UM “COVID” À REFLEXÃO

Estamos atravessando um tempo de difíceis provas, que cobra fortalecimento moral, emocional e, principalmente, espiritual.

Desde que entramos nesses tempos de pandemia, que venho matutando com meus botões. Percebi que esse vírus nos precipitou bruscamente numa espécie de inverno social. O inverno é o tempo em que a natureza se recolhe, hiberna, se encasula, volta para si mesma, em uma sábia espera de que o clima se torne novamente propício para a expansão.

O gênero humano foi obrigado a se encapsular contra sua vontade. Foi obrigado a se recolher dentro de seus casulos/casas, sob pena de não sobreviver à nevasca em forma de contágios virais que se formou lá fora. Dentro de casa fomos forçados a um olhar mais demorado em direção àqueles que convivem conosco. Relacionamentos recentes, ou de longos anos, se viram desnudos pela convivência constante e de tempo integral.

E descobrimos defeitos e virtudes em quem está ao nosso lado, e que muitas vezes são, na verdade, reflexos de nossos próprios defeitos e virtudes. Houve quem cortou, e houve quem aprofundou laços emocionais e afetivos. E também houve quem mergulhou dentro de si mesmo para encontrar respostas para tantas perguntas que se formaram.

Por que fomos repentinamente freados em nosso cotidiano corre-corre, onde nossa atenção era dirigida quase que exclusivamente ao mundo externo?

Por que muitos foram obrigados a se distanciar das pessoas amadas, enquanto outros nem tiveram a chance de se despedir daqueles que lhes eram caros?

A verdade é que um pequeno ser invisível escancarou toda nossa fragilidade e despreparo. Onde está a poderosa raça humana que fabricou modernos equipamentos para explorar o Universo, mas que sucumbe a um vírus que derrota sem piedade sistemas imunológicos de idosos e jovens; de ricos e pobres; de instruídos e de analfabetos?

Não, o inverno social não se abateu sobre nós por mero acaso. E quem não aproveitar esse momento para reflexão terá deixado passar um desses raros momentos em que algo instiga a humanidade a repensar seu modo de viver.

Nunca a vida foi tão preciosa. E nunca foi tão necessário lembrar Daquele que nos presenteou com ela. Se vamos sobreviver à pandemia (e vamos), que seja com ganhos.

E ganhar, nesse momento, significa compreender que estamos atravessando um tempo de difíceis provas, que cobra fortalecimento moral, emocional, e principalmente, espiritual.

A oportunidade agora é que aproveitemos o tempo da melhor forma possível dentro do casulo, para que quando o verão social retornar, possamos sair transformados em belas e livres borboletas, prontas para alcançar inéditos e fascinantes voos.

E que nossa metamorfose seja de hábitos, valores e crenças.

Artigo escrito por Bernardete Ribeiro

COMO SERÁ 2021?

O que a globalização trouxe de bom para a humanidade? Como será organizada a vida e o abastecimento de oito bilhões de bocas? Os suprimentos estão sob pressão. Não é por acaso que alguns itens produzidos na natureza têm seus preços reajustados. Os acontecimentos estão mostrando aspectos perigosos do atual sistema econômico. Os países deixaram de produzir internamente e se tornaram reféns da produção externa e do transporte. Se nada for feito, muito em breve teremos crises não imaginadas no abastecimento e na segurança social.

A economia se distanciou da meta de promover a continuada melhora nas condições gerais de vida, passando a priorizar o objetivo de acumular capital financeiro e poder. O resultado é a gritante instabilidade geral e o aumento da miséria coletiva. Cada povo tem de se voltar para si mesmo, para a melhoria interna, criando oportunidades, trabalhando com esmero, recebendo a adequada compensação, aproveitando as horas de lazer de forma construtiva.

As condições de vida vêm piorando, pois não há tempo para viver, aprender e ser feliz. A Europa sempre tirou proveito do resto do mundo. A Inglaterra interferiu em tudo em benefício próprio. Os EUA inventaram o dólar e tomaram conta do mundo. A China quer recuperação de seu passado difícil e se tornar forte e poderosa, transformando-se na usina do faz tudo.

O Brasil está pendurado nas dívidas. A situação não comporta bravatas nem brincadeiras. Reativar a economia e manter a autonomia são imperativos. O acúmulo de dificuldades para a economia do país foi criado ao longo de várias décadas de políticas inadequadas, no câmbio, nos juros, na indústria, na educação, que foram castrando o touro que havia na economia brasileira.

