Posts

DOGMATISMO ECONÔMICO

Os gurus criaram os dogmas econômicos. Muitos governantes acabaram sendo persuadidos, aceitando as imposições e detonaram a economia interna impedindo o seu natural desenvolvimento. Houve todo um desalinho para chegarmos ao buraco atual com excesso de dívida, num cenário de estagnação ocidental com o novo capitalismo gerido pelo Estado, com a máquina de produzir com custo baixo e acumular reservas. No Brasil, a abusiva política de juros desestabilizou tudo, inviabilizando a produção industrial e exportando empregos. Há uma dívida elevada, embora estejamos com tudo por fazer em todos os setores e, principalmente, na educação e saneamento.

Cada indivíduo sadio de corpo e alma é responsável por sua sobrevivência, o que o fortalece como ser humano. A natureza oferece tudo o que necessitamos para uma sobrevivência condigna, desde que não seja açambarcada pelos mais fortes que cobiçam tudo para si. Para fugir aos conflitos de trabalho, muitas empresas se voltaram para o emprego de mão de obra de menor custo da Ásia. Mas quando um país passa a importar tudo pronto, exporta os empregos gerando desemprego e precarização geral.

A questão não é desglobalizar a economia, mas reequilibrar a produção e o comércio que sob as condições da globalização acabaram sendo transferidos para a Ásia, liderada pela China, tendo a seu favor mão de obra de menor custo, câmbio, incentivos e economia de escala. No Brasil, o câmbio valorizado e os juros elevados desestimularam a produção, gerando desindustrialização. Os atuais juros baixos deveriam ter sido o normal. No passado, houve uma bela montagem espoliativa chamada over night que chegou a pagar taxas de juros astronômicas de até 2% ao dia, tudo recaindo sobre a população. Naquele tempo, a Ásia não tinha assumido o papel da grande fábrica global e ainda se produzia manufaturas no Brasil. Com a taxa de juros, registrada em janeiro de 2016 em 14,25% a.a. sobre a dívida atual em torno de quatro trilhões de reais, o montante dos juros seria de 570 bilhões de reais ao ano. Os juros baixaram, mas a indústria ainda continua derrubada.

O setor rentista age como canibal devorando tudo; semeia com uma mão e recolhe com as duas. Dizer que a transferência da produção para Ásia não implica em perdas é complicado, pois além de produção massiva para exportar coordenada pelo poder central, dos incentivos e mão de obra de baixo custo, há também o aspecto cambial. No Brasil, a valorização do real inviabilizou as exportações de manufaturados. Para restabelecer o equilíbrio é preciso reorganizar o todo. O ocidente apegou-se à finança enfatizando a valorização das ações, o ganho empresarial e a transferência da indústria, exportando empregos. A renda caiu, o consumo acompanhou. O crescimento ficou desequilibrado.

Quando os seres humanos ainda observavam o ritmo natural, havia a preocupação com o tipo de futuro que estava sendo formado. No imediatismo que se instalou pela desenfreada busca de ganhos e acúmulo de capital financeiro, tudo o mais se tornou secundário, a começar pelo próprio ser humano e os recursos da natureza. O emprego de robôs deveria ser favorecedor, mas vão acabar precarizando mais, e máquinas não são consumidoras. O ser humano não é mercadoria nem máquina; há algo em sua essência para ser desenvolvido para impedir sua regressão. As novas gerações estão sendo engessadas desde a primeira infância com a absorção da visão materialista da vida sem consideração nem responsabilidade. O mundo precisa de gerações fortes, aptas e dispostas a beneficiar e embelezar tudo.

