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OS BONS TEMPOS VÃO VOLTAR?

É triste a realidade da humanidade. Para onde foi canalizada a melancolia que brota no coração dos adolescentes? Que modelos foram oferecidos? A cultura poderia e deveria ter propiciado os elementos para a formação de caráter beneficiador, honesto, altruísta. Desinteressados sobre o futuro, muitos jovens recorrem ao uso de drogas e atividade sexual precoce, antes mesmo da conclusão da formação física.

No Brasil, temos o grave problema secular da falta de empenho geral na consolidação de um país livre e na ausência de empenho para dar às novas gerações adequado preparo para a vida. Com a falta de seriedade e auto-estima, as pessoas são incentivadas a deixar rolar para ver como fica. Não há metas nem planos perseverantes, tudo declina continuadamente. Temos permitido abusos, estagnação e declínio. As pessoas que vivem no Brasil deveriam ser incentivadas a pensar com otimismo no bem geral.

Bons tempos nos anos de 1930 a 1950, quando a cidade de São Paulo dava orgulho por ser considerada o maior centro industrial da América Latina, e a USP era reconhecida como excelente universidade para a formação de uma geração forte, tida como a esperança de melhor futuro. Depois, as elites ficaram descuidadas. Castro e Guevara ensejaram nova teologia. A dívida externa fincou suas garras. Nada mais é como antes na educação, saúde, indústria, empregos. Assumiu uma classe política interesseira que deixou arrasadas as contas, a indústria e os empregos. A dívida foi ressuscitada em nova forma e acabou travando tudo.

No passado, a situação do Brasil estava complicada. Com a abrupta derrubada de D. Pedro II o país ficou meio perdido, o que para os banqueiros da Inglaterra se tornou um grande atrativo lucrativo. E de lá para cá o país nunca se libertou do anzol da dívida. Hoje, teme-se o declínio geral apesar dos recursos naturais disponíveis. Mas o foco permanece voltado para o poder e no imediatismo da próxima eleição.

A população do Brasil está dividida em três grupos: os endinheirados temerosos de perder as mordomias; os deslumbrados com o circo e utopias e que não examinam o que lhes é impingido; e os que tomaram consciência da desfaçatez vigente no poder há décadas e que têm cuidado só dos interesses particulares, errando e embromando e deixando o país endividado e sem rumo. Com tantos recursos naturais, o Brasil tem de se afastar da rota de declínio e ignorância.

Quando Fernando Henrique Cardoso foi sucedido no governo por Lula, a fase de valorização do Real já tinha expirado, mas a economia prosseguiu com juros elevados. Em poucos anos a dívida cresceu trilhões em juros. O rombo se tornou visível nas contas públicas, no PIB, na desindustrialização, na perda em qualidade humana. Como corrigir tudo isso?

Se a previdência se limitar a fazer cortes gerais nas aposentadorias e pensões, só vai ajudar a contenção da escalada do risco Brasil para os financiadores. Melhor equilíbrio na distribuição requer redistribuição dos valores abusivos de uns para melhora nos valores irrisórios de grande parte dos aposentados.

A raiz do problema está em como promover a retomada do crescimento econômico estagnado há décadas. Por que um país que tinha economia pujante, empresários ágeis, mão de obra experiente e ativa caiu na letargia? Os impostos eram ruins, a burocracia emperrava as iniciativas, os políticos eram insensíveis, mas a economia andava, havia esperança. De repente tudo foi parando. Trabalhadores especializados tiveram de ir trabalhar em lojas ou restaurantes para sobreviver.

Há uma guerra psicológica nas comunicações. As pessoas têm de ficar espertas, pois as notícias falsas são bem elaboradas, misturando verdades com mentiras de forma a iludir quem recebe a informação. Mas a mentira vem de longe, utilizada em muitas coisas sérias para iludir e dominar as pessoas desatentas. De longa data os problemas reais e as causas da estagnação econômica têm sido varridos para debaixo do tapete. Sem a apuração das causas reais, tudo o mais é paliativo. Isso já custou muito, levando o país endividado e deficitário ao caos. Urge aumentar a produção, empregos e consumo. Os líderes têm de se esforçar e se unir a bem do Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

FRUTOS CONTAMINADOS

Enquanto a Argentina, de Domingo Cavallo, e o Brasil, do Plano Real, inventavam a utopia da dolarização e juros elevados, Japão, Índia e China praticavam política cambial realista, avançando na produção de manufaturas e tecnologias. Assim acabamos ficando para trás.

