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A PANDEMIA EM PAUTA

A pandemia está evidenciando todas as atividades artificiais às quais a humanidade se subordinou indolentemente. A hora é de nos movimentar, examinar, falar, agir naturalmente para que não sejamos sufocados pela forma prepotente de como são lançadas sobre nós tantas coisas e atitudes reconhecidamente como nocivas para a boa formação das novas gerações, antes que haja a erosão de tudo de bom que ainda restou em nossa cultura.

De maneira geral, as novas gerações não têm recebido bom preparo para a vida. Ou são lançadas no conformismo e estagnação, ou torpedeadas com ideologias marcadas pelo ódio, incapazes de seguir pela estrada da vida construindo e beneficiando. Com isso, falta uma visão elevada que conduza a humanidade para o aprimoramento pessoal e melhor futuro.

A enigmática volta da proliferação do coronavírus, a nova onda, pegou a população de surpresa. Pouco se fala a respeito. O transporte público, no horário de pico, cria uma situação acentuada de risco para muitas pessoas e as autoridades devem buscar soluções adequadas. Faltou conscientização humana, implantou-se medo, surgiram atos de rebeldia, não há união para enfrentar o problema, a preocupação dos políticos é com 2022, querem a volta daquela atmosfera permissiva e da corrupção impune.

Tudo depende do dinheiro, um sistema que exige dos governantes um desempenho sério e eficiente na gestão da economia, juros, câmbio, moeda, mas o que fizeram? O Brasil está na situação de pagar juros desde 1889. Gastam muito, mas o pior é o gasto público em coisas não essenciais e superfaturadas.

No Brasil, tem havido muitas interferências e divergências não só na pasta da saúde. Na China é diferente; há só um poder que todos obedecem. Estão de olhos voltados para o presidente e sua equipe querendo julgá-los. No Brasil, teria de haver conscientização e esforço conjunto para levantar o país, pois em 132 anos de república quase faliram o país na economia, moral e educação.

Diante das incoerências surgidas no capitalismo de livre mercado, o modelo chinês está dando origem a um novo conceito revolucionário da economia envolvendo a junção do Estado com a iniciativa privada graúda em novo modelo de divisão social do trabalho, voltada para a produção em larga escala que transforma o ser humano em mero fator de produção e consumidor, dentro de um cenário de globalização que requer a centralização das decisões econômicas e sociais, em nível planetário, acabando por eliminar com os estados nacionais e suas fronteiras, implantando uma política única em que tudo se subordine às normas gerais do poder central, o Leviatã, o  soberano com poder absoluto sobre todos os súditos, poder concedido por eles mesmos.

Muito se fala no grande reset. Poderíamos imaginar algo como um novo sistema em gestação, em meio a atual situação, com muitas incertezas decorrentes da chamada destruição criativa, como as dores de um parto, para finalmente chegar ao Leviatã global, com moeda única e poder centralizado sobre toda a população e sobre todos os recursos naturais do planeta, no qual somos todos hóspedes temporários.

A humanidade se organizava para produzir e atender suas necessidades e a sobrevivência condigna. As elites organizaram o sistema monetário e a produção do dinheiro fazendo tudo e todos depender dele. O drama da globalização econômica, da movimentação internacional de dinheiro e produtos, foi ter concentrado a produção onde a mão de obra fosse mais barata com melhores condições para produzir e exportar, precarizando tudo.

O ministro Paulo Guedes disse que a covid-19 é “uma tragédia de dimensões bíblicas”. As pessoas não podem mais continuar acomodadas ao papel de fator de produção e consumidor. A hora é de despertar o seu espírito adormecido pelas ilusões do materialismo. O Brasil e o mundo precisam de um renascimento espiritual, ético, moral, econômico. Alvos nobres, com a participação de todos, cuja prioridade seja a construção de uma sobrevivência digna, com naturalidade, que busca a melhora das condições gerais de vida com autonomia, equilíbrio, eficiência, continuado progresso, melhora da qualidade humana, o que não está fácil nesta época de colheita acelerada. Cada indivíduo tem que se movimentar em busca de seus sonhos de evoluir, construir e beneficiar, em Paz e Liberdade!

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

SONO TORNATO (ESTOU DE VOLTA)

“Sono tornato” é uma comédia italiana caprichada, considerada politicamente incorreta e dramaticamente atual que mistura ficção com realidade. No filme, o ditador Benito Mussolini (Massimo Popolizio), idealizador e executor do fascismo na Itália antes e durante a Segunda Guerra Mundial, reaparece vivo numa praça em Roma, 80 anos após a sua morte e como se isso não tivesse de fato acontecido. Andrea Canaletti (Frank Matano), um cineasta fracassado, o encontra e achando que se trata de um comediante parecido fisicamente com “Il Duce”, o coloca numa entrevista na televisão, vista por milhões de pessoas que se encantam com as ideias apresentadas por ele de forma satírica.

