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ALTERNATIVAS PARA A INFLAÇÃO

O sistema monetário surgiu como uma fera que estava contida na gaiola do ouro. A contabilidade registrava o crescimento da fera até que, sem as amarras, pôde crescer livremente. E todas as ações humanas se voltaram para o dinheiro que se acumulava nas mãos habilidosas daqueles que faziam do acúmulo a prioridade da vida. A fera ganhou o mundo e se espraiou, ora em tsunami pondo tudo em movimento, ora em refluxo empurrado pelos juros com lentidão das atividades econômicas. Teremos pela frente mais um ciclo de ordenamento temporário que traz a austeridade no rastro, mantendo a evolução da espécie humana em plano secundário?

O misticismo se opõe à simplicidade, clareza e naturalidade no pensar. O cérebro foi contaminado e perdeu a lucidez. O momento psicológico dos investidores e da população está dominado pela apatia. Os 24 meses de restrições severas deixaram suas marcas; foi como dar a partida para algo desconhecido. Com tantos acontecimentos simultâneos, agora há uma parada e a motivação básica passa a ser a sobrevivência ameaçada, mantendo baixa a circulação do dinheiro, acarretando efeitos que freiam as iniciativas e a economia.

Ronaldo Lemos analisa a situação dos jovens em artigo no jornal Folha de São Paulo: “Há algo de errado. O mundo tornou-se um lugar inóspito para jovens. Quem tem entre 15 e 35 anos não está em situação invejável, tanto do ponto de vista econômico como social. A geração que está emergindo é na verdade a geração paralisia”.

Há algumas décadas as novas gerações percebiam que a chegada da fase adulta trazia novos horizontes e propósitos. Em geral, foram arrastados para a idolatria do instinto sexual. Os apelos levaram à exaustão. A adolescência perdida acabou com a idade dos sonhos de construir um mundo melhor. A vida perdeu o colorido ao se subordinar inteiramente ao financeiro. Restou o vazio de sentido da vida e a ignorância sobre o seu significado. A humanidade pagará caro por isso.

Os seres humanos tinham um rumo, mas não era suficiente, tanto que o sistema desmoronou. Hoje poucos sabem o que querem, vão sendo empurrados pela superficialidade da multimídia sem saber para onde estão indo. É fundamental que haja um rumo construtivo. No dia em que os seres humanos tiverem um rumo condizente com a sua espécie surgirá o progresso real, a paz e a evolução.

Nos anos 1970/80, os Estados Unidos enfrentaram a inflação aplicando elevada taxa de juros. Houve o favorecimento de ganhos nos preços menores das manufaturas produzidas na Ásia. Enquanto isso, os ativos do mercado financeiro foram inflando e o dinheiro aumentando. As pessoas pressentem quando o dinheiro vai se desvalorizando.

O século 21 apresenta novamente uma situação de retorno da inflação. Passou a fase dos preços baixos das manufaturas produzidas na Ásia. Energia, alimentos e manufaturas são impactados pela redução da oferta majorando os preços. É um choque de realidade que esbarra nas limitações da oferta. A receita tem sido inibir o consumo com a taxa de juros, mas as condições atuais não são as mesmas.

Uma equação inflacionária severa. A redução do crescimento da demanda requer aumento do desemprego? Aumentar os juros vai resolver? Há alternativas? As pessoas de bom senso vão percebendo as incoerências das teorias econômicas desenvolvidas para atender a interesses do dinheiro, pondo de lado o objetivo de buscar o atendimento das reais necessidades com eficiência.

Os comunicadores se apressam em buscar respostas e prever o futuro. Silenciosamente, de modo invisível, os fios do destino da humanidade estão em movimento para desencadear os acontecimentos que, com displicência, estão sendo gerados ao longo dos séculos.

Vida e economia são faces da mesma moeda na civilização. Mas tudo passou a girar em torno do dinheiro, desde o nascimento até a morte. Os gestores públicos têm de organizar o sistema de forma a evitar a miséria e o caos social decorrente de crises, cujas origens remontam ao passado de subordinação colonialista dando origem a povos incultos com pouco preparo. Ao longo dos séculos, o futuro tem se resumido a nações endividadas, população malnutrida, crianças descuidadas, o oposto do que deveriam ser as nações em seu desenvolvimento.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

SOBREVIVÊNCIA AMEAÇADA

O imediatismo da humanidade está presente em tudo. Assim como não dão tratamento adequado aos próprios corpos, que receberam para seu período na Terra, as pessoas também agem de forma negligente com a natureza e suas leis, e consequentemente, causam danos de forma consciente ou não.

Ao longo dos últimos 50 anos, grandes transformações ocorreram. Havia muitos postulados errados no modo de viver, mas ainda era utilizado um pouco de intuição. Os postulados não resistiram à pressão e voaram; nada mais sólido surgiu em seu lugar, e o pouco de intuição desapareceu. Conclusão: o ser humano teve reduzido o seu bom senso intuitivo e a partir daí a civilização foi se tornando precária. O espírito adormecido clama por renovação.

Há muito tempo, estadistas vêm falando em alianças e formação de grupos, mas quais são as reais intenções. Aliança para o Progresso fez o quê pelo Brasil? E os Brics? As alianças entre os povos deveriam priorizar a paz e o aprimoramento dos seres humanos. Uma civilização pacífica depende do bom preparo dos povos.

