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O DESCONTROLE DAS CONTAS

Com a globalização, muitos estudos foram postos de lado e a economia foi sendo desumanizada, pois o foco se voltou para o poder financeiro. A economia, como tudo mais, teria um desenvolvimento correto se a humanidade se pautasse observando o funcionamento das leis naturais da Criação. Desse modo, as incoerências não surgiriam de forma tão avassaladora.

O descontrole das contas públicas é a prova da incompetência dos gestores públicos e seus assessores. Enquanto os políticos ficam guerreando uns com os outros pelo poder, o mercado financeiro conhece bem os pontos fracos por onde sempre soube tirar vantagens, mas o resultado está nas contas, no déficit fiscal, na dificuldade em fazer um planejamento numa dívida crescente que tem de ser renovada em 25% a cada ano e com juros que vão aumentando. É a falência da administração pública do ocidente.

O Brasil apresenta uma visão de atraso geral, provavelmente em consequência de o mundo desenvolvido, incluindo a China, ainda ver o nosso país como a velha colônia doadora e mal administrada por políticos corruptos que cedem tudo em benefício próprio. Paira uma névoa de tristeza e falta de ânimo, herança do passado colonial e que acabou sendo fortalecida pela ausência de oportunidades e uma pressão para manter a indolência sem iniciativa e autoconfiança, revelando a grande incompreensão sobre o significado da vida, pois a vida, muitas vezes, é obscuramente entendida como “um vale de lágrimas”, ou seja, para sofrer penúrias e misérias.

Há uma estrutura perversa permeando a economia. No topo estão os graúdos, os que mandam. Abaixo deles, os que ficam rodeando, bajulando e tirando proveito; muito astutos, sabotam os que estão abaixo. Em seguida, a classe média, sob risco de extinção devido à destruição de empregos de melhor nível, que sem conseguir reagir, lamenta-se sem saber o que fazer. Por fim as classes com vida mais apertada, ajudantes na área de comércio e serviços, e informais, com poucas perspectivas, sujeitos ao processo de precarização em andamento.

O trabalho se apresenta muito dividido, com tarefas monótonas e repetitivas; no entanto, todo trabalho traz proveito espiritual, dependendo da forma como o executamos: se como robôs, ou como seres humanos despertos. Seja na área de serviços, comércio ou indústria, é preciso estar sempre atento ao que fazemos, pondo a intuição em movimento, buscando a melhora.

A população vai ficando confusa, pois não sabe que rumo o país está seguindo. Falta união de esforços na busca de metas factíveis que nos tirem da situação de atraso, pois estamos produzindo cada vez menos e importando cada vez mais, o que vai se agravando por um processo de entorpecimento que emperra vários setores do país, pondo o futuro em risco de declínio geral.

O lazer é importante, mas as horas de folga não podem ser desperdiçadas inutilmente pelas pessoas que têm de se esforçar, estudar, dedicar um tempo para as leituras, a fim de aprender continuamente, para se sentirem úteis, construtoras e beneficiadoras da vida. A população precisa ter confiança de que os líderes encaram com seriedade a sua tarefa de administrar o Estado para o progresso e o bem geral, com ordem e oportunidades para todos que se esforçam na direção do aprimoramento humano.

Os noticiários nos dão conta de muitas mortes, e quando morre uma pessoa famosa, o burburinho é intenso. Num mundo envolvido pelas densas nevoas da ignorância, poucas pessoas ainda olham para as estrelas no céu, e percebem a pequenez do ser humano diante da grandiosidade do universo e do real significado da vida. É preciso redescobrir a essência da alma; o que é da terra fica, mas a alma prossegue a sua jornada.

Os seres humanos têm sido displicentes com a vida, desperdiçando o precioso tempo concedido, mas não podem perder o ânimo, pois a vida é a grande oportunidade concedida para evoluir de forma construtiva e beneficiadora, utilizando plenamente para o bem todas as capacitações com que foram dotados, seguindo em frente com coragem e confiança no bem.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

CRESCIMENTO ECONÔMICO

A economia de uma nação tem de acompanhar o crescimento da população e buscar a melhoria das condições gerais de vida. O aumento do PIB pode se dar com o aumento da extração de minérios do solo para exportação, mas não assegura que haverá melhor qualidade de vida. Estão crescendo, pelo mundo, os aglomerados de moradias precárias tipo favela. Faltam gestores públicos e empresários responsáveis, pois cuidam primeiro de atender aos objetivos pessoais.

A economia mundial já apresentava fissuras; a pandemia as tornou evidentes e as ampliou. A precarização avança desde a classe média, afetando drasticamente a população. É indispensável a união de todos os segmentos para o bem do Brasil e do aprimoramento da humanidade. A queda na produção e empregos não pode ser recuperada de repente, pois o auxílio temporário pode reduzir o risco do caos social, mas o correto é que haja trabalho, produção, renda, para que as pessoas sejam reativas, contribuindo para o bem geral e para não ter a sensação de estar vivendo de esmolas.

