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A GRANDE REGRESSÃO DA HUMANIDADE

Por que a miséria está aumentando? Seria por causa da globalização comercial e financeira? Se cada nação tivesse cuidado adequadamente dos problemas gerais de acordo com as leis da natureza sempre voltada para o bem, visando assegurar prosperidade e paz, não teríamos agora tantos problemas mundiais. Em nossa época os seres humanos estão perdendo a generosidade. Há muita falsidade e mentira visando satisfazer a própria cobiça; falta autenticidade no proceder. A raiz do problema da imigração que fustiga a Europa está no fato de que hoje muitos estrangeiros buscam refúgio porque perderam a condição de viver em seus territórios, os quais, no passado, foram super explorados pelos colonizadores.

Há um permanente clima de disputa por tudo. Há trambiqueiros posando de homens de bem, desconfiando de todos, mas, no íntimo, só querem tirar proveito da situação, pouco se importando se vão causar danos a outros desde que ganhem com isso, além de cultivarem um sentimento de prazer e vitória nessa forma de agir. Na vida moderna falta bom senso, mas há muitos regulamentos criados e controlados por corações empedernidos visando obter vantagens. O homem dominado pelo raciocínio, se torna uma fera quando assume o poder; não há mais coração, apenas a grande mesquinhez e insensibilidade. O poder assume a característica da coerção.

A prepotência se tornou a norma de muitos líderes e de pessoas tirânicas. Governos e empresas se tornam impositivos e abusivos, empregando o poder econômico e das armas para espalhar o ódio e o temor entre os povos. Os governos vão perdendo a possibilidade de controlar a economia de seus países, deixando aberta a porta da corrupção para o enriquecimento ilícito. Os países têm vivido em rota de desequilíbrio geral nas contas internas e externas, na produção, emprego, comércio, e no preparo das novas gerações. Há décadas os mais fracos permanecem no prejuízo, financiando déficits com alto custo, entregando recursos naturais a preço de banana. O Brasil tem sido mal gerido há décadas. Precisamos de um governo que seja pró Brasil, pois a guerra comercial tende a se agravar e quem tiver governo displicente vai ficar por baixo e sacrificar sua população.

Por que chegamos a essa situação extremada de crise social e recessão econômica? Teóricos como Adam Smith, Keynes e Freedman, desenvolveram tantos estudos para agora a população se sentir abandonada e em vez de receber o adequado preparo para a vida, facilmente se deixa envolver por palavrório barato, pão e circo. Agora há um risco sério de faltar pão e o circo está virando drama de terror. Sucessivos governantes não olharam para a dependência externa nem para os desajustes internos, e de novo o país está algemado pelo crescimento da dívida.

No mundo imprevidente, tornou-se norma o estouro das contas públicas. Além dos impostos arrecadados, os governantes contraem empréstimos com juros altos, comprometendo o futuro, e quando isso é feito em outra moeda, é um passo para o desastre. O espantoso encargo de juros de dois dígitos por longo período, distribuído sobre toda a população, endividando, valorizando o real, sugando as energias do país, deixando campo aberto para importações de tudo que é fabricado com mão de obra barata travou a indústria. Faltou planejamento bem elaborado para devolver o dinheiro arrecadado em benefício para todos, na melhora geral das condições de vida e da qualidade humana da população.

A guerra comercial apontada como causa da recessão vindoura decorre dos atritos do poder e quer interromper o ciclo de transferência de recursos para a China que acumulou reservas, se tornou credora, avançou na tecnologia e se capacitou para investir nas fontes de suprimento de matérias primas. O que mais os governos poderiam fazer para promover maior crescimento econômico além de disciplinar os gastos, eliminar desvios e super mordomias concedidas aos poderes e estatais?

O planeta foi amplamente espoliado em seus recursos naturais, o que interferiu na sua capacidade auto regenerativa. Atordoados pela renhida luta pela sobrevivência que a vida se tornou, os seres humanos não sonham mais. A grande regressão precisa ser interrompida, recolocando a humanidade na senda da verdadeira essência espiritual. Precisamos estabelecer alvos nobres que tenham como prioridade a melhora geral das condições de vida no planeta e aprimoramento da nossa espécie.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O HOMEM E O PODER

Há um ditado que diz que nada melhor do que dar poder a um homem para conhecer o seu real caráter. Por milênios a humanidade vem travando a voz do espírito seguindo apenas o raciocínio gerado no cérebro frontal envolvido no materialismo que provocou o crescimento da cobiça por poder e riqueza. Por muitos séculos depois de Cristo (dC), os representantes da Igreja exerceram forte influência pelo mundo, enquanto mais e mais o espírito ia sendo posto de lado, caindo em profunda sonolência e, figuradamente, o coração nada mais conseguia dizer.

