VANAJA

Numa cidade localizada no sul rural da Índia, a adolescente Vanaja (Mamatha Bhukya), de 15 anos de idade, filha de um pescador com dificuldades financeiras, vai trabalhar para a senhoria local Rama Devi (Urmila Dammannagari) com a esperança de aprender a dança Kuchipudi. Ali ela conhece o filho da dona da casa que retornou dos Estados Unidos, que a envolve numa atração sexual e acaba abusando da menina que entra numa gravidez indesejada, lançando-a numa batalha de Casta e Alma.

O filme é bem feito, mas triste, retratando uma cultura estagnada. Para qualquer região do planeta que olharmos veremos a grande estreiteza dos seres humanos, com mais ou menos miséria. Segundo Rajnesh Domalpalli, diretor do filme, os jovens na Índia estão recebendo uma educação muito melhor agora. A imprensa também está ficando mais forte e a economia está melhorando. Portanto, ele está muito esperançoso com o futuro.

Por meio de Vanaja, a ideia do diretor era transmitir a mensagem de que a arte ajuda o espírito humano a transcender o sofrimento e de mostrar a cultura indiana que é interessante. As danças no filme são no estilo Kuchipudi, ao som da música clássica denominada Carnatic Music, ambas do sul da Índia. O filme se passa em dois estados do sul: Andhra Pradesh e Telangana.

No início do filme, ouvem-se contadores de histórias rurais que cantam e relatam um pequeno episódio do antigo épico Mahabharata, no estilo chamado Burra Katha, que também é apresentado em partes do sul da Índia. O filme conta ainda com música folk que se ouve ao fundo e gravada na zona rural de Telangana. Saiba mais na entrevista com Mamatha Bhukya (que interpretou Vanaja) no YouTube: https://youtu.be/Xcg174lywN0

O fato é que a espécie humana está falhando, não está guiando os jovens como deveria na direção do aprimoramento da humanidade. Falta alma. Os seres humanos vão desfilando de forma artificial, desconhecendo o real significado da vida, e quase todos criam o caos em sua volta. O que querem os pais? O que os motivou a gerar filhos? O que querem os filhos? O mundo está em transformação; esperemos que venham melhoras na compreensão da vida e na consideração entre os seres humanos.

TRUMP OU BIDEN?

As grandes batalhas requerem a arte da sutileza e do sigilo, ou seja, aprender a ser discreto, calado. Ostentar força pode intimidar, mas achar que o outro está intimidado não é argumento para cantar vitória antecipada nesta época com falta de verdade e sinceridade. Um ataque bem planejado, num ponto sensível, provocará reação impulsiva, atabalhoada, consumindo energia e serenidade, revelando pontos vulneráveis. De que valeria recontar votos supostamente fraudados?

Existem técnicas milenares, de Sun Tzu a Machiavel, mesmo assim vaidosos se desguarnecem e quando percebem já estão cercados pelas manobras e avanços do contendor. Essa reflexão mantém proximidade com o embate eleitoral dos Estados Unidos. Na China é mais simples; na prática, tradicionalmente, o presidente indicado é o secretário-geral do Partido Comunista. Não há votos com cédulas, votos pelo correio, ou urna eletrônica – meios passíveis de corrupção.

Trump construiu uma plataforma patriótica visando sair da estagnação econômica interna decorrente da transferência da produção para a China, e também para criar empregos, pois um país que não produz acaba ficando para trás no desenvolvimento técnico. Tarefa difícil em meio à pressão para globalização e concentração das finanças e produção.

A troca de presidente poderá reforçar a onda de globalização da economia e do poder, comprometendo o sonhado padrão de vida americano, que acabou estagnando sem alcançar avanço mais consistente da humanidade, promovendo regressão inesperada. Trump ou Biden? As leis divinas asseguram que serão guindados ao poder aqueles que desencadearão os acontecimentos-chave para a grande colheita da humanidade.

