POR UM BRASIL VIÁVEL

Por milhares de anos a espécie humana tem sido mal orientada, arrastada para a indolência e estagnação. A massa semiescravizada se deixou apequenar, sem se equipar para desenvolver os talentos, reagir aos desafios com clareza e bom senso, permanecendo estagnada quando deveria evoluir de forma contínua. Em que os homens acreditam? Em que deveriam acreditar? Estamos enfrentando inúmeros problemas decorrentes da construção imediatista sem observar as leis da natureza que a tudo abrangem. A displicência com os mananciais e os rios está mostrando as duras consequências na escassez da água potável.

O mundo materialista fundamentado no dinheiro que não se interessa pelos ideais enobrecedores começa a oscilar. Oscila a construção áspera do homem dominado pelo raciocínio frio e calculista que quebrou a antena para a eternidade. Perdem-se as expectativas de progresso real para todos. Surge o capitalismo de Estado que vai introduzindo sistemas manufatureiros e tecnológicos visando acumular riqueza, poder e controle, atento ao equilíbrio da balança comercial e geral para garantir o acúmulo de reservas internacionais. Importa apenas o essencial e matérias-primas, avançando pelo mundo com muita atenção nos concorrentes.

No mundo apressado, separado da consciência ancestral, a humanidade se fragmentou, perdeu a coesão ligada aos mandamentos naturais da mãe Terra. Adentramos na era da precarização geral que, no limite da insanidade mental coletiva, poderá resultar em incontidas explosões de rancor, o que leva a elite dominante a pensar que a solução estaria na implementação de um governo autoritário mundial.

Os idosos não se aprofundaram na compreensão do significado da vida e suas leis, e muitos deles vão perambulando pela vida com insatisfações e angústias, sem olhar para o sentido maior da existência, mas eles tinham educação e bom senso, o que está acabando. Os mais jovens não foram preparados adequadamente para a vida, mas geram filhos menos preparados ainda e provocam consequências ruins para o presente e o futuro.

A Austrália, inicialmente povoada por presos ingleses, acabou se tornando uma região mais disciplinada que o Brasil corrupto e atrasado. Os ingleses também estiveram merendando no Brasil, mas pouco deixaram e muito levaram. A América Latina, com sua população sub educada e subnutrida é o pasto de engorda dos astutos globalizados e dos corruptos. No Brasil, recaímos na dívida grande. Na guerra cambial especulativa, a reserva em dólares poderá se reduzir. Tudo isso poderá tornar o Brasil inviável, com dificuldades para se tornar um pais com autodeterminação e progresso real, de onde os cidadãos querem fugir.

A permissão para os governantes, especialmente de Dilma Roussef, para endividar o Brasil até o pescoço, desencadeou a continuidade do aumento da desigualdade até que a dívida possa alcançar novamente os percentuais exigidos pelo mercado financeiro. Entre as grandes ameaças para a humanidade estão a falta de preparo para a vida, que está sufocando os ideais enobrecedores, e a ampliação do entorpecimento geral da população pelas drogas, cuja comercialização e faturamento clandestinos mundiais não têm medida.

A taxa de juros direciona o dinheiro, mas depende da inflação. Muitas categorias profissionais estão recebendo reajustes insignificantes, mas os preços em geral estão sendo reajustados. É o aperto, a transferência dos encargos para a população, que, sem dinheiro, reduz o consumo e a inflação não se manifesta, dando espaço para a baixa dos juros, indispensável para a contenção da dívida crescente e euforia nas bolsas.

No geral, amplia-se o atraso e o desânimo da população. Diante dos acontecimentos percebe-se que a construção financeira mundial dá mostras de estresse. Elites dominantes pensam em nova ordem de mando, fundada em novo dinheiro mais controlador. A cada novo dia, enfrentamos as consequências das ações praticadas anteriormente, que lamentavelmente pouco de bom promoveram.

