O RETROCESSO ANUNCIADO

Durante longo período não havia partidos políticos, só a Igreja e os reis. As regiões descobertas se tornaram colônias. Os feudos foram aglutinados e transformados em Estados. Surgiram os partidos, as eleições e os eleitores foram mobilizados para fazer sua escolha no circo eleitoral. Eleita, a classe política queria mais e mais. O mundo globalizado está descontente com a classe política. Surge o Estado com partido único responsável pela escolha dos gestores e pelo relacionamento econômico com os demais países visando o melhor resultado. Diante da precariedade da economia, os eleitores estão se voltando para os líderes que apregoam a volta ao nacionalismo.

Nos anos 1980, os Estados Unidos elevaram a taxa de juros a 20% ao ano. Países atrasados, como o Brasil, que se endividaram na década de 1970 com juros baixos contratados com taxa flutuante, caíram na armadilha e perderam o rumo. Juros compostos a 20% em dólar é um desastre. O Brasil sangra até hoje, e seus gestores, desde Sarney, não tiveram dúvidas em priorizar interesse próprios, deixando o país de lado.

O economista Delfim Netto explica a grande mudança em andamento no trato da finança pública: “Um fato fundamental é que a política monetária iniciada por Ilan Goldfajn e continuada por Roberto Campos Neto (ajudada pelo rigor fiscal) nos levou a uma taxa de juros e a um ‘risco’ Brasil que eliminaram o carry trade. É, talvez, a primeira vez na nossa história que se criaram as condições para uma taxa de câmbio flutuante sustentada por forças endógenas e não por uma taxa real de juros destrutiva do nosso setor industrial.”

Trata-se de uma higienização no rançoso modo de administrar juros, câmbio e o desequilíbrio fiscal produzido pela incompetência e falta de seriedade. Mas urge resolver a questão de como aumentar a produção e renda, que se arrastam no chão por décadas num país em que falta tudo. Taxa Selic de 4,5 %, o estranho é como esteve tanto tempo acima de 12 % a juros compostos. Como essa proeza foi conseguida? Será porque todo o sistema se acha atado às dívidas?

A irresponsabilidade com as contas sempre traz resultados desastrosos, nas contas públicas é terrível com tantas interferências de agentes corruptos. A partir de 2012 caímos de novo na armadilha da grande catástrofe de dívida que hoje toda a nação paga e sofre. Foi um desatino financeiro, um assalto que revelou a cobiça e o imediatismo geral. Temos padecido com a permanente irresponsabilidade no trato das contas públicas e na terrível estrutura monetária e cambial que tem favorecido a especulação em vez de promover a estabilidade econômica.

Diziam os poetas, na década de 1920, que a vida é uma celebração do encantamento. Mas o jornalista francês Gilles Lapouge diz que hoje não é mais assim, pois é na Bolsa para onde vai todo o dinheiro do mundo, cobiçando ganhos mirabolantes, que se contabiliza o valor da vida, enquanto o resto da economia segue para o brejo. Países mal geridos pela corrupção e incompetência estão retrocedendo de degrau em degrau ao chamado terceiro mundo; países pobres, com falta de preparo para a vida, dependentes de uma economia voltada para a agricultura, pecuária e atividade extrativista. A desfaçatez com que os rios e mananciais têm sido manejados mostra bem o declínio.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Se o querer, voltado para o bem, sempre for transformado em ação, a melhora geral será possível, buscando-se o auto aprimoramento, observando a lei do movimento aplicada na grande causa da humanização da vida, através do fortalecimento da espiritualidade e da coesão da vontade das pessoas para irradiar a Luz da Verdade.

Cada ser humano ativo no espírito tem de se adaptar aos meandros dos fios do destino produzidos por ele mesmo, com ampla coerência, incluindo intuição, pensamentos, ações, tudo integrado. Assim como numa árvore, as raízes, tronco e flores estão integrados, no ser humano, espírito, alma, corpo devem estar unidos de forma sadia, buscando elevação. A falta disso gerou as catástrofes que estamos enfrentando.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A TERRA É ESFÉRICA

Uma das questões mais absurdas que surgiram nos últimos tempos foi a afirmação, por alguns grupos, de que a Terra é plana e não uma esfera, como já foi comprovado cientificamente e por inúmeros astronautas e fotos de satélites. Qual será a causa dessa discussão infundada e irreal? Seria por conta da estagnação na economia e no preparo dos jovens? Em 2020 vamos continuar na mediocridade? Há brigas por todos os lados. Cada pessoa só pensa em si e nas suas conveniências. Enquanto faltar um ideal entranhado nas pessoas visando o bem geral, a espécie humana continuará decaindo.