Apoiado em alguns conceitos naturais, veio o liberalismo, enaltecendo as qualidades individuais do ser humano, o direito à propriedade e a conquista da riqueza como prioridade. Vieram logo a seguir as ideias socialistas enaltecendo as qualidades do Estado e seus representantes, como detentores das riquezas para conduzir a vida dos seres humanos a uma condição de bem-estar social nivelando-os para uma existência voltada para o materialismo. O ser humano nasceu livre, as imposições do Estado forte manietam o seu caráter e seus anseios inibindo a essência.

Embora em polos opostos, nos dois sistemas prevalecia a cobiça dos dirigentes pelo poder, empregando a comunicação de massa para o nivelamento dos seres humanos por baixo, levando-os cada vez mais para uma existência puramente material, sem perspectivas amplas voltadas para a essência da vida.

As sinapses, conexões de neurônios, vão se formando a partir da primeira infânciae se desenvolvem continuamente, mas as básicas adquirem força nas vivências da fase inicial do aprendizado imitativo e cognitivo. O declínio geral está ligado à falta de preparo das novas gerações, pois já na primeira infância os cérebros das crianças vão sendo alimentados por imagens negativas de mentira, sexualidade exacerbada, insatisfação, medo, ódio, violência.

A ciência do cérebro deveria estar conectada com a percepção do eu interior, a alma. Apesar dos avanços nas pesquisas, a caixa craniana ainda é uma caixa de enigmas. Falta o reconhecimento do significado da vida; faltam alvos enobrecedores que estabeleçam como prioridade a meta do progresso real da humanidade, espiritual e material, para o benefício de todos, para que os indivíduos alcancem evolução real e sejam felizes. Sem o envolvimento das novas gerações nesse alvo, o futuro se torna incerto e ameaçador.

No século 21, mais do que nunca se evidenciam as obras do raciocínio desconectado das leis espirituais da Criação. Visivelmente o corpo do planeta Terra apresenta os sintomas de terrível doença que agora se manifesta em agitada convulsão.

O dinheiro foi uma grande invenção, mas se mal administrado gera perdição. Os feiticeiros do dinheiro e os maus governantes possibilitaram e eclosão do drama do inaudito crescimento da miséria que se alastra pelo planeta. No mundo econômico a importante variável câmbio exerce poderosa influência nas relações de comércio de importação e exportação entre os povos como também possibilita manobras escusas para ganhos especulativos.

A guerra comercial se reveste de acirrada batalha econômica pelo poder. A crise econômica se alastra. A Argentina abriu o bico demonstrando sua incapacidade de saldar os compromissos financeiros assumidos. Na Venezuela, rica em petróleo, falta tudo e sua população foge apavorada. O cenário econômico mundial tende para o salve-se quem puder.

No Brasil, impera a discórdia, a luta daqueles que tendo colhido muitos benefícios querem manter seus privilégios. As reformas são necessárias. A política de juros elevados e a displicência fiscal criaram esse monstro da dívida que exige mais e mais impostos complicados de administrar. Mas têm de ser examinadas todas as causas que levaram à paradeira e à estagnação da produção industrial, dos empregos e da renda.

O endividamento público atravessa descomunal crescimento, a falta de pagamento já é ameaça; se os juros não baixarem, a bola de neve vai rolar. Os detentores de reservas financeiras não terão mais o acréscimo de juros cujo peso os governos transferem para toda a população.

Há muito dinheiro encalhado, mas falta trabalho. É preciso encontrar a forma de distribuição que não seja as aviltantes bolsas para desempregados. O ser humano requer trabalho para se sentir útil à sociedade. É como no canto de Gonzaguinha: “Seu sonho é sua vida e vida é trabalho. E sem o seu trabalho, o homem não tem honra”.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

COMO SAIR DO LABIRINTO

Com a estagnação da fiação e tecelagem, a produção de algodão vai para o exterior em estado bruto. O mundo caiu no labirinto da mão de obra barata da Ásia e não sabe mais como sair da enrascada. A classe política, por sua vez, a começar pelas prefeituras, pouco fez para fortalecer o país; algemaram-se às empreiteiras, comprometeram o orçamento e não planejaram para fazer das cidades espaços apropriados para a morada de seres humanos. De Sarney a Dilma o atraso só foi aumentando. Tentaram camuflar a situação com juros e câmbio valorizado, mas afetaram a indústria.

A dívida cresceu. O governo está sem recursos. O desemprego aumenta. Assim como muitos países, o Brasil também está amarrado sem saber como fazer para conduzir o país para uma nova fase com seriedade e progresso real. Nesta época de ociosidade e encalhe de manufaturados no mercado internacional devido à queda na renda, o Brasil, onde falta tudo, tem de encontrar meios de produzir mais e gerar empregos, sem ampliar a dívida.

O dinheiro dos impostos entra nos cofres do governo e some. Os estudantes vão à escola e poucos aprendem. Estamos diante de cenário econômico mundial inédito com a concentração da produção industrial em grandes empresas com coordenação de Estado forte e que começa a afetar as campeãs do livre mercado. Quais as consequências sobre a economia mundial e sobre as vidas dos cidadãos comuns e sua individualidade? Habituados a uma jornada de estudos e trabalho, qual será a possibilidade de evoluírem na escala social?

