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A CRISE É SEVERA

Estamos enfrentando um tipo de crise mais severa por alastrar-se a vários setores e a diversas regiões do mundo como, por exemplo, os coletes amarelos de Paris, a crise dos refugiados da Síria, os desacordos na Inglaterra com a questão do Brexit relativa à saída daquele país da União Europeia, os ataques a petroleiros no golfo de Omã, e no Brasil endividado surgem muitas confusões como greves e paralisações.

Não está fácil entender o que acontece no nosso país e sua atual economia errática. Estamos ficando para trás na guerra econômica global. Os argumentos e análises se tornam eleitoreiros, sem que haja esforço para a compreensão das causas do atraso geral. O país do futuro fica amarrado na mesquinharia dos políticos. É como disse Getúlio Vargas, todos querem alguma coisa para si e para seus amigos, nunca para o bem do Brasil.

Desenvolvimento e aprimoramento da humanidade se tornaram secundários, tudo se tornou questão de dinheiro. Urge fortalecer a vontade para fortalecer o humano. A evolução da humanidade e a produção de bens requerem liberdade e responsabilidade. Muitas pessoas acusam o capitalismo como responsável pela geração das misérias, mas antes de surgir esse e outros sistemas econômicos, o homem já tinha se afastado do espiritual, dando mão livre ao seu egoísmo e cobiças.

O problema real se situa no afastamento da espiritualidade, resultando nos sistemas desequilibrados como consequência. O reequilíbrio só poderá ser reconquistado com a busca sincera do saber sobre o significado da vida e da integração Espírito-Alma-Corpo. Há no mundo muita tristeza; falta a alegria e a coragem do espírito desperto. É preciso ser forte. Mas onde se escondeu o espírito que deveria agir embelezando e beneficiando tudo?

Os seres humanos se matam por poder e dinheiro, o que mais falta é a generosidade do coração. Quase nada foi entendido sobre os esclarecimentos de Jesus a respeito da vida. Ele não tinha qualquer pretensão ao poder, cargo ou honrarias terrenas, pois seu reino não é o perecível e transitório mundo material ofertado à humanidade para que pudesse evoluir espiritualmente, e não para aqui vir e portar-se como dono no curto período da existência terrena.

O Brasil é tido como país abençoado com povo amigo, respeitador, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendita seja a pátria chamada Brasil. Isso tudo impõe alta dose de responsabilidade. Que seu povo atraia a Luz do bem. Temos de deixar de ser país subdesenvolvido espiritual e materialmente. Temos de adquirir discernimento para seguir nosso destino. Para isso precisamos de adequado preparo para a vida, desde a primeira infância.

O fluxo de caixa do governo vem sendo detonado há décadas. Não há poupança. O crédito é raro e caro. O governo arrecada uma fatia gorda e deveria dinamizar a economia com bons investimentos. Nos anos 1980, havia a dívida em dólares e como esforço para o resgate havia o lema “exportar é o que importa”, mas isso acabou sendo descuidado e os empregos foram sumindo. Hoje, o Brasil permanece exportando commodities. A renda é baixa e está encolhendo, faltam capitais produtivos. Os investidores privados têm sido ágeis em fazer aquisições lucrativas e obter ganhos especulativos, mas na economia ainda não surgiram resultados positivos, em compensação aumenta o passivo na remessa de lucros e a dependência a interesses externos. O PIB precisa crescer e gerar empregos.

O cenário internacional se complica. A crise se agrava. Cada grupo cuida de seus interesses, sem encarar os problemas e suas causas para encontrar as soluções. O governo tem uma arrecadação tributária expressiva, mas planeja mal, gasta tudo e ainda fica devendo, pouco investe e mesmo esses investimentos têm sido realizados de forma estúpida e com desvios. Milhares de obras foram iniciadas e interrompidas, é quase como se o dinheiro tivesse sido jogado fora.

