OS ESTADOS E A CRISE

Os Estados surgiram para dar melhor ordenamento à convivência pacífica e desenvolvimento geral. Mas logo se instalou a imaturidade fiscal decorrente da imaturidade pessoal que muitas vezes se mescla com mania de grandeza e a desonestidade das pessoas escolhidas pelos eleitores para zelar pelas cidades e pelo país. Até quando veremos esses disparates na gestão pública de cidades e países como o Brasil, sempre em desequilíbrio nas contas internas e externas?

A grande responsabilidade dos governantes é eficiência na gestão pública, mas o temos visto é a decadência nas cidades e estatais largadas nas mãos de corruptos. As cidades devem manter o foco nas prioridades; sobra apagão mental em todos os setores e ações cosméticas iludem, mas não convencem. Falta programa de reparo e manutenção das vias públicas. É indispensável que haja equilíbrio nas contas internas e externas, redução da dívida e investimentos reais.

No passado recente, muitas manufaturas eram produzidas no Brasil; havia trabalho, sobrava um dinheirinho para a pizza no fim de semana. As famílias ficaram endividadas. Produzia-se de tudo que agora vem do exterior. Faltam empregos. Não há dólares suficientes a não ser quando sobem os juros. Então fica a questão de como aumentar a produção, emprego e consumo sem desequilibrar as contas internas e externas. Alcançamos um número extraordinário de desempregados. O que o Brasil precisa mesmo é de produção, empregos, boa educação e melhora nas condições gerais de vida, tudo que foi sendo perdido nas décadas passadas.

A educação é questão fundamental no Brasil e no planeta para que as novas gerações avancem na qualidade humana e se tornem cidadãos úteis, que cultivem a liberdade e a responsabilidade, que contribuam para a melhora continuada das condições de vida. Se a indústria se retrai, não há cursos técnicos. Serviços exigem pouco preparo e pagam menos. Mas o homem culto fortalece a nação e gera filhos de qualidade nobre. Sem boa educação não há futuro.

O mundo se defronta com a crise de depressão pela falta de propósitos de vida. Por que e para que nascemos na Terra. Qual deve ser o propósito da educação? De acordo com o tipo de educação desejado para as novas gerações é que deverão ser preparados os professores. Os jovens têm de avançar na qualidade humana para que surjam cidadãos úteis, que cultivem a liberdade e a responsabilidade, que contribuam para a melhora continuada das condições de vida.

Habituado com o trabalho escravo, não se formou no país adequada política salarial para os trabalhadores. O Brasil conservou um dos mais baixos níveis salariais. A população ensaiou emergir da pobreza e da baixa cultura. Isso durou pouco; veio a crise da dívida externa e tudo foi degringolando. Com a aventura do real valorizado, não demorou para surgir o grande desarranjo. A produção foi caindo. Os empregos foram sumindo, enquanto a população ia crescendo. Grande parcela da população não concluiu o curso médio de ensino. Agora a tendência é nivelar tudo por baixo.

O poder caminha ao lado do dinheiro desde que esse foi inventado como o grande ídolo que suplantou todas as tiranias para dominar livremente sobre as nações com a colaboração de estadistas vendilhões, os quais continuam a venda, mesmo sendo necessária a reconstrução de tudo que está desmoronando.

Devemos buscar, todos juntos, um mundo melhor de progresso espiritual e material em convivência alegre e pacífica. Vivemos a fria aspereza do século 21 sem que surjam lenitivos para a alma, mas poucos se aventuram em ir buscar as causas no passado no qual foram geradas todas as mazelas da atualidade.

Jesus veio para mostrar para a humanidade o significado espiritual da vida e sua transcendência com imagens que refletem as leis da natureza, que dão ao espírito a possibilidade de adquirir a autoconsciência no mundo material para retorno à sua origem. Mas a humanidade se agrilhoou aos prazeres materiais, sufocando o espírito. Os responsáveis pelas religiões agiram da mesma forma. Com a progressão do materialismo, a Terra se transformou no vale de lágrimas. No século 21, conflitos de interesses e lutas pelo poder tecem o cenário ameaçador e o ser humano vai perdendo a sua humanidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

POR FALAR EM PRECARIZAÇÃO

No mundo de hoje, globalizado, a redistribuição espacial da manufatura e a hiperindustrialização levaram à precarização. A queda dos rendimentos dos trabalhadores nesses continentes, assim, desestimula a demanda. Os ganhos de produtividade e de salários geram demanda e desenvolvimento econômico na Ásia do Leste. Países saltam da pobreza para a renda média. No mundo “rico”, as famílias submetidas à lenta evolução dos rendimentos sustentaram a expansão do consumo com vertiginosa expansão do crédito. A partir da crise de 2008, esse circuito de formação de produção e renda na economia mundial como um todo começou a falhar, dando origem ao período da Grande Recessão.