A principal incerteza para os fabricantes está na acirrada concorrência de países que produzem para exportar, fazendo de tudo para reduzir o custo. Tudo dá para contornar, menos a concorrência voraz que destrói fábricas, empregos e renda. Um novo cenário está sendo montado. Pode ser que o conceito de pátria venha a ser profundamente afetado e os EUA deixará de ser aquilo que poderia ser, uma pátria de seres humanos que evoluem. O Brasil também corre o mesmo risco.

Os Estados Unidos deveriam se sustentar como nação modelo, no entanto, transferiram a produção para fora, gerando desemprego. As novas gerações se apresentam com pouco preparo, embora melhor que as do Brasil. Com quase oito bilhões de bocas e natureza esfolada, a miséria se foi espalhando pelo mundo cuja prioridade tem sido o ganho financeiro e poder.

As elites estão vendo que a Terra está nos limites críticos, temerosas de que a população mundial chegue aos nove bilhões. Pessoas imediatistas procuram tirar o máximo proveito de tudo ao seu alcance, sejam os financistas, os capitalistas corporativos ou de Estado, esquerdistas e direitistas, todos buscando o seu quinhão de riqueza e poder, pois percebem que não vai demorar a chegada de um futuro sombrio para a humanidade. Nesse meio, uns poucos heróis se esforçam pelo bem geral na tentativa de ajustar os desequilíbrios.

E, com tantos problemas para resolver, há uma preocupação com a autonomia do Banco Central do Brasil. Urgente mesmo é produzir mais, gerar empregos, renda, consumo, atividades. Sem isso o país vai continuar patinando para trás. A humanidade está no fio da navalha enfrentando uma situação com enormes desequilíbrios de difícil solução. Um desequilíbrio que se quer neutralizar com a uniformização do comportamento da massa para que esta se mantenha nos limites a serem demarcados.

Os seres humanos, hospedados no planeta Terra, viviam na segurança da regularidade dos acontecimentos, pois tudo ocorria como se previa; mas, de repente, tudo mudou e não se sabe mais como será o amanhã, em quem se pode confiar, que dificuldades trará. Como enfrentar esse novo desafio? Os seres humanos mudam de opinião seguindo interesses ou por medo. A serenidade deve surgir da confiança, mas as leis dos homens são movidas por interesses particulares.

A humanidade caminha com cegueira crescente sobre a real finalidade da vida. O desejo de dominar se estende desde as famílias, empresas, religiões, estados. Não há amizade, só interesses econômicos e de poder. Estamos adentrando numa fase crítica. A dominação das trevas alcançará o seu auge antes do desmoronamento da construção sem alma. Sob a pressão da intensificação da Luz, serão desenredados os emaranhados fios dos destinos da humanidade, abrindo o caminho para aqueles que, com sincera humildade, querem evoluir.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O SUBSTITUTO

A espécie humana está fracassando, não está guiando os jovens como deveria na direção do aprimoramento da humanidade. No filme “O substituto” Adrien Brody é Henry, o neto que sofreu algum trauma de família na infância, mas também é o professor substituto que bem entende a aflição de seus alunos revoltados com a vida, sem propósitos enobrecedores e sem consideração para com o próximo. Alcançar a compreensão das complicações do mundo em que vivemos era o que ele tentava fazer com os jovens.

Os seres humanos ganharam um corpo e receberam o planeta para usufruto e progresso espiritual. Mas o que fizeram com esse corpo que deveria ser respeitado e bem cuidado? O que fizeram com o planeta, deixando-o como se fosse uma estrebaria emporcalhada. Não souberam aproveitar o tempo que lhes foi concedido na escola da vida. O mundo ficou com tristeza ao ver esses seres humanos tão distantes daquilo que deveriam ser.

Na escola, professores e alunos vão desfilando de forma artificial desconhecendo o real significado da vida, e quase todos criam o caos em sua vida. Onde estão os pais? O que os motivou a gerar filhos? O que querem os filhos?