“O presidente Jair Bolsonaro tem 60 milhões de votos e quer atender caminhoneiros e 17 milhões de frágeis com um repasse de R$ 400, e esse quadro tem de estar presente nas decisões”, explicou o ministro Paulo Guedes, ressaltando que os secretários que deixaram a equipe econômica queriam que o auxílio ficasse em R$ 300, mas a ala política queria atender aos mais necessitados. “Entendemos os dois lados, mas não vamos ‘tirar 10’ em política fiscal e zero em política social. Preferimos tirar ‘8’ em fiscal, em vez de ‘10’, e atender aos mais frágeis.”, justificou o ministro.

Há grupos que querem vencer a eleição, custe o que custar, inclusive interferindo na livre decisão dos eleitores, e isso não é só no Brasil. E depois farão como sempre, uma administração voltada para os interesses particulares, deixando de lado o que é essencial. No Brasil, os problemas são imensos. Os votos têm sido mal-empregados há décadas. Vejam em que situação o país ficou. Para que tantos deputados, senadores, vereadores? Eles têm mais atrapalhado que ajudado o país. Grupos econômico-financeiros se instalam na nação e os seus objetivos passam a ser os da nação inteira que perde a autonomia e descuida do próprio futuro, deixando a precarização avançar.

Soma-se a isso outro problema: grande parte do atual ambiente inóspito para a vida está na destruição da cobertura florestal, na derrubada das árvores. Grandes cidades arrasaram suas áreas verdes. Prefeitos, governadores e o legislativo jamais se preocuparam com a preservação dessas áreas nas cidades, nas vilas, nas favelas. Fortaleza, capital do Ceará, é uma cidade quente, mas nas proximidades da reserva do Cocó a temperatura é mais amena, há mais vida, a cidade fica mais humana e equilibrada.

A economia brasileira foi baseada no sistema produtivo de monocultura exportadora e escravocrata, fornecedor de riquezas para as metrópoles, sem alvos próprios, sem criar renda interna. O agronegócio e a produção de alimentos são muito importantes, mas precisamos diversificar para gerar empregos e renda, e impedir que voltemos ao passado.

Alicerçar a atividade produtiva na economia globalizada cria riscos; nada é seguro, os investimentos são elevados, mas de repente tudo pode cair. Basta um simples embargo aos produtos voltados para a exportação. A motivação dos líderes está na maximização do ganho e do poder; quem pode mais, chora menos. Cada nação deveria ter a autossuficiência como meta e planejar trocas comerciais equilibradas.

A humanidade se deixou afastar de sua essência, passando a servir aos interesses daqueles que detêm o poder e que nem sempre são os da nação. Só o bom preparo das novas gerações poderá assegurar futuro melhor. A livre decisão é como escolher qual entroncamento ferroviário seguir. Uma vez feita a escolha, a vida vai na direção que pode ser boa ou não. Se houver uma parada intermediária, será possível fazer uma nova escolha. Há entroncamentos que levam para regiões agradáveis, que fazem bem para a evolução, e há os que levam para regiões ásperas e decadentes. Os indivíduos, os povos, a humanidade, têm a liberdade de escolher, mas terão de chegar ao destino escolhido.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

CONSEQUÊNCIAS DA ECONOMIA DESEQUILIBRADA

Onde encontrar democracia que funciona bem? O problema não está na democracia, mas nos seres humanos, que como em qualquer outro sistema de governo se deixam levar pela mania de grandeza, um mal que pode grudar em qualquer pessoa, seja militar, militar reformado, professores, economistas etc. Hoje isso é dominante. É lamentável a situação geral da humanidade que após tantos milênios para evoluir acabou decaindo no nível abaixo das tribos antigas que só conheciam a natureza; hoje nem isso é conhecido, o que resulta em ignorância maior ainda, pois conhecer a natureza e suas leis já é um avanço que deveria conduzir ao reconhecimento das leis que regem a vida.

No passado, a economia se baseava na produção de bens essenciais, trabalho e consumo. O comércio expandiu e, com isso, surgiu a necessidade de um meio para facilitar as trocas diretas. Uma das alternativas foi utilizar o ouro que deu origem ao banco, que por sua vez deu origem ao papel que valia ouro. Enfim, surgiu o dinheiro em papel que se distanciou da finalidade de produzir bens essenciais, passando o “dinheiro fazer dinheiro”. Fazendo uma analogia, a situação poderia ser comparada com um edifício, com alicerce frágil e cuja construção continua subindo, ficando a cargo da engenharia financeira fazer remendos. Muitas pessoas continuam comprando ativos financeiros na esperança de vender por mais e obter ganho, mas poucos estão conseguindo. Para evitar acidentes, os engenheiros não podem interromper o reforço. Pergunta-se: com isso, a situação não vai ficando mais complicada?

Causa estranheza a forma displicente com que autoridades governamentais de vários países deixaram crescer o passivo. Qualquer administrador sabe que a constituição irresponsável de um passivo financeiro poderá levar o país à ruína. Os países retardatários da periferia não dispunham de acumulação de capitais. Por isso, deveriam programar as suas contas e o desenvolvimento de tal forma que não cavassem um abismo para as suas populações nem caíssem na grande armadilha da dívida.