Parte da oferta da economia dos EUA (e também da Europa) está hoje na Ásia. Surge, então, uma situação curiosa de “demanda mundial fraturada”: as famílias americanas demandam, via crédito, bens produzidos no Leste da Ásia que por lá geram ganhos de escala, de produtividade e salariais. O regime fordista de produção foi transferido para o leste asiático, só que os consumidores estão nos EUA tomando dívidas. O sonho americano da bela casa no subúrbio com belo emprego e belo salário virou o pesadelo da rolagem de dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e estudantis, para não mencionar os custos de saúde para as famílias americanas. O pleno emprego voltou nos EUA, mas a estrutura produtiva mundial é outra. Apesar de desemprego na mínima, os dados de mercado de trabalho nos EUA mostram ainda muita gente fora da força de trabalho. Os empregos criados nos últimos anos foram de baixa complexidade, com destaque para varejo e serviços não-sofisticados. E agora os salários americanos parecem subir sem aumentos de produtividade equivalente. As famílias americanas e europeias estão atoladas em dívidas. As empresas estão com montanhas de dinheiro em caixa e não investem como antes. Nesse cenário se movem, com medo e incerteza, os bancos centrais dos países ricos. Após emitir mais de US$ 10 trilhões, continuam sem saber o que fazer.

Leia na íntegra este artigo de Paulo Gala, graduado em Economia pela FEA/USP, Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, onde é professor desde 2002. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR.
http://www.paulogala.com.br/politica-monetaria-para-um-mundo-anormal-moeda-causa-inflacao/

 

SMART BUSINESS – A NOVA ESTRATÉGIA

Vão se tornando mais evidentes a cada dia que passa as grandes transformações no modo de viver das novas gerações que, no geral, não absorveram os usos e costumes de seus pais e avós. Hoje, lamentavelmente, as pessoas estão perdendo a sua individualidade, não vão mais ao shopping center olhar as novidades nas vitrines, preferindo a Internet. As pessoas estão pensando em blocos, daí o surgimento da nova estratégia de reunir hábitos e gostos por blocos através das mídias sociais e outros mecanismos de controle do comportamento, para então passar a interferir nos desejos e preferências das multidões como meio de faturar e obter ganhos.

Marcelo Nakagawa, professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, em artigo publicado no Blog do Empreendedor (Estadão PME), destaca essa tendência ao citar Ming Zeng, professor de negócios, pesquisador acadêmico e estrategista chefe da sétima corporação mais valiosa do planeta, o Alibaba, conhecida no Brasil apenas pelo seu marketplace internacional, o AliExpress: “Para nós, a estratégia não é mais sobre análise e planejamento, mas um processo de experimentação e engajamento do cliente que ocorre em tempo real”. Na visão de Zeng, a nova abordagem de estratégia corporativa que vem sendo adotada pelo Alibaba é o novo parâmetro que explica também o sucesso de corporações que floresceram neste século, incluindo aí Amazon, Google, Neflix, Facebook, Uber ou Airbnb.

O artigo também destaca que em seu mais recente livro, Smart Business: What Alibaba’s Success Reveals About the Future of Strategy, lançado no final de 2018, Zeng apresenta o conceito de smart business, que, segundo ele, “utiliza tecnologias de machine learning para coletar dados de suas redes de participantes para seguir o comportamento do consumidor, atendendo automaticamente suas preferências. Um smart business permite que uma cadeia de valor inteira seja reconfigurada e alcance, ao mesmo tempo, escala e customização, utilizando a combinação de duas forças: coordenação de rede (network coordination) e inteligência de dados (data intelligence)”.

Leia o artigo na íntegra em:
http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/de-sun-tzu-a-ming-zeng-porque-o-novo-guru-da-estrategia-tambem-e-chines/

BICICLETAS ESPECULATIVAS

A humanidade já vinha há algum tempo perdendo o rumo, dando espaço às tiranias. Após séculos de predomínio da Igreja e seus reis, foi surgindo a ideia do dinheiro que, tomando corpo, deu origem ao Estado Democrático Republicano, garantidor da moeda – essa desconhecida misteriosa que desafia os mais experts economistas e complica a vida dos governantes. Surgiram os Bancos Centrais.

