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NOSTRADAMUS, O OURO E A PRATA

Como consequência de séculos de descuidos com a vida, atualmente o viver ficou mais difícil que no passado. Há uma ansiedade generalizada. Mesmo sem entender o que o outro está dizendo, muitas pessoas já passam para ataques. A grande questão da humanidade é que os chefes de Estados deveriam cuidar de sua população, visando o aprimoramento da espécie e buscando oportunidades adequadas à sua região. A educação poderia fazer a grande diferença combatendo o apagão mental e buscando clareza, raciocínio lúcido, bom senso e propósitos enobrecedores. É preciso a conscientização de que o ser humano não é máquina e compreender o significado da vida.

A crise atual traz a oportunidade para repensar a vida e a economia, sempre buscando os países com fatores de trabalho de menor custo, o que acabou desempregando geral pelo mundo, desequilibrando tudo em função da ânsia de produzir ganhos para acúmulo de reservas e aumento de poder. Para onde vai o Brasil? Se não houver entendimento aqui dentro, lá de fora não há nada de bom que se possa esperar nesse salve-se quem puder mundial.

A tecnologia está gerando uma massa de pessoas sem preparo, pois o seu avanço está alterando todas as profissões e criando outras; mesmo com boa capacidade de se reinventar e de aprender rapidamente não será fácil alcançar posições relevantes neste novo mundo. A humanidade é composta de seres individualizados; várias mentes com livre resolução que precisam de um ideal nobre e comum para alcançarem o progresso, a paz, a beleza e a alegria.

Como resolver as questões fundamentais que se avolumam? O problema está nas pessoas que não vacilam em torcer os fatos, mentir e difamar. Quando se apresenta uma ideia, os opositores não argumentam sobre ela e não vacilam em enxovalhar o autor usando palavras chulas e medíocres; querem combater a ideia atacando o autor, menosprezando-o em vez de contrapor argumentos verdadeiros. Usam a agressividade em vez da clareza em seus argumentos. Não há boa vontade, só interesses pessoais em detrimento do bem geral da sociedade.

A paralisação, como a queda num jogo de dominó, foi derrubando uma a uma as pedras da economia: fábricas, lojas, shopping centers, restaurantes, aviação, hotéis, turismo, instalando uma inédita catástrofe econômica mundial, acirrando as disputas pelo poder e a luta pela sobrevivência. O que virá a seguir? Como a humanidade agirá? Como sempre, fazendo prevalecer a força, ou buscando consensos e cooperação? Para esta escolha os homens deveriam estar imbuídos de sincera vontade para o bem geral e a paz mundial.

Passados séculos, permanece mais forte o dissimulado conceito de que os ganhos de uns se fazem com perdas de outros. O mundo caiu no desequilíbrio entre produção, empregos e renda. Sem renda cai o consumo. Sobram estoques pelo mundo e assim pode ser que os preços baixem. O que as indústrias poderão produzir, que empregos vão gerar, quem vai investir?
A pesada crise de 2020 trouxe algumas visões do mundo atual. A vida em si acabou perdendo a essência, pois tudo passou a girar em função do ganho financeiro e sua concentração. As periferias ficaram ao abandono. As vendas no varejo chinês continuam abaixo do esperado. A produção industrial se recupera, mas vai gerar um excedente que precisa ser exportado, afetando a recuperação nos EUA e na Europa.

Os países cobiçam as riquezas que pertencem a outros. Não recuam diante de nada nem mesmo diante de massacres ou da escravização de povos inteiros, apenas para projetarem sua grandeza efêmera. A economia globalizada caiu no desequilíbrio e precarização. Nostradamus profetizou de forma meio confusa esta era de ambição desmedida pelo ouro e prata; o dinheiro acarretando a desintegração social. Chegamos ao ponto de acumulação das consequências de ações imediatistas que estão gerando caos e miséria, enquanto os seres humanos permanecerem com suas convicções subordinadas ao mundo material, ignorando o espiritual.

Na crise, os países estão se voltando para si mesmos como deveria ter sido para promover o progresso geral, mas a crise moral e a perda da honra se tornaram um grande entrave ao progresso real. Para encontrar o caminho, as pessoas precisam da Luz da Verdade neste mundo obscuro, dominado pelas trevas produzidas pelas mentiras.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O QUE SUSTENTA A ECONOMIA?

O consumo sustenta a economia. O que sustenta o consumo é a renda, e esta requer trabalho remunerado. Para o país, é fundamental que haja produção e renda, senão o capital gerado acaba indo para fora, para países que produzem e exportam. Se o país pode produzir, por que ficar importando e engordando o capital externo? É indispensável que haja equilíbrio nas contas internas e externas, assim como no trabalho e na respectiva remuneração. Mas a ânsia por ganhos desenfreados entortou tudo.

Por milênios, a humanidade tem seguido caminhos errados em vez de buscar o aprimoramento da espécie e o viver pacífico. É preciso fortalecer as capacitações individuais, a força da diversidade. Mas a cobiça de poder quer uniformizar a todos e dar um número aos indivíduos, tornando-os dependentes no jugo daqueles que encontram no Estado o meio ocultar a sua incompetência e impor sua tirania.

