2020 NÃO É 2002

Dizia-se que 2020 seria um ano de renovação. Havia uma expectativa de melhora geral no Brasil e no mundo. De repente, chegou a epidemia do coronavírus e tudo foi parando. Assustaram a todos e aos idosos mais ainda. A orientação é: “não saia de casa para não morrer; não deixe que saiam de casa para não matar”. Ficar em casa, desacelerar é o que a humanidade precisa, mas isso deve ser acompanhado de um esforço para entender a trama dos fios do destino que nos levaram a isso. Um momento significativo na história propício para introspecção sobre o que é a vida, tão fragilizada nesta fase de inquietação mundial.

O ano de 2020, do qual muito se esperava, surge como algo semelhante a 2002, o ano seguinte ao atentado de 11 de setembro, que provocou uma ruptura com o século 20 e havia a esperança de tempos menos perturbados. Ambos formam o quatro. Mas agora as pessoas começam a perceber os estragos da paralisação num mundo movido a fluxos de dinheiro. A inquietação e a aflição vão aumentar.

Sabemos que a partir dos anos 1990 a economia desandou e surgiu o capitalismo de Estado com superforça competitiva entre as nações. Os países pararam de fabricar, os serviços não são suficientes para sustentar. De lá para cá faltou empenho na busca das causas da decadência e aumento da precarização geral da vida.

Países superendividados. Os juros baixaram, houve uma corrida para a Bolsa que, com a crise, mostra sua inconsistência cotando empresas abaixo do seu valor real. Hoje a falta de seriedade é geral e não existem fontes confiáveis, tudo virou luta política. A globalização é antinatural por uniformizar tudo e todas as culturas, e colocar as pequenas e médias empresas em confronto direto com o capitalismo de Estado, não tendo como sobreviver.

O coronavírus caiu na sopa. Está em andamento um processo de desmantelamento geral. O que poderá resultar disso? Trata-se de uma questão para os pesquisadores e esse assunto tem que sair da esfera da luta política para que se possa examinar os fatos objetivamente. Saúde, economia e aprimoramento da espécie devem ser as metas da humanidade.

Há décadas vivemos em plena guerra econômica que agora se acirra visando aumento de riqueza e poder. Os países e a população são manipulados diariamente sem perceber. Tudo faz parte do jogo onde os ganhadores são sempre os mesmos enquanto aumenta a precarização geral.

Na vida e mais ainda nas crises é fundamental o sentimento intuitivo voltado para o bem e os pensamentos nessa mesma direção. Essa é a forma adequada como deveriam agir os humanos, a única espécie que possui a capacitação de livre resolução. Mas tudo conspira contra, a começar pela falta de força de vontade voltada para o bem e, de todas as formas, os seres humanos vão sendo empurrados para os baixios da vida, na TV, nos filmes, muitos deles causando puro desânimo e perda de esperança na humanidade, contribuindo para aumentar o alarmismo e medos. Falta a autêntica solidariedade. Só conta o dinheiro e o poder.

Há dois mil anos os ensinamentos de Jesus caíam como água da vida sobre a população simples que não tinha cobiça de poder. Os poderosos temiam perder o controle do povo e por isso fizeram uma campanha de calúnias, culminando com o processo e condenação do Filho de Deus. Em Lucas 21.11 e 21.36 são mencionados os tempos vindouros de aflições e da vinda do prometido Filho do Homem. “Trata-se da profecia da vinda do Filho do Homem, dada como estrela de esperança e, não obstante, também como severa advertência, pelo Filho de Deus”. (Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, Abdruschin).

Amor é severidade. A crise se reveste de um chamado ao ser humano. Depois da tempestade vem a bonança. Os auxílios da Luz sempre estão disponíveis, mas é preciso a gratidão, os pensamentos voltados para o bem, e a confiança de que tudo se encaminhará para o desfecho certo de acordo com as leis do Criador.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O CHOQUE COVID-19

Após 25 anos de juros extravagantes, veio a baixa. Aqueles que tinham se habituado a manter o consumo com a renda fixa perderam o rumo e foram seduzidos pela renda variável sem perceber que tudo já estava superavaliado. Com a queda dos rendimentos, ficaram falando sozinhos. Agora os países já endividados vão sendo seduzidos para ampliar o gasto, mas como não emitem, teriam de aumentar a dívida, o que poderia conduzir ao cadafalso pelos governos irresponsáveis e aproveitadores. Como aumentar a produção, emprego e renda? Depois de décadas de imediatismo econômico e desmazelo no trato da finança pública, o coronavírus põe tudo à mostra.

Está parecendo filme de James Bond. Há boatos que falam de jogada da China em parceria com os globalistas. Artigos em jornais especulam que a economia da China poderá tombar. Mas o que está se passando no planeta? Estatísticas externas indicam que o vírus mata e contagia com facilidade. Para religiosos se trata do começo do fim. Procurando por um pouco de lógica nos acontecimentos, religiosos dizem que a humanidade semeou ventos e colhe tempestades, mesmo assim não querem saber da Vontade de Deus. Estamos atravessando a grande crise gerada pelo ser humano que abandonou a intuição, a voz do espírito.

O projeto de globalizar a produção mostra as consequências. O que farão os 7,8 bilhões de habitantes da Terra? A crise do vírus mostra as superficialidades da humanidade e adverte sobre o seu modo de viver extravagante que transformou a vida em renhida luta pela sobrevivência.

Em 2020 estamos enfrentando uma situação inédita. Tirando farmácias e remédios, a economia está parando. A crise pegou a todos meio desprevenidos, mas esperançosos de melhoras. Ninguém sabe qual será o pacto global, nem quais serão os desfechos determinados pelas leis da Criação.