Há um desarranjo global. O dólar se tornou a moeda que movimenta as engrenagens da economia, mas acabou sendo um elemento de conflitos e o grande alvo da humanidade. A busca por acúmulo de dólares permitiu todo tipo de manobras para favorecer uns em prejuízo de outros. A China almeja privilégios semelhantes com sua moeda, mas estamos diante de um balaio de gatos sem saber quem manda mais?

Os políticos foram exorbitando, deixando de cumprir seus deveres junto à população. Os Estados se endividaram. As novas gerações não receberam o preparo adequado. A insatisfação cresceu. Diante da decadência, o que está em risco é a própria humanidade, a individualidade, a clareza no pensar, a fixação de alvos nobres. Como resolver a questão dos fluxos financeiros, rios de dinheiro para lá e para cá em livre trânsito agitando a flutuação cambial?

A difícil paz e progresso humano em regiões dotadas de abundantes recursos naturais e com poucos estadistas voltados para o bem geral da população, prevalecendo interesses econômicos e financeiros em meio a lutas pelo poder e radicalismo religioso. Felizmente o Brasil se constituiu em nação em 1822. Outras regiões colonizadas só alcançaram a autonomia no século 20, mas ainda permanecem como arena de conflitos.

Desde a época de sua independência, o Brasil recebe ataques. A imperatriz Leopoldina foi vítima de vários atentados, mas conseguiu levar avante o projeto de criar uma nação autônoma e do bem que deveria se voltar para a Luz. De lá para cá foram inúmeros os ataques para jogar o Brasil na mão das trevas. Uma nova cartada está em andamento. Urge manter a serenidade e a força de vontade, confiando na Luz Divina para se abrir aos canais do auxílio. Quem reconhece a força do espírito e a utiliza para o bem, torna-se um benfeitor da Criação.

A mudança climática e outras alterações da natureza em andamento são grandes ameaças para a espécie humana. Mas há uma outra grave ameaça pouco reconhecida e estudada que são as mudanças de comportamento das novas gerações que estão perdendo a individualidade e a criatividade. Das inspirações mais elevadas decaímos no sentimentalismo, e agora nem isso; só fantasias embrutecidas geradas por cérebros mecanizados sem calor humano.

A indústria foi severamente golpeada com o dólar barato. A dívida pública subiu tanto chegando ao gargalo através da irresponsabilidade dos gestores e da acumulação de juros compostos elevados. A previdência é uma questão complicada. As mais custosas aposentadorias estão nos altos cargos do setor público. Vamos supor que o grande capital financeiro reinvente as vantagens de se aplicar no Brasil. Se houver uma volumosa entrada de dólares, então qual será o efeito para a economia real?

Vai aumentar a produção de bens e empregos? A população terá melhores condições de vida e de desenvolvimento da qualidade humana? Ou continuarão as bicicletas especulativas de entrada de dólares na desvalorização do real para saírem mais gordos na valorização? Basta ver a questão das balanças comerciais, da deslocação de empresas e empregos. Como ter consenso para restabelecer o equilíbrio geral? Na ausência disso, as pessoas se tornam contrárias à globalização.

O enrijecimento vai crescendo. A vida vai apertando. O tempo vai encurtando. Mas é preciso lutar e ir em frente com coragem e confiança. Se todos agirem com respeito e consideração na família, no trabalho, no trânsito, na vida em geral, as pessoas terão a percepção de que não somos inimigos, que não estamos em luta e que cada um de nós é um peregrino que precisa alcançar a evolução pessoal e espiritual.

O Brasil precisa de produção, emprego, renda consumo, equilíbrio nas contas, tudo para melhorar a arrecadação. Estamos entregando as riquezas da natureza e regredindo, precarizando, nivelando por baixo na educação, no salário, na aposentadoria. Esperemos que o bom querer da população do Brasil impulsione os ventos da renovação.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

GREEN BOOK

Green Book, filme caprichado, vencedor do Oscar 2019 de melhor filme. Mas deixando de lado a lamentável questão do racismo, vamos olhar para a história apresentada que principia no ano de 1962. Como simples consumidor, percebemos que o filme é uma tentativa de agradar ao público, mostrando a grandiosidade dos EUA, mas apresenta um desfile de modelos para influenciar os seres humanos que pouco pensam sobre o significado da vida além de comer, dormir, trabalhar e satisfazer as necessidades do corpo.