Decepcionado ao ver os seres humanos numa forma de viver vazia, sem alegria, e ao perceber a falta de força de vontade nos jovens, o professor substituto queria que eles se dedicassem à leitura, que estimulassem a própria imaginação, preservando a liberdade da própria mente e fortalecendo o querer interior para não agirem como robôs, sem coração.

FIM DOS DIAS

Muito se tem escrito sobre o Juízo Final, basta lembrar do livro do Apocalipse – as revelações de João, Sibila de Cumas, Nostradamus, só para citar alguns, mas há livros mais recentes como o Código da Bíblia, de Michael Drosnin, segundo o qual estamos vivendo agora a época do perigo supremo, o fim dos dias, como advertência para que os seres humanos se esforcem para mudar o curso dos acontecimentos. Patrick Geril escreveu O Cataclismo Mundial, em 2012, alertando sobre um desastre fatal sobre a humanidade. De forma confusa, ambos apresentam previsões sobre o futuro da humanidade, fatos e argumentos falando de terrorismo, da ocorrência de uma terceira guerra mundial, das crises econômica e ambiental.

Contudo, mais esclarecedor é O Livro do Juízo Final, no qual a autora Roselis von Sass expõe de forma simples que a primeira notícia de um vindouro Juízo foi divulgada durante a construção da Grande Pirâmide do Egito. O livro examina atentamente a atual situação das condições em que vivem os seres humanos. Segundo a autora, estamos diante da grande transformação universal, época em que os erros da humanidade serão mostrados sob a luz da Verdade, e tudo irá oscilar. Um enviado da Luz, proveniente das alturas máximas, iniciou o gigantesco acontecimento; não é um acontecimento pontual, mas um processo natural que levará vários anos sempre caminhando para o remate. Os homens quererão mostrar que são os senhores da Terra. Além dos grandes acontecimentos econômicos e sociais, a natureza mostrará sua força. O juízo também se processará no íntimo de cada ser humano. O livro de Roselis tem por finalidade despertar o anseio pela verdade e também conduzir para a verdade, pois a verdade transmite força, saber e verdadeira paz de alma.

A COSTUREIRA DOS SONHOS (SIR)

De forma diferente do estilo Hollywood, os filmes produzidos na Índia tendem a transcorrer suavemente com menos cenas de impacto. A protagonista Ratna (Tillotama Shome), do filme A costureira dos sonhos (Sir), representa uma mulher de coragem que teve a ousadia de sonhar com uma vida melhor. Nascida na vila, orientada desde cedo que nasceu para trabalhar para os outros para ter o que comer, sem direito a uma vida própria, a não ser obedecer às rígidas tradições do sistema de castas, umas sobre as outras. Ratna trabalhava em Mumbai como doméstica no apartamento de um engenheiro rico chamado Ashwin (Vivek Gomber). Ali, no apartamento, se passa a maior parte das cenas, o contraste entre uma pessoa instruída e de posses e outra dependente de seu trabalho para um viver no aperto, mas dotada do bem senso que a vida lhe ensinou.

Ashwin estranha que ela acredite em Deus e pergunta se ela não fica aborrecida e revoltada com as condições antinaturais em que vive, mas ela responde que nada pode fazer para mudar isso, pois desde criança tinha sido habituada a encarar essa situação naturalmente. Mas queria ser costureira estilista para ter uma condição melhor de vida do que as viúvas em geral que ficam presas à casa dos sogros.

Ratna percebe claramente como é difícil a união entre um homem e uma mulher quando são flagrantes as diferenças culturais e econômicas, como se vivessem em mundos diferentes, mas não se pode negar o encanto do relacionamento entre os jovens. Com força de vontade, Ratna vai ao encontro de um caminho de esperança para sua vida sofrida. Ashwin também conseguirá se desligar da decepção causada por sua noiva. O filme dirigido por Rohena Gera apresenta uma conscientização da questão da sociedade dividida por castas vista pelas novas gerações e, ao mesmo tempo, uma possível acomodação.