Os indicadores apontam para anos difíceis pela frente. O século passado foi a coroação da irresponsabilidade. No atual, não houve mudança, a aridez e aspereza permanecem. Nada a estranhar sobre o que vem por aí. Quando o mundo se libertará do dogmatismo, do misticismo e de governantes que impõem sua vontade tirânica? “Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará”, mas o homem foi condicionado a não utilizar suas capacitações espirituais e mentais para examinar e analisar tudo que lhe é impingido e o resultado é o crescente apagão mental que se observa em todos os níveis.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

BONDADE ESPIRITUAL PARA 2020

Uma pessoa pode ser espiritualmente indolente e muito inteligente, mas um olhar atento pode revelar que falta a ela a sabedoria natural da vida, pois a atuação do espírito e a do raciocínio não são a mesma coisa. Falta a bondade espiritual, surgindo como consequência a frieza do raciocínio que impulsiona o ego para impor suas cobiças acarretando crescente aspereza no viver. Mais de sete bilhões de seres humanos estão agindo em oposição às leis da natureza. O que se poderia esperar senão a grande crise civilizatória em que estamos adentrando? Parece que o mundo tende ao desumano com muitos espinhos e poucas flores.

Os juros caíram. O governo tem de segurar o crescimento da dívida e recuperar o poder de decisão perdido pelo acúmulo de dívidas com muitos dispêndios supérfluos a juros maiores do mundo. Por que a economia não anda? O drama está na renda baixa dos consumidores, que resulta da baixa produção, falta de emprego, muitas utilidades vindas de fora que, apesar de custarem menos, requerem pagamento em dólares e transferem empregos para o exterior. Então, o que o ministro Guedes e sua equipe deveriam fazer?

A física quântica vai às entranhas da matéria, às partículas mínimas como átomos, moléculas, nêutrons e prótons, mas o que une e vivifica a matéria? Tudo se resume a uma só coisa:o automático funcionamento das leis da natureza. Nada acontece por acaso, tudo tem a sua causa e razão de ser, mas o homem, dotado de livre arbítrio, ainda engatinha nessa questão. É preciso colocar-se com humildade diante dessa grandeza e observar que tudo se processa de forma simples e natural. Por quê? Para quê?

As leis naturais da Criação atuam permanentemente, mas a grande maioria imagina que elas nem existem, apesar de dia a dia nos defrontarmos com os seus efeitos, dos quais ninguém consegue se esgueirar. Por isso mesmo temos de permanecer atentos aos efeitos de nossas ações sobre nós mesmos e outras pessoas também, para não semearmos ruína e infelicidade à nossa volta. O semear é livre, a colheita, obrigatória.

Para entender a vida, estudar a natureza, sua lógica e sua beleza é o melhor caminho. O intelecto, com sua mania de grandeza, quer dominar. Cada ser humano tem de utilizar seus talentos e sua intuição para encontrar as respostas e deixar de ser um zumbi, um vivo que mais parece um morto sem força de vontade.

O ano de 2020 convoca os líderes e as pessoas em geral para um trabalho digno da espécie humana. O mundo está inquieto e receoso, mas o Brasil afundou muito e tem de sair do buraco, sanar dívidas e imoralidades, o que requer força e perseverança. Do jeito que estava indo havia o sério risco de o país deixar de ser uma nação com autodeterminação, embora ainda corra esse risco, pois os privilegiados reagem e não querem ceder, fazendo de tudo para semear a insatisfação, revolta e promover o caos.

O ano novo dá a grande oportunidade para sair do marasmo e da restrição do raciocínio rígido incapaz de enxergar a realidade da vida. Convida para aprofundar no saber da espiritualidade. “Diga com quem andas e direi quem és”. Escolher acertadamente as pessoas para diálogos e reflexões, mas é fundamental que sejam pessoas que visem o aprimoramento humano, sem dogmas ou misticismo, com toda clareza e lógica das leis da Natureza.

Tomemos a sabedoria da obra Mensagem do Graal, de Abdruschin: “O ser humano deveria ser o elo de união deixando-se guiar pela intuição pura transmitindo-a para a matéria grosseira, utilizando o raciocínio para implantar tais intuições na vida material, favorecendo e enobrecendo toda a Criação. O ser humano pleno e espiritualizado, não acorrentado e restringido pelo raciocínio, atua favorecendo e enobrecendo toda a Criação de matéria grosseira, como a grande finalidade dos seres humanos na Terra. Semeia paz e compreensão do significado da vida na Luz da Verdade.”

