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DIÁLOGOS AUTÊNTICOS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Os desentendimentos se ampliam. A grande dificuldade das negociações está no aspecto diplomático de falta de autenticidade. Fala-se muito, enrola-se, e as palavras têm pouco valor, mesmo quando escritas em acordos assinados. Vivemos a grande crise de confiança e credibilidade decorrente da falta de verdade entre os seres humanos. Fica difícil para os homens negociarem a paz e o equilíbrio nas relações, seja internamente em um país, ou entre países.

Os presidentes são todos provisórios, pois ao fim do mandato deixam de sê-lo; o mesmo deveria ocorrer com os representantes do legislativo que sempre conseguem se manter na gestão viciada e corrupta sem se empenharem a fundo a bem do país. Em vez de zelar pelas contas internas e externas, empregos e boa educação, vão permitindo que tudo se fragilize, promovendo a decadência geral.

Intervenção militar com imposição de governo forte, que precisa de força para se manter no poder e dominar os livres e responsáveis anseios da população, sempre tem sido danosa. Com a classe política do Brasil que loteou tudo para benefício próprio, o país retrocedeu muito. A alma brasileira está doente, pois parou de ansiar pelo bem geral e o Brasil está dominado pela corrupção e pela bandidagem, drogas, violência, há imoralidade para todos os lados que olharmos, uma contaminação maléfica de difícil combate. Estamos numa encruzilhada, mas fizemos por merecer coisa melhor? Falta uma forte vontade da população para restabelecer o bem geral, a seriedade e a ordem.

A cada dia, mais sombrio se torna o futuro do Brasil endividado. Sem disciplina, sem ordem, sem vontade de aprender, a nova geração preocupa. A degradação chega junto com as drogas que leva à sexualidade irresponsável e embrutecida. Enquanto isso, em Brasília, em ambientes caros, cheios de artificialismo, o que interessa é dinheiro e poder, não o país para ser governado na direção do progresso e do aprimoramento da espécie humana.

É preciso começar de baixo, das prefeituras perdulárias e com pouco discernimento que gastam uma enormidade com as câmaras de vereadores, e daí a ineficiência e corrupção caminham para os governos estaduais e avançam sobre Brasília. É preciso controlar as contas, produzir, ter empregos para consumir e ter seriedade e visão de longo prazo.

Vivemos uma fase difícil, faltam diálogos sinceros e convivência pacífica. Trump e Kin, duas cabeças iguais por fora, com diferença no cabelo de Kim cortado a “la máquina nas laterais”, e de Trump, tradicional, mas e o conteúdo, como funcionam os cérebros desses líderes dos EUA e Coreia do Norte respectivamente? Se faltar clareza, serenidade e bom senso o risco será de todos nós.

As guerras não começam por acaso, cria-se um estopim. Sempre há um motivo forte de cobiça por recursos naturais e poder, agravado pelos continuados pensamentos de guerra, ódio, violência, que vão se condensando para despejar seu veneno sobre a humanidade. Se em vez disso os pensamentos fossem nobres, voltados para o bem, bênçãos desceriam do céu. Entre todos os problemas enfrentados pela humanidade, da pobreza aos conflitos violentos em nome da posse de recursos naturais, grande parte deles se deve à explosão demográfica e à falta de preparo para a vida, incluindo perdas no meio ambiente, espécies em extinção e caos climático. Tudo isso, entretanto, é ignorado pelos responsáveis pela criação de melhores políticas e que também não cuidam orientar a população.

A Terra foi dotada de tudo para assegurar a sustentabilidade da vida e a evolução do ser humano em sua transitória permanência. Ele deveria ter buscado as leis naturais que regem a vida, respeitar, adaptar-se, contribuir para o beneficiamento geral e embelezamento. Mas com imediatismo, agarrou-se ao transitório, ao poder e riqueza, inventou o dinheiro e o crédito, passou a viver para acumular riqueza. Desconhecedor, o homem não quis ver as consequências destrutivas de sua sintonização materialista. Não quer ver seu erro em sua trajetória, não corrige e vai perpetuando a desintegração, desfazendo a sua condição de ser humano.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A GRANDE TAREFA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Em sua transitória permanência na Terra, a tarefa prioritária do ser humano é aprimorar-se na convivência com seus semelhantes e contribuir para o contínuo beneficiamento e embelezamento geral e melhora das condições de vida. Diferentes raças e povos constituem o conjunto das criaturas humanas, mas estas foram enveredando cada vez mais por funestos caminhos, acarretando o oposto do que deveriam realizar, provocando a destruição da beleza, da ordem e da paz.