UM PORTO SEGURO

Baseado em livro de Nicholas Sparks, “Um porto seguro” é interessante para quem reconhece a existência da alma. O filme conta a história de Katie (Julianne Hough), que foge de Kevin (David Lyons), um detetive obcecado, e procura abrigo numa pequena cidade onde vivem americanos simples que cultuam o 4 de julho com festas e trabalham seriamente pensando no bem do país, se divertem com pequenas coisas, pois onde moram a vida é calma e a natureza é bela e acolhedora.

Katie evita fazer amizades, procurando se distanciar das pessoas. Conhece Jo (Cobie Smulders), vizinha que vivia só, e as duas começam a dialogar sobre a vida. Jo diz que gostaria de partir, mas algo a impedia. Kevin descobre o paradeiro de Katie e de novo ela pensa em fugir, mas é tarde demais e as complicações acabam envolvendo os novos amigos dela. Depois de uma situação dramática, ela se livra de Kevin, o que lhe permite viver o romance com Alex (Josh Duhamel), viúvo, pai de dois filhos. Jo também se despede; ela estava presa ao passado e não conseguia seguir em frente preocupada com o futuro dos filhos.

TOLERÂNCIA ZERO

“Tolerância Zero”, com roteiro e direção de Wych Kaosayananda, pelo que se vê no início poderia ser um bom filme de suspense, mas vai decaindo sem dar força para a história, embora conte com Scott Adkins como atração, que interpretou o lutador de prisão Boyka. Mas Adkins tem uma participação medíocre como Steven. O roteiro se concentra na morte da cobiçada Angel que tinha sido namorada de Steven. O pai dela, Johnny (Dustin Nguyen) sedento de vingança sai pelos ambientes deteriorados de Bangkok à procura dos autores e dos motivos do assassinato.

Percebe-se que a miséria se espalha pelo mundo, sem que se notem propósitos enobrecedores da vida. Prostituição e drogas vão sendo consumidos descaradamente, oferecendo falsos modelos de vida para as novas gerações. E na busca por culpados, o pai de Angel vai adentrando e arrasando no submundo onde pessoas sem alma se matam por dinheiro para se entregarem à sexualidade embrutecida. Depois de matar muita gente má, ele acaba descobrindo a verdade. Cada um recebe o que merece; é a lei da vida, mas Johnny deixou os parceiros de Angel sossegados, embora fossem seres humanos drogados e irresponsáveis que espalham o mal. Mais adequado seria chamá-los de seres humanos imprestáveis que perderam a condição humana.

UM MUNDO MELHOR DEPENDE DE NÓS

A nave Terra vem sendo maltratada. Falta consideração para com a natureza e com as pessoas. Estamos enfrentando as consequências no aumento das chamadas “catástrofes naturais”. As universidades devem ir além do que formar um bom profissional ou doutrinar ideologias; precisam formar um ser humano capacitado a melhorar as condições gerais de vida no planeta tendo em vista o progresso real e respeito à natureza.

Cada dia que passa, mais pessoas revelam sua falta de humanidade mostrando sua cobiça por riqueza e poder, e o desejo de dominar o planeta que lhes foi confiado por um curto período para que, vivenciando, se desenvolvessem para o bem. A instabilidade progride. A sinergia é a coesão, o esforço conjunto num bom objetivo. Infelizmente, em vez de objetivos enobrecedores, a sinergia tem sido usada mais quando se trata de derrubar um estranho no ninho. Falta o alvo comum de aprimoramento da espécie humana.

Nos anos 1960, a vida era mais tranquila, menos atribulada, mais leve. As pessoas se divertiam com pequenos prazeres na ilusão da falsa felicidade divulgada por todos os meios. Também havia outro lado, o da frieza e indiferença com a vida, mas não tão pronunciado como hoje. No bar, no restaurante, no aeroporto, as pessoas desfrutavam do tempo que parecia infinito. Uma bebida, uma pizza, um frango alho e óleo, tudo era festa para falar sobre qualquer coisa, contar piadas. Os humanos se deixavam distrair facilmente.