Tudo na Terra poderia ter sido diferente se o ser humano mantivesse sua intuição voltada para a melhora geral. A população perdeu a confiança nesses homens maus que fazem de tudo para satisfazer sua cobiça por riqueza e poder, e que se esforçaram para manter as massas na indolência e ignorância. No passado, vivíamos de forma mais natural, mais leve. As intuições eram ouvidas, e os pensamentos, as falas e as ações continham consideração e sinceridade; as pessoas se beneficiavam mutuamente com seu querer voltado para o bem geral.

Estamos enfrentando a tragédia do desatino administrativo. Milhares de municípios estão com as contas no vermelho. Há todo tipo de desfaçatez, nas licitações, no lixo, nas contratações, no exagero de funcionários. Nada de tratamento do esgoto. E, no entanto, muitos prefeitos estão lá para serem reeleitos com a ajuda da máquina para continuarem seu trabalho de destruição das cidades e da educação das crianças. O líder também precisa saber avaliar os seus colaboradores e, aproveitando os seus talentos, dar a eles oportunidades para realizar trabalho de qualidade com dedicação. Mas na política valem os interesses e acordos, pouco importando a capacidade profissional.

A situação atual do planeta atesta a incompetência administrativa e o despreparo geral. Os jovens precisam conhecer a trajetória espiritual da humanidade com seus erros e acertos. O mundo está adentrando em uma recessão geopolítica irreconciliável que vai se aprofundando. As crianças devem, desde cedo, entender que sem educação e consideração não conseguirão progredir na direção de se tornarem seres humanos de valor, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta. Para formar gerações fortes e sadias de corpo e alma, a prioridade básica está no bom preparo para uma vida autêntica.

Na vida em geral a ciumeira é grande, a inveja e cobiça, maiores ainda. Num mundo onde os ideais enobrecedores foram abandonados, vale só o dinheiro. Isso acontece em todos os setores, mais ainda no governo. Agentes públicos e privados imediatistas não se preocupam se estão aumentando as fragilidades econômicas, sociais, ambientais. Hoje, porém, há um entorpecimento geral diante da velocidade com que se apresentam as consequências das decisões. Todos os sistemas de governo deram errado devido ao imediatismo e cobiça de poder. O s preços sobem, os salários estão encolhendo. Por que isso está ocorrendo? Seria o preparo para uma nova moeda digital mundial?

A economia e a produção deveriam estar voltadas para o atendimento das necessidades da humanidade levando em conta as finalidades evolutivas da espécie. Mas o homem inventou o dinheiro subordinando tudo a ele, e em vez de servir à sua própria evolução, passou a se subordinar aos interesses do capital, subvertendo tudo.

A possibilidade da criação de uma nova moeda mundial já havia sido mencionada pelo historiador Niall Ferguson em seus documentários. Mas qual é a posição dos criadores de moeda que agem nos bastidores? Um bom tema para ser pesquisado, afinal se trata do futuro da humanidade que abandonou os ideais enobrecedores, passando a dar valor apenas ao dinheiro.

O que estamos oferecendo às novas gerações? A educação em atraso é a questão prioritária que merece as atenções de todos. Os seres humanos estão abdicando de suas capacitações individuais, passando a agir como robôs. A prioridade básica para fortalecer as novas gerações e o país está no bom preparo para a vida e de incentivos que aprimorem a espécie humana para que pesquisem seriamente o significado da vida, por quê e para que nascemos na Terra, que não é o centro do universo, nem é plana.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

EM SE PLANTANDO… SE RECEBE

Novo livro de Duque Filho, voltado para o público infanto-juvenil

O reconhecimento do trabalho desenvolvido pela natureza, aqui na Terra, bem como em todos os planetas, sóis, estrelas, cometas, galáxias e buracos negros, é um processo que requer esforço para a compreensão de que tudo está interconectado para que as Leis perfeitas, porém bem simples, que regem a atividade da natureza e dos seres humanos, se cumpram incondicionalmente.

