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OS PROBLEMAS DA ECONOMIA

Quais são realmente os problemas da economia? A previdência? A capacidade ociosa? A falta de pesquisa? Falta-nos ética, entusiasmo e excelência ou faltaram mais economistas lúcidos e mais pessoas com curso médio e superior completos? O sistema Breton Woods deu ao dólar o papel de moeda mundial, enquanto o FED mantinha política de preservar o poder do dólar, Brasil, Argentina e outros detonavam suas moedas com todo tipo de irresponsabilidade, permitindo desenfreada especulação. A falta de moeda confiável causou muito infortúnio abaixo do Equador.

Com os juros americanos elevados para 20% nos anos 1980, a dívida externa dobrou. Criou-se austeridade para reduzir consumo e exportar mais. Produzia-se e exportava-se, mas os dólares nem chegavam. Veio a inflação galopante. O Real resultou do congelamento do dólar na base de juros elevados; tudo encarecia, os importados não. As indústrias não aguentaram. Enfrentamos a confluência de todos os erros e irresponsabilidades, e a escandalosa corrupção que juntas apodreceram a moeda nacional. Os homens públicos continuam brincando de faz de conta em vez de administrar o país com patriotismo e seriedade.

A trava sempre vem pelo câmbio e dívida elevada. Todos estavam na cena: governo, congresso e judiciário. E foram lenientes com a dívida. Na Argentina também. E colhemos essa situação caótica que jamais poderia ter acontecido neste país se não fossem os maus governantes. O pessoal que hoje faz críticas nada fez nas décadas passadas, aproveitando as oportunidades de ganhos e deixando o Brasil resvalar para o abismo.

Acabou o mito “eu sou você amanhã”. Brasil e Argentina ficaram iguais. Governantes danificam as contas públicas fazendo a dívida crescer. O FMI exige fortes medidas corretivas que pesam para o país e sua população. Tudo vai sendo sucateado e depreciado. Predomina a maldição secular, ou seja, o feitiço que faz o dinheiro sumir e que vai se repetindo a cada década. Quando surgirão governantes patriotas? A Venezuela é uma tragédia humana. Mas o Brasil está debilitado com o irresponsável crescimento da dívida e desindustrialização; precisa se recuperar, pôr a casa em ordem, dar educação e saúde.

A economia mundial está instável. A do Brasil pode virar pó, pois vem sendo tratada com displicência há décadas, resultando no caos atual, endividado e com pouca indústria. O dinheiro está sumido. Usa-se o cartão de crédito para tudo para postergar o pagamento, isto é, as pessoas estão comendo hoje o salário de amanhã. É preciso encontrar a saída para aumentar a produção, empregos, renda, consumo. A miséria vai comendo por dois lados: o do bolso vazio e o da consequente falta de preparo para a vida, fragilizando a economia.

O que está acarretando a alta do dólar no mundo? Insegurança. Medo da estagnação que vai lançando seus tentáculos? Guerra cambial? No Brasil, há o reflexo da dívida de quase R$ 5 trilhões e o descompasso entre as forças políticas que mandam e mamam no país. O mundo ficou engessado ao dólar que interfere profundamente na economia. Capitalismo em crise ou a Humanidade? A França fala em reformar o capitalismo tendendo para a centralização do poder. Por que diminuem as oportunidades e aumenta a precarização? Grande parte das operações do capitalismo estão hoje sob o modo capitalismo estatal com mais controle sobre o que produzir e para onde exportar, uniformizando salários para baixo, criando novos problemas e conflitos para o capitalismo ocidental viciado e dominado por forças corruptoras, mas que, apesar de tudo, enseja alguma liberdade. Como sempre, a causa do aumento da miséria está no ser humano e sua cobiça por riqueza e poder, e desrespeito às leis naturais da Criação.

Nas Repúblicas tudo ficou tão contaminado pelas articulações que os globalistas querem mudanças no jeito de administrar os estados. Se hoje não estamos bem, a liberdade e individualidade poderão se restringir mais ainda. OCDE, OMC, temos várias organizações, mas a economia global ficou desequilibrada. Essas organizações deveriam cuidar do comércio justo e equilibrado para que não faltassem empregos e para evitar a atual tendência de precarização geral. O Brasil deveria ter se consolidado como polo de atração da Luz e da Verdade para o bem da humanidade. O que deu errado? Permanecemos sem rumo. Para onde vai a economia?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

POR FALAR EM PRECARIZAÇÃO

No mundo de hoje, globalizado, a redistribuição espacial da manufatura e a hiperindustrialização levaram à precarização. A queda dos rendimentos dos trabalhadores nesses continentes, assim, desestimula a demanda. Os ganhos de produtividade e de salários geram demanda e desenvolvimento econômico na Ásia do Leste. Países saltam da pobreza para a renda média. No mundo “rico”, as famílias submetidas à lenta evolução dos rendimentos sustentaram a expansão do consumo com vertiginosa expansão do crédito. A partir da crise de 2008, esse circuito de formação de produção e renda na economia mundial como um todo começou a falhar, dando origem ao período da Grande Recessão.