A realidade áspera e severa tem sido ocultada e as pessoas, desviadas do saber sobre o real significado da vida e suas leis. Em 1969, Roselis von Sass lançou “O livro do Juízo Final”, anunciando que os anos de graça estavam chegando ao seu fim. Aos poucos, cada pessoa vai percebendo que o tempo está se esgotando, que a realidade da espécie humana é brutal e que não dá mais para disfarçar, pois chegou a época da grande colheita do bem.

O futuro melhor requer a formação de uma geração forte, bem preparada para a vida, com bom senso e raciocínio lúcido. A fase fundamental é a de zero a seis anos quando se formam os fundamentos cerebrais. As crianças devem, desde cedo, entender que sem educação e bom preparo não conseguirão progredir na direção de seres humanos de valor, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta.

A geração que agora galga a adolescência e a anterior a ela, não se sentindo motivadas para estudar, avançar e progredir, se entregam ao prazer imediato e à revolta, pois não veem perspectivas. A falta de bom preparo é cada vez maior, o que favorece o desperdício de mais uma geração e isso já está acarretando a fragilização e estagnação do Brasil. Os jovens precisam conhecer a trajetória espiritual da humanidade para saber o estágio em que nos encontramos, pois a base para fortalecê-los e ao país está no bom preparo para a vida.

Na trajetória da humanidade, o Brasil e o mundo se defrontam com crises fundamentais. Não bastam paliativos no combate à miséria; faltam projetos de humanização da vida. O homem nasce pedra bruta com essência preciosa que precisa ser despertada e polida para brilhar, o que se alcança com o fortalecimento da espiritualidade. Mais do que nunca os estímulos se dirigem para sórdidas baixarias que obscurecem a essência humana. Não há gratidão pelo dom da vida, prolifera o descontentamento.

A época é de guerras – econômica, das comunicações, das religiões – e há os que chamam isso de era da pós-verdade, isto é, das fakes inventadas com segundas intenções e dos tumultos. Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará. Uma nova ética deverá ser alcançada: a ética espiritualista com o reconhecimento das responsabilidades individuais perante a vida e aos demais seres humanos. A vida é uma grande travessia para a Luz. É preciso força de vontade para seguir em frente.

A grande fraqueza das almas humanas, habilmente aproveitadas pelas trevas, está na comodidade e indolência de seu espírito que se deixa levar pelo caminho largo e cômodo, em vez de desenvolver o necessário esforço espiritual, pondo-se em movimento para a compreensão do significado da vida e suas leis, e progredir.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora).  E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O BRASIL ATRASOU MUITO

O regime de trabalho escravocrata deixou marcas profundas, o que favoreceu o atraso do Brasil. Desde a época do império, alguns mandões interesseiros se infiltraram no poder e prejudicaram o patriota Barão de Mauá que queria o bem e o progresso do país. No século 20, o impulso dado por Getúlio Vargas perdeu força. O dólar se tornou a grande mercadoria escassa que todos necessitam. Em 1964, veio o governo militar que passou a fazer investimentos importantes, tomando empréstimos externos, mas cometeu alguns enganos que travaram a pesquisa e o desenvolvimento, favorecendo a ampliação do mercado consumidor dependente de mercadorias importadas.

Nos anos 1980, os juros subiram. Em 1985, o poder foi devolvido aos civis com dívida externa alta que crescia com juros de mais de 20%. De lá para cá a situação permaneceu inalterada com baixa produção e empregos, exceto no setor agropecuário. Nos anos 1980 e 1990 a inflação foi galopante; o governo tinha de emitir para comprar os dólares dos exportadores para resgate da dívida externa e outros compromissos. Com o plano real, o dólar ficou com preço fixo por muitos anos à custa de juros altos.

A classe política pouco fez para fortalecer o país. Não planejaram fazer do Brasil e suas cidades espaços apropriados para a morada de seres humanos que trabalham e constroem. De Sarney a Dilma o atraso foi aumentando. A situação ficou camuflada com juros e câmbio valorizado, mas afetou a indústria. É muito difícil competir com o capitalismo de estado que adota outras leis; perdemos postos de trabalho.