Os teóricos da democracia se escandalizam com o surgimento dos populistas no poder. Mas o Mussolini do filme se torna popular com suas ideias rígidas, tirânicas e preconceituosas que se afastaram da essência dos seres humanos, pois neste planeta somos todos peregrinos em busca de evolução. No século 21, a população está abrindo os olhos e percebendo os abusos praticados pelas pessoas que se instalam no poder e tomam o governo para si e seus interesses.

Deixando de lado as ideologias e os conceitos do abuso do poder pela força como forma de governo, o personagem que se diz ser Mussolini vai analisando a situação da Itália e da Europa, principalmente a da educação e o momento difícil em que se encontram as novas gerações sem trabalho remunerado, e se escandaliza com as desordenadas correntes imigratórias e, enfim, com o caos econômico e social.

O grande drama da humanidade é que não se esforçou para encontrar as normas adequadas para a convivência entre as pessoas, prevalecendo a ideia de que o enriquecimento de uns deve ser feito à custa das perdas de outros, fato que já deu origem a muita miséria e guerras sangrentas.

QUAL É A FINALIDADE DA VIDA?

Ninguém duvida da importância da ciência, mas a questão maior que mexe com os seres humanos refere-se à pesquisa sobre qual é a finalidade da vida. Por que nascemos? As pessoas não fazem ideia do que seja isso e vão vivendo empurradas pelos acontecimentos que as rodeiam. Carecemos de uma resposta objetiva em conformidade com as leis da natureza para um viver harmonioso e produtivo com paz e progresso, construindo e beneficiando, contribuindo para a melhora das condições gerais com continuado aprimoramento da espécie humana, única ainda desajustada nas engrenagens naturais da vida.

Um grande problema do Brasil são as palavras falsas e mentirosas largamente empregadas na política; a tragédia está nos bolsos recheados de dinheiro sujo. O Brasil já esteve do lado da felicidade da vida. Essa condição tem sido destruída pelo embrutecimento que já começa no ato de geração. O que esperar de seres gerados sem amor, sem incentivos para a busca do propósito maior da vida? O acorrentamento voluntário às cobiças e vícios está levando todo um país ao descalabro, dominado pelo logro, violência e prepotência. A verdadeira solidariedade está na contribuição de cada um para o beneficiamento do todo e isso requer maturidade espiritual e compreensão do significado da existência.

É preciso se cuidar sempre. Fumar, se drogar, se entregar ao alcoolismo só pode causar danos ao corpo e à saúde. O mesmo se dá com os maus sentimentos e pensamentos que adoecem a alma e o corpo. Com o bombardeio das informações negativas, surge o pânico que leva pessoas ao desespero e à perda de imunidade. O confinamento tende a deixar as pessoas nervosas por não poderem sair por aí, mas foi uma freada importante nesta forma agitada de viver.

A rotina empresarial se modificou muito para quase todos os ramos; os pequenos e médios negócios têm mais dificuldades porque, com a globalização, a competição internacional se tornou feroz. Enfim, na economia tão desequilibrada qualquer imprevisto arrasa tudo. Com a crise, centenas de estabelecimentos estão fechando as portas, aumentando o desemprego. Economistas defendem o aumento de impostos. O aumento de tributos é história antiga; é o que faziam os senhores feudais quando queriam aumentar a sua riqueza. Precisamos encontrar a fórmula de aumentar a produção, empregos, renda, consumo, educação, saúde, e tudo o que falta a este país. Ver onde está havendo dispêndios inúteis como excessos do legislativo e judiciário, e muito mais, remanejando essas verbas para necessidades essenciais.

As pessoas estão percebendo que em suas vidas o tempo voa. A ansiedade vai explodindo, as pessoas querem falar, querem agir, querem fazer tudo na pressa, sem tempo para refletir, como se o tempo estivesse acabando. Sinal dos tempos? Quem entende isso? Quem examina? Nesta quadra da vida temos de ser desbravadores com coragem e persistência. É fundamental entender o que se passa. Existem no mundo mais tiranos do que possamos imaginar.

Quando um presidente é eleito encontra o Legislativo e Judiciário já instalados no poder com grande força de pressão, como fazer a integração? Com motivação patriótica conseguirá alguma coisa a bem do país e sua população? Ou que meios deverá usar para que os poderes se unam pelo bem geral e progresso do Brasil?

O sistema de partilhar o poder e o dinheiro entre os poderes no presidencialismo, chamado de negociação, gerou esse pandemônio econômico e fiscal. A economia põe à mostra todas as suas incoerências com a interrupção das atividades e da circulação do dinheiro. Até quando isso será suportável? O que virá a seguir? A Constituição define os procedimentos, mas por si, sem um plano coeso dos poderes, não consegue impulsionar para melhor, pois os oportunistas agem contra os interesses do Brasil alegando estar seguindo a Constituição.