Criou-se uma democracia de fachada, subordinada a interesses particulares com concessões às elites corruptas – irresponsável com a contas, displicente com o preparo das novas gerações e com o saneamento das cidades. Nosso país é, ao mesmo tempo, rico em recursos naturais, e miserável em estadistas éticos de valor. O povo confiava nas elites. Quando se tornou evidente a roubalheira e o declínio, a população despertou exigindo mudança de rumos. O discurso do presidente Bolsonaro na ONU foi ousado e corajoso mostrando o mundo vacilante entre governos e elites corruptas, globalistas visando o comando unificado, e capitalismo gerido por Estado forte. No Brasil, pouco se produz, pouco se ensina, as contas não fecham. O que vai acontecer com o país ameaçado pela disputa por riqueza e poder?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O MECANISMO

O artigo publicado no site mises.org.br faz uma análise coerente da série original O Mecanismo, exibida pela Netflix. O agigantamento do Estado acoberta muitos interesses particulares. A governança perde a seriedade beneficiando uns em prejuízo de outros, mantendo o atraso do país. A classe política surfa na maré de levar vantagens também buscando auferir proveitos, lançando mãos do jeito que pode. Mas estamos adentrando numa fase em que tudo vem à tona rapidamente, desorganizando os esquemas, estagnando a economia.

Veja um trecho do texto:

O cineasta José Padilha identificou bem a essência de como funciona o Mecanismo, mas, talvez por querer posar de isento, disse que o Mecanismo existe à revelia da ideologia. Errado. Muito pelo contrário: o que possibilita a existência e a robustez do Mecanismo é exatamente a ideologia.

Qual ideologia?
Aquela que defende a concentração de poderes políticos e econômicos nas mãos de quem controla o Estado.

O Mecanismo só existe porque há uma ideologia explícita que o sustenta: a defesa de um estado grande, onipresente, intervencionista, ultrarregulador, que em tudo intervém e de todos cuida.

Enquanto houver, de um lado, um governo grande, com um farto orçamento público repleto de emendas e brechas, sempre haverá, do outro lado, grupos de interesse poderosos e bem organizados que irão se beneficiar deste orçamento público.

E esses grupos terão todo o interesse em fazer com que este orçamento cresça cada vez mais, pois são os beneficiários diretos deste aumento dos gastos.

Um Estado grande sempre acaba se convertendo em um instrumento de redistribuição de riqueza. A riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas).

A crescente concentração de poder nas mãos do Estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.

A elevação avassaladora da carga tributária é a expressão desse Mecanismo. Só é possível enriquecer e manter-se rico quem tem acesso ao grande ‘excedente’ retido nas mãos do estado. A grande massa de tributos arrecadados garante que a riqueza de cada um dependa da boa vontade da burocracia e da “vontade política”.

Consequentemente, todos querem ter um “negócio” com o Estado. Tudo depende do Estado e é por ele intermediado. Nada fora do Estado – é essa a lógica do Mecanismo.

Enquanto a ideologia dominante no Brasil for a da defesa de um Estado agigantado e onipresente, o Mecanismo permanecerá robusto. Quem defende Estado grande e intervencionista defende o Mecanismo.

No artigo (leia a íntegra https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2871) são elencados os cinco grupos que integram o Mecanismo. Entenda como ele funciona e veja o que fazer para abolir o Estado gigante.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

BRASIL ARRUINADO, MAS COBIÇADO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Presenciamos a grande crise global do Estado. Não dá mais para ficar do jeito que está, com as nações caindo nas mãos de oligarcas ou de populistas, sem que desempenhem sua função corretamente. Há também a crise econômico-financeira e do comércio global. No Brasil uma grande quantidade de estabelecimentos comerciais fecharam as portas, acabando com mais de 400 mil empregos. Trata-se de problema de grave desequilíbrio que exige um olhar sério das autoridades que controlam o comércio global.

Vivemos a época da democracia que se alimenta de doações empresariais, recaindo a escolha geralmente sobre quem recebe mais, o que gera um obscuro balcão de negócios com os bens públicos para atender interesses particulares em vez do progresso do país. Como resolver isso? No passado, o presidente norte-americano Abraham Lincoln recebeu alguma doação para se eleger?

