A INSTABILIDADE TEM QUE ACABAR

Analisando a história, observamos a ausência de estabilidade desde longe. Vamos iniciar no período posterior à vinda de Jesus, o Filho, que veio para esclarecer a realidade espiritual da vida, porque a humanidade havia perdido o rumo e não conseguia mais se ligar com a Luz da Verdade. Tivemos várias fases.

Uma delas foi a fundação da Igreja Roma; seguida pelo Cisma em Constantinopla; reações e reforma de Lutero; surgimento dos Evangélicos; Kardec, dando ênfase ao espírito e reencarnações; a criação do Estado-Nação; Adam Smith e teoria econômica; Marx, críticas ao Capitalismo; Comunismo; Primeira Guerra; Segunda Guerra; criação do dólar e o Capitalismo de Estado.  Em todos esses períodos a instabilidade foi contínua. Por quê? O convívio humano torna-se a cada dia mais difícil. Egocêntricos, os seres humanos acham que sempre estão certos e os outros não. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja: faltou o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida; faltou a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. Os propósitos essenciais foram definhando, sem eles o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência.

Foram séculos de despreocupação com o futuro. Com tantas crises, a população se encontra meio inerte, sem iniciativa, e assim tem sido surpreendida quando as coisas acontecem. É preciso despertar força de vontade dos indivíduos para que busquem condições gerais de vida respeitando as leis naturais universais. A inércia é danosa porque transforma seres dotados de razão e livre-arbítrio em peças mecânicas de uma engrenagem maior. Quebrar essa inércia exige coragem para encarar a realidade sem filtros. O ser humano tem de despertar e assumir as rédeas da própria consciência e vida.

Como são tomadas as decisões de um povo, de uma nação? Quem faz parte das decisões? Deveria ser o saber acumulado da população, seus alvos, sua visão de futuro, sua forma de entender a vida com naturalidade. Isso, geralmente, não acontece mais devido à indolência espiritual e embotamento mental. Os líderes manipulam e conduzem as decisões de acordo com os seus interesses. A nação não progride, a população não evolui.

Os indivíduos, em sua passagem transitória pela Terra, têm a capacidade da livre resolução, de se adaptar conscientemente para colher bons frutos, mas se tiverem a intenção de dominar como se fossem pequenos reis, com a sua ignorância e egocentrismo criarão caos à sua volta. Entendendo isso, saberemos por que não há estabilidade.

No cenário atual de dificuldades o que se destaca é a possibilidade de ampliação do terceiro mundo e miséria, países que vão ficando sem condição de autogestão. Sem dúvida essa é a mais complexa situação econômica da humanidade, desde o princípio do capitalismo que teve de remover muitas estruturas para chegar aonde chegou.

Ao Brasil faltaram indivíduos decididos para buscar um destino próprio. Talvez tenha faltado força de vontade e coragem. Agora, não só para o Brasil, a situação de esgarçamento do Estado-Nação, com dívidas e déficits, atinge a muitos, o que os deixa sem ação para fora, e internamente há a polarização pela conquista do poder.

A guerra fria financeira já está pegando tudo e todos: Estado-Nação soberano, trabalho estável, moeda nacional forte, identidade cultural fixa, bom preparo das novas gerações para a vida, estão todas sob pressão. As crenças e tradições antigas estão se desfazendo. Para os grandes investimentos surge a questão dos riscos, sendo que no capitalismo ocidental eles afetam a iniciativa privada, o que não acontece no capitalismo de Estado. Sem propósitos comuns, não há estabilidade. Resta observar e torcer para que sejam preservadas a ordem pública, as condições de segurança e uma sobrevivência condigna.

Temos o mapa da mina nos propósitos básicos. Como colocar isso em prática? Esses propósitos devem estar de forma explícita nas constituições das nações, das religiões, da ONU e instituições globais. Devem ser ensinados nas escolas, transmitidos de pais para filhos, e fazer parte do código de conduta das corporações e empresas menores. Ou a espécie humana atua como deve, criando um modo decente de viver, ou inevitavelmente, caminhará para a autodestruição.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

TENDÊNCIA ELEITORAL

Bildad, o professor sábio de Sabá, dizia, com razão, que somente pessoas espiritualmente elevadas poderiam ter influências benéficas sobre os povos. Mas a história tem mostrado o contrário, guiando ao poder estadistas que não conduzem as nações para a situação esperada de paz e evolução. O ser humano encarna no meio da gestação. Nasce, cresce, se desenvolve, fica adulto, amadurece, fica idoso. O que isso significa? O que vivenciou, o que aprendeu, qual é o seu futuro? Muitos vivem uma vida estúpida, quase inútil, não fazem falta.