É grave e dramática a situação a que chegamos. O despreparo geral gerou a falta de responsabilidade como ser humano e cidadão, em que cada um só pensa em si e em obter vantagens. Há décadas um grupo de oportunistas tomou o país para si, deixando a população nas mais precárias condições morais e de vida. As novas gerações precisam de um reforço nas forças cívicas e morais, e compreensão do significado da vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

PAIXÃO E PODER

Em carta a Freud, Einstein disse lamentar que “o direito e o poder andam inevitavelmente de mãos dadas”. De fato, na renhida luta pela supremacia e domínio do dinheiro e poder, e da vida do próximo, impondo a vontade egoística para ter o controle das rédeas da sociedade, mesmo que precise expulsar quem estiver no poder legítimo, é o sonho dos tiranos, seja na esfera dos Estados ou na vida em geral, pois, para eles, nenhuma paixão é mais duradoura do que estar no poder e determinar sobre os outros.

A China surge como o modelo que agrada aos tiranos. Tem produção em larga escala, dinheiro, agilidade, mão de obra barata e não tem sindicato de empregados porque o partido determina tudo. Há quem diga que esse é o modelo para onde o mundo está indo, mesclando o modelo chinês e o indiano, suprimindo a liberdade. Nos idos dos anos 1970, os brasileiros estavam na lista dos salários mais baixos do mundo, mas a tendência agora é que tudo seja nivelado por baixo. O salário era baixo, mas havia a esperança de melhoras.

Tínhamos produção, comércio, serviços e constante desequilíbrio nas contas internas e externas. A globalização levou fábricas e empregos, e a dívida ficou do tamanho do PIB. Perdemos a consistência. Sem empregos, teremos que cair no programa de renda mínima; sem perspectiva de sair dessa casta inferior, a humanidade vai estagnar ainda mais. Qual seria a possibilidade de o Brasil reagir e gerar empregos na economia global orientada para mínimo custo e concentração da produção para exportar?

Os governantes e a burocracia do Estado deveriam ter por única preocupação o bem-estar dos governados. Mas o dispositivo burocrático geralmente se converte num tirano absolutista. Luciano Bivar, no livro Burocratocia: A Invasão Invisível, descreve a modalidade tirânica que nega a democracia genuína, analisando os seus mecanismos de influência nas atividades econômicas e nos processos políticos e sociais. Segundo o autor, a “Burocratocia” é a exacerbação da burocracia praticada por agentes públicos em busca de privilégios, que se tornaram amantes do poder para se eternizarem nas funções públicas, impedindo um salto qualitativo na gestão do Estado e gerando abusos de toda ordem. Qualquer semelhança com o Brasil de nossos dias não será mera coincidência.

Os governantes têm de contribuir para que haja oportunidade de progresso para todos. A classe política e a burocracia se voltaram prioritariamente para conservar seus privilégios e sua posição no poder. As casas onde se criam as leis dos homens se tornaram displicentes. O mundo precisa de homens sábios no comando e de seres humanos que se movimentem incansavelmente buscando o bem.

Atualmente, com o confinamento geral, o modo de vida está diferente e isso está mexendo com o humor das pessoas que deveriam fazer um esforço para descobrir por que tantas coisas estão desmoronando, mas o Sol continua amigo. As pessoas também devem agir de forma amistosa, mantendo a serenidade, seguir em frente com coragem, confiança e alegria no novo dia e na vida. Com a crise epidêmica em andamento, está ocorrendo uma parada. É preciso observar a grande advertência contida nesse acontecimento que chama a atenção dos seres humanos sobre a forma como estão vivendo. As leis naturais da Criação estão exigindo que tudo se torne Novo.

Os seres humanos estão abdicando de suas capacitações de examinar, ponderar, refletir de forma intuitiva, o que permite a ampliação e dominação da manipulação agora facilitada pelos novos recursos tecnológicos. Uma guerra de comunicações com informações e desinformações. É preciso saber separar o joio do trigo. Na economia, tudo tem que ser examinado. As teorias existentes são de uma época em que não havia o capitalismo de Estado que mudou tudo. Se examinarmos o momento atual com base nas velhas teorias será difícil obter uma boa compreensão. Apesar das inúmeras mensagens inquietadoras lançadas pela mídia, a população está bradando que quer um Brasil melhor, digno e responsável. O mundo ficou dominado pelos maus, o que impõe aos demais sede de justiça. No entanto, acima das leis dos homens paira a grande justiça da lei da reciprocidade que às vezes tarda, mas não falha.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

CONHECER O SIGNIFICADO DA VIDA

Desenvolvemos muitas práticas inúteis, fúteis e superficiais, que absorvem grande parte do nosso tempo de vida, que poderiam ser abandonadas tranquilamente sem fazer falta alguma para a humanidade. A epidemia do covid-19 está mostrando isso. Algumas coisas, porém, foram postas de lado sem critério, sendo as principais, o trabalho, o estudo e a atividade física. O trabalho deveria ser mais bem pensado, com menos horas de ocupação e mais horas de estudo. O sistema 24 horas por 7 dias das semanas já se revelou antinatural, pois as noites foram feitas para o repouso.