Nesta obra “Em se plantando… se recebe” (44 páginas), José Guimarães Duque Filho mostra, com belas imagens, a aplicação da lei natural: tudo o que fazemos são como sementes plantadas que trarão a colheita. Um pequeno livro no qual o autor busca a reparação do muito que fizemos em oposição a essas leis naturais que visam o bem da humanidade. Entender essas leis, pô-las na nossa vida cotidiana em todas as situações, é dever do ser humano. Um livro indispensável na educação infanto-juvenil para a vida, e para os seres humanos em geral.

SERES HUMANOS ATIVOS

Em momento oportuno, o presidente Jair Bolsonaro visitou o primeiro ministro Narendra Modi, da Índia. Oportuna viagem frente ao déficit na balança comercial do Brasil com aquele país que esperamos seja revertido com aumento e diversificação das exportações. A diversificação é muito importante, pois os itens tradicionais de exportação demandam pouca mão de obra. No dia 24 de janeiro, a Índia, país que se tornou independente em 1947, comemorou 71 anos de sua república. O Brasil se tornou independente em 1822, mas o banimento do imperador D. Pedro II nos levou a uma improvisada república capenga e corrupta que manteve o país em grande atraso. Necessitamos de um Brasil viável, que não seja apenas um fornecedor de riquezas para o mundo.

As condições econômicas sofreram profundas alterações nos últimos trinta anos com instabilidades, imprevisibilidades e concentração da produção industrial no capitalismo de Estado. O planeta está no limite crítico com quase oito bilhões de almas encarnadas e dominado por homens arrogantes e cheios de cobiças. Falta à grande parte da população o bom preparo para a vida e oportunidades. Faltam empregos e, com isso, a economia de subsistência ficou desestruturada. A arte é livre, mas o achincalhe nunca poderá ser considerado como arte. Está na hora de retirar a “banheira do achincalhe” colocada na cultura brasileira desde longa data, quando a arte caiu nas malhas das drogas e da corrupção.

Especialistas advertiam sobre os efeitos que poderiam advir com a globalização, e mesmo assim nada foi feito. Os empregos foram embora. A classe média está evaporando. O dinheiro está se concentrando em poucas mãos, o que contribui para aumentar a precarização. Como reação, o slogan Jai Hindi – uma saudação e grito de guerra comumente utilizado na Índia em discursos e comunicações relativas ao patriotismo – está ressurgindo pelo mundo. Mas os conflitos de interesses estão criando um clima de confrontos econômicos que não se sabe até onde irão. Produzir, dar trabalho, renda, consumo, são as questões difíceis de solucionar na economia globalizada.

No mundo, o pessimismo tem sido a norma, embora ande às cegas, sem querer ver a realidade da economia globalizada. Quando eu soube como funcionavam as Sociedades Anônimas (S.A.) achei genial porque com isso todo mundo poderia ser dono de um pedaço das empresas e receber dividendos. Depois, vendo a história de Charles Chaplin que se afastou da bolsa pouco antes do crash de 1929, percebi que algo não estava certo. A indústria foi para o capitalismo de Estado, onde a liberdade é restrita. Com a baixa dos juros, o dinheiro corre para a bolsa e sua valorização pouco racional. Poucos investem em produção.

Na economia globalizada é difícil competir com as produções em larga escala. Então a economia fica nessa estagnação, a renda vai minguando, e com a queda na renda, o consumo também cai. O noticiário internacional trouxe um assunto preocupante de consequências assustadoras: o surgimento de um novo e perigoso vírus na China capaz de causar pneumonia forte e morte. Diante de tantas dificuldades, como o Brasil poderá conseguir dinamizar a produção e criar mais empregos?

A cidade de São Paulo, fundada em 25 de janeiro de 1554, surgiu como um ponto magnético no mapa do Brasil, para onde afluíram pessoas de todas as raças e todos os credos, que deveriam aglutinar os seus anseios na busca da Verdade, livres do dogmatismo e misticismo, contribuindo para que o Brasil se tornasse verdadeira Pátria de Luz.

Muitos empreendimentos tiveram sucesso porque seus realizadores aprenderam desde crianças com seus pais a arte de gerir negócios empresariais em vivências práticas diárias. Mas, com o tempo, os seres humanos se deixaram arrastar ao comodismo e indolência para que não se tornassem ativos no espírito e livres para buscarem a Verdade sobre a vida que se transformou no emaranhado criado pela ausência de propósitos enobrecedores.