Também no Brasil evidencia-se a crise do Estado que foi inchando e perdeu o rumo. Há muito dispêndio para poucos resultados. Mas, com a queda na atividade econômica e na arrecadação, tudo isso vai aparecendo, e mesmo assim os aproveitadores não querem largar os privilégios. Com o poder, buscam fortalecer ainda mais a sua posição. Parece que não se trata mais de confronto de ideologias, mas de luta pelo poder e riqueza travada por homens que só pensam em seus interesses particulares.

Temos um país com as contas arrebentadas, que descuidou da indústria e do preparo das novas gerações e mesmo assim é cobiçado, havendo muitos postulantes ao posto de candidato à presidência da república. Mas o que esses políticos dizem sobre o futuro? Nada. Promessas vãs de austeridade sem propostas claras quanto ao futuro, populismo oportunista buscando o poder, pouca praticidade.

O Brasil sofre há décadas com a gestão desastrada, que se iludiu com uma abundância fictícia. Prefeitos, governadores, legisladores, judiciário, todos gastando como as cigarras, acima do que arrecadam em obras duvidosas. Quem são os responsáveis pelo descalabro nas contas públicas? O mau aproveitamento da riqueza para o desenvolvimento do país é, em grande parte, uma questão de educação e preparo para a vida, com a classe política visando vantagens pessoais e a população sendo induzida e agindo de forma acomodada, sem propósitos mais nobres.

O governo tem demonstrado que é mau empresário, e tudo na mão dele acaba custando mais e gerando perdas. Privatizações são impostas, mas é lamentável quando isso acontece depois do irresponsável acúmulo de dívida que não trouxe nenhuma melhora importante para o país e sua população. Perdem-se ativos, mas a dívida permanece; quem explica essa situação? “O petróleo é nosso”, dizia o povo, mas poucos benefícios recebemos dessa riqueza, uma vez que os beneficiados são sempre os mesmos: os donos do poder. Privatizar tudo criando uma taxa permanente para as empresas não seria a alternativa?

O Estado deveria ser o criador das oportunidades para o crescimento econômico e o aumento da produtividade. Mas, com a sintonização egoística dos humanos, caímos nas várias armadilhas criadas para manter os povos no subdesenvolvimento. Faltaram estadistas sérios e competentes. Incharam e emperraram a máquina, e agora ela está estagnando. Governos ineficientes, mal-intencionados, contaminados. Em tudo prevalece a falta da verdade. Como resolver esse problema diante da crise global de finanças, poder e comércio? E além de tudo, enfrentamos o apagão mental, o imobilismo do Estado com seu modelo retrógrado contaminando as empresas.

Em tudo se percebe a crítica situação do Estado, prevalecendo os conchavos e interesses de grupos que decidem como melhor lhes aprouver. Prevalece a bandeira do dinheiro acima dos interesses da humanidade. Vale tudo: drogas, prostituição, mercenários. Enquanto isso, a educação vai declinando e descaracterizando a essência humana.

Além de melhor preparo dos professores, há de se preparar também os genitores do presente e do futuro. Do jeito como andam as coisas, com a irresponsabilidade no ato de geração de filhos, a situação regredirá. Precisamos combater o apagão mental e moral apresentando modelos enobrecedores. As novas gerações precisam desenvolver os seus talentos para que estejam aptas e capacitadas para construir um Brasil melhor. Sem a promoção desse desenvolvimento, não poderá haver futuro de melhor qualidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

TEMPO DAS VACAS PELE E OSSO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

A situação vai apertando. Lidar com dinheiro e planejamento financeiro exige responsabilidade e bom senso. Aqueles que nadam no dinheiro fácil, sem um objetivo definido, logo acabam afogando a empresa na falência e o país, na crise fiscal. Sabedoria e alegria deveriam ser as motivações da população. Saber sobre várias coisas e suas causas. Alegria de cumprir tarefas e perceber os avanços que ocorrem. O Brasil vive sob o efeito da revolta e do ódio porque tudo poderia ter sido bem melhor se não houvesse tantos aproveitadores e exploradores.