Parte da oferta da economia dos EUA (e também da Europa) está hoje na Ásia. Surge, então, uma situação curiosa de “demanda mundial fraturada”: as famílias americanas demandam, via crédito, bens produzidos no Leste da Ásia que por lá geram ganhos de escala, de produtividade e salariais. O regime fordista de produção foi transferido para o leste asiático, só que os consumidores estão nos EUA tomando dívidas. O sonho americano da bela casa no subúrbio com belo emprego e belo salário virou o pesadelo da rolagem de dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e estudantis, para não mencionar os custos de saúde para as famílias americanas. O pleno emprego voltou nos EUA, mas a estrutura produtiva mundial é outra. Apesar de desemprego na mínima, os dados de mercado de trabalho nos EUA mostram ainda muita gente fora da força de trabalho. Os empregos criados nos últimos anos foram de baixa complexidade, com destaque para varejo e serviços não-sofisticados. E agora os salários americanos parecem subir sem aumentos de produtividade equivalente. As famílias americanas e europeias estão atoladas em dívidas. As empresas estão com montanhas de dinheiro em caixa e não investem como antes. Nesse cenário se movem, com medo e incerteza, os bancos centrais dos países ricos. Após emitir mais de US$ 10 trilhões, continuam sem saber o que fazer.

Leia na íntegra este artigo de Paulo Gala, graduado em Economia pela FEA/USP, Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, onde é professor desde 2002. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR.
http://www.paulogala.com.br/politica-monetaria-para-um-mundo-anormal-moeda-causa-inflacao/

 

FRUTOS CONTAMINADOS

Enquanto a Argentina, de Domingo Cavallo, e o Brasil, do Plano Real, inventavam a utopia da dolarização e juros elevados, Japão, Índia e China praticavam política cambial realista, avançando na produção de manufaturas e tecnologias. Assim acabamos ficando para trás.

A China tem aumentado a sua reserva em dólares e avança na produção de manufaturas para exportar, e na tecnologia de ponta, sendo olhada com admiração pelo poder tirânico. Enquanto isso, muitos países, inclusive o Brasil, se encheram de dívidas enfrentando queda na produção, na arrecadação, no salário e na aposentadoria, embora os encargos e custos gerais sempre vão sendo corrigidos. Mas o custo do comunismo, mais do que outros sistemas, é a redução das individualidades e da criatividade, robotizando o ser humano.

A recuperação do Brasil, há décadas gerido com displicência e assalto às suas riquezas, está complicada. O diferencial de Jair Bolsonaro na presidência é que ele se elegeu sem as amarras dos grandes doadores de campanha eleitoral e seus interesses, embora mesmo assim terá pela frente os poderes e a máquina mal-acostumados.

Após décadas de estagnação, surge a oportunidade de eliminar o continuísmo da demagogia, mas a reação não se faz por esperar, e o Brasil deu mostra de sua imaturidade política causadora do descalabro que enfrentamos em todos os setores. Falando sobre o processo de eleição no Senado, Randolfe Rodrigues, senador do Amapá filiado à Rede Sustentabilidade, afirmou: “É um triste espetáculo, chegar a ponto de a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) furtar o livro de ordem. Chegamos ao fundo do poço da política”. A colheita vem celeremente trazendo os frutos amargos da irresponsabilidade. Estamos vivendo as derradeiras chances de o país se tornar efetivamente livre dos sanguessugas.

Para que lado a economia do Brasil poderá se expandir? Commodities para exportação são importantes, pois atraem dólares, mas não geram muitos empregos e podem causar danos. Os serviços em geral requerem que a população tenha renda para consumir. Na indústria ficamos travados com baixa produtividade e real valorizado por longo período, favorecendo a entrada de importados e o consequente despreparo técnico.

Os países arrecadam dinheiro dos impostos. Quem paga os impostos é a população, diretamente de suas rendas ou indiretamente no custo de tudo o que consome. A arrecadação é sugada pela corrupção nas negociatas, nos encargos sobre as dívidas, nas estatais mal geridas, nos custos descontrolados sobrando pouco para a melhora das condições gerais de vida.

Enquanto podem, os governos vão emitindo dinheiro e facilmente se deixam levar pela tentação de tomar empréstimos. Cair no endividamento é a grande falha dos governantes que hipotecam as riquezas do país e o trabalho de sua população, sem contrapartida que impulsione o aprimoramento das novas gerações.

O lamentável foi ter permitido o crescimento explosivo da dívida com juros elevados. Dívida é a mais crítica questão da gestão pública. Aí a irresponsabilidade levou o país à beira do abismo sem que tivesse destinado os valores em benfeitorias de real proveito. Como a economia poderá ser dinamizada?

O governo precisa cortar gastos inúteis que nada produzem e fechar o ralo da corrupção em seus gastos e investimentos. O intercâmbio entre países é importante, mas se não for feito com equilíbrio, sugará as potencialidades. Para que haja progresso, o intercâmbio entre os países requer equilíbrio.