Foi preciso chegar ao limite das dificuldades climáticas para uma tomada de consciência, mas a água está esquecida há décadas. É uma questão que agora se agrava. Na maioria das cidades grandes as pessoas dependem das engarrafadoras para ter água potável. Isso representa a grande catástrofe da humanidade.

A situação mundial é grave porque estamos vivenciando uma fase de transformações aceleradas e é triste ver o despreparo de grande parte da população induzida a um viver puramente instintivo como comer, beber, se divertir, afastado da verdadeira essência humana. O bom querer é fundamental. O que a humanidade quer, de forma livre sem manipulação massiva?

Estamos numa época diferente em que muita coisa está sendo detonada pelo mundo; o dinheiro está curto, os custos são elevados. Os estabelecimentos têm de cuidar da qualidade e do preço dos produtos, observando o que os consumidores precisam. Os produtos não devem ficar largados no “pega quem quiser”. Os gerentes e auxiliares têm de estar atentos para manter as prateleiras de forma adequada.

Houve um descuido do ocidente com a economia e produção de bens, deixando tudo por conta da integração da mão de obra abundante na Ásia e na força de trabalho mundial. O que poderia ter sido resolvido com equilíbrio, de forma pacífica, agora assume característica de guerra econômica.

Não faltam dificuldades para a economia mundial. O momento psicológico dos investidores e da população está dominado pela apatia. Antes, a motivação era mais reativa. Muitos fatores especiais estão em andamento, afetando a índole geral. Em crises anteriores, as pessoas seguiam se adaptando, visando a retomada, e em paralelo a circulação do dinheiro ia se ampliando. Os 24 meses de restrições severas deixaram suas marcas, foi como dar a partida para algo novo e desconhecido. Com tantos acontecimentos simultâneos, agora há uma parada e a motivação básica passa a ser a sobrevivência ameaçada, mantendo baixa a circulação do dinheiro, acarretando efeitos que freiam a economia.

No novo calçadão da avenida Beira Mar, em Fortaleza, são seres humanos caminhando numa atmosfera leve, com consideração e solidariedade, desejando o bem. A reforma deu uma cara nova e moderna a essa avenida, mas algo está diferente. É a pós-pandemia, a crise econômica, a guerra. Há uma certa tensão no ar devido às dificuldades aumentadas, à incerteza do amanhã, à constatação da pequenez perante a grandeza do céu e do mar do Nosso Senhor, dando um aceno de esperança de Luz aos que a procuram.

Se os seres humanos conhecessem a vida como ela é, tudo seria diferente, mais leve, melhor, mais pacífico e harmônico, pois não haveria todo esse sofrimento decorrente dos caminhos errados e suas consequências. Haveria melhor entendimento entre as pessoas porque o sentimento conciliador sempre estaria presente. Mantendo no íntimo o sincero desejar do bem para o próximo, inconscientemente cada um favorecerá o outro. E isso também é imprescindível nos relacionamentos entre homens e mulheres, para que eles se complementem de fato e, fortalecidos, construam um mundo melhor. Estamos vivendo numa época muito difícil. Contudo, temos que buscar sabedoria e alegria.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

O MUNDO HOJE

Há um permanente descaso com a construção de melhor futuro. O colapso da civilização avança. Qual é a causa real do falhar da humanidade? O mundo atual resultou das atitudes das pessoas que, apesar de sua capacitação espiritual, se afastaram do dever de promover o bem geral. Em meio à complicada situação em que estamos vivendo, as pessoas estão aborrecidas com o que acontece, mas o que poderiam fazer, o que poderiam pedir?

Os seres humanos, em geral, estão perdendo a compostura, mas a cobiça de poder os faz descer até às sombras da aliança com as trevas. Em sua cobiça e arrogância, estruturaram o modo de viver em oposição às leis naturais da Criação, dando espaço para atuação das trevas em todos os segmentos, de modo que ao final haverá o embate de trevas contra trevas.

Amor, consideração, trabalho, seriedade, dedicação e o olhar voltado para a continuada melhora do preparo da população e das condições gerais de vida, são os fatores indispensáveis para que a humanidade não decaia para a civilização de todos contra todos.

A teoria da conspiração tem sido o bode expiatório dos acontecimentos mundiais que se aceleram. Aí vem pandemia, aumento do custo da alimentação, mudanças climáticas, guerra na Ucrânia, o silencioso avanço econômico da China, tudo indo na direção de tornar a vida do cidadão comum mais difícil. Assim ficam esquecidas as profecias que alertavam sobre a grande colheita que cairia sobre a humanidade, que possivelmente poderiam trazer mais humildade e auxílio para aqueles que pedirem forças para se tornarem melhores.

Enquanto Estados Unidos, União Europeia, Rússia e China trocam farpas, qual é a realidade econômica? A população da China está habituada a uma vida difícil. Esse país concentra grande parte da produção de manufaturas e tem reservas para assegurar as importações do que precisa. Estranho esse lockdown em Xangai que afeta o grande porto, enquanto outros países dão prosseguimento à liberação das restrições. O que isso significa?