Até ao ano 2000 as circunstâncias foram difíceis. O PT se aproveitou disso e de novo tem a chance de apontar culpados pela miséria reinante na vergonhosa ampliação de moradias precárias e assumir o poder. Os gestores primaram pelo Estado perdulário e ineficiente, e agarram-se aos privilégios do poder. Durante décadas vivemos a fase das vacas magras, mas parece que agora é o tempo das vacas pele e osso. Como chegamos a uma situação tão crítica? Falta de seriedade e responsabilidade.

O que se esperava do Estado e de seus governantes? O inchaço foi tomando conta com muitos dispêndios e poucos resultados, e hoje a economia não consegue andar. É preciso que os governantes retornem aos seus deveres naturais, mas por serem apaniguados e mandarins, tudo fazem para a situação ficar como está e assim se beneficiarem do conluio espúrio com empresas e interesses inidôneos. Mal-acostumados, os gestores públicos foram abrindo buracos nas contas que ficavam camuflados com o crescimento da arrecadação e nada mudava na gestão perdulária.

Financiamentos para empresas que nada produziram e deram calote. A interferência e dirigismo dos gestores do Estado na economia têm acobertado lideranças pouco empenhadas no progresso do país e sua população, causando atrasos em duas direções: na estagnação econômica e no preparo das novas gerações. Os empresários sérios também ficaram desanimados e os astutos fizeram dobradinha com o poder. Com a chegada dos populistas, soou o alarme e a desestruturação recrudesceu.

Estamos no impasse de um país imaturo que está sem rumo claro. Precisamos de lideranças políticas e empresariais que tenham o propósito de tirar o Brasil do atraso. A desfaçatez tem sido a regra, desacreditando o Estado em sua responsabilidade como, por exemplo, deixando o manuseio do lixo sem solução por décadas, perpetuando os indecorosos lixões. A ineficiência do setor público é agravada com a má fé. Que tipos de pessoas estão nas Câmaras e Assembléias Legislativas? Que tipos de estadistas estão no poder?

O drama de muitos governos, inclusive o brasileiro, é o desvio do dinheiro daquilo que poderia contribuir para a melhora, quando não utilizado para a rolagem da dívida. Gastos elevados com legislativo e judiciário em todo o país. Assim vamos ficando sem saída. Nos anos 1980 ainda havia empresariado e classe política mais consciente, o que foi sendo perdido; além disso, não houve empenho para fortalecer o desenvolvimento dos talentos da população, e uma nação sem talentos está fadada ao declínio.

Com o explosivo crescimento da dívida, ficou evidente a falta de governança sadia. Como reanimar a atividade se a renda se reduz e os custos aumentam; se os importados têm preços inferiores, falta seriedade na gestão do dinheiro público e há especulação desenfreada? Embora tudo seja ruim, pior seria seguir as pegadas da Venezuela onde o Estado se desmancha.

O planeta foi confiado aos seres humanos para se desenvolverem e evoluírem. Desviados de sua finalidade, enveredaram por caminhos obscuros, transformando a Terra num lugar perigoso. A evolução ficou travada, a miséria cresceu, sufocaram a essência espiritual. Inquietas, as pessoas vivem brigando entre si e logo estarão em guerra sem terem se esforçado para entender o sentido da vida à luz da verdade.

Mas a farra acabou; evidencia-se a crise do Estado e os desequilíbrios nas finanças e no comércio global. Como o Brasil poderá se autogovernar com a preocupante projeção de aumento da dívida? O que vai resultar do acúmulo de déficits continuados? Como ativar a economia para criação de empregos e melhoria da renda sem que isso acarrete aumento do déficit comercial? Em 2018 teremos eleições; qual será o programa dos candidatos? Precisamos de governos sérios e fortes, com amor ao país, com capacidade para barrar os interesses escusos e promover o desenvolvimento efetivo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

CAPITALISMO DE ESTADO MAFIOSO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Neste mundo tumultuado por interesses conflitantes, o poder financeiro no livre mercado confronta-se com o poder financeiro do capitalismo de Estado. Nesse meio muitas coisas estão mudando, mas se no livre mercado a liberdade é restrita, no capitalismo de Estado só há deveres, não há liberdade nem direitos com o Estado comandado pelos donos do poder que podem tudo. Pairam incertezas quanto ao futuro.

