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PAIXÃO E PODER

Em carta a Freud, Einstein disse lamentar que “o direito e o poder andam inevitavelmente de mãos dadas”. De fato, na renhida luta pela supremacia e domínio do dinheiro e poder, e da vida do próximo, impondo a vontade egoística para ter o controle das rédeas da sociedade, mesmo que precise expulsar quem estiver no poder legítimo, é o sonho dos tiranos, seja na esfera dos Estados ou na vida em geral, pois, para eles, nenhuma paixão é mais duradoura do que estar no poder e determinar sobre os outros.

A China surge como o modelo que agrada aos tiranos. Tem produção em larga escala, dinheiro, agilidade, mão de obra barata e não tem sindicato de empregados porque o partido determina tudo. Há quem diga que esse é o modelo para onde o mundo está indo, mesclando o modelo chinês e o indiano, suprimindo a liberdade. Nos idos dos anos 1970, os brasileiros estavam na lista dos salários mais baixos do mundo, mas a tendência agora é que tudo seja nivelado por baixo. O salário era baixo, mas havia a esperança de melhoras.

Tínhamos produção, comércio, serviços e constante desequilíbrio nas contas internas e externas. A globalização levou fábricas e empregos, e a dívida ficou do tamanho do PIB. Perdemos a consistência. Sem empregos, teremos que cair no programa de renda mínima; sem perspectiva de sair dessa casta inferior, a humanidade vai estagnar ainda mais. Qual seria a possibilidade de o Brasil reagir e gerar empregos na economia global orientada para mínimo custo e concentração da produção para exportar?

Os governantes e a burocracia do Estado deveriam ter por única preocupação o bem-estar dos governados. Mas o dispositivo burocrático geralmente se converte num tirano absolutista. Luciano Bivar, no livro Burocratocia: A Invasão Invisível, descreve a modalidade tirânica que nega a democracia genuína, analisando os seus mecanismos de influência nas atividades econômicas e nos processos políticos e sociais. Segundo o autor, a “Burocratocia” é a exacerbação da burocracia praticada por agentes públicos em busca de privilégios, que se tornaram amantes do poder para se eternizarem nas funções públicas, impedindo um salto qualitativo na gestão do Estado e gerando abusos de toda ordem. Qualquer semelhança com o Brasil de nossos dias não será mera coincidência.

Os governantes têm de contribuir para que haja oportunidade de progresso para todos. A classe política e a burocracia se voltaram prioritariamente para conservar seus privilégios e sua posição no poder. As casas onde se criam as leis dos homens se tornaram displicentes. O mundo precisa de homens sábios no comando e de seres humanos que se movimentem incansavelmente buscando o bem.

Atualmente, com o confinamento geral, o modo de vida está diferente e isso está mexendo com o humor das pessoas que deveriam fazer um esforço para descobrir por que tantas coisas estão desmoronando, mas o Sol continua amigo. As pessoas também devem agir de forma amistosa, mantendo a serenidade, seguir em frente com coragem, confiança e alegria no novo dia e na vida. Com a crise epidêmica em andamento, está ocorrendo uma parada. É preciso observar a grande advertência contida nesse acontecimento que chama a atenção dos seres humanos sobre a forma como estão vivendo. As leis naturais da Criação estão exigindo que tudo se torne Novo.

Os seres humanos estão abdicando de suas capacitações de examinar, ponderar, refletir de forma intuitiva, o que permite a ampliação e dominação da manipulação agora facilitada pelos novos recursos tecnológicos. Uma guerra de comunicações com informações e desinformações. É preciso saber separar o joio do trigo. Na economia, tudo tem que ser examinado. As teorias existentes são de uma época em que não havia o capitalismo de Estado que mudou tudo. Se examinarmos o momento atual com base nas velhas teorias será difícil obter uma boa compreensão. Apesar das inúmeras mensagens inquietadoras lançadas pela mídia, a população está bradando que quer um Brasil melhor, digno e responsável. O mundo ficou dominado pelos maus, o que impõe aos demais sede de justiça. No entanto, acima das leis dos homens paira a grande justiça da lei da reciprocidade que às vezes tarda, mas não falha.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

A IMPRESCINDÍVEL SERENIDADE

Após a Segunda Guerra Mundial, 44 países se reuniram em Breton Woods (EUA) para estabelecer a nova ordem econômico-financeira, visando a estabilidade monetária das nações. Consolidou-se, definitivamente, a preferência e o apego ao dinheiro, o fetiche e o ídolo cultuado pela humanidade, um simples papel pintado que, na verdade, representa a grande ilusão criada pelo materialismo, sendo aceita coercitivamente pelo seu poder de comprar as coisas, inclusive os seres humanos. A cobiça pelo dinheiro não tem limites; mas algum dia se evidenciará o seu pé de barro. Até lá, assistiremos a muitas desgraças.