O conflito entre o empregador que quer pagar o mínimo e o empregado que quer melhores condições acabou levando grande parte das fábricas para a Ásia, onde a possibilidade de conflito é reduzida face a renhida luta pela sobrevivência. Tudo tendeu para o desequilíbrio na produção, empregos, renda, comércio e consumo, e nas contas públicas. A parada forçada da movimentação do dinheiro colocou tudo à mostra gerando falências em cascata. A economia tem de ser reativada de forma equilibrada, mas não sabemos o que vem por aí nem que interesses estão envolvidos. A economia é movida pela circulação de dinheiro, agora interrompida, o que amplia a perda de renda, e os consequentes empobrecimento e queda no consumo.

Pelo mundo todo os acontecimentos estão em aceleração. O momento exige flexibilidade e constante readaptação às novas situações que se sucedem velozmente. Necessitamos de pessoas que consigam ouvir a intuição e se ponham em movimento, ver o que está faltando, o que está emperrando e ir ajustando, senão as falhas aumentarão, o tempo passará, e as despesas vão superar as receitas. Sem que haja bom preparo das novas gerações, a precarização geral será crescente.

No pós-guerra consolidou-se uma ordenação mundial visando a paz, mas com o passar dos anos surgiram efeitos danosos. No entanto, o que se percebe é que a estabilidade mundial requer equilíbrio entre os países e povos, eliminando o mau costume de se beneficiarem prejudicando outros. A cooperação deveria ser atuante e quem não puder ajudar, não deve atrapalhar explorando o outro.

A ruína da finança pública decorre da falta de estadistas sérios e competentes, e daqueles que querem inchar o Estado e mamar em berço esplêndido, então caíram na armadilha da dívida. Agora se tornaram conhecidos os amargos efeitos dessa globalização oportunista que buscou mão de obra barata para produzir manufaturas para exportar, mas com a perda de empregos e renda, tudo se tornou precário.

É muito difícil para uma pessoa de bem se entrosar num ambiente de mentiras, falsidades, dissimulações. Quem são os que ficam? Imagine uma pessoa intuitiva trabalhando em Brasília. Há uma deplorável guerra de palavras. Tergiversam, isto é, usam palavras para mentir, escamotear, difamar, visando destruição gratuita e inconsequente para desorganizar e atemorizar.

A ideologia é o escudo encobridor, mas o que interessa mesmo, acima de tudo, é poder e dinheiro, o controle, a submissão. A história é bem clara, a grande ambição de acumular riqueza e poder não tem fim, agora agravada com a limitação dos recursos naturais. Pouca atenção foi dada ao desenvolvimento de condições que possibilitem a melhoria continuada da qualidade humana.

No mundo áspero, dominado pelos homens subjugados pelo raciocínio limitado à matéria e ao tempo-espaço, os seres humanos intuitivos que ainda pressentem a existência do espírito, não têm vez, são postos de lado por aqueles que se tornaram mestres na arte de auferir vantagens para satisfazer seus desejos e cobiças, indiferentes ao sofrimento que causam, e pouco se importam se descaírem.

Em 2020, o mundo está perdendo a esperança. A natureza é explorada de forma imediatista. Há despreparo da população. Cresce a corrupção. O desequilíbrio na economia é mundial. O ser humano não pode agir como ladrão. O Brasil precisa produzir mais e gerar empregos para reduzir o grande contingente de pessoas despreparadas e necessitadas.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O CORAÇÃO, O ESPÍRITO E A RETOMADA

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou, após videoconferência com os 25 membros do Conselho da instituição, que: “a velocidade e escala da retomada são altamente incertas. Enquanto dados de pesquisas e indicadores de atividades econômicas em tempo real demonstram alguns sinais de que podemos ter atingido o ponto mais baixo, juntamente com o relaxamento gradual de medidas de confinamento, a melhora até agora tem sido branda em comparação com a velocidade em que os indicadores desabaram nos últimos dois meses”.

A crise cria momento oportuno para ajustes. As pessoas precisam de trabalho e renda para consumir. Mais do que uma complexa legislação de proteção ao trabalho, como a de outros países, precisamos que haja produção, trabalho e renda que permita uma subsistência condigna e, para isso, deve ser revista a globalização que encaminhou toda a produção para a Ásia. Há no mundo uma forte pressão para endurecer o coração, o espírito para deixá-lo inoperante, sem condições para reagir e assumir o comando da própria vida com a força de vontade. Enquanto houver coração, o poder do dinheiro não será o fator decisivo de dominação, pois o espírito vai além desse poder.

Uma nação, para ter fibra, precisa da motivação certa e natural, ou seja, o alvo do aprimoramento da espécie humana tão decadente, espiritual e moralmente. Precisa manter o equilíbrio entre seus setores de produção; bom preparo de sua população e das novas gerações; não destruir a natureza com seu imediatismo e cobiça; buscar autossuficiência alimentar e controlar rigidamente as contas. O endividamento crescente fragiliza, e o país deverá estar preparado para, no pós-crise, enfrentar as armadilhas que terão de ser equacionadas. Cada país terá de se tornar forte internamente para poder continuar existindo.