Quais são os motivos que deram impulso à criação do dinheiro e das finanças como instrumento de dominação? O dinheiro, transformado na mercadoria das mercadorias, abre um paralelo na economia real em que o mercado financeiro segue a lógica especulativa. O dinheiro em si é um importante meio para conduzir a produção, o comércio, o consumo, mas assumiu o comando e se tornou a causa de discórdia, guerras e miséria; ele se impõe como a força dominadora da política, dos negócios, da vida. Isso resultou do fato de os seres humanos terem parado de ouvir o coração, a alma, deixando-a inativa. A paz e o progresso da humanidade devem estar no topo, e o dinheiro ser apenas um meio.

O que as novas doenças e a guerra têm a ver com o dinheiro e poder no mundo? Ao final da Segunda Guerra o dólar e os mecanismos financeiros desenvolvidos se tornaram o sistema monetário mundial. Os embates não contribuem para a evolução da humanidade. Pouco se fala sobre o enorme poder financeiro concentrado, defendido com a diplomacia das armas. A China despontou como a grande fábrica; é evidente que o fortalecimento econômico e comercial despertaria suas atenções para as finanças e disputa com o dólar.

As ideologias e as civilizações estão se fundindo nos objetivos de cobiça por riqueza e poder econômico. O que as escolas estão ensinando sobre a lei Áurea de 1888 e sobre a republiqueta que derrubou a princesa Isabel, baniu sua família em 1889 e descuidou do Brasil e sua população, incluindo os liberados do regime de trabalho opressor? Qual o significado da tomada do poder pelos militares em 1964? As novas gerações tiveram seu descontentamento com Tio Sam direcionado para a revolta; haveria um banho de sangue, para quê?

Para favorecer a paz duradoura é imprescindível que a educação promova a busca do aprimoramento pessoal e espiritual continuadamente, para que os estudantes se tornem seres humanos de qualidade, e que tenham consideração sincera pelo próximo, buscando a melhora nas condições gerais de vida. Muitas pessoas deixam que a alma envelheça junto com o corpo, em vez de mantê-la sempre jovem e forte com a Luz da Verdade do Criador.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

BRASIL, O PAÍS QUE DEVERIA ESTAR DO LADO DA FELICIDADE

A palavra é mágica e tem o poder de construir e beneficiar, ou destruir e envenenar. O mesmo acontece com as palavras e os sentimentos que formam os pensamentos. Abusos com as palavras ocorrem de longa data; as mentiras criadas pelos seres humanos, para sua conveniência ou por ignorância, estão presentes em tudo e estruturam o caos em que vivemos. A humanidade não levou a sério o “conhecereis a verdade e ela vos libertará”, pois isso requer força de vontade, esforço, simplicidade, clareza, naturalidade.

O Brasil cobiçado foi definido como a grande reserva internacional e por isso não convinha que os governantes agissem para promover o progresso da nação e seu povo. Em 1964, houve uma virada, mas faltou objetividade para alcançar o desenvolvimento tecnológico e industrial. Nos anos 1980, veio a crise da dívida externa e de novo a velha oligarquia tomou conta do poder. Em 2018, surgiu uma nova esperança. O que acontecerá em 2022, ano do bicentenário da Independência?

Aqueles que desejam progresso equilibrado e harmonioso para o Brasil se quedam angustiados. Em quem podemos confiar neste mundo materialista no qual o trunfo é o dinheiro? Infelizmente os bem-intencionados podem acabar como inocentes úteis e serem ludibriados, sem perceber as altas maracutaias promovidas pela turma falsa e mentirosa que se instalou no nível alto do poder. É difícil saber como essas coisas acontecem nesta nação atrasada.

No passado, a educação tinha por base a natureza e seu funcionamento automático ao qual os seres humanos se adaptavam desenvolvendo bom senso intuitivo. Depois foram se afastando julgando-se superiores à natureza e suas leis. Jesus quebrou o ciclo cerebrino afastado do natural. Pouco restou de seus ensinamentos espirituais. O catecismo dogmático influenciou a mente infantil, dando continuidade ao seu afastamento da natureza. Depois vieram os livros, revistas, filmes e desenho animado. O que restou do ser humano? Um descontente que ou decai moralmente ou se deixa levar pelos revolucionários enlouquecidos. As consequências da educação errada afastada das leis naturais estão no ar.

Os humanos não seguiram as leis naturais da Criação e entortaram tudo. Em vez de subirem a escada do aprimoramento pessoal, foram descendo, reduzindo a essência humana. Sem espírito atuante, o cientificismo quer interferir e impor normas padronizadas de viver que travam a individualidade e o querer da alma, quando deveria voltar às origens do ser humano para reconhecer e extirpar os erros cometidos, em vez de impor um viver puramente materialista, sem respeito às leis da natureza.

A China soube como tirar proveito da globalização disponibilizando manufaturas com preços baixos. Muitas empresas americanas ganharam bom dinheiro e a China se fortaleceu. Foi surpresa geral a rápida eclosão da guerra na Ucrânia no cenário bagunçado da economia mundial, um evento enigmático em meio ao forte confronto econômico entre os EUA e a China, mas ambos ao seu modo tiram proveitos, embora não se saiba que efeitos trará sobre a disputa do mando econômico mundial, quem ganhará ou perderá. Mais de 80 milhões de mortes na segunda guerra mundial não foram suficientes para tornar os homens mais humanos, e cumprir sua tarefa na Terra de ser beneficiador e transmissor da energia espiritual que está apto a captar.