Esqueça as mágoas, as traições dos falsos amigos, a pressão dos invejosos; jogue tudo no fundo do mar para que perca a consistência e vire pó inofensivo. Liberte-se e renove-se com nova coragem e alento vivificador para ingressar firme e forte no novo ano, em busca de progresso e evolução.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ÉPOCA DE REFLEXÕES

As festas de final de ano são propícias para reflexões. É preciso enxergar a realidade da vida com clareza. Durante décadas, a humanidade descontente tem sido envolvida por sonhos utópicos de derrubar o poder e começar tudo de novo, o que levaria a outra situação que logo poria novamente a descoberto o mal-estar existencial decorrente do desconhecimento absoluto do significado da vida. Buscar esse saber deveria ser o grande alvo dos indivíduos, independentemente de onde nasceram e do que foram levados a acreditar. Hoje há desalento, comodismo e grupos radicais. A economia imediatista do dinheiro levou à globalização, a qual promoveu os desequilíbrios que assustam a humanidade.

Há mais de 30 anos atravessamos relaxamento econômico no país. Desde o tempo em que o Brasil se prestava para fornecer açúcar, café, ouro e outras preciosidades com regime escravocrata, não se formou um mercado interno forte dada a baixa renda e despreparo da população.

A política de dólar baixo inviabilizou a indústria e com isso foram trazidos produtos do exterior com preços baixos. Perdemos tempo, ampliamos o atraso. O mundo está convulsionado. Os EUA emitem dólares para o mercado financeiro, e os chineses produzem para abastecer o mundo, acumular dólares e investir de norte a sul. A competição é acirrada e o mercado interno continua fragilizado.

A globalização e os avanços no transporte fizeram com que populações semiestagnadas na economia de subsistência pudessem ser mobilizadas para a produção industrial com custo ínfimo, mas pouco se pensou nas consequências para o mundo, como o desemprego, queda de renda e desigualdade. A integração de mão de obra barata na produção globalizada, feita de forma imediatista e sem um planejamento, acarretou sérias consequências para a classe média. Deveria ter sido buscada uma forma menos traumática para melhorar as condições gerais de vida dessas populações.

A economia do Brasil permanece subordinada e dependente da exportação de matérias-primas e commodities, gerando poucos empregos e baixo valor agregado. A integração nas cadeias globais de produção deve ser feita sem desequilibrar ainda mais a economia do país Há no ar um cheiro de salve-se quem puder. Amplia-se pelo mundo a busca por acumulação de dinheiro, poder e a consequente desigualdade na partilha da renda; a diferença está apenas se a gestão é tipo empresarial ou centralizada no poder estatal.

Vivemos o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional, levando a luta pela sobrevivência a extremos jamais vistos. É preciso educar o ser humano efetivamente para a vida, para o bem geral. É preciso enxergar a realidade com clareza. O que restou sobre os ensinamentos de Jesus traz um ranço enganoso, místico e dogmático. O conhecimento do significado da vida deveria ser o grande alvo dos indivíduos. Com palavras simples, Jesus descrevia o processo natural do amadurecimento do germe espiritual que deveria se tornar verdadeiro ser humano. Três reis foram conduzidos para dar proteção, mas se retiraram.

Levou alguns séculos para o dinheiro se tornar o ídolo dominante. Os países foram estruturados para dar suporte legal ao dinheiro e, ao mesmo tempo, se tornarem deficitários. Vale tudo para acumular dinheiro e poder, a situação ficou difícil. No passado, havia expectativa de progresso e melhora, produzia-se, empregava-se. Depois vieram as dívidas e juros.

Os governantes passaram a achar que importar reduziria o custo de vida. A dívida explodiu no Brasil, Argentina e em outros países. Fala-se que o montante geral da dívida mundial ultrapassa 50 trilhões de dólares, um número muito perigoso para taxas de juros acima de zero. A ordem é fazer a despesa caber na receita. No entanto, os empregos estão sumindo, a atividade do governo na educação e saúde torna-se precária. O que fazer? Como gerar trabalho renda e investir no preparo dos jovens?