Alguém está planejando como lidar com essa interrupção geral? Se não houver bom direcionamento, o planeta poderá cair no caos. A mídia continua em campanha de informar e assustar. Prevenção e cuidados são necessários e importantes, mas pânico não. Estamos atravessando uma época muito difícil. Querem parar o Brasil? As trevas se revolvem procurando oportunidades para semear ruína.
Essa época difícil exige muita vigilância e oração sincera. A parada forçada cria nas pessoas um clima estranho de aposentadoria. Temos de impedir que inquietação e a intranquilidade nos atinjam, fazendo reflexões com sinceridade e bom senso. Para que nascemos? Muitas pessoas continuam fazendo barulho sem querer entender que a indolência espiritual é a causa da ruína no planeta.

Mais de quatro milhões de anos foi o tempo necessário para que o planeta adquirisse as condições de vida e sustentabilidade, o mundo em equilíbrio pela automática atuação das leis naturais da Criação. “Mediante a vontade e os pensamentos, os seres humanos dirigem os destinos de toda a Criação posterior, bem como os deles mesmos, e nada sabem disso. Favorecem o florescer ou o fenecer, podem alcançar soerguimento na maior harmonia ou também aquela confusão caótica que atualmente se dá! Ao invés de construir sensatamente, malbaratam desnecessariamente o tempo e a energia com tantas vaidosas futilidades”. (Abdruschin, Mensagem do Graal, vol.2)

A condição essencial para controlar surtos de vírus é a higiene. Cumprimentos muito próximos são problemáticos, vamos evitar beijos e abraços, todos vão entender e colaborar. Mantenha as mãos limpas, cumprimente com um sorriso. Ensinem as crianças a terem mais confiança.

O Brasil precisa de um renascimento espiritual, ético, moral, econômico. Alvos nobres que devem contar com a participação de todos, cuja prioridade seja a construção de um país digno, que busca a melhora das condições gerais de vida com autonomia, equilíbrio, eficiência, continuado progresso, melhora da qualidade humana de sua população tão descuidada pelo poder público. Mas não é tarefa fácil dada a cobiça pela cadeira do Presidente. Cada indivíduo tem que se movimentar em busca de sua libertação espiritual, seus sonhos de evoluir, construir e beneficiar.

Os auxílios da Luz sempre estão disponíveis, mas é preciso a gratidão, os pensamentos voltados para o bem, e a confiança de que tudo se encaminhará para o desfecho certo de acordo com as leis da Criação. Coragem, perseverança, força, serenidade, confiança no Criador Todo-Poderoso. Cultivando a gratidão, a paz e a vontade voltada para o bem, a alegria virá.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A ERA DAS TREVAS NO SÉCULO 21

A “Idade das Trevas” é uma delimitação temporal da história que apresenta a estagnação cultural e econômica que ocorreram na Europa em decorrência do declínio do Império Romano do Ocidente. Esse período do ano 476 a 1453, também denominado “Idade Média”, com a conquista da cidade de Constantinopla pelos turcos-otomanos, foi dominado culturalmente pela religião. Foi uma época de avanço das trevas e obscuridade em que a original Mensagem de Luz trazida para a humanidade por Jesus foi sendo desfigurada por falhas de memória, alterações e inserções mais condizentes com a vaidade humana. Foi um período que manteve a humanidade estagnada em sua evolução espiritual.

O Renascimento foi um movimento cultural, econômico e político que surgiu na Itália do século 14, se estendendo até ao 17 por toda a Europa. Os renascentistas se colocaram como herdeiros do pensamento e da ciência desenvolvidos por gregos e romanos, dando ênfase ao intelectualismo materialista fazendo renascer a cultura da antiguidade, menos no que tange ao saber sobre os Entes da Natureza, reconhecidos por gregos, romanos e outros povos, embora com outros nomes, e que foram relegados à confusa mitologia.

Para os iluministas do Renascimento, a Idade Média era o tempo da escuridão mental e ignorância. Durante o Renascimento, convencionou-se chamar a Idade Média de Idade das Trevas, mas na verdade a idade das trevas perdura até nossos dias, pois o avanço do intelectualismo se voltou inteiramente para o materialismo sufocando o pouco de espiritualismo que havia restado do passado.

Dois fatores foram progressivamente reduzindo a influência e interesse pela religião: a evolução do dinheiro e a Revolução Industrial, mas podemos dizer que ao lado dessa última teve início a revolução financeira que a tudo afetou. A economia e finança passaram a ser a grande motivação das nações e dos homens do dinheiro, a geoeconomia. A Inglaterra e a França queriam assegurar suprimento de recursos naturais, matérias primas, energia e mercados para as manufaturas, e adentravam pelo sul para constituir colônias. Nesse ínterim, os Estados Unidos iam se fortalecendo e acabaram afirmando que a América era dos americanos através da Doutrina Monroe. A Alemanha entra na conversa, com população disciplinada foi galgando posição na técnica com produtos de boa qualidade e preços competitivos. Com o avanço econômico e da competitividade da Alemanha, a economia ia se complicando chegando aos embates da Primeira Guerra Mundial.

O SÉCULO 20

Os alemães foram sendo conduzidos para o materialismo místico, pondo de lado a clareza das leis da natureza, queimando livros contrários à sua ideologia. A Inglaterra e os Estados Unidos avançaram no controle do dinheiro e das finanças. A Alemanha, se ressentindo disso, tenta buscar outro caminho para evitar depender de capital externo, gerando atritos irreconciliáveis que deram origem ao mais trágico embate, a Segunda Guerra Mundial que se estendeu de 1939 a 1945 com muita destruição e sofrimentos.

