ALICE E O PREFEITO

A antiga e bela cidade de Lyon é o cenário desse interessante filme de Nicholas Pariser, “Alice e o Prefeito”, sobre os seres humanos e a política. Alice, professora de filosofia, é convidada a ajudar o prefeito que depois de trinta anos na política está enfrentando dificuldades em organizar os pensamentos e formular ideias criativas.

A proposta é boa, mas Alice tem de se defrontar com o grupo de assessores que rodeia o prefeito e que teme perder a influência que exerce sobre ele, assim como aconteceu com Paulo, que convidado por Nero para dar explicações sobre os ensinamentos de Jesus, acabou enciumando o grupo manipulador próximo ao Imperador.

Na medida em que Alice vai rasgando o verbo, desnudando os acontecimentos e a caótica situação mundial, mostrando as vaidades e incoerências, mais vai impressionando o prefeito e mais vai desagradando o grupo de assessores. Com o passar dos anos, o prefeito acabou deixando enfraquecer a vontade própria, se submetendo aos interesses do grupo socialista do qual faz parte. Mas ao começar a fortalecer as ideias pessoais e ter visão própria, começam a surgir os transtornos para Alice.

Assim é a vida pública, situação semelhante também acontece no mundo empresarial, pois grande parte dos seres humanos se tornou incapaz de dialogar consigo mesma e analisar com o eu interior intuitivo, ficando sujeita aos ditames da vontade mental contaminada pelas influências externas, passando a agir como um ator interpretando um personagem, no caso o de prefeito. (disponível no Telecine)

A JUSTIÇA DE UM BRAVO (1999)

John Cusack é Myrl Redding, um criador de cavalos onde estava sendo gerado o estado de Wyoming, fundado em 1890, numa região sem lei, de fazendeiros gananciosos que se sentiam donos do pedaço e faziam conchavos com os representantes do poder público como juízes e delegados. Henry Ballard (L.Q. Jones) era o pior deles, pois tinha como meta dominar a região e não queria a formação do Estado para não perder seu domínio.

Myrl tinha de levar cavalos para vender na feira de Kentucky. Mas Ballard construiu cercas impedindo a livre passagem, impondo taxa de pedágio. Disso resultou um conflito entre os dois, e os capangas de Ballard agiam de forma desleal causando vários problemas acobertados pelo juiz do vilarejo.

Myrl perdeu dois garanhões e sua esposa foi vitimada em acidente provocado pelos capangas de Ballard. Ele contratou um advogado para buscar justiça, mas o juiz corrupto não permitiu a abertura de processo. Myrl passou a agir por conta própria buscando justiça, mas acabou sendo vítima da astucia de seus adversários.

Ele então procurou o secretário de justiça, mas este não cumpriu o seu papel. O Juiz Tolliver (John Goodman) observou o caso e aceitou abrir o processo requerido por Myrl contra Ballard, pois reconhecia a injustiça praticada. Já naquela época esse juiz intuía a predominância de sua classe nas relações do Estado e procurava manter as aparências sempre em conformidade com as leis criadas pelos homens. Mas a reparação da justiça acabou gerando injustiça ainda maior para Myrl, como acontece quando a lei dos homens é seguida ao pé da letra mediante provas habilmente forjadas.

 

 

THE UNDOING

The Undoing é uma série em seis capítulos, sem título em português. A julgar pelos atores e sua excelência poderíamos esperar um filme romântico, mas do jeito como as coisas se apresentam percebemos que a série poderia ter como título: A Desconstrução, isto é, da sociedade, da família, da nação. Compõem o elenco principal: Hugh Grant, o marido médico, Nicole Kidman, a esposa psicóloga, Donald Sutherland, o sogro rico, Noma Dumezweni a advogada famosa, Matilda Angelis, a amante.

O cenário, sempre carregado com nuvens escuras, mostra moradias especiais, escola de primeiro mundo, famílias em árdua luta pela sobrevivência como a de Ismael Cordova, o marido traído. O que realmente se vê é um desfile de seres humanos cerebrinos, cuja capacitações do espírito se perderam nos labirintos da indolência e da vaidade. Na tela aparecem os tipos mais estranhos, habitantes da Terra no século 21. Às vezes tudo fica desesperador pela forma medíocre como os personagens encaram os problemas da vida. Mas um crime foi cometido e o culpado tem de ser descoberto e punido.

Seria a desconstrução do sistema de vida implantado pela humanidade? Pais superprotetores que constroem uma bolha para os filhos e não os preparam de forma adequada para solucionar os problemas da vida; a escola também não. O sistema possibilita o enriquecimento de uma minoria, enquanto a maior parte da população vive submetida à sobrevivência na base do “pão e circo” e se acomoda a um viver distante da forma como deveria ser o viver da espécie humana. A advogada muito perspicaz é o retrato do cinismo da sociedade: não precisa ser, basta ter as aparências apropriadas.