Como são feitas as leis dos homens? Elas levam em consideração o principal axioma de que não se deve causar sofrimentos ao próximo para satisfazer as próprias cobiças? Se considerassem isso, muita coisa teria sido diferente e não seria necessária a criação de tantas leis que, na essência, buscam defender os interesses de quem pode mais. Juristas e juízes sabem bem como respeitar as leis; se isso é justo ou não, é outra conversa.

Essa é a triste realidade de uma civilização que, por sua cobiça por uma riqueza menor, perdeu a visão da beleza e da grande riqueza da natureza que a tudo sustenta. Em geral, os países não têm dado muito apreço à natureza e vão produzindo frutos contaminados. Observa-se a displicência e a irresponsabilidade em tudo, sem deixar espaço para metas de promover a continuada melhora das condições gerais de vida da população.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ESCOLHA O AVIÃO CERTO

Os eleitores do Brasil estão no aeroporto para escolher o avião. Depois de embarcados só poderão desembarcar no destino escolhido. Tem um avião que vai para o país da utopia, onde os fins justificam os meios, usados pela tripulação para chegar onde quer, onde possa mandar e desmandar ao seu bel prazer para pôr em prática um plano de massificação geral da população, mesmo que para isso tenha que semear o caos e o apagão mental. O outro avião vai enfrentar turbulências até achar a serenidade do céu azul, terá de traçar uma rota que escape da tormenta que se avizinha, protegendo a liberdade, a individualidade, o fortalecimento da família para que surjam gerações fortes aptas e dispostas a construir um mundo melhor. Logo será dada a última chamada; prepare-se para embarcar no avião certo.

O cenário mundial tem como pano de fundo dinheiro e poder. Há duzentos anos a Inglaterra formou o centro das finanças com a criação da libra esterlina, palavra derivada da medida de peso. O marco alemão não conseguiu se manter. Ao término da Segunda Guerra Mundial, o dólar se impôs, carreando o poder para os seus detentores. Há trilhões de dólares nos paraísos fiscais. O iene do Japão teve destaque. O euro tenta se impor, mas enfrenta dificuldades na aglutinação dos estados da Europa. O dólar tem navegado com firmeza. A China está despontando como potência econômica, para isso tratou de acumular reservas em dólares como nenhum outro país o fez, mas agora pretende dar força internacional à sua própria moeda, o yuan.

Países periféricos como o Brasil ficam à margem, sempre dependentes do fluxo da moeda padrão nas transações mundiais, e por isso sempre assediado pelas forças dominantes para disponibilizar as riquezas naturais. Isso tudo tem a ver com as rotas adotadas pelos governantes que conduziram o país a este aeroporto tumultuado de contas deficitárias, dívidas, produção pífia, desemprego e baixo nível de escolarização. O Brasil precisa restabelecer a naturalidade na vida e na economia, possibilitando aumento da produção, trabalho, consumo e progresso na qualidade de vida.

Para fortalecer um país é preciso que surjam gerações fortes, sadias de corpo e alma, voltadas para o bem, aptas e dispostas a estabelecer propósitos de melhora geral. Só mesmo a mais crassa ignorância sobre o funcionamento das leis de Deus que se expressam na natureza poderia permitir a suposição de que com uso da genética e processos eugênicos tecnológicos é possível criar gerações que atendam aos pressupostos dos detentores do dinheiro e poder. A qualidade humana depende do espírito que encarnar.

As experiências com reprodução de parceiros previamente selecionados poderão gerar corpos bem desenhados, mas o ser humano vai depender do espírito atraído para a encarnação, pois o estar vivo depende das condições de atração magnética entre o corpo gerado e alma. Sem essa atração o corpo não segura a alma. Quando a atração perde calor há a separação, deixando inerte o corpo material, fato que era evidente para povos da antiguidade que viviam em estreita sintonia com as leis da natureza.

A Terra ficou extremamente contaminada com a presença de seres humanos que desdenham da vida espiritual, desrespeitando suas leis. Decadência, guerras, miséria atestam o que os homens fizeram de errado no planeta outrora tão hospitaleiro. A purificação da Terra depende do despertar espiritual. O ser humano aderido fortemente ao mundo material perdeu as aspirações nobres elevadas e agiu inescrupulosamente como nenhuma outra criatura, arrastando o infortúnio para esta parte da Criação. Muitos estão se aproveitando da confusão global para externar o que de pior o ser humano é capaz.

As trevas querem destruição. A guerra vem se arrastando há milênios. No auge da escuridão, o Criador enviou Jesus com Luz do Divino. Mesmo assim a decadência espiritual não foi estancada. As trevas continuaram seu ataque destruidor por não encontrarem resistência. A Sodoma devassa avança no ataque à feminilidade, única apta a gerar filhos com caráter voltado para o Bem. Com o afastamento do saber das leis da Criação, os seres humanos acolheram a mentira, deixando crescer a insatisfação e a revolta. Vivemos num tempo de guerra. Faltando a Luz da Verdade, faltará tudo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A ECONOMIA E A FANTASIA

A vida está aborrecida para muitas pessoas. A questão do suicídio de jovens vem à tona, mas em análises sem profundidade. As novas gerações viram muitas coisas feias e hoje observamos a vida vazia e incompreendida que afeta bilhões de pessoas. Por mais dolorido que seja o despertar para a vida adulta, o jovem precisa reconhecer o presente que a vida é.