Quando muito dinheiro é emitido surge a inflação e o dinheiro perde poder de compra pela falta de produção. Quando se combate a inflação, a produção se retrai. Ou seja, há um desequilíbrio geral na economia. O BCA Research, instituto de pesquisas de investimentos, explica a desaceleração da China devido à queda da demanda. A paralisação imposta pela pandemia levou à perda de renda e mudança no estilo de vida. Caiu a renda das famílias, os supérfluos foram postos de lado e o consumo se concentrou em alimentos e remédios, o que acabou afetando a China como o grande fornecedor, e seus satélites asiáticos. Em decorrência, cai o consumo de matérias primas. Quanto maior a dependência dos países a esse ciclo, maior será o efeito sobre a economia. O Brasil tem de estar atento à produção agrícola, exportação, consumo interno, e saber aproveitar e produzir mais manufatura, reduzindo a dependência externa.

Como resolver a questão da sobrevivência condigna? Era previsível que o surgimento de grandes grupos de pessoas refugiadas das condições hostis de vida iria acabar acontecendo no planeta inteiro. Essa população não pode viver de esmolas de forma passiva; precisa de atividades e atendimento das necessidades. O sistema econômico tradicional não apresenta soluções com trabalho, renda, consumo. Com tantos pesquisadores, há que se encontrar solução que permita a essas pessoas conseguir trabalho e aprendizado, pondo em prática o próprio esforço, sem cair no imobilismo do comunismo.

As novas gerações representam o futuro do planeta. Homens e mulheres têm de ser responsáveis ao gerar filhos, dando-lhes cuidados e preparo para a vida. Os modelos que são dados às crianças são muito importantes. Desde cedo elas estão sendo expostas ao que de pior o homem é capaz de fazer. Reúnam-se com as crianças, conversem com elas, estabeleçam vínculos de amizade e confiança, mostrem que o real significado da vida é a evolução espiritual e material.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

DESINDUSTRIALIZAÇÃO E ATRASO

Para dar impulso ao desenvolvimento, o governo militar tomou empréstimos externos. O petróleo subiu, nos anos 1980 os juros foram a mais de 20% aa. O dólar custava caro. O Brasil produzia e exportava, pois o dólar era favorável, e o governo comprava os dólares para pagar a dívida e emitia dinheiro para isso. A mercadoria ia embora; o dólar também, restando o dinheiro brasileiro que se multiplicava e, com isso, veio a superinflação. Houve o confisco bancário, a abertura e por fim o congelamento do preço do dólar sustentado com juros altos.

Os importados ficaram baratos, as importações fechavam fábricas e reduziam empregos. A dívida aumentou e caímos no atraso tecnológico e geral. É bom que o agronegócio tenha avançado, produzindo alimentos, mas não devemos nos conformar com possível retorno à condição de colônia exortadora de produtos in natura. Como sair dessa situação e não ficar para trás na tecnologia?

O câmbio tem exercido forte impacto na produção e exportação; em países como Japão, Índia e China, o câmbio desvalorizado em relação ao dólar lhes assegurou vantagem competitiva para exportação, pagando os custos internos com a própria moeda e recebendo as exportações em dólares. Dessa forma conseguiram acumular reservas e desenvolver a tecnologia, o oposto do que ocorreu no Brasil.

Nos últimos cinquenta anos o dinheiro se consolidou como a mola propulsora, mas a maturidade dos seres humanos ficou estagnada, e toda a economia entrou em desequilíbrio. Agora a circulação do dinheiro ficou travada gerando abalos. Um cenário de difícil solução. Os governantes eleitos periodicamente sofrem a interferência do legislativo, judiciário e da máquina permanente. Os Bancos Centrais não podem ficar reféns da politicagem, mas também deveriam ajudar na recuperação da economia, contribuindo para que se produza mais, gerando mais empregos, renda, consumo, bom preparo da população, sempre visando a melhora das condições gerais de vida, algo tão importante como cuidar da moeda.

Cada país com sua moeda, mas o dólar se tornou o padrão. A administração da produção e circulação do dinheiro requer um princípio de equilíbrio para assegurar boas condições de vida, mas as manobras econômico-financeiras para sugar o dinheiro se tornaram dominantes na produção, distribuição e finanças, acarretando superconcentração da riqueza.

Qual é o significado de a empresa Tesla ter aplicado 1,5 bilhão de dólares em bitcoin? Ampliam-se os negócios financeiros, mas a produção industrial cresce pouco. Até onde vai a criação de dinheiro e juros zero? A desinflação, promovida pela máquina de produção asiática, requer análise ampla das consequências. Os preços baixam, mas a produção se concentra, enquanto em outras regiões diminuem os empregos.

Com a globalização, as empresas passaram a buscar regiões mais convenientes do ponto de vista dos custos da mão de obra e outros. Recentemente, a Ford comunicou que deixaria de produzir veículos no Brasil. Essa é uma questão que deveria ser tratada com equilíbrio e bom senso entre empresas, empregados e governos, mas com as crises, o que estamos assistindo é uma forte tendência para a precarização geral.

A covid sanitária revelou a covid econômica, ambas refletem a covid espiritual anterior a elas, mas ainda não reconhecida plenamente pela humanidade. As novas gerações sabem que lhes falta preparo para a vida, porque foram induzidas ao comodismo, o que lhes aumenta o desencanto com a vida barrando a esperança e a força de vontade para alcançar melhoras gerais, pois de todos os lados só veem miséria e decadência, e raramente lhes é dado ver propósitos enobrecedores na espécie humana.

