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DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO E EMOCIONAL

Dentre as criaturas, o ser humano é, sem dúvida, a de maior significação por ser dotada de espírito e livre resolução. Deveria ser o grande zelador do planeta, respeitando a lei universal da preservação e adaptação. Mas ele se afastou das leis da natureza seguindo sua própria lei ditada por seu querer egocêntrico. Um dia vale a aplicação de pena ao condenado em segunda instância; no outro, não vale mais. É o tal do casuísmo, isto é, prevalecem os interesses momentâneos.

A sustentabilidade do planeta requer a boa disposição dos seres humanos para que estes reconheçam e se adaptem às inflexíveis leis cósmicas. O desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social domina o planeta. A economia está parada. As causas não são pesquisadas. Governantes e empresários permitiram que a produção fosse transferida para regiões de menores custos da mão de obra e de produção. Cada indivíduo tem que decidir os rumos da sua vida ouvindo o íntimo atentamente. Mas com a transferência das fábricas para a Ásia, o viver se modificou.

Desigualdade, precarização, destruição da natureza e falta de educação avançam pelo mundo. Surgem insatisfações, descontentamento, reações inesperadas, agravadas por acontecimentos imprevistos que vão surgindo um após outro, levando à precarização da classe média do ocidente rico. Mesmo quando nos sentirmos prejudicados é preciso muita cautela na forma como vamos reagir, o que vamos pensar e falar porque muitas pessoas estão emocionalmente descontroladas. Há muitos pensamentos de insatisfação, medo e ódio. Precisamos de força para não cair nessas armadilhas e agir com serenidade

Fala-se que foram criados dez trilhões de dólares pelo afrouxamento monetário, mas o mundo continua atolado em dívidas e com a produção estagnada. A globalização, iniciada nos anos 1980, permitiu o surgimento de oportunidades para o acúmulo de dólares aproveitando as brechas para avanço de produção massiva de manufaturas de menor custo para colocação no mercado externo, acarretando complicadas consequências econômicas e culturais. A pacata classe média se sente acossada com a perda de empregos, aumento da desigualdade e desarranjo ambiental.

O Brasil tinha o grande futuro de vir a ser o país da sabedoria, da paz e da alegria. Mas, seguindo por caminhos funestos, entrou em decadência; grande parte da população não consegue ler e escrever. A corrupção tomou conta. Muitas manifestações artísticas se tornaram degradantes. As novas gerações não receberam o preparo para a importância do trabalho. As drogas encontraram campo aberto, as adolescentes engravidaram precocemente, enfraquecendo a prole e o país.

Em 1989 houve grandes esperanças com a queda do muro de Berlin e vitória de Collor sobre Lula; mas logo o presidente eleito decepcionou o Brasil, sendo apenas mais um a manter o país nas sombras. A Alemanha está longe do que se esperava em 1989; o Brasil mais ainda. Soluções existem, mas há grande empenho em manter tudo como está para assegurar os privilégios dos que se alojaram no topo. As autoridades têm se mantido voltadas para interesses particulares em vez de pôr em prática o alvo nobre de aprimorar a espécie humana e as condições gerais de vida.

É fundamental para o Brasil o bom preparo para a vida, o que tem sido descuidado por todos os poderes desde a queda do Império. Fundamental é a preservação das áreas de mananciais, rios e mares. Crimes como os de Mariana e Brumadinho são varridos para debaixo do tapete. Por mais de meio século sofremos a sangria dos juros extorsivos e nada se fez. Matamos a indústria e nada foi investigado. Para esperar melhor futuro há que se retornar à disciplina e responsabilidade, à ordem e progresso.

A humanidade se afastou do significado da vida real e vive uma ilusão estruturada por conceitos criados pela mente materialista sem a participação da alma. O corpo necessita de alimentos para a sua sustentação, mas a alma também precisa ser alimentada por nutrientes de natureza espiritual. No emaranhado de desafios do século 21, terá de se manifestar aquilo que a humanidade efetivamente quer. O anseio dos indivíduos deveria partir de seu íntimo, mas há muitas influências externas e ausência de visão clara do significado da vida, isto é, falta o autoconhecimento como espécie humana dotada de livre resolução.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O GRANDE IMPASSE

A economia brasileira vive artificialmente desde os anos 1990. A tentativa de acabar com isso é severa e lenta, pois os estímulos artificiais têm de ser retirados. Com a elevação geral da dívida veio a queda de juros, um fôlego para evitar o desarranjo total. Não é fácil acordar a economia estagnada no mundo globalizado e supercompetitivo. Os empregos e a renda estão caindo. O país exporta commodities, importa tudo pronto e remete dólares. Com isso, a circulação se reduz à importação e comercialização. Devido ao crescimento da dívida, o governo não consegue recircular o dinheiro arrecadado transformando-o em investimentos. Mesmo se hipoteticamente o dinheiro fosse despejado de um helicóptero, logo o estímulo iria para os importados, para o exterior.