A gestão governamental tem sido precária e sem planejamento. Atabalhoadamente tenta-se reduzir o déficit fiscal. Foram tantos erros que agora poucos se arriscam a fazer sugestões. Muitas pessoas preferem engrossar as críticas que nada resolvem, mas engrossam o clima de incerteza quanto ao futuro do Brasil, que ainda não achou o caminho sadio da recuperação com participação e o apoio de todos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

PAZ ENTRE OS POVOS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Quando grupos instalados no poder passam a agir em benefício próprio, destroem o equilíbrio da democracia, contaminando o governo que perde a eficiência e credibilidade. Consertar a atuação do governo é essencial para a sobrevivência da democracia. O Brasil perdeu a conexão com os seus ideais; falta uma linha de ação conjunta de longo prazo pelo bem e progresso; faltam líderes de qualidade que possibilitem o preparo e educação decente para humanizar a população que não pode continuar caminhando pela vida às cegas.

A ex-presidente Dilma, que puerilmente aumentou o fardo da dívida e tendia para o fortalecimento do autoritarismo governamental, acabou sendo deposta. Agora o presidente Temer, que vem atendendo aos reclamos do mercado, também está sendo desalojado; amanhã o mesmo poderá acontecer com seu substituto legal, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Tudo igual. Onde está o bom senso dessa gente que só quer tumultuar? A displicência e a cobiça pelo poder criaram esse cenário que vai piorando. O país precisa de um mínimo de serenidade, se é que deseja sair da situação vil em que se encontra.

O Estado foi se agigantando e se intrometendo na atividade econômica, passando a ser usual entre os governantes estabelecer orçamentos com gastos superiores às receitas, gerando déficits financiados no mercado financeiro. Mas com as alterações decorrentes da globalização econômica desequilibrada, as receitas tendem a decrescer, enquanto as despesas continuam crescendo, agravando a instabilidade. Enquanto políticos brigam pelo poder, 13, 8 milhões de pessoas precisam de emprego para aumentar o PIB e a arrecadação, antes que o país derreta.

Recentemente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou: “Estamos conduzindo um amplo projeto de investimento em infraestrutura em todos os setores. Mas para isso temos de priorizar. Há dificuldade por falta de recursos públicos, por isso é importante evitar que alguns grandes projetos, que capturam a imaginação, sejam monopolizadores de todo ou grande parte do investimento público. Por isso a priorização é fundamental”. Basta lembrar a montanha de dinheiro enterrada em estádios de futebol de insignificante utilização e tantos outros investimentos infrutíferos.

Que fatores poderiam contribuir para inibir a recessão brasileira? Aí estão apontadas a reforma trabalhista e a tendência crítica das contas da previdência. Mas o governo precisa sair da letargia nefasta de olhar para a próxima eleição como a prioridade máxima da classe política. O governo precisa pensar em eficiência e abandonar as práticas autoritárias que prejudicam o país. Há ainda a dívida crescente a juros fora do padrão mundial. E quanto à política cambial? Os erros cometidos na valorização do real repercutem até hoje, tendo criado uma situação embaraçosa que só tem travado a economia. E a educação? Como o Brasil estará daqui a dez anos?

Enquanto o Brasil permanece estagnado em suas crises políticas e financeiras, os demais componentes dos BRICS estão avançando. O que significará o previsto avanço da economia da China em 2027? Para o gestor financeiro global, Jim O’Neill, a economia chinesa poderá se tornar maior que a dos Estados Unidos. As outras economias vão regredir, ou o avanço chinês terá por base o próprio mercado interno? E se o dólar sofrer grande desvalorização? E o Brasil, como estará em 2027? As novas gerações estarão dominando o idioma e a aritmética? E a economia? O que estaremos produzindo? A balança comercial e as contas internas e externas estarão em equilíbrio? Como estará o nível dos empregos, a dívida, a taxa de juros? A China poderá estar no topo, mas não deveremos cair no abismo.

A busca pelo poder e por vantagens aniquilou a ideia de que o progresso real requer o cultivo da paz e a consideração entre os povos. Mais do que confronto de civilizações, estão se desenrolando amplos embates nos subterrâneos entre as religiões místicas ou dogmáticas, a economia de livre mercado em democracias corruptas, o governo autoritário no capitalismo de Estado. A natureza e suas leis do desenvolvimento, lógicas e coerentes, deveriam formar a base para a atuação dos povos pacíficos, cada um com sua cultura e sem a pretensão de dominar com o propósito de obter vantagens.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O SABER ESPIRITUAL COMO ESSÊNCIA PARA O BOM GOVERNO

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

No passado, na Suméria, os sábios da Caldeia formavam líderes espirituais que conduziam o povo para o progresso humano. Hoje o drama mundial é a falta de pessoas de qualidade para gerir o Estado e governar. Há duas principais instituições voltadas para o preparo de líderes: uma delas é a Harvard, nos EUA, com foco no capitalismo de livre mercado, de onde saíram sete presidentes americanos, e a outra é CELAP, na China, que se baseia no capitalismo de Estado com fundo Marxista.