No pós-guerra surgiu um alento, a humanidade queria paz e progresso e houve um período de leveza propício para reflexões sobre o sentido da vida, mas prevalecia a cobiça por riqueza e poder. O mundo foi caminhando para o desenvolvimento tecnológico e inovações. Logo ficou evidente que muitos países ficariam para trás na educação, avanço científico e tecnológico passando à condição de dependentes nas finanças e tecnologia, restringindo-se ao fornecimento de alimentos e matérias-primas.

A situação foi caminhando com alguma melhora na qualidade de vida, até surgirem as crises financeiras, o endividamento público e a globalização da produção. O dinheiro se tornou o grande ídolo. As corporações foram produzir na China onde a mão de obra era muito mais em conta, e todos eles estavam satisfeitos com os resultados. Aparentemente não haveria mais razão para guerras, a globalização era a solução preferida. Com preços imbatíveis, a China foi penetrando nos mercados inviabilizando a produção industrial local.

O SÉCULO 21

Tudo caminhava a contento, a China enriquecia e ia adquirindo a nova tecnologia passando a produzir produtos de qualidade, almejando ter moeda forte. Até que os americanos descontentes elegeram Donald Trump que dizia “América primeiro” e passou a tomar medidas para atender às necessidades do povo americano, contrariando os postulados da globalização.

Veio a guerra comercial e o recrudescimento da geoeconomia. No Brasil, Jair Bolsonaro foi eleito sem o apoio da mídia, surpreendendo a classe política acomodada no poder há décadas. Eis que os chineses são atacados pelo Covid-19, o novo coronavírus, e não divulgam logo a gravidade da doença que ataca o pulmão, e tudo está parando. Cidades inteiras fechando o comércio, parando de produzir, de vender, receber e pagar. A situação é tanto mais grave pelo artificialismo do sistema econômico global que fechou fábricas, desempregou e deixou os papéis da bolsa irem subindo sem consistência, e tudo foi caindo. Bancos Centrais falam em despejo de dinheiro para acalmar os mercados, mas e a produção?

Estaria a humanidade sendo conduzida para o beco sem saída e não está vigiando nem orando? Nem percebendo? Durante décadas, as autoridades assistiram passivamente a proliferação de comunidades com moradias precárias em áreas de alto risco e a população manipulada para fins eleitorais. Um cômodo para toda a família, como falar em isolamento? Os estrategistas precisam buscar soluções para contornarmos as dificuldades na saúde e na economia para impedir o declínio do Brasil e seu povo.

Há décadas vivemos em plena guerra econômica que agora se acirra visando aumento de riqueza e poder. Os países e a população são manipulados diariamente sem perceber. Tudo faz parte do jogo onde os ganhadores são sempre os mesmos enquanto aumenta a precarização geral.

Vivemos os tempos das epidemias e outras catástrofes, mas os seres humanos continuam dominados pela cobiça de poder, deixando a humanidade sujeita a projetos de supressão da liberdade. A era das trevas é hoje com a humanidade conduzida para o superficialismo desde longa data e agora sujeita aos artifícios da guerra de comunicações com múltiplas formas de influenciar as pessoas de modo que elas não se conscientizam da manipulação. A humanidade deveria se voltar para a compreensão do significado da vida e da situação em que deixamos o planeta e o Brasil. Afinal, para que nascemos? A humanidade tem de avançar para além do materialismo e se esforçar para encontrar a Luz da Verdade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O PAPEL DO ESTADO

Com mais de sete bilhões de pessoas e inúmeras decisões imediatistas, a situação mundial está beirando ao caos. Os meios de comunicação, veladamente, anunciam que não vai dar para resolver todos os problemas criados pela humanidade. Nas casas onde se criam as leis dos homens prevalecem interesses particulares. O mundo precisa de homens sábios no comando e de seres humanos que se movimentem incansavelmente buscando o bem.

Nestes dois milênios depois de Cristo, tivemos praticamente quinze séculos de imobilismo nos quais as comunidades não atingiram o apogeu de seu desenvolvimento. A partir do século 15, houve uma ruptura e começaram a surgir mudanças. As comunidades se transformaram em nações e estas em Estados soberanos que passaram a interferir profundamente nas atividades, regulamentando a vida. Três poderes se confrontam: o religioso, o do Estado burocrata, e o econômico que, crescentemente, amplia a sua influência. Por trás de tudo isso, sempre estiveram os próprios seres humanos que, ao invés de buscarem intensamente o reconhecimento e atuação conforme as leis da Criação, sempre disputaram o controle das riquezas, a influência e o poder. Assim, as incompreensões permaneceram e a missão de Cristo não foi reconhecida com exatidão.

A estruturação do Estado nacional contemporâneo tem como objetivo exercer a soberania política e militar dentro de seu território delimitado por suas fronteiras. O Estado nacional é também chamado de Estado-Nação, aglutinando as pessoas que vivem no território e que possuem características singulares segundo a sua identidade (língua, religião, moeda, hino do país etc.) cultural, histórica, étnica, colocadas em prática dentro do estado, ou seja, do país.

Surgiu o Estado Laico e Republicano, com a capacitação de definir a moeda do país, sem a figura do rei absoluto. Mas a população deveria ser bem preparada e o Estado não deveria ser o tutor de tudo e de todos, tributando e se envolvendo em negociatas. Cada povo, com sua pátria e tradições, todos reconhecendo e seguindo as leis naturais da Criação. Mas a cobiça por riqueza e poder dominou, e as consequências estão evidentes: Estados endividados, falidos, população despreparada, cidades caóticas.