A economia mundial está desarrumada com o confronto entre livre mercado e capitalismo de Estado. O Estado não deveria se envolver na atividade econômica, pois não é uma empresa. A questão é: será que a interferência do Estado na economia não fere o princípio do capitalismo de livre mercado? Como competir com empresas que atuam sob o guarda-chuva estatal? Quem sabe a projetada inclusão da população da China no consumo possa dar um ajuste, mas o que o Brasil poderia produzir para os chineses, e que gerasse empregos internos?

O FMI está com foco nas alterações climáticas, mas temos de olhar para todas as coisas. Há décadas tem sido grande a displicência com o saneamento, com o trato do esgoto e do lixo, fruto do mau gerenciamento político e fiscal. Rios deixam de carregar água potável para as populações, mares ficam contaminados, peixes e crustáceos perdem espaço afetando a alimentação. Que tal um projeto fundamental de saneamento para grandes cidades, eliminando o risco de tantas doenças que atingem a todos, principalmente crianças? Quanto ao clima, é de fundamental importância estarmos atentos. As cidades superpovoadas necessitam de áreas arborizadas, que são os naturais filtros verdes de ar.

No mundo de hoje os homens se toleram enquanto julgam que podem tirar proveito uns dos outros. Essa situação se rompe quando cessa o interesse ou algum deles se sinta lesado pelo outro. Basta olhar e veremos muitos casos assim. Mas quando alguém deseja, com seriedade, o bem geral, acaba se tornando alvo dos que têm o rabo preso.

As palavras são um dom; temos de usá-las com todo o cuidado, pois elas têm o poder de influenciar e persuadir. Palavras falsas, astutas, carregam o mal. Palavras displicentes e a falta de tato causam dor e revelam imaturidade. Palavras amigas, ditas com amor e pureza, curam, cicatrizam feridas. Hoje vivenciamos as consequências do mau uso das palavras utilizadas para mentir, enganar e, principalmente, para fazer as pessoas acreditarem no que não é o real significado da vida. Com o saber do real significado da vida, as palavras seriam respeitadas. É preciso estar atento e examinar tudo que nos é empurrado. O palavrório vazio atrai a ruína. Que a fala seja sim ou não.

Em vez de serem direcionadas para a leitura de livros desde cedo, as crianças geralmente recebem de presente um tablet com joguinhos para se distrair. Os pais deveriam ler histórias para os pequenos, levá-los a livrarias e bibliotecas, falar da importância do livro na formação da humanidade.

O dia 15 de outubro é dedicado aos professores – os responsáveis pelo desenvolvimento das novas gerações desde a primeira infância. O que assegura o bom futuro do país e da humanidade é o bom preparo das novas gerações para que adquiram clareza mental, discernimento e consciência de que a melhora das condições gerais de vida depende de cada um de nós. Ensinar e educar estão entre as mais nobres profissões, pois através delas é que se faz a transmissão dos conhecimentos e saberes para um viver condigno e de qualidade.

O grande entrave para o progresso está no homem que pôs de lado a sua essência humana dispondo-se a tudo para sempre obter o máximo ganho. Se o homem não tivesse se submetido ao embrutecimento, outra seria a feição do Estado, pois estaria cumprindo a sua tarefa de dar as condições gerais para a continuada melhora da população local e da humanidade como um todo. Como resolver esse impasse?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

DOGMATISMO ECONÔMICO

Os gurus criaram os dogmas econômicos. Muitos governantes acabaram sendo persuadidos, aceitando as imposições e detonaram a economia interna impedindo o seu natural desenvolvimento. Houve todo um desalinho para chegarmos ao buraco atual com excesso de dívida, num cenário de estagnação ocidental com o novo capitalismo gerido pelo Estado, com a máquina de produzir com custo baixo e acumular reservas. No Brasil, a abusiva política de juros desestabilizou tudo, inviabilizando a produção industrial e exportando empregos. Há uma dívida elevada, embora estejamos com tudo por fazer em todos os setores e, principalmente, na educação e saneamento.

Cada indivíduo sadio de corpo e alma é responsável por sua sobrevivência, o que o fortalece como ser humano. A natureza oferece tudo o que necessitamos para uma sobrevivência condigna, desde que não seja açambarcada pelos mais fortes que cobiçam tudo para si. Para fugir aos conflitos de trabalho, muitas empresas se voltaram para o emprego de mão de obra de menor custo da Ásia. Mas quando um país passa a importar tudo pronto, exporta os empregos gerando desemprego e precarização geral.

A questão não é desglobalizar a economia, mas reequilibrar a produção e o comércio que sob as condições da globalização acabaram sendo transferidos para a Ásia, liderada pela China, tendo a seu favor mão de obra de menor custo, câmbio, incentivos e economia de escala. No Brasil, o câmbio valorizado e os juros elevados desestimularam a produção, gerando desindustrialização. Os atuais juros baixos deveriam ter sido o normal. No passado, houve uma bela montagem espoliativa chamada over night que chegou a pagar taxas de juros astronômicas de até 2% ao dia, tudo recaindo sobre a população. Naquele tempo, a Ásia não tinha assumido o papel da grande fábrica global e ainda se produzia manufaturas no Brasil. Com a taxa de juros, registrada em janeiro de 2016 em 14,25% a.a. sobre a dívida atual em torno de quatro trilhões de reais, o montante dos juros seria de 570 bilhões de reais ao ano. Os juros baixaram, mas a indústria ainda continua derrubada.