As novas gerações têm sido mal orientadas e conduzidas, não aprenderam a potencializar os talentos que deveriam ser empregados para o desenvolvimento individual e geral. Importa buscar o significado da vida, voltar-se para o bem, para a melhora das condições de vida, para o aprimoramento da espécie humana. Jesus falou disso tudo, indicou o caminho da Luz da Verdade, mas quem se lembra e pratica isso tudo?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

UMA NOVA SINTONIZAÇÃO

Um fim de ano aquecido nas Bolsas. No que diz respeito aos juros, provavelmente permanecerão estáveis para países altamente endividados e tentando conter a dívida, caso do Brasil. A prática de juros altos criou todo o artificialismo, sugou as energias e o país cambaleia; uma volta ao realismo, até quando? Mas o que acontecerá se no futuro os juros voltarem a subir? O rigor fiscal é importante, mas os sacrifícios estão nas costas dos mais fracos. A renda fica estagnada, mas os preços sobem. Estariam os especuladores preparando novo ciclo de valorização do real para lucros gordos?

Mais de sete bilhões de seres humanos estão sintonizados de forma errada perante as leis da natureza ou da Criação. Aumenta a turbulência porque as consequências estão pipocando por todos os lados, na vida individual, nas famílias, nas empresas e nos países, agravando a situação geral. Não faz muito tempo, os avós ensinavam que por pouco que seja é preciso poupar, não gastar tudo, ter uma reserva para emergência, ser independente. Hoje, poucos sabem de onde vieram e por que vivem. Infelizmente essa é a triste realidade que se apresenta em muitos países.

A ficção dá uma ideia do que vem ocorrendo atualmente, como no filme “As golpistas” que conta a história de um grupo de dançarinas de strip-tease que se unem para aplicar golpes em seus clientes – executivos de Wall Street. Para Destiny (Constance Wu) e sua “mentora” pessoal e profissional Ramona (Jennifer Lopez), “o mundo é uma boate de strip-tease”, e na realidade é isso mesmo que está acontecendo, acabando com o pouco de dignidade humana. As mulheres tiram a roupa e mostram seu corpo, os homens se embrutecem e, na vida real, tiram a máscara e mostram a sua hipocrisia e vileza para satisfazer à própria cobiça. Uma meleca que muitos não conseguiram ver por inteiro, retirando-se da sala, desapontados.

Estamos enfrentando um declínio civilizatório que avança pelo mundo e traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos. A decadência está penetrando também pelo uso de baixarias na arte, drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína.

Por que a humanidade entrou em processo de decadência e incivilidade? A essência espiritual dos seres humanos é a mesma, seja rico ou pobre, mas é indispensável cuidar bem do corpo – este grande presente -, se alimentar, se aprimorar, gerar filhos com responsabilidade e dar orientação a eles, buscar o sentido da vida.Tudo fica difícil, agravado com a falta de bom preparo das novas gerações desde os adventos da televisão de baixo nível e outros inventos, e o abandono da leitura de bons livros. Há muito superficialismo e pouco aprofundamento nas questões fundamentais da vida individual e da sociedade. Há grande empenho em manter tudo como está para assegurar os privilégios dos que se alojaram no topo.

Durante décadas, no pós-guerra, surgiu a sensação de esperança num mundo melhor, mas na luta por ganhos e conquistas as novas gerações passaram a ter sensação oposta, ou seja, de que a situação tende a piorar devido à cobiça desmedida. Na pressão aumentada na luta pela sobrevivência, a polidez e a consideração vão sendo postas de lado o que poderá levar a atitudes pouco civilizadas. Quanto mais aumenta a pressão, maior é a tendência da ação impulsiva de pessoas que não querem ouvir o sentimento intuitivo.

Estamos atravessando um desequilíbrio econômico mundial com aumento no desemprego e queda na renda. Há desordem nas contas públicas e dívidas elevadas. A economia está perdendo a vitalidade. Os bancos centrais imprimem mais dinheiro e baixam os juros. Em 2020 haverá eleições, fase em que se amenizam as disputas. No Brasil, após a eleição de 2014, apareceu o buraco que estamos amargando até hoje. O que se passará no mundo após a eleição americana de 2020? É preciso uma nova sintonização, o fortalecimento da vontade de melhorar as condições gerais de vida e de aprimorar a espécie humana.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora).  E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

HIPOCRISIA E FALSIDADE GLOBAL

Um sentimento de desapontamento começa a se expandir de forma incontida, gerando revoltas, mas ainda estamos longe da busca efetiva de melhora das condições gerais de vida e do aprimoramento da decaída espécie humana. A América Latina ainda sofre o efeito Pizarro, o conquistador que sufocou a civilização Inca com sua cobiça por ouro. Esse acontecimento norteou, explicitamente, por longo período, as intervenções na região, onde a prioridade era a pilhagem dos recursos naturais, enviando-os para o exterior, sem que resultasse em melhora nas condições de vida da população que acabou se acomodando aos ditames dos políticos demagogos, não raro subservientes a interesses externos.

Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações. Falta um sentido elevado para a vida e a espontânea alegria de viver. As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Na indolência, a força de vontade de buscar a Luz da Verdade sobre o significado da vida é fraca. O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que se aproveitam disso para implantar o caos para que a humanidade se perca nas brumas do descontentamento, sem um olhar sincero de gratidão para o Alto pelo dom da vida. Hoje, na Terra, nos ambientes de trabalho em geral, há falta da coesão e do pensamento homogêneo, todos juntos seguindo na direção do progresso com propósitos nobres e edificantes.

Uma característica que encontramos com frequência é a hipocrisia, o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa, na verdade, não possui, mas quer que os outros pensem que estão tratando com uma pessoa honesta, que exige que os outros tenham uma conduta correta, a qual no íntimo desdenha, e que ocultamente deixa de adotar. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis, ambos significando a representação de um ator e seu fingimento na interpretação de um papel. Atualmente, essa palavra designa pessoas que se comportam de forma enganosa e falsa para atingir seus fins.

Como o dinamismo da economia brasileira poderá ser despertado após longo período de gestão monetária e cambial contrária aos interesses do país? Qual é a verdade sobre a alta do dólar? Guerra comercial? Ameaça de recessão global? Déficit na balança de pagamentos? Se o Brasil não produz dólar, como mantê-lo barato? Durante décadas atraímos o dólar oportunista que vinha pelos juros mais altos do mundo, e pelas jogadas especulativas na Bolsa e no câmbio. A consequência foi a elevação da dívida e a estagnação da indústria. O dólar se tornou um fator geopolítico financeiro.

Os países se estruturaram para serem deficitários e cobrir seus déficits com financiamento, e tudo foi se tornando sem base, agravando-se com a corrupção. O dinheiro e os bens em geral não representam um mal em si; o mal está na cobiça que se instalou entre os humanos no “vale tudo” para acumular dinheiro. Enquanto isso, o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social domina o planeta, ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional.

O governo está deixando o câmbio flutuar mais livremente utilizando a reserva internacional. Quais serão as consequências da alta do dólar para o Brasil e o mundo? Países como o Brasil deveriam cuidar de seu povo e de sua economia, mas a dependência de dólares travou tudo e seus governantes não souberam como deveriam ter agido. A dependência de financiamento externo se tornou a grande armadilha para os países dependentes que se acomodaram com paliativos e juros elevados. O mercado financeiro global é implacável. Se a economia não for estruturada de forma equilibrada, o caos se alastrará.

A questão do dólar já era complicada no tempo do acordo de Bretton Woods. Com a ruptura, o governo americano perdeu o controle da moeda global da qual a maioria dos países se tornou dependente. Déficits, valorização do câmbio ou sua desvalorização se tornaram os fantasmas de muitos governantes. No Brasil a baixa dos juros pode estar afetando a cotação do dólar, mas, além disso, será que há outros fatores desconhecidos pelo público em geral? O país tem de ultrapassar essa ameaça com realismo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS GOLPISTAS

A respeito do filme “As golpistas”, que conta a história de um grupo de dançarinas de strip-tease que se unem para aplicar golpes em seus clientes – executivos de Wall Street – o que se poderia dizer? Para Destiny (Constance Wu) e sua “mentora” pessoal e profissional, Ramona (Jennifer Lopez), “o mundo é uma boate de striptease”, e na realidade é isso mesmo que está acontecendo, acabando com o pouco de dignidade humana. As mulheres tiram a roupa e mostram seu corpo, embrutecendo os homens. Na vida real, os homens tiram a máscara e mostram a sua hipocrisia e vileza para atender à própria cobiça. Uma meleca que muitos não conseguiram ver por inteiro, retirando-se da sala, desapontados.