A forte geração de empreendedores que puxavam a produção e o consumo no século 20 perdeu o pique, ou quebrou, ou se desfez das empresas. A renda evaporou para empregados em geral, pequenos empresários, serviços, locatários; assim fica difícil a recuperação do nível passado. Aquecidos estão a Bolsa e o bitcoin em função do dinheiro que saiu da renda fixa, mas são operações de risco e não se sabe até onde isso vai. O Brasil precisa de produção, empregos, renda, consumo, arrecadação, população desperta, governantes sérios e patriotas.

O Brasil e o mundo têm de voltar ao natural, ao respeito às leis da vida. Se isso tivesse ocorrido, não teríamos chegado ao descalabro da explosão demográfica e do despreparo geral, atraindo precarização crescente. Natural seria o alvo de conduzir a espécie humana ao aprimoramento para que ela não descaísse aos abismos da fome, das pandemias, da corrupção e tantas baixarias. Pela frente virão 365 dias; o que vai mudar para o bem da humanidade?

O Brasil está sem rumo há tempos. D. Pedro II tinha uma visão geral do mundo, trabalhou para eliminar o trabalho escravo, mas a dinastia extrativista se mantinha inflexível na produção agrícola de exportação sem técnica. Com a república corrupta ficou pior. A maioria dos presidentes e governadores foram uns inúteis e nada fizeram pelo país. Alguns generais não compreendiam a estrutura monetária criada em Breton Woods e endividaram o país sem criar uma base sólida de indústria e tecnologia; o resto tem sido só remendos e despreparo geral. As trevas encobrem o Brasil que precisa de estadistas patriotas e sábios, que semeiem contentamento e gratidão sob a Luz da Verdade.

O termo “estado-nação” implica uma situação em que os dois são coincidentes. O estado-nação afirma-se por meio de uma ideologia, uma estrutura jurídica, a capacidade de impor uma soberania sobre um povo num dado território com fronteiras, com uma moeda própria e forças armadas próprias também. Tudo deveria surgir de forma natural no livre mercado com propriedade privada, concorrência e produção decidida pelas empresas em atendimento às necessidades dos consumidores.

A ideia era boa, mas foi corroída, faltou o reconhecimento das leis naturais da Criação como base, e os homens criaram as próprias leis segundo suas cobiças e interesses próprios. Corrupção e decadência se espraiaram pelo mundo. A população atingiu níveis impensados. A ignorância subiu às cabeças. O que virá agora pelo mundo? Como será 2021? Se o ser humano se tornar um ser mais humano tudo será mais fácil de resolver e teremos um ano melhor.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

CALMARIA

Calmaria não é um filme absurdo como algumas pessoas o julgaram; é algo que ficou estranho porque perdemos a capacidade de entender os acontecimentos em decorrência da forma restrita de considerar a vida na Terra como sendo uma única existência. O enredo trata da forte ligação entre o dono de um barco de pesca e que também leva turistas para passear Baker Dill (Matthew McConaughey) e seu filho Patrick (Rafael Sayeg), que vivia com a mãe Karen (Anne Hathaway) e o padrasto (Jason Clarke), um homem arrogante e rude com o menino e com a mãe, razão pela qual Patrick nutria ódio por ele.

Dill estava sem rumo numa região estranha para ele, mas foi para lá que os fios do destino tecidos por ele mesmo o encaminharam. Há uma grande luta que Steven Knight, o roteirista, chamou de jogo, mas é um embate de vontades: trata-se do jogo da vida formado pelo querer, pensamentos, sentimentos e ações; vale a intenção.

Na Terra ou fora dela os seres humanos manifestam o seu querer vivenciando-o intensamente como num sonho ou pesadelo. O querer, alimentado intensamente, tem o poder de atrair a igual espécie, foi isso o que acabou acontecendo entre o padrasto e seu enteado num choque desordenado de incompreensões, estando Dill coparticipando e vivenciando tudo com paixão e voracidade, até que se tornou consciente de onde estava para poder prosseguir sua jornada. Evidentemente o filme se apresenta limitado em relação a todos os acontecimentos, mas não deixa de ser um incentivo para as pessoas procurarem entender melhor a vida e seu significado e a responsabilidade de cada ser humano com as suas intenções, e não apenas com seus atos.