Com os descuidos no dia a dia, o viver ficou mais difícil. Há uma ansiedade generalizada. Antes mesmo de entender o que o outro está dizendo, muitas pessoas já passam para ataques. No meio de tantas informações tendenciosas é necessário que haja, prontamente para cada falsidade, o rebate, a informação real sobre o que de fato está ocorrendo, para que todas tenham o esclarecimento verídico.

Antes do nascimento do ser humano na Terra a natureza já estava toda adornada de vida pujante para assegurar a sustentabilidade, e a humanidade convivia em harmonia com a natureza e seus entes. Mas com o despertar da vaidade e cobiça, o homem se julgou superior e passou a explorar a natureza de todas as formas, sugando a rica seiva de suas entranhas. A natureza e seus entes reagem ferozmente mostrando a estupidez da ignorância humana. No século 21, os dirigentes poderiam usar clareza e objetividade nos esforços para fazer do planeta Terra um bom lugar para se viver, buscando corrigir os desequilíbrios.

Com a estagnação do desenvolvimento espiritual da humanidade, foi surgindo e se perpetuando a ideia da divisão entre mandantes e submissos, ou seja, os obedientes por imposição que assim se tornaram devido à própria indolência, e não menos pelo uso de coerção pelos mais fortes. Os seres humanos são desiguais em seu desenvolvimento espiritual, estando uns mais à frente do que outros. Isso, porém, não lhes dá o direito de se sobreporem uns aos outros e de não se envergonharem em comprar e vender humanos escravizados, criando-se o mote “manda quem pode….”. Já na educação, desde a infância essa ideia se foi implantando de várias maneiras, pela mente e pelas emoções, ampliando-se pela vida toda, semeando medo, estabelecendo a fragilidade dos vínculos nas relações humanas. A prepotência que ocorre no nível pessoal também ocorre entre os países que adotaram obter ganhos causando perdas a outros.

Estamos diante de cenário inédito na economia com a concentração da produção industrial em grandes empresas sob a coordenação de Estado forte e que começa a afetar as campeãs do livre mercado. Quais as consequências disso para a economia mundial? Essa questão se aplica aos países em geral no tocante à sua autonomia. Estamos caminhando para o Big-brother com comando global unificado sem liberdades?

Enfim, estão se tornando visíveis os desequilíbrios causados pela globalização que privilegiou aqueles que dispunham de mais poder de barganha. Não vai dar para seguir assim, fragilizando e empobrecendo de forma geral. Se o mercado externo se fecha, o que fazer? Cada país terá de seguir com os próprios meios, sem aumentar a dívida, educando as novas gerações, ampliando a produção, criando empregos e ampliando a renda.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

UM ALENTO PARA A POPULAÇÃO

Na paradeira geral a questão é elementar. A economia capitalista se movimenta com a circulação do dinheiro. Salários, principalmente, auxílios governamentais e crédito movimentam as engrenagens, gerando consumo que incentiva a produção e cria empregos, mas quando se produz pouco mantendo o câmbio valorizado, os incentivos vão bater lá fora, naqueles que produzem para exportar. Tudo se movimenta, mas escoando divisas nas importações. Quando o incentivo cessa, tudo cai no marasmo porque a estrutura de produção foi sendo destruída a partir dos anos 1990. Nesta fase, com encalhe de manufaturados pelo mundo, a solução não é fácil, sendo mais simples apontar culpados para a baixa atividade e desemprego. Assim, muitos fazem demagogia e vão entregando as riquezas do país enquanto a miséria vai crescendo.

No mundo, houve uma redução no número de pessoas sem emprego, mas as condições de trabalho não melhoraram; algumas atividades, impulsionadas por novas tecnologias, ameaçam ampliar a precarização. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 3,3 bilhões de pessoas empregadas no mundo em 2018 estavam submetidas a intermináveis rotinas repetitivas sem níveis adequados de segurança econômica, bem-estar material ou oportunidades para avançar.

Quanto mais dinheiro se fabrica no mundo, mais ele se concentra. Em vez de investimentos benéficos, surgem bolhas na bolsa e em outros setores. O desemprego é apontado como a causa do aumento da desigualdade, mas quais são as causas? Agora surgem tentativas de recuperar o vigor do mercado interno, combalido pela queda na renda, baixando os juros. O mercado interno é importante por ser o espelho da economia, mas a população vai consumir o quê, se a produção é baixa, e para importar é necessário ter dólares?

Por que tantas pessoas ficaram submetidas à miséria? Agora estão cobrindo uns tirando o cobertor de outros, precarizando geral. Os países afundados na miséria, inclusive o Brasil, têm de análogo a baixa qualidade de seus gestores e o baixo nível de educação. Nigéria tem petróleo. Brasil tem muito mais, mas sua pobreza dói. Na briga pelo poder, semeia-se o caos e insatisfação, desorientam-se as massas para que permaneçam no comando os subservientes a interesses externos.