A esposa, Nicole Kidman, como psicóloga enxerga a realidade do funcionamento do cérebro humano com muita clareza e se esforça para ajudar seus clientes a se adaptarem da melhor forma à sua vida confusa e sem propósitos mais elevados. Ela consegue se libertar do emaranhado das interpretações e dá o xeque mate no jogo.

PARASITA

O filme Parasita, de origem sul-coreana, apresenta uma temática meio realista, meio fantasiosa. A família desempregada vivia num porão precário, fazendo bicos para obter algum dinheiro. Eles têm a malandragem da sobrevivência, mas possuem melhor preparo do que a classe menos favorecida que vive nas grandes cidades do Brasil.

Com tantos recursos ofertados pela natureza, a vida no planeta não deveria apresentar tanta miséria, desde que os seres humanos seguissem as LEIS DA CRIAÇÃO. O viver foi se tornando cada vez mais áspero, surgindo a luta e a astúcia para a sobrevivência; é o que vemos em Parasita. Pessoas que desceram muito na estrada da vida têm dificuldades para saírem do nível em que se encontram por não quererem reconhecer que a causa do declínio está nelas mesmas.

Os que ascenderam na escala social mais abastada se julgam superiores; assim, as classes, umas sobre as outras, não conseguem se entender, nem seguir a regra fundamental de não fazer aos outros o que não quer que façam a si próprias. Numa sucessão de mentiras e golpes, a vida parasitária acaba arrastando tudo para uma situação caótica e insustentável, assim como a humanidade arrastou o planeta a um amplo desequilíbrio que a cada dia fica mais difícil solucionar.

Um filme forte que não deixa margem para solução dos problemas existentes, tanto que na falta de uma conclusão viável, o final vai para os extremos mostrando que se reduz pelo mundo a esperança de dias melhores e as pessoas têm de aceitar a situação de declínio da qualidade de vida. No Brasil, poderíamos dizer que o poder é a grande mansão que abriga a classe política entreguista e corrupta, que defende os interesses dos parasitas que sugam as potencialidades do país, que há décadas vem decaindo na precarização.

DESTRUIÇÃO FINAL

Um filme bem coordenado, uma ficção sobre a aproximação de um cometa de grandes proporções desestabilizando o planeta.

No ano passado foi produzido o filme Destruição final: o último refúgio (Greenland) estrelado por Gerard Butler, no papel de John Garrity, que junto com sua esposa Allison (Morena Baccarin) e seu filho Nathan (Roger Dale Floy), precisa lidar com os piores lados da sociedade para tentar sobreviver, correndo contra o tempo para chegar ao abrigo secreto do governo para que ele e sua família possam se proteger das consequências da aproximação de um grande cometa. Fala-se que certos filmes são como uma antevisão futurista; assim como tantos filmes mostraram pandemias, ou caos climático, este mostra o pior da humanidade num momento de pânico, num cenário sem esperança, onde a lei não existe mais, e as pessoas se queixam que as autoridades só comunicaram o fato na última hora.

Situações complicadas decorrentes das reações de multidões em pânico com as tragédias sucessivas provocadas pela queda de grandes fragmentos e o rígido ordenamento dado pelas autoridades para a utilização de abrigos de sobrevivência. Só não é explicado o motivo da aproximação desse cometa. Na era da tecnologia, o ser humano se mostra vazio de espírito, agindo de forma mecânica.

Seria o fim dos tempos? Seria o cometa do apocalipse vagamente mencionado? (Apocalipse capítulo 8.10, 8.11 – e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha e o nome da estrela era absinto.) Antigas profecias dizem que nessa época surgirá no céu um grande cometa desencadeando catástrofes. Na obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, Abdruschin fala do grande cometa, cujos primeiros efeitos de suas irradiações já principiaram, e envolverão a Terra inteira.

O astrônomo chileno Carlos Munhoz Ferrada também falou de um cometa gigante que passará perto da Terra, provocando terremotos e maremotos.  Ferrada foi citado por Roselis von Sass no Livro do Juízo Final. Segundo a autora, ainda invisível para os olhos humanos, a “estrela do juízo”, o marco de uma nova era da humanidade, segue seus caminhos predeterminados. O falhar da humanidade ao se isolar da sua essência espiritual, ligando-se cada vez mais à matéria, tornando-se acessível a todo o mal, foi afastando a Terra das influências mais elevadas, caminhando para a grande colheita e catástrofes para o reequilíbrio do Planeta.