EU SÓ POSSO IMAGINAR

Bart Millard (J. Michael Finley), vocalista de uma banda cristã, nasceu numa família desestruturada. Considerava seu pai Arthur (Dennis Quaid) um monstro porque ele não entendia o amor que sentia pela música. A relação entre ambos é o núcleo emocional do filme “Eu só posso imaginar”. No enredo, a mãe foi embora por não aguentar mais os maus tratos. Uma infância sofrida que tornou Bart descontente com a vida. Nada acontece por acaso. Por que Bart nasceu naquela família? Muitas almas estão aflitas buscando nova oportunidade para uma existência no mundo material, sendo atraídas pela igual espécie e pelos fios do destino que cada ser humano tece para si mesmo.

Uma nova vida, uma nova oportunidade para a criança e seus pais. E de fato para o pai foi uma oportunidade de reconhecer seu modo errado de viver. Conhecer o significado da vida e suas leis, evoluir, beneficiar, enobrecer são tarefas dos seres humanos que com displicência passam pela vida jogando fora o precioso tempo, e acabam saindo do corpo mais sobrecarregados do que quando chegaram para uma nova oportunidade. Bart teve uma visão espiritual do pai, que havia falecido, ao cantar Eu só posso imaginar (I can only imagine). “Procurai e Achareis o verdadeiro caminho para a Luz”.

RUPTURA GLOBAL

O mundo se acha num ponto de ruptura, o efeito de um corte no modo de viver escarrapachado de até agora, descomprometido com o significado e finalidade da vida. Ruptura com o modo de viver displicente que não quer assumir qualquer responsabilidade por seus atos, pensando só em saborear a vida e seus prazeres sem um olhar sério para o futuro. Recebemos um corpo que tem prazo de validade para o seu funcionamento e que não pode fugir aos efeitos naturais do tempo. Para sair da vida rasteira, a humanidade precisa de nova sintonização: o fortalecimento da vontade de melhorar as condições gerais de vida e de aprimorar a espécie humana.

Todos estão aguardando a vacina. A cada dia há novas informações impactantes sobre como a mutação da covid-19 está ocorrendo na Inglaterra e em vários países da Europa; mas é preciso pensar em alternativas para que a vida e a produção prossigam de alguma forma, já que está difícil a volta ao velho normal. Ficar parado esperando quebra a cadeia da economia. Não podemos parar de produzir pão, de educar as crianças e de prosseguir com todos os cuidados necessários.

As monarquias acabaram e em seu lugar surgiu o Estado-nação, afastado da religião, e republicano, em que o chefe de Estado permanece no poder por tempo limitado e teoricamente é escolhido pelo povo. Haveria no presente algo em gestação como o fim do Estado, das nações, das fronteiras? Governo e moeda mundial? Fim do poder da classe política que aprendeu as artimanhas para manipular os eleitores e os votos, e de atuar por interesse próprio, ou seria algo mais intenso como o fim dos dias?

Muitos olham para a China e sua mão de obra barata. O problema não é frear a China; mas destravar os outros países, como o Brasil, cujo PIB foi caindo, gerando perda de empregos e tecnologia e agora está sem energia para prosseguir e aproveitar os recursos ofertados a esta terra de Vera Cruz, já que seus políticos deram prioridade aos próprios bolsos, induziram a população a perder a sabedoria, e abriram as portas a estrangeiros gananciosos que só queriam tirar proveito extraindo a riqueza que podiam, prejudicando a população indolente em sua ingenuidade. Brasil, baú de riquezas para os oportunistas ou lar de seres humanos que querem o bem? O Brasil precisa de algo concreto para produzir mais, criar empregos, renda, consumo, arrecadação.

Os brasileiros precisam ler mais. O pessoal foi perdendo a noção da importância de ler e escrever para o bom desenvolvimento do cérebro, deixando de ter clareza no pensar, discernimento e raciocínio lúcido. Isso também está provocando o declínio do Brasil, fazendo-o retroceder em vez de se aprimorar.

Como o dinheiro é obtido? Os seres humanos se esquecem de que na Terra todos nós temos um prazo de validade. A riqueza constituída de forma honesta não é um mal em si; o mal está na forma como é utilizada. A tarefa de todo ser humano é ser responsável e contribuir para a melhora geral das condições de vida no planeta e não ficar cobiçando mais e mais dinheiro e poder, que ficará tudo aí, gerando brigas entre aqueles que disputam o espólio da pessoa falecida.

É realmente desanimadora e preocupante a situação da humanidade no planeta Terra. Falta serenidade e momentos de reflexão. Tudo se tornou áspero e pesado, de informativos a filmes. Parece que o objetivo oculto das trevas seja acabar com o “coração”, aquela qualidade que faz do ser humano um verdadeiro ser humano.