Tudo que a humanidade faz ficou impregnado da ânsia pelo dinheiro, o que retira a naturalidade dos seus afazeres em oposição ao significado e finalidade da vida. Em vez de atuarem naturalmente para atender às próprias necessidades de forma condigna, as pessoas acabaram se tornando meros fatores de atividades econômicas para o acúmulo de dinheiro e poder nas mãos da classe que se comporta como se fosse dona do planeta, pondo de lado a amplitude da vida e da Criação, que inclui o aquém e o além, sendo tudo uma só coisa. Seres humanos intelectivos e materialistas fizeram a separação para se alienarem da vida real. Com a pressão reforçada da Luz do Criador, todas as consequências do modo errado de viver estão surgindo aceleradamente, de forma dramática, para que sejam extirpadas da face da Terra e a humanidade possa beneficiar tudo através de alegres atividades e evoluir em paz.

Para favorecer a paz duradoura é imprescindível que a educação promova a busca pelo aprimoramento pessoal e espiritual continuadamente, de forma que os estudantes se tornem seres humanos de qualidade e que tenham consideração sincera pelo próximo, buscando a continuada melhora nas condições gerais; mas sem conhecer o significado da vida, permanecerão transitando por caminhos errados. E como seria a forma de viver na Terra se os humanos conhecessem o real significado da vida?

O desenvolvimento da nossa espécie refere-se ao progresso sadio, com a possibilidade de manifestar a vontade do eu interior livremente. Clarificar o espírito. Adquirir maturidade. Intuir e pensar com simplicidade, clareza e naturalidade. Por seu modo de ser, o espírito esclarecido estabelece a paz em redor de si, sem manifestação raivosa, com serena objetividade no grande impulso de atuação alegre.

As trevas dos erros humanos envolveram a Terra. Vivemos numa época caótica cuja loucura e insensatez atingem a todos, e tendem a aumentar. Se não ficarmos vigilantes, o aumento do estresse, os descontentamentos e a tristeza acabarão moldando o nosso querer. Perde-se a esperança de que as situações possam ser modificadas pela generosidade.

As novas gerações encontram o terreno minado e vão avançando em meio à escuridão. Os seres humanos nasceram livres com intuição ativa, mas deixaram o intelecto dominar e se acorrentaram aos erros, perdendo a liberdade espiritual e agora vivem como escravos do raciocínio. Só a Luz da Verdade poderá libertar os que a buscarem com toda sua força.

No mundo áspero no qual vivemos há muitos “lobos” vestidos em pele de “cordeiro”, ódio disfarçado em sorrisos, inveja disfarçada em amor e falsidade disfarçada em amizade. É com a intuição que poderemos distinguir os cordeiros reais dos falsos. Brasil, hás de ser uma pátria livre banhada pela Luz do Criador, apesar de todo jogo sujo desenvolvido pelos homens que agem como lobos assassinos dos semelhantes.

Falta união pelo bem geral. Os partidos e seus representantes se aglutinam por interesses; em primeira linha está a conquista do poder. Se o que é bom para o país não é bom para a eleição dos pretendentes, que se dane o país e sua população. E assim caminha, a humanidade, seja em que país for os homens se digladiam pela conquista do poder e controle das riquezas.

Nesta época de crise muitos gastam sua energia procurando culpados. Eles existem sim; a humanidade semeou e agora colhe. Não faltaram advertências. Nada acontece por acaso. O atuar das leis da Criação expressa inexorável justiça tecida pelos fios do destino gerados pelas ações dos seres humanos. O vento é forte. O momento é difícil e mostra a nossa pequenez. Necessitamos ter confiança na sabedoria da Luz, Força para resistir e coragem para prosseguir.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS DONOS DO BRASIL

No livro Os Donos do Poder, partindo das origens portuguesas de nosso patronato político, Raimundo Faoro demonstra como o Brasil foi governado desde a colônia por uma comunidade burocrática que acabou por frustrar o desenvolvimento de uma nação independente sempre permitindo a preponderância de interesses externos favorecida por agentes públicos corruptos que só pensam nos interesses próprios. Sua análise abarca o longo período que vai da Revolução Portuguesa do século XIV até a Revolução de 1930 no Brasil.

Do Brasil colônia até a tomada do poder por Getúlio Vargas, perdurou a mesma estrutura político-social que resistiu a todas as transformações fundamentais e aos desafios mais profundos de um mundo em transformações aceleradas. No entanto, após o suicídio de Getúlio Vargas, um grupo foi se articulando e aos poucos reassumiu o controle do país e, com o auxílio das comunicações, foi dopando a população com demagogia e ilusões que acabaram engessando o país com atraso, dívidas e despreparo.

Para Faoro, a renovação só virá através dos “negativamente privilegiados em relação à minoria dominante”, afirmando que enquanto houver a reprodução do estamento burocrático, não surgirão condições para o desenvolvimento do capitalismo industrial. O que se espera é que esses “negativamente privilegiados” se conscientizem da dominação estamental e forcem uma evolução ampla da nação. Surgiu um grupo cujos membros pensam e agem com os mesmos objetivos, um círculo fechado para o exercício do poder e para desfrutar o butim, as riquezas, as benesses do poder, e que perdura até nossos dias e lutam com todos os meios para que nada atrapalhe seus planos de domínio do país.