O fundamental na economia é a circulação e recirculação, isto é, trabalho, produção, renda e consumo. Em 2020, a situação se agravou com o impacto da Covid-19 e os entraves criados pelos aproveitadores do Brasil, retardando a recuperação. Há muitas incertezas para 2021. Com a dívida próxima a 100% do PIB o país está travado, fruto da inépcia da governança de direita e de esquerda.

O mundo caiu no labirinto da mão de obra barata da Ásia e não sabe mais como sair. Os governantes e a população tateiam sem saber como alcançar uma nova fase com seriedade e progresso real. Nesta época de ociosidade e encalhe de manufaturados no mercado internacional, devido à queda na renda, o Brasil, onde falta tudo, tem de encontrar a fórmula para produzir mais e gerar empregos, sem ampliar a dívida.

Tem muitos olhos cobiçosos querendo desfrutar do bolão Brasil que tem petróleo, minérios, nióbio, mercado promissor, florestas, água e muitas riquezas. A população quer que isso tudo se reverta numa verdadeira pátria de seres humanos almejando o progresso real. Com a globalização financeira e da produção diminuíram os empregos e aumentou a dependência por dólares. Enquanto alguns levam vantagens, muitos vão caindo na miséria que se agrava no planeta. Atualmente há no Brasil 14 milhões de desempregados, sem trabalho remunerado. No resto do mundo o desemprego também é grande.

Temos de reparar os erros, criando aqui uma região de paz e progresso, inspiradora para aqueles que procuram um local onde possam construir um lar. O escritor peruano Vargas Llosa, em recente artigo, disse que o problema do atraso da América Latina é basicamente a corrupção que está tão profundamente arraigada em seus governos. Ministros e funcionários roubam tanto, e o roubo é uma prática muito difundida em quase todos os Estados.

Como consequência de séculos de irresponsabilidades o viver ficou mais difícil. Há uma ansiedade generalizada. Há alguma coisa diferente no ar, os acontecimentos se aceleram como numa grande estufa. Impulsionadas pela energia do Criador, as leis da Criação promovem a grande colheita, o imediato desfecho de todos os acontecimentos na Terra e de todos os destinos dos seres humanos e dos povos. É também a grande oportunidade de reconhecimento do dom da vida.

As novas gerações devem receber estímulos para um voo ao mundo dos sonhos e dos projetos enobrecedores, para que se possa sair do atraso visando a formação de seres humanos benéficos, que pensem com clareza e naturalidade, pondo em ação as capacitações que dão a habilidade de observar e analisar os acontecimentos com lucidez para se conectar com o significado maior da vida, evoluir, ser feliz!

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

MERA COINCIDÊNCIA

No filme Mera Coincidência, de 1997, o presidente dos Estados Unidos, a poucos dias da eleição, vê-se envolvido num escândalo sexual e, diante deste quadro, não tem muitas chances de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores (Robert De Niro) entra em contato com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este “invente” uma guerra na Albânia, simulando que o presidente poderia ajudar a resolver, e usando esse factoide para desviar a atenção pública.

Mas, no mundo real, não é isso mesmo que fazem os marqueteiros políticos? Inventam histórias que são repetidas várias vezes até penetrarem nos cérebros dos incautos que passam a acreditar em todas aquelas fantasias bem contadas com forte apelo emocional.

Utilizam elementos da realidade que contribuem para confundir os eleitores que acabam não sabendo mais distinguir a verdade da mentira, passando a adorar seus candidatos e a odiar os adversários, culpando-os por tudo que deu errado em suas vidas. E tudo que acontece parece armação para enganar e esconder os reais objetivos. O filme é uma comédia sobre a manipulação das mentes. Atualmente, além das mídias usuais, há também as mídias sociais para ajudar a fazer barulho e a iludir os inocentes.