O filme acompanha a viagem do pianista Don Shirley (Mahershala Ali) e seu motorista Tony Vallelonga (Viggo Mortensen) pelo sul dos EUA durante os anos de segregação. E o título refere-se ao guia de viagem que indicava para os afro-americanos os hotéis e restaurantes que poderiam frequentar. É o cenário da vida despreocupada e da busca de prazeres. No enredo, há os malandros, os que se julgam superiores, os trabalhadores que têm de sobreviver e dar sustento para a família.

Tony, o motorista que não larga o cigarro, bom de garfo e de briga, representa a grande maioria da população do planeta. Don, o pianista é o solitário, pensador que se distrai com whisky para amortecer sua indignação e sentimento de exclusão, mas não vai muito longe com suas reflexões. Ninguém pensa na vida e o porquê de ter nascido na Terra.

O ser humano, através de sua essência, pode e deve captar energia espiritual para irradia-la no mundo material; seria como captar um ar mais leve espalhando-o sobre a Terra. Se o espírito se acomoda e se torna indolente vai adormecendo, estagnando, deixa de captar e irradiar essa energia salutar que vivifica as engrenagens da vida. Sem essa energia, tudo vai enrijecendo em decorrência de sua ação puramente intelectiva, sem contar com a participação do espírito. É esse o fenômeno do estresse da vida atual, tudo vai se tornando aborrecido e cansativo pela falta da energia vivificadora que cabe ao espírito humano captar e irradiar, no movimento circular do receber e retribuir através do querer voltado para o bem.

Assim, muitas coisas vão perdendo o brilho, o que facilmente percebemos nas artes, pois poucos têm sido os filmes cujos produtores conseguem transportar para a tela essa energia superior que influencia fortemente a vida, podendo ser reproduzida em obras encantadoras que estão se tornando cada vez mais raras.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

FRUTOS CONTAMINADOS

Enquanto a Argentina, de Domingo Cavallo, e o Brasil, do Plano Real, inventavam a utopia da dolarização e juros elevados, Japão, Índia e China praticavam política cambial realista, avançando na produção de manufaturas e tecnologias. Assim acabamos ficando para trás.

A China tem aumentado a sua reserva em dólares e avança na produção de manufaturas para exportar, e na tecnologia de ponta, sendo olhada com admiração pelo poder tirânico. Enquanto isso, muitos países, inclusive o Brasil, se encheram de dívidas enfrentando queda na produção, na arrecadação, no salário e na aposentadoria, embora os encargos e custos gerais sempre vão sendo corrigidos. Mas o custo do comunismo, mais do que outros sistemas, é a redução das individualidades e da criatividade, robotizando o ser humano.

A recuperação do Brasil, há décadas gerido com displicência e assalto às suas riquezas, está complicada. O diferencial de Jair Bolsonaro na presidência é que ele se elegeu sem as amarras dos grandes doadores de campanha eleitoral e seus interesses, embora mesmo assim terá pela frente os poderes e a máquina mal-acostumados.

Após décadas de estagnação, surge a oportunidade de eliminar o continuísmo da demagogia, mas a reação não se faz por esperar, e o Brasil deu mostra de sua imaturidade política causadora do descalabro que enfrentamos em todos os setores. Falando sobre o processo de eleição no Senado, Randolfe Rodrigues, senador do Amapá filiado à Rede Sustentabilidade, afirmou: “É um triste espetáculo, chegar a ponto de a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) furtar o livro de ordem. Chegamos ao fundo do poço da política”. A colheita vem celeremente trazendo os frutos amargos da irresponsabilidade. Estamos vivendo as derradeiras chances de o país se tornar efetivamente livre dos sanguessugas.

Para que lado a economia do Brasil poderá se expandir? Commodities para exportação são importantes, pois atraem dólares, mas não geram muitos empregos e podem causar danos. Os serviços em geral requerem que a população tenha renda para consumir. Na indústria ficamos travados com baixa produtividade e real valorizado por longo período, favorecendo a entrada de importados e o consequente despreparo técnico.

Os países arrecadam dinheiro dos impostos. Quem paga os impostos é a população, diretamente de suas rendas ou indiretamente no custo de tudo o que consome. A arrecadação é sugada pela corrupção nas negociatas, nos encargos sobre as dívidas, nas estatais mal geridas, nos custos descontrolados sobrando pouco para a melhora das condições gerais de vida.

Enquanto podem, os governos vão emitindo dinheiro e facilmente se deixam levar pela tentação de tomar empréstimos. Cair no endividamento é a grande falha dos governantes que hipotecam as riquezas do país e o trabalho de sua população, sem contrapartida que impulsione o aprimoramento das novas gerações.