O Estado tem de contribuir para que haja oportunidades de progresso para todos, mas os teóricos queriam Estados que tivessem arrecadação e pudessem contrair empréstimos no mercado. Aí vieram os burocratas e melou tudo. O dinheiro nunca é suficiente, as dívidas crescem e tudo fica por fazer. A classe política e a burocracia se voltaram prioritariamente para conservar seus privilégios e posição no poder. Mas o que eles fizeram com o dinheiro?

A rede de poder mundial está consolidada há décadas. Tudo foi seguindo de forma indolente, sem chances de renovação. O declínio ético e moral está se ampliando. Com o agravamento da situação e a insatisfação crescente, surgiram os chamados populistas que cativam as massas propondo novas ideias, visando a seriedade na gestão pública.

Com a crise epidêmica do coronavírus em escala global, está ocorrendo um clima de ansiedade e inquietação que se amplia com o bombardeio de informações derrubando a economia. Mas a crise é uma grande advertência, chamando a atenção dos seres humanos sobre a forma displicente e irresponsável como estão vivendo. No entanto, a atuação das leis naturais da Criação exigirá que tudo se torne novo no viver.

A República, proclamada em 1889, veio sem preparo, fruto de um golpe de vingança contra o Imperador e a Princesa Isabel que aboliram o trabalho escravo, pois a economia do Brasil não poderia continuar naquele sistema ultrajante. Nas várias etapas seguintes de governo faltou o impulso para formar um país independente, apto a conceder boa qualidade de vida a todos que se esforçam.

A saúde é a grande riqueza do ser humano para poder cumprir a sua tarefa na Terra; sem ela, tudo o mais perde o seu valor. O corpo é de uma perfeição espetacular, as condições de hospitalidade do planeta também. Mas o ser humano se afastou da naturalidade e causou danos a si mesmo e à Natureza. Como diz Roselis von Sass, na obra O Livro do Juízo Final, “O efeito protetor da aura dos seres humanos foi rompido e comprometido, pois as cores originais possuem efeitos magnéticos defensivos”, que foram perdidos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O DESTINO DOS POVOS

Nos anos 1970, Brasil, China e Coreia do Sul estavam emparelhados. De fabricante, o Brasil passou a importador de tudo. Perdemos terreno nos empregos, na tecnologia, na educação. Mas o momento mundial é muito difícil e o país tem de ficar vigilante, pois há muitas armadilhas nos déficits, no câmbio, na falsa diplomacia, e por isso temos que depender o mínimo possível das forças globais.

O filme “Indústria americana” (Netflix) mostra na ficção o que poderia estar ocorrendo na realidade numa indústria chinesa montada nos Estados Unidos. Nela ficam evidentes as grandes diferenças na política, economia, trabalho e crenças, entre o capitalismo de livre mercado e o capitalismo de Estado. A globalização está misturando água com azeite, o que está gerando desemprego e dificuldades. Então, o que vai ocorrer? A água vai virar azeite ou o contrário e tudo será um sistema só gerido de cima para baixo com mão forte sem liberdade e sem alvos transcendentais?

Cada povo deveria ter a oportunidade de construir seu futuro de tal forma que as condições de vida fossem recebendo melhoras, o que pressupõe uma população lúcida, empresariado e estadistas sérios e competentes, que visam progredir em paz e com sustentabilidade.

Em tempo de crise, o carnaval de rua abre oportunidades para jovens e adultos se divertirem sem gastar muito. As ruas são fechadas, os trios elétricos de alta potência criam o clima. É o grande entorpecente oferecido ao povo. Como diz a canção: “Tá todo mundo de ressaca. Ninguém aguenta mais. Eu vou mandar parar. Vai todo mundo pra casa curar” – a si mesmo e ao Brasil abusado de múltiplas formas, internamente e externamente.

Outra questão são os enigmas do dólar. Transformado em mercadoria, o dólar também fica sujeito à lei da oferta e procura, mas o dinheiro não é mercadoria comum, pois é influenciado pela taxa de juros. Juros altos atraem dólares e a sua entrada baixa o preço. Com juros baixos, reduz-se o interesse, os dólares se afastam e seu preço sobe. Além disso, o momento é instável com a guerra comercial entre EUA e China, as disputas geopolíticas e o globalismo.

Preocupações com o impacto do coronavírus na economia também são citadas como fator de instabilidade pressionando a cotação da moeda. Desde 1994, os governantes vêm combatendo a inflação com juros altos e dólar barato, favorecendo importações, prejudicando a produção. Além dos juros altos, praticaram o swap cambial para segurar o dólar, o que propiciou bons ganhos no mercado.

Em diversas épocas, sábios e profetas, especialmente enviados, trouxeram mensagens de humanização e elevação. O ensinamento básico do Mestre Jesus: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”, ampliado por Abdruschin: “Não causeis mais nenhum sofrimento ao próximo, a fim de satisfazer com isso uma cobiça própria”, não tem sido seguido. Então, o crescimento do caos e da miséria pelo mundo surge como consequência lógica.
Não importa o nome, mas as mudanças climáticas estão ocorrendo, afetando a vida com frio intenso, calor excessivo, chuvas e tormentas, causando efeitos no solo e na água potável. Tudo isso tem de ser considerado. Como trabalhar a céu aberto em pleno meio-dia com temperatura de mais de quarenta graus? Não podemos esquecer da natureza no preparo das novas gerações. A natureza sempre doadora contém tudo que sustenta a vida; nela se encontram biologia, química, geometria e tudo o mais obedecendo leis lógicas que impulsionam o desenvolvimento. Compreender a natureza humaniza o ser humano.