É conhecido o fato de que criar dinheiro do nada deprecia a moeda. EUA e FED têm feito controle firme para manter o dólar como a moeda número um. Quando ocorre desvalorização que prejudica a primazia do dólar, não raro surge um ciclo de elevação dos juros que atrai as reservas mundiais para o dólar. Isso traz complicação para a economia mundial, mas é importante olhar para as consequências do crescimento da dívida pelo aumento dos juros.

No processo econômico natural, a riqueza produzida não deveria ficar concentrada; uma parte dela deveria ser partilhada com os que ajudaram a produzi-la. A tendência atual é de precarização geral e o ser humano indolente, com alma inativa, vai sendo reduzido a mero fator de produção e consumo, sem dedicar-se à compreensão do significado da vida. O desânimo vai avançado sobre o Planeta. Urge manter a serenidade com pensamentos sem ódio voltados para o bem. Falta a Luz da Verdade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

AS RELIGIÕES, O DINHEIRO E AS GUERRAS

O problema no capitalismo de livre mercado foi a predominância do controle monetário e do ganho financeiro em poucas mãos. A volúpia do ganho homogeneizou tudo através da linguagem do dinheiro: empresas, escolas profissionais em geral e especialmente a classe política e sua influência na economia e na legislação, o que provocou a estagnação do sistema. O Estado passou a interferir em várias atividades do livre mercado.

Veio o capitalismo de Estado que impôs normas rígidas e planejamento central focado na produção e obtenção de superávit na balança comercial. Muitas indústrias fecharam ou se transferiram para regiões de menor custo da mão de obra e outras regulamentações. Surgiram conflitos que se traduziram em guerra cambial, comercial e econômica. Provavelmente teremos guerra pelo controle do dinheiro e da tecnologia.

O Criador é Um só para o universo inteiro. Suas leis eternas são de ampla abrangência, na Terra e fora dela, podendo ser observadas na física, na química, na biologia, no equilíbrio. Os homens criaram religiões sem levar em consideração essas leis, gerando incompreensões, cisões e guerras. Nós fazemos parte do povo das criaturas humanas espirituais hospedadas na Terra para evoluir num tempo finito.

A religião também acabará servindo de pretexto para guerras para o domínio do grande ídolo dinheiro, e por controle e poder. Mas as leis da Criação falarão mais alto, cerceando o poder da vontade dos homens, destroçando a resistência e a mania de grandeza daqueles dominados pela arrogância.

Em vez de evoluir, a humanidade tem decaído como espécie que é apta a construir um mundo pacífico e em equilíbrio. Os mais fortes pressionam os mais fracos com retaliações econômicas, provocando aumento da miséria. O dinheiro se tornou a grande cobiça, e os ganhos de uns se fazem às custas das perdas de outros.

O projeto de Breton Woods transformou o dólar na moeda líder das transações. O FED emite dólares, os bancos americanos dispõem da reserva fracionária em dólar, as demais moedas conversíveis, sem paridades estabelecidas, flutuam ao sabor de interesses e manipulações, sendo a taxa de juros a mais empregada. Mas os países, mal geridos, descontrolam as contas internas e externas, e acabam ficando sem a moeda mãe mesmo com juros altos.

Instalou-se na Terra um desequilíbrio geral na economia, finanças, produção, comércio, educação e preparo para a vida, natureza e saúde. A ciência não pode continuar omissa quanto a essa calamidade e deveria contribuir para que o equilíbrio entre os povos fosse mantido. Estão surgindo novas teorias monetárias e experiências com as moedas digitais que eliminariam a moeda física, passando todo o dinheiro a ser rigidamente controlado pelos supercomputadores. O que vai surgir disso não se sabe, mas há intensos movimentos nos bastidores trabalhando na direção desse novo modelo que vai se delineando com o avanço da tecnologia.

Com seus recursos naturais, o Brasil poderá se tornar o refúgio num mundo em conflitos. Mas se for retaliado, quem poderá defendê-lo? Encerrada a fase das colônias dominadas fisicamente, veio o trunfo financeiro para dominar. Agora a tecnologia e as vacinas, desenvolvidas para debelar a maior pandemia que o planeta já enfrentou, também poderão ser empregadas como trunfo de dominação. Mesmo dispondo de petróleo e riquezas minerais, a boa qualidade de vida sempre dependerá de gestão pública idônea e da produção diversificada; sem isso, a precarização geral dos países será a tendência secular.

Cada pessoa deveria ser responsável por seus atos, mas com a permissão dos indolentes, o processo de emburrecimento avançou além do que se poderia imaginar, e muitas pessoas estão agindo como robôs, sem clareza, simplicidade e naturalidade. Sem ter se orientado para o bem, a humanidade ficou atrasada, usando energia atômica para destruição, assim como armas químicas e biológicas, mas nada poderá deter o dia em que a alma terá de se afastar do corpo transitório.