Não surgiu uma Nação para o povo e, sim, para a perpetuação do poder daqueles que se posicionaram como donos do Brasil e de sua população. A alternativa se encontraria no livre desenvolvimento de um capitalismo industrial que ensejaria a criação de uma sociedade nacional conscientizada, apta a desenvolver “uma cultura genuína”. Mas com a política de valorização do real na base de juros elevados por período de quase trinta anos a indústria foi desaparecendo e com ela a experiência técnica. Os importados eram baratos, mas não havia mais empregos.

Hoje invoca-se tudo no exercício do poder, mas são criações humanas. Nem os profetas, nem Jesus Cristo criaram religiões. No geral, a humanidade permanece alheia ao significado da vida e suas leis. Mais do que ideologias teóricas e religiões, o pano de fundo dos gestores públicos e seres humanos deveria ser a busca do aprimoramento da espécie e a continuada melhora das condições gerais de vida.

Na China, a região de Shenzen, com mão de obra barata, seriedade na gestão, câmbio depreciado, produziu para o mercado externo e acumulou dólares. No Brasil, foi criada a zona franca de Manaus, que ajudou a proteger a região com um monte de incentivos, câmbio favorecido para importar com financiamento especial, mas virou corredor de importados e ainda precisou do xerife Romeu Tuma para coibir um brutal desvio de dólares.

A amizade verdadeira é um sentimento nobre que se preocupa com o futuro da pessoa amiga. Hoje as relações pessoais ou internacionais surgem na base de interesses mútuos, ou na expectativa de que uma pessoa possa ser útil para que outra possa alcançar os seus objetivos, com sedução ou corrupção. Como os interesses estão em constante mudança, as amizades também. Mas o extremo dessa situação é quando há o chamado “pato” envolvido na falsa amizade. Isso vai além da diplomacia, pois envolve bajulação e prestatividade que desaparecem uma vez alcançado o alvo, o benefício próprio.

A quem interessam as consequências econômicas negativas do coronavírus? O mundo continua precisando de comida. O Brasil pode e deve produzir, vender com preço justo e aplicar os resultados na melhora geral. Há união do povo no combate ao vírus, mas os políticos permanecem em sua campanha tenebrosa para conservar o poder. As pessoas têm um pressentimento de que a crise vai passar, mas ao término dela o aumento da pobreza estará bem nítido. O Brasil, fragilizado há décadas, estará mais frágil ainda diante das sombrias cobiças. Dos pobres, a globalização só retira, mas indica que é hora para aproveitar os talentos que cada país possui para produzir mais internamente. Coragem Brasil.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O PAPEL DO ESTADO

Com mais de sete bilhões de pessoas e inúmeras decisões imediatistas, a situação mundial está beirando ao caos. Os meios de comunicação, veladamente, anunciam que não vai dar para resolver todos os problemas criados pela humanidade. Nas casas onde se criam as leis dos homens prevalecem interesses particulares. O mundo precisa de homens sábios no comando e de seres humanos que se movimentem incansavelmente buscando o bem.

Nestes dois milênios depois de Cristo, tivemos praticamente quinze séculos de imobilismo nos quais as comunidades não atingiram o apogeu de seu desenvolvimento. A partir do século 15, houve uma ruptura e começaram a surgir mudanças. As comunidades se transformaram em nações e estas em Estados soberanos que passaram a interferir profundamente nas atividades, regulamentando a vida. Três poderes se confrontam: o religioso, o do Estado burocrata, e o econômico que, crescentemente, amplia a sua influência. Por trás de tudo isso, sempre estiveram os próprios seres humanos que, ao invés de buscarem intensamente o reconhecimento e atuação conforme as leis da Criação, sempre disputaram o controle das riquezas, a influência e o poder. Assim, as incompreensões permaneceram e a missão de Cristo não foi reconhecida com exatidão.

A estruturação do Estado nacional contemporâneo tem como objetivo exercer a soberania política e militar dentro de seu território delimitado por suas fronteiras. O Estado nacional é também chamado de Estado-Nação, aglutinando as pessoas que vivem no território e que possuem características singulares segundo a sua identidade (língua, religião, moeda, hino do país etc.) cultural, histórica, étnica, colocadas em prática dentro do estado, ou seja, do país.

Surgiu o Estado Laico e Republicano, com a capacitação de definir a moeda do país, sem a figura do rei absoluto. Mas a população deveria ser bem preparada e o Estado não deveria ser o tutor de tudo e de todos, tributando e se envolvendo em negociatas. Cada povo, com sua pátria e tradições, todos reconhecendo e seguindo as leis naturais da Criação. Mas a cobiça por riqueza e poder dominou, e as consequências estão evidentes: Estados endividados, falidos, população despreparada, cidades caóticas.

