouco se sabe sobre seus mistérios, geração, encarnação e nascimento.

A liberdade é inata no ser humano. A escravização é antinatural. A liberdade plena requer o saber amplo sobre o significado da vida. “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”. Mas onde buscar a luz da verdade neste mundo dominado pelo dogmatismo e teorias engendradas pelo raciocínio, impostas coercitivamente aos seres humanos?

A nossa alegria está na criação e realização, com a utilização de as potencialidades que dispomos, mobilizadas pelo querer. Alegramo-nos com as melhorias que vamos introduzindo em nossa atividade; isso é o criar. Na vida atual, são poucas as atividades que permitem isso, são poucas as pessoas que sentem essa alegria proveniente do criar em meio a tanto mecanicismo e rotinas rígidas que vão encolhendo a capacidade de pensar e refletir com clareza e de forma oportuna. Mas temos de estar atentos, afinal somos seres humanos dotados de espírito e raciocínio. Não podemos viver como robôs e continuar caminhando pela vida às cegas.

Educação e preparo para a vida, uma questão vital que deveria receber mais atenção. Países atrasados querem se industrializar com o controle nas mãos do governo, gastam muito para pouco resultado. Deveriam observar que com mão de obra despreparada é difícil. Por que, ao lado de esforços para industrialização, não desenvolvem um sistema de subsistência condigno com a construção de moradias, saneamento, produção de alimentos, formação de professores em vez de permitir a formação das horrorosas aglomerações de moradias e pessoas precárias?

As teorias proliferam em todos os campos, desenvolvidas por mentes ativas, introduzindo nomenclaturas pomposas, mas com falta de clareza. O importante é olhar para a realidade e saber como as coisas funcionam. Grandes fortunas não foram geradas por teorias, mas com expertise negocial, oportunismo e uma dose de rapinagem. As sociedades deveriam estar aptas a organizar a utilização de seu espaço de forma equilibrada e possibilitar vida condigna aos seus habitantes com liberdade e responsabilidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A CORRETA DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Há sempre, no mundo, uma densa cortina que não permite a visão clara do que está se passando. No Brasil, temos sofrido com a falta de seriedade e de políticas sadias de desenvolvimento. Com o descontentamento geral, veio o populismo, mas acabou sendo rejeitado pelos abusos, e o país endividado caiu na inflação. A elevada taxa de juros composta arrasa as contas já estouradas. A tendência é que a dívida alcance 90 % do PIB. A elite pensante e empresarial tem de se debruçar sobre isso de forma objetiva visando colocar nos eixos o país estagnado desde a proclamação da república devido ao predomínio de corruptos e falsos estadistas.

A inflação faz parte dos enigmas do dinheiro. Com juros elevados, o empresário não aceita retorno inferior. O efeito economia movida a bolhas cria ciranda de preços, até a próxima crise. Está certo manipular o câmbio com elevado custo embutido para conter a inflação? Quanto disso não interfere na autonomia produtiva do país? Quanto mais se cria necessidade de importar e fazer remessas de dólares, mais a exportação deveria estar acompanhando, caso contrário lá estaremos de pires na mão implorando para cobrir o déficit externo.

Na fase inicial da república, a maioria das crianças das famílias libertadas do trabalho escravo não tinha escola. Atualmente, 75 % das crianças na primeira infância estão fora das creches. Isso não seria problema se os pais dessem a adequada assistência aos filhos. É na primeira infância que se formam as bases do ser no cérebro; se isso não for feito no tempo certo, surgirão muitas dificuldades posteriores.

A miséria no Brasil é antiga; vem desde a época do Império que se desmanchou com a aprovação da Lei Áurea. Temos tido dificuldades em fazer a reversão: despreparo, poucas oportunidades, reduzida circulação monetária. Juros elevados, câmbio manipulado, desindustrialização, desaceleração, criaram novos entraves. Temos de encontrar a saída da miséria humana e econômica.

O Brasil ficou à margem da cadeia global de insumos. Será viável essa integração? Enquanto isso não se resolve, devido aos fatores limitantes, vamos perdendo terreno. São problemas de um país mal administrado. A desaceleração econômica atingiu a administração pública displicente nas contas, nas obras, na seriedade e nas contratações eleitoreiras de pessoal. Há várias décadas temos vivido de improvisos e com o aperto da corda, todas as deficiências vieram à tona. O protecionismo criou uma casta privilegiada. A abertura quebrou a indústria. O câmbio exportou empregos. Como crescer com sustentabilidade? Qual o ponto de equilíbrio entre deixar o real valorizar ou não? Proteger as empresas locais que acabam abusando, ou abrir e deixar desindustrializar? O equilíbrio tem de estar presente nas contas internas e externas.

O montante a ser liberado pelas contas inativas do FGTS pode ultrapassar a R$35 bilhões. Algum movimento deverá ocorrer no comércio nesta fase de desemprego e ajustamento das contas do governo. Para muitos indivíduos será uma gota de água; menos de mil reais a serem usados em dívidas vencidas. Pelo menos há algum movimento na máquina governamental tão propensa à letargia.
O Brasil e o mundo precisam de soluções duradouras que restabeleçam o equilíbrio nas relações econômicas e financeiras entre os países para que a economia possa seguir um ritmo constante e natural em vez do ritmo de economia de bolhas, com ganhos de alguns e perdas de muitos.

A lei do movimento é para todas as pessoas. Como diz a lenda, cobra que não anda, não engole sapo. Andar é se atualizar aprendendo sempre, fazendo o trabalho bem feito e procurando melhorar. Mas a estrutura econômica contém alguns vícios que criaram impasses no mundo atual superpovoado, globalizado, automatizado, com diferentes tratamentos para contratar mão de obra, encargos tributários, câmbio e juros. Acrescenta-se ainda a incompetência de falsos estadistas e a má fé na gestão do dinheiro público. Isso tudo complicou, criando um clima em que os desfavorecidos precisam da assistência do Estado. No entanto, o que todos necessitam é ter a oportunidade de se preparar, trabalhar de forma eficiente, e ter uma vida condigna, como a grande forma de assegurar equidade na distribuição da riqueza ofertada pela natureza que acabou ficando concentrada em poucas mãos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7