A desordem econômica é mundial, tendo sido gerada pela cobiça com ganhos de uns com as perdas de outros. A mão de obra barata foi um achado que todos quiseram desfrutar. Mas importar tudo pronto é suicídio econômico. Tardiamente, se percebe que sem produção não há geração e circulação de riqueza, tudo vai parando. O presidente Trump tenta reverter o quadro, e é criticado, mas não se indica o que deve ser feito para colocar a economia no equilíbrio natural.

O pânico se instalou na vizinha Argentina. O presidente Macri não conseguiu reverter o quadro de paradeira; a oposição se aproveita cutucando e influenciando os eleitores, e a crise se instala. Para tentar conter o dólar, o Banco Central da Argentina subiu os juros, de 63,7% para 74% ao ano. No Brasil, saímos da década perdida, mas enfrentamos tempos difíceis face ao desemprego e crise fiscal. Na economia como na vida não se pode viver de artifícios por mais engenhosos que possam ser.

O Banco Central nos informa que as reservas internacionais estão atualmente em torno de US$ 385 bilhões. Os ativos do Brasil em moeda estrangeira funcionam como uma espécie de garantia para o país fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques externos, tais como crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital para o país. Se essa reserva não estiver comprometida, uma pequena parte dela poderia ser utilizada em um amplo programa de obras úteis nesta fase intermediária da recuperação da economia, para reduzir o desemprego e dar um alento à população.

O Brasil sempre foi tido como país abençoado com povo amigo e respeitador, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Isso impõe alta dose de responsabilidade. Que seu povo e governantes atraiam a Luz do bem. Temos de deixar de ser país subdesenvolvido espiritual e materialmente. Temos de adquirir discernimento para seguir nosso destino. Para isso precisamos dar às novas gerações o adequado preparo para a vida, desde a primeira infância.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O QUE A HUMANIDADE QUER?

A globalização, iniciada nos anos 1980, permitiu o surgimento de mecanismos de geração de acúmulo de dólares através do avanço de produção massiva de manufaturas com menores custos para colocação no mercado externo, o que gerou complicadas consequências. No cenário do sáculo 21, evidenciaram-se, dentre os resultados da globalização, o choque de competição entre indústrias que pagam salários de até cem dólares por mês, produzindo para o mercado externo, com outras com política salarial tradicional. Em vez de produzir melhora geral, surgiu uma situação de perda de empregos e da cultura, além do aumento da desigualdade e desarranjo ambiental.

Tristes lembranças de um país cuja displicência dos governantes acabou jogando tudo no atraso. O Brasil optou pela valorização de sua moeda diante do dólar. Alguns economistas advertiam, mas o governo cuidava de manter essa situação, mesmo diante das reclamações dos exportadores que tinham dificuldades para exportar seus produtos frente a desvalorização do dólar que reduzia a competitividade de nossos produtos no exterior, penalizando as receitas de exportações e destruindo empregos. Porém as autoridades diziam que a intenção era evitar a exportação de renda e empregos diante da persistente valorização do real.

Com o declínio na produção industrial, os gastos públicos ocultavam o encolhimento do potencial de crescimento. Pena que muitos desses gastos foram inúteis e realizados na base de tomar empréstimos a juros elevados. Estamos necessitando de reformas e de algo mais que gere condições para produzir, empregar, pagar salários e ter algum ganho. Há saldo positivo na balança comercial decorrente da exportação de commodities, mas o déficit de empregos é cruel.

O dólar se tornou a cobiçada mercadoria financeira que tudo pode, embora envolvida em incertezas. Quem a produz? Quem a controla? Quem regula as cotações? Qual é o objetivo dos investidores? Especular? Enquanto isso ocorre no mercado financeiro, o mundo real da produção se acha em crise e a economia global ameaça implodir com endividamento astronômico.

A China, através da possibilidade de organizar a produção com custos menores para exportação, forjou um mecanismo de fazer dólares constituindo elevada reserva, enquanto o Brasil e outros aumentaram as dívidas. Agora a China busca o refinamento de sua economia e tecnologia, substituindo importações, focada na exportação, e investindo pelo mundo para consolidar riqueza real.

Com sua grande expansão, o dinheiro, encarnado no dólar, e com a sua ascensão a condutor dos negócios e da vida, não está fácil compreender o que está rolando. Para os nacionalistas dos EUA, a valorização da moeda principal afeta as exportações da rival China. Mas o que pensam os globalistas que acham desnecessárias as fronteiras territoriais e que estariam mirando o governo e moeda única?

Está havendo grande disputa pelos mercados e tecnologia. No palco da disputa estão o desenvolvimento do 5G, a próxima geração de rede de internet móvel que promete acelerar ainda mais a velocidade das interações, e a consolidação da inteligência artificial, para utilização na produção e fins bélicos.

Os EUA e China poderiam resolver seu desentendimento a bem da paz e do progresso equitativo entre os povos. Os presidentes americanos acompanharam passivamente à transferência de produção e empregos. No Brasil, os governantes mantinham o dólar barato artificialmente para seduzir o eleitorado. Com o crescimento do déficit comercial e da dívida, caiu a ficha. Enquanto o Brasil tem de cobrir déficits em dólares com financiamento, a China soube planejar o acúmulo de grande reserva em dólares, administrando-a com eficiência.

