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RUMOS DA ECONOMIA

Em 1944, no final da Segunda Guerra Mundial, 45 países assinaram o acordo de Breton Woods consolidando o sistema financeiro regido pelo dólar que passaria a ter controle de boa parte da economia mundial e da distribuição de capitais pelo mundo. Para assegurar a adesão das sensíveis nações europeias foi adotada a paridade e conversibilidade em ouro, a qual foi rompida em 1971 conjuntamente com a desvalorização do dólar, causando forte impacto, pois o crédito havia ampliado a oferta da moeda tornando o acordo insustentável. A prosperidade do pós-guerra estava estagnando, surgindo inflação e desemprego. Ainda nos anos 1970, o super aumento do preço do petróleo revolucionou a economia e o sistema monetário.

O princípio do desenvolvimento equilibrado inclusivo e sustentável entre os povos foi posto de lado, tendo sido substituído por uma velada economia do salve-se quem puder pegando em cheio os militares que governavam o Brasil. O sistema monetário internacional tinha de levar a isso, face ao artificialismo em que se desenvolveu, fazendo com que os produtores de petróleo elevassem o preço do barril de US$7,00 para US$70,00, levando o Brasil a implantar o Proálcool.

Com o aumento do preço do petróleo, as pressões dos sindicatos por reajuste de salários e a desestruturação da produção, surgiu uma grande inflação nos anos 1970, gerando uma progressiva complicação econômica. Diz-se que se o governo emite e põe o dinheiro em circulação gera inflação, mas não ocorre a mesma coisa quando emite dívida? O importante é que haja produção para atender ao consumo, empregos e renda.

O endividamento em dólar disparou, as taxas de juros também. Tudo isso foi criando ambiente favorável ao crescimento da inflação; produzir se tornou mais custoso; havia desemprego e perda de renda freando a economia. A inflação acabou sendo dominada com austeridade, juros elevados, dolarização e importações, posto que a China passou a integrar elevado contingente de mão de obra de menor custo na produção de manufaturas.

Os ganhos foram superando os investimentos em produção e gastos em infraestrutura gerando grande massa de liquidez especulativa, sem ter em que aplicar. O keinesianismo queria impedir o caos transferindo a responsabilidade de investir para o governo, o que acabou não dando certo. A China criou o capitalismo de Estado e, com a globalização, a OMC deu a ela o status de país parceiro do capitalismo de livre mercado exportando os seus manufaturados para todos os lados. E tudo foi se encaminhando para esse caos econômico que inclui desemprego, endividamento alto, desequilíbrio geral.

Muitos países como o Brasil não conseguiram sustentar mais a sua moeda em relação ao dólar com juros elevados, encarecendo os importados. O futuro tende a ser mais severo, com limitação dos recursos naturais e geoeconomia agressiva. Haverá dinheiro sobrando e miséria aumentando.

Com o deslocamento da produção para a Ásia, a economia americana criou um vazio. O “made in” se tornou o ponto crítico na produção mundial. Países que privilegiaram as importações, incluindo o câmbio valorizado, perceberam que se fragilizaram. O novo acordo comercial promovido pela China é um fato natural, já que a Ásia abriga mais de 60% da população mundial e o capitalismo de estado criou nova forma de produzir e comercializar. A questão é, qual moeda será empregada nas relações.

“Os países desenvolvidos podem se dar ao luxo de fornecer um enorme alívio para as suas sociedades, e estão fazendo isso, mas o mundo em desenvolvimento está à beira da ruína financeira e da crescente pobreza, fome e sofrimento indizível”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na reunião do G-20.

O Brasil precisa entrar no rumo certo. O gasto do dinheiro público deve promover o progresso real. Os países têm sido geridos com desvios e desequilíbrio geral, nas contas internas, externas e na balança comercial. Agora enfrentamos a estagnação econômica que avança pelo mundo, e fica mais difícil sair do atraso. Faltam estadistas sábios e melhor preparo das novas gerações para conduzir o Brasil ao lugar que lhe cabe. O presente é consequência das ações passadas e, sem mudança do querer para o bem, a colheita da mesma espécie será inexorável.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

NOSSO MUNDO PERIGOSO

As complicações mundiais vêm num crescente desde o final dos anos 1990. Enquanto se processavam as alterações na estrutura de produção global, ocorreram no entremeio crises financeiras que absorveram as atenções gerais. Agora enfrentamos um novo desarranjo de forças antagônicas que fazem de tudo para obter o desempate do jogo e ficar na supremacia.