As relações comerciais passaram a se efetivar de forma crescente em dólares, moeda da qual tudo passou a depender. Em geral, os países mal geridos, dependentes de commodities e suas instabilidades, buscavam financiamento externo para cobrir os continuados rombos. Quanto mais o Estado foi ampliando a sua interferência na vida econômica, mais dependente foi se tornando de tomar dinheiro no mercado, pois sua arrecadação era insuficiente para cobrir todos os encargos e desperdícios.

Isso veio a calhar porque o dinheiro sempre tende a aumentar, por novas emissões ou ganhos. Financiar os governos perdulários se mostrou como oportuna forma de absorver os excedentes. No entanto, com o avolumar da dívida, acrescida de juros, formou-se a bola de neve com suas ameaças ao sistema. Então surgiram as receitas de austeridade geral, por vezes sem bom senso, gerando crises e instabilidades.

O dinheiro continuou sendo emitido e crescendo. Hoje se prega juros baixos ou negativos. A capacidade de criar dinheiro envolve uma grande complexidade de variáveis e consequências que requerem mais aprofundamento para que favoreçam o progresso em vez de travá-lo. Nas últimas décadas, enquanto nos bastidores os personagens urdiam planos de partilha do butim, no palco da vida predominavam falsas aparências. Com a expansão dos abusos, rompeu-se a cortina pondo a descoberto as mazelas tramadas às escondidas, expondo-as para lavagem geral.

No cenário mundial, ocorre a luta entre os que querem se esconder ao abrigo das cortinas e os que desejam abri-las amplamente. A tendência é que caiam as cortinas encobridoras da verdade, mas o que se verá não será bonito, agravado por lutas para manter uma situação que não se sustenta mais. Os homens se digladiam para encobrir a verdade e se manterem no poder.

Com a abertura comercial, vários setores fabris perderam potência interrompendo o aprendizado tecnológico; hoje, além do atraso, deixamos de produzir vários itens, provocando declínio na produção de manufaturas. A importação depende do preço do dólar, que depende da taxa de juros, mas a dívida subiu muito. O Brasil não fabrica dólar e a economia estagnou. Perdemos terreno na indústria, exportamos tudo in natura, inclusive o precioso algodão, mas importamos tecidos e confecções. Com o real valorizado a juros elevados formamos grande montante de dívida, acrescida da indisciplina fiscal. Bons empregos foram exportados, a renda caiu. O desarranjo é global, mas de difícil solução face aos interesses egoísticos. Há de se examinar atentamente as causas e buscar a solução.

O Brasil está correndo o sério risco de fazer parte do grupo com atraso geral, sem rumo, sem autonomia. Precisamos de união em defesa do país e esforço para evitar a consumação do declínio. É preciso entender o que se passa nos bastidores internacionais. A guerra comercial aumenta a turbulência na economia. O crescimento da dívida já vinha de longe, mas não se dava muita atenção; de repente, se percebe o tamanho do buraco que trava tudo.

Os acontecimentos se sucedem velozmente atropelando tudo, isto é, um em cima de outro e de outro. As pessoas se vergam sob a pressão. Isso mexe com os nervos delas que, inquietas, não seguram, não filtram e como pingue-pongue é um bate e volta sem pausa. Uma pessoa já impactada pelo acontecimento está desarmada e se ainda recebe o rebate de outra, tem duplo impacto sobre o cérebro e se expande pelo corpo. É preciso filtrar os acontecimentos e dosar as reações para que o mundo não se torne um hospício de esquizofrênicos impacientes e inquietos que adoecem e contaminam o ambiente. Conservai puro o foco dos pensamentos para abrir o caminho para a serenidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7