O ser humano desrespeitou as leis naturais da Criação, caminhou pelas trevas, mas agora tem de achar o caminho de volta para a Luz e a Verdade, pondo em prática o reconhecimento e a estreita cooperação com as leis da Criação, construindo e beneficiando tudo para alcançar o bem geral e evoluir em paz e alegria.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

A PRÓXIMA JOGADA

O mundo se defronta com uma deplorável situação na natureza, na economia, na educação. Em vez de evoluir, a espécie humana está decaindo e poucos enxergam essa realidade, optando por um viver de ilusões e procurando a falsa felicidade. Tudo se baseia no cérebro, o sistema neural, como se ele fosse o núcleo da vida, mas não é; é uma das mais sensacionais criações no mundo material, mas o que vivifica o corpo é o espírito. O cérebro pode criar o sentimentalismo e a fantasia, ser influenciado por alucinógenos, ou por cobiças, mas sem a energia do espírito, se decompõe em pouco tempo.

O Brasil pagou dívida externa emitindo e inflacionando; combateu a inflação com dólar tabelado, fragilizou a indústria, exportou empregos, aumentou a dívida, e agora na pandemia tem de subsidiar a população. Os EUA também, mas têm como diferencial o dólar, mas estão dando subsídios e realizando reformas na infraestrutura porque desistiram de fabricar, e estão buscando os avanços na tecnologia, o que no Brasil parou de evoluir junto com as fábricas fechadas. O que os brasileiros fizeram com o seu país?

O ocidente acobertou a inflação, tabelando o preço do dólar, deixando as indústrias minguar e eliminar empregos. A China deu ênfase na produção visando exportar com preço baixo em dólar, gerando efeito dinâmico na economia. Na crise, o ocidente só tem a opção de subsidiar os consumidores e aumentar a dívida, mas isso representa o aumento de procura que a China precisa para reativar sua grande fábrica e prosseguir capitalizando. O que deveria ser feito para reequilibrar a economia?

A economia real já vinha dando mostras de estresse e desequilíbrio. Em visita a São Paulo, em abril de 2014, o ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, fez uma advertência não só ao Brasil, mas também a outros emergentes: “O modelo econômico baseado em produção de bens que a China já produz não é mais sustentável”. Então o que fazer para alcançar sustentabilidade? Produzir o quê para evitar a precarização e desequilíbrio geral?

Não há mais equilíbrio entre os seres humanos, apenas busca de vantagens. O Brasil e o mundo enfrentam um problema super grave e os “caras” ficam procurando pelo em ovo como no tribunal de Pilatos e da inquisição? Em vez de ficarem espalhando venenos, deveriam trabalhar pelo Brasil e pelo aprimoramento da espécie humana.

O Estado foi inchando. Obras superfaturadas. Dívidas aumentando. Reserva em dólares baixando. Não há responsabilidade com o futuro e as novas gerações. Déficits internos e externos. As contas estouram. O crédito foi uma boa invenção para promover o desenvolvimento. O sistema levou séculos para chegar à forma atual. Poder e dinheiro desumanizaram a vida, eliminando os alvos elevados de aprimoramento, gerando decadência geral. Não há boa vontade. Mercado e Estado se afastaram do humanismo, do real objetivo da vida. É necessário combater a criminalidade.

Os cidadãos devem buscar o bom preparo para a vida, fortalecer as novas gerações, participar da condução das atividades humanas. Criou-se o liberalismo, a não intervenção do Estado. Os gananciosos foram ocultamente assumindo o controle, impondo rumos benéficos aos seus interesses visando absorver os fluxos de dinheiro do Estado. Outros diziam que o excesso de individualismo deu oportunidade para o avanço da ganância e concentração do poder, e por isso queriam maior influência do Estado. No extremo, surgiu o capitalismo de Estado que impõe os rumos, controla os fatores essenciais visando o acúmulo de capitais.

No geral, os cidadãos se tornaram indolentes sem bom preparo para a vida, presas fáceis do pão e circo. Agora chegamos ao desequilíbrio geral na economia, dívida pública, população elevada, limitação de recursos naturais, insatisfação social. Qual será a próxima jogada nesse complicado tabuleiro?

Há uma forte efervescência no mundo. No Brasil, ela é particularmente mais grave devido à displicência, indisciplina, falta de esforço em trabalho dedicado. Em grande parte da história, os governantes não cuidaram do desenvolvimento e fortalecimento da população, ensejando melhor preparo e melhores condições de vida. Todos tiveram oportunidades de agir e contribuir, muitos falharam levados pelas cobiças. Sabotadores, falsos líderes e corruptos atrasaram a nação e o povo em seu desenvolvimento consentâneo com as leis naturais da Criação.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

A CIVILIZAÇÃO DO DINHEIRO

A situação atual da humanidade no planeta Terra é realmente desanimadora e preocupante. Tudo se tornou áspero e pesado, tanto no que se refere a informativos e telenovelas até os filmes. Parece que o objetivo que está sendo perseguido é acabar com o coração, aquela qualidade que faz do ser humano um verdadeiro ser humano.

Muitas pessoas querem mandar e decidir, mas as condições gerais da economia se estreitaram. Há muitos farofeiros, mas está faltando o elementar: produção, renda e consumo. O desequilíbrio geral vem sendo armado desde os anos 1970, mas faltaram advertências econômicas e providências; a crise chegou.