A grande questão da humanidade é que os chefes de Estado deveriam buscar a melhora das condições gerais de vida, visando o aprimoramento da espécie e buscando oportunidades adequadas à sua região. Em vez disso, deixam o egoísmo e cobiça de poder e riqueza falarem mais alto lançando olhares para os recursos de outras nações. Aconteceu com gregos e romanos, franceses, ingleses, alemães, americanos e russos. Agora entrou a China no cenário que devagar foi mostrando que também quer ir ao pote. Seus métodos são como os dos outros, porém aperfeiçoados para ampliar a influência e alcançar seus objetivos. Como no passado, o suborno e a intimidação são grandes aliados.

A economia é movida pela circulação de dinheiro. No Brasil foi interrompida gerando consumo de poupança, perda de renda e empobrecimento. No mundo é mais complicado. Os Bancos Centrais estão criando dinheiro para evitar danos maiores, gerando uma chuva de dólares e euros. Indústria, comércio, agro, serviços, tudo é importante, mas muitas coisas supérfluas foram introduzidas na forma de viver. Temos de voltar ao natural sem abusos e exageros, com oportunidades para todos, menos horas de trabalho e para chegar até ele, dar valor ao ser humano e à sua vida, não apenas nessa hora crítica, para depois deixar tudo na mesma num sistema desumano. Temos de sempre valorizar a vida, a educação e o preparo das novas gerações, a cultura, o bom nível das artes estancando o continuado rebaixamento da espécie humana e da qualidade de vida.

Temos pela frente um turbulento período de embates, uma fase que vai exigir serenidade e perseverança. Nada pode ser realizado sem esforço e vigilância. Estamos num momento de ajustes e adaptação. A pressão para subjugar o espírito favorece o despreparo, a indolência e o viver concentrado na busca de prazeres mundanos, criando as condições para tornar a nação subjugada por interesses escusos de açambarcamento de seus recursos. Sem uma forte reação espiritual dos indivíduos, o declínio será inevitável.

O homem não é o “animal humano”. Os animais se orientam pelo instinto e se submetem ao adestramento. O ser humano é espírito capacitado com a livre resolução. Essa capacidade lhe dá responsabilidade no querer, pensar e agir, e colherá as consequências. Pode ser induzido ou forçado a obedecer, mas em seu íntimo pode se recusar. Deveria buscar o aprimoramento da espécie, mas tem provocado o continuado rebaixamento agindo como robô que atende às necessidades corporais, sufocando o eu interior, o coração.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO MUNDIAL

A ciência econômica se subordina à escassez, isto é, a limitação dos recursos ofertados pela natureza. Visando o equilíbrio deveria acompanhar as oscilações da produção e oferta de empregos; a distribuição e consumo de bens e serviços; os mecanismos financeiros da economia; a acumulação de dinheiro; as relações econômicas com o exterior; as formas de competição entre as empresas e países, e as respectivas regulamentações legais, entre outros assuntos.

Os homens inventaram o dinheiro aplicando a lei da escassez, tornando-o o bem mais cobiçado do mundo, embora o ar, indispensável à conservação da vida, é percebido como abundante. No capitalismo de livre mercado, todo o sistema ficou vinculado ao dinheiro e este deve promover a circulação da riqueza de forma equilibrada entre os indivíduos e os povos. Mas a circulação acabou sendo estagnada travando e precarizando tudo.

Uma parte da sociedade acumula bens; outra, dívidas e escassez. A ciência econômica deveria ocupar-se com o equilíbrio geral, mas na economia mundial está ocorrendo o oposto. Países como o Brasil mantinham o dólar barato com juros elevados, inviabilizando a produção e aumentando a dívida. Sem produção não há futuro. A produção foi se concentrar em regiões de mão de obra de custo mínimo e câmbio favorável para exportar, isso ocorre em países onde o capitalismo de Estado centraliza as decisões.

A globalização não será benéfica sem que haja respeito à natureza e à consideração humana de não empreender ações danosas ao próximo para satisfazer a própria cobiça. Nos moldes atuais, a globalização econômico-financeira provocou desequilíbrios em todas as direções, subverteu a classe política, separou os interesses das corporações das necessidades dos países, e rompeu os limites da individualidade dos povos. Isso acabou despertando reações adversas, pois faltou o equilíbrio sadio nas relações entre os povos para que o progresso de uns não se faça a custo da miséria de outros.

Com a dívida atual, estamos em situação pior do que na crise da dívida externa dos anos 1980, pois as políticas adotadas exportaram os empregos. Com o aumento do déficit fiscal, o Brasil será empurrado para o abismo, correndo o risco de perder a governabilidade e a autonomia.

A segurança do país está no patriotismo das Forças Armadas, na saúde, na capacidade de produzir alimentos, nos minerais, na reserva internacional, no bom preparo das novas gerações. Sem boa administração iremos transferir os ganhos para os especuladores, atravessadores e para aqueles que cobiçam as riquezas. Os países passaram a importar de tudo. Deixaram de fabricar e de exportar manufaturas. Os empregos e renda se reduziram. As dívidas subiram para sustentar o sistema. “O melhor remédio para erradicar a pobreza de um país é a geração de riqueza”, disse Vicent Fox, ex-presidente do México.

Com a baixa dos juros, sem ter onde aplicar o dinheiro foi para as bolsas elevando as cotações, mas surgiram imprevistos como a pandemia do século 21 que, ao paralisar tudo, evidenciou as incoerências provocando baixas e busca por segurança no dólar. Superar a consequente instabilidade a reequilibrar a economia são os novos desafios.