Uma nova ordem mundial está em gestação, mas a administração do Estado não pode padronizar e se tornar a tutora das ações dos seres humanos. Sem liberdade, tudo tende à estagnação. Cada povo tem direito à sua autonomia e sua cultura. Só o reconhecimento e respeito às leis da Criação poderia balizar o comportamento humano de acordo com o princípio “ama o próximo como a ti mesmo” sem causar-lhe danos para satisfazer a própria cobiça.

No emaranhado de desafios do século 21, a humanidade tem de manifestar o que realmente quer da vida. A base deveria ser o anseio dos indivíduos a partir de seu íntimo, mas há muitas influências externas e ausência de visão clara sobre o real significado da vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ECONOMICISMO OU HUMANISMO?

A economia sempre nos surpreende; a do Brasil entrou em rota de mornidão há algum tempo. Invariavelmente, tivemos políticos ruins e perdulários, os juros sempre nas alturas com efeitos negativos; mesmo assim produzia-se, estudava-se, consumia-se e havia uma consciência coletiva de confiança no progresso do país. Além da taxa de juros, existem outros fatores que promovem a aceleração ou estagnação da atividade econômica, os quais têm de ser identificados. Quem se habilita, a partir disso, a corrigir as distorções para que o país não afunde nas garras da precarização geral?

A China aproveitou bem a situação criada pela globalização e acabou provocando desindustrialização no mercado mundial com custos baixos, dumping, câmbio favorável e escalas de produção sem precedentes, mas os responsáveis pela economia no Brasil optaram por ter dólar barato, às custas de juros altos para debelar a inflação em vez de incentivar aumento da produção. Foi uma breve alegria de carnaval e agora estamos enfrentando a ressaca da quarta-feira de cinzas. Situação difícil. Como a produção interna de manufaturados ficou restrita, aumentos de renda acarretam aumento das importações.

Há uma guerra cambial visando desvalorizações competitivas. No Brasil, até recentemente fez-se o inverso, valorizando o real. Se o BC baixasse os juros que efeitos isso traria para o dólar? Subiria ou baixaria? Que efeitos isso traria para a produção, PIB e para as importações e exportações? Muitos analistas preferem apontar culpados em vez de examinar atentamente as causas da paradeira que aflige não só o Brasil.

Temos fatores internos como corrupção, indisciplina fiscal, incompetência dos governantes que aproveitaram a maré de dinheiro pelo mundo, mas a crise de 2008 fragilizou o ocidente, enquanto a China foi consolidando sua máquina de produzir manufaturados e acumular dólares. Foi uma guinada impensável que acarretou novos problemas. Será que esses problemas foram objeto das conversações do G 20, a reunião das maiores economias que se debateram com suas próprias incoerências?

Neste mundo que se afastou do humanismo e das leis da Criação restam poucos pensadores profundos sobre a realidade que estamos vivendo. Na mecanização do ser humano, poucos deixam a alma atuar na pesquisa do significado da vida. O filosofo Edgar Morin permanece ativo, mas todos os seres humanos têm de prosseguir, ir além, perceber o dom da vida na Terra para que o espírito possa se fortalecer e evoluir beneficiando tudo, e não ficar achando que pode agir como se fosse o dono do planeta, destruindo e emporcalhando tudo.

Em recente viagem a São Paulo, Morin disse em entrevista: “Meu esforço nas minhas obras é tentar efetivamente esse pensamento. O que estamos vivendo? O que está acontecendo? Para onde estamos indo? Não inserimos no programa (de ensino) temas que podem ajudar os jovens, sobretudo quando virarem adultos, a enfrentar os problemas da vida”.

A economista Kate Raworth, autora do livro Doughnut Economics – Seven Ways to Think Like a 21st Century Economist (Sete meios para pensar como um economista do século 21) adverte a espécie humana sobre as incertezas do futuro, pois o crescimento infinito que vemos como modelo nos negócios, “chamamos de câncer em nossos corpos”. Quem não observa as leis da natureza semeia destruição.

Numa palestra na Associação Comercial do Paraná o vice-presidente Mourão apontou a possibilidade de colapso no sistema financeiro global porque há muito dinheiro aplicado em papel que não está significando a realidade, agravado com o fluxo de capitais ilícitos do narcotráfico e de outros meios. Mencionou também a questão das fontes de energia e o problema da escassez da água em países como a Índia, embora no Brasil tenhamos abundância desse elemento.