Quantos se perguntam: por que nasci? Qual é a finalidade da vida? Assim vão passando pela vida, jogando fora o tempo atrás de ninharias. Não evoluem, não resgatam, acrescentam novo carma. No meio, sempre há os que buscam o sentido da vida.

Desde Dom Bosco, muito se falava do futuro do Brasil como um ponto de uma civilização humana. Com o passar do tempo, pouco se ouviu sobre isso; o que aconteceu? Um futuro promovendo o desenvolvimento de ser humano só ocorrerá com o reconhecimento e respeito às leis universais da Criação, explicadas por Jesus com palavras simples e imagens, para mostrar os fenômenos da Criação.

Em meio à forte turbulência, tudo vai aparecendo. As ataduras estão caindo. O que estava oculto vai se tornando visível. As feridas estão aparecendo. A sociedade humana, nua, com seus tumores. Haverá cura? O engajamento estratégico entre os seres humanos visando o bem geral deveria mostrar todos juntos e integrados em alcançar o alvo. Cada um fazendo a sua parte, cada um auxiliando o outro em tudo que for possível. Cada um executando a sua parte com a energia da alma e o esforço do corpo. As realizações vão surgindo de forma continuada, como se fosse o Paraíso.

Estamos em meio à guerra cambial do fim dos tempos. Há interesses na desvalorização de moedas como o yuan e o iene. Na China, há interesse duplo, pois quer acumular dólares exportando produtos industrializados, mas também quer expandir o yuan global. O Brasil fez o oposto, valorizou, importou, desindustrializou.

Aparentemente, a economia global está a um passo de sério engasgamento. A China permanece produzindo muito, tendo na exportação o principal meio de escoar a sua produção, porque o seu mercado interno tem baixa renda e baixa disposição para consumir. Brasil e Europa, ainda com consumidores com uma parcela de renda, com fronteiras acessíveis, têm propensão a consumir, mas precisam de preços baixos e crédito. A questão é onde isso vai dar. O problema dos empregos e salários vai se espalhando pelas nações; até quando os países estarão aptos a importar e manter o equilíbrio econômico e social?

A Máfia Siciliana evitava contato com as autoridades, preferindo resolver as questões de honra e poder com as próprias mãos. Pode-se supor que atualmente a Máfia Global infiltra-se para ser a autoridade que administra o poder.

A situação das nações no século 21 é desesperadora. Problemas com déficits, dívidas, produção, desemprego, queda na renda. Uma herança de 40 anos de decisões fora do padrão, como a taxa de juros americanos de 20% nos anos 1980. Agora há a questão da população que está sem propósitos e perdendo a fibra. Filmes, seriados, vídeos, streaming, mostram a todo momento violência, indolência, decadência. O seriado Task, entre vários outros, talvez provoque alguma reflexão sobre como o viver está se precarizando. É preciso saber como a história da humanidade vai terminar.

Estamos diante de uma tendência de precarização geral das nações. Fábricas fecham. Empregos se reduzem. Salários ficam estagnados. Ano eleitoral. Em quem não votar? Nos candidatos que têm algo a ver com essa situação deplorável. A massa eleitoral tende a fugir dos culpados. Mas quem são eles? Cada grupo diz que o outro é o culpado; nessa contenda sairá melhor quem conseguir convencer a massa que o outro é o culpado. É trabalho para os marqueteiros eleitorais e a larga participação em todas as mídias. O conceito de eleição levará essa mancha, mas logo será esquecida.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

LÚCIFER OU SATANÁS

O anjo caído tinha a missão de auxiliar o espírito humano na matéria e favorecer no desenvolvimento, mas escolheu outro caminho introduzindo o princípio errado devido a um querer próprio que lhe veio durante a atuação na matéria, provocando, através da tentação, o afastamento do ser humano do alinhamento com a Vontade Divina, para que aceitasse as insinuações sem resistir buscando, com firmeza, a elevação espiritual. Através do princípio errado, lançando as tentações, despreza os fracos que sucumbem aos seus engodos visando romper a conexão da alma com o cérebro.

Os seres humanos tinham o propósito de buscar a elevação, mas o mundo material os tornava prisioneiros diante do princípio da tentação. Lúcifer significa “portador da luz”. Após rebelar-se contra a sua missão, ficou conhecido também como Satanás, que em hebraico significa adversário. Em sua revolta, tornou-se o anticristo em oposição ao Amor e Justiça trazidos por Jesus. Na Criação, uma só força. Cristo foi enviado pelo Criador para restabelecer a ligação com a Luz

O anticristo tenta os seres humanos oferecendo riqueza, poder e glória no mundo material, para seu corpo perecível. Com vaidade, arrogância e cobiças, o ser humano se sente atraído por essa oferta, mesmo que para isso tenha que sufocar a sua essência espiritual. Jesus percebia a proximidade do inimigo oferecendo a tentação. O ser humano já teve essa capacitação. Atualmente, percebe que na sua mente se formam pensamentos sem reconhecer a origem.

O ser humano conseguia, através da intuição, perceber o pensamento ou a sugestão se aproximando da mente, como quem vê um estranho batendo à porta, e tinha o poder de expulsá-lo e não o deixar entrar.

O ser humano é algo fabuloso, mas está se transformando em coisa, justamente por desconhecer a própria alma. O desprezo à alma é uma tragédia que esvazia o homem por dentro, deixando apenas uma casca biológica voltada para o imediatismo. Isso está gerando uma crise de ansiedade e inquietação. Reconhecer essa situação complicada já é o primeiro e mais importante passo para resistir a esse processo de coisificação.

É o início do retorno à essência espiritual humana. O reflexo direto disso é a sobrecarga mental tentando processar questões profundas em um mundo acelerado, mas sem a participação da alma se torna uma contenda árdua sem fim, que nunca chega à verdade. A obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, de Abdruschin, esclarece amplamente a Mensagem de Jesus e o real significado de suas palavras.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

IMPORTANTE QUESTÃO PARA O BRASIL E O MUNDO

Uma importante questão que todas as pessoas devem encarar de frente: a causa de a humanidade estar indo para um fatídico ponto sem retorno. É preciso coragem sincera para perceber o quanto nos afastamos da vida real para viver uma rotina árida e improdutiva, quando poderíamos criar na Terra um ambiente de vida digno da nossa espécie, que é a mais importante colocada no planeta e que até hoje não sabe o porquê e para quê.

A globalização foi mal compreendida e mal utilizada, promovendo um terremoto em muitas nações pela dificuldade de competir com gigantes canibais. Reflexo disso: desemprego, renda precarizada, empresas quebrando. Foi um trabalho bem planejado de comunicação de massas. Muitas pessoas passaram a acreditar que o socialismo seria a solução, esquecendo que o problema está no ser humano que consegue degradar qualquer sistema, seja capitalismo, comunismo, socialismo, ou capitalismo de Estado.

As guerras regionais continuam fazendo vítimas e criando incertezas. Estão acontecendo eventos importantes e explícitos, como a situação de Ormuz. É provável que haja um posicionamento não declarado sobre questões opacas que não entendemos, mas que estão exercendo influências. Até que ponto há um esforço para manter o dólar no comando das finanças globais?  A guerra econômica está envolvendo ações mutuamente prejudiciais? Quais seriam?  Diante da limitação dos recursos, haveria algum movimento visando ordenar a população global?

A nação brasileira ficou engessada porque grande parte da população não estava interessada em construir um lar na Terra. Talvez porque maus elementos foram para cá deportados após o descobrimento, portugueses que queriam fazer parte da coroa real, ou escravos sem esperança obrigados a trabalhar. Faltou um alvo elevado. A sujeira escorre pela nação sacudida pela corrupção, até que fortes ventos façam a depuração.

As eleições permitem o contato (talvez o único) do eleitor com os candidatos. Muitos nomes desconhecidos que, ganhando ou perdendo, acabam desaparecendo. Campanhas de massa, votos de massa. Como isso funcionará diante do desinteresse geral? Liberdade para os eleitos fazerem o que quiserem, sem comprometimento com a melhora geral da nação.

O despotismo é uma forma de governo em que o poder político está concentrado de maneira absoluta e arbitrária nas mãos de uma única pessoa, o déspota, ou de um grupo que governa sem limites legais. Onde não há equilíbrio no poder, o despotismo toma conta.

Quanto mais o ser humano amplia a sua visão, mais mundos se descortinam. Lá para o mês de dezembro, quem sabe o Roman, poderoso observatório espacial instalado pela NASA, destinado a estudar o espaço e astrofísica com um campo de visão 100 vezes maior do que o Hubble. Quem sabe ele possa descortinar vestígios de uma nova Estrela de Belém, aguardada por muitas pessoas que, ansiosamente, procuram no céu sinais especiais indicando que o Amor e a Justiça estão atuando para recolocar o planeta no seu devido lugar mais próximo das influências benéficas da Luz, livre das sombras trevosas.

A atual geopolítica está movendo as peças em busca da capacidade militar para defesa e ataque. A economia global se encontra num ponto de estrangulamento devido à precarização da renda dos 90%. O impulso ao rearmamento injeta bilhões na economia, embora isso não signifique melhoras na qualidade de vida. São os caminhos traçados pelos seres humanos distantes do progresso equilibrado e pacífico.

Na agitação geral, o celular nos conecta com o mundo em segundos. É indispensável disciplinar o uso, selecionar o que se quer ver e opinar, para que esse canal não se transforme numa descontrolada e desgastante arena de influências disputando espaço na mente. Quando o ser humano se afasta da própria fonte, isto é, do espírito que lhe dá vida, ele perde clareza, simplicidade e naturalidade. Sua essência se congela, deixa de atuar, deixa de cumprir sua finalidade. E aquilo que não cumpre a sua finalidade, inevitavelmente terá de ser removido.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

 

COMO UTILIZAR A RIQUEZA?

O ser humano, com todo o seu imediatismo, faz da economia e do poder uma guerra permanente. Cada um querendo astutamente levar vantagens. Os mais desenvolvidos deveriam auxiliar a humanidade, construindo um viver digno, mas se aplicaram na concentração do poder materialista e dominaram a massa de seres humanos indolentes acomodados nos pendores. A caótica situação atual surgiu disso. É nisso que está a raiz da guerra que vai se tornando inevitável pela ausência da compreensão da vida e da boa vontade entre os homens.

Em Orlando, EUA, era possível comprar roupas de boa qualidade procedentes da Ásia com preços atraentes. No Brasil, o vestuário menos caro geralmente é de baixa qualidade, e o caro não é de boa qualidade. Assim está a economia; a superprodução de uns mata a capacidade produtiva de outros.

É uma guerra camuflada, mas os resultados são visíveis na precarização geral que avança sobre as nações. Como a democracia de livre iniciativa e o capitalismo ocidental poderão competir com o capitalismo de Estado de partido único? A pressão avança. Muitas tarefas e atividades absorvem o tempo que escorre pelo ralo. Mudam os hábitos e as necessidades. Tudo se concentra. Tudo se monopoliza. Os pequenos se perdem. Os grandes não se adequam. Custos elevados. Preços contidos pela renda precarizada. Decisões mal planejadas. As finanças detonam. A época exige proceder com toda cautela, pois um erro pode arruinar tudo.

Como se fosse um organismo doente, o Brasil está perdendo força e dinamismo. Falta bom preparo das novas gerações, e a dívida cresce, a produção cai. A quem interessa isso? Vampiros e abutres rodeiam o doente cada vez mais fragilizado. O problema é que os seres humanos querem burlar a naturalidade, querendo sugar onde não há mais o que sugar, porque, imediatistas, retiraram tudo sem retribuir. O natural é receber e retribuir. É importante, ao tomar empréstimo, planejar de antemão como será pago, mas em vez disso deixa-se para depois e vão sendo tomados mais empréstimos até que, empobrecido, a dependência tome conta.

Como encarar a riqueza? Desprezá-la seria estupidez; colocá-la como a prioridade máxima seria a negação da finalidade da vida. Equilíbrio é a chave. Desenvolver os talentos espirituais é dever do ser humano. A humanidade tinha destruído todas as pontes para o reino espiritual, o que a estava levando para a autodestruição. Do Divino veio Jesus, o Filho de Deus. Para atuar na Terra, precisava de um corpo gerado de acordo com as leis naturais. Trouxe a Luz da Verdade para a humanidade, mas em vez de compreendida, foi recusada com a crucificação. A vinda do Filho do Homem, também procedente do Divino, trazendo os esclarecimentos para a prosperidade espiritual e o desencadeamento do Balanço Final da Justiça sobre as atuações dos seres humanos, foi a promessa de Jesus.

Esgotados, os seres humanos não sabem mais o que querem e acolhem os trapaceiros sem embaraço, porque no íntimo sabem que os trapaceiros fazem falsas promessas, mas descrentes de tudo, não se aborrecem com isso. Como sempre tem acontecido, quando as pessoas deixam de ouvir a sua voz interior, cada indivíduo passa a impor rigidamente o seu ponto de vista pessoal, lançando uma onda de confusão para que a situação não se normalize, mantendo seus privilégios.

O problema é que as pessoas não querem ouvir nada sobre o “ponto sem retorno” e continuam seguindo em direção a esse ponto. É necessário usar a intuição e as próprias capacitações para poder analisar, discernir e decidir que caminhos seguir para se fortalecer no bem. Para isso, cada um deveria combater o comodismo e a indolência, seguindo sempre na busca da elevação.

Muitos seres humanos fraquejaram em seus propósitos nobres, atraindo influências negativas, permitindo que elas adentrassem em sua mente. Aí começou a ruína, a decadência, a queda. O ser humano livre, senhor de seu destino, não buscava mais os caminhos iluminados, perdendo assim a sua individualidade, tornando-se uma sombra na multidão que vivia em função das manipulações a que ficava sujeito. O indivíduo sugestionável, submetido a reações impulsivas, conscientemente planejadas pela publicidade comercial e pela influência política, deu espaço para indivíduos cheios de cobiças chegarem ao poder, aos quais não interessa o aprimoramento da espécie humana.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

TSUNAMI GLOBAL

Possivelmente está se formando o tsunami financeiro global, ou seja, o mar encapelado do dinheiro criado pelos homens gerando instabilidade econômica derivada das suas decisões. É o desalinhamento entre o progresso material e o progresso humano. Não era para ser assim. O dinheiro circulava bem na economia real. Agora fica encalhado em operações especulativas e em pagamento de juros e resgate de dívidas. As nações deixaram de produzir. Além disso, a continuada criação de dinheiro do nada derrubou o poder aquisitivo. Os preços subiram, mas o salário não.

No Brasil, teóricos davam esperança com seus planos de dinamização da economia. Mas o destaque cabia aos empreendedores que conseguiam mobilizar a população na atividade produtiva e percebia-se nitidamente a melhora no padrão de vida. Porém, de repente, tudo foi parando. Não há mais planejadores do futuro; muitas fábricas fecharam.

O mundo desenvolvido fala das vantagens comparativas do Brasil, e ficam tirando proveito. A precarização foi avançando. Os estadistas vão se impondo. Não há como resistir. O Estado vai nivelando tudo por baixo. Os mais velhos perdem a iniciativa. As novas gerações nem chegam a desenvolvê-la. Situado na América Latina, o Brasil vai decaindo. As crianças precisam aprender a fazer contas, dividir e multiplicar, frações e porcentagens para terem iniciativa empreendedora, e não ficarem esperando que o Estado faça tudo.

O que deveria ser o Estado? O que é o Estado hoje? No topo, estão os dirigentes das instituições que vão moldando o Estado conforme os seus interesses de ganhos e poder, contribuindo decisivamente para a estagnação e declínio. Tudo poderia ser mais simples, mais eficiente e com menor custo. Há uma convergência de fatores negativos, agravados com o declínio da sociedade, em meio à competição entre os Estados Unidos e a China.

O desequilíbrio da economia global é geral. São mais de 9 trilhões de dólares em câmbio por dia. É o dinheiro que se multiplica sem produzir. Muito difícil competir com a produção da China. Não tem mais emprego de qualidade. O Estado-Nação sofre a influência de grupos oportunistas. O problema não é só a instabilidade criada pelo capital fictício e ganância. O discernimento da espécie humana está encolhendo.

Com tantas maldades aplicadas, o Brasil sempre reagiu. A geopolítica sempre interfere nas eleições das nações satélites. Faltam estadistas que engrandeçam e consolidem a nação com boas leis, segurança social e jurídica, dando esperança e motivação. Como o Brasil vai ficar? O cenário da precarização e fragilização da nação se estende dos lares para as empresas; o que se esconde por trás disso? Querem que o Brasil se transforme numa vila inexpressiva, preparada para que suas riquezas sejam sugadas, servindo a interesses externos. Onde está a pujança da alma do povo brasileiro?

Diante do medo do vazio ou da ameaça de dissolução da própria consciência, a resposta das massas tem sido a anestesia dos “prazeres do circo” e pelo consumo imediato. Trata-se do desespero mascarado de entretenimento. Parece que, não sabendo o que fazer, as pessoas estão deixando a coisa rolar, mas poderão virar sucata não reciclável.

O ser humano existe há 3 milhões de anos, um longo período para o fortalecimento de sua alma e espírito; agora o tempo se aproxima do final, o balanço mostra que a alma não se desenvolveu, nem o espírito. O cérebro dos seres humanos se desconectou da alma, gerando a frieza intelectiva que está ameaçando destruir tudo que foi construído em bases falsas. Muitas pessoas só conseguem ter melhor visão da vida quando ficam velhas. Não precisariam amadurecer para reconhecer o dom da vida, e que todos são peregrinos em busca da Luz da Verdade; bastaria o querer.

O cenário atual criado não agrada. Faltam grupos coesos em torno de propósitos voltados para o bem, algo diferente do efeito manada irracional das massas no qual a humanidade está se transformando. O efeito “manada” é irracional e perigoso. As pessoas deveriam ter buscado um ideal realizável como o aprimoramento da própria espécie para evoluir de forma contínua; mas, apegada às ninharias da vida, a humanidade só tem produzido destruição. A coesão deve estar no querer do coração e na força de vontade de cada um para se destinar aos propósitos nobres.

O grande agregador dos seres humanos tem de estar fundamentado num ideal voltado para a finalidade da vida, ou seja, em construir, beneficiar e embelezar o mundo para promover a melhora geral continuada, fato que nunca se deu com unanimidade, inclusive entre os pesquisadores da vida; daí ter surgido a civilização sem amanhã, na qual os seres humanos não aproveitam o precioso tempo que dispõem, gerando, como resultado, um futuro decadente que, no limite, poderá conduzir à autodestruição.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O RESET E A DESCONEXÃO DO SER HUMANO

Tudo gira em torno do dinheiro, seja no Capitalismo Ocidental de iniciativa privada, ou no Capitalismo de Estado, que centraliza o controle de todas as atividades. O dinheiro deve promover o crescimento econômico, a melhora das condições gerais de vida e o aprimoramento da qualidade humana. O Brasil produz e vende alimentos em natura e commodities, mas fabrica poucos itens, tendo de mandar o dinheiro para fora para importar de tudo.

Na gestão do Estado-Nação, o dinheiro público se tornou o chamariz, o butim. Isso tem de acabar. O dinheiro some, as dívidas aumentam, as condições gerais de vida se precarizam. Esse cenário vai acabar empurrando o Estado-Nação para o abismo. As importações estão aumentando. Fábricas fechando. Empregos de melhores salários desaparecendo. Renda caindo afetando as vendas até dos supermercados. Dizem que muito dinheiro está sendo sugado pelas bets.

A globalização concentrou a produção na China, mas as nações não podem ficar sem produzir e gerar empregos e especializações para melhorar a renda dos trabalhadores, em vez de ficar criando auxílios que colocam dinheiro no bolso das pessoas. Há intensa movimentação financeira envolvendo dólar, euro, iene e yuan; é como se fosse o brinquedo banco imobiliário, mas a realidade das finanças parece ser um jogo bem mais perigoso. A movimentação diária do mercado de câmbio é de cerca de US$ 9,6 trilhões, o que parece indicar que chegamos ao surrealismo financeiro.

A economia global produz cerca de US$ 110 trilhões por ano. O mercado de câmbio movimenta quase 10% disso em um único dia. Esse número causa inquietação, cria a imagem de um perigoso castelo de cartas movido por ganância. Mais de 70% das operações de câmbio são executadas por algoritmos de alta frequência que não têm medo, não têm ética, não têm prudência, pois seguem padrões matemáticos.

A raiz da inquietação está na própria estrutura do dinheiro dissociada do cotidiano dos seres humanos e da finalidade da vida. O dinheiro se tornou o ídolo insensível que está arrastando tudo. Os fatores da sustentação e as instituições conseguem manter uma certa normalidade com decisões que geram mais inflação e mais desvalorização da moeda. A evolução dos acontecimentos está nos conduzindo para o tempo em que o anormal está se tornando normal, mas há um limite que não está muito distante.

Parece que estamos diante de um “buraco negro”. Sabemos que há perigo, mas não dá para enxergar o futuro com nitidez; os homens no poder também percebem isso, o perigo é que se adaptaram às transformações impostas pelo dinheiro, e sem visão clara do todo, poderão se tornar os agentes de ações que irão desestruturar a frágil segurança e o equilíbrio do sistema, gerando algo mais profundo do que a crise de 1929.

O maior risco está no próprio ser humano que, apesar de tantas universidades e tecnologia, está com visão mais estreita do que os homens do passado que, de certa forma, reconheciam e respeitavam as leis universais da natureza. A humanidade acabou se adaptando ao movimento do dinheiro seguindo o ritmo imposto por ele. A situação é grave. Em meio a essas engrenagens em movimento pouco podemos fazer; só nos resta aguardar atentamente o desenrolar para não sermos triturados.

O Reset global está em andamento? Parece que sim. Os algoritmos e a IA estão facilitando a mexida na cabeça dos seres humanos, introduzindo o superficialismo geral sobre a vida, removendo o pouco de sabedoria que ainda resta. O movimento é dinâmico envolvendo muitas forças. Os homens podem tomar decisões, mas não têm o controle das engrenagens que seguem o ritmo da natureza de acordo com os impulsos criados pela própria vontade dos homens.

A lei do equilíbrio e a lei do movimento não podem ser postas de lado. O corpo do ser humano precisa de pão para se alimentar, mas o espírito necessita do pão espiritual, da Luz da Verdade para entender a finalidade da vida. O grande problema é que as pessoas estão rompendo a conexão da sua alma, o manto do espírito, com o cérebro.

Um reinício não terá bom efeito se não acompanhar o fluxo das leis naturais universais, reconectando o ser humano com a própria alma, restabelecendo a conexão do cérebro com a essência espiritual, restabelecendo a capacitação para analisar o que se passa a sua volta, e a livre escolha de sua vontade voltada para o bem geral. É nisso que reside o segredo do progresso harmonioso da humanidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

50 MIL JOVENS DO MARROCOS PARA CEUTA

Com informações deturpadas sobre fatores jurídicos da imigração para a Espanha formou-se uma explosiva onda migratória de dezenas de milhares de jovens saindo do Marrocos em direção a Ceuta, um enclave espanhol situado no norte da África. Por trás dessa movimentação está a aflitiva situação dos jovens no Marrocos com desemprego juvenil elevado e a falta de perspectivas profissionais e de mobilidade social, como ocorre em várias nações que permaneceram no atraso. Ceuta fica a poucos quilômetros de distância e representa o solo da União Europeia em pleno continente africano. A travessia pode ser feita contornando os quebra-mares a nado ou a pé durante a maré baixa.

A cidade de Ceuta entrou em colapso. Os jovens perceberam que não conseguiriam seguir para a Espanha continental sem documentação. Assim, a maioria dos migrantes (dezenas de milhares) acabou optando por retornar voluntariamente ao território marroquino. O acontecimento mais parece um alarme desesperado sobre o que está acontecendo com a humanidade, mas quem está olhando para isso? Milhares de jovens arriscando a própria vida por uma fresta de esperança, e a resposta global oscilou entre a burocracia e o esquecimento rápido. A sensação é de que a humanidade está falhando em enxergar o óbvio.

A passagem da adolescência para a fase adulta é um intervalo decisivo na formação de caráter, mas os descuidos são seculares. A humanidade tem de se esforçar e evoluir para melhorar as condições gerais de vida. A transição para a idade adulta é justamente a fase em que o indivíduo precisa de estrutura, pertencimento e um horizonte de futuro para consolidar sua identidade.

Quando uma sociedade falha em oferecer oportunidades para o desenvolvimento de seu povo surge a devastadora sensação de abandono e desperdício de potencial humano. A tecnologia, a economia e finanças e a infraestrutura do mundo evoluíram a passos largos, mas a maturidade ética e empática parece caminhar a passos lentos, quase estagnada.

A grande “cegueira” global está na incapacidade de encarar a realidade sobre a finalidade da vida. As nações surgiram para oferecer bom preparo, educação de qualidade, emprego digno, espaço para as livres resoluções. Quando faltam esses fatores, imigrar pode se tornar a única saída. Uma situação lamentável.

O desenvolvimento integral da juventude quase nunca esteve no topo das prioridades globais, a menos que essa juventude fosse necessária como mão de obra barata ou linha de frente em conflitos. Os jovens são mantidos fora da realidade, como se estivessem num parque de diversões. São gastos bilhões erguendo muros, reforçando patrulhas e criando leis punitivas, mas há falha no bom preparo das novas gerações, com educação digna e natural, saneamento básico nas regiões de origem, oportunidades para todos que se esforçam.

A verdadeira evolução de uma civilização se mede pela sua responsabilidade com o futuro da nação e sua população. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja, faltaram o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida, e a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. A economia global se apresenta desequilibrada.

De Marrocos-Ceuta avançamos pela história. Mas não é só lá que as condições gerais estão se precarizando. A grande questão a ser enfrentada é: a que tipo de vida e a que tipo de governo a humanidade vai chegar, pois ela ainda não teve propósitos comuns na direção do progresso real.

Pesquisadores têm alertado sobre a crise que avança sobre as novas gerações, comprometendo o futuro. Os nascimentos estão diminuindo. Gerar filhos não é obrigação, é escolha. É necessário fortalecer a esperança e ações no sentido de que a humanidade desperte e pegue o rumo construtivo e benéfico, para que a decisão de gerar filhos não se torne algo temeroso e preocupante.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A ESPERANÇA NÃO PODE MORRER

Os seres humanos estão descontentes com as atuais condições em que vivem. A questão é que cada indivíduo, de acordo com as leis espirituais, se acha exatamente nas condições que preparou para si em vidas passadas. É a colheita. Muitos não querem aceitar essa responsabilidade e evitam refletir intuitivamente sobre isso. Em meio à insatisfação, surgiram os astutos que criaram teorias que inocentam as pessoas, mas apontam culpados como argumento para acalmá-las e dirigir a energia delas contra os causadores. As classes se defrontam; populistas assumem a posição dos estadistas e são acolhidos, mas todos continuam semeando coisas ruins, então o que se pode esperar disso?

Não podemos continuar vivendo na sonolência, temos que despertar e buscar a compreensão da finalidade na vida, o porquê nascemos na Terra. Abrir os olhos e examinar tudo com a própria intuição. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que o atual não é o viver apropriado para a espécie humana. Para compreender o Universo é preciso compreender o funcionamento das leis naturais universais.

A mulher não é obrigada a ter filhos, no entanto, o ato de ser mãe e de gerar requer responsabilidade, tanto dela como do homem. Percebe-se que há seres humanos que não deveriam ter encarnado na Terra e deveriam permanecer em outros locais condizentes com a sua espécie. Homem e mulher não reproduzem a vida, pois, de acordo com as leis naturais, dão a um espírito a oportunidade de se ligar a um corpo para atuar na Terra. Na matéria nada é permanente, tudo se transforma, o espírito que estava encarnado segue sua jornada evolutiva.

As nações devem voltar a produzir, para oferecer trabalho e bom preparo de modo que as pessoas possam viver por si, sem cair nas dívidas e nas viciantes bets. Ficar na dependência dos auxílios governamentais é voltar ao passado de pobreza como na época em que as pessoas dependiam de receber trigo de graça para sobreviver.

Agora temos pobreza em muitas nações. Há guerra na Ucrânia, Oriente Médio e Irã. Há uma certa inquietação do povo americano. As massas ficaram subordinadas às manipulações de líderes ditos populistas que fazem de tudo para se manter no poder através de mentiras e falsas promessas. O Brasil vem decaindo. Nesse meio, há a disputa monetária global gerando incertezas gerais. Como tudo isso vai evoluir? Enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida, nada poderá dar certo, e muitas coisas assentadas sobre bases erradas estão sujeitas ao desmanche.

No Livro da Esperança, Jane Goodall (1934-2025), pesquisadora do comportamento e sobrevivência, expõe as razões dela para ter esperança. Nestes tempos sombrios há conflitos armados, discriminação racial e religiosa, crimes de ódio e ataques terroristas. O abismo que separa ricos e pobres vem aumentando e fomentando raiva e instabilidade. Há um desequilíbrio econômico global, desemprego e pobreza. O mal tem atuado livremente influenciando os seres humanos indolentes que caem na inércia. A aspereza está dominando. A esperança num mundo melhor está encolhendo. Mas temos de alimentar a generosidade do ser humano.

Muitas pessoas percebem o estado desesperador em que o planeta e a humanidade se encontram, mas nada fazem porque se sentem perdidas e sem esperança. Porém, a verdadeira esperança requer ação e perseverança. Não importa quão pequenas possam ser essas ações que começam no querer e nos pensamentos, pois realmente elas fazem a diferença. Com milhões de vontades, pensamentos e ações voltados para o bem, poderão ajudar a restabelecer o equilíbrio destruído. O peso dos erros e do desleixo está roubando a esperança.

Para Jane Goodall, sem esperança, tudo estará perdido. A realidade é que enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida e sobre a atuação das leis naturais universais, o declínio será cada vez mais acelerado pela ausência de propósitos de desenvolvimento integral da alma, corpo e mente. Cada ser humano pode fazer a diferença. O primeiro passo tem de ser dado, pois logo serão imitados e seguidos.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br