Estamos na era da aceleração dos acontecimentos. O momento exige flexibilidade e constante readaptação às novas situações que se sucedem velozmente. Necessitamos de pessoas que consigam sentir a intuição e se ponham em movimento, ver o que está faltando, o que está emperrando e ir ajustando, senão aumentarão as falhas, o tempo passará, as despesas vão superar as receitas. Sem que haja bom preparo das novas gerações a precarização geral aumenta.

Acredite se quiser, o anticristo, influencia o intelecto dos seres humanos que lhe são dóceis devido a uma certa igualdade de querer maligno, seu plano é a destruição da humanidade, que se acha submersa nas sombras de seus próprios erros, retirando-lhe a possibilidade de ter vontade própria. Por isso as criaturas humanas têm de aplicar toda a força de sua vontade espiritual para buscar a Luz da Verdade e as leis da Criação.

A vontade e a intuição são decisivas para o nosso destino. Quando as pessoas se apegam a interesses ligados exclusivamente ao material, se atam irradiando de forma pesada e negativa. Ao contrário, pessoas voltadas para objetivos elevados e nobres irradiam leveza e alegria, pois captam isso de regiões mais luminosas.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

GERAÇÃO DESORIENTADA

A política deixou de ser exercida por estadistas atentos ao futuro. A economia se tornou imediatista visando ganhos de curto prazo, mas no longo prazo os resultados dessa forma de agir falam por si. A economia deveria seguir seu curso em liberdade, pois a interferência governamental acaba sendo nociva, mas requer um consenso entre governo, empresas e população. Objetivos factíveis com a participação de todos.

Com a falta de preparo e indolência, a população acaba sendo manipulada em função de interesses particulares. Os políticos pensam na próxima eleição, as empresas, para o lucro imediato, e as pessoas se deixam enganar, esquecendo que o progresso é fruto do trabalho persistente. Tudo acaba perdendo a naturalidade e a consistência, tendendo ao desmoronamento. Os humanos deveriam conviver em paz e progresso, cumprindo sua tarefa melhorar as condições gerais de vida no planeta, mas em vez disso querem ser donos do mundo e ficam brigando para ver quem manda mais.

O mundo ficou convulsionado e instável, na economia não há um parâmetro dentro da normalidade, tudo subordinado a interesses daqueles que dividem a riqueza, o poder e as conveniências momentâneas. Não é à toa que o navio ameaça afundar. Na gangorra cambial, quando há renda, o real valoriza e os brasileiros importam e viajam levando dólares para fora. Quando a renda cai, o real desvaloriza, o que deixa tudo mais barato em dólar. Um sistema monetário canibal com conivência da classe política.

Como o país obtém dólares? Exportando, vendendo ativos ou tomando empréstimos, e agora, inclusive, através do mercado aberto atraindo dólares com juros altos. Desde o plano real, o dólar ficou barato à custa de juros altos para conter a inflação, permitindo importações de produtos com valor inferior ao produzido no país. Quanto isso custou? A dívida pública está em R$ 5,5 trilhões, e a indústria foi minguando, empregos sumindo, e a arrecadação em baixa exigiu aumento nas alíquotas.

Como se chegou ao descalabro fiscal? No início era tudo liberal, mas havia responsabilidade com os compromissos assumidos pelos governos. Depois veio o relaxamento na contratação de pessoal, a demagogia, as obras superfaturadas, os déficits, os juros extorsivos, a União como cobertor. Havia de onde tirar o dinheiro, mas com a crise econômica, a perda na produção industrial, nos empregos, na renda, na contenção do câmbio, tudo ficou estreito.

A má gestão, a corrupção, a forma relaxada como se permitiu o aumento da dívida pública levam à venda de ativos para reduzir a dívida monstruosa e ainda continuar devendo muito. A classe que trabalha e mal ganha para o sustento está arcando com o ônus do descuido geral.

O Brasil foi sendo sucateado e endividado. Segundo o economista José Oureiro: “O que acontece é que 20 a 25 anos de juro alto e câmbio valorizado provocaram efeitos de histerese na produção industrial. Foi um período muito longo durante o qual a indústria de transformação não investiu em modernização, perdeu mercados no exterior e permitiu que se abrisse um grande hiato tecnológico entre o Brasil e os países mais competitivos.”

A grande questão da educação é que os pais estão desorientados, não se lembram mais por que nasceram na Terra nem qual é o significado da vida. Assim, o viver vai se tornando uma chatice porque não há propósitos enobrecedores, não há rumos claros e os jovens se sentem desamparados neste mundo onde a natureza está reagindo de forma drástica. Na economia, os empregos estão sumindo e os líderes não sabem o que fazer com a massa disponível e sem renda, então as telas (de smartphones, computadores e televisão) se apresentam como uma forma de manter a turma distraída e camuflar o problema.