No Brasil, a tendência é para o capitalismo de Estado mafioso, dominado pela corrupção e acordos espúrios com o dinheiro público. Governo e atividade econômica não deveriam se imiscuir, pois só promovem a corrupção para benefício de poucos e miséria para o restante da população. Os estadistas brasileiros não se dedicaram seriamente ao bem do país. O Brasil estaria em outra situação, mais desenvolvido e com humanidade se tivesse sido administrado por governantes sérios e competentes empenhados na conquista do progresso real. Mas isso se deve, também e infelizmente, pelo despreparo dos cidadãos brasileiros.

Estamos atravessando uma lamentável situação. Qual a saída? Os Congressistas aprovarão eleição direta e irão perder a oportunidade de escolher o presidente ao seu feitio? Mas se for aprovada, quem seriam os candidatos? Os pais da Pátria no Congresso deveriam pensar no bem do Brasil carcomido pela corrupção e bloquear de vez a possibilidade de o país cair no Capitalismo de Estado Mafioso, sem liberdade nem direitos, em que só há negociatas para os membros da quadrilha enquanto a desigualdade social vai levando o país para a ingovernabilidade, acabando de vez com as aspirações das famílias que lutam por um Brasil melhor.

O partido dos cidadãos deve ser o do Brasil. Raramente os gestores públicos se preocuparam com o equilíbrio das contas internas e externas, boa educação das novas gerações e preservação da natureza. As transas corruptas vão de juros, swaps cambiais, benefícios especiais, obras superfaturadas, privatizações pouco idôneas que se de um lado devem ser feitas, de outro requerem um rígido controle da lisura na transferência dos patrimônios públicos.

O Brasil não pode continuar como uma nave sem rumo. Enquanto permanecer a bandalheira, continuará decaindo. Precisamos de reações coerentes e inspiradoras, que removam o lixo e interrompa a decadência, de nada adianta a destruição provocada por bandos de mascarados.

A jornalista Sarah Chayes faz em seu livro Ladrões do Estado um levantamento dos estragos causados pela corrupção, que segundo ela se agravaram muito com o fortalecimento do individualismo, que coloca o ganho como a prioridade da vida, e devido às oportunidades criadas com a abertura da globalização que acabou expatriando o dinheiro que antes ficava mais circunscrito aos limites dos territórios dos Estados. A displicência financeira foi tal que acabou contribuindo para as crises de 2007 e 2008. Lideranças corruptas assumem o poder e vão cavando um abismo nas finanças, abocanhando toda a riqueza.

A humanidade perdeu o rumo. São considerados bons os países que acumularam reservas em dólares e, errados, os endividados, com exceção dos EUA que produzem dólares. Trata-se de uma medida do progresso distante da verdadeira evolução, da paz, com o aprimoramento da qualidade humana. A degradação do Rio de Janeiro é outro reflexo da decadência geral da humanidade que tem agido com displicência a respeito do significado da própria vida, pois sua tarefa é buscar a compreensão da lógica que reside na Criação e suas leis e, amparada nelas, agir de forma construtiva.

Está faltando o olhar com profundidade para o desenvolvimento cerebral e moral dos jovens cada vez mais direcionados para a aceleração do pensamento, sem reflexão, sem metas, sem uma visão da dimensão humana nesta fase de acelerados avanços tecnológicos. O homem não é máquina e suas capacitações humanas precisam ser despertadas desde cedo, tem de aprender que é responsável pela qualidade do futuro. Que o Brasil possa se tornar de fato uma pátria iluminada de paz, progresso e felicidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A RECESSÃO TEM DE SER REVERTIDA

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Lamentavelmente o desenvolvimento do Brasil vem sendo detonado e não é de hoje. Começou nas áreas de educação, saúde e dependência financeira. Avançou pelo consumo de drogas, alcoolismo, e outros vícios que enfraquecem as novas gerações no período áureo da adolescência, comprometendo o futuro. A indústria também tem sido prejudicada pelos efeitos negativos desde os empreendimentos pioneiros de Mauá. Há muitas coisas para serem modificadas para que o país possa ter um futuro melhor. Seriedade e responsabilidade são indispensáveis.

Atraso e corrupção estão presentes em quase tudo que é feito. A destruição ocorre por todas as regiões, ao lado do aumento da ignorância. Esta parte do continente americano vai consolidando a decadência como normal, mas isso está errado, pois o certo seria a evolução humana. Uma civilização evoluída não teria esse descaramento para obter lucros com o mínimo esforço e falta de respeito pelas demais espécies. O descaso se amplia e as pessoas também vão sendo coisificadas.

Vem de longa data a cultura de “Zé Carioca” personagem fictício criado pelos estúdios Walt Disney no começo da década de 1940 como o típico malandro, sempre escapando com o “jeitinho” astucioso. Basta observar os humoristas, sempre insinuando a malandragem como forma de sobreviver no país que tardou em promulgar a lei áurea, e quando o fez, não teve a competência de elaborar de um plano geral de integração. No Brasil os “gatos grandes” não se incomodam com os “ratos pequenos”, e quem pode mete a mão sem preconceitos nos cofres do Estado recheados com o dinheiro recolhido da população. Faltam seriedade e bons exemplos.

O grande problema não está na economia, mas nos homens. Para que nasce o ser humano? Através da existência terrena o espírito tem a oportunidade de se fortalecer e evoluir, e dar a sua contribuição para a elevação das condições existentes na Terra no sentido do embelezamento e enobrecimento.

A economia brasileira está recessiva há três anos. Isso precisa ser revertido, pois se continuar assim corremos o risco de regredir ao estágio de produtor de commodities. No entanto, entre 2016 e 2017 terá ocorrido uma sobrecarga de juros de aproximadamente R$ 1 trilhão sobre a dívida. Isso vai pesar como ocorreu nos anos 1980 em que o Estado ficou amarrado, sem condições de dar estímulos para investimentos em infraestrutura, pois o setor privado não tem conseguido dar impulso, enquanto os gastos governamentais sempre apresentam vícios sem atentar para o que seja essencial e prioritário.

A complexa estruturação dos Estados foge da naturalidade das leis da Criação. O Estado deveria se pautar pelo equilíbrio nas contas internas e externas. Governos desatentos deixaram a situação rolar com juros compostos. Estatísticas revelam que a dívida pública global alcançou o nível de 325% do PIB mundial, correspondendo a US$ 215 trilhões. Juros, câmbio e déficits formam o tripé que promove riqueza para uns e dívidas para muitos.

O mundo vive um delicado momento. A corrupção e o barbarismo estão se esparramando e se fazem notar em acontecimentos trágicos e tristes em várias partes do mundo, testemunhando o embrutecimento do ser humano afastado da espiritualidade. Além disso, ocorrem as catástrofes da natureza, querendo transmitir a mensagem de que a humanidade abusou do tempo e da responsabilidade, e não se esforçou para construir um mundo efetivamente humano, livre das misérias e sofrimentos.

Com relação às incertezas do futuro do mercado de trabalho, Martin Boehm, reitor da IE Business Schooll, falou sobre a predominância do ensino teórico em prejuízo do foco nos comportamentos mentais. “O melhor é ensinar os alunos a serem essencialmente humanos e a terem uma visão holística do mundo.” Atualmente, com o modo de vida vazia de sentido, muitos seres humanos parecem estar perdidos, sem foco, sem visão da vida real. No passado, as pessoas, apesar de pouca escolaridade, tinham contato com a vida real e sua sabedoria, pois com a faculdade de ouvir a própria intuição, tinham clareza e agiam com bom senso. Os seres humanos têm de se esforçar para recuperar a consciência própria para despertarem novamente para a vida e não serem apenas simples teleguiados.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7