O amor da juventude incorrupta é sempre bonito de se ver, mas as tragédias são tidas como coisas do acaso; crendo nisso, as pessoas poderão desacreditar da Justiça maior quando assistirem a tantos filmes e novelas que terminam no vazio, em que os personagens terão de prosseguir suas vidas sem saber que rumo tomar para sair da confusão. Diante dos acontecimentos agradáveis ou trágicos da vida, as pessoas deveriam se esforçar para compreender o significado, afinal que raio de vida é essa em que acontecem tantas coisas ruins? Não é à toa que muitas coisas dão errado, sempre há uma causa.

Drogas, alcoolismo, cigarros, tudo danoso, constituem um atentado contra a saúde. A maconha, além do mais, afeta o cérebro e a psique, ou como dizem, é o cigarro de pessoas com problemas psíquicos. Causa espanto o montante de dinheiro envolvido no negócio. A questão do dinheiro se complica. Comércio e indústria necessitavam de um instrumento para agilizar as operações; foi aí que o pesado dinheiro metálico foi sendo substituído pelo simples papel impresso, mas com este veio uma nova questão: quem vai controlar e quem vai garantir o dinheiro que acabou se tornando uma variável independente dissociada da economia real que é a geradora de produção e lucro. Daí surgiram as confusas medidas de gestão monetária e passamos a viver no mundo da fantasia.

Com o reducionismo imposto à indústria, surgiram várias consequências negativas, como o atraso geral na esfera de produção, na capacidade técnica da mão de obra e no bom preparo das novas gerações. Arraso geral. O Brasil descuidou da indústria desde que implantou uma dolarização disfarçada. Qual é a recomendação dos candidatos para recuperar o atraso no setor produtivo?

O problema dos países com desequilíbrio nas contas internas e externas é que estes passaram a cobrir os déficits com dinheiro de curto prazo, o hot, que entra e sai a qualquer hora, sem compromisso, apenas olhando para o diferencial de juros. Um desarranjo que não se sabe como ou quando será resolvido, e tome precarização em larga escala. A estruturação das finanças tem levado a continuado déficit sem que nada tenha sido feito além das conturbadas dolarizações e sacrifícios.

Os governantes descuidam das contas como se estivessem na casa de ninguém e o resultado são essas dívidas enormes constituídas sem que ocorressem melhorias no país. Na Argentina, a dívida equivale a 50% do PIB, algo equivalente a 300 bilhões de dólares, sendo 210 bilhões a dívida externa. O déficit anual acrescenta 30 bilhões. Um desarranjo produzido ao longo de décadas.

No século passado, no Brasil, muitas empresas caíram na Resolução 63 para empréstimos em dólar e ficaram mal com a alta da moeda norte-americana. A armadilha se repete. As dívidas em dólares de empresas dos países emergentes triplicaram, alcançando em 2016 cerca de US$ 25 trilhões, ou 110% do PIB dessas economias. O câmbio mata: se a empresa tem dívidas em dólares e receitas em moeda local, altas abruptas do dólar – ou desvalorizações súbitas da moeda local – podem trazer prejuízos consideráveis. Inflação também traz danos, mas, se denominado em moeda local, essas perdas são mais fáceis de administrar do que as perdas cambiais.

A economia se transformou no mundo da fantasia que surgiu com a possibilidade de emitir dinheiro do nada. Há muito mais dinheiro rodando especulativamente do que o montante do PIB global. O Brasil já suportou muitas perdas nas escandalosas manobras cambiais. Quando o Real desvaloriza, entram muitos dólares, para saírem mais gordos quando o Real valoriza. Bilhões já se foram nessa gangorra. A recessão global vem aí, o Brasil que se cuide para não queimar sua reserva e que trate de produzir mais porque importar vai ficar difícil. É preciso, no mínimo, assegurar uma condição de sobrevivência condigna para não cairmos no caos e desordem.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O QUE PENSAM OS CANDIDATOS

A inflação tem causado danos e é explicada como sendo o aumento contínuo dos preços. Alguns economistas (como os da Escola Austríaca) preferem defini-la como sendo a consequência de um aumento no suprimento de dinheiro (expansão monetária) e isso acontece quando o governo emite dinheiro para atender a seus compromissos sempre crescentes. Ou o governo toma dinheiro no mercado financeiro para pagar seus compromissos e constitui dívida soberana, ou os bancos criam dinheiro através do crédito fracionado, isto é, os depósitos dos clientes são multiplicados para conceder empréstimos. Com frequência, as pessoas têm a percepção de que o dinheiro está perdendo valor e os preços subindo.