O ser humano não pode parar. Tem de seguir em frente sempre de forma adequada à idade do corpo, sempre querendo o bem, atento para não causar danos a si mesmo nem a outras criaturas. A grande festa do Natal deveria ser fonte de Renovação e Transformação dos humanos em seres realmente humanos! Que 2021 seja o ano das realizações. Na vida enfrentamos muitos embates que sugam a nossa energia e ficamos com déficit, fragilizando o corpo. Com vigilância, reflexão intuitiva, repouso, boa alimentação e atuação voltada para o bem, a energia vai sendo reposta. Vamos para 2021 bem humorados, com saúde e energia para concluir realizações que sejam benéficas!

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A ESTRELA BRILHANTE

Há muito tempo a humanidade se esmera em exterminar o próprio futuro, a começar pela destruição da natureza. Quase oito bilhões de seres humanos estão sintonizados de forma errada perante as leis da natureza ou da Criação. Aumenta a turbulência porque as consequências estão pipocando por todos os lados, na vida individual, nas famílias, nas empresas e nos países agravando a situação geral. Acelera-se a decadência humana.

O século 20, com suas guerras sangrentas, foi um tempo em que ainda havia previsibilidade. Os seres humanos planejavam e seus objetivos iam sendo alcançados sem grandes embaraços. É lamentável que grande parte desses planos não visavam o bem geral e o progresso real. Tudo caminhava para que a reciprocidade natural da Criação passasse a se manifestar de forma mais rápida. Surgiu o conceito VUCA, sigla em inglês significando as aceleradas transformações: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade).

Essa nova interpretação da realidade mostra aceleração das consequências decorrentes das resoluções tomadas que até então se processavam mais lentamente, mas que hoje têm eclosão acelerada. As resoluções são as sementes que logo produzem os frutos, bons ou maus conforme o querer envolvido. Tudo se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres em seu querer e em suas resoluções. É preciso uma nova sintonização, o fortalecimento da vontade de melhorar as condições gerais de vida e de aprimorar a espécie humana.

A humanidade está com o foco voltado para a vacina como o meio para a interrupção da continuação e evolução da pandemia de forma que tudo possa voltar a ser como era antes do alastramento da covid-19. A cada dia surgem novas informações impactantes como a da mutação do vírus que está ocorrendo na Inglaterra. Já que está difícil a volta ao velho normal é preciso pensar em alternativas para que a vida prossiga afastada da indolência espiritual. Ficar parado esperando quebrará a cadeia da economia, fazendo-a parar. Não podemos parar de produzir pão, de educar as crianças e de seguir em frente com todos os cuidados necessários.

Quando a estrela da promessa brilhou sobre Belém, Luz deveria ter se firmado na Terra. As trevas dominavam os seres humanos fazendo-os se rebaixarem cada vez mais. O Criador, a Luz, enviou o Seu filho encarnado em Jesus para desobstruir o canal encoberto pelas trevas. A humanidade recebeu Jesus com hostilidades, mas o canal da Luz ficou aberto, dando forças aos seres humanos que procuram a Luz da Verdade com sinceridade.

No Brasil, nota-se alguma melhora e tentativa de mudar ou atenuar o comportamento corrupto que nas últimas décadas se generalizou entre os poderes. A democracia brasileira vai mal devido às manipulações dos políticos astutos que só se lembram dos eleitores que moram em regiões precárias na época das eleições, oferecendo cerveja e churrasco para conseguirem seus votos. Falta interesse para elevar o nível geral da população, o que torna inevitável a decadência humana do país.

Ficamos fornecendo matéria-prima e alimentos, barateando os importados com dólar artificialmente barato, enquanto a indústria submergia. Permanecemos sem autossuficiência financeira. Estamos enfrentando uma grande crise moral. Chegamos ao limite da desfaçatez na exploração dos recursos naturais e financeiros do país. E agora? Qual seria a fórmula para evitar uma decadência ainda maior? Que o digam nossos ilustres políticos. Temos 513 deputados federais, mais senadores, mais deputados estaduais, vereadores, prefeitos, governadores, juízes, todos bem qualificados. Que espécie de Brasil eles querem para a população?

A história está num vai e vem. Veio o neoliberalismo pregando o estado mínimo e privatizações, afinal os Estados tinham dívidas a pagar. Hoje muito se fala em governo mundial em substituição aos políticos corruptos; em padronização do consumo e do comportamento cerceando as individualidades e liberdades. Falta fortalecer nos jovens a vontade de construir um mundo decente.

