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A COSTUREIRA DOS SONHOS (SIR)

De forma diferente do estilo Hollywood, os filmes produzidos na Índia tendem a transcorrer suavemente com menos cenas de impacto. A protagonista Ratna (Tillotama Shome), do filme A costureira dos sonhos (Sir), representa uma mulher de coragem que teve a ousadia de sonhar com uma vida melhor. Nascida na vila, orientada desde cedo que nasceu para trabalhar para os outros para ter o que comer, sem direito a uma vida própria, a não ser obedecer às rígidas tradições do sistema de castas, umas sobre as outras. Ratna trabalhava em Mumbai como doméstica no apartamento de um engenheiro rico chamado Ashwin (Vivek Gomber). Ali, no apartamento, se passa a maior parte das cenas, o contraste entre uma pessoa instruída e de posses e outra dependente de seu trabalho para um viver no aperto, mas dotada do bem senso que a vida lhe ensinou.

Ashwin estranha que ela acredite em Deus e pergunta se ela não fica aborrecida e revoltada com as condições antinaturais em que vive, mas ela responde que nada pode fazer para mudar isso, pois desde criança tinha sido habituada a encarar essa situação naturalmente. Mas queria ser costureira estilista para ter uma condição melhor de vida do que as viúvas em geral que ficam presas à casa dos sogros.

Ratna percebe claramente como é difícil a união entre um homem e uma mulher quando são flagrantes as diferenças culturais e econômicas, como se vivessem em mundos diferentes, mas não se pode negar o encanto do relacionamento entre os jovens. Com força de vontade, Ratna vai ao encontro de um caminho de esperança para sua vida sofrida. Ashwin também conseguirá se desligar da decepção causada por sua noiva. O filme dirigido por Rohena Gera apresenta uma conscientização da questão da sociedade dividida por castas vista pelas novas gerações e, ao mesmo tempo, uma possível acomodação.

OPERAÇÃO RED SPARROW

No filme Operação Red Sparrow, a talentosa ex-bailarina do Bolshoi, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), após sofrer um acidente, é convencida por seu tio a se tornar uma Red Sparrow, ou seja, uma espiã sedutora treinada na melhor escola de espionagem russa, para servir ao Estado e poder pagar suas contas. Depois de árduo processo de aprendizagem, ela se torna a mais talentosa agente secreta do país e precisa lidar com o agente da CIA, Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Os dois, no entanto, acabam se apaixonando um pelo outro, o que ameaça não só suas vidas, mas também as de outras pessoas.

Nesse mundo brutal, os personagens vão demonstrando a absoluta frieza em suas ações visando o que? Em geral, os líderes da atualidade não se preocupam muito com o aprimoramento da humanidade, pois para a preservação do poder fazem de tudo, o que consome todas as energias. Mas nos regimes totalitários é ainda pior, pois são mantidos pela força e violência sem a menor consideração humana.

As pessoas em geral, quando leem um livro ou assistem um filme, sempre esperam inconscientemente que haja justiça e que os maus sejam punidos, e que os bons ou não tão ruins tenham uma sorte melhor. Isso faz parte da lei da vida; em tudo deve haver o equilíbrio, cada pessoa colhe o que semeia, nesta ou em outra vida. Quando os enredos fogem disso, criam desarmonia ferindo a esperança.

Na vida real, acontece frequentemente em algum capítulo decorrente de ações do passado, a aparente vitória do mal, mas no prosseguimento da vida, sempre se cumprirá a ação de retorno trazendo de volta o bem ou o mal para os seus geradores. É o que se pode ver em Operação Red Sparrow. Apesar de o filme desnudar tudo, tanto as pessoas como os seus objetivos cruéis, deixa entrever que muitos acontecimentos desagradáveis terão de se desencadear, antes que surja a paz do verdadeiro amor pelo próximo, aquele que não causa danos para satisfazer a própria cobiça.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