Analisando os números das contas públicas do Brasil, o economista Clovis Panzarini já afirmava em 2016 que “Por longo período, a voracidade da despesa foi alimentada por sucessivos aumentos da carga tributária e pela contratação de novos empréstimos. Como resultado, a carga tributária equivale a 35% do PIB e a trajetória da relação dívida/PIB aponta para uma situação insustentável, já alcançando 67,5%.”

A classe política acha que o Estado são eles e jamais se perguntam o que têm feito de bom para o país e sua população. Se perguntassem, teriam de ver o horror de sua atuação. Em 2018, a dívida bruta está se aproximando dos R$5 trilhões, correspondendo a 75% do PIB. Não dá para elevar mais a carga tributária, mas a classe política continua fantasiando enquanto o país foi sofrendo perdas na indústria e no preparo das novas gerações e se encontra em rota visivelmente decadente.

Há muita discussão e pouca compreensão do que se passa no Brasil e no mundo. Expandir o consumo com o aumento de importados e crédito sempre cria problemas, pois, com isso, se transfere para fora a produção e empregos com consequências sobre a capacitação da mão de obra. O PIB tende a estagnar. Com a automação em andamento, a situação dos empregos tende a piorar. Para que haja consumo é preciso ter renda. Isso está se passando no Brasil e também nos EUA com déficit comercial de longa data, apesar de terem o dólar. O Brasil tem permanecido atrasado na educação e na melhora da renda.

Os acordos comerciais são essenciais, mas têm de produzir melhoras no nível técnico e produtividade, sem acarretar déficits e endividamento. As redes de varejão, oferecendo produtos de segunda linha, demonstram que elas vêm ao encontro de consumidores que estão perdendo poder aquisitivo. O que os candidatos propõem para corrigir as distorções que atrasam o Brasil?

O crescimento do PIB da China continua atingindo as previsões, ensejando a melhoras nas condições gerais de vida, mas surgirão incertezas caso haja recrudescimento da guerra comercial. Em vista disso, surgem diversas comparações entre o imobilismo econômico do Ocidente e as arrojadas transformações postas em prática na Ásia, visando uma ordem econômica calcada no aumento de produção e redução de custos para atender o mercado externo, e oferecendo melhoras ao vasto contingente de trabalhadores empregados.

A economia mundial vive um momento de inquietude. Após o término da guerra fria, o livre mercado seguiu a tendência de maximizar os ganhos enquanto surgia o capitalismo de estado visando grandes quantidades para baixar os preços. No embate, a produção industrial do livre mercado perdeu terreno reduzindo as oportunidades e a qualidade dos empregos. É preciso resolver essa dramática questão dando oportunidades aos talentos das novas gerações de forma produtiva e enobrecedora. Então, o que poderia fazer o Ocidente? Alguns teóricos chegam a sugerir o caminho extremo de unificar o comando como meio para obter melhores resultados na economia e na preservação do meio ambiente.

Frequentemente ouve-se falar em governo mundial. Como ele seria? O que se dizia a boca pequena começa a se alargar. Com quase oito bilhões de habitantes, tendendo a crescer 30%, as dificuldades de controle geral aumentam. Muitos estudiosos julgam que terá de ser imposta uma disciplina rígida sobre o comportamento das pessoas, o que significaria a perda da liberdade de decidir sobre a própria vida. Mas, sob o uso da força física e psicológica, a sociedade humana sempre será como estopim aceso prestes a explodir. Sem o desenvolvimento da verdadeira consciência humana, a decadência é inevitável.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O ADMIRÁVEL MUNDO DA FANTASIA

A humanidade tem se afastado do concreto, embarcando nas fantasias, mas no Brasil essa condição fantasiosa levou à decadência bem acelerada. O declínio geral não tem sido levado a sério pelas autoridades que se tivessem olhado seriamente para isso há mais tempo muitas coisas poderiam ter sido evitadas. Quantas gerações serão necessárias para que se observe a volta ao progresso real?

Educar tem início na responsabilidade com a procriação. Pais e mães têm o dever de dar bom preparo para os filhos gerados. A mídia também tem sua parcela de responsabilidade nesse alvo. A escola mais ainda, pois ela existe para formar gerações aptas para responder pelo futuro, para não cairmos na vala comum da renhida luta pela sobrevivência da vida vazia de sentido sem consideração pelos outros, sem o mútuo apoio para a evolução humana e melhora das condições gerais de vida.

O mercado livreiro deveria se expandir com as novas gerações. Aumenta a população, mas diminuem os leitores; é o afastamento da leitura pelo comportamento passível de manipulação on-line através de informações, sentimentos e atitudes padronizadas que podem levar à depressão. Lendo livros inspiradores, os jovens se tornarão fortes para dar sua contribuição para a melhora geral, sentindo-se úteis, escapando das garras da frustração com a vida tão comum na fase adolescente de transição para a fase adulta. A vida é regida pelas leis da Criação. Conhecendo-as e as respeitando, tudo dará certo.