O ser humano ainda não se tornou inteiramente capacitado para atuar na civilização do dinheiro, pois no afã de obtê-lo, cada vez em maior quantidade, entrou em decadência sem limites, deixando-se aviltar por ele. Como não houve esforços para alcançar uma forma de viver com mais naturalidade, o frio raciocínio econômico diz: se todas as pessoas tivessem muito dinheiro o abastecimento seria inviável. A sentença decretada tem sido deixar a maioria com pouco dinheiro na mão. –

Há uma frase especial de Paul P. Harris, fundador do Rotary Internacional: “Se o objetivo do homem fosse alcançar as coisas do espírito, antes de buscar os resultados materiais, as tormentas das adversidades não seriam temidas e a prosperidade teria um novo e permanente significado.” A realidade é que falta naturalidade nas ações dos seres humanos impedindo a volta como o filho pródigo que à casa torna.

Tudo está em transformação. A economia mundial tomou um rumo do desequilíbrio geral. Com toda a burocracia estagnada, os países não conseguem reencontrar o rumo perdido, e de forma velada vão surgindo ideias de pôr fim às liberdades, colocando tudo sob rígido controle, do dinheiro à saúde, ao filtro das informações; ninguém se locomoverá sem que esteja sendo registrado pelos sistemas de controle facial.

O ano 2021 chegou, algo benéfico precisa ser feito com urgência. O dinheiro está curto. O isolamento fez as pessoas reverem seus itens de consumo. O comércio perdeu quase 300 bilhões de reais de faturamento. O desemprego tende a aumentar. O dinheiro foi direcionado principalmente para alimentação fazendo os preços subir.

Não basta a vacina para fortalecer a imunidade contra a covid-19; é preciso que haja um despertar da alma adormecida com as lantejoulas do materialismo, para adquirir o brilho vivo do saber do significado da vida. A humanidade caminha com cegueira crescente sobre a finalidade da vida. Estamos adentrando numa fase crítica. O intelectualismo calculista e o materialismo estão próximos do auge, mas também do desmoronamento da construção sem alma.

No Brasil e no mundo há uma crise de confiabilidade exacerbada pelas lutas por poder. Há descrédito no autoritarismo, nas leis e no poder público e privado. As pessoas acabaram descrentes dos governantes e de tudo o mais, inclusive da religião. Erodiu-se o conceito do bem comum. É cada um para si. A vida espiritual da sociedade humana tende a zero, nada mais é sagrado, as pessoas querem o prazer momentâneo, custe o que custar. Tudo está sendo permitido, mas não há como fugir das consequências, nas quais já adentramos com toda a virulência, acarretando dramas e tragédias de toda espécie.

As sementes do querer e das ações dos seres humanos se acham como se estivessem numa estufa que agora impulsiona a colheita. Uma coisa acontece após a outra sem intervalo, e sem que toda a tecnologia possa atenuar ou retardar, pois se trata da atuação das leis naturais da Criação que foram postas de lado, mas não há como interromper a sua ação automática e incorruptível.

Os alunos precisam visualizar adequados modelos de comportamento, até que, com seu próprio discernimento, assumam as atitudes que julgarem mais apropriadas. Eis aí a grande importância dos professores sábios: eles devem ser capazes de mostrar a sua humanidade através das atitudes, pois máquinas para ensinar e entreter as crianças já existem aos montes. Ao lado dos computadores, a presença do professor é indispensável, pois é sempre útil observar as pegadas de quem abriu os caminhos do saber. Os dedicados professores merecem todo respeito e justa retribuição; quando isso falta, as novas gerações são prejudicadas e a nação se enfraquece.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

2020: O ANO DA RUPTURA

No inquieto século 21, o ano de 2020 será considerado como o ano da ruptura. Os homens se digladiam pelo poder mundial. As leis da Criação estão reagindo contra séculos de arrogância dos humanos de não quererem ouvir a Fala do Senhor dos Mundos, pois cobiçam se tornarem, eles próprios, os senhores do mundo.

O que o governo pode fazer quando falta dinheiro para tocar o país ou resolver emergências? Nesse caso, o mais grave é que o governo perde a autonomia, fica amarrado à dívida. O mundo precisa de líderes sábios que respeitem o solo pátrio. Cada povo deve aprimorar a própria cultura, mas muitas pessoas acataram conceitos vindos de fora e abriram o país sem estarmos preparados para isso, atraindo toda essa precarização. Seria bem oportuno para o Brasil endividado que o montante de R$ 500 bilhões obtido com a variação cambial aplicada às reservas internacionais fosse mobilizado para reativar a economia estagnada e bombardeada com a crise gerada pela pandemia.

Homens cobiçosos se julgam donos do planeta e impuseram suas ideias restritas ao povo despreparado e acomodado que tudo aceitou em troca de migalhas e diversão; assim o mundo foi rumando para o abismo, mas acima do homem estão as leis do Criador que trazem de forma impetuosa a colheita de tudo que foi semeado. É terrível. A grande e única vacina para impedir essa grave anomalia está no reconhecimento das leis da vida.

A vida não é uma fatalidade. Sempre temos a possibilidade da escolha, mas temos de fortalecer o querer. As pessoas estão sendo induzidas a olhar para baixo e se acomodam. Temos sempre de aspirar ao mais elevado nível que o ser humano pode alcançar e, para isso, cada indivíduo deve se preparar, se fortalecer e conhecer o significado da vida.