Não basta brigar só pelo clima. “Demonstramos que estamos unidos e que nós, jovens, somos imparáveis”, disse Greta no Palácio de Vidro, sede da ONU, onde foi aplaudida. Mas os jovens precisam ser orientados com bom preparo para compreender o significado da vida e suas leis naturais e ver que há muitas áreas para atuarem. Relaxadamente, o planeta virou uma lata de lixo, os rios uma cloaca devido à falta de saneamento e ao aumento das moradias precárias. Isso tudo têm de ser combatido pelos jovens com a mesma ênfase.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O RETROCESSO ANUNCIADO

Durante longo período não havia partidos políticos, só a Igreja e os reis. As regiões descobertas se tornaram colônias. Os feudos foram aglutinados e transformados em Estados. Surgiram os partidos, as eleições e os eleitores foram mobilizados para fazer sua escolha no circo eleitoral. Eleita, a classe política queria mais e mais. O mundo globalizado está descontente com a classe política. Surge o Estado com partido único responsável pela escolha dos gestores e pelo relacionamento econômico com os demais países visando o melhor resultado. Diante da precariedade da economia, os eleitores estão se voltando para os líderes que apregoam a volta ao nacionalismo.

Nos anos 1980, os Estados Unidos elevaram a taxa de juros a 20% ao ano. Países atrasados, como o Brasil, que se endividaram na década de 1970 com juros baixos contratados com taxa flutuante, caíram na armadilha e perderam o rumo. Juros compostos a 20% em dólar é um desastre. O Brasil sangra até hoje, e seus gestores, desde Sarney, não tiveram dúvidas em priorizar interesse próprios, deixando o país de lado.

O economista Delfim Netto explica a grande mudança em andamento no trato da finança pública: “Um fato fundamental é que a política monetária iniciada por Ilan Goldfajn e continuada por Roberto Campos Neto (ajudada pelo rigor fiscal) nos levou a uma taxa de juros e a um ‘risco’ Brasil que eliminaram o carry trade. É, talvez, a primeira vez na nossa história que se criaram as condições para uma taxa de câmbio flutuante sustentada por forças endógenas e não por uma taxa real de juros destrutiva do nosso setor industrial.”

Trata-se de uma higienização no rançoso modo de administrar juros, câmbio e o desequilíbrio fiscal produzido pela incompetência e falta de seriedade. Mas urge resolver a questão de como aumentar a produção e renda, que se arrastam no chão por décadas num país em que falta tudo. Taxa Selic de 4,5 %, o estranho é como esteve tanto tempo acima de 12 % a juros compostos. Como essa proeza foi conseguida? Será porque todo o sistema se acha atado às dívidas?

A irresponsabilidade com as contas sempre traz resultados desastrosos, nas contas públicas é terrível com tantas interferências de agentes corruptos. A partir de 2012 caímos de novo na armadilha da grande catástrofe de dívida que hoje toda a nação paga e sofre. Foi um desatino financeiro, um assalto que revelou a cobiça e o imediatismo geral. Temos padecido com a permanente irresponsabilidade no trato das contas públicas e na terrível estrutura monetária e cambial que tem favorecido a especulação em vez de promover a estabilidade econômica.

Diziam os poetas, na década de 1920, que a vida é uma celebração do encantamento. Mas o jornalista francês Gilles Lapouge diz que hoje não é mais assim, pois é na Bolsa para onde vai todo o dinheiro do mundo, cobiçando ganhos mirabolantes, que se contabiliza o valor da vida, enquanto o resto da economia segue para o brejo. Países mal geridos pela corrupção e incompetência estão retrocedendo de degrau em degrau ao chamado terceiro mundo; países pobres, com falta de preparo para a vida, dependentes de uma economia voltada para a agricultura, pecuária e atividade extrativista. A desfaçatez com que os rios e mananciais têm sido manejados mostra bem o declínio.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Se o querer, voltado para o bem, sempre for transformado em ação, a melhora geral será possível, buscando-se o auto aprimoramento, observando a lei do movimento aplicada na grande causa da humanização da vida, através do fortalecimento da espiritualidade e da coesão da vontade das pessoas para irradiar a Luz da Verdade.

Cada ser humano ativo no espírito tem de se adaptar aos meandros dos fios do destino produzidos por ele mesmo, com ampla coerência, incluindo intuição, pensamentos, ações, tudo integrado. Assim como numa árvore, as raízes, tronco e flores estão integrados, no ser humano, espírito, alma, corpo devem estar unidos de forma sadia, buscando elevação. A falta disso gerou as catástrofes que estamos enfrentando.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A ECONOMIA CAPITALISTA

Como o Brasil poderá se integrar na economia globalizada sem se tornar dependente da extração de matérias primas e commodities, com poucos empregos e baixo valor agregado? Como essa integração poderia ser feita sem desequilibrar ainda mais o país? A expressão economia capitalista evoca um sentimento de perda e dificuldades. Após as guerras do século 20 surgiram promessas de melhora geral das condições de vida que não podem mais ser mantidas devido à crise econômica mesclada com corrupção, tirania e concentração da renda.

Nos anos 1960, uma parte da juventude descontente, inspirada por Castro e Guevara, queria implantar a igualdade com bombas. A mídia televisiva exerceu forte influência sobre as novas gerações disseminando maus costumes e uma visão falsa da vida. Em São Paulo, uma recente festa de rua conhecida como “pancadão”, realizada na comunidade Paraisópolis, teve desfecho trágico. Como essas festas funcionam, o que elas trazem de benéfico ao lazer e a cultura para milhares de jovens? Há bebidas e drogas?