A partir da globalização, promovida pelo que se convencionou chamar de neoliberalismo, ocorreram profundas transformações financeiras, cambiais e econômicas. A produção fabril foi concentrada principalmente na Ásia. Iniciou- se um processo de desindustrialização e precarização geral em muitos países. Com certeza outros caminhos poderiam ter sido identificados, mas esse foi o adotado em função dos interesses imediatistas.

Empregos e arrecadação se retraem. Nos grandes centros os shoppings centers se estruturaram em função de um nível de renda mais flexível. Com a precarização geral a renda caiu, junto com as vendas. Preços e qualidade baixaram. Produtos estão à venda em cada esquina. Os shoppings e lojistas enfrentam dificuldades pelo mundo.

Lá atrás teve início a administração burocrática dos Estados que deveria estar sempre e exclusivamente voltada para os interesses gerais. A burocracia teve a sua origem na necessidade de regulamentar os procedimentos das relações na sociedade humana, no entanto acabou gerando os monstrinhos que criam dificuldades para as atividades em geral, mas é prestativa com os interesses dos grupos com os quais compactua.

Os gestores do dinheiro público têm sido desleixados com as contas internas e externas, agindo com pouco bom senso, dispersando as verbas em muitas coisas não essenciais. Em seu imediatismo, não desenvolvem estratégias de longo prazo, agindo burocraticamente de improviso por meio de remendos para corrigir problemas momentâneos, sem clareza em suas decisões para acobertar os seus objetivos particulares, e sem olhar para as consequências futuras. Há de se renovar a burocracia que acabou se tornando mais importante que o próprio país e sua população.

Mas o fato é que a burocracia não é a causa dos males, mas sim uma consequência, pois a causa primeira da regressão das condições gerais de vida está no embrutecimento do ser humano que, com seu egocentrismo, afastou-se do sentido da vida, não medindo a extensão de suas atitudes na busca de satisfação de sua cobiça.

O ser humano tem passado pela vida com viseiras, de modo inconsciente quanto ao seu desenvolvimento progressivo, deixando de perceber as conexões promovidas pelas poderosas leis da natureza, sem se preocupar em penetrar nesse saber que em outras eras era percebido de forma simples.

As leis naturais da Criação nos fizeram livres, mas os seres humanos egoístas forçam a antinatural sujeição da vontade alheia aos seus interesses criando leis e regulamentos em desacordo com as leis naturais da vida.

A burocracia se tornou a forma de criar normas que aos poucos vão sufocando a individualidade e a criatividade. Simplificar tudo na vida implica na necessidade de desburocratizar todo o arcabouço artificial de mando gerador do mecanismo que visa o aproveitamento máximo dos recursos pela elite que se assenhoreou do poder. Mas isso não acontece apenas no setor público, podendo ocorrer da mesma forma no setor privado.

Na aspereza atual da sociedade humana, os indivíduos estão perdendo o vínculo com os objetivos de melhora geral que devem ser compartilhados, passando a olhar para si e seus interesses, com pouca ou nenhuma consideração pelos demais seres viventes. O mundo precisa erigir a plataforma da simplicidade para afastar as doenças que estão atacando e desorientando o cérebro de forma crescente e, ao mesmo tempo, elevar a sociedade no que ela tem de humano.

Com o enfraquecimento do espírito, o homem se torna materialista e tenta impor a sua vontade para exercer influência de forma ampla e sútil. Nisso, se esforça para impor sua vontade sobre o próximo. A ânsia pela conquista e conservação do poder tirânico não ocorrem apenas no poder estatal, mas também nas empresas, organizações e até nas famílias. Dessa forma, as pessoas são induzidas para que adotem atitudes, decisões e ações padronizadas dentro de um contexto de interesses de dominação. Ao mesmo tempo, o cérebro confuso, desconectado da intuição, vai perdendo a visão de conjunto sobre o significado da vida, pois está perdendo a simplicidade, a clareza e a naturalidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7