A essência do ser humano, que vem sendo erodida há séculos, poderá ser extinta totalmente. A alma, já indolente, vai ficando cada vez com menos espaço para atuar. Necessitamos de líderes empenhados no beneficiamento do planeta e sua população, e no aprimoramento da espécie humana que deveria ser responsável pela humanização da tecnologia, mas que em vez disso está se tornando mecânica, com pouca inspiração e nenhuma intuição.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

CRISE ECONÔMICA E MÁS NOTÍCIAS

Há no mundo um grave problema no preparo das novas gerações que está sendo direcionado unilateralmente para o trabalho e o consumo, sufocando as individualidades. Com a robotização e a padronização da divisão das tarefas, foi gerada uma atmosfera abafadiça que está trazendo o desencanto e estresse nos jovens. As explicações sobre os ensinamentos de Jesus se afastaram daquilo que ele realmente falou. As imposições introduzidas chegaram ao ponto em que a crença cega foi abandonada, mas nada havia para substituí-la.

Com o embotamento espiritual, o intelecto avançou nas ideias ateístas e materialistas. Jesus veio para trazer a Luz e a Verdade sobre a vida para os seres humanos que afundavam nas trevas. Como sair da alienação do significado da vida que se distanciou de propósitos enobrecedores?

Einstein, Darwin, Newton e muitos outros reconheciam a existência de poderosas leis reguladoras da natureza e da vida. Por isso a importância, até hoje não compreendida, de iniciar o aprendizado infantil através das belezas da natureza e seu encadeamento lógico de causas e efeitos, para inspirar novos cientistas como os acima citados que pesquisavam a natureza para adquirir saber real. Como o ser humano deve ser preparado para a vida?

O bom preparo das novas gerações é questão que vem sendo descuidada no Brasil e no mundo, e com isso ameaçando o futuro do país e do planeta. De longa data, estão sendo submetidas ao tratamento pão, circo e indolência para raciocinar com lucidez sobre a vida. Não se trata só de falta de oportunidades para aprender e trabalhar, mas de oportunidades de se aprimorar como ser humano, de sonhar e contribuir para um mundo melhor, trabalhar, progredir, não ser um ignorante inútil.

O coice é um movimento de defesa próprio dos quadrúpedes, que consiste num golpe desferido com as patas traseiras. Tem muita força e pode ferir mortalmente. A aspereza da vida no século 21 pode ser definida como uma sucessão de coices que, vindos de todos os lados, derrubam a energia. Há muitas pessoas brutas no trabalho, no trânsito, nas estradas.

Muitos seres humanos não conseguem evitar serem rudes com o próximo. Isso acontece até entre os diplomatas que cuidam dos interesses das nações. Falta consideração humana. Muitas pessoas estão percebendo que com tantas diferenças de caráter é preciso se resguardar, falar pouco, olhar onde pisa, estar vigilante e em oração, porque estamos vivendo a temporada dos coices.

Vivemos na era das colheitas, os efeitos de todas as ações humanas se aceleram. A falta de visão para a necessidade da evolução espiritual tem acarretado a formação de gerações menos aptas e dispostas a buscar o saber do significado da vida. A falta de integração com as leis da natureza está acarretando desequilíbrios acima da capacidade humana de restabelecer a normalidade.

A pandemia da covid-19 tem movimentado pessoas solidárias de forma espontânea e voluntária. Pessoas que definem seus propósitos e vão atrás, e por isso vivem melhor, se alegram mais, são mais ativas. Mas a falta disso tem afetado a qualidade da espécie humana que tem se tornado mais egoísta, o que se reflete nas famílias, nas empresas e nos governos.

Há uma boa dose de preocupação com os cuidados com a covid-19: máscara, luvas, álcool, distanciamento social. As estatísticas dizem que acidentes de trânsito, em 2018, atingiram a triste marca de 23,4 mortes por 100 mil habitantes, considerada muito alta. No Brasil, uma pessoa morre a cada 15 minutos por causa de acidentes de trânsito. A cada dois minutos, um ser humano sofre sequelas por causa de ferimentos, então por que essa desgraça que vem se repetindo há anos não tem sido objeto de campanha permanente de educação e prevenção?