É lamentável que os jovens não se utilizem de opções de lazer construtivo como a leitura de bons livros, o que contribui para melhorar a escrita e o raciocínio, além de jogos aritméticos, atividades esportivas, ginástica, enfim o aprendizado geral e o bom preparo para a vida e o idealismo que visa o aprimoramento da espécie humana. Há tantas coisas nobres, basta querer, mas a indolência espiritual tomou conta do mundo.

O século 21 apresenta as incoerências da civilização materialista que forjou a economia da cobiça, do acúmulo e controle do dinheiro, que se sobrepõe às ideologias de direita e esquerda, colocando o dinheiro acima de tudo o mais, provocando aumento da miséria e asperezas e precarização geral. Havia nítida separação entre os sistemas econômicos e suas teorias que agora se assemelham visando o mesmo fim, acumulação de dinheiro, diferentes apenas no comandado, se por gestão empresarial privada ou centralizada no poder estatal.

Vivemos num mundo acelerado e ansioso que impulsiona o cérebro para pensar sem parar, retirando a serenidade e a paciência. As pessoas querem tudo resolvido na hora sem observar a naturalidade. É preciso conservar puro o foco dos pensamentos. Os seres humanos viventes na Terra são dotados de espírito, corpo e a mente, onde se desenvolve a atividade cerebral de pensar e raciocinar. O cérebro absorve as informações que recebe, cria conceitos guardando-os na memória, surge uma personalidade que em geral não se esforça por ouvir o próprio espírito que se torna um estranho naquele corpo dominado pelo cérebro.

No cenário angustiante, a vida se torna áspera e entediante porque o espírito está travado, não atua porque o cérebro tomou conta de tudo; mas o cérebro não dispõe da energia espiritual que deve chegar através da voz do espírito, a intuição, pois quer fazer tudo sozinho e suas criações são pesadas, frias, sem calor humano. Para que haja paz e progresso o espírito tem que se movimentar, beneficiar e enobrecer. O espírito renasce várias vezes, pois a vida é um processo contínuo. A mente tem que ouvir, se aquietar e colaborar.

Envolvida pela escuridão trevosa, a humanidade enfrenta as consequências de seus atos. A miséria é opressora. Caótica é a situação geral e incontrolável a agressiva selvageria urbana. As massas estão descontentes diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Os salários tendem para o mínimo nesta fase em que se busca a mão de obra de menor custo. Uma boa saída seriam os programas de participação nos resultados. O perigo é se deixar influenciar pelos oportunistas mal-intencionados que querem implantar o caos para que a humanidade se perca sem um olhar sincero de gratidão, para o Alto, pelo dom da vida.

Estamos no mês de dezembro. Excelente oportunidade para refletir sobre as palavras do Mestre Jesus: “Bem-aventurados os que têm de suportar sofrimentos, pois serão consolados! Não vos lamenteis quando a dor cair sobre vós. Suportai-a e sede fortes. Sofrimento algum pode vos atingir sem que o permitais, mas aprendei por meio desse sofrimento e transformai-vos em vosso íntimo, pois assim ele vos deixará, e vos tornareis livres! Bem-aventurados aqueles que aceitam com simplicidade o que é verdadeiro, pois deles é o reino dos céus.” (Do livro Jesus o Amor de Deus)

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

 

DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO E EMOCIONAL

Dentre as criaturas, o ser humano é, sem dúvida, a de maior significação por ser dotada de espírito e livre resolução. Deveria ser o grande zelador do planeta, respeitando a lei universal da preservação e adaptação. Mas ele se afastou das leis da natureza seguindo sua própria lei ditada por seu querer egocêntrico. Um dia vale a aplicação de pena ao condenado em segunda instância; no outro, não vale mais. É o tal do casuísmo, isto é, prevalecem os interesses momentâneos.

A sustentabilidade do planeta requer a boa disposição dos seres humanos para que estes reconheçam e se adaptem às inflexíveis leis cósmicas. O desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social domina o planeta. A economia está parada. As causas não são pesquisadas. Governantes e empresários permitiram que a produção fosse transferida para regiões de menores custos da mão de obra e de produção. Cada indivíduo tem que decidir os rumos da sua vida ouvindo o íntimo atentamente. Mas com a transferência das fábricas para a Ásia, o viver se modificou.

Desigualdade, precarização, destruição da natureza e falta de educação avançam pelo mundo. Surgem insatisfações, descontentamento, reações inesperadas, agravadas por acontecimentos imprevistos que vão surgindo um após outro, levando à precarização da classe média do ocidente rico. Mesmo quando nos sentirmos prejudicados é preciso muita cautela na forma como vamos reagir, o que vamos pensar e falar porque muitas pessoas estão emocionalmente descontroladas. Há muitos pensamentos de insatisfação, medo e ódio. Precisamos de força para não cair nessas armadilhas e agir com serenidade

Fala-se que foram criados dez trilhões de dólares pelo afrouxamento monetário, mas o mundo continua atolado em dívidas e com a produção estagnada. A globalização, iniciada nos anos 1980, permitiu o surgimento de oportunidades para o acúmulo de dólares aproveitando as brechas para avanço de produção massiva de manufaturas de menor custo para colocação no mercado externo, acarretando complicadas consequências econômicas e culturais. A pacata classe média se sente acossada com a perda de empregos, aumento da desigualdade e desarranjo ambiental.