Cada ser humano ativo tem de se adaptar aos meandros dos fios do destino com ampla coerência incluindo intuição, pensamentos, ações, tudo integrado. Assim como numa árvore, as raízes, tronco e flores estão integrados, no ser humano, espírito, alma, corpo devem estar unidos de forma sadia, buscando elevação. A falta disso gerou as catástrofes que estamos enfrentando.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

POR UM BRASIL VIÁVEL

Por milhares de anos a espécie humana tem sido mal orientada, arrastada para a indolência e estagnação. A massa semiescravizada se deixou apequenar, sem se equipar para desenvolver os talentos, reagir aos desafios com clareza e bom senso, permanecendo estagnada quando deveria evoluir de forma contínua. Em que os homens acreditam? Em que deveriam acreditar? Estamos enfrentando inúmeros problemas decorrentes da construção imediatista sem observar as leis da natureza que a tudo abrangem. A displicência com os mananciais e os rios está mostrando as duras consequências na escassez da água potável.

O mundo materialista fundamentado no dinheiro que não se interessa pelos ideais enobrecedores começa a oscilar. Oscila a construção áspera do homem dominado pelo raciocínio frio e calculista que quebrou a antena para a eternidade. Perdem-se as expectativas de progresso real para todos. Surge o capitalismo de Estado que vai introduzindo sistemas manufatureiros e tecnológicos visando acumular riqueza, poder e controle, atento ao equilíbrio da balança comercial e geral para garantir o acúmulo de reservas internacionais. Importa apenas o essencial e matérias-primas, avançando pelo mundo com muita atenção nos concorrentes.

No mundo apressado, separado da consciência ancestral, a humanidade se fragmentou, perdeu a coesão ligada aos mandamentos naturais da mãe Terra. Adentramos na era da precarização geral que, no limite da insanidade mental coletiva, poderá resultar em incontidas explosões de rancor, o que leva a elite dominante a pensar que a solução estaria na implementação de um governo autoritário mundial.

Os idosos não se aprofundaram na compreensão do significado da vida e suas leis, e muitos deles vão perambulando pela vida com insatisfações e angústias, sem olhar para o sentido maior da existência, mas eles tinham educação e bom senso, o que está acabando. Os mais jovens não foram preparados adequadamente para a vida, mas geram filhos menos preparados ainda e provocam consequências ruins para o presente e o futuro.

A Austrália, inicialmente povoada por presos ingleses, acabou se tornando uma região mais disciplinada que o Brasil corrupto e atrasado. Os ingleses também estiveram merendando no Brasil, mas pouco deixaram e muito levaram. A América Latina, com sua população sub educada e subnutrida é o pasto de engorda dos astutos globalizados e dos corruptos. No Brasil, recaímos na dívida grande. Na guerra cambial especulativa, a reserva em dólares poderá se reduzir. Tudo isso poderá tornar o Brasil inviável, com dificuldades para se tornar um pais com autodeterminação e progresso real, de onde os cidadãos querem fugir.

A permissão para os governantes, especialmente de Dilma Roussef, para endividar o Brasil até o pescoço, desencadeou a continuidade do aumento da desigualdade até que a dívida possa alcançar novamente os percentuais exigidos pelo mercado financeiro. Entre as grandes ameaças para a humanidade estão a falta de preparo para a vida, que está sufocando os ideais enobrecedores, e a ampliação do entorpecimento geral da população pelas drogas, cuja comercialização e faturamento clandestinos mundiais não têm medida.

A taxa de juros direciona o dinheiro, mas depende da inflação. Muitas categorias profissionais estão recebendo reajustes insignificantes, mas os preços em geral estão sendo reajustados. É o aperto, a transferência dos encargos para a população, que, sem dinheiro, reduz o consumo e a inflação não se manifesta, dando espaço para a baixa dos juros, indispensável para a contenção da dívida crescente e euforia nas bolsas.

No geral, amplia-se o atraso e o desânimo da população. Diante dos acontecimentos percebe-se que a construção financeira mundial dá mostras de estresse. Elites dominantes pensam em nova ordem de mando, fundada em novo dinheiro mais controlador. A cada novo dia, enfrentamos as consequências das ações praticadas anteriormente, que lamentavelmente pouco de bom promoveram.