O que temos de avanços no mundo de hoje é quase nada, comparado com o progresso real que a espécie humana deveria produzir no planeta se tivesse reconhecido e se orientado pelas leis naturais da Criação. Com a supercapacidade de raciocinar e decidir com o que foi dotada, a humanidade deveria ter ouvido a voz interior do espírito ou do coração, como muitos preferem. Esqueceu que pode decidir como quer viver, mas tem de arcar com as consequências, embelezando o mundo, construindo a paz, ou emporcalhando tudo, decaindo.

Falta trabalho num mundo com grande capacidade ociosa que quer colocar seus produtos, mas esquece que sem equilíbrio nada tem estabilidade. O consumo não se consolida apenas com crédito, requer que a população produza através do trabalho e obtenha renda compatível. Manter o dólar barato pode ser bom por um tempo para importar de tudo, mas como vão ficar as contas externas? De onde virão os dólares? Sem se preocupar com isso, o país depositou suas esperanças na exportação de primários e deixou a indústria estagnar.

A Argentina está enfrentando uma ameaça cambial. O desarranjo está nas contas públicas, internas e externas; na liberdade que os agentes têm de interferir na moeda, e na falta de mecanismos que possibilitem a volta à normalidade. Juros de 40% para um país é uma calamidade que não deve ser praticada nem em tempo de guerra. O desarranjo cambial acarreta um desgaste enorme. As consequências também refletem os efeitos da guerra comercial que no fundo se trata de luta pelo poder.

A pressa em elevar os juros básicos nos EUA talvez seja uma medida de precaução quanto à guerra comercial, promovendo a atração de dólares do mundo como alternativa para eventual retirada pela China. Há um desarranjo na estrutura monetária e cambial que provoca periódicas instabilidades que, no geral, nada ajudam a economia, mas se prestam ao ganho especulativo.

Qual é a doença da economia? A economia deveria funcionar equilibrando produção, comércio, trabalho e consumo. Falta a naturalidade para levar a economia a funcionar com estabilidade e não por impulsos instáveis. Há desemprego que reduz o consumo, mas faltam profissionais com bom preparo. O fundamental é que haja liberdade e responsabilidade. A partir do século 19, o aspecto financeiro foi se impondo, ditando as prioridades.

Seja no livre mercado ou no capitalismo de Estado é preciso sair do mundo da fantasia forjado com a possibilidade de emitir dinheiro do nada. No clássico conceito de economia o importante é o ordenamento dos recursos para o atendimento das necessidades dos seres humanos, os quais passarão a construir o futuro de forma natural e benéfica, com solidez e equidade, ensejando oportunidades para a evolução da humanidade e o fortalecimento da alma.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

PARALISAÇÃO OU ESTAGNAÇÃO?

Na economia global, atropelada pela guerra comercial, as consequências estão se revelando nos países com as contas internas e externas detonadas, que buscam receitas tributárias sobre os preços de itens essenciais esquecendo o todo, dando espaço aos perturbadores que querem o caos. O Brasil precisa de serenidade para não perder o rumo. Se as diversas mercadorias tiverem seus preços reajustados no ritmo dos derivados de petróleo influenciados pelo câmbio, o que vai ser da estabilidade monetária e da inflação?

Alterar o preço dos derivados de petróleo todos os dias, com metodologia calcada no preço do petróleo no mercado internacional e na taxa e câmbio em um regime flutuante, foi uma grande barbeiragem, pois se o preço do petróleo é regulado pela produção e consumo, o câmbio sofre influências manipuladas pelos Bancos Centrais e especuladores. A situação é complexa, há insatisfação popular e lutas pelo poder, nesse meio qual será o futuro do país? Há muitos cargos eletivos, vereadores, deputados, senadores, todos disputando vagas nos ministérios e nas estatais; faltam estadistas patriotas.

Bloquear estradas, impedir o abastecimento das cidades não é atitude civilizada. Se não for traçada a linha entre liberdade e licenciosidade, chutar o balde vai se tornar usual, mas o que poderá trazer soluções é que o Brasil e sua população renasçam para uma fase responsável de busca do progresso e combate ao apagão geral, do espírito e da mente. Basta de tanto descaso com o país e sua consolidação como sociedade que prima pelos valores humanos, não pela baderna e chulices que levam ao declínio moral e falência geral.

Não há segredo. Os políticos, em geral, e ditadores acabam sendo dominados pela tirania e pela ânsia por dinheiro, essa coisa que se tornou abstrata fisicamente, mas circula de forma oculta nos bits dos computadores dando poder aos seus detentores que tudo fazem para que não haja alterações no sistema que permite que se crie dinheiro do nada, o grande ídolo da humanidade que renegou o espiritual. Mas os abusos contra a população, acobertados pela estrutura estatal, tendem ao limite da saturação, inquietando e criando o mundo das incertezas.