Em meio a vendáveis tormentosos e transformações aceleradas, o velho modo de viver vai mostrando vestígios de esgotamento e, no desenvolvimento progressivo, terá de ceder o lugar para o novo que despertará as individualidades dos povos e a universalidade estará no reconhecimento e respeito às leis da Criação. Somos todos seres humanos convivendo na Terra para alcançar evolução.

Em meio ao atordoamento malsão este momento é para parar e refletir. Esta é a hora da humanidade se esforçar para interpretar corretamente a Criação e suas leis e se ocupar sinceramente em pesquisar qual é a finalidade da nossa vida na Terra. Reconhecer e respeitar as leis da Criação representa tudo porque o ser humano estará atuando com sua plenitude de corpo, alma e espírito.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O AVANÇO DA PRECARIZAÇÃO

A falta de oportunidades avança pelo mundo. Com o fechamento de fábricas e o aumento da automação, além do grande endividamento geral e da consequente estagnação da economia, sobraram os serviços cujos salários são menores e nem sempre oferecem vagas. Perdeu-se o aprendizado técnico e as habilidades indispensáveis como: conhecimento e preparo para a vida; capacidade para aprender sempre; conhecimento técnico do trabalho; vontade de fazer bem feito e melhor. Quem depende de salário fixo ficou fragilizado, uma vez que o custo de vida vai aumentando e há contínua pressão para baixar as remunerações. Agora o serviço público, muito abusado nas esferas altas, segue nessa tendência também.

O Brasil manteve o regime escravocrata de trabalho por 300 anos, o que gerou a tradição de pagar mal aos trabalhadores em geral e remunerar bem os apaniguados e nababos do judiciário, do legislativo, das estatais e dos órgãos de poder, dando-lhes o status de servidores do rei, considerando os professores como trabalhadores comuns de salário baixo. Então, o custo dos servidores precisa ser detalhado para que não haja incompreensão.

A democracia deve lidar com as dificuldades antes que elas se tornem problemas insolúveis. É incompreensível a rigidez de senadores, deputados e vereadores, que priorizam os próprios interesses, deixando o país e sua população em plano secundário. Os governantes, como bons zeladores, têm de estar comprometidos com o bom uso dos recursos nas coisas simples de todos os dias que fazem a sociedade funcionar, mas, ao contrário, preferem gastar o que têm e o que não têm em obras faraônicas que rendem mais e chamam a atenção dos eleitores, e com isso vão aumentando a dívida pública.

Cálculos do Ministério da Economia indicam que a redução da Selic gerou, apenas no ano passado, uma economia de R$ 68,9 bilhões no serviço da dívida. Por aí se vê como foi a sangria financeira: uma barbaridade, pouco comentada, pouco analisada. Debilitada, a economia do Brasil tarda a se recompor. Quanto mais a dívida subiu com juros elevados e displicência nas contas pública, mais a economia foi parando. Mas o problema não é só a dívida, como também a burocracia arrogante, a corrupção galopante, a educação em retrocesso, o avanço dos importados de forma desequilibrada e o desemprego. Revertendo tudo isso, o país poderá retornar aos caminhos do progresso.

Neste ano teremos eleições municipais. É nessa época que aparece algum movimento cosmético buscando a reeleição, mas no geral tudo cai no abandono por falta de competência e interesse pelo bem das cidades. Como disse o professor Valter Caldana, da USP, com os eventos que vão se repetindo com mais frequência há que se fazer programação preventiva sistemática nesta cidade mal planejada, cuidando todos os meses das questões básicas, como limpeza, permeabilização, calha dos rios, lixo nas ruas e obras maiores. Mas o descaso é geral e no serviço público é assustador. Não há zeladoria nas cidades.

O avanço da tecnologia deveria contribuir para elevar o espírito humano, mas está contribuindo para o esvaziamento das capacitações, podendo transformar cada indivíduo num ser insensível que não sabe desfrutar das suas horas de lazer para se instruir e se aprimorar, optando por jogar fora o seu precioso tempo em bebedeiras e badernas. Mas é carnaval, outrora um momento de descontração e festa popular, hoje uma fase de inquietação e insegurança com vários riscos para as pessoas em geral porque o bom senso perdeu terreno e tudo que se imaginar de ruim e perigoso pode acontecer. Em Brasília já surgiram problemas nos festins com bebedeiras e drogas. Os pais que cuidem de seus filhos, pois a experiência poderá se revelar bem amarga, tanto nos salões como no carnaval de rua que criam uma atmosfera propícia ao desregramento e irresponsabilidade.

No mundo, ainda prevalece a questão das castas superiores e inferiores, uns sobre os outros e não lado a lado, progredindo em conjunto. Nesta época difícil com incompreensão, medo e ódio, é difícil manifestar o que pensamos porque as pessoas têm as suas paixões e só querem se basear em suas próprias pseudoverdades sem analisar objetivamente os fatos. Muitas pessoas não querem examinar a realidade do significado da vida e suas leis. Necessitamos de coragem, cautela e vigilância.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

GERAÇÃO #

A grande questão da educação é que os pais já não se lembram mais por que nasceram na Terra nem qual é o significado da vida e suas leis. Assim, o viver vai se tornando uma chatice porque não há propósitos enobrecedores, não há rumos claros e os jovens se veem neste mundo onde a natureza está reagindo de forma drástica. Na economia, os empregos estão sumindo e os líderes não sabem o que fazer com a massa disponível e sem renda, as telas se apresentam como uma forma de ir mantendo a turma distraída e ir camuflando o problema.