A China tem aumentado a sua reserva em dólares e avança na produção de manufaturas para exportar, e na tecnologia de ponta, sendo olhada com admiração pelo poder tirânico. Enquanto isso, muitos países, inclusive o Brasil, se encheram de dívidas enfrentando queda na produção, na arrecadação, no salário e na aposentadoria, embora os encargos e custos gerais sempre vão sendo corrigidos. Mas o custo do comunismo, mais do que outros sistemas, é a redução das individualidades e da criatividade, robotizando o ser humano.

A recuperação do Brasil, há décadas gerido com displicência e assalto às suas riquezas, está complicada. O diferencial de Jair Bolsonaro na presidência é que ele se elegeu sem as amarras dos grandes doadores de campanha eleitoral e seus interesses, embora mesmo assim terá pela frente os poderes e a máquina mal-acostumados.

Após décadas de estagnação, surge a oportunidade de eliminar o continuísmo da demagogia, mas a reação não se faz por esperar, e o Brasil deu mostra de sua imaturidade política causadora do descalabro que enfrentamos em todos os setores. Falando sobre o processo de eleição no Senado, Randolfe Rodrigues, senador do Amapá filiado à Rede Sustentabilidade, afirmou: “É um triste espetáculo, chegar a ponto de a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) furtar o livro de ordem. Chegamos ao fundo do poço da política”. A colheita vem celeremente trazendo os frutos amargos da irresponsabilidade. Estamos vivendo as derradeiras chances de o país se tornar efetivamente livre dos sanguessugas.

Para que lado a economia do Brasil poderá se expandir? Commodities para exportação são importantes, pois atraem dólares, mas não geram muitos empregos e podem causar danos. Os serviços em geral requerem que a população tenha renda para consumir. Na indústria ficamos travados com baixa produtividade e real valorizado por longo período, favorecendo a entrada de importados e o consequente despreparo técnico.

Os países arrecadam dinheiro dos impostos. Quem paga os impostos é a população, diretamente de suas rendas ou indiretamente no custo de tudo o que consome. A arrecadação é sugada pela corrupção nas negociatas, nos encargos sobre as dívidas, nas estatais mal geridas, nos custos descontrolados sobrando pouco para a melhora das condições gerais de vida.

Enquanto podem, os governos vão emitindo dinheiro e facilmente se deixam levar pela tentação de tomar empréstimos. Cair no endividamento é a grande falha dos governantes que hipotecam as riquezas do país e o trabalho de sua população, sem contrapartida que impulsione o aprimoramento das novas gerações.

O lamentável foi ter permitido o crescimento explosivo da dívida com juros elevados. Dívida é a mais crítica questão da gestão pública. Aí a irresponsabilidade levou o país à beira do abismo sem que tivesse destinado os valores em benfeitorias de real proveito. Como a economia poderá ser dinamizada?

O governo precisa cortar gastos inúteis que nada produzem e fechar o ralo da corrupção em seus gastos e investimentos. O intercâmbio entre países é importante, mas se não for feito com equilíbrio, sugará as potencialidades. Para que haja progresso, o intercâmbio entre os países requer equilíbrio.

Como são feitas as leis dos homens? Elas levam em consideração o principal axioma de que não se deve causar sofrimentos ao próximo para satisfazer as próprias cobiças? Se considerassem isso, muita coisa teria sido diferente e não seria necessária a criação de tantas leis que, na essência, buscam defender os interesses de quem pode mais. Juristas e juízes sabem bem como respeitar as leis; se isso é justo ou não, é outra conversa.

Essa é a triste realidade de uma civilização que, por sua cobiça por uma riqueza menor, perdeu a visão da beleza e da grande riqueza da natureza que a tudo sustenta. Em geral, os países não têm dado muito apreço à natureza e vão produzindo frutos contaminados. Observa-se a displicência e a irresponsabilidade em tudo, sem deixar espaço para metas de promover a continuada melhora das condições gerais de vida da população.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7