MARIA MADALENA

O filme Maria Madalena, de Garth Davis, mostra um aspecto especial ao desmontar o conceito de Jesus como revolucionário. Mostra que Judas, sim, queria provocar um levante contra Herodes e contra Roma, o que não era a finalidade da vinda do Messias, que trazia Luz para afastar as trevas e alertava para a transitoriedade da vida destinada à evolução do espírito. Mas os seres humanos estavam apegados demais à vidinha material egocêntrica para despertar e buscar intensamente a compreensão do significado da existência, fato que ia ao encontro do Anticristo, o lutador contra a espiritualidade. Jesus foi severo com os vendilhões do templo que conspurcavam a Casa do Senhor com negócios e com a mentira de que, sacrificando animais, as pessoas poderiam viver como melhor lhes aprouvesse.

O restante do filme é eivado de aspectos confusos, longe da grandeza do evento universal. Após a morte na cruz, Jesus apareceu à Maria Madalena, espiritualmente, não em carne, pois o corpo material segue as leis da natureza estabelecidas pelo Criador de Todos os Mundos.

O “procurai e achareis” não surtiu o efeito esperado diante da crescente indolência espiritual. Jesus disse que voltaria para a sua origem, o Divinal. Mas quando anunciou a vinda do consolador da humanidade (o Filho do Homem), para apresentar a visão geral da Criação sem lacunas, sobre todos os tempos, desde o começo da humanidade até agora, interpretou-se indevidamente que ele voltaria. Para a exata compreensão desse fato, a obra Na Luz da Verdade, de Abdruschin, traz os esclarecimentos, desfazendo os equívocos desde a origem do ser humano, enquanto que grande parte das demais obras e filmes foca, preferencialmente, no terrível sofrimento infligido a um inocente. “Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

RODA GIGANTE

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Com grande fidelidade, Woody Allen dramatiza as misérias humanas no filme Roda Gigante. Nos anos 1950, um casal mal ajustado – Ginny (Kate Winslet) e Humpty (James Belushi) – enfrenta as dificuldades financeiras da época e a desarmonia reinante em seu lar. Um interminável desfilar de egoísmos, caprichos, como se os fios do destino mantivessem o casal acorrentado, sem buscar força de vontade e discernimento para encontrar uma saída em conformidade com as leis da vida. E lá vão eles se complicando cada vez mais, contribuindo, para isso, a chegada de Caroline (Juno Temple), a filha do primeiro casamento de Humpty.

As resoluções dos personagens vão enrolando os fios do destino cada vez mais com a entrada de Mickey (Justin Timberlake) na vida dessas mulheres, se bem que Caroline era divorciada e estava se afastando do ex-marido, e com sua jovialidade demonstrasse alguma intenção de encontrar caminhos melhores para si. Homens e mulheres deveriam ser mais cautelosos em seus envolvimentos íntimos forçados pelo instinto sexual sem maiores afinidades psíquicas. Os acontecimentos se avolumam e nas encruzilhadas da vida acabam prevalecendo os sentimentos mesquinhos ditados pelo raciocínio egoístico que sufoca o coração intuitivo.

De forma inquietante, Woody Allen compartilha o sentimento da vacuidade da vida, a ausência de propósitos elevados, a sensação fatalista de que nada pode dar certo neste mundo de aspereza no qual os seres humanos desperdiçam seu precioso tempo, mas na verdade, o que ele mostra são as consequências das ações humanas, a colheita obrigatória determinada pelas Leis da Criação, também chamadas leis naturais, ou leis universais, ou cósmicas, que conduzem a Energia Criadora que a tudo sustenta, e a sua atuação se dá com toda amplitude em todas as dimensões, visíveis aos nossos olhos ou não. Através delas, o livre arbítrio tece os destinos dos seres humanos individuais e da humanidade como um todo. Cada pessoa recebe de volta as consequências de seus atos, bons ou maus, incluindo os pensamentos, as falas e as ações.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7