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A RESPONSABILIDADE DE MÃES E PAIS

Há a percepção de que há algo errado na vida, mas não se conhece a causa, então aumentam o descontentamento, insatisfação, revolta e o estresse. O celular e suas conexões são a válvula de escape, mas que na verdade consomem a pouca energia existente. Faltam propósitos e força de vontade; o tempo vai escapando e as dificuldades aumentam. Característica marcante desta era é a baixa resiliência das novas gerações. Aliam-se a isso a enxurrada de negativismo que leva as pessoas a se preocuparem só com as dificuldades diárias, sem esforço para entender o significado da vida.

As novas gerações deveriam receber, como motivação básica, a necessidade de se esforçarem para construir um mundo melhor, com ética e responsabilidade. Seria isso demais? Mas os adultos têm coisas “ditas” mais importantes para se ocupar do que se relacionar com o próximo de forma construtiva e equilibrada e dar bons exemplos. Talvez temam que os jovens adquiram clareza e, descobrindo o sentido da vida, percebam as incoerências do sistema, passando a reivindicar mudanças que poderiam ferir privilégios consolidados há séculos.

Uma criança que foi protegida e teve, habitualmente, tudo o que quis, vai desenvolver em sua mente a presunção de sua importância sobre os demais. Assim, irá ignorar os esforços dos seus pais e presumirá que todos devem lhe dar ouvidos; e se vier a assumir cargo de comando, não terá empatia para com os subalternos e sempre encontrará culpados pelos insucessos sem se autoexaminar. Esse tipo de pessoa, que pode ter boa formação acadêmica, não consegue vivenciar os problemas reais e raramente sentirá contentamento, pois sempre tentará sugar as ideias dos outros, cobiçando tudo, e dessa forma será péssimo exemplo para os filhos.

Em Calcutá, na Índia, uma jovem de 21 anos homenageou seu pai levando-o por toda a cidade sentado no “rickshaw” – um transporte comum naquele país até hoje. O pai dela é condutor desse tipo de veículo, chegando a puxar duas ou três pessoas, no sol e na chuva, dia e noite para sustentar a família composta de esposa e três filhas que moram na favela. Essa menina estudou com ajuda de lamparinas e em escola e faculdade mantidas respectivamente pela prefeitura e pelo governo. Ela completou o segundo grau e a faculdade com notas mais altas e agora alcançou o primeiro lugar na prova mais cobiçada e difícil na Índia! Sonho de milhares e milhares, pois somente uma em cada 200 mil pessoas consegue entrar na lista de aprovadas para os Indian Administrative Services que treinam os administradores de todos os setores do governo. Essa menina tinha fé e estudou sozinha num quarto onde moram cinco pessoas, sem energia elétrica e sem recursos. Uma lição de humildade, trabalho, dedicação e determinação para todos nós!

As dificuldades aumentam, mas poucos se aventuram em buscar as causas. A vida não é só uma corrida atrás de dinheiro e comida. As novas gerações não veem mais pessoas procurando o sentido da vida e então nem pensam nisso. Vão adentrando na vida mecânica e em ansiedade e depressões quanto ao futuro, exaurindo-se no presente. O futuro da humanidade depende do bom preparo das novas gerações que começa desde quando são gerados por seus pais para se tornarem seres humanos de qualidade, benéficos ao planeta. No Brasil, faltam creches com cuidadoras bem preparadas e dedicadas, e escolas que ensinem as crianças a ler e escrever corretamente e a fazer contas elementares.

Sem saber ler direito, a pessoa é nada. Mas não podemos esquecer a responsabilidade dos pais e mães. No mundo, tudo se tornou uma questão de dinheiro e o desenvolvimento e aprimoramento da humanidade se tornou secundário. É preciso vontade forte para fortalecer o humano, o espírito. Pais e mães não estão conseguindo transmitir os valores da vida e de bom senso às novas gerações. Tudo está submetido a um sistema de comunicação de modelagem adequada para alcançar os fins definidos por uma elite materialista. Mas o ser humano é mais do que comida, dinheiro e prazeres. A vida não é só isso; o tempo é precioso e deve ser aproveitado para a evolução pessoal e espiritual.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

UMA GERAÇÃO FORTE

O Brasil enfrenta crise múltipla: falta confiança na elite política, crise econômica e falta de consenso sobre o que é melhor, pois há polarização de interesses. O país está muito aquém da posição em que deveria estar face aos recursos de que dispõe, mas tem sido mal gerido, por políticos mal intencionados que não se esforçam pelo bem do país. Há muitas incertezas. Esperemos que o Brasil possa reencontrar o caminho do progresso com seriedade.

No ano de 1889 tinha início a República, num país rico em recursos ofertados pela natureza, mas pobre face aos maus governos que teve. Passaram-se 129 anos. Neste ano de 2018 ocorre eleição para presidente. Há miséria, destruição e precarização para onde quer que se olhe. Qual candidato será o escolhido? Qual deles tem a vontade e as qualidades necessárias para reverter a situação, tornando o Brasil um país humano e próspero que possibilite a evolução condigna?

Em 1889 ocorreu a vingança contra a Princesa Isabel. A república criada não integrou a população escrava que havia sido liberada das fazendas. Hoje ainda não temos saneamento elementar para grande parte dos habitantes. Rios e riachos vão empurrando esgoto para as praias próximas. Quanto descuido e irresponsabilidade da humanidade com relação à preservação da qualidade das águas. Isso provocará muitas confusões no planeta. Quando, afinal, os munícipes terão 100% da sua água e esgoto tratados?

Em meio à forte turbulência, há também inúmeras narrativas sobre a atual situação do Brasil e não se sabe mais em quem acreditar. A realidade é brutal, em permanente crise, havendo pequenos intervalos com alguma melhora. Temos um país pobre, embora rico em recursos naturais. Dívida elevada que se formou com desmandos, juros e perdas cambiais. Baixa educação. Menos oportunidades de empregos. O dinheiro foi mal administrado com enormes desperdícios e desvios. Riscos enormes de continuar como estamos, decaindo; ou estabelecer um perigoso governo forte, ou um governo esquerdizante? O que será?

Falta o principal: estadistas sinceros, leais, sábios que busquem o melhor para o fortalecimento da nação, da população e da qualidade de vida. Os falsos estadistas continuam se digladiando para ver quem manda mais, quem fica com o pedaço mais suculento e, com isso, o futuro vai ficando ameaçado. As novas gerações, com pouco preparo para a sua responsabilidade, estão perdendo a esperança. Mas afinal como foi que o Brasil e o mundo chegaram a esse momento caótico na economia que a tudo constrange? Haja Luz e Paz para que possamos progredir de fato.

O capital humano é desprezado no Brasil e, nos países desenvolvidos, um pouco menos. Precisamos de produção, trabalho, preparo das novas gerações, consumo adequado. Na China foi usado ópio para obter riqueza e promover a fragilização; no Brasil a alienação da vida real e as drogas chegaram logo bloqueando o surgimento de propósitos enobrecedores para uma construção sadia.

Como conscientizar os jovens de que o estudo é para eles mesmos, para se aprimorarem e buscarem melhores condições de vida? Com famílias desestruturadas e sem terem frequentado creches com cuidadores aptos a dar bom preparo para a vida, ficam facilmente influenciáveis para regredir como seres humanos. Teriam de dedicar alguns minutos diários para a leitura, pois é por meio dela que surge espaço para as reflexões próprias.

Precisamos de uma geração forte, bem preparada para a vida, que desde cedo reconheça a necessidade de equilíbrio em tudo, disposta a empregar o melhor de si para alcançar um futuro melhor e humano. Os jovens precisam aprender a refletir e a liberar a ampla visão intuitiva e ter a consciência de que é preciso aprender sempre, pois a vida real requer o aprendizado do espiritual e do material.

Sem equilíbrio na conduta chega-se ao ponto de saturação. Para receber é preciso retribuir. O cérebro não poderia agir desvinculado da ancestralidade e do saber inato de como funcionam as leis da vida. Mas tanto forçou que passou a agir por si como máquina que não tem compromissos com a vida e vai levando tudo na ignorância do perdido saber que retira do homem o seu aspecto humano, tornando-o imediatista e inconsequente por não enxergar o amanhã da existência. O país declina e todos sofrem as consequências dos desatinos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7