Jesus, o Enviado do Amor de Deus para redespertar a humanidade de seu torpor, trouxe com palavras simples e claras a explicação sobre a naturalidade da vida. Após a sua crucificação e o assassinato de Paulo e Pedro por ordem de Nero, a clareza dos seus ensinamentos foram sendo afastados da lógica natural. Por mais de 1500 anos prevaleceu o obscurantismo. O cristianismo foi se afastando da naturalidade dos ensinamentos de Jesus sobre a vida e a Criação. A falsidade foi tomando o lugar da autenticidade que se expressa com clareza, simplicidade e naturalidade, e com isso as discórdias não tardaram a surgir. A busca do sagrado foi perdendo força entre os humanos. Enquanto a religião e a crença cega iam perdendo terreno, aumentava a descrença e o ateísmo.

A luta dos homens pelo poder vem de longe. Foram séculos de obscurantismo e imposições. Com o advento do dinheiro e do crédito, teve início o processo de mudança na estrutura do poder dominante, o que desenvolveu um tríplice embate entre religião, capital e socialismo, todos disputando riqueza e poder terreno. Segundo o historiador Robert S. Wistrich, em discurso proferido em Munique em dezembro de 1926, Hitler aumentou ainda mais as incompreensões sobre a missão de Jesus classificando-o como revolucionário contra o capital. Tamanha inverdade caiu no agrado dos socialistas, mas Jesus, procedente do Divino, sempre renunciou ao poder terreno e dizia: ”Meu Reino não é deste mundo”, expressando assim que o seu poder não se situava no mundo material, o que desagradou Judas que queria expulsar os romanos fazendo de Jesus rei dos judeus.

Enquanto Hitler tecia falsidades, o escritor Oskar Ernest Bernhardet, ou Abdruschin, como preferia ser chamado, dava andamento à sua obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal. Abdruschin explicava a naturalidade da missão de Jesus desde o seu nascimento em Belém até a sua morte. Opunha-se frontalmente à forma como Hitler tratava os judeus, tendo sido preso por isso e acusado de ser judeu, e só não foi para um campo de concentração porque seus amigos comprovaram sua origem ariana de 400 anos. De 1939 a 1945 a Europa viveu a mais trágica e sangrenta guerra que o mundo já presenciou.

Mesmo no pós-guerra, o essencial, a preservação e o aprimoramento da espécie humana, com a adequada utilização dos recursos naturais e a sustentabilidade da vida continuou sendo soterrado. Estamos enfrentando o grande apagão espiritual, moral, mental, emocional que vai lançando suas garras sobre a humanidade, engrossando as fileiras das pessoas sem preparo para a vida, focadas prioritariamente nas ninharias e coisas negativas. Para onde quer que se olhe há muitas desgraças.

Em sua cobiça por poder e vingança o homem sempre pensa que sairá vitorioso, mas sem olhar para o significado da vida, vai adentrando por caminhos tortuosos podendo chegar a um ponto sem volta – a grande encruzilhada da humanidade -, na qual os pequenos reis despóticos não vacilam em arrastar tudo para a perdição para alcançar seus objetivos mesquinhos.

A realidade se sobrepõe a todas as teorias engendradas. O planeta está diante dos limites críticos na natureza, no clima, na população de pouco preparo para a vida, na economia e finanças, na moral e no social. Por interesses ou teimosia, muitas pessoas não querem ver que há no planeta um grande processo de transformação em andamento. Como fundamento da religiosidade, o homem tem que entender a Criação e as leis que regem a vida refletindo a perfeição do Criador.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS CONSEQUÊNCIAS DA CULTURA DA COBIÇA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

A cultura da cobiça pelo poder tem estado presente ao longo da história da humanidade, mas foi após a invenção do dinheiro que ela adquiriu contornos desesperadores. Os países que são geridos desatentamente, com população indolente, mais cedo ou mais tarde acabam caindo nas garras dos oportunistas que vivem de tirar proveito das fraquezas alheias para ampliar seu poder e influência. O desequilibro é a nota dominante da economia global. Quem pode esperneia, outros se corrompem por dinheiro e se acomodam, permitindo que a decadência não tarde.