A displicência da classe política para melhorar o futuro, a falta de bom preparo das novas gerações e a cobiça por ganhos financeiros têm levado o mundo aos limites críticos. Em vez de ser aprimorada pelos seres humanos a democracia permaneceu estagnada e vem decaindo. Neste tempo de pandemia muitas pessoas estão percebendo a vacuidade existente em muitas coisas. Aumentam as notícias impactantes, as fakenews e falsas verdades criadas por mentes perturbadas. Está faltando um voluntariado geral para fortalecermos o humano na nossa civilização. É indispensável, para isso, a participação dos cientistas, artistas e jornalistas para examinar o mundo que estamos forjando para o futuro. Sem defendermos os valores que contribuem para o aprimoramento humano, a melhora será inviável.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

PANDEMIA E GLOBALIZAÇÃO

A cultura do país não é boa, pois prevalecem os exemplos dos maiorais que sempre buscam vantagens pessoais, em vez de servir a pátria e sua população. As novas gerações estão arcando com o apagão mental e a desesperança num país superendividado e atrasado. O Brasil já vinha perdendo terreno no bom preparo dos jovens. Com a desindustrialização, muito da habilidade técnica foi perdida e não acompanhou as inovações.

A paralisação determinada pela Covid ampliou a indolência humana. A escola já era fraca, cheia de teorias e pouco desenvolvimento do bom senso e raciocínio lúcido. O descuido na geração e preparo dos filhos para a vida está formando uma geração fraca para os desafios da vida, inclusive para o fortalecimento da nação. O país se fragiliza dando facilidades para aqueles que querem tirar proveito das riquezas Brasil.

Está difícil entender o que está se passando no mundo e conhecer a real situação. A questão complicada das comunicações é o estilo tendencioso, ditado por interesses não explicitados. Um pouco de besteirol desvia a raiva daqueles que ficam aborrecidos com a forma como as comunicações são feitas, muitas delas levando tudo para os baixios da desestruturação geral do país e do mundo.

As pessoas comuns não conseguem imaginar como agem os déspotas no poder que atuam como se o Estado fosse deles. A economia mundial se tornou uma arena de gladiadores dispostos a tudo para assegurar ganhos e dominação. São tantas artimanhas que requerem muita atenção para que o país não seja entregue aos usurpadores. Jogadores globais sempre buscam usar o cabresto da corrupção para dobrar governantes e suas equipes a serem dóceis com relação aos interesses dos poderosos.

Mais uma vez se repetiu a hora de votar, de escolher os zeladores das cidades do Brasil. Quem eram esses candidatos? O que queriam? O que já fizeram pelo Brasil, pela cidade e sua população? Perguntas deixadas ao vento na nebulosa campanha do horário gratuito da TV, onde predominaram promessas irrealizáveis, futilidades e fofocas, tudo para tomar o voto dos incautos que compram coisas por impulso para se arrependerem tarde demais. Tiraram a máscara e mostraram descaradamente a sua hipocrisia e vileza para atender à própria cobiça.

Os falsos estadistas se julgam donos do Estado, a sua falsidade é incrível, e as pessoas não acreditam que uma pessoa possa mentir tanto. Durante séculos a ordem era capitalismo de livre mercado. Surgiu o capitalismo de estado, que se aproveita da globalização e do livre mercado com outros modos de produção através da coordenação centralizada, sem que tivessem sido estabelecidas as regras desse entrosamento, resultando no fechamento de muitas fábricas e postos de trabalho. O desemprego continua aumentando. Quando examinarão as causas? Como recolocar as pessoas em trabalho remunerado?

O cenário é de desolação. As pessoas querem trabalhar, mas não encontram empregos. Querem ir ao shopping, mas há riscos. Querem vender coisas, mas não há compradores. Aflitas, as pessoas querem uma vida normal, mas isso requer a volta à naturalidade.

Durante o evento Cidadão Global 2020, a economista Esther Duflo disse que “a pandemia mostrou como é perigoso ter uma cadeia de distribuição que depende de um único lugar. Precisa haver um esforço para distribuí-la mais. Esta é uma oportunidade para países, como o Brasil, que têm força de trabalho e investimento e estão só esperando seu momento”.

As massas estão confusas, envolvidas por um sentimento de frustração diante das crescentes dificuldades e da enxurrada de informações contraditórias. Estamos enfrentando um grande declínio que traz a marca da crise econômica com seus efeitos que a tudo atinge. Uma crise civilizatória avança pelo mundo, nitidamente visível no Brasil devido à falta de adequado preparo para a vida, que se agrava com a falta de responsabilidade de homens e mulheres na geração e preparo dos filhos.

A decadência está penetrando também pela falsa cultura, uso de drogas, intelectuais que insistem em justificar a destruição, artistas que defendem uma vida desregrada e promíscua, desvalorizando a mulher, a mãe, e que zombam da beleza genuína. Nesta Terra desolada e cercada de asperezas, uma sensação de tristeza invade os corações. Falta um sentido elevado e a espontânea alegria de viver. É preciso despertar a alma entorpecida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

VAI FALTAR COMIDA?