O lamentável foi ter permitido o crescimento explosivo da dívida com juros elevados. Dívida é a mais crítica questão da gestão pública. Aí a irresponsabilidade levou o país à beira do abismo sem que tivesse destinado os valores em benfeitorias de real proveito. Como a economia poderá ser dinamizada?

O governo precisa cortar gastos inúteis que nada produzem e fechar o ralo da corrupção em seus gastos e investimentos. O intercâmbio entre países é importante, mas se não for feito com equilíbrio, sugará as potencialidades. Para que haja progresso, o intercâmbio entre os países requer equilíbrio.

Como são feitas as leis dos homens? Elas levam em consideração o principal axioma de que não se deve causar sofrimentos ao próximo para satisfazer as próprias cobiças? Se considerassem isso, muita coisa teria sido diferente e não seria necessária a criação de tantas leis que, na essência, buscam defender os interesses de quem pode mais. Juristas e juízes sabem bem como respeitar as leis; se isso é justo ou não, é outra conversa.

Essa é a triste realidade de uma civilização que, por sua cobiça por uma riqueza menor, perdeu a visão da beleza e da grande riqueza da natureza que a tudo sustenta. Em geral, os países não têm dado muito apreço à natureza e vão produzindo frutos contaminados. Observa-se a displicência e a irresponsabilidade em tudo, sem deixar espaço para metas de promover a continuada melhora das condições gerais de vida da população.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

COMÉRCIO EM EQUILÍBRIO

Num artigo publicado em 2018 pelo jornal O Estado de S. Paulo, Cláudia Trevisan fez ampla análise da situação econômica da China, cujo primeiro ministro Xi Jinping a está delineando como superpotência. Ele considera o modelo chinês “exportável”, declarando que o sucesso dos últimos 40 anos pode ser um modelo para países em desenvolvimento que buscam progresso econômico.

A manutenção do Partido Comunista no comando e no controle geral da sociedade chinesa visa adaptar o marxismo à realidade atual do mundo. Jinping adotou um tom triunfalista ao lembrar as conquistas das últimas quatro décadas, período no qual seu país se transformou na segunda maior economia, na maior potência comercial e no maior detentor de reservas internacionais do mundo.

Utilizando políticas industriais que colocam o Estado na busca do desenvolvimento das tecnologias que dominarão a economia do Século 21, a China avança na produção de manufaturas para exportar e na tecnologia de ponta, enquanto muitos países, inclusive o Brasil, se encheram de dívidas, enfrentado queda na produção, na arrecadação, no salário e na aposentadoria, embora o custo de vida vá sempre sendo atualizado.

Com a subida dos juros americanos, a dívida externa dobrou nos anos 1980 e o Brasil quebrou. Toda exportação foi usada para pagar juros e resgates, uma vez que o governo emitia para comprar os dólares e inundou o mercado de moeda que se depreciava diariamente. Dívida é a mais crítica questão da gestão pública. Aí a irresponsabilidade novamente levou o país à beira do abismo, sem que tivesse destinado os valores em benfeitorias de real proveito. Muitos Estados quebram porque gastam mal e acima do que arrecadam, se endividam e depois ficam insolventes.

Com a possibilidade de emitir dinheiro do nada, o combustível do comércio se tornou tóxico. Quanto mais moeda em circulação, maior montante passa a ser exigido devido à depreciação do poder de compra, até que num dado momento vem a parada geral; é quando os preços caem, dando chances a quem tiver dinheiro para boas aquisições para recomeçar um novo ciclo.

Ricos ou pobres, em geral os Estados não dão muito apreço à natureza. A exploração de minérios no Brasil mostra a triste realidade de uma civilização que, por sua cobiça por uma riqueza menor, perdeu a visão da beleza e da grande riqueza da natureza que a tudo sustenta. A displicência e irresponsabilidade se observam de modo geral em tudo no país.

Tudo foi sendo deixado ao acaso, cada um agindo como lhe apetecia. Desindustrialização. Uso geral dos computadores restringindo o ser humano e suas capacitações que vão se perdendo. O apagão moral e mental se espalhando. Cada um acha que o problema é do outro e ninguém toma uma atitude para verificar claramente o que está acontecendo. Falta transparência. Pão e circo, despreparo das novas gerações e escandalosa transferência das riquezas estão fazendo do Brasil um abismo de lama.

Na medida em que as novas tecnologias vão sendo utilizadas em larga escala para reduzir custos e ampliar o controle sobre as pessoas, as atividades vão entrando em rígidas rotinas que se resumem em apertar botões. Se as pessoas não se dedicarem a outras atividades como a leitura e estudos sobre o significado da vida acabarão emburrecendo, perdendo o foco e a capacidade de pensar com clareza.