O Estado tem de contribuir para que haja oportunidades de progresso para todos, mas os teóricos queriam Estados que tivessem arrecadação e pudessem contrair empréstimos no mercado. Aí vieram os burocratas e melou tudo. O dinheiro nunca é suficiente, as dívidas crescem e tudo fica por fazer. A classe política e a burocracia se voltaram prioritariamente para conservar seus privilégios e posição no poder. Mas o que eles fizeram com o dinheiro?

A rede de poder mundial está consolidada há décadas. Tudo foi seguindo de forma indolente, sem chances de renovação. O declínio ético e moral está se ampliando. Com o agravamento da situação e a insatisfação crescente, surgiram os chamados populistas que cativam as massas propondo novas ideias, visando a seriedade na gestão pública.

Com a crise epidêmica do coronavírus em escala global, está ocorrendo um clima de ansiedade e inquietação que se amplia com o bombardeio de informações derrubando a economia. Mas a crise é uma grande advertência, chamando a atenção dos seres humanos sobre a forma displicente e irresponsável como estão vivendo. No entanto, a atuação das leis naturais da Criação exigirá que tudo se torne novo no viver.

A República, proclamada em 1889, veio sem preparo, fruto de um golpe de vingança contra o Imperador e a Princesa Isabel que aboliram o trabalho escravo, pois a economia do Brasil não poderia continuar naquele sistema ultrajante. Nas várias etapas seguintes de governo faltou o impulso para formar um país independente, apto a conceder boa qualidade de vida a todos que se esforçam.

A saúde é a grande riqueza do ser humano para poder cumprir a sua tarefa na Terra; sem ela, tudo o mais perde o seu valor. O corpo é de uma perfeição espetacular, as condições de hospitalidade do planeta também. Mas o ser humano se afastou da naturalidade e causou danos a si mesmo e à Natureza. Como diz Roselis von Sass, na obra O Livro do Juízo Final, “O efeito protetor da aura dos seres humanos foi rompido e comprometido, pois as cores originais possuem efeitos magnéticos defensivos”, que foram perdidos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A HUMANIDADE E O PODER

Para enfrentar a limitação de recursos da natureza, os humanos têm que superar o egoísmo e encarar a vida com seriedade e solidariedade, estabelecendo metas de continuada melhora das condições gerais de vida, visando o progresso e a paz. Quem realmente está empenhado na melhora da qualidade da humanidade? Tudo está decaindo sob a ilusão do falso progresso que na verdade rebaixa tudo. Os dirigentes dizem agora que o orçamento público está apertado, mas a destruição da natureza e dos rios e mares ocorre há décadas. Rios maravilhosos, que alimentavam a população, tinham água potável, a grande riqueza que sustenta a vida, e eram vias de transporte. Atualmente, esses rios estão poluídos, sujos fétidos, e representam a grande estupidez da humanidade que depende da natureza para ter boa qualidade de vida.

Cada ser humano sentia-se responsável pelo futuro do mundo examinando as causas e consequências. Hoje poucos ainda olham para isso. Como massa entorpecida, o povo vê o mal e a decadência se alastrarem, mas não reage mais. A cada ano que passa aumenta o risco de soçobro da humanidade. A cobiça de poder sobe à cabeça. O ódio contido ameaça extravasar. A inquietação e a depressão se tornam doenças epidêmicas que se espalham pelo mundo. Temos que aprender a enfrentar turbulências até achar a serenidade do céu azul, saber traçar uma rota que escape da tormenta que se avizinha, protegendo a liberdade, a individualidade, o bom preparo de pais e mães para que surjam gerações fortes aptas e dispostas a construir um mundo melhor.

No Brasil, estamos entre os poderosos Banco do Mundo (EUA) e Fábrica do Mundo (China). Ambos visam vantagens para eles próprios. Ambos requerem governantes sábios que saibam obter bons resultados sem comprometer sua autonomia e futuro, sem entregar suas riquezas para benefício de outros como têm feito até agora. Há no mundo uma grande complicação. No ocidente, os trustes e monopólios exercem forte influência em tudo. Na China, o Partido Comunista controla tudo.

O Banco do Mundo nos fez dependentes do dólar para tudo, mas com o surgimento da Fábrica do Mundo, cujos custos são imbatíveis, ocorreu um desequilíbrio geral nos empregos, renda e precarização. No Brasil, com pouca indústria, o dinheiro sumiu. O país exporta commodities, importa tudo pronto e remete dólares. Com isso, a circulação se reduz à importação e comercialização. Quem sabe a projetada inclusão da população da China no consumo possa dar um ajuste, mas o que o Brasil poderia produzir para os chineses e gerar empregos internos? Sem solucionar essa questão, a estagnação econômica não vai encontrar seu limite.