A situação é muito complicada. Estamos próximos da eleição. Se ela for impedida, qual será o futuro do Brasil? Que bagunça haverá nesse período. No Brasil tem faltado governo e não é de hoje, mas faltou governo porque a população tem pouco preparo e é incentivada a permanecer na vida indolente sem propósitos nobres. Faltam estadistas sérios e capacitados. Mais de 60 mil cargos eletivos que pouco fazem para a melhora. Enxugar tudo seria o alvo, a começar nas prefeituras, seus secretários e vereadores, até Brasília. As estatais, do jeito que ficaram na mão da classe política, deixaram de servir a população. Organizou-se uma paralisação nos transportes em nível nacional,sem que houvesse uma pauta de melhora geral, a população tem de se unir para melhorar o país de forma sensata.

O Brasil, há décadas explorado por interesses escusos, precisa de um esforço de longo prazo. A paralisação despertou o anseio por um país melhor, uma grande causa que precisa da adesão de todos, de bom senso e uma atitude permanente de exigir que o Brasil se torne um país decente para se viver de forma condigna com saúde, educação e trabalho, caso contrário nos tornaremos meros fornecedores de matérias-primas e minerais para as potências que só pensam nelas, enquanto a população vai regredindo aos estágios de Brasil quando colônia da Europa. O desmando pode gerar desemprego, queda na produção e mais miséria, a sina nos venezuelanos. A cidade turística de Embu das Artes (na rodovia Regis Bittencourt SP) ficou bloqueada com a paralisação dos caminhoneiros, houve prejuízo para os artesãos, para os empresários e risco para os empregos.

É preciso que cada pessoa se esforce por manter pureza em suas ações. Ao se afastar do espiritual, o ser humano se acorrentou ao mundo material, ao tempo-espaço, perdendo a visão da amplitude da vida. Agora as leis da Criação impulsionam tudo mostrando a colheita indigna, e o raciocínio por si, sem o despertar espiritual, é incapaz de restabelecer o que ele arruinou com o egoísmo. É preciso vontade sincera e querer o bem acima de tudo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

PARADOXOS DA ECONOMIA

A economia vive um momento paradoxal. De um lado há grande volume de produção de bens de consumo que não consegue ser absorvido no curto prazo. De outro lado, há uma grande massa ansiosa por consumir, mas que sofrendo os efeitos da precarização geral, com a renda espremida entre a sobrevivência e dívidas contraídas, fica fora do mercado consumidor. Empregos e rendas diminuem.

Criou-se um labirinto que concentra a produção na Ásia onde mais de 400 milhões de pessoas foram integradas na indústria através de uma poderosa máquina de produzir, com equipamentos disponíveis e farta mão de obra, oferecendo produtos de razoável qualidade a preços imbatíveis, aliados a um mecanismo cambial favorável, que vai eliminando a concorrência, a distribuição e comércio nos Estados Unidos. Uma crescente ameaça de recessão vai se desenhando.

Através do modismo criado pela propaganda, as marcas bem-sucedidas conseguem escoar a sua produção. Mas a grande massa de pessoas empregadas mal tem tempo para dormir, quanto mais para estudar e fazer compras. Estamos engrossando o número de seres humanos sem profundidade, sem assunto, sem clareza para pensar no geral da vida, e que como máquinas inertes, não se comunicam com o eu interior.

A situação do comércio poderá se tornar problemática, evoluindo da estagnação para a depressão econômica. Então, como se arranjarão as grandes estruturas de comércio com seu elevado custo fixo? Como os emergentes poderão resistir à queda nas exportações e nas receitas fiscais? Os acordos que permitem a entrada de mercadorias através de empresas montadas em zonas de livre comércio poderão ruir ao alvorecer da era Trump que planeja implantar um novo modelo de comércio internacional mais fechado.

As grandes potências se movimentam para conservar mercados e ampliar o poder, e murmúrios de guerra começam a ser ouvidos pelo mundo. Não se trata apenas de assegurar o ganho em dinheiro, mas como o planeta conta com mais de sete bilhões de almas encarnadas, o drama da limitação dos recursos naturais fica em evidência.

Muitos países utilizam financiamento externo para cobrir o déficit nas contas, pois o usual tem sido transformar o ganho em dólares, a moeda padrão global, cerceando a acumulação fora do mercado financeiro global. Tomar empréstimos com adequado planejamento é fato usual, no entanto, os governos raramente olharam para isso deixando as dívidas crescerem até o ponto que o mercado financeiro corta o crédito e assume as rédeas.

No giro da história, a roda do destino sempre traz o retorno das ações boas ou más, egocêntricas em benefício próprio de quem as praticou. Um problema global cujas consequências se manifestam inexoravelmente porque não há mudança de atitude dos humanos que se julgam donos do planeta, mas começam a perceber a sua impotência diante da força das leis da Criação. Sem a sincera vontade para o bem, os efeitos revelam as reais intenções. Somente com uma nova sintonização a humanidade poderá encontrar o caminho que escapa do abismo.

Preço baixo é bom. Quanto mais libera para importar, mais fecha para a indústria local com mais corte nos empregos. No interior dos outlets internacionais, mesmo convertendo o dólar a R$4,00, os preços são competitivos, mas sem emprego regular poucos podem comprar.