O Brasil vem declinando desde os anos 1980; de lá para cá faltou governança competente e idônea. A moda agora é jogar a responsabilidade de todo esse caos no governo atual e sua equipe. Falta honestidade; em vez de cooperarem na recuperação do país, se esforçam para afundá-lo. Como bem afirmou João Paulo Ferreira, presidente da Natura, “vamos entrar em 2021 com onda de más notícias e dificuldades do ponto de vista econômico”. Onde estão os nobres sonhos de melhor futuro?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

EM SE QUERENDO…SE ATRAI (1ª PARTE)

“A força viva criadora que perflui os seres humanos congrega, pela vontade concentrada de um pensamento realizado, algo de matéria fina e acaba concretizando-a numa forma que expressa a vontade desse pensamento. Portanto, algo real, vivo, que nesse mundo de formas de pensamentos, através da lei de atração da igual espécie, atrai elementos análogos ou por eles se deixa atrair, conforme suas próprias forças.Densamente povoado é esse mundo de pensamentos. Centrais inteiras têm se formado pela força de atração recíproca, das quais, devido às suas forças concentradas, emanam influências sobre os seres humanos.” (ABDRUSCHIN, Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, São Paulo: Ordem do Graal na Terra, Vol. II, 2008)

Diz-me com quem andas, e te direi quem és.” A citação atribuída a Johann Wolfgang Von Goethe, escritor Alemão, como muitas outras mais semelhantes, tornaram-se ditos populares que expressam na verdade, uma Lei da Criação: A Lei da Atração das Espécies Iguais.

Inconsciente no Reino do espírito, o germe ou a semente espiritual somente poderá despertar e desenvolver-se com sua primeira resolução: o querer ou a vontade de tornar-se consciente.

Ele permanece inconsciente no Reino Espiritual até que lhe surja a vontade de se conscientizar de sua existência. Enquanto esta vontade primitiva não se manifesta, continua germe inconsciente.

As Leis que regem a Criação, perfeitas por terem emanado do Perfeito Criador, condicionam que o caminho para desenvolvimento e conscientização do germe espiritual é a descida nas materialidades, que se situam abaixo do Reino Espiritual. Aí se inicia para esta semente a conscientização.

As penetrar nas matérias, o germe espiritual recebe um invólucro de matéria fina, conhecido como alma e posteriormente pode encarnar na matéria grosseira e utilizar-se do corpo físico que os seres humanos aqui na Terra possuem.

O espírito humano se desenvolve e evolui durante períodos intermediários no Além, ou matéria fina, antes e após as encarnações terrestres no aquém, através das vivências a todo momento, aprendendo a discernir o retorno de suas ações de acordo com as Leis da Criação, aprendendo e adaptando-se conscientemente às mesmas. Logo no início de sua conscientização, a sua capacidade de livre resolução ou livre arbítrio começa a agir.

Esta capacidade liga cada decisão a uma responsabilidade própria e pessoal, à qual o germe não pode transferir a ninguém. As consequências da livre resolução são, portanto, intransferíveis pelo ser humano. E essas consequências são a forma que o espírito evolui, pois lhe trazem, tanto no livre arbítrio bom como no livre arbítrio mau, a recompensa ou o infortúnio de forma multiplicada, que lhe permite discernir se suas atitudes estão ou não de acordo com a Vontade do Criador. É de seu foro íntimo aprender as Leis que regem a Criação dessa maneira, adaptar-se a elas e assim desenvolver-se.

Cada ser humano segue um determinado caminho que é função de sua vontade. Apesar do caminho da criatura humana ser essencialmente individual, nenhum outro ser humano tem um caminho exatamente igual.

Explorando esta existência, fortificando-se cada vez mais, chega a época de se aproximar da matéria grosseira onde recebe o corpo físico terreno para avançar cada vez mais no seu desenvolvimento, pois foi atraído pelas vivências terrenas. E o livre arbítrio, aqui continua a ser exercido igualmente com as suas consequências.

A vontade do germe que vai se desenvolvendo, escolhe o caminho que quer seguir, provando aquilo que sua vontade preferiu e assim sendo atraído por sua opção.

A existência na matéria grosseira possibilita muito mais a compreensão da Leis Naturais, pois aqui devido a maior densidade de matéria, pode discernir com mais tempo as suas resoluções, ponderando melhores soluções. Como o desenvolvimento do espírito é longo, necessita de muitas vivências alternadas nas matérias fina e na grosseira.

Como uma de suas capacidades, o espírito possui a intuição, que é a expressão como se evidencia.