Os indicadores apontam para anos difíceis pela frente. O século passado foi a coroação da irresponsabilidade. No atual, não houve mudança, a aridez e aspereza permanecem. Nada a estranhar sobre o que vem por aí. Quando o mundo se libertará do dogmatismo, do misticismo e de governantes que impõem sua vontade tirânica? “Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará”, mas o homem foi condicionado a não utilizar suas capacitações espirituais e mentais para examinar e analisar tudo que lhe é impingido e o resultado é o crescente apagão mental que se observa em todos os níveis.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

BONDADE ESPIRITUAL PARA 2020

Uma pessoa pode ser espiritualmente indolente e muito inteligente, mas um olhar atento pode revelar que falta a ela a sabedoria natural da vida, pois a atuação do espírito e a do raciocínio não são a mesma coisa. Falta a bondade espiritual, surgindo como consequência a frieza do raciocínio que impulsiona o ego para impor suas cobiças acarretando crescente aspereza no viver. Mais de sete bilhões de seres humanos estão agindo em oposição às leis da natureza. O que se poderia esperar senão a grande crise civilizatória em que estamos adentrando? Parece que o mundo tende ao desumano com muitos espinhos e poucas flores.

Os juros caíram. O governo tem de segurar o crescimento da dívida e recuperar o poder de decisão perdido pelo acúmulo de dívidas com muitos dispêndios supérfluos a juros maiores do mundo. Por que a economia não anda? O drama está na renda baixa dos consumidores, que resulta da baixa produção, falta de emprego, muitas utilidades vindas de fora que, apesar de custarem menos, requerem pagamento em dólares e transferem empregos para o exterior. Então, o que o ministro Guedes e sua equipe deveriam fazer?

A física quântica vai às entranhas da matéria, às partículas mínimas como átomos, moléculas, nêutrons e prótons, mas o que une e vivifica a matéria? Tudo se resume a uma só coisa:o automático funcionamento das leis da natureza. Nada acontece por acaso, tudo tem a sua causa e razão de ser, mas o homem, dotado de livre arbítrio, ainda engatinha nessa questão. É preciso colocar-se com humildade diante dessa grandeza e observar que tudo se processa de forma simples e natural. Por quê? Para quê?

As leis naturais da Criação atuam permanentemente, mas a grande maioria imagina que elas nem existem, apesar de dia a dia nos defrontarmos com os seus efeitos, dos quais ninguém consegue se esgueirar. Por isso mesmo temos de permanecer atentos aos efeitos de nossas ações sobre nós mesmos e outras pessoas também, para não semearmos ruína e infelicidade à nossa volta. O semear é livre, a colheita, obrigatória.

Para entender a vida, estudar a natureza, sua lógica e sua beleza é o melhor caminho. O intelecto, com sua mania de grandeza, quer dominar. Cada ser humano tem de utilizar seus talentos e sua intuição para encontrar as respostas e deixar de ser um zumbi, um vivo que mais parece um morto sem força de vontade.

O ano de 2020 convoca os líderes e as pessoas em geral para um trabalho digno da espécie humana. O mundo está inquieto e receoso, mas o Brasil afundou muito e tem de sair do buraco, sanar dívidas e imoralidades, o que requer força e perseverança. Do jeito que estava indo havia o sério risco de o país deixar de ser uma nação com autodeterminação, embora ainda corra esse risco, pois os privilegiados reagem e não querem ceder, fazendo de tudo para semear a insatisfação, revolta e promover o caos.

O ano novo dá a grande oportunidade para sair do marasmo e da restrição do raciocínio rígido incapaz de enxergar a realidade da vida. Convida para aprofundar no saber da espiritualidade. “Diga com quem andas e direi quem és”. Escolher acertadamente as pessoas para diálogos e reflexões, mas é fundamental que sejam pessoas que visem o aprimoramento humano, sem dogmas ou misticismo, com toda clareza e lógica das leis da Natureza.

Tomemos a sabedoria da obra Mensagem do Graal, de Abdruschin: “O ser humano deveria ser o elo de união deixando-se guiar pela intuição pura transmitindo-a para a matéria grosseira, utilizando o raciocínio para implantar tais intuições na vida material, favorecendo e enobrecendo toda a Criação. O ser humano pleno e espiritualizado, não acorrentado e restringido pelo raciocínio, atua favorecendo e enobrecendo toda a Criação de matéria grosseira, como a grande finalidade dos seres humanos na Terra. Semeia paz e compreensão do significado da vida na Luz da Verdade.”