O Brasil tinha o grande futuro de vir a ser o país da sabedoria, da paz e da alegria. Mas, seguindo por caminhos funestos, entrou em decadência; grande parte da população não consegue ler e escrever. A corrupção tomou conta. Muitas manifestações artísticas se tornaram degradantes. As novas gerações não receberam o preparo para a importância do trabalho. As drogas encontraram campo aberto, as adolescentes engravidaram precocemente, enfraquecendo a prole e o país.

Em 1989 houve grandes esperanças com a queda do muro de Berlin e vitória de Collor sobre Lula; mas logo o presidente eleito decepcionou o Brasil, sendo apenas mais um a manter o país nas sombras. A Alemanha está longe do que se esperava em 1989; o Brasil mais ainda. Soluções existem, mas há grande empenho em manter tudo como está para assegurar os privilégios dos que se alojaram no topo. As autoridades têm se mantido voltadas para interesses particulares em vez de pôr em prática o alvo nobre de aprimorar a espécie humana e as condições gerais de vida.

É fundamental para o Brasil o bom preparo para a vida, o que tem sido descuidado por todos os poderes desde a queda do Império. Fundamental é a preservação das áreas de mananciais, rios e mares. Crimes como os de Mariana e Brumadinho são varridos para debaixo do tapete. Por mais de meio século sofremos a sangria dos juros extorsivos e nada se fez. Matamos a indústria e nada foi investigado. Para esperar melhor futuro há que se retornar à disciplina e responsabilidade, à ordem e progresso.

A humanidade se afastou do significado da vida real e vive uma ilusão estruturada por conceitos criados pela mente materialista sem a participação da alma. O corpo necessita de alimentos para a sua sustentação, mas a alma também precisa ser alimentada por nutrientes de natureza espiritual. No emaranhado de desafios do século 21, terá de se manifestar aquilo que a humanidade efetivamente quer. O anseio dos indivíduos deveria partir de seu íntimo, mas há muitas influências externas e ausência de visão clara do significado da vida, isto é, falta o autoconhecimento como espécie humana dotada de livre resolução.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O GRANDE IMPASSE

A economia brasileira vive artificialmente desde os anos 1990. A tentativa de acabar com isso é severa e lenta, pois os estímulos artificiais têm de ser retirados. Com a elevação geral da dívida veio a queda de juros, um fôlego para evitar o desarranjo total. Não é fácil acordar a economia estagnada no mundo globalizado e supercompetitivo. Os empregos e a renda estão caindo. O país exporta commodities, importa tudo pronto e remete dólares. Com isso, a circulação se reduz à importação e comercialização. Devido ao crescimento da dívida, o governo não consegue recircular o dinheiro arrecadado transformando-o em investimentos. Mesmo se hipoteticamente o dinheiro fosse despejado de um helicóptero, logo o estímulo iria para os importados, para o exterior.

A economia mundial está desarrumada com o confronto entre livre mercado e capitalismo de Estado. O Estado não deveria se envolver na atividade econômica, pois não é uma empresa. A questão é: será que a interferência do Estado na economia não fere o princípio do capitalismo de livre mercado? Como competir com empresas que atuam sob o guarda-chuva estatal? Quem sabe a projetada inclusão da população da China no consumo possa dar um ajuste, mas o que o Brasil poderia produzir para os chineses, e que gerasse empregos internos?

O FMI está com foco nas alterações climáticas, mas temos de olhar para todas as coisas. Há décadas tem sido grande a displicência com o saneamento, com o trato do esgoto e do lixo, fruto do mau gerenciamento político e fiscal. Rios deixam de carregar água potável para as populações, mares ficam contaminados, peixes e crustáceos perdem espaço afetando a alimentação. Que tal um projeto fundamental de saneamento para grandes cidades, eliminando o risco de tantas doenças que atingem a todos, principalmente crianças? Quanto ao clima, é de fundamental importância estarmos atentos. As cidades superpovoadas necessitam de áreas arborizadas, que são os naturais filtros verdes de ar.

No mundo de hoje os homens se toleram enquanto julgam que podem tirar proveito uns dos outros. Essa situação se rompe quando cessa o interesse ou algum deles se sinta lesado pelo outro. Basta olhar e veremos muitos casos assim. Mas quando alguém deseja, com seriedade, o bem geral, acaba se tornando alvo dos que têm o rabo preso.

As palavras são um dom; temos de usá-las com todo o cuidado, pois elas têm o poder de influenciar e persuadir. Palavras falsas, astutas, carregam o mal. Palavras displicentes e a falta de tato causam dor e revelam imaturidade. Palavras amigas, ditas com amor e pureza, curam, cicatrizam feridas. Hoje vivenciamos as consequências do mau uso das palavras utilizadas para mentir, enganar e, principalmente, para fazer as pessoas acreditarem no que não é o real significado da vida. Com o saber do real significado da vida, as palavras seriam respeitadas. É preciso estar atento e examinar tudo que nos é empurrado. O palavrório vazio atrai a ruína. Que a fala seja sim ou não.

Em vez de serem direcionadas para a leitura de livros desde cedo, as crianças geralmente recebem de presente um tablet com joguinhos para se distrair. Os pais deveriam ler histórias para os pequenos, levá-los a livrarias e bibliotecas, falar da importância do livro na formação da humanidade.