Todo ato humano, quer seja pensar, falar ou agir, subordina-se integralmente às Leis Naturais, inclusive a Lei da Atração dos Homólogos ou Lei das Iguais Espécies, ou seja, qualquer querer humano atrai a mesma espécie de querer de outros espíritos em desenvolvimento e por eles também este querer é atraído, retornando sempre aos autores os frutos dessa vontade de forma multiplicada, conforme a Lei da Reciprocidade ou Lei do Dar e Receber.

Essas espécies iguais reúnem-se em centrais de pensamentos homólogos e passam a influenciar as espécies semelhantes e também a pessoas que momentaneamente tenham pensado de forma igual, mas que não estenderam esse querer adiante. Se o pensamento for ruim, e houver ligação com a central, o ser humano corre o perigo de enredar-se dessa maneira, passando a agir contra as Leis. Pelo contrário, se o pensamento for bom ou nobre, de acordo com a Lei terá excelentes recompensas.

A responsabilidade da criatura humana é muito grande perante a formação de pensamentos ruins. A força de um desses pensamentos mais a influência das centrais pode levar o ser humano a um estado de querer que não só amarra seu livre arbítrio nessa questão, como também pode levá-lo à loucura.

Nossos sonhos, um dia tornam-se realidade. Por nossos sonhos, entenda-se nosso querer intuitivo.

O ser humano terreno é composto de corpo espiritual, de alma e de corpo físico: o espírito embutido na alma e essa embutida no corpo físico. O corpo físico pertence à Terra, ou seja, à matéria mais grosseira, o aquém. A alma pertence à matéria mais fina, o Além. O espírito, a alma e o corpo físico podem interpenetrar-se dessa maneira, devido às suas diferentes espécies.

Mas a intuição pertence ao espírito, pois ele é realmente a existência do ser humano. Alma e corpo terreno são apenas corpos intermediários para o desenvolvimento espiritual, ambas vestimentas provisórias.

Uma vez que a vivência tenha sido intuída, ela se torna experiência e alimenta o desenvolvimento espiritual. Semelhante em muito maior grau aos ensinamentos puramente terrenos, pois estes só servem para as atividades do corpo material.

Como o espírito humano recebeu do Criador, a capacidade de livre resolução, também de acordo com as Leis, o livre arbítrio condiciona total responsabilidade da decisão. Ai também age a Lei da Reciprocidade, outorgando o retorno inevitável e consequente da vontade humana.

Esta capacidade outorga livre resolução a cada momento sobre todos os assuntos nos quais pensa, fala ou age. Com isso o ser humano escolhe a via ou o caminho que quer percorrer na Criação, com vistas ao seu pleno desenvolvimento como espírito, e uma vez terminado este ciclo, de acordo com a Vontade do Criador e regido por suas perfeitas Leis, poderá regressar ao seu verdadeiro lar de onde partiu inconsciente, retornando com plena consciência de suas vivências. É o retorno do filho pródigo.

Conservai puro o foco dos vossos pensamentos, com isso estabelecereis a paz e sereis felizes! (ABDRUSCHIN, Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, São Paulo: Ordem do Graal na Terra, Vol. I, 2011)

Se queremos um melhor futuro, puros e bons pensamentos devemos produzir e atrair.

Observação: As Leis Divinas da Criação emanadas da vontade do Criador, também são conhecidas como leis naturais da Criação, leis da natureza, leis cósmicas.

José Guimarães Duque Filho é Engenheiro Civil, Mestre em Edificações.

PANDEMIA E GLOBALIZAÇÃO

A cultura do país não é boa, pois prevalecem os exemplos dos maiorais que sempre buscam vantagens pessoais, em vez de servir a pátria e sua população. As novas gerações estão arcando com o apagão mental e a desesperança num país superendividado e atrasado. O Brasil já vinha perdendo terreno no bom preparo dos jovens. Com a desindustrialização, muito da habilidade técnica foi perdida e não acompanhou as inovações.

A paralisação determinada pela Covid ampliou a indolência humana. A escola já era fraca, cheia de teorias e pouco desenvolvimento do bom senso e raciocínio lúcido. O descuido na geração e preparo dos filhos para a vida está formando uma geração fraca para os desafios da vida, inclusive para o fortalecimento da nação. O país se fragiliza dando facilidades para aqueles que querem tirar proveito das riquezas Brasil.

Está difícil entender o que está se passando no mundo e conhecer a real situação. A questão complicada das comunicações é o estilo tendencioso, ditado por interesses não explicitados. Um pouco de besteirol desvia a raiva daqueles que ficam aborrecidos com a forma como as comunicações são feitas, muitas delas levando tudo para os baixios da desestruturação geral do país e do mundo.

As pessoas comuns não conseguem imaginar como agem os déspotas no poder que atuam como se o Estado fosse deles. A economia mundial se tornou uma arena de gladiadores dispostos a tudo para assegurar ganhos e dominação. São tantas artimanhas que requerem muita atenção para que o país não seja entregue aos usurpadores. Jogadores globais sempre buscam usar o cabresto da corrupção para dobrar governantes e suas equipes a serem dóceis com relação aos interesses dos poderosos.

Mais uma vez se repetiu a hora de votar, de escolher os zeladores das cidades do Brasil. Quem eram esses candidatos? O que queriam? O que já fizeram pelo Brasil, pela cidade e sua população? Perguntas deixadas ao vento na nebulosa campanha do horário gratuito da TV, onde predominaram promessas irrealizáveis, futilidades e fofocas, tudo para tomar o voto dos incautos que compram coisas por impulso para se arrependerem tarde demais. Tiraram a máscara e mostraram descaradamente a sua hipocrisia e vileza para atender à própria cobiça.

Os falsos estadistas se julgam donos do Estado, a sua falsidade é incrível, e as pessoas não acreditam que uma pessoa possa mentir tanto. Durante séculos a ordem era capitalismo de livre mercado. Surgiu o capitalismo de estado, que se aproveita da globalização e do livre mercado com outros modos de produção através da coordenação centralizada, sem que tivessem sido estabelecidas as regras desse entrosamento, resultando no fechamento de muitas fábricas e postos de trabalho. O desemprego continua aumentando. Quando examinarão as causas? Como recolocar as pessoas em trabalho remunerado?

O cenário é de desolação. As pessoas querem trabalhar, mas não encontram empregos. Querem ir ao shopping, mas há riscos. Querem vender coisas, mas não há compradores. Aflitas, as pessoas querem uma vida normal, mas isso requer a volta à naturalidade.

Durante o evento Cidadão Global 2020, a economista Esther Duflo disse que “a pandemia mostrou como é perigoso ter uma cadeia de distribuição que depende de um único lugar. Precisa haver um esforço para distribuí-la mais. Esta é uma oportunidade para países, como o Brasil, que têm força de trabalho e investimento e estão só esperando seu momento”.

As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Estamos enfrentando um grande declínio que traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge. Uma crise civilizatória avança pelo mundo, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos.

A decadência está penetrando também pela falsa cultura, uso de drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua, desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína. Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações. Falta um sentido elevado e a espontânea alegria de viver. É preciso despertar a alma entorpecida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

SONO TORNATO (ESTOU DE VOLTA)

“Sono tornato” é uma comédia italiana caprichada, considerada politicamente incorreta e dramaticamente atual que mistura ficção com realidade. No filme, o ditador Benito Mussolini (Massimo Popolizio), idealizador e executor do fascismo na Itália antes e durante a Segunda Guerra Mundial, reaparece vivo numa praça em Roma, 80 anos após a sua morte e como se isso não tivesse de fato acontecido. Andrea Canaletti (Frank Matano), um cineasta fracassado, o encontra e achando que se trata de um comediante parecido fisicamente com “Il Duce”, o coloca numa entrevista na televisão, vista por milhões de pessoas que se encantam com as ideias apresentadas por ele de forma satírica.

Os teóricos da democracia se escandalizam com o surgimento dos populistas no poder. Mas o Mussolini do filme se torna popular com suas ideias rígidas, tirânicas e preconceituosas que se afastaram da essência dos seres humanos, pois neste planeta somos todos peregrinos em busca de evolução. No século 21, a população está abrindo os olhos e percebendo os abusos praticados pelas pessoas que se instalam no poder e tomam o governo para si e seus interesses.

Deixando de lado as ideologias e os conceitos do abuso do poder pela força como forma de governo, o personagem que se diz ser Mussolini vai analisando a situação da Itália e da Europa, principalmente a da educação e o momento difícil em que se encontram as novas gerações sem trabalho remunerado, e se escandaliza com as desordenadas correntes imigratórias e, enfim, com o caos econômico e social.

O grande drama da humanidade é que não se esforçou para encontrar as normas adequadas para a convivência entre as pessoas, prevalecendo a ideia de que o enriquecimento de uns deve ser feito à custa das perdas de outros, fato que já deu origem a muita miséria e guerras sangrentas.