A invenção da moeda e do crédito acabaram estabelecendo o “financeirismo” como a prioridade dos líderes. A China percebeu isso e voltou sua economia para o acúmulo de moeda global e aumento de poder. Triunfante, Xi Jinping oferece o modelo chinês como tipo de governança que está dando resultado. Mas seja qual for o tipo de governança, o aprimoramento da espécie humana não tem sido o alvo prioritário da humanidade.

Por que cerca de um bilhão de chineses permaneceram na miséria por longo tempo? Por que a miséria e a precariedade estão aumentando em várias regiões, inclusive no Brasil? Evidentemente, o bom preparo da população e definição de metas que promovam a continuada melhora das condições contribuiria para impedir a instalação da pobreza e miséria, mas, além disso, para que haja progresso, o intercâmbio entre os países requer equilíbrio livre de cobiça, progredindo a economia em paralelo com a evolução natural da vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A INDOLÊNCIA DA CLASSE MÉDIA

Em 25 de janeiro de 1554, um grupo de padres da Companhia de Jesus, da qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, escalou a Serra do Mar e chegou ao planalto de Piratininga onde encontrou “ares frios e temperados como os de Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”. Foi construído um colégio, o Pateo do Collegio, onde o povoado começou a se desenvolver e se transformou na cidade dinâmica e acolhedora que atraiu pessoas de todas as raças e povos. Apesar do brasão: “Não sou conduzido, conduzo”, São Paulo ainda não alcançou a posição que lhe cabe no caminho do progresso e continuada melhora das condições gerais de vida.

De longa data, as riquezas da América do Sul têm sido alvo de cobiças. Hugo Chávez (1954/2013), ex-presidente da Venezuela, quis controlar a riqueza, mas embriagou-se com o poder e o povo continuou sufocado sem oportunidade para evoluir. Agora a geopolítica é outra, mas o povo venezuelano permanece no abandono.

A Constituição Venezuela, a lei máxima para defender os interesses do povo e da nação, atende aos princípios democráticos? Como sair do impasse gerado pelo direito da força? Quem deveria assumir interinamente o governo para realizar eleições livres, de forma imparcial, honesta e democrática num prazo bem curto? A imprensa livre deveria acompanhar tudo atentamente e informar ao mundo o que estiver se passando. Poderão concorrer candidatos com ficha limpa, entregando-se a decisão ao voto consciente do povo, sem coação e sem temores.

No Brasil, estamos passando por dificuldades desde a crise da dívida externa nos anos 1980, mas a situação se foi agravando com a ausência de estadistas e com a classe política agindo sempre em função da próxima eleição, adotando medidas paliativas para favorecer a poucos, deixando passivos enormes aos sucessores. A população precisa ser advertida sobre as dificuldades, embora não tenha criado todos esses problemas de déficits nas contas e o colossal aumento da dívida com a capitalização de juros sobre juros.

A situação geral do mundo tende para o amadurecimento, para a colheita de tudo que tem sido semeado. Já temos muitos problemas para resolver. A prioridade deve ser corrigir os estragos no país que vem decaindo há décadas e resgatar seu povo, o qual precisa se mover na direção do aprimoramento humano. O Brasil não cobiça as riquezas da Venezuela, não tem porque se envolver nessa briga, sede de riqueza e poder da nova geopolítica.

Muito apropriado que se definam os rumos da previdência nesta fase de revolução industrial 4.0 e grandes transformações. No caso de países endividados como o Brasil, também é importante traçar o perfil da dívida que deve ser contida para que a economia de um setor não venha a ser absorvida por outro sem que haja uma real melhora geral.

O otimismo de cidadãos esclarecidos resulta da ruptura do sistema que desserviu o Brasil desde 1985 com a posse do vice-presidente José Sarney pelo PMDB, que assumiu o governo devido ao falecimento de Tancredo Neves, ambos eleitos indiretamente por um Colégio Eleitoral. Seguiram-se PSDB e PT que pouco fizeram, e após um breve período de euforia com o Real valorizado e juros elevados o país foi perdendo várias indústrias, não educou a população e se endividou. Revoltados, os eleitores escolheram Jair Bolsonaro, do PSL.