O setor rentista age como canibal devorando tudo; semeia com uma mão e recolhe com as duas. Dizer que a transferência da produção para Ásia não implica em perdas é complicado, pois além de produção massiva para exportar coordenada pelo poder central, dos incentivos e mão de obra de baixo custo, há também o aspecto cambial. No Brasil, a valorização do real inviabilizou as exportações de manufaturados. Para restabelecer o equilíbrio é preciso reorganizar o todo. O ocidente apegou-se à finança enfatizando a valorização das ações, o ganho empresarial e a transferência da indústria, exportando empregos. A renda caiu, o consumo acompanhou. O crescimento ficou desequilibrado.

Quando os seres humanos ainda observavam o ritmo natural, havia a preocupação com o tipo de futuro que estava sendo formado. No imediatismo que se instalou pela desenfreada busca de ganhos e acúmulo de capital financeiro, tudo o mais se tornou secundário, a começar pelo próprio ser humano e os recursos da natureza. O emprego de robôs deveria ser favorecedor, mas vão acabar precarizando mais, e máquinas não são consumidoras. O ser humano não é mercadoria nem máquina; há algo em sua essência para ser desenvolvido para impedir sua regressão. As novas gerações estão sendo engessadas desde a primeira infância com a absorção da visão materialista da vida sem consideração nem responsabilidade. O mundo precisa de gerações fortes, aptas e dispostas a beneficiar e embelezar tudo.

Criou-se uma democracia de fachada, subordinada a interesses particulares com concessões às elites corruptas – irresponsável com a contas, displicente com o preparo das novas gerações e com o saneamento das cidades. Nosso país é, ao mesmo tempo, rico em recursos naturais, e miserável em estadistas éticos de valor. O povo confiava nas elites. Quando se tornou evidente a roubalheira e o declínio, a população despertou exigindo mudança de rumos. O discurso do presidente Bolsonaro na ONU foi ousado e corajoso mostrando o mundo vacilante entre governos e elites corruptas, globalistas visando o comando unificado, e capitalismo gerido por Estado forte. No Brasil, pouco se produz, pouco se ensina, as contas não fecham. O que vai acontecer com o país ameaçado pela disputa por riqueza e poder?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A QUESTÃO DAS TAXAS DE JUROS E DO CÂMBIO

No Brasil da pré-globalização, produzia-se e consumia-se mais, pois a renda não estava tão travada, mas havia a elevada dívida externa a juros pesados. A inflação foi surgindo com as emissões destinadas a pagar dólares das exportações que eram utilizados nos resgates da dívida externa. O dólar caro promovia exportações, mas para comprar os dólares para pagar a dívida o governo emitia e inflacionava.

Algo precisava ser feito, então surgiu a dolarização que no Brasil se deu com o Plano Real. Com o dólar artificialmente barato, os eleitores ficaram iludidos. A ilusão durou até 2015. Em 2019, a realidade se mostra brutal. Fábricas fecharam, cortando os empregos. É um fenômeno mundial; tudo vem pronto de fora. Se os empregos desaparecem, algo têm de ser feito. Com a queda na renda, o consumo estagnou, mas a dívida chegou ao topo. O mercado teme que haja insolvência com os juros praticados, já está quase impagável.

No livro A Construção Política do Brasil, o economista Bresser Pereira afirma que Lula errou ao manter os juros altos e o câmbio apreciado, e com esse simples erro, também mantido por Dilma, estamos com a economia estagnada, dívida enorme e atraso geral. No câmbio, a taxa de juros influencia a lei da oferta e procura. Se os juros caem, cai a procura e a moeda se desvaloriza; no inverso, elevando-se os juros, cresce o movimento de procura pela moeda, valorizando-a. No Brasil, o real foi mantido valente à custa de juros elevados. Não fosse isso, há tempos o dólar teria ultrapassado a casa dos quatro reais. É o que poderia ter acontecido se o BC tivesse baixado a taxa Selic dos atuais 6,5%.

No passado, o padrão ouro mantinha estabilidade no câmbio, mas a criação de moeda se tornava grande obstáculo para a estabilidade dos valores cambiais. Atualmente, as taxas de juros exercem forte influência no mercado de moedas que revoam pelo mundo em busca de melhores ganhos, mas isso impacta no comércio externo dos países, favorecendo ou dificultando as exportações.

Agora estão surgindo as criptomoedas, que circulam separadas da rede bancária. A libra, a nova criptomoeda que está sendo criada para ser ancorada nas contas do Facebook, vai surgir da troca por dólar ou euro. Essa criptomoeda seria para facilitar a vida ou representa mais uma grande jogada?

Muitos economistas reconhecem que o Brasil está com a dívida descontrolada, devido à dose cavalar de juros com seus efeitos negativos sobre a atividade econômica. É preciso conter a sangria, eles dizem. Está certo. Mas e o resto da economia detonada desde a prática da valorização do real com juros elevados, como vai ficar?

