50 MIL JOVENS DO MARROCOS PARA CEUTA

Com informações deturpadas sobre fatores jurídicos da imigração para a Espanha formou-se uma explosiva onda migratória de dezenas de milhares de jovens saindo do Marrocos em direção a Ceuta, um enclave espanhol situado no norte da África. Por trás dessa movimentação está a aflitiva situação dos jovens no Marrocos com desemprego juvenil elevado e a falta de perspectivas profissionais e de mobilidade social, como ocorre em várias nações que permaneceram no atraso. Ceuta fica a poucos quilômetros de distância e representa o solo da União Europeia em pleno continente africano. A travessia pode ser feita contornando os quebra-mares a nado ou a pé durante a maré baixa.

A cidade de Ceuta entrou em colapso. Os jovens perceberam que não conseguiriam seguir para a Espanha continental sem documentação. Assim, a maioria dos migrantes (dezenas de milhares) acabou optando por retornar voluntariamente ao território marroquino. O acontecimento mais parece um alarme desesperado sobre o que está acontecendo com a humanidade, mas quem está olhando para isso? Milhares de jovens arriscando a própria vida por uma fresta de esperança, e a resposta global oscilou entre a burocracia e o esquecimento rápido. A sensação é de que a humanidade está falhando em enxergar o óbvio.

A passagem da adolescência para a fase adulta é um intervalo decisivo na formação de caráter, mas os descuidos são seculares. A humanidade tem de se esforçar e evoluir para melhorar as condições gerais de vida. A transição para a idade adulta é justamente a fase em que o indivíduo precisa de estrutura, pertencimento e um horizonte de futuro para consolidar sua identidade.

Quando uma sociedade falha em oferecer oportunidades para o desenvolvimento de seu povo surge a devastadora sensação de abandono e desperdício de potencial humano. A