O mundo esteve, durante séculos, olhando só para o dinheiro, esquecendo tudo o mais, deixando em segundo plano a riqueza que nos é dada pela natureza como o ar e a água, fora todas as outras farturas. A economia globalizada desequilibrou tudo, a ponto de que o aumento de renda interna se reveste de aumento das importações de manufaturas, dado que o parque industrial foi destruído pela concorrência internacional predatória.

Perdemos terreno, pouco se produz, endividaram o país. O déficit fiscal é gigante, a arrecadação poderia ser incrementada taxando os importados seletivamente, dando oportunidade aos empresários e trabalhadores nacionais. O momento é de ruptura com o velho modo de viver que atraiu as crises que se acumularam ao longo dos anos. Cada país terá de se esforçar intensamente na recuperação dentro de seus limites, fortalecendo seu povo e sua cultura. No entanto, para que haja paz e progresso, tem de ser banido o “tirar vantagens” de outros povos e outras nações.

A crise não se tornou uma oportunidade de fortalecimento do país e sua população; perde-se tempo e dinheiro com a guerra de comunicações e desrespeitos aos poderes constituídos, forjando justificativas habilmente criadas. A população está duplamente amedrontada, com o vírus e com a incerteza econômica. Os confrontos entre poderes tiraram credibilidade gerando uma crise de confiança.

O ano de 2020 também se reveste de um momento especial de reflexão sobre o que temos feito, desperdiçando tantas oportunidades que poderiam ser aproveitadas para o bem geral da humanidade. Tudo vai assumindo ares de contenda na luta por poder e influência, mas permanece distante o saber da Vontade de Deus, que tece os fios do destino trazendo recompensa ou castigo. O tempo vai passando, em vez da energia de Luz que traz paz e alegria, estão sendo atraídas nuvens carregadas. Há de surgir um novo dia que propicie novas oportunidades para, com humildade, recebermos a Força e superar os desafios nesta fase que todas as falhas humanas decorrentes das formas erradas de viver estão sendo expostas.

Os seres humanos não podem continuar esperando que tudo caia do céu, sem esforço, sem trabalho dedicado. Em grande parte, os governantes pouco se dedicaram para promover o desenvolvimento e fortalecimento da população, o bom preparo das novas gerações e melhores condições de vida. As pessoas pouco sabem da vida, e sem a verdade, não há liberdade, mas apenas medo e ódio.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O RETROCESSO ANUNCIADO

Durante longo período não havia partidos políticos, só a Igreja e os reis. As regiões descobertas se tornaram colônias. Os feudos foram aglutinados e transformados em Estados. Surgiram os partidos, as eleições e os eleitores foram mobilizados para fazer sua escolha no circo eleitoral. Eleita, a classe política queria mais e mais. O mundo globalizado está descontente com a classe política. Surge o Estado com partido único responsável pela escolha dos gestores e pelo relacionamento econômico com os demais países visando o melhor resultado. Diante da precariedade da economia, os eleitores estão se voltando para os líderes que apregoam a volta ao nacionalismo.

Nos anos 1980, os Estados Unidos elevaram a taxa de juros a 20% ao ano. Países atrasados, como o Brasil, que se endividaram na década de 1970 com juros baixos contratados com taxa flutuante, caíram na armadilha e perderam o rumo. Juros compostos a 20% em dólar é um desastre. O Brasil sangra até hoje, e seus gestores, desde Sarney, não tiveram dúvidas em priorizar interesse próprios, deixando o país de lado.

O economista Delfim Netto explica a grande mudança em andamento no trato da finança pública: “Um fato fundamental é que a política monetária iniciada por Ilan Goldfajn e continuada por Roberto Campos Neto (ajudada pelo rigor fiscal) nos levou a uma taxa de juros e a um ‘risco’ Brasil que eliminaram o carry trade. É, talvez, a primeira vez na nossa história que se criaram as condições para uma taxa de câmbio flutuante sustentada por forças endógenas e não por uma taxa real de juros destrutiva do nosso setor industrial.”

Trata-se de uma higienização no rançoso modo de administrar juros, câmbio e o desequilíbrio fiscal produzido pela incompetência e falta de seriedade. Mas urge resolver a questão de como aumentar a produção e renda, que se arrastam no chão por décadas num país em que falta tudo. Taxa Selic de 4,5 %, o estranho é como esteve tanto tempo acima de 12 % a juros compostos. Como essa proeza foi conseguida? Será porque todo o sistema se acha atado às dívidas?

A irresponsabilidade com as contas sempre traz resultados desastrosos, nas contas públicas é terrível com tantas interferências de agentes corruptos. A partir de 2012 caímos de novo na armadilha da grande catástrofe de dívida que hoje toda a nação paga e sofre. Foi um desatino financeiro, um assalto que revelou a cobiça e o imediatismo geral. Temos padecido com a permanente irresponsabilidade no trato das contas públicas e na terrível estrutura monetária e cambial que tem favorecido a especulação em vez de promover a estabilidade econômica.