Líderes desconhecedores do significado do dom da vida, em vez de incentivar a busca da Luz da Verdade para uma nova construção em paz, seguindo as leis da Criação, ofereceram as sombras da insatisfação e descontentamento, semeando revoltas e subversão. Os anos 1950/60 assinalaram um momento decisivo para a humanidade. Fidel Castro surgiu como um líder carismático, e que como tantos outros aderiu ao lema “os fins justificam os meios”.

A ausência de espiritualidade pressentida pelo ser humano, de forma consciente ou não, gera a sensação de que algo está faltando na vida vazia sem sentido elevado. A cultura do século 21, criada pelo raciocínio com primazia nas finanças, cuida de preencher essa lacuna através do consumismo e da busca pelo prazer imediato, cerceando a natural visão transcendentalista do futuro. Com o passar do tempo vai surgindo saturação mental e emocional, pois o ser humano anseia naturalmente por algo mais do que o mundo material pode oferecer.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A ECONOMIA E AS LEIS DA VIDA

A economia do Brasil não está conseguindo desenvolver a necessária reação para voltar ao crescimento, pois a indústria se debilitou e isso trouxe graves consequências nos empregos, no desenvolvimento técnico, no preparo da mão de obra e das novas gerações. Quando um país passa a depender cada vez mais de importações, uma parcela da riqueza não recircula mais internamente, vai para o exterior. Com a perda na renda, fica difícil desenvolver atividades que cubram os custos e gerem lucros.

As guerras cambiais provocam grande confusão na economia. O desajuste cambial implica que um país exportador possa reduzir o preço em dólares desvalorizando a sua moeda, o que vai afetar muitas indústrias de outros países devido ao custo interno de produção superar o de importação. Investidores acabam fechando fábricas e indo para o mercado financeiro onde engrossam o volume de operações financeiras cujo volume supera o PIB global, deixando sobrar pouca renda para a vida real.

É através da efetiva responsabilidade dos gestores públicos nas prioridades, nas contas, gastos, situação financeira que tem início a educação geral. É pelo exemplo de seriedade e dedicação na busca de um futuro melhor que se combate a descrença geral. A educação é problema de todos, a começar pelos pais na responsabilidade de gerar filhos. Estamos decaindo, a cada ano, devido ao deficiente preparo das novas gerações que não recebem estímulos para ser responsáveis e para se esforçar, visando melhor futuro próprio e o do país, achando que outros têm a obrigação de lhes dar respaldo e divertimentos.

Sem familiaridade com os livros desde a infância, será difícil formar uma geração de leitores, mas o resultado também dependerá do conteúdo que é lido. Os jovens têm de ser preparados para se integrarem nos projetos que abraçarem, isto é, estar com o querer pessoal envolvido com o objetivo, o que nos diferencia do robô. Nesse caso, a intuição está desperta, mostrando, ao raciocínio, pontos falhos e pontos que podem ser melhorados, algo que deveria ser comum a todos os seres humanos que utilizam todo o seu potencial. Sobrecarregar o cérebro infantil com teorias não pode trazer melhores resultados do que aprender vendo fazer e fazendo, comparando o artefato com o desenho técnico com medidas e detalhes.

Provavelmente o cérebro de Einstein trabalhasse com alguma harmonia com o cerebelo, que faz a ponte com o mundo invisível fora da categoria tempo espaço; por isso, o grande apreço do cientista pelo estudo da natureza, pois é nela que comprovamos o funcionamento das leis que atuam no Universo, sempre impulsionando o desenvolvimento enquanto não sejam desprezadas pelos humanos que geralmente tendem a querer dominar a natureza em vez de compreendê-la e se adaptar a ela.

O ser humano necessita do aprendizado na Terra; é envolvido pela alma e se liga ao corpo com cérebro circunscrito ao tempo-espaço, e o cerebelo, que faz a ponte com a intuição, mas não pode permitir que o cérebro domine unilateralmente. A matéria de que é feito o corpo terreno é perecível, mas o ser humano é muito mais do que isso, e não poderia ter se deixado subjugar pelo materialismo.

Quem somos nós? De onde viemos? Qual o significado da vida? Seria tolice supor que não haja significado após toda evolução por que passou o planeta e as espécies, para surgir o homem com capacidade de raciocinar e tomar decisões, embora ficando atrelado às consequências. Teria de se tornar ser humano, mas tendeu para ser o “homo economicus” que praticou muita destruição pela Terra, inclusive escravização e racismo, em vez de prosseguir a trajetória evolutiva para o bem. Com o impacto do materialismo e a aspereza do século 21, a espécie humana vai perdendo a consciência de sua missão de compreender o funcionamento das leis da vida para construir de forma a sempre beneficiar o planeta.

Para assegurar o progresso equilibrado, o Estado não deve ser empresário, nem se imiscuir na atividade econômica que deve ser de natureza privada; deve cuidar da defesa, coibir abusos e criar oportunidades de progresso geral; porém, as empresas também não podem impor seus interesses particulares ao Estado, e no conjunto, todos integrados no propósito de melhorar as condições gerais de vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7