Esqueça as mágoas, as traições dos falsos amigos, a pressão dos invejosos; jogue tudo no fundo do mar para que perca a consistência e vire pó inofensivo. Liberte-se e renove-se com nova coragem e alento vivificador para ingressar firme e forte no novo ano, em busca de progresso e evolução.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ÉPOCA DE REFLEXÕES

As festas de final de ano são propícias para reflexões. É preciso enxergar a realidade da vida com clareza. Durante décadas, a humanidade descontente tem sido envolvida por sonhos utópicos de derrubar o poder e começar tudo de novo, o que levaria a outra situação que logo poria novamente a descoberto o mal-estar existencial decorrente do desconhecimento absoluto do significado da vida. Buscar esse saber deveria ser o grande alvo dos indivíduos, independentemente de onde nasceram e do que foram levados a acreditar. Hoje há desalento, comodismo e grupos radicais. A economia imediatista do dinheiro levou à globalização, a qual promoveu os desequilíbrios que assustam a humanidade.

Há mais de 30 anos atravessamos relaxamento econômico no país. Desde o tempo em que o Brasil se prestava para fornecer açúcar, café, ouro e outras preciosidades com regime escravocrata, não se formou um mercado interno forte dada a baixa renda e despreparo da população.

A política de dólar baixo inviabilizou a indústria e com isso foram trazidos produtos do exterior com preços baixos. Perdemos tempo, ampliamos o atraso. O mundo está convulsionado. Os EUA emitem dólares para o mercado financeiro, e os chineses produzem para abastecer o mundo, acumular dólares e investir de norte a sul. A competição é acirrada e o mercado interno continua fragilizado.

A globalização e os avanços no transporte fizeram com que populações semiestagnadas na economia de subsistência pudessem ser mobilizadas para a produção industrial com custo ínfimo, mas pouco se pensou nas consequências para o mundo, como o desemprego, queda de renda e desigualdade. A integração de mão de obra barata na produção globalizada, feita de forma imediatista e sem um planejamento, acarretou sérias consequências para a classe média. Deveria ter sido buscada uma forma menos traumática para melhorar as condições gerais de vida dessas populações.

A economia do Brasil permanece subordinada e dependente da exportação de matérias-primas e commodities, gerando poucos empregos e baixo valor agregado. A integração nas cadeias globais de produção deve ser feita sem desequilibrar ainda mais a economia do país Há no ar um cheiro de salve-se quem puder. Amplia-se pelo mundo a busca por acumulação de dinheiro, poder e a consequente desigualdade na partilha da renda; a diferença está apenas se a gestão é tipo empresarial ou centralizada no poder estatal.

Vivemos o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional, levando a luta pela sobrevivência a extremos jamais vistos. É preciso educar o ser humano efetivamente para a vida, para o bem geral. É preciso enxergar a realidade com clareza. O que restou sobre os ensinamentos de Jesus traz um ranço enganoso, místico e dogmático. O conhecimento do significado da vida deveria ser o grande alvo dos indivíduos. Com palavras simples, Jesus descrevia o processo natural do amadurecimento do germe espiritual que deveria se tornar verdadeiro ser humano. Três reis foram conduzidos para dar proteção, mas se retiraram.

Levou alguns séculos para o dinheiro se tornar o ídolo dominante. Os países foram estruturados para dar suporte legal ao dinheiro e, ao mesmo tempo, se tornarem deficitários. Vale tudo para acumular dinheiro e poder, a situação ficou difícil. No passado, havia expectativa de progresso e melhora, produzia-se, empregava-se. Depois vieram as dívidas e juros.

Os governantes passaram a achar que importar reduziria o custo de vida. A dívida explodiu no Brasil, Argentina e em outros países. Fala-se que o montante geral da dívida mundial ultrapassa 50 trilhões de dólares, um número muito perigoso para taxas de juros acima de zero. A ordem é fazer a despesa caber na receita. No entanto, os empregos estão sumindo, a atividade do governo na educação e saúde torna-se precária. O que fazer? Como gerar trabalho renda e investir no preparo dos jovens?

As novas gerações têm sido mal orientadas e conduzidas, não aprenderam a potencializar os talentos que deveriam ser empregados para o desenvolvimento individual e geral. Importa buscar o significado da vida, voltar-se para o bem, para a melhora das condições de vida, para o aprimoramento da espécie humana. Jesus falou disso tudo, indicou o caminho da Luz da Verdade, mas quem se lembra e pratica isso tudo?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

UMA NOVA SINTONIZAÇÃO

Um fim de ano aquecido nas Bolsas. No que diz respeito aos juros, provavelmente permanecerão estáveis para países altamente endividados e tentando conter a dívida, caso do Brasil. A prática de juros altos criou todo o artificialismo, sugou as energias e o país cambaleia; uma volta ao realismo, até quando? Mas o que acontecerá se no futuro os juros voltarem a subir? O rigor fiscal é importante, mas os sacrifícios estão nas costas dos mais fracos. A renda fica estagnada, mas os preços sobem. Estariam os especuladores preparando novo ciclo de valorização do real para lucros gordos?