Os perdedores estão esperneando, criando dificuldades para o progresso e para a melhora das condições gerais de vida. A situação é difícil, agravada com a desordem global. O sonho do homem de classe média de obter sucesso profissional para que possa atender às necessidades básicas de sua família, com padrão de vida que lhe permita conforto, lazer e educar os filhos vai se tornando difícil, mas, como criatura de essência espiritual, também deveria desejar conhecer o significado da vida, assim como essa também deveria ser a aspiração da classe rica e daqueles com menor renda.

O que faz a massa ser influenciável é a indolência. O apagão mental e a indolência estão avançando no Brasil e no mundo, o oposto do que o ser humano deve ter: clareza, simplicidade e naturalidade no pensar, falar e agir. Agilidade para perceber os problemas e buscar soluções sem o comodismo paralisante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

TUDO TEM UMA CAUSA

A economia globalizada se encontra em desarranjo, embora ainda haja oportunidades de ganhos. No geral, a tendência é de estreitamento de alternativas diante da concentração da riqueza, produção e da tecnologia, pois tudo se contrapôs às leis da natureza promotoras do progresso real. O ser humano recebeu a maravilhosa Criação para evoluir. Contentamento e alegria deveriam ser o seu agradecimento silencioso, mas em vez disso deixa crescer a insatisfação e o descontentamento com tudo, sem saber que está movimentando as leis da Criação em sentido contrário, prejudicando a si mesmo e lançando inquietação à sua volta.

Palmas para quem defende o Brasil e a individualidade de seu povo, pois se tantos existem na face da Terra era para que a diversidade promovesse evolução e progresso. O racionalismo construtivista usa o raciocínio subordinado ao mundo material, ao tempo e espaço, para nivelar os povos por baixo, em oposição à lógica evolucionista que se revela nas leis da natureza. O grande perigo é que já existem movimentos no sentido de que sejamos todos transformados em robôs, em vez de seres humanos de qualidade, e para isso temos de compreender a vida e seu amplo significado. O uso de tablets e os novos telefones móveis não estariam criando barreiras cognitivas no cérebro das crianças?

Toda confusão reinante decorre do afastamento do fato essencial: o ser humano é espírito que optou pela atividade positiva ou negativa como tudo o mais em conformidade com as leis naturais da Criação. A mulher, por sua delicadeza, tem uma ligação mais estreita com a Luz Celestial, mas para não perder essa ligação, tem de permanecer firme nisso como esclarece o escritor alemão Abdruschin em sua obra Na Luz da Verdade. Tudo na vida tem uma causa; a triste balburdia na confusão entre os sexos também tem um sentido, e a causa disso há que ser pesquisada de forma séria e sincera. O livro gera conceitos que se lidos e analisados são absorvidos pela alma dos seres humanos.

Tudo na vida mostra a lógica existente na natureza para que o mundo material pudesse dar ao espírito a oportunidade de desenvolver a autoconsciência. A evolução das espécies, teoria desenvolvida por Darwin, apresenta todo o tecer das transformações e mutações em bilhões de anos, mas faltou o elo principal. O ser humano tem corpo animal, mas a sua essência é espírito, que precisa evoluir para se tornar ser humano e retornar à sua origem, o filho pródigo que a casa torna. Mas estas palavras de Jesus, de sentido estritamente espiritual, foram incompreendidas e transferidas para o mundo terreno gerando a confusão milenar que só o Filho do Homem pode desfazer e orientar.

Nos ciclos da natureza nada se perde, tudo se transforma. O corpo físico é o meio. O homem intui, sente, pensa, que não são consideradas coisas físicas, mas por certo se constituem de matéria diferente, pois somos influenciados por bons ou maus pensamentos invisíveis. Esqueça as mágoas, as traições dos falsos amigos, a pressão dos invejosos; jogue tudo no fundo do mar para que perca a consistência e vire pó inofensivo. Liberte-se e renove-se com nova coragem e novo alento animador para ingressar firme e forte no novo ano, em busca de progresso e desenvolvimento.

Uma nova força está impulsionando os fios dos destinos dos seres humanos, esticando-os e trazendo as colheitas, boas ou más, de tudo o que foi semeado, gerando inquietação, mas também confiança e esperança. Há uma crise de credibilidade no ar porque o que as aparências indicam não é o que as pessoas querem e sentem, pois falta a autenticidade. Mas os fios do destino não se deixam enganar e trazem de volta o que foi realmente desejado, e não as aparências.