Leia abaixo o importante artigo de Marcelo Rubens Paiva, publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 22.02.2020. (https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,geracao-,70003206227)

Geração #

Aos 6 anos, já pede de presente cartas Pokémon e um iPhone 11

Por: Marcelo Rubens Paiva*

Meu filho Joaquim, de 6 anos, me perguntou passeando pelas ruas do bairro, num domingo ensolarado: “Pai, por que as pessoas se cansam de viver?”. Acendeu um alerta máximo no meu cérebro. Parei, abracei, beijei sua testa muitas vezes e perguntei de onde ele tirou aquilo. “Ué, você que me disse.”

Pesquei as conversas recentes armazenadas na memória sem a fluidez da infância. Memória gasta como um sapato velho. Até me lembrar. É, eu tinha dito, quando ele comentou, semanas antes, que queria viver mil anos, e falei que viver muito era chato, que seria melhor descansar, que morrer é parte do processo, que todos morrem, e é bom, as pessoas se cansam de viver muito, ficam muito doentes quando envelhecem. Até 100 anos dá. Mais que isso, será que vale a pena?

Por que, de uma hora pra outra, ele trouxe o assunto à tona? Os pais de hoje, depois do casamento demoníaco da internet com o telefone, que deu nas redes sociais, que deu na confusão entre real e digital, na sedução hipnótica das telas que cabem no bolso, estamos em alerta máximo.

Ele afirma que quer um celular. Eu afirmo que só sobre o meu cadáver. Ele afirma que fulaninho e beltraninha têm. Eu afirmo que os pais Fulanão e Beltronona são dois imbecis, que não sabem o que é bom para os filhos, e trocaram a boa brincadeira, o livrinho infantil, pela opção fácil da babá digital smartphone.

Os pais de hoje vivem um estresse antecipado do como será o futuro da geração que nasceu millennial, depois de 1997, sob o signo das redes sociais, a Geração Z: 70% convivem com ansiedade e depressão, 55% com bullying virtual, 50% com vício de drogas, 45% com alcoolismo, 30% com gravidez na adolescência, enumerou a The Economist.

Casam-se mais tarde. Começam a vida sexual mais tarde. São menos ligados a comunidades religiosas. Ficam tempo demais em redes sociais. A metade deles já largou emprego por conta de doença mental, o familiar Burnout. São conclusões de um conglomerado de institutos de pesquisa e organismos: Organização Mundial da Saúde, Blue Cross Blue Shield Health Index, Mind Share Partners, SAP e Qualtrics.

De acordo com BDA – Morneau Shepell, um em cada cinco millennials sofria de depressão nos EUA em 2015. A OMC alertou em 2016: o suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens americanos entre os 15 e os 29 anos. No Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

Competição no trabalho, a busca incessante pelo like, ansiedade, pânico, “fear of missing out” (Fomo), ou seja, medo de estar por fora, dificuldade de se tornar “adulting” (de crescer), são frutos de uma sociedade carente e hiperconectada; precisam ser aceitos, curtidos, incríveis.

Nas escolas que dizem formar futuros líderes e empreendedores, alunos ganham tablets na matrícula. Nas da minha bolha, tablets e celulares não entram. Estamos perdidos, sem dados, sem rumo. Logicamente, que as empresas mais ricas do mundo, envolvidas na hiperconexão, não nos dão respostas às dúvidas que as novas tecnologias suscitam.

Já ouvimos dizer que o vício pelo like, assim como as cores das telas, é como o de uma droga estimulante. Sabemos que bebida, cigarro, drogas na infância e adolescência devem ser banidos. Não sabemos nada sobre as quatro telas. Para piorar, estamos cercados por elas.

Não existem carreiras de cocaína ou um copo de uísque on the rocks em cada sala de espera de médico, hospitais, na mesinha da poltrona do avião, nos táxis, em bares e restaurantes, nos aeroportos, rodoviárias, trens e metrô. E em todos eles, é proibido fumar. Mas existem telas, são mágicas, sedutoras e liberadas. Na mão da maioria das pessoas sentada, um celular.

Como dizer a uma criança que aquilo faz mal. Elas estão nos bolsos de cada um, nas mãos, mesas, bolsas. Meu filho adquiriu uma habilidade “pickpocketiana” de afanar meu celular carregando, guardado, ou aparelhos de primos, babás, amigos, para mergulhar fascinado naquele universo em que ele é proibido de entrar.

Sabe operar como poucos, baixar o que quiser, e onde está o segredo. E já pede de presente cartas Pokémon e um iPhone 11. Se ignoramos, pede dinheiro, sabe o preço do aparelho e onde tem promoções. Estamos fritos. E eles, então…

* Marcelo Rubens Paiva é escritor, roteirista, dramaturgo, há anos trabalha na imprensa como cronista do mundo contemporâneo, de olhos atentos à política, cultura e neuroses urbanas. É colunista do caderno de Cultura do jornal O Estado de S.Paulo.

VIDA AUTÊNTICA

O mal-estar da civilização avança pelo mundo, da Europa à China, do Canadá ao Chile. Qual é a origem? Facilmente as pessoas encontram justificativas para explicar a miséria, a precarização e o sentimento generalizado de insatisfação. Capitalismo, comunismo, neoliberalismo, são rótulos, mas por trás está o ser humano e sua despreocupação em causar danos ao próximo para satisfazer a própria cobiça.

Para entender os problemas que afligem o mundo é preciso buscar as causas espirituais. O ser humano se entregou ao materialismo e para isso teve que sufocar a espiritualidade, mas o mundo material criado pelo intelecto é frio e áspero, rouba energia, enfraquece e acarreta doenças.A depressão se tornou a grande epidemia que mostra os seus efeitos no cérebro, porém mais do que doença mental, é uma doença da alma.