No século 21, prenuncia-se o surgimento de nova guerra cambial, que no fundo é um processo de desvalorização para fomentar as exportações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronuncia contra o “dólar tão forte” criticando a política monetária da Reserva Federal (Fed), depois de o banco central norte-americano ter aprovado elevações das taxas de juros ao longo do ano passado. A elevação dessas taxas incentiva investimentos em dólares, impulsionando o valor da moeda norte-americana, mas afetam as exportações. É compreensível que o BC do Brasil esteja cauteloso diante desse cenário de provável baixa nas taxas de juros.

A instabilidade cambial tem provocado graves distúrbios na economia. Falar em moeda única pressupõe a eliminação da moeda nacional por uma geral. Mas quem ficaria com o controle e emissão dessa moeda? Certamente teria um poder maior do que teve a libra e que tem o dólar acossado pelo euro e yuan. Algo precisa ser feito. O Brasil e sua população já enfrentaram perdas enormes, dificuldades e atraso em decorrência do sistema cambial adotado.

Está claro que sofremos drenagem nos juros e empregos. O efeito da destruição industrial e produtiva do Brasil é visível a olhos nus, basta ver a região do ABC em paralelo à cidade de Detroit. Temos de sair do estágio de economia das padarias, dos cabeleireiros e manicures, e das lojas de importados nas esquinas. Atrasamos a produtividade e o desenvolvimento tecnológico. Hora de limpar a casa, afastar os maus gestores, fazer ajustes, retirar o Brasil de sua rota declinante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ECONOMICISMO OU HUMANISMO?

A economia sempre nos surpreende; a do Brasil entrou em rota de mornidão há algum tempo. Invariavelmente, tivemos políticos ruins e perdulários, os juros sempre nas alturas com efeitos negativos; mesmo assim produzia-se, estudava-se, consumia-se e havia uma consciência coletiva de confiança no progresso do país. Além da taxa de juros, existem outros fatores que promovem a aceleração ou estagnação da atividade econômica, os quais têm de ser identificados. Quem se habilita, a partir disso, a corrigir as distorções para que o país não afunde nas garras da precarização geral?

A China aproveitou bem a situação criada pela globalização e acabou provocando desindustrialização no mercado mundial com custos baixos, dumping, câmbio favorável e escalas de produção sem precedentes, mas os responsáveis pela economia no Brasil optaram por ter dólar barato, às custas de juros altos para debelar a inflação em vez de incentivar aumento da produção. Foi uma breve alegria de carnaval e agora estamos enfrentando a ressaca da quarta-feira de cinzas. Situação difícil. Como a produção interna de manufaturados ficou restrita, aumentos de renda acarretam aumento das importações.

Há uma guerra cambial visando desvalorizações competitivas. No Brasil, até recentemente fez-se o inverso, valorizando o real. Se o BC baixasse os juros que efeitos isso traria para o dólar? Subiria ou baixaria? Que efeitos isso traria para a produção, PIB e para as importações e exportações? Muitos analistas preferem apontar culpados em vez de examinar atentamente as causas da paradeira que aflige não só o Brasil.

Temos fatores internos como corrupção, indisciplina fiscal, incompetência dos governantes que aproveitaram a maré de dinheiro pelo mundo, mas a crise de 2008 fragilizou o ocidente, enquanto a China foi consolidando sua máquina de produzir manufaturados e acumular dólares. Foi uma guinada impensável que acarretou novos problemas. Será que esses problemas foram objeto das conversações do G 20, a reunião das maiores economias que se debateram com suas próprias incoerências?

Neste mundo que se afastou do humanismo e das leis da Criação restam poucos pensadores profundos sobre a realidade que estamos vivendo. Na mecanização do ser humano, poucos deixam a alma atuar na pesquisa do significado da vida. O filosofo Edgar Morin permanece ativo, mas todos os seres humanos têm de prosseguir, ir além, perceber o dom da vida na Terra para que o espírito possa se fortalecer e evoluir beneficiando tudo, e não ficar achando que pode agir como se fosse o dono do planeta, destruindo e emporcalhando tudo.

Em recente viagem a São Paulo, Morin disse em entrevista: “Meu esforço nas minhas obras é tentar efetivamente esse pensamento. O que estamos vivendo? O que está acontecendo? Para onde estamos indo? Não inserimos no programa (de ensino) temas que podem ajudar os jovens, sobretudo quando virarem adultos, a enfrentar os problemas da vida”.

A economista Kate Raworth, autora do livro Doughnut Economics – Seven Ways to Think Like a 21st Century Economist (Sete meios para pensar como um economista do século 21) adverte a espécie humana sobre as incertezas do futuro, pois o crescimento infinito que vemos como modelo nos negócios, “chamamos de câncer em nossos corpos”. Quem não observa as leis da natureza semeia destruição.