Diante do descasamento entre a aparência e o querer real, a lei da atração da igual espécie não se deixa manipular. O mal querer como a inveja e cobiça aniquilam as possibilidades de amizade desinteressada. Com a força da boa vontade dirigida para o bem geral, um manto protetor vai sendo tecido em torno das pessoas, amenizando os efeitos negativos. Para que surjam a Paz e o Progresso, as palavras proferidas devem refletir sentimentos intuitivos e pensamentos elevados, perpassados pela bondade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

 

 

TEMAS PARA DAVOS

Os ciclos econômicos são uma criação dos homens que controlam o capital ao promoverem injeção de dinheiro para colher ganhos, acelerando artificialmente a atividade econômica e a valorização dos ativos para decair logo por falta de sustentação. Como tudo na natureza, a economia devia seguir o ritmo natural, mas por cobiça surgiram os mecanismos astutos que forjaram a concentração da riqueza na mão da minoria com mentalidade especulativa.

Mais dinheiro acarreta mais inflação. Se o dinheiro é recolhido, a inflação perde fôlego. A fonte de criação da moeda tem sido os Estados e o crescimento desordenado de suas dívidas. Se elas crescem muito, vem a austeridade que estanca o fluxo monetário, como ocorre no Brasil. A economia saiu da naturalidade, ou caminha como uma locomotiva desembestada, ou segue devagar quase parando, mas deveria seguir um ritmo natural de crescimento constante, acompanhando o aumento da população.

A instabilidade vem de longe. Os reis se afastaram das leis naturais e perderam o trono. Vieram o Estado Republicano, mais apropriado para o capitalismo de livre mercado, e o comunismo, fadado ao fracasso pela supressão da liberdade. O sistema descambou com a concentração da riqueza e as ações corruptas dos homens nos poderes executivo, legislativo e judiciário. A China inovou com o capitalismo de Estado produzindo manufaturas para exportar. A ordem internacional perdeu a sustentação devido às alterações econômicas com a tendência de nova crise de recessão severa cujos efeitos são imprevisíveis.

O mundo está adentrando numa perigosa guerra comercial que resulta da ausência de equilíbrio nas transações entre os povos. Os países se tornaram altamente devedores sem que isso contribuísse para a melhora efetiva das condições gerais de vida. A riqueza financeira, oriunda dos grandes recursos naturais do planeta, ficou concentrada em poucas mãos enquanto a miséria se expandiu. O essencial é que haja equilíbrio nas contas internas e externas, e ensejo ao aprimoramento da espécie humana, temas prioritários para autoridades e empresários debaterem no Fórum Econômico Mundial 2019, em Davos.

No Brasil, o dinheiro ficou mais escasso ainda. Os índices confundem. Os feiticeiros no poder iludiram a população com a mágica de baratear os importados praticando taxas de juros elevadas e deu nessa congestão financeira como foi previsto pelos entendidos. Mesmo assim, foi preciso chegar ao fundo do poço, com muita coisa destruída, para iniciar a guinada.

O grande drama da política é a negociação de cargos, sendo os mais cobiçados aqueles que envolvem mais dinheiro, poder e projeção, e, justamente, para assegurar a reeleição, não para prestar um efetivo trabalho de utilidade pública. Assim, tudo caminhará para o declínio enquanto a dívida pública vai crescendo, para em seguida surgirem as brutais austeridades que jogam as cidades para as traças. Fala-se que há um grupo poderoso que, para acabar com isso, visa a globalização do poder com partido único: o deles.

O regime de partido único tem muita semelhança com a monarquia, uma vez que a pessoa no comando é plenipotenciária para decidir e determinar; a diferença é que o partido estabelece regras que poderão derrubar o líder para colocar outro em seu lugar, enquanto que o rei tem cargo vitalício e ainda pode transferi-lo ao herdeiro do trono.

O ser humano recebeu o planeta pronto, sem que tivesse de acrescentar nada, apenas zelar, conservar e desfrutar. O consenso deve ser: zelar pelas cidades e proteger as florestas. Precisamos de água potável, preservação dos mananciais, preservar e ampliar as áreas verdes nas cidades, cuidar da qualidade do ar, disciplinar o uso do diesel, cuidar do lixo e esgoto transformando-os em energia, eliminando o despejo nos rios. O clima está sendo alterado de fato e pode ser que isso esteja sendo aproveitado para conspirações; mas negar e nada fazer seria como se esconder do problema real.

O açambarcamento dos recursos naturais tem sido usual pelo mundo, concentrando a riqueza e esparramando a miséria. O Capitão Bolsonaro foi eleito para que o Brasil não se tornasse outra Venezuela, mas ele precisará pôr ordem na casa, equilibrar as contas internas e externas, evitar a ação dos corruptos, e fazer o que todo governante deve fazer: promover o aprimoramento da espécie humana e a melhora das condições gerais de vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7