Modernismo não é a pregação da libertinagem e comportamento desenfreado. O século 21 apresenta as incoerências da civilização materialista que forjou a economia da cobiça, do acúmulo e controle do dinheiro, que se sobrepõe às ideologias de direita e esquerda, colocando o dinheiro acima de tudo o mais, provocando aumento da miséria e precarização geral. Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações.

Falta um sentido elevado e a espontânea alegria de viver. As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Estamos enfrentando um grande declínio civilizatório que traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge. Uma crise civilizatória avança pelo mundo, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos. A decadência está penetrando também pela falsa cultura, uso de drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína.

A ECONOMIA CAPITALISTA

Como o Brasil poderá se integrar na economia globalizada sem se tornar dependente da extração de matérias primas e commodities, com poucos empregos e baixo valor agregado? Como essa integração poderia ser feita sem desequilibrar ainda mais o país? A expressão economia capitalista evoca um sentimento de perda e dificuldades. Após as guerras do século 20 surgiram promessas de melhora geral das condições de vida que não podem mais ser mantidas devido à crise econômica mesclada com corrupção, tirania e concentração da renda.

Nos anos 1960, uma parte da juventude descontente, inspirada por Castro e Guevara, queria implantar a igualdade com bombas. A mídia televisiva exerceu forte influência sobre as novas gerações disseminando maus costumes e uma visão falsa da vida. Em São Paulo, uma recente festa de rua conhecida como “pancadão”, realizada na comunidade Paraisópolis, teve desfecho trágico. Como essas festas funcionam, o que elas trazem de benéfico ao lazer e a cultura para milhares de jovens? Há bebidas e drogas?

É lamentável que os jovens não se utilizem de opções de lazer construtivo como a leitura de bons livros, o que contribui para melhorar a escrita e o raciocínio, além de jogos aritméticos, atividades esportivas, ginástica, enfim o aprendizado geral e o bom preparo para a vida e o idealismo que visa o aprimoramento da espécie humana. Há tantas coisas nobres, basta querer, mas a indolência espiritual tomou conta do mundo.

O século 21 apresenta as incoerências da civilização materialista que forjou a economia da cobiça, do acúmulo e controle do dinheiro, que se sobrepõe às ideologias de direita e esquerda, colocando o dinheiro acima de tudo o mais, provocando aumento da miséria e asperezas e precarização geral. Havia nítida separação entre os sistemas econômicos e suas teorias que agora se assemelham visando o mesmo fim, acumulação de dinheiro, diferentes apenas no comandado, se por gestão empresarial privada ou centralizada no poder estatal.

Vivemos num mundo acelerado e ansioso que impulsiona o cérebro para pensar sem parar, retirando a serenidade e a paciência. As pessoas querem tudo resolvido na hora sem observar a naturalidade. É preciso conservar puro o foco dos pensamentos. Os seres humanos viventes na Terra são dotados de espírito, corpo e a mente, onde se desenvolve a atividade cerebral de pensar e raciocinar. O cérebro absorve as informações que recebe, cria conceitos guardando-os na memória, surge uma personalidade que em geral não se esforça por ouvir o próprio espírito que se torna um estranho naquele corpo dominado pelo cérebro.

No cenário angustiante, a vida se torna áspera e entediante porque o espírito está travado, não atua porque o cérebro tomou conta de tudo; mas o cérebro não dispõe da energia espiritual que deve chegar através da voz do espírito, a intuição, pois quer fazer tudo sozinho e suas criações são pesadas, frias, sem calor humano. Para que haja paz e progresso o espírito tem que se movimentar, beneficiar e enobrecer. O espírito renasce várias vezes, pois a vida é um processo contínuo. A mente tem que ouvir, se aquietar e colaborar.

Envolvida pela escuridão trevosa, a humanidade enfrenta as consequências de seus atos. A miséria é opressora. Caótica é a situação geral e incontrolável a agressiva selvageria urbana. As massas estão descontentes diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Os salários tendem para o mínimo nesta fase em que se busca a mão de obra de menor custo. Uma boa saída seriam os programas de participação nos resultados. O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que querem implantar o caos para que a humanidade se perca sem um olhar sincero de gratidão, para o Alto, pelo dom da vida.