Produzir, gerar empregos, pagar impostos, ter lucro e distribuir dividendo estão se tornando cada vez mais difíceis neste mundo competitivo e desleal. A produção mundial ficou concentrada em grupos que dispõem de mão de obra de baixo custo, automação e monopólio. A economia se tornou luta desenfreada devido à ganância dos homens que a desequilibraram e extinguiram a consideração e a solidariedade. O dinheiro se tornou a prioridade obsessiva em escala mundial. No Brasil, é importante que os trabalhadores não se deixem contaminar pelo ódio e se esforcem para executar suas tarefas com atenção e responsabilidade.

O país precisa resolver seus problemas, acabar com essa miséria desumana. Tem de manter a livre iniciativa, embora a economia mundial esteja desarrumada com o confronto entre livre mercado e capitalismo de Estado. Os empregos foram desaparecendo, a renda caindo, mas não o custo de vida, acarretando estagnação e a continuada precarização geral. Com a elevação da dívida, o governo não conseguiu recircular o dinheiro, e quando o fez, ampliou o consumo de importados. Resolver esse desequilíbrio é o grande desafio.

Lao-Tse, assim como Buda e Zoroastro, foi um dos mestres abnegados que no seu tempo ofereceu aos seres humanos, emaranhados em seus erros, degraus do saber sobre a origem e o significado da vida. Confúcio também apresentou explicações sobre a vida, mas sua filosofia pragmática punha de lado a amplitude espiritual, o que acabou criando confusão sobre a real finalidade da vida. Assim, a indicação da escada da elevação acabou sendo perdida pelas teorias ligadas aos interesses materialistas, estagnando a evolução da humanidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O HOMEM E O PODER

Há um ditado que diz que nada melhor do que dar poder a um homem para conhecer o seu real caráter. Por milênios a humanidade vem travando a voz do espírito seguindo apenas o raciocínio gerado no cérebro frontal envolvido no materialismo que provocou o crescimento da cobiça por poder e riqueza. Por muitos séculos depois de Cristo (dC), os representantes da Igreja exerceram forte influência pelo mundo, enquanto mais e mais o espírito ia sendo posto de lado, caindo em profunda sonolência e, figuradamente, o coração nada mais conseguia dizer.

Apoiado em alguns conceitos naturais, veio o liberalismo, enaltecendo as qualidades individuais do ser humano, o direito à propriedade e a conquista da riqueza como prioridade. Vieram logo a seguir as ideias socialistas enaltecendo as qualidades do Estado e seus representantes, como detentores das riquezas para conduzir a vida dos seres humanos a uma condição de bem-estar social nivelando-os para uma existência voltada para o materialismo. O ser humano nasceu livre, as imposições do Estado forte manietam o seu caráter e seus anseios inibindo a essência.

Embora em polos opostos, nos dois sistemas prevalecia a cobiça dos dirigentes pelo poder, empregando a comunicação de massa para o nivelamento dos seres humanos por baixo, levando-os cada vez mais para uma existência puramente material, sem perspectivas amplas voltadas para a essência da vida.

As sinapses, conexões de neurônios, vão se formando a partir da primeira infânciae se desenvolvem continuamente, mas as básicas adquirem força nas vivências da fase inicial do aprendizado imitativo e cognitivo. O declínio geral está ligado à falta de preparo das novas gerações, pois já na primeira infância os cérebros das crianças vão sendo alimentados por imagens negativas de mentira, sexualidade exacerbada, insatisfação, medo, ódio, violência.

A ciência do cérebro deveria estar conectada com a percepção do eu interior, a alma. Apesar dos avanços nas pesquisas, a caixa craniana ainda é uma caixa de enigmas. Falta o reconhecimento do significado da vida; faltam alvos enobrecedores que estabeleçam como prioridade a meta do progresso real da humanidade, espiritual e material, para o benefício de todos, para que os indivíduos alcancem evolução real e sejam felizes. Sem o envolvimento das novas gerações nesse alvo, o futuro se torna incerto e ameaçador.

No século 21, mais do que nunca se evidenciam as obras do raciocínio desconectado das leis espirituais da Criação. Visivelmente o corpo do planeta Terra apresenta os sintomas de terrível doença que agora se manifesta em agitada convulsão.

O dinheiro foi uma grande invenção, mas se mal administrado gera perdição. Os feiticeiros do dinheiro e os maus governantes possibilitaram e eclosão do drama do inaudito crescimento da miséria que se alastra pelo planeta. No mundo econômico a importante variável câmbio exerce poderosa influência nas relações de comércio de importação e exportação entre os povos como também possibilita manobras escusas para ganhos especulativos.

A guerra comercial se reveste de acirrada batalha econômica pelo poder. A crise econômica se alastra. A Argentina abriu o bico demonstrando sua incapacidade de saldar os compromissos financeiros assumidos. Na Venezuela, rica em petróleo, falta tudo e sua população foge apavorada. O cenário econômico mundial tende para o salve-se quem puder.

No Brasil, impera a discórdia, a luta daqueles que tendo colhido muitos benefícios querem manter seus privilégios. As reformas são necessárias. A política de juros elevados e a displicência fiscal criaram esse monstro da dívida que exige mais e mais impostos complicados de administrar. Mas têm de ser examinadas todas as causas que levaram à paradeira e à estagnação da produção industrial, dos empregos e da renda.