Os seres humanos estão perdendo a naturalidade agindo de forma performática como se estivessem representando um papel aparentando ser o que não são. O problema é que não sabemos mais qual é a finalidade da existência nesta Terra em que tudo foi preparado pela natureza para uma vida de trabalho e progresso. Mas o ser humano quis dominar tudo, esquecendo que sua vida é uma passagem; quer comer, beber, se divertir, quer tirar o máximo proveito de tudo e sempre obter ganhos e, com isso, fez da vida, que deveria ser bela, um inferno na Terra.

Bebida, exibicionismo, sexualidade embrutecida, maconha e outras drogas. Ricos e pobres pouco pensam na seriedade da vida e vão gerando filhos que mantêm essa conduta da mesma forma errada. Poucos se ocupam em como poderiam melhorar as condições de vida tornando-a mais bela.

A insatisfação e a desesperança levam ao medo; este ao ódio, e este abre as portas para as “fúrias” – as constelações de sentimentos e pensamentos de revolta e vingança que se opõem às “benévolas” – as formas que visam a paz e a harmonia. É dolorido observar a realidade e a prevalência dos interesses de políticos e grupos que querem levar vantagens, enquanto as cidades ficaram abandonadas. Mas a situação ficou ainda pior, pois todos os efeitos negativos de gestões asquerosas estão em cena, ampliando a insatisfação e abrindo espaço para as fúrias e seus ataques.

Em muitas organizações, públicas ou privadas, evita-se indicar pessoas ativas e competentes que queiram concertar o que está errado para o bem geral. Ao contrário, escolhem pessoas mornas, sem muito empenho, dóceis, de intuição fraca, e que não representam uma ameaça para a preservação do poder na mão dos dirigentes interesseiros.

Uma nova ética deverá ser alcançada com o reconhecimento das responsabilidades individuais de não causar danos a outros para satisfazer a própria cobiça, e que leve ao reconhecimento das responsabilidades individuais para que o homem deixe de ser o lobo do homem.

A partir dos anos 1980, após a concentração financeira global e a centralização da produção industrial na Ásia com o consumo globalizado no ocidente, verificou-se no planeta a implantação do maior desequilíbrio econômico jamais existente com o avanço do desemprego, queda na renda e aumento da precarização. As nações perderam o pouco que mantinham de autossuficiência e se tornaram extremamente dependentes.

Com a crise econômica e seus efeitos que a tudo atingem, e devido ao declínio civilizatório, aumentam as ansiedades e depressões. As novas gerações não estão recebendo o adequado preparo para a vida, o que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos. A decadência está penetrando também por meio da falsa cultura, uso de drogas, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua, desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína.

A situação atual do planeta atesta a incompetência administrativa e o despreparo geral. Os jovens precisam conhecer a trajetória espiritual da humanidade com seus erros e acertos. A prioridade para fortalecer as novas gerações e o país está no bom preparo para a vida. As crianças devem, desde cedo, entender que sem educação e consideração não conseguirão progredir na direção de seres humanos de valor, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta. Para formar gerações fortes e sadias de corpo e alma, a prioridade básica está no bom preparo para o viver autêntico.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O RETROCESSO ANUNCIADO

Durante longo período não havia partidos políticos, só a Igreja e os reis. As regiões descobertas se tornaram colônias. Os feudos foram aglutinados e transformados em Estados. Surgiram os partidos, as eleições e os eleitores foram mobilizados para fazer sua escolha no circo eleitoral. Eleita, a classe política queria mais e mais. O mundo globalizado está descontente com a classe política. Surge o Estado com partido único responsável pela escolha dos gestores e pelo relacionamento econômico com os demais países visando o melhor resultado. Diante da precariedade da economia, os eleitores estão se voltando para os líderes que apregoam a volta ao nacionalismo.

Nos anos 1980, os Estados Unidos elevaram a taxa de juros a 20% ao ano. Países atrasados, como o Brasil, que se endividaram na década de 1970 com juros baixos contratados com taxa flutuante, caíram na armadilha e perderam o rumo. Juros compostos a 20% em dólar é um desastre. O Brasil sangra até hoje, e seus gestores, desde Sarney, não tiveram dúvidas em priorizar interesse próprios, deixando o país de lado.

O economista Delfim Netto explica a grande mudança em andamento no trato da finança pública: “Um fato fundamental é que a política monetária iniciada por Ilan Goldfajn e continuada por Roberto Campos Neto (ajudada pelo rigor fiscal) nos levou a uma taxa de juros e a um ‘risco’ Brasil que eliminaram o carry trade. É, talvez, a primeira vez na nossa história que se criaram as condições para uma taxa de câmbio flutuante sustentada por forças endógenas e não por uma taxa real de juros destrutiva do nosso setor industrial.”

Trata-se de uma higienização no rançoso modo de administrar juros, câmbio e o desequilíbrio fiscal produzido pela incompetência e falta de seriedade. Mas urge resolver a questão de como aumentar a produção e renda, que se arrastam no chão por décadas num país em que falta tudo. Taxa Selic de 4,5 %, o estranho é como esteve tanto tempo acima de 12 % a juros compostos. Como essa proeza foi conseguida? Será porque todo o sistema se acha atado às dívidas?

A irresponsabilidade com as contas sempre traz resultados desastrosos, nas contas públicas é terrível com tantas interferências de agentes corruptos. A partir de 2012 caímos de novo na armadilha da grande catástrofe de dívida que hoje toda a nação paga e sofre. Foi um desatino financeiro, um assalto que revelou a cobiça e o imediatismo geral. Temos padecido com a permanente irresponsabilidade no trato das contas públicas e na terrível estrutura monetária e cambial que tem favorecido a especulação em vez de promover a estabilidade econômica.