Com o fortalecimento do jogo diplomático e financeiro, que dá prioridade ao aumento de riqueza e poder, a grande arte de governar ficou no passado longínquo. Os seres humanos têm de mostrar que são capazes de se organizar de forma a alcançar progresso e qualidade de vida, pois movidos pela cobiça e tirania não conseguem conduzir a civilização para o bem geral.

O governo deve ter como prioridade conduzir a população ao aprimoramento sem o paternalismo que enfraquece o cidadão tornando-o dependente. É importante educar para a vida e formar indivíduos que busquem a boa administração dos recursos da natureza e o equilíbrio financeiro, tendo em vista o aprimoramento de todos.

Governantes displicentes com as contas gerando déficits continuados, criaram a ciranda do mercado financeiro, deixando de lado a melhora da eficiência na gestão do Estado que, além de ineficiente, tende a se tornar corrupta. Uma montanha de déficits e dívidas, com compromissos superiores às receitas que os Estados conseguem obter com os impostos já elevados, estão chegando ao extremo da necessidade de aportes financeiros sem que se saiba como resolver a questão.

Enfrentamos o desequilíbrio global. Se o país produz quase nada e importa tudo, o problema é como gerar disponibilidade em dólar. Se faltar, terá de cobrir os déficits com empréstimos. O sistema assim constituído tende ao fracasso pela falta de sustentabilidade, pois quando as deficiências aparecem, tudo cai na estagnação. Sem um vigoroso esforço para melhorar a qualidade dos gestores, do público e da sociedade como um todo, a precária democracia fica ameaçada, incorrendo no risco de regressão geral, medo e ódio.

Os sentimentos negativos surgiram por influências sombrias e destrutivas em oposição à Luz na época em que o ser humano deixou de atentar para a voz interior – a sua consciência espiritual -, que sabia o propósito de ter nascido neste planeta. Atualmente, pouco se sabe sobre o significado da vida, pouco é ensinado, pouco se motiva para a busca desse saber, e assim as pessoas desperdiçam o tempo precioso à cata de prazeres e vícios, temerosos, odientos, vingativos, afastados do Amor, em vez de se aprimorarem como seres humanos.

Tudo tem a ver com equilíbrio da vida. As coisas tendem a caminhar naturalmente, mas desandam quando os homens não agem com equilíbrio e bom senso, querendo impor interesses particulares, interferindo arbitrariamente e criando bolhas. Se os governantes tivessem dado mais atenção à necessidade de equilibrar as contas internas e externas, as importações e exportações, produção e comércio, emprego e consumo, tudo andaria de forma normal. Mas, desatentos, foram cavando buracos para tentar resolver com juros e câmbio, e deu no desequilíbrio global: conflitos entre poder econômico e político, dívidas soberanas, desemprego, atividade econômica deprimida, cultura e educação em baixa. A economia vai se adaptando, seguindo doente, enquanto a espécie humana vai perdendo o rumo, destruindo em vez de beneficiar.

Ao perder o saber espiritual sobre a vida, aceitando o conceito de vida única e acreditando que com a morte tudo acaba, os humanos decaíram numa forma de vida imediatista, que os amarra ao transitório, e sempre tentando explorar uns aos outros, econômica ou emocionalmente, envolvidos numa espécie de guerra não declarada de todos contra todos, sem conciliação e sem perdão. E deu no que deu: em vez de buscar o aprimoramento, o beneficiamento e a melhora geral das condições de vida, foi erigido um mundo áspero e despido de amor. Para reencontrar o perdido saber espiritual as pessoas deveriam se perguntar: por que nascemos neste planeta, o que temos de fazer aqui para um viver proveitoso e benéfico?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7