Estamos no mês de dezembro. Excelente oportunidade para refletir sobre as palavras do Mestre Jesus: “Bem-aventurados os que têm de suportar sofrimentos, pois serão consolados! Não vos lamenteis quando a dor cair sobre vós. Suportai-a e sede fortes. Sofrimento algum pode vos atingir sem que o permitais, mas aprendei por meio desse sofrimento e transformai-vos em vosso íntimo, pois assim ele vos deixará, e vos tornareis livres! Bem-aventurados aqueles que aceitam com simplicidade o que é verdadeiro, pois deles é o reino dos céus.” (Do livro Jesus o Amor de Deus)

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

 

O ENIGMA DAS DOENÇAS E DOS SOFRIMENTOS

O mal-estar da civilização avança pelo mundo, da Europa à China e nas Américas. Qual é a origem? A humanidade está tomada pelo sentimento de insatisfação. A depressão se tornou a grande epidemia que mostra os seus efeitos no cérebro, porém mais do que doença mental, é uma doença da alma. Os seres humanos estão perdendo a naturalidade agindo de forma performática como se estivessem representando um papel aparentando ser o que não são. A insatisfação e a desesperança levam ao medo, este ao ódio, e este abre as portas para as “fúrias” – as constelações de sentimentos e pensamentos de revolta e vingança que se opõem as “benévolas” – as formas benéficas que visam a paz e a harmonia.

Para entender os problemas que afligem o mundo é preciso buscar as causas espirituais. O ser humano se entregou ao materialismo e para isso teve que sufocar a espiritualidade, mas o mundo material criado pelo intelecto é frio e áspero, rouba energia, enfraquece o ser humano e acarreta doenças.

“É justamente o sofrimento que obriga a humanidade de hoje a se ocupar mais com a sua existência na Criação. A mais ninguém é possível viver surda e cegamente, colocando-se de lado, pois o sofrimento chega para cada um de alguma forma. Enquanto o espírito, a alma e o corpo cooperavam harmoniosamente, as doenças eram desconhecidas. Os corpos terrenos eram obras miraculosas funcionando perfeitamente, que refletiam a perfeição do Onipotente Criador”. (trecho do O Livro do Juízo Final, Roselis von Sass)

DEMOCRACIA E TIRANIA

Não é só o Brasil, como fazem crer muitas notícias, mas o mundo todo parece estar no fim da linha. O desequilíbrio é geral: econômico, social, moral e espiritual. O economista e filósofo Karl Polanyi, em meio da guerra dos anos 1940, antevia a mecanização do ser humano transformado em mero instrumento de trabalho, sem finalidades mais elevadas. Nos anos 1930, Abdruschin, na Alemanha, também advertia publicando a obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal mostrando como o ser humano foi semeando o declínio ao longo dos milênios.

As correntes religiosas, os adeptos do liberalismo econômico e da regulação pelo estado já se digladiavam sem querer reconhecer as causas da miséria e sofrimento. As duas guerras, a crise de1929, a ascensão do nazismo, mostravam que os humanos estavam fazendo valer os ditames de seu intelecto frio que dominou a alma e tudo que já era crítico no século 20 ficou pior no século 21 porque a humanidade chegou mais perto do abismo.

Nesta fase da globalização, o cientista político norte-americano Steven Levitsky não poderia dissociar seu livro A morte das democracias das questões da economia e da demografia. O poder mundial se concentrou junto às finanças e produção. A grande concentração financeira se postou acima de qualquer restrição, assim como o avanço econômico da China, a qual, com leis próprias produz tudo em larga escala para exportar. Os países periféricos ficam à margem, pois seus governantes como Nicolás Maduro e Evo Morales, por exemplo, pintam e bordam, mas mundialmente nada influenciam, e a população de seus respectivos países fica subordinada aos ditames tirânicos e não consegue evoluir.

Países que acumularam riqueza fecharam as fábricas e se habituaram a viver de juros e ganhos especulativos, deixando que outros os sustentem. Mas o panorama está mudando com a concentração da produção na Ásia, com a queda dos juros e estagnação das valorizações. De longa data os maus estadistas dilapidaram o Brasil e não aceitam perder os privilégios. A dívida e o desequilíbrio das contas travaram tudo, saltando de 51,5 % para 79% do PIB. O governo tem que dosar o uso do dinheiro porque se tudo que conseguir for usado só para os credores, o Brasil poderá emperrar.