 

BARRABÁS

Com a aproximação da Páscoa é oportuno pensarmos um pouco nos acontecimentos ligados à vida de Jesus Cristo. Aproveitemos o filme Barrabás (2019), do diretor russo Evgeniy Emelin, que começa apresentando o julgamento de Jesus, mostrando a vacilação de Pôncio Pilatos, que governou a província romana da Judeia entre os anos 26 e 36.d.C., e que lavou as mãos ao julgar um inocente, acusado pelo sumo sacerdote Caifás, que temia perder seu poder sobre o povo judeu, e dessa forma deixou que o povo o condenasse, libertando Barrabás, um criminoso com a mesma sentença.

O filme apresenta alguns personagens pouco conhecidos na história, como a bela Judite, irmã de Judas Iscariotes e amante de Caifás, e que teria insuflado seu irmão, que era apóstolo de Cristo, a buscar um lugar de destaque no poder e a trair e entregar Jesus aos seus algozes.

Também aparece Melchior, um dos reis magos que foram conduzidos até Jesus recém-nascido para protegê-lo com suas riquezas e poder, mas que o abandonaram sem cumprirem o que era esperado deles. Melchior, em conversa com Barrabás, diz-lhe que a beleza e as leis da natureza refletem a perfeição da Vontade de Deus.

Barrabás também tem uma conversa com o espírito de José, que diz que não é o pai biológico de Jesus, porém é omitido que tudo no mundo segue rigorosamente as leis naturais da Criação, tanto no nascimento como na morte terrena. Jesus, o Amor de Deus, veio para explicar a Criação aos seres humanos, mas a humanidade estava demasiadamente embotada para reconhecer a Luz da Verdade transmitida em Suas palavras.

Pouco restou do sentido dos ensinamentos de Jesus, originalmente explicados de forma simples e natural, ficando a mensagem da Luz incompreendida, tendo surgido o culto à pessoa Dele, muitas cisões e guerras religiosas, e a promessa de que os seres humanos sempre colherão o que semearem. E viria o Filho do Homem, o Espírito Santo, o Consolador, para auxiliar e restabelecer a verdade e examinar os feitos dos seres humanos durante o tempo que lhes foi concedido para o autodesenvolvimento.

CALMARIA

Calmaria não é um filme absurdo como algumas pessoas o julgaram; é algo que ficou estranho porque perdemos a capacidade de entender os acontecimentos em decorrência da forma restrita de considerar a vida na Terra como sendo uma única existência. O enredo trata da forte ligação entre o dono de um barco de pesca e que também leva turistas para passear Baker Dill (Matthew McConaughey) e seu filho Patrick (Rafael Sayeg), que vivia com a mãe Karen (Anne Hathaway) e o padrasto (Jason Clarke), um homem arrogante e rude com o menino e com a mãe, razão pela qual Patrick nutria ódio por ele.

Dill estava sem rumo numa região estranha para ele, mas foi para lá que os fios do destino tecidos por ele mesmo o encaminharam. Há uma grande luta que Steven Knight, o roteirista, chamou de jogo, mas é um embate de vontades: trata-se do jogo da vida formado pelo querer, pensamentos, sentimentos e ações; vale a intenção.

Na Terra ou fora dela os seres humanos manifestam o seu querer vivenciando-o intensamente como num sonho ou pesadelo. O querer, alimentado intensamente, tem o poder de atrair a igual espécie, foi isso o que acabou acontecendo entre o padrasto e seu enteado num choque desordenado de incompreensões, estando Dill coparticipando e vivenciando tudo com paixão e voracidade, até que se tornou consciente de onde estava para poder prosseguir sua jornada. Evidentemente o filme se apresenta limitado em relação a todos os acontecimentos, mas não deixa de ser um incentivo para as pessoas procurarem entender melhor a vida e seu significado e a responsabilidade de cada ser humano com as suas intenções, e não apenas com seus atos.

EU SÓ POSSO IMAGINAR

Bart Millard (J. Michael Finley), vocalista de uma banda cristã, nasceu numa família desestruturada. Considerava seu pai Arthur (Dennis Quaid) um monstro porque ele não entendia o amor que sentia pela música. A relação entre ambos é o núcleo emocional do filme “Eu só posso imaginar”. No enredo, a mãe foi embora por não aguentar mais os maus tratos. Uma infância sofrida que tornou Bart descontente com a vida. Nada acontece por acaso. Por que Bart nasceu naquela família? Muitas almas estão aflitas buscando nova oportunidade para uma existência no mundo material, sendo atraídas pela igual espécie e pelos fios do destino que cada ser humano tece para si mesmo.

Uma nova vida, uma nova oportunidade para a criança e seus pais. E de fato para o pai foi uma oportunidade de reconhecer seu modo errado de viver. Conhecer o significado da vida e suas leis, evoluir, beneficiar, enobrecer são tarefas dos seres humanos que com displicência passam pela vida jogando fora o precioso tempo, e acabam saindo do corpo mais sobrecarregados do que quando chegaram para uma nova oportunidade. Bart teve uma visão espiritual do pai, que havia falecido, ao cantar Eu só posso imaginar (I can only imagine). “Procurai e Achareis o verdadeiro caminho para a Luz”.

SONO TORNATO (ESTOU DE VOLTA)

“Sono tornato” é uma comédia italiana caprichada, considerada politicamente incorreta e dramaticamente atual que mistura ficção com realidade. No filme, o ditador Benito Mussolini (Massimo Popolizio), idealizador e executor do fascismo na Itália antes e durante a Segunda Guerra Mundial, reaparece vivo numa praça em Roma, 80 anos após a sua morte e como se isso não tivesse de fato acontecido. Andrea Canaletti (Frank Matano), um cineasta fracassado, o encontra e achando que se trata de um comediante parecido fisicamente com “Il Duce”, o coloca numa entrevista na televisão, vista por milhões de pessoas que se encantam com as ideias apresentadas por ele de forma satírica.

Os teóricos da democracia se escandalizam com o surgimento dos populistas no poder. Mas o Mussolini do filme se torna popular com suas ideias rígidas, tirânicas e preconceituosas que se afastaram da essência dos seres humanos, pois neste planeta somos todos peregrinos em busca de evolução. No século 21, a população está abrindo os olhos e percebendo os abusos praticados pelas pessoas que se instalam no poder e tomam o governo para si e seus interesses.

Deixando de lado as ideologias e os conceitos do abuso do poder pela força como forma de governo, o personagem que se diz ser Mussolini vai analisando a situação da Itália e da Europa, principalmente a da educação e o momento difícil em que se encontram as novas gerações sem trabalho remunerado, e se escandaliza com as desordenadas correntes imigratórias e, enfim, com o caos econômico e social.

O grande drama da humanidade é que não se esforçou para encontrar as normas adequadas para a convivência entre as pessoas, prevalecendo a ideia de que o enriquecimento de uns deve ser feito à custa das perdas de outros, fato que já deu origem a muita miséria e guerras sangrentas.

VANAJA

Numa cidade localizada no sul rural da Índia, a adolescente Vanaja (Mamatha Bhukya), de 15 anos de idade, filha de um pescador com dificuldades financeiras, vai trabalhar para a senhoria local Rama Devi (Urmila Dammannagari) com a esperança de aprender a dança Kuchipudi. Ali ela conhece o filho da dona da casa que retornou dos Estados Unidos, que a envolve numa atração sexual e acaba abusando da menina que entra numa gravidez indesejada, lançando-a numa batalha de Casta e Alma.

O filme é bem feito, mas triste, retratando uma cultura estagnada. Para qualquer região do planeta que olharmos veremos a grande estreiteza dos seres humanos, com mais ou menos miséria. Segundo Rajnesh Domalpalli, diretor do filme, os jovens na Índia estão recebendo uma educação muito melhor agora. A imprensa também está ficando mais forte e a economia está melhorando. Portanto, ele está muito esperançoso com o futuro.

Por meio de Vanaja, a ideia do diretor era transmitir a mensagem de que a arte ajuda o espírito humano a transcender o sofrimento e de mostrar a cultura indiana que é interessante. As danças no filme são no estilo Kuchipudi, ao som da música clássica denominada Carnatic Music, ambas do sul da Índia. O filme se passa em dois estados do sul: Andhra Pradesh e Telangana.

No início do filme, ouvem-se contadores de histórias rurais que cantam e relatam um pequeno episódio do antigo épico Mahabharata, no estilo chamado Burra Katha, que também é apresentado em partes do sul da Índia. O filme conta ainda com música folk que se ouve ao fundo e gravada na zona rural de Telangana. Saiba mais na entrevista com Mamatha Bhukya (que interpretou Vanaja) no YouTube: https://youtu.be/Xcg174lywN0

O fato é que a espécie humana está falhando, não está guiando os jovens como deveria na direção do aprimoramento da humanidade. Falta alma. Os seres humanos vão desfilando de forma artificial, desconhecendo o real significado da vida, e quase todos criam o caos em sua volta. O que querem os pais? O que os motivou a gerar filhos? O que querem os filhos? O mundo está em transformação; esperemos que venham melhoras na compreensão da vida e na consideração entre os seres humanos.