Com o agigantamento do Estado tornou-se costume entre os governantes estabelecer peças orçamentarias com gastos superiores a receitas, gerando déficits que vão sendo financiados no mercado financeiro, mas com as alterações decorrentes da globalização econômica desequilibrada, as receitas tendem a decrescer, enquanto as despesas continuam crescendo, gerando agravamento da instabilidade.

Em 2004, a dívida brasileira estava em torno R$1,1 trilhão. Em 2015, aumentou aproximadamente 21% só de juros e swap. Hoje deve estar em R$ 3,4 trilhões. Em dez anos aumentou cerca de 30% do PIB, passando de 50% para 80%, nível previsto para 2018. A hemorragia é inevitável, a velocidade vai depender da taxa de juros. Nos anos 1980-1990, o Brasil já teve amarga experiência com o trato da dívida. Foram duas décadas perdidas; teremos a terceira? Tem que oferecer trabalho para os 13, 8 milhões de desempregados, aumentar o PIB e a arrecadação.

Com dívida de quase R$ 4 trilhões a 6% teremos, só de juros, o montante de R$ 232 bilhões por ano mantendo o país travado. Essa é a grande furada dos homens do governo. O problema não está só na taxa de juros, mas na insensatez de como se deixa uma dívida crescer, tolhendo a autonomia e o crescimento, mantendo o país atrasado sem chances de sair das condições sub-humanas em que se encontra. Paralelamente ao crescimento da dívida, aumentaram a miséria, a violência e a decadência.

O cenário é desanimador. Quantos anos mais de atraso para pagar dívidas mal constituídas e mal geridas? Os orçamentos e previsões financeiras são peças importantes para o equilíbrio de qualquer empreendimento, para a vida pessoal e das contas públicas, mas os gestores do dinheiro público se julgam acima de tudo e vão desequilibrando e cavando déficits para encanto do mercado financeiro, com liquidez saindo pelo ralo, até que chegue a hora da verdade com mais contas que receitas, e o país acaba entrando nas crises políticas e de corrupção. Falta equilíbrio nas relações entre os povos e a riqueza segue na direção da concentração.

O mercado aproveita e a dependência ao dólar funciona como uma guilhotina. Apesar da enorme liquidez mundial, o dinheiro busca oportunidades especulativas. Para onde vai o dinheiro? Emprestar para Estados deficitários, mal geridos, que são a maioria; aplicar em moedas com possibilidade de valorização; impulsionar bolhas? O que vai acontecer quando os gestores das contas públicas se pautarem para o equilíbrio nas contas, deixando de ser os maiores tomadores de recursos no mercado? O Brasil precisa estabelecer seu rumo de equilíbrio nas contas internas e externas e traçar um plano de bom preparo da população, aproveitamento da mão de obra existente e fortalecimento do mercado interno com melhores níveis de remuneração do trabalho.

Através da análise das mídias sociais já se consegue detectar o que cada pessoa quer e até mesmo orientar o desejo dos indivíduos para um fim específico, seja aceitar um novo conceito ou escolher um candidato ou produto. A força do Facebook foi comprovada pelo estrategista de Internet do presidente Trump. Seria bom se pudesse ser usada em 2018 para eleger no Brasil um estadista capaz de nos livrar do peso da decadência. Que candidato poderá resolver isso e dar o impulso que o Brasil precisa para sair da lama?

Muito já se falou que a era da cultura da cobiça está próxima ao ponto de ruptura, do qual a precarização global e a destruição de empregos são amostras das consequências das ações imediatistas sem uma visão ampla. A economia precisa de um gênio que encontre resposta para isso de forma que mesmo com mudança no padrão de renda, a humanidade não se embruteça. Tudo foi sendo empurrado com a barriga e as incoerências se tornam visíveis; não dá para resolver sem que haja sinceridade. Os homens sempre agem impondo a própria vontade, esquecendo-se de que o mais importante para a vida sadia e pacífica é valorizar e aprimorar a qualidade da humanidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7