No câmbio, pratica-se o jogo da especulação com moedas. O Japão valorizou o iene e penou para continuar exportando. Aqui o real foi valorizado facilitando a importação de bens de consumo. Na fase de guerra comercial, dólar mais caro encarece importações, complicando para a China. Até onde vai essa valorização do dólar? Juros baixos nos EUA reduzem o rendimento dos aplicadores graúdos como a China, mas não há onde aplicar as reservas com ganhos e segurança. Há muitos dólares criados pelos BCs sem ter onde aplicar.

As palavras se tornaram armas pelo uso ardiloso e falso. Se nação significa a aglutinação de um povo com as tradições herdadas do convívio com a natureza e suas leis, como dizer que a nação é coisa nociva? O correto seria esclarecer que nocivos são os tiranos que usurpam o poder para satisfazer a própria cobiça. Os povos estão perdendo as suas individualidades que, se mantidas naturalmente, sem dogmatismo ou misticismo, promovem a interdependência, a complementaridade e o progresso. Na mesa da fartura dos recursos naturais os mais astutos, para satisfazer sua cobiça, se postam na frente, dominando esses recursos e as finanças, desprezando as nacionalidades e suas culturas.

A cobiça de poder dos humanos tem reduzido a hospitalidade da Terra com sua generosa natureza. Com o desencadeamento simultâneo de muitos acontecimentos há um emaranhado de insatisfações e ansiedades. A humanidade se afastou do significado da vida, entregando-se a uma forma de viver estruturada por conceitos criados pela mente voltada para o materialismo. Um sentimento de desapontamento com a espécie humana começa a se expandir.

Urge cultivar o som do silêncio. Aproveitar o tempo, manter a serenidade, evoluir espiritualmente, ser humano de fato. Temos de amenizar as asperezas. Muitos acontecimentos desagradáveis e agressivos começam a se desencadear pelo mundo. Como solucionar tantos problemas se faltam líderes sábios, amantes da paz, que priorizem o bem da espécie humana? É preciso formar equipes coesas que se auxiliem mutuamente e restabeleçam a hospitalidade natural da Terra.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

BROOKLYN – SEM PAI NEM MÃE

O filme Brooklyn – Sem pai nem mãe conta a história de Lionel Essrog, interpretado por Edward Norton, que cresceu num orfanato e aprendeu muitas coisas com seu chefe, amigo e mentor Frank Minna, vivido por Bruce Willis, líder de uma agência de detetives que o empregou desde a adolescência. Minna foi assassinado por tentar extorquir dinheiro do magnata da construção Moses, interpretado por Alec Baldwin, em Nova York, nos anos 1950. Na trama, Lionel é um detetive particular e solitário, que possui a síndrome de Tourette, distúrbio que faz com que a pessoa perca o controle sobre suas falas e ações.

O cenário é convincente, mostrando as ruas e os automóveis como eram naquela época. O pano de fundo é o poder municipal na cidade de Nova York. A trama segura a atenção, mas há momentos que fica um pouco confusa. Tentando descobrir quem foi o responsável pela morte de Frank, Lionel conhece Laura Rose (Gugu Mbattha Raw), advogada ativista que saiu em defesa dos moradores de um bairro visado pela especulação imobiliária. No desvendamento da causa do assassinato de Frank a trama fica confusa e ocorrem algumas incoerências, mas mostra claramente como os homens podem se tornar implacáveis para conservar o poder em suas mãos.

Mose diz que, ao ter poder sobre as pessoas, tem como decidir sobre o destino das demais à sua volta, incluindo ou excluindo as que quiser, conforme lhe aprouver. Mas se alguém atrapalhar seus planos, não terá como ir adiante, pois será neutralizado, marginalizado e excluído, e se insistir, sofrerá punições mais pesadas.

Os acontecimentos mostram o confronto entre os seres humanos de raciocínio frio e calculista, quando se trata de obter ganhos e poder, em contraposição aos idealistas que almejam o aprimoramento da espécie humana com nobreza. Lionel não se deixa fisgar pela promessa de receber um montão de dólares para sair do caminho de Mose, demonstrando que tem vontade própria e determinação, coisa estranha para os homens do poder habituados a serem bajulados e obedecidos cegamente.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7