Mais de sete bilhões de seres humanos estão sintonizados de forma errada perante as leis da natureza ou da Criação. Aumenta a turbulência porque as consequências estão pipocando por todos os lados, na vida individual, nas famílias, nas empresas e nos países, agravando a situação geral. Não faz muito tempo, os avós ensinavam que por pouco que seja é preciso poupar, não gastar tudo, ter uma reserva para emergência, ser independente. Hoje, poucos sabem de onde vieram e por que vivem. Infelizmente essa é a triste realidade que se apresenta em muitos países.

A ficção dá uma ideia do que vem ocorrendo atualmente, como no filme “As golpistas” que conta a história de um grupo de dançarinas de strip-tease que se unem para aplicar golpes em seus clientes – executivos de Wall Street. Para Destiny (Constance Wu) e sua “mentora” pessoal e profissional Ramona (Jennifer Lopez), “o mundo é uma boate de strip-tease”, e na realidade é isso mesmo que está acontecendo, acabando com o pouco de dignidade humana. As mulheres tiram a roupa e mostram seu corpo, os homens se embrutecem e, na vida real, tiram a máscara e mostram a sua hipocrisia e vileza para satisfazer à própria cobiça. Uma meleca que muitos não conseguiram ver por inteiro, retirando-se da sala, desapontados.

Estamos enfrentando um declínio civilizatório que avança pelo mundo e traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos. A decadência está penetrando também pelo uso de baixarias na arte, drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína.

Por que a humanidade entrou em processo de decadência e incivilidade? A essência espiritual dos seres humanos é a mesma, seja rico ou pobre, mas é indispensável cuidar bem do corpo – este grande presente -, se alimentar, se aprimorar, gerar filhos com responsabilidade e dar orientação a eles, buscar o sentido da vida.Tudo fica difícil, agravado com a falta de bom preparo das novas gerações desde os adventos da televisão de baixo nível e outros inventos, e o abandono da leitura de bons livros. Há muito superficialismo e pouco aprofundamento nas questões fundamentais da vida individual e da sociedade. Há grande empenho em manter tudo como está para assegurar os privilégios dos que se alojaram no topo.

Durante décadas, no pós-guerra, surgiu a sensação de esperança num mundo melhor, mas na luta por ganhos e conquistas as novas gerações passaram a ter sensação oposta, ou seja, de que a situação tende a piorar devido à cobiça desmedida. Na pressão aumentada na luta pela sobrevivência, a polidez e a consideração vão sendo postas de lado o que poderá levar a atitudes pouco civilizadas. Quanto mais aumenta a pressão, maior é a tendência da ação impulsiva de pessoas que não querem ouvir o sentimento intuitivo.

Estamos atravessando um desequilíbrio econômico mundial com aumento no desemprego e queda na renda. Há desordem nas contas públicas e dívidas elevadas. A economia está perdendo a vitalidade. Os bancos centrais imprimem mais dinheiro e baixam os juros. Em 2020 haverá eleições, fase em que se amenizam as disputas. No Brasil, após a eleição de 2014, apareceu o buraco que estamos amargando até hoje. O que se passará no mundo após a eleição americana de 2020? É preciso uma nova sintonização, o fortalecimento da vontade de melhorar as condições gerais de vida e de aprimorar a espécie humana.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora).  E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

HIPOCRISIA E FALSIDADE GLOBAL

Um sentimento de desapontamento começa a se expandir de forma incontida, gerando revoltas, mas ainda estamos longe da busca efetiva de melhora das condições gerais de vida e do aprimoramento da decaída espécie humana. A América Latina ainda sofre o efeito Pizarro, o conquistador que sufocou a civilização Inca com sua cobiça por ouro. Esse acontecimento norteou, explicitamente, por longo período, as intervenções na região, onde a prioridade era a pilhagem dos recursos naturais, enviando-os para o exterior, sem que resultasse em melhora nas condições de vida da população que acabou se acomodando aos ditames dos políticos demagogos, não raro subservientes a interesses externos.

Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações. Falta um sentido elevado para a vida e a espontânea alegria de viver. As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Na indolência, a força de vontade de buscar a Luz da Verdade sobre o significado da vida é fraca. O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que se aproveitam disso para implantar o caos para que a humanidade se perca nas brumas do descontentamento, sem um olhar sincero de gratidão para o Alto pelo dom da vida. Hoje, na Terra, nos ambientes de trabalho em geral, há falta da coesão e do pensamento homogêneo, todos juntos seguindo na direção do progresso com propósitos nobres e edificantes.

Uma característica que encontramos com frequência é a hipocrisia, o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa, na verdade, não possui, mas quer que os outros pensem que estão tratando com uma pessoa honesta, que exige que os outros tenham uma conduta correta, a qual no íntimo desdenha, e que ocultamente deixa de adotar. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis, ambos significando a representação de um ator e seu fingimento na interpretação de um papel. Atualmente, essa palavra designa pessoas que se comportam de forma enganosa e falsa para atingir seus fins.

Como o dinamismo da economia brasileira poderá ser despertado após longo período de gestão monetária e cambial contrária aos interesses do país? Qual é a verdade sobre a alta do dólar? Guerra comercial? Ameaça de recessão global? Déficit na balança de pagamentos? Se o Brasil não produz dólar, como mantê-lo barato? Durante décadas atraímos o dólar oportunista que vinha pelos juros mais altos do mundo, e pelas jogadas especulativas na Bolsa e no câmbio. A consequência foi a elevação da dívida e a estagnação da indústria. O dólar se tornou um fator geopolítico financeiro.

Os países se estruturaram para serem deficitários e cobrir seus déficits com financiamento, e tudo foi se tornando sem base, agravando-se com a corrupção. O dinheiro e os bens em geral não representam um mal em si; o mal está na cobiça que se instalou entre os humanos no “vale tudo” para acumular dinheiro. Enquanto isso, o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social domina o planeta, ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional.

O governo está deixando o câmbio flutuar mais livremente utilizando a reserva internacional. Quais serão as consequências da alta do dólar para o Brasil e o mundo? Países como o Brasil deveriam cuidar de seu povo e de sua economia, mas a dependência de dólares travou tudo e seus governantes não souberam como deveriam ter agido. A dependência de financiamento externo se tornou a grande armadilha para os países dependentes que se acomodaram com paliativos e juros elevados. O mercado financeiro global é implacável. Se a economia não for estruturada de forma equilibrada, o caos se alastrará.

A questão do dólar já era complicada no tempo do acordo de Bretton Woods. Com a ruptura, o governo americano perdeu o controle da moeda global da qual a maioria dos países se tornou dependente. Déficits, valorização do câmbio ou sua desvalorização se tornaram os fantasmas de muitos governantes. No Brasil a baixa dos juros pode estar afetando a cotação do dólar, mas, além disso, será que há outros fatores desconhecidos pelo público em geral? O país tem de ultrapassar essa ameaça com realismo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS GOLPISTAS

A respeito do filme “As golpistas”, que conta a história de um grupo de dançarinas de strip-tease que se unem para aplicar golpes em seus clientes – executivos de Wall Street – o que se poderia dizer? Para Destiny (Constance Wu) e sua “mentora” pessoal e profissional, Ramona (Jennifer Lopez), “o mundo é uma boate de striptease”, e na realidade é isso mesmo que está acontecendo, acabando com o pouco de dignidade humana. As mulheres tiram a roupa e mostram seu corpo, embrutecendo os homens. Na vida real, os homens tiram a máscara e mostram a sua hipocrisia e vileza para atender à própria cobiça. Uma meleca que muitos não conseguiram ver por inteiro, retirando-se da sala, desapontados.

Modernismo não é a pregação da libertinagem e comportamento desenfreado. O século 21 apresenta as incoerências da civilização materialista que forjou a economia da cobiça, do acúmulo e controle do dinheiro, que se sobrepõe às ideologias de direita e esquerda, colocando o dinheiro acima de tudo o mais, provocando aumento da miséria e precarização geral. Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações.

Falta um sentido elevado e a espontânea alegria de viver. As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Estamos enfrentando um grande declínio civilizatório que traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge. Uma crise civilizatória avança pelo mundo, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos. A decadência está penetrando também pela falsa cultura, uso de drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína.