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LÓGICA EVOLUCIONISTA OU RACIONALISMO?

Há vários estudos sobre as terapias econômicas empregadas para debelar a crise dos anos 1930; no entanto, pouco se vê sobre a busca das causas que provocaram o declínio. Apesar do grande sofrimento, poucos se voltaram para um olhar reflexivo sobre a vida e sua espiritualidade. O economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) se limitou a propor o aumento de gastos públicos, de dinheiro que os países não dispunham, sem explicar o que seria feito com o aumento da dívida no futuro.

As teorias de Keynes receberam grande divulgação, possivelmente pelos interesses em preparar uma sociedade globalizada, com comando forte formado por um grupo determinado de pessoas. Esse tipo de sociedade leva à perda da força da diversidade das individualidades, padronizando a vida.

Surge o racionalismo construtivista que usa o raciocínio subordinado ao mundo material, ao tempo e espaço, em oposição à lógica evolucionista que se revela nas leis da natureza. Com a aplicação das teorias racionalistas, dificulta-se, para bilhões de pessoas, a busca pelo significado da vida. Há o perigo de que o homem seja transformado em robô em vez de ser humano de qualidade. Temos de entender a vida, e a economia é parte dela, não a sua finalidade, pois tudo depende da forma como o ser humano a vivencia.

Friedrich Hayek, economista e filósofo (1899-1992), defendia a liberdade e lógica evolucionista, mas apesar disso se manteve firme na defesa das qualidades do intelecto, embora tenha nascido na Áustria, na mesma época do escritor Abdruschin, nascido na Alemanha em 1875, autor da obra Na Luz da Verdade, que define o homem como um ser de espírito que deveria harmonizar a atuação com o intelecto com que foi dotado para examinar e analisar, em vez de permitir que o intelecto agisse por si unilateralmente, sem consultar o eu interior. Aqueles que seguem de forma unilateral os ditames do intelecto usam o raciocínio para o pensar errado e inútil, espalhando coisas feias, destruindo a harmonia e a beleza.

O homem nasceu livre. A liberdade é o grande tesouro indispensável para possibilitar a busca da compreensão da espiritualidade. É preciso conhecer a verdade para ter liberdade efetiva. Qual é a causa da até aqui trágica trajetória da humanidade, que se recusou a construir com base nas leis da natureza, forjando o construtivismo intelectual sem coração, fadado a gerar o caos da civilização?

Após a depressão dos anos 1930, muitos economistas optaram por intervenção e gastos públicos como alternativa. Dessa forma, os problemas que surgiam passaram a ser resolvidos com mais gastos e mais dívidas. A economia se distanciou da meta de promover a continuada melhora nas condições gerais de vida, passando a priorizar o objetivo de acumular capital financeiro. O resultado é a gritante instabilidade geral e o aumento da miséria coletiva.

A Europa sempre tirou proveito do resto do mundo. A Inglaterra interferiu em tudo em benefício próprio. Os EUA inventaram o dólar e tomaram conta do mundo. A China quer recuperação e poder e se transforma na usina faz tudo. O Brasil está pendurado nas dívidas. A situação não comporta bravatas nem brincadeiras. Reativar a economia, preparar as novas gerações e manter a autonomia são imperativos.

Os governantes se acomodaram na situação do capitalismo de livre mercado, absorvido pelo capitalismo de estado. Há muita capacidade ociosa e desemprego pelo mundo. Cada povo tem de se voltar para si mesmo, para a melhoria interna, criando oportunidades de trabalho, recebendo a adequada compensação e aproveitando as horas de lazer de forma construtiva. O viver está piorando, pois na luta pela sobrevivência não há tempo para pesquisar, aprender e ser feliz.

Na educação infantil, as crianças devem ter contato com a natureza, suas belezas e leis lógicas. Negativismo e descontentamento povoam a mente. Desesperançados, não se cuidam, iniciam a atividade sexual precocemente, aumentando a incidência da AIDS. Vamos aprender como Israel está educando as novas gerações? Os jovens precisam de orientações elementares sobre a vida. Precisam aprender a necessidade do equilíbrio, retribuindo a tudo que recebem. Eles têm de se tornar cidadãos responsáveis, seres humanos de qualidade gratos pelo dom da vida. Clareza, simplicidade e naturalidade. Vida nova sem os penduricalhos do passado. É o que precisamos no novo ano.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

OS ÚLTIMOS DIAS DE POMPEIA

O céu azul, as árvores verdes, mas a vida segue tão agitada que muitas pessoas sentem como se estivessem próximas aos últimos dias de Pompeia, devorada pelo terremoto e atividade vulcânica. Tal sensação nem sempre chega a ser plenamente consciente, mas nem por isso menos inquietante. São as condições gerais de vida que se vão estreitando pelo mundo a fora.

O ser humano enveredou por tantos artificialismos que acabou saindo da naturalidade, passando a nutrir monstros perigosos através de suas atividades agrilhoadas ao mundo material e seu ídolo, o dinheiro. Agindo de forma unilateral sem deixar espaço para nada mais, os sentimentos de generosidade são desarticulados, fragilizando a própria alma que, naturalmente, mantém o impulso para o enobrecimento se não for silenciada pelos monstros que agora passam a fazer exigências de sacrifícios no altar da ambição e da cobiça por dinheiro.

Dinheiro, basta ter, ninguém precisa ser, porque o dinheiro tudo pode. E quanto mais acumulam, com raras exceções, mais inquietos, descontentes e prepotentes se tornam. Apesar disso, permanecem sem perceber que só com dinheiro não conseguem alcançar a felicidade, então se lançam na busca de mais do mesmo, sempre olhando só para baixo.

A economia vai se ajustando aos interesses. A produção de bens vai sendo transferida para regiões onde a mão de obra é menos custosa, lá se concentrando e obtendo redução pela maior quantidade produzida, e também por automatização dos processos gerando varias consequências. Os preços se reduzem acarretando desindustrialização em outras áreas, desemprego, e desequilíbrio no balanço de pagamentos nos países em que o montante de exportações é insuficiente para os compromissos em dólares, como importações, serviços, remessa de lucros e juros, consolidando a permanente necessidade estrutural de dólares para as contas do país.

A globalização financeira, econômica, comercial e cultural, estruturou a dolarização da economia, produzindo o mundo atual com estadistas corruptos, declínio da educação e da qualidade humana, e precarização geral. Em vez da diversidade, forçou-se a uniformidade. As alterações e mudanças surgiram no centro desenvolvido afetando os países da periferia que não conseguem dólares suficientes, ficando sujeitos às instabilidades cambiais e suas consequências nefastas. Dois países poderiam entrar em acordos econômicos e culturais tendo o equilíbrio como norma, cada país zelando pelos interesses de sua população para não caírem na pilhagem no toma cá, dá lá. Mas isso é pouco praticado.

Com o passar do tempo, surgiram efeitos não desejados. O presidente Trump, com suas decisões atabalhoadas, encarna a mudança das mudanças que visam reverter a eventual perda de poder econômico. Uma questão muito preocupante que pode ser uma tentativa já tarde demais e, por isso, seu impacto é surpreendente e o caos crescente.

Em meio à aspereza, poucos seres humanos se ocupam em fazer indagações sobre o futuro da própria alma que vivifica o corpo, deixando de se esforçar para pressentir o grande futuro que aguarda o ser humano que se dedica à descoberta do significado da vida. Em sua existência, há pouca coisa para ser lembrada como feito realmente importante e benéfico para o aprimoramento geral.

Há muitas teorias confusas, religiosas, políticas, sócio-econômicas e da cultura do prazer, todas de pouco valor que em nada contribuem para a melhora geral. Há muitos costumes nocivos que degradam o homem. Há raros momentos de coesão num sentimento de gratidão. Um belíssimo exemplo disso: muitas pessoas a bordo de um cruzeiro para o Alasca, onde é difícil acontecer dias ensolarados. Num belo dia, o sol aparece no céu azul e todos, viajantes e tripulação, se alegram com a imagem e vão reverenciar e prestar agradecimentos pela fonte de energia que aquece a Terra.

Ao atravessar pelo tempo nas várias fases das vidas, da infância à velhice, o corpo vai cumprindo a sua tarefa, permitindo o aprendizado para que a alma possa ingressar na nova vida do novo mundo fundado na naturalidade e no equilíbrio das leis cósmicas que regem o universo. A ausência disso está conduzindo a humanidade ao descalabro, ao caos mental e intelectual, em vez do continuado aprimoramento da espécie humana e de suas obras como era esperado. Não é a toa que nas mentes estressadas ressurja a imagem dos últimos dias de Pompeia com seu trágico destino.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7