Os sistemas deveriam ter como meta a autossuficiência acompanhando o crescimento natural da população. Com a invenção do dinheiro, associada ao “financeirismo”, a meta passou a ser fazer o dinheiro engordar através do seu giro acelerado e da maximização do resultado. Nessas condições, tudo que não favoreça o aumento do ganho financeiro passa a ser considerado como desnecessário, inclusive a preservação da sustentabilidade, pondo de lado o humanismo no relacionamento entre as pessoas, adotando o mecanicismo como se fossem máquinas sem alma. Temos de combater a tendência de precarização geral e, com humanismo, estabelecer cenários mais condizentes com a nossa espécie.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

FALTAM RUMOS E METAS

Como explicar a estagnação econômica do Brasil? A China e outros países aproveitaram condições mais favoráveis no câmbio e no custo de fabricação, tudo em favor das exportações. No Brasil, muitos empresários se acomodaram na zona de conforto do conluio com o governo. Outro importante fator negativo é o descalabro nas contas públicas da União, estados e municípios, decorrente da má gestão pública por incompetência ou por más intenções, elevando o custo do dinheiro. Isso tudo evoluiu para a atual estagnação. O país tem de encarar os embaraços existentes com realismo.

Os três poderes se mantiveram acomodados, vivendo no país das maravilhas, enquanto as dificuldades iam crescendo. O atraso é grande e se nada for feito para reequilibrar a situação, o país tenderá ao atraso político-econômico semelhante ao dos países africanos. Mas a turma prefere brigar pelo poder. Juros altos atraem dólares valorizando o real e barateando importados. Foi bom enquanto durou. Não produzimos dólares, mas temos muitas contas na dita moeda.

Economistas experientes cobram mais efetividade do governo no combate à estagnação e na dinamização da atividade econômica, além das correções necessárias na previdência. Mas nas atuais condições de baixa renda e encalhe de manufaturados no mundo, resta saber onde os investidores poderiam alocar os seus recursos com sucesso. As organizações globais permitiram o desarranjo do parque industrial transferido para a região asiática em que há mão de obra e outros fatores bem abaixo do padrão ocidental.

As dificuldades surgiram devido à displicência financeira e administrativa do governo que permitiu acúmulo de juros no montante de dois trilhões de reais de 2012 a 2017. O ajuste fiscal é imperioso, mas há que se reorganizar a produção e comércio global, pois a precarização avança pelos países sem que haja como dar trabalho e renda às respectivas populações.

A dívida chega a 80% do PIB e com isso a desindustrialização avança. A previdência é a casca do problema econômico do Brasil, mas o caroço é a desintegração da economia e o desemprego de milhões. A China aumentou de forma considerável a produção em busca de dólares. O equilíbrio deveria ser o alvo da economia global. Alguns países acumularam ganhos no jogo da globalização; outros, como o Brasil, tiveram perdas. Atualmente o país está endividado e não consegue dar pleno atendimento às necessidades de sua população. Há grande liquidez no mercado global, mas também elevadas dívidas. Se os juros subirem, tudo vai desabar.

A criação de riqueza decorre da produção, a qual gera emprego, renda e consumo. Aqui tivemos o inverso disso na indústria. O real valorizado, em consequência de juros exorbitantes, colocou os manufaturados nacionais em desvantagem competitiva. Com isso perdermos empregos, mas ampliamos o crédito. A dívida pública já chega a cerca de um trilhão de dólares, e a arrecadação não cobre os gastos. Já não é mais a depressão de um ciclo; é um buraco muito grande. Como solucionar? O Brasil ficou com a dívida descontrolada, como reconhecem muitos economistas, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria.

Moeda é questão fundamental, mas pouco estudada e entendida. No século 20, ocorreu a grande ascensão do dinheiro papel e daqueles que detém o seu controle. Uma ideia bem estruturada ao lado do Estado, desenvolvida através dos séculos para criar a mercadoria desejada por todos: o dinheiro, em papel ou digital.

O dinheiro passou a ser a mais cobiçada mercadoria e a vida passou a girar em torno dele. A economia atingiu os extremos nas finanças e na produção num novo vale-tudo para acumular dinheiro. Há superprodução de bens e dinheiro gerando desequilíbrios. Na África, falta o que comer apesar de sua riqueza mineral. No Brasil e em outros países, não está dando para produzir e obter lucro. Não surgem empregos, aumenta a precarização.

O globalismo está mais para saco de gatos em que os mais fortes comandam os mais fracos, destruindo a natureza, ampliando a miséria fora da área dominante, sem respeito aos interesses econômicos mútuos para assegurar relações equilibradas. As novas gerações precisam de preparo que as fortaleça interiormente para que estabeleçam metas de vida edificante. O mesmo tem de ocorrer com o país.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

DO OURO AO PAPEL

Originalmente, havia a mercadoria que todos queriam e que era utilizada como a base das trocas, até chegar no uso do ouro e outros metais. Depois veio o papel, que representava o metal. Por fim, o papel desvinculado do metal. O aspecto fundamental é o controle e emissão do papel. O dólar se tornou a moeda mundial dominante, dando origem ao dinheiro que faz dinheiro, e nisso se foi fundamentando a economia real que em dado momento ficou subordinada às finanças. O câmbio se tornou a grande incerteza que trava tudo, pois flutua sem parâmetros, difícil de explicar e entender.