O dia 15 de outubro é dedicado aos professores – os responsáveis pelo desenvolvimento das novas gerações desde a primeira infância. O que assegura o bom futuro do país e da humanidade é o bom preparo das novas gerações para que adquiram clareza mental, discernimento e consciência de que a melhora das condições gerais de vida depende de cada um de nós. Ensinar e educar estão entre as mais nobres profissões, pois através delas é que se faz a transmissão dos conhecimentos e saberes para um viver condigno e de qualidade.

O grande entrave para o progresso está no homem que pôs de lado a sua essência humana dispondo-se a tudo para sempre obter o máximo ganho. Se o homem não tivesse se submetido ao embrutecimento, outra seria a feição do Estado, pois estaria cumprindo a sua tarefa de dar as condições gerais para a continuada melhora da população local e da humanidade como um todo. Como resolver esse impasse?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

DOGMATISMO ECONÔMICO

Os gurus criaram os dogmas econômicos. Muitos governantes acabaram sendo persuadidos, aceitando as imposições e detonaram a economia interna impedindo o seu natural desenvolvimento. Houve todo um desalinho para chegarmos ao buraco atual com excesso de dívida, num cenário de estagnação ocidental com o novo capitalismo gerido pelo Estado, com a máquina de produzir com custo baixo e acumular reservas. No Brasil, a abusiva política de juros desestabilizou tudo, inviabilizando a produção industrial e exportando empregos. Há uma dívida elevada, embora estejamos com tudo por fazer em todos os setores e, principalmente, na educação e saneamento.

Cada indivíduo sadio de corpo e alma é responsável por sua sobrevivência, o que o fortalece como ser humano. A natureza oferece tudo o que necessitamos para uma sobrevivência condigna, desde que não seja açambarcada pelos mais fortes que cobiçam tudo para si. Para fugir aos conflitos de trabalho, muitas empresas se voltaram para o emprego de mão de obra de menor custo da Ásia. Mas quando um país passa a importar tudo pronto, exporta os empregos gerando desemprego e precarização geral.

A questão não é desglobalizar a economia, mas reequilibrar a produção e o comércio que sob as condições da globalização acabaram sendo transferidos para a Ásia, liderada pela China, tendo a seu favor mão de obra de menor custo, câmbio, incentivos e economia de escala. No Brasil, o câmbio valorizado e os juros elevados desestimularam a produção, gerando desindustrialização. Os atuais juros baixos deveriam ter sido o normal. No passado, houve uma bela montagem espoliativa chamada over night que chegou a pagar taxas de juros astronômicas de até 2% ao dia, tudo recaindo sobre a população. Naquele tempo, a Ásia não tinha assumido o papel da grande fábrica global e ainda se produzia manufaturas no Brasil. Com a taxa de juros, registrada em janeiro de 2016 em 14,25% a.a. sobre a dívida atual em torno de quatro trilhões de reais, o montante dos juros seria de 570 bilhões de reais ao ano. Os juros baixaram, mas a indústria ainda continua derrubada.

O setor rentista age como canibal devorando tudo; semeia com uma mão e recolhe com as duas. Dizer que a transferência da produção para Ásia não implica em perdas é complicado, pois além de produção massiva para exportar coordenada pelo poder central, dos incentivos e mão de obra de baixo custo, há também o aspecto cambial. No Brasil, a valorização do real inviabilizou as exportações de manufaturados. Para restabelecer o equilíbrio é preciso reorganizar o todo. O ocidente apegou-se à finança enfatizando a valorização das ações, o ganho empresarial e a transferência da indústria, exportando empregos. A renda caiu, o consumo acompanhou. O crescimento ficou desequilibrado.

Quando os seres humanos ainda observavam o ritmo natural, havia a preocupação com o tipo de futuro que estava sendo formado. No imediatismo que se instalou pela desenfreada busca de ganhos e acúmulo de capital financeiro, tudo o mais se tornou secundário, a começar pelo próprio ser humano e os recursos da natureza. O emprego de robôs deveria ser favorecedor, mas vão acabar precarizando mais, e máquinas não são consumidoras. O ser humano não é mercadoria nem máquina; há algo em sua essência para ser desenvolvido para impedir sua regressão. As novas gerações estão sendo engessadas desde a primeira infância com a absorção da visão materialista da vida sem consideração nem responsabilidade. O mundo precisa de gerações fortes, aptas e dispostas a beneficiar e embelezar tudo.

Criou-se uma democracia de fachada, subordinada a interesses particulares com concessões às elites corruptas – irresponsável com a contas, displicente com o preparo das novas gerações e com o saneamento das cidades. Nosso país é, ao mesmo tempo, rico em recursos naturais, e miserável em estadistas éticos de valor. O povo confiava nas elites. Quando se tornou evidente a roubalheira e o declínio, a população despertou exigindo mudança de rumos. O discurso do presidente Bolsonaro na ONU foi ousado e corajoso mostrando o mundo vacilante entre governos e elites corruptas, globalistas visando o comando unificado, e capitalismo gerido por Estado forte. No Brasil, pouco se produz, pouco se ensina, as contas não fecham. O que vai acontecer com o país ameaçado pela disputa por riqueza e poder?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7