Diziam os poetas, na década de 1920, que a vida é uma celebração do encantamento. Mas o jornalista francês Gilles Lapouge diz que hoje não é mais assim, pois é na Bolsa para onde vai todo o dinheiro do mundo, cobiçando ganhos mirabolantes, que se contabiliza o valor da vida, enquanto o resto da economia segue para o brejo. Países mal geridos pela corrupção e incompetência estão retrocedendo de degrau em degrau ao chamado terceiro mundo; países pobres, com falta de preparo para a vida, dependentes de uma economia voltada para a agricultura, pecuária e atividade extrativista. A desfaçatez com que os rios e mananciais têm sido manejados mostra bem o declínio.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Se o querer, voltado para o bem, sempre for transformado em ação, a melhora geral será possível, buscando-se o auto aprimoramento, observando a lei do movimento aplicada na grande causa da humanização da vida, através do fortalecimento da espiritualidade e da coesão da vontade das pessoas para irradiar a Luz da Verdade.

Cada ser humano ativo no espírito tem de se adaptar aos meandros dos fios do destino produzidos por ele mesmo, com ampla coerência, incluindo intuição, pensamentos, ações, tudo integrado. Assim como numa árvore, as raízes, tronco e flores estão integrados, no ser humano, espírito, alma, corpo devem estar unidos de forma sadia, buscando elevação. A falta disso gerou as catástrofes que estamos enfrentando.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A GRANDE PRIORIDADE

A busca continuada de melhores condições gerais de vida já foi a grande prioridade, mas ficou meio esquecida. Tanto os indivíduos como os países acabaram colocando o dinheiro acima de tudo. Os países foram em busca da moeda global, passando a produzir para exportar. Quem não conseguia, tomava financiamento externo. O que aconteceria se os países se voltassem para atender primeiro à população interna, deixando excedentes para exportar?

O ser humano, dominado pela vontade mental, com seu raciocínio limitado ao tempo-espaço, dá ênfase à necessidade de continuada adaptação à realidade que surge como consequência de seus atos. É preciso deixar a vontade espiritual, a intuição, se manifestar e cada indivíduo se ocupar seriamente com o significado da própria existência: por que nascemos neste planeta, qual é a finalidade da vida?

O Brasil e o mundo se defrontam com crises fundamentais. Não bastam paliativos no combate à desigualdade e miséria; faltam projetos de humanização da vida. As novas gerações têm de receber bom preparo. O homem nasce pedra bruta com essência preciosa que precisa ser despertada e polida para brilhar, o que se alcança com o fortalecimento da espiritualidade. Mais do que nunca, os estímulos se dirigem para as baixarias e imoralidades. Falta gratidão pelo dom da vida, prolifera o descontentamento em vez da espontânea alegria de viver.

Apesar de todo avanço da tecnologia, o bom preparo das novas gerações ainda está descuidado. As crianças devem, desde cedo, entender que sem educação não conseguirão progredir na direção de seres humanos de valor, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta. A geração que agora galga a adolescência, e a anterior, não se sentem motivadas para estudar, avançar e progredir; ao contrário, se entregam ao prazer imediato e à revolta, pois não vêem perspectivas. Uma boa saída seria a adoção de programas de participação nos resultados sem integrar o salário. Os salários tendem para o mínimo nesta fase de globalização na qual se buscam trabalhadores de menores custos. Os encargos sociais pesam e vão parar nas mãos de maus gestores.

A falta de preparo para a vida é cada vez maior, o que favorece o desperdício de mais uma geração e isso já está acarretando a fragilização e estagnação do Brasil. Facilmente as pessoas encontram justificativa para explicar a miséria e a precarização. Capitalismo, comunismo, neoliberalismo, são rótulos, pois por trás está o ser humano e sua despreocupação em causar danos ao próximo para satisfazer a própria cobiça. A riqueza vem dos recursos naturais valiosos e escassos, mas que ficam nas mãos de poucos.

Adentramos numa temporada de juros baixos. Qual é o significado? Um fôlego para a dívida elevada? Enfraquecer o dólar? Se isso tivesse sido praticado com antecedência, outro seria o status da atividade econômica. Banqueiros e gestores públicos imaginavam que, em não havendo dono para o dinheiro público, poderiam fazer o que bem entendessem com ele. Funcionou por décadas, mas com as transformações decorrentes da globalização, caíram a produção, os empregos, a renda e a arrecadação, e dessa forma o risco de insolvência se tornou real. Mas com a globalização o remanejamento da situação ficou difícil. A queda nos juros dá um fôlego, mas a conta bate mais forte sobre os mais fracos.

Falha do Estado, falha dos governantes e da classe política? Já nos anos 1500 o europeu pensava em tirar o máximo de vantagem. Com isso, não se formou uma consciência nacional firme; mesmo no movimento de independência do Brasil havia os que eram contra. Permanecemos deficientes na saúde, educação e na formação do país. O Estado ficou na mão de um punhado de interesseiros que derrubaram D. Pedro II quando esse deu um basta ao trabalho escravo, mas o que se seguiu foi um completo abandono da população e continuada exploração das riquezas do país para o benefício de poucos.

Os jovens precisam conhecer a trajetória espiritual da humanidade para saber o estágio em que nos encontramos, pois a prioridade básica para fortalecer as novas gerações e o país está no bom preparo para a vida. Uma nova ética deverá ser alcançada com o reconhecimento das responsabilidades individuais de não causar danos a outros para satisfazer a própria cobiça.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7