Com a ausência de planejamento em suas contas, os países se tornaram dependentes de dólares, a classe política sempre que pode vai negociando algum para si e fecha os olhos, permitindo que o país caia nas malhas dos financiamentos dos quais o governo acaba ficando refém. São dívidas enormes, com comissões e juros pesados que, na maioria das vezes, não trazem melhorias para a população, embora esta sempre sofra as consequências.

Vemos tanta miséria pelas cidades e percebemos que há algo errado na trajetória do ser humano. O que será? O carma? A desigualdade na apropriação dos recursos naturais? O querer egoístico? É tudo isso, cada fator em decorrência do outro; é a grande semeadura esquecida que apresenta os frutos.

O mundo vive um momento de inquietação e incerteza. Há muito falatório e informações desencontradas. A globalização complicou mais ainda, pois cada povo tem de conduzir o seu destino com as peculiaridades que lhe são próprias para formar raízes. A China está olhando para si e agindo; cobriu os custos internos com sua moeda, exportou em dólares e fez sua reserva. Os outros estão olhando para a China e esperando o quê para dar uma ajustada na economia?

Permanentemente os sanguessugas vão mamando à vontade, as grandes corporações também. Quem não mama nas vantagens e incentivos vai embora. No período Dilma o papagaio da dívida subiu próximo a 5 trilhões de reais. Na luta pelo poder, o país sofre e permanece no declínio. O que vai ser do Brasil? Os gurus econômicos e políticos, nacionais e internacionais, poderiam ajudar mais.

Estamos sendo enrolados desde os anos 1980. O jornalista Luis Nassif fez o diagnóstico: o plano real foi bom, mas o seu alongamento acabou com a energia taurina da indústria. Agora, com a situação econômica agravada pela incompetência, corrupção e endividamento, o atraso ficou enorme, sem que os reais problemas existentes sejam tratados com firmeza. O déficit da previdência precisa ser resolvido, mas e quanto ao resto: produção, empregos, equilíbrio nas contas internas e externas? Nos últimos 25 anos era para tudo isso ter sido equacionado, faltaram estadistas patriotas e bom preparo das novas gerações.

Na educação falimos, não se sabe o que querem os jovens do Brasil. A questão dos jovens é de suma gravidade, pois não aprenderam desde cedo a lei do equilíbrio e pensam que podem tudo, sem esforço nem responsabilidade. A energia da adolescência é dirigida para a licenciosidade sem ter reconhecido a grande responsabilidade do ato de geração. Habilidosos teóricos insuflam o ódio sem querer reconhecer a lei espiritual da reciprocidade. Os teóricos vêm de longa data. Marx começou e vieram outros que foram interpretando a vida ao seu bel-prazer esquecendo que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

O presente resulta de décadas de irresponsabilidade da classe política em conluio com os aproveitadores oportunistas e da indolência dos seres humanos. Por que muitas nações não conseguem alcançar progresso e qualidade de vida similar às nações desenvolvidas? O jornalista científico norte-americano Daniel Goleman diz que, de maneira geral, os pais não conseguiram transferir seus valores para os filhos.

A falência da escola é uma questão que requer aprofundamento. Houve um declínio geral a partir dos anos 1970. A burocracia sucumbiu diante de pressões com interesse em moldar o comportamento das novas gerações resultando em apagão mental, indisciplina e revolta instilada por ideologias socialistas que induzem a ideia de que está tudo errado, não dá para aproveitar nada e a solução é destruir. Quanto pior, melhor. Faltam propósitos nobres. É preciso ser forte e confiar nas leis da Criação.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

POR FALAR EM PRECARIZAÇÃO

No mundo de hoje, globalizado, a redistribuição espacial da manufatura e a hiperindustrialização levaram à precarização. A queda dos rendimentos dos trabalhadores nesses continentes, assim, desestimula a demanda. Os ganhos de produtividade e de salários geram demanda e desenvolvimento econômico na Ásia do Leste. Países saltam da pobreza para a renda média. No mundo “rico”, as famílias submetidas à lenta evolução dos rendimentos sustentaram a expansão do consumo com vertiginosa expansão do crédito. A partir da crise de 2008, esse circuito de formação de produção e renda na economia mundial como um todo começou a falhar, dando origem ao período da Grande Recessão.

Parte da oferta da economia dos EUA (e também da Europa) está hoje na Ásia. Surge, então, uma situação curiosa de “demanda mundial fraturada”: as famílias americanas demandam, via crédito, bens produzidos no Leste da Ásia que por lá geram ganhos de escala, de produtividade e salariais. O regime fordista de produção foi transferido para o leste asiático, só que os consumidores estão nos EUA tomando dívidas. O sonho americano da bela casa no subúrbio com belo emprego e belo salário virou o pesadelo da rolagem de dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e estudantis, para não mencionar os custos de saúde para as famílias americanas. O pleno emprego voltou nos EUA, mas a estrutura produtiva mundial é outra. Apesar de desemprego na mínima, os dados de mercado de trabalho nos EUA mostram ainda muita gente fora da força de trabalho. Os empregos criados nos últimos anos foram de baixa complexidade, com destaque para varejo e serviços não-sofisticados. E agora os salários americanos parecem subir sem aumentos de produtividade equivalente. As famílias americanas e europeias estão atoladas em dívidas. As empresas estão com montanhas de dinheiro em caixa e não investem como antes. Nesse cenário se movem, com medo e incerteza, os bancos centrais dos países ricos. Após emitir mais de US$ 10 trilhões, continuam sem saber o que fazer.

Leia na íntegra este artigo de Paulo Gala, graduado em Economia pela FEA/USP, Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, onde é professor desde 2002. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR.
http://www.paulogala.com.br/politica-monetaria-para-um-mundo-anormal-moeda-causa-inflacao/

 

GARIMPEIROS DESCARADOS

Há dois mil anos os romanos eram os grandes garimpeiros de riquezas e de escravos para o Império. Séculos depois foram os europeus, na América e na África. Com a evolução vieram os americanos e os russos; enquanto isso, a miséria e despreparo iam crescendo. Religião, ideologias, invasão cultural, tudo camuflando o objetivo de extrair proveito. Agora a China entra em cena buscando matérias-primas e mercados para seu plano de expansão, mas em meio ao desarranjo global prevalece o imediatismo e a obtenção de vantagens, enquanto a humanidade vai desperdiçando o precioso tempo recebido para evoluir.

Que espécie de ser humano aceitaria escravizar o próximo para obter ganhos retirando-lhe a possibilidade de livre resolução, obrigando-o a trabalhar? Quando o homem chega a esse limite isso significa que muito de sua espécie foi perdido, então que tipo de mundo se poderia esperar? E daí caminha-se para pior enquanto esse erro não for reconhecido e combatido.

No século 21, estão se tornando evidentes os efeitos da falta de consideração e solidariedade, que se vão revelando no aumento da miséria pelo mundo. A grande festa do Natal deveria ter sido fonte de Renovação e Transformação dos humanos em seres, realmente, humanos! A tragédia da humanidade tem a ver com a ausência dessa disposição. Tudo o que se refere a Jesus Cristo e sua missão foi trivializado, deturpado e modificado.

Por toda parte falta o desenvolvimento humano; estamos chegando ao limite do embrutecimento, pois não há conscientização e bom preparo da população para que saiamos do marasmo e alcancemos a progressiva evolução humana de forma continuada. Os povos precisam da paz e solidariedade para evoluir, reconhecendo e observando as leis naturais da Criação!

Desapontada com o aperto, a população está inconformada diante do descaramento de indivíduos imbuídos de autoridade para gerir a nação. A tarefa dos eleitos é proteger e defender a cidade para que ela se torne o lar dos seres humanos que a habitam e, consequentemente, também devem zelar pela boa conservação. O mesmo deveria se aplicar aos estados e países, pois se não tiver dirigentes dispostos a agir em defesa dos interesses da população, quem o fará? Passam por cima de tudo e de todos para atingir seus objetivos, o resto se torna secundário, inclusive a estagnação e decadência de povos inteiros. Não se trata de Estado babá, mas de Estado com liberdade e responsabilidade, com garantia de propriedade, gerido por estadistas sérios que visam o bem e a melhora geral da qualidade de vida e do nível cultural sem se corromperem diante de interesses particulares.

Nada mais difícil de equacionar do que a economia neste tempo em que governantes pouco podem decidir. As decisões são tomadas pelas grandes corporações de acordo com os seus objetivos e pelos fazedores de dinheiro. A China ganhou força expressiva com sua usina faz-tudo, mas se o consumo mundial cai, essa força também fica amarrada. A economia mundial está desequilibrada.
No Brasil há fragilização da produção industrial, o estúpido endividamento e o descuido no preparo das novas gerações. O desequilíbrio na economia e a indolência daqueles que esperam tudo de bandeja levaram à estagnação. Como despertar o gigante adormecido?

A tendência do dinheiro é crescer continuamente indo além das emissões monetárias, o que acarreta inflação, isto é, depreciação da moeda e aumento de preços, e desordem financeira. Então surgiram os mecanismos para enxugar o excesso de dinheiro em circulação. Com o aumento da cobiça por riqueza e poder vieram a decadência e o açambarcamento das riquezas da natureza.

De longa data, estagnação e pobreza afetam a vida, pois os humanos em sua trajetória deixaram de buscar o conhecimento e integração com as leis da natureza para extrair todo o necessário e suficiente para o seu sustento e terem uma vida digna com finalidades nobres.

Evidentemente o bom preparo da população e definição de metas para promover a continuada melhora das condições contribuiriam para impedir a instalação da pobreza e miséria. Mas o aprimoramento da espécie não tem sido o alvo prioritário da humanidade. A produção deveria acompanhar a progressão natural, acompanhando o crescimento da população. Respeitando as leis da natureza e buscando a espiritualização os humanos alcançariam a prosperidade sem a miséria degradante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7