Numa palestra na Associação Comercial do Paraná o vice-presidente Mourão apontou a possibilidade de colapso no sistema financeiro global porque há muito dinheiro aplicado em papel que não está significando a realidade, agravado com o fluxo de capitais ilícitos do narcotráfico e de outros meios. Mencionou também a questão das fontes de energia e o problema da escassez da água em países como a Índia, embora no Brasil tenhamos abundância desse elemento.

Os sistemas deveriam ter como meta a autossuficiência acompanhando o crescimento natural da população. Com a invenção do dinheiro, associada ao “financeirismo”, a meta passou a ser fazer o dinheiro engordar através do seu giro acelerado e da maximização do resultado. Nessas condições, tudo que não favoreça o aumento do ganho financeiro passa a ser considerado como desnecessário, inclusive a preservação da sustentabilidade, pondo de lado o humanismo no relacionamento entre as pessoas, adotando o mecanicismo como se fossem máquinas sem alma. Temos de combater a tendência de precarização geral e, com humanismo, estabelecer cenários mais condizentes com a nossa espécie.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A GRANDE ESTAGNAÇÃO

A economia de um país teria de produzir o suficiente para atender às necessidades de sua população diretamente, ou produzir o suficiente para ter um excedente que permitisse fazer trocas com outros países, sem precisar recorrer a financiamentos para cobrir déficits do comércio. Aí entrou a imaturidade da classe política e a fragilidade do dinheiro próprio no mercado mundial. A globalização colocou na mesma arena o capitalismo de livre mercado e o capitalismo de Estado com poder centralizado, gerando desindustrialização, perda na renda, o que amplia os desequilíbrios existentes. No Brasil, a situação se agrava com o desequilíbrio fiscal e o crescimento da dívida.

Grande parte das operações do capitalismo hoje estão sob a égide do capitalismo de Estado que cria dificuldades e conflitos com o capitalismo ocidental viciado e dominado por forças corruptoras, mas que apesar de tudo enseja alguma liberdade. O problema, como sempre, está no ser humano e sua cobiça por riqueza, poder e desrespeito às leis naturais da Criação.

As empresas, em sua maioria, fazem a contabilidade em dólares, buscando ajustar os preços praticados. Grande parte da classe trabalhadora recebe em reais. Se a taxa de juros Selic aumentar, pode acontecer de a cotação do dólar baixar pela entrada dessa moeda para desfrutar dos juros atraentes. Com isso, simultaneamente, ocorrerá valorização do real, mas essa entrada vai refletir na dívida e aumento da despesa com juros, deixando os importados mais baratos. Também dificultará as exportações, embora haverá o momento de fazer o ajuste e tudo será invertido.

Desde o ciclo do açúcar e café, o comércio exterior no Brasil tem sido negócio para poucos. Atrai divisas, mas não chegou a dinamizar a economia interna. A China tem de alimentar sua população e dar oportunidades, e por isso escolheu a via da exportação de manufaturados, bem-sucedida pelo controle de custos que o ocidente não consegue seguir. O que dirão os economistas do futuro quando analisarem esse pesadelo econômico que está assustando bilhões de pessoas?

Não podemos permitir que a situação desande ainda mais. A economia tem de ser destravada e respeitar as leis da natureza. Um absurdo a poluição dos rios que transportam esgoto pelas cidades. A Baía da Guanabara virou a baía do lixo. Segundo o genial Leonardo da Vinci (1452-1519), nada do que há na Terra ficaria sem ser perseguido e destruído para satisfazer as cobiças por riquezas que serão extraídas das entranhas da Terra, como se fosse o sangue de um organismo, debilitando-a.

Há décadas vemos muitos teóricos opinando sobre educação e preparo das novas gerações para um futuro melhor, mas a decadência geral persiste. Estudar a natureza e suas leis terá de ser a base do estudo da ciência, pois nela se encontram os fundamentos que mostram como tudo funciona, com causas e efeitos bem determinados em amplitude cósmica. Por fim, será também o elo de união do homem com a espiritualidade.

As crianças precisam ser auxiliadas a desenvolver o controle pessoal, observando os próprios impulsos e as emoções, e serem motivadas para aprender. Escrever e fazer contas a lápis são excelentes meios para o desenvolvimento cerebral. Na educação infantil, falta o aprendizado sobre a vida, somos todos peregrinos e devemos nos esforçar para evoluir.

Há tendência de precarização geral, não só no Brasil que conta com mais de 13 milhões sem emprego. Estão surgindo alguns empregos elementares de baixos salários. Há 60 milhões de pessoas enredadas em dívidas. Desindustrialização. Perda na renda. Os desequilíbrios se agudizaram. A dominância da dívida travou tudo. O dinheiro está sumindo, e com a ampliação da austeridade não há alívio para a população.

A economia brasileira não pode continuar estagnada. É preciso produzir, empregar e consumir mais, equilibrar a balança comercial e as contas externas, conter o endividamento estúpido que nada produz e aumenta a carga de juros sobre a população. Devemos melhorar a educação, estabelecer projetos enobrecedores para que os adolescentes não desperdicem seu tempo em discotecas contaminadas por drogas que minam o caráter, enfraquecem a saúde e a nação. É preciso reconhecer que nada surge por acaso. Decair é fácil. Progredir requer esforço. Esse é o Brasil que queremos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS PROBLEMAS DA ECONOMIA

Quais são realmente os problemas da economia? A previdência? A capacidade ociosa? A falta de pesquisa? Falta-nos ética, entusiasmo e excelência ou faltaram mais economistas lúcidos e mais pessoas com curso médio e superior completos? O sistema Breton Woods deu ao dólar o papel de moeda mundial, enquanto o FED mantinha política de preservar o poder do dólar, Brasil, Argentina e outros detonavam suas moedas com todo tipo de irresponsabilidade, permitindo desenfreada especulação. A falta de moeda confiável causou muito infortúnio abaixo do Equador.

Com os juros americanos elevados para 20% nos anos 1980, a dívida externa dobrou. Criou-se austeridade para reduzir consumo e exportar mais. Produzia-se e exportava-se, mas os dólares nem chegavam. Veio a inflação galopante. O Real resultou do congelamento do dólar na base de juros elevados; tudo encarecia, os importados não. As indústrias não aguentaram. Enfrentamos a confluência de todos os erros e irresponsabilidades, e a escandalosa corrupção que juntas apodreceram a moeda nacional. Os homens públicos continuam brincando de faz de conta em vez de administrar o país com patriotismo e seriedade.

A trava sempre vem pelo câmbio e dívida elevada. Todos estavam na cena: governo, congresso e judiciário. E foram lenientes com a dívida. Na Argentina também. E colhemos essa situação caótica que jamais poderia ter acontecido neste país se não fossem os maus governantes. O pessoal que hoje faz críticas nada fez nas décadas passadas, aproveitando as oportunidades de ganhos e deixando o Brasil resvalar para o abismo.

Acabou o mito “eu sou você amanhã”. Brasil e Argentina ficaram iguais. Governantes danificam as contas públicas fazendo a dívida crescer. O FMI exige fortes medidas corretivas que pesam para o país e sua população. Tudo vai sendo sucateado e depreciado. Predomina a maldição secular, ou seja, o feitiço que faz o dinheiro sumir e que vai se repetindo a cada década. Quando surgirão governantes patriotas? A Venezuela é uma tragédia humana. Mas o Brasil está debilitado com o irresponsável crescimento da dívida e desindustrialização; precisa se recuperar, pôr a casa em ordem, dar educação e saúde.

A economia mundial está instável. A do Brasil pode virar pó, pois vem sendo tratada com displicência há décadas, resultando no caos atual, endividado e com pouca indústria. O dinheiro está sumido. Usa-se o cartão de crédito para tudo para postergar o pagamento, isto é, as pessoas estão comendo hoje o salário de amanhã. É preciso encontrar a saída para aumentar a produção, empregos, renda, consumo. A miséria vai comendo por dois lados: o do bolso vazio e o da consequente falta de preparo para a vida, fragilizando a economia.

O que está acarretando a alta do dólar no mundo? Insegurança. Medo da estagnação que vai lançando seus tentáculos? Guerra cambial? No Brasil, há o reflexo da dívida de quase R$ 5 trilhões e o descompasso entre as forças políticas que mandam e mamam no país. O mundo ficou engessado ao dólar que interfere profundamente na economia. Capitalismo em crise ou a Humanidade? A França fala em reformar o capitalismo tendendo para a centralização do poder. Por que diminuem as oportunidades e aumenta a precarização? Grande parte das operações do capitalismo estão hoje sob o modo capitalismo estatal com mais controle sobre o que produzir e para onde exportar, uniformizando salários para baixo, criando novos problemas e conflitos para o capitalismo ocidental viciado e dominado por forças corruptoras, mas que, apesar de tudo, enseja alguma liberdade. Como sempre, a causa do aumento da miséria está no ser humano e sua cobiça por riqueza e poder, e desrespeito às leis naturais da Criação.

Nas Repúblicas tudo ficou tão contaminado pelas articulações que os globalistas querem mudanças no jeito de administrar os estados. Se hoje não estamos bem, a liberdade e individualidade poderão se restringir mais ainda. OCDE, OMC, temos várias organizações, mas a economia global ficou desequilibrada. Essas organizações deveriam cuidar do comércio justo e equilibrado para que não faltassem empregos e para evitar a atual tendência de precarização geral. O Brasil deveria ter se consolidado como polo de atração da Luz e da Verdade para o bem da humanidade. O que deu errado? Permanecemos sem rumo. Para onde vai a economia?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

POR FALAR EM PRECARIZAÇÃO

No mundo de hoje, globalizado, a redistribuição espacial da manufatura e a hiperindustrialização levaram à precarização. A queda dos rendimentos dos trabalhadores nesses continentes, assim, desestimula a demanda. Os ganhos de produtividade e de salários geram demanda e desenvolvimento econômico na Ásia do Leste. Países saltam da pobreza para a renda média. No mundo “rico”, as famílias submetidas à lenta evolução dos rendimentos sustentaram a expansão do consumo com vertiginosa expansão do crédito. A partir da crise de 2008, esse circuito de formação de produção e renda na economia mundial como um todo começou a falhar, dando origem ao período da Grande Recessão.

Parte da oferta da economia dos EUA (e também da Europa) está hoje na Ásia. Surge, então, uma situação curiosa de “demanda mundial fraturada”: as famílias americanas demandam, via crédito, bens produzidos no Leste da Ásia que por lá geram ganhos de escala, de produtividade e salariais. O regime fordista de produção foi transferido para o leste asiático, só que os consumidores estão nos EUA tomando dívidas. O sonho americano da bela casa no subúrbio com belo emprego e belo salário virou o pesadelo da rolagem de dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e estudantis, para não mencionar os custos de saúde para as famílias americanas. O pleno emprego voltou nos EUA, mas a estrutura produtiva mundial é outra. Apesar de desemprego na mínima, os dados de mercado de trabalho nos EUA mostram ainda muita gente fora da força de trabalho. Os empregos criados nos últimos anos foram de baixa complexidade, com destaque para varejo e serviços não-sofisticados. E agora os salários americanos parecem subir sem aumentos de produtividade equivalente. As famílias americanas e europeias estão atoladas em dívidas. As empresas estão com montanhas de dinheiro em caixa e não investem como antes. Nesse cenário se movem, com medo e incerteza, os bancos centrais dos países ricos. Após emitir mais de US$ 10 trilhões, continuam sem saber o que fazer.

Leia na íntegra este artigo de Paulo Gala, graduado em Economia pela FEA/USP, Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, onde é professor desde 2002. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR.
http://www.paulogala.com.br/politica-monetaria-para-um-mundo-anormal-moeda-causa-inflacao/

 

FRUTOS CONTAMINADOS

Enquanto a Argentina, de Domingo Cavallo, e o Brasil, do Plano Real, inventavam a utopia da dolarização e juros elevados, Japão, Índia e China praticavam política cambial realista, avançando na produção de manufaturas e tecnologias. Assim acabamos ficando para trás.

A China tem aumentado a sua reserva em dólares e avança na produção de manufaturas para exportar, e na tecnologia de ponta, sendo olhada com admiração pelo poder tirânico. Enquanto isso, muitos países, inclusive o Brasil, se encheram de dívidas enfrentando queda na produção, na arrecadação, no salário e na aposentadoria, embora os encargos e custos gerais sempre vão sendo corrigidos. Mas o custo do comunismo, mais do que outros sistemas, é a redução das individualidades e da criatividade, robotizando o ser humano.

A recuperação do Brasil, há décadas gerido com displicência e assalto às suas riquezas, está complicada. O diferencial de Jair Bolsonaro na presidência é que ele se elegeu sem as amarras dos grandes doadores de campanha eleitoral e seus interesses, embora mesmo assim terá pela frente os poderes e a máquina mal-acostumados.

Após décadas de estagnação, surge a oportunidade de eliminar o continuísmo da demagogia, mas a reação não se faz por esperar, e o Brasil deu mostra de sua imaturidade política causadora do descalabro que enfrentamos em todos os setores. Falando sobre o processo de eleição no Senado, Randolfe Rodrigues, senador do Amapá filiado à Rede Sustentabilidade, afirmou: “É um triste espetáculo, chegar a ponto de a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) furtar o livro de ordem. Chegamos ao fundo do poço da política”. A colheita vem celeremente trazendo os frutos amargos da irresponsabilidade. Estamos vivendo as derradeiras chances de o país se tornar efetivamente livre dos sanguessugas.

Para que lado a economia do Brasil poderá se expandir? Commodities para exportação são importantes, pois atraem dólares, mas não geram muitos empregos e podem causar danos. Os serviços em geral requerem que a população tenha renda para consumir. Na indústria ficamos travados com baixa produtividade e real valorizado por longo período, favorecendo a entrada de importados e o consequente despreparo técnico.

Os países arrecadam dinheiro dos impostos. Quem paga os impostos é a população, diretamente de suas rendas ou indiretamente no custo de tudo o que consome. A arrecadação é sugada pela corrupção nas negociatas, nos encargos sobre as dívidas, nas estatais mal geridas, nos custos descontrolados sobrando pouco para a melhora das condições gerais de vida.

Enquanto podem, os governos vão emitindo dinheiro e facilmente se deixam levar pela tentação de tomar empréstimos. Cair no endividamento é a grande falha dos governantes que hipotecam as riquezas do país e o trabalho de sua população, sem contrapartida que impulsione o aprimoramento das novas gerações.

O lamentável foi ter permitido o crescimento explosivo da dívida com juros elevados. Dívida é a mais crítica questão da gestão pública. Aí a irresponsabilidade levou o país à beira do abismo sem que tivesse destinado os valores em benfeitorias de real proveito. Como a economia poderá ser dinamizada?

O governo precisa cortar gastos inúteis que nada produzem e fechar o ralo da corrupção em seus gastos e investimentos. O intercâmbio entre países é importante, mas se não for feito com equilíbrio, sugará as potencialidades. Para que haja progresso, o intercâmbio entre os países requer equilíbrio.

Como são feitas as leis dos homens? Elas levam em consideração o principal axioma de que não se deve causar sofrimentos ao próximo para satisfazer as próprias cobiças? Se considerassem isso, muita coisa teria sido diferente e não seria necessária a criação de tantas leis que, na essência, buscam defender os interesses de quem pode mais. Juristas e juízes sabem bem como respeitar as leis; se isso é justo ou não, é outra conversa.

Essa é a triste realidade de uma civilização que, por sua cobiça por uma riqueza menor, perdeu a visão da beleza e da grande riqueza da natureza que a tudo sustenta. Em geral, os países não têm dado muito apreço à natureza e vão produzindo frutos contaminados. Observa-se a displicência e a irresponsabilidade em tudo, sem deixar espaço para metas de promover a continuada melhora das condições gerais de vida da população.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

ESCOLHA O AVIÃO CERTO

Os eleitores do Brasil estão no aeroporto para escolher o avião. Depois de embarcados só poderão desembarcar no destino escolhido. Tem um avião que vai para o país da utopia, onde os fins justificam os meios, usados pela tripulação para chegar onde quer, onde possa mandar e desmandar ao seu bel prazer para pôr em prática um plano de massificação geral da população, mesmo que para isso tenha que semear o caos e o apagão mental. O outro avião vai enfrentar turbulências até achar a serenidade do céu azul, terá de traçar uma rota que escape da tormenta que se avizinha, protegendo a liberdade, a individualidade, o fortalecimento da família para que surjam gerações fortes aptas e dispostas a construir um mundo melhor. Logo será dada a última chamada; prepare-se para embarcar no avião certo.

O cenário mundial tem como pano de fundo dinheiro e poder. Há duzentos anos a Inglaterra formou o centro das finanças com a criação da libra esterlina, palavra derivada da medida de peso. O marco alemão não conseguiu se manter. Ao término da Segunda Guerra Mundial, o dólar se impôs, carreando o poder para os seus detentores. Há trilhões de dólares nos paraísos fiscais. O iene do Japão teve destaque. O euro tenta se impor, mas enfrenta dificuldades na aglutinação dos estados da Europa. O dólar tem navegado com firmeza. A China está despontando como potência econômica, para isso tratou de acumular reservas em dólares como nenhum outro país o fez, mas agora pretende dar força internacional à sua própria moeda, o yuan.

Países periféricos como o Brasil ficam à margem, sempre dependentes do fluxo da moeda padrão nas transações mundiais, e por isso sempre assediado pelas forças dominantes para disponibilizar as riquezas naturais. Isso tudo tem a ver com as rotas adotadas pelos governantes que conduziram o país a este aeroporto tumultuado de contas deficitárias, dívidas, produção pífia, desemprego e baixo nível de escolarização. O Brasil precisa restabelecer a naturalidade na vida e na economia, possibilitando aumento da produção, trabalho, consumo e progresso na qualidade de vida.

Para fortalecer um país é preciso que surjam gerações fortes, sadias de corpo e alma, voltadas para o bem, aptas e dispostas a estabelecer propósitos de melhora geral. Só mesmo a mais crassa ignorância sobre o funcionamento das leis de Deus que se expressam na natureza poderia permitir a suposição de que com uso da genética e processos eugênicos tecnológicos é possível criar gerações que atendam aos pressupostos dos detentores do dinheiro e poder. A qualidade humana depende do espírito que encarnar.

As experiências com reprodução de parceiros previamente selecionados poderão gerar corpos bem desenhados, mas o ser humano vai depender do espírito atraído para a encarnação, pois o estar vivo depende das condições de atração magnética entre o corpo gerado e alma. Sem essa atração o corpo não segura a alma. Quando a atração perde calor há a separação, deixando inerte o corpo material, fato que era evidente para povos da antiguidade que viviam em estreita sintonia com as leis da natureza.

A Terra ficou extremamente contaminada com a presença de seres humanos que desdenham da vida espiritual, desrespeitando suas leis. Decadência, guerras, miséria atestam o que os homens fizeram de errado no planeta outrora tão hospitaleiro. A purificação da Terra depende do despertar espiritual. O ser humano aderido fortemente ao mundo material perdeu as aspirações nobres elevadas e agiu inescrupulosamente como nenhuma outra criatura, arrastando o infortúnio para esta parte da Criação. Muitos estão se aproveitando da confusão global para externar o que de pior o ser humano é capaz.

As trevas querem destruição. A guerra vem se arrastando há milênios. No auge da escuridão, o Criador enviou Jesus com Luz do Divino. Mesmo assim a decadência espiritual não foi estancada. As trevas continuaram seu ataque destruidor por não encontrarem resistência. A Sodoma devassa avança no ataque à feminilidade, única apta a gerar filhos com caráter voltado para o Bem. Com o afastamento do saber das leis da Criação, os seres humanos acolheram a mentira, deixando crescer a insatisfação e a revolta. Vivemos num tempo de guerra. Faltando a Luz da Verdade, faltará tudo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7