O endividamento público atravessa descomunal crescimento, a falta de pagamento já é ameaça; se os juros não baixarem, a bola de neve vai rolar. Os detentores de reservas financeiras não terão mais o acréscimo de juros cujo peso os governos transferem para toda a população.

Há muito dinheiro encalhado, mas falta trabalho. É preciso encontrar a forma de distribuição que não seja as aviltantes bolsas para desempregados. O ser humano requer trabalho para se sentir útil à sociedade. É como no canto de Gonzaguinha: “Seu sonho é sua vida e vida é trabalho. E sem o seu trabalho, o homem não tem honra”.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

COMO SAIR DO LABIRINTO

Com a estagnação da fiação e tecelagem, a produção de algodão vai para o exterior em estado bruto. O mundo caiu no labirinto da mão de obra barata da Ásia e não sabe mais como sair da enrascada. A classe política, por sua vez, a começar pelas prefeituras, pouco fez para fortalecer o país; algemaram-se às empreiteiras, comprometeram o orçamento e não planejaram para fazer das cidades espaços apropriados para a morada de seres humanos. De Sarney a Dilma o atraso só foi aumentando. Tentaram camuflar a situação com juros e câmbio valorizado, mas afetaram a indústria.

A dívida cresceu. O governo está sem recursos. O desemprego aumenta. Assim como muitos países, o Brasil também está amarrado sem saber como fazer para conduzir o país para uma nova fase com seriedade e progresso real. Nesta época de ociosidade e encalhe de manufaturados no mercado internacional devido à queda na renda, o Brasil, onde falta tudo, tem de encontrar meios de produzir mais e gerar empregos, sem ampliar a dívida.

O dinheiro dos impostos entra nos cofres do governo e some. Os estudantes vão à escola e poucos aprendem. Estamos diante de cenário econômico mundial inédito com a concentração da produção industrial em grandes empresas com coordenação de Estado forte e que começa a afetar as campeãs do livre mercado. Quais as consequências sobre a economia mundial e sobre as vidas dos cidadãos comuns e sua individualidade? Habituados a uma jornada de estudos e trabalho, qual será a possibilidade de evoluírem na escala social?

Com os descuidos no dia a dia, o viver ficou mais difícil. Há uma ansiedade generalizada. Antes mesmo de entender o que o outro está dizendo, muitas pessoas já passam para ataques. No meio de tantas informações tendenciosas é necessário que haja, prontamente para cada falsidade, o rebate, a informação real sobre o que de fato está ocorrendo, para que todas tenham o esclarecimento verídico.

Antes do nascimento do ser humano na Terra a natureza já estava toda adornada de vida pujante para assegurar a sustentabilidade, e a humanidade convivia em harmonia com a natureza e seus entes. Mas com o despertar da vaidade e cobiça, o homem se julgou superior e passou a explorar a natureza de todas as formas, sugando a rica seiva de suas entranhas. A natureza e seus entes reagem ferozmente mostrando a estupidez da ignorância humana. No século 21, os dirigentes poderiam usar clareza e objetividade nos esforços para fazer do planeta Terra um bom lugar para se viver, buscando corrigir os desequilíbrios.

Com a estagnação do desenvolvimento espiritual da humanidade, foi surgindo e se perpetuando a ideia da divisão entre mandantes e submissos, ou seja, os obedientes por imposição que assim se tornaram devido à própria indolência, e não menos pelo uso de coerção pelos mais fortes. Os seres humanos são desiguais em seu desenvolvimento espiritual, estando uns mais à frente do que outros. Isso, porém, não lhes dá o direito de se sobreporem uns aos outros e de não se envergonharem em comprar e vender humanos escravizados, criando-se o mote “manda quem pode….”. Já na educação, desde a infância essa ideia se foi implantando de várias maneiras, pela mente e pelas emoções, ampliando-se pela vida toda, semeando medo, estabelecendo a fragilidade dos vínculos nas relações humanas. A prepotência que ocorre no nível pessoal também ocorre entre os países que adotaram obter ganhos causando perdas a outros.

Estamos diante de cenário inédito na economia com a concentração da produção industrial em grandes empresas sob a coordenação de Estado forte e que começa a afetar as campeãs do livre mercado. Quais as consequências disso para a economia mundial? Essa questão se aplica aos países em geral no tocante à sua autonomia. Estamos caminhando para o Big-brother com comando global unificado sem liberdades?

Enfim, estão se tornando visíveis os desequilíbrios causados pela globalização que privilegiou aqueles que dispunham de mais poder de barganha. Não vai dar para seguir assim, fragilizando e empobrecendo de forma geral. Se o mercado externo se fecha, o que fazer? Cada país terá de seguir com os próprios meios, sem aumentar a dívida, educando as novas gerações, ampliando a produção, criando empregos e ampliando a renda.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7