Diziam os poetas, na década de 1920, que a vida é uma celebração do encantamento. Mas o jornalista francês Gilles Lapouge diz que hoje não é mais assim, pois é na Bolsa para onde vai todo o dinheiro do mundo, cobiçando ganhos mirabolantes, que se contabiliza o valor da vida, enquanto o resto da economia segue para o brejo. Países mal geridos pela corrupção e incompetência estão retrocedendo de degrau em degrau ao chamado terceiro mundo; países pobres, com falta de preparo para a vida, dependentes de uma economia voltada para a agricultura, pecuária e atividade extrativista. A desfaçatez com que os rios e mananciais têm sido manejados mostra bem o declínio.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Se o querer, voltado para o bem, sempre for transformado em ação, a melhora geral será possível, buscando-se o auto aprimoramento, observando a lei do movimento aplicada na grande causa da humanização da vida, através do fortalecimento da espiritualidade e da coesão da vontade das pessoas para irradiar a Luz da Verdade.

Cada ser humano ativo no espírito tem de se adaptar aos meandros dos fios do destino produzidos por ele mesmo, com ampla coerência, incluindo intuição, pensamentos, ações, tudo integrado. Assim como numa árvore, as raízes, tronco e flores estão integrados, no ser humano, espírito, alma, corpo devem estar unidos de forma sadia, buscando elevação. A falta disso gerou as catástrofes que estamos enfrentando.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A TERRA É ESFÉRICA

Uma das questões mais absurdas que surgiram nos últimos tempos foi a afirmação, por alguns grupos, de que a Terra é plana e não uma esfera, como já foi comprovado cientificamente e por inúmeros astronautas e fotos de satélites. Qual será a causa dessa discussão infundada e irreal? Seria por conta da estagnação na economia e no preparo dos jovens? Em 2020 vamos continuar na mediocridade? Há brigas por todos os lados. Cada pessoa só pensa em si e nas suas conveniências. Enquanto faltar um ideal entranhado nas pessoas visando o bem geral, a espécie humana continuará decaindo.

Tudo na Terra poderia ter sido diferente se o ser humano mantivesse sua intuição voltada para a melhora geral. A população perdeu a confiança nesses homens maus que fazem de tudo para satisfazer sua cobiça por riqueza e poder, e que se esforçaram para manter as massas na indolência e ignorância. No passado, vivíamos de forma mais natural, mais leve. As intuições eram ouvidas, e os pensamentos, as falas e as ações continham consideração e sinceridade; as pessoas se beneficiavam mutuamente com seu querer voltado para o bem geral.

Estamos enfrentando a tragédia do desatino administrativo. Milhares de municípios estão com as contas no vermelho. Há todo tipo de desfaçatez, nas licitações, no lixo, nas contratações, no exagero de funcionários. Nada de tratamento do esgoto. E, no entanto, muitos prefeitos estão lá para serem reeleitos com a ajuda da máquina para continuarem seu trabalho de destruição das cidades e da educação das crianças. O líder também precisa saber avaliar os seus colaboradores e, aproveitando os seus talentos, dar a eles oportunidades para realizar trabalho de qualidade com dedicação. Mas na política valem os interesses e acordos, pouco importando a capacidade profissional.

A situação atual do planeta atesta a incompetência administrativa e o despreparo geral. Os jovens precisam conhecer a trajetória espiritual da humanidade com seus erros e acertos. O mundo está adentrando em uma recessão geopolítica irreconciliável que vai se aprofundando. As crianças devem, desde cedo, entender que sem educação e consideração não conseguirão progredir na direção de se tornarem seres humanos de valor, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta. Para formar gerações fortes e sadias de corpo e alma, a prioridade básica está no bom preparo para uma vida autêntica.

Na vida em geral a ciumeira é grande, a inveja e cobiça, maiores ainda. Num mundo onde os ideais enobrecedores foram abandonados, vale só o dinheiro. Isso acontece em todos os setores, mais ainda no governo. Agentes públicos e privados imediatistas não se preocupam se estão aumentando as fragilidades econômicas, sociais, ambientais. Hoje, porém, há um entorpecimento geral diante da velocidade com que se apresentam as consequências das decisões. Todos os sistemas de governo deram errado devido ao imediatismo e cobiça de poder. O s preços sobem, os salários estão encolhendo. Por que isso está ocorrendo? Seria o preparo para uma nova moeda digital mundial?

A economia e a produção deveriam estar voltadas para o atendimento das necessidades da humanidade levando em conta as finalidades evolutivas da espécie. Mas o homem inventou o dinheiro subordinando tudo a ele, e em vez de servir à sua própria evolução, passou a se subordinar aos interesses do capital, subvertendo tudo.

A possibilidade da criação de uma nova moeda mundial já havia sido mencionada pelo historiador Niall Ferguson em seus documentários. Mas qual é a posição dos criadores de moeda que agem nos bastidores? Um bom tema para ser pesquisado, afinal se trata do futuro da humanidade que abandonou os ideais enobrecedores, passando a dar valor apenas ao dinheiro.

O que estamos oferecendo às novas gerações? A educação em atraso é a questão prioritária que merece as atenções de todos. Os seres humanos estão abdicando de suas capacitações individuais, passando a agir como robôs. A prioridade básica para fortalecer as novas gerações e o país está no bom preparo para a vida e de incentivos que aprimorem a espécie humana para que pesquisem seriamente o significado da vida, por quê e para que nascemos na Terra, que não é o centro do universo, nem é plana.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7