Em sete de setembro de 1822, nascia a pátria Brasil. Temos de buscar a autonomia e voltar a viver do lado da felicidade da vida! Em dois de setembro de 1822, no palácio imperial estava sendo assinada a Independência. Idealistas liderados pela imperatriz Leopoldina e José Bonifácio não mediram esforços para dar ao Brasil a liberdade política, algo que muitos países conquistaram só no século 20. No mesmo dia, do ano de 2018, houve um incêndio no palácio imperial que fora transformado em Museu Nacional. Simples coincidência ou um sinal do Céu para os brasileiros.

O projeto era estabelecer uma nação livre, espiritual e materialmente. Esperemos que o sacrifício não tenha sido em vão. Desde aquela época grupos hostis procuram impedir que o Brasil se torne livre e independente de fato. É triste e lamentável observar quantos se deixam envolver pelos inimigos do país, cujas armas usadas são a mentira, o medo e a falsidade, opondo-se a que surja uma pátria de Luz. O tecido social está sendo corroído. A precarização geral está aumentando. É preciso energia para que o país não afunde no abismo da imoralidade. A Pátria tem sido descuidada e deixada por conta dos esfoladores, aqueles que para atender a seus interesses semeiam misérias.

O uso de máscara sanitária é imperativo legal, mas as máscaras da falsidade, utilizadas espontaneamente por pessoas que mostram o que não são, escondem a face real de suas cobiças. Cada um desses enganadores terá de colher o fruto das suas sementes malignas. A falsa consideração cairá por terra. Esperemos que surja a verdadeira consideração humana da parte de todos, no pensar, falar e agir, pois sem isso o mundo tende a piorar.

O país está desfigurado, faltam estadistas sérios em todos os níveis e as cidades vão perdendo o seu encanto, sua paz e sua beleza, pois os prefeitos e vereadores, no geral, mais atrapalham do que promovem o progresso. Nos Estados e no Congresso é a mesma coisa. O Brasil precisa de uma nova geração de políticos. O mundo também. Vamos aproveitar as eleições municipais para excluir os que não prestam. É preciso usar a intuição e avaliar quais são as intenções dos candidatos nesta era em que os homens materialistas, dominados pelo intelecto, estão decepcionados com as religiões e não creem mais em Deus.

É importante examinar se existem candidatos empenhados para que haja melhora geral das condições de vida e do aprimoramento da espécie humana. Vamos votar certo. No governo e finança pública é onde se cometeram grandes crimes contra a natureza e o social; muitos países estão arruinados por causa disso, inclusive o Brasil. O social, não o socialismo, tem a ver com a verdadeira consideração humana; não fazer ao outro o que não faríamos a nós mesmos.

Um pouco de cautela com as operações na Bolsa de Valores não faz mal a ninguém. É sempre útil relembrar o passado, evitando o comportamento de manada levada pela ânsia de obter ganhos, pois o funcionamento tem sido na base de os ganhos de uns acarretarem perdas a outros. Hoje as ações estão em alta, independentemente do resto da economia meio despedaçada pela globalização e maus governos. Mas quando vier uma ressaca, as consequências serão imprevisíveis.

Abusos de preços sempre ocorrem, haja vista o que aconteceu com a subida dos preços de remédios. A taxa de câmbio é influenciada pela taxa de juros. Dólar barato aumenta a procura, mas para que não haja escassez, aumentam-se os juros, e com isso a dívida também sobe. Como disciplinar a exportação de alimentos para que o mercado interno não fique desabastecido e inflacionado? Com as mudanças climáticas, os problemas da alimentação aumentarão pelo mundo. Enfrentamos tempos difíceis, mas a classe política cobiça o poder e promove o caos.

A economia globalizada se tornou artificial e unilateral, e afastou-se do todo. O Capitalismo de Estado, com seu protecionismo forte, está interferindo em tudo. O agronegócio avança para saciar a fome de quem tem recursos. A produção de manufaturas para consumo foi transferida para a Ásia, levando os empregos. Os grupos financeiros querem ganhos com controle do dinheiro. A massa fica alienada e não há projetos que conduzam ao aprimoramento da espécie humana.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

NOSTRADAMUS, O OURO E A PRATA

Como consequência de séculos de descuidos com a vida, atualmente o viver ficou mais difícil que no passado. Há uma ansiedade generalizada. Mesmo sem entender o que o outro está dizendo, muitas pessoas já passam para ataques. A grande questão da humanidade é que os chefes de Estados deveriam cuidar de sua população, visando o aprimoramento da espécie e buscando oportunidades adequadas à sua região. A educação poderia fazer a grande diferença combatendo o apagão mental e buscando clareza, raciocínio lúcido, bom senso e propósitos enobrecedores. É preciso a conscientização de que o ser humano não é máquina e compreender o significado da vida.

A crise atual traz a oportunidade para repensar a vida e a economia, sempre buscando os países com fatores de trabalho de menor custo, o que acabou desempregando geral pelo mundo, desequilibrando tudo em função da ânsia de produzir ganhos para acúmulo de reservas e aumento de poder. Para onde vai o Brasil? Se não houver entendimento aqui dentro, lá de fora não há nada de bom que se possa esperar nesse salve-se quem puder mundial.

A tecnologia está gerando uma massa de pessoas sem preparo, pois o seu avanço está alterando todas as profissões e criando outras; mesmo com boa capacidade de se reinventar e de aprender rapidamente não será fácil alcançar posições relevantes neste novo mundo. A humanidade é composta de seres individualizados; várias mentes com livre resolução que precisam de um ideal nobre e comum para alcançarem o progresso, a paz, a beleza e a alegria.

Como resolver as questões fundamentais que se avolumam? O problema está nas pessoas que não vacilam em torcer os fatos, mentir e difamar. Quando se apresenta uma ideia, os opositores não argumentam sobre ela e não vacilam em enxovalhar o autor usando palavras chulas e medíocres; querem combater a ideia atacando o autor, menosprezando-o em vez de contrapor argumentos verdadeiros. Usam a agressividade em vez da clareza em seus argumentos. Não há boa vontade, só interesses pessoais em detrimento do bem geral da sociedade.

A paralisação, como a queda num jogo de dominó, foi derrubando uma a uma as pedras da economia: fábricas, lojas, shopping centers, restaurantes, aviação, hotéis, turismo, instalando uma inédita catástrofe econômica mundial, acirrando as disputas pelo poder e a luta pela sobrevivência. O que virá a seguir? Como a humanidade agirá? Como sempre, fazendo prevalecer a força, ou buscando consensos e cooperação? Para esta escolha os homens deveriam estar imbuídos de sincera vontade para o bem geral e a paz mundial.

Passados séculos, permanece mais forte o dissimulado conceito de que os ganhos de uns se fazem com perdas de outros. O mundo caiu no desequilíbrio entre produção, empregos e renda. Sem renda cai o consumo. Sobram estoques pelo mundo e assim pode ser que os preços baixem. O que as indústrias poderão produzir, que empregos vão gerar, quem vai investir?
A pesada crise de 2020 trouxe algumas visões do mundo atual. A vida em si acabou perdendo a essência, pois tudo passou a girar em função do ganho financeiro e sua concentração. As periferias ficaram ao abandono. As vendas no varejo chinês continuam abaixo do esperado. A produção industrial se recupera, mas vai gerar um excedente que precisa ser exportado, afetando a recuperação nos EUA e na Europa.

Os países cobiçam as riquezas que pertencem a outros. Não recuam diante de nada nem mesmo diante de massacres ou da escravização de povos inteiros, apenas para projetarem sua grandeza efêmera. A economia globalizada caiu no desequilíbrio e precarização. Nostradamus profetizou de forma meio confusa esta era de ambição desmedida pelo ouro e prata; o dinheiro acarretando a desintegração social. Chegamos ao ponto de acumulação das consequências de ações imediatistas que estão gerando caos e miséria, enquanto os seres humanos permanecerem com suas convicções subordinadas ao mundo material, ignorando o espiritual.

Na crise, os países estão se voltando para si mesmos como deveria ter sido para promover o progresso geral, mas a crise moral e a perda da honra se tornaram um grande entrave ao progresso real. Para encontrar o caminho, as pessoas precisam da Luz da Verdade neste mundo obscuro, dominado pelas trevas produzidas pelas mentiras.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS DONOS DO BRASIL

No livro Os Donos do Poder, partindo das origens portuguesas de nosso patronato político, Raimundo Faoro demonstra como o Brasil foi governado desde a colônia por uma comunidade burocrática que acabou por frustrar o desenvolvimento de uma nação independente sempre permitindo a preponderância de interesses externos favorecida por agentes públicos corruptos que só pensam nos interesses próprios. Sua análise abarca o longo período que vai da Revolução Portuguesa do século XIV até a Revolução de 1930 no Brasil.

Do Brasil colônia até a tomada do poder por Getúlio Vargas, perdurou a mesma estrutura político-social que resistiu a todas as transformações fundamentais e aos desafios mais profundos de um mundo em transformações aceleradas. No entanto, após o suicídio de Getúlio Vargas, um grupo foi se articulando e aos poucos reassumiu o controle do país e, com o auxílio das comunicações, foi dopando a população com demagogia e ilusões que acabaram engessando o país com atraso, dívidas e despreparo.

Para Faoro, a renovação só virá através dos “negativamente privilegiados em relação à minoria dominante”, afirmando que enquanto houver a reprodução do estamento burocrático, não surgirão condições para o desenvolvimento do capitalismo industrial. O que se espera é que esses “negativamente privilegiados” se conscientizem da dominação estamental e forcem uma evolução ampla da nação. Surgiu um grupo cujos membros pensam e agem com os mesmos objetivos, um círculo fechado para o exercício do poder e para desfrutar o butim, as riquezas, as benesses do poder, e que perdura até nossos dias e lutam com todos os meios para que nada atrapalhe seus planos de domínio do país.

Não surgiu uma Nação para o povo e, sim, para a perpetuação do poder daqueles que se posicionaram como donos do Brasil e de sua população. A alternativa se encontraria no livre desenvolvimento de um capitalismo industrial que ensejaria a criação de uma sociedade nacional conscientizada, apta a desenvolver “uma cultura genuína”. Mas com a política de valorização do real na base de juros elevados por período de quase trinta anos a indústria foi desaparecendo e com ela a experiência técnica. Os importados eram baratos, mas não havia mais empregos.

Hoje invoca-se tudo no exercício do poder, mas são criações humanas. Nem os profetas, nem Jesus Cristo criaram religiões. No geral, a humanidade permanece alheia ao significado da vida e suas leis. Mais do que ideologias teóricas e religiões, o pano de fundo dos gestores públicos e seres humanos deveria ser a busca do aprimoramento da espécie e a continuada melhora das condições gerais de vida.

Na China, a região de Shenzen, com mão de obra barata, seriedade na gestão, câmbio depreciado, produziu para o mercado externo e acumulou dólares. No Brasil, foi criada a zona franca de Manaus, que ajudou a proteger a região com um monte de incentivos, câmbio favorecido para importar com financiamento especial, mas virou corredor de importados e ainda precisou do xerife Romeu Tuma para coibir um brutal desvio de dólares.

A amizade verdadeira é um sentimento nobre que se preocupa com o futuro da pessoa amiga. Hoje as relações pessoais ou internacionais surgem na base de interesses mútuos, ou na expectativa de que uma pessoa possa ser útil para que outra possa alcançar os seus objetivos, com sedução ou corrupção. Como os interesses estão em constante mudança, as amizades também. Mas o extremo dessa situação é quando há o chamado “pato” envolvido na falsa amizade. Isso vai além da diplomacia, pois envolve bajulação e prestatividade que desaparecem uma vez alcançado o alvo, o benefício próprio.

A quem interessam as consequências econômicas negativas do coronavírus? O mundo continua precisando de comida. O Brasil pode e deve produzir, vender com preço justo e aplicar os resultados na melhora geral. Há união do povo no combate ao vírus, mas os políticos permanecem em sua campanha tenebrosa para conservar o poder. As pessoas têm um pressentimento de que a crise vai passar, mas ao término dela o aumento da pobreza estará bem nítido. O Brasil, fragilizado há décadas, estará mais frágil ainda diante das sombrias cobiças. Dos pobres, a globalização só retira, mas indica que é hora para aproveitar os talentos que cada país possui para produzir mais internamente. Coragem Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

2020 NÃO É 2002

Dizia-se que 2020 seria um ano de renovação. Havia uma expectativa de melhora geral no Brasil e no mundo. De repente, chegou a epidemia do coronavírus e tudo foi parando. Assustaram a todos e aos idosos mais ainda. A orientação é: “não saia de casa para não morrer; não deixe que saiam de casa para não matar”. Ficar em casa, desacelerar é o que a humanidade precisa, mas isso deve ser acompanhado de um esforço para entender a trama dos fios do destino que nos levaram a isso. Um momento significativo na história propício para introspecção sobre o que é a vida, tão fragilizada nesta fase de inquietação mundial.

O ano de 2020, do qual muito se esperava, surge como algo semelhante a 2002, o ano seguinte ao atentado de 11 de setembro, que provocou uma ruptura com o século 20 e havia a esperança de tempos menos perturbados. Ambos formam o quatro. Mas agora as pessoas começam a perceber os estragos da paralisação num mundo movido a fluxos de dinheiro. A inquietação e a aflição vão aumentar.

Sabemos que a partir dos anos 1990 a economia desandou e surgiu o capitalismo de Estado com superforça competitiva entre as nações. Os países pararam de fabricar, os serviços não são suficientes para sustentar. De lá para cá faltou empenho na busca das causas da decadência e aumento da precarização geral da vida.

Países superendividados. Os juros baixaram, houve uma corrida para a Bolsa que, com a crise, mostra sua inconsistência cotando empresas abaixo do seu valor real. Hoje a falta de seriedade é geral e não existem fontes confiáveis, tudo virou luta política. A globalização é antinatural por uniformizar tudo e todas as culturas, e colocar as pequenas e médias empresas em confronto direto com o capitalismo de Estado, não tendo como sobreviver.

O coronavírus caiu na sopa. Está em andamento um processo de desmantelamento geral. O que poderá resultar disso? Trata-se de uma questão para os pesquisadores e esse assunto tem que sair da esfera da luta política para que se possa examinar os fatos objetivamente. Saúde, economia e aprimoramento da espécie devem ser as metas da humanidade.

Há décadas vivemos em plena guerra econômica que agora se acirra visando aumento de riqueza e poder. Os países e a população são manipulados diariamente sem perceber. Tudo faz parte do jogo onde os ganhadores são sempre os mesmos enquanto aumenta a precarização geral.

Na vida e mais ainda nas crises é fundamental o sentimento intuitivo voltado para o bem e os pensamentos nessa mesma direção. Essa é a forma adequada como deveriam agir os humanos, a única espécie que possui a capacitação de livre resolução. Mas tudo conspira contra, a começar pela falta de força de vontade voltada para o bem e, de todas as formas, os seres humanos vão sendo empurrados para os baixios da vida, na TV, nos filmes, muitos deles causando puro desânimo e perda de esperança na humanidade, contribuindo para aumentar o alarmismo e medos. Falta a autêntica solidariedade. Só conta o dinheiro e o poder.

Há dois mil anos os ensinamentos de Jesus caíam como água da vida sobre a população simples que não tinha cobiça de poder. Os poderosos temiam perder o controle do povo e por isso fizeram uma campanha de calúnias, culminando com o processo e condenação do Filho de Deus. Em Lucas 21.11 e 21.36 são mencionados os tempos vindouros de aflições e da vinda do prometido Filho do Homem. “Trata-se da profecia da vinda do Filho do Homem, dada como estrela de esperança e, não obstante, também como severa advertência, pelo Filho de Deus”. (Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, Abdruschin).

Amor é severidade. A crise se reveste de um chamado ao ser humano. Depois da tempestade vem a bonança. Os auxílios da Luz sempre estão disponíveis, mas é preciso a gratidão, os pensamentos voltados para o bem, e a confiança de que tudo se encaminhará para o desfecho certo de acordo com as leis do Criador.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

AS RAÍZES DO ATRASO

Na vida acelerada, os acontecimentos vão se sucedendo de forma rápida como um chamado de alerta, mas a humanidade se mantém parada enquanto as leis da Criação atuam permanentemente. A humanidade se distrai com a observação e análises das consequências criadas por ela mesma, sem investigar as causas. Na verdade, não há um corte com o passado, estamos vivendo o processo contínuo impulsionado pelas leis da Criação que trazem de volta o resultado produzido pela nossa forma de viver.

Os intelectuais de boa índole traçam o levantamento das questões aflitivas do presente e do futuro. Mas temos que perceber que, em geral, se revela o trabalho do intelecto que permanece restrito ao mundo material. Falta a sabedoria que decorre da boa visão das questões materiais, amparada pela amplitude da conexão espiritual que enxerga o mundo além das aparências. Oculta aos nossos olhos, trava-se intensa luta entre o bem o mal que não quer que as criaturas humanas se tornem verdadeiros seres humanos do bem, fazendo de tudo para mantê-los nos baixios da vida, na progressiva degradação, travando a continuada evolução da espécie.

O mal se foi infiltrando aos poucos, sempre usando artifícios atraentes, arrastando tudo para baixo, impedindo o surgimento de sentimentos intuitivos e pensamentos nobres. A tropa de elite do mal sempre procura se infiltrar na classe dos poderosos e de todos que exercem influência sobre as massas, dando força ao raciocínio frio e calculista. A humanidade não quer perceber o laço armado no seu próprio intelecto e vai afundando indolentemente, sentindo-se bem, sem querer ouvir a própria intuição que quer advertir, e que aos poucos vai perdendo a força e emudecendo. Não podemos permitir que a voz da intuição nobre se cale.

No deserto árido, vez ou outra encontramos uma florzinha aqui, outra ali. Da mesma forma, na aridez produzida pela humanidade, às vezes encontramos uma ação ditada pela intuição; são breves momentos em que ocorre a conexão espiritual, leve e graciosa, mas dura pouco, pois logo o intelecto se interpõe e desmancha tudo. O Rei Leão, um raro filme para crianças de todas as idades, caprichado pela Disney, mostra a bela natureza, o ciclo da vida. Mas os animais vivem por instinto e seguem, com fidelidade, as leis beneficiadoras da natureza, que são diferentes daquelas criadas pelos homens, que sufocam o coração e premeditam atos abomináveis para satisfazer a própria cobiça.

O reconhecimento do Brasil como país independente representou a transferência de uma dívida gigante com os banqueiros da Inglaterra em 1824. Em 1889, com o início da república de compadres, os novos dirigentes também se deixaram envolver por dívidas, e durante todo o século 20 o Brasil passou décadas pagando por elas, enquanto seus políticos faziam a festa deixando o país rumar para o abismo do atraso.

O Brasil perdeu o passo na industrialização. Depender só de commodities representa sério risco para o progresso de um país. É preciso considerar que desde o plano Real o combate à inflação se deu com câmbio valorizado para trazer importados mais baratos, o que exigiu juros elevados, e criou uma armadilha que levou a ex-presidente Dilma, para se reeleger, a incorrer em perdas no jogo com o mercado para segurar o dólar.

A globalização dos anos 1980 gerou perda de empregos e da cultura, que resultou no aumento da desigualdade e desarranjo ambiental, evidenciando as consequências da globalização que transferiu a produção para regiões de salários menores, e que passaram a produzir de tudo para exportar aproveitando o câmbio favorável, empregando todos os meios para escoar suas mercadorias. Mas os governos endividados estão travados e a economia não reage por não perceber oportunidades de produzir e lucrar; com isso, não se consegue deter o aumento da precarização geral.

Com o declínio da indústria, os gastos públicos disfarçaram o encolhimento do potencial de crescimento. Porém, muitos desses gastos foram inúteis e realizados com base na tomada de empréstimos a juros elevados. Atualmente ainda há saldo positivo na balança de pagamentos, decorrente da exportação de commodities, mas o déficit de empregos é cruel. O que fazer para gerar condições que permitam produzir mais, ter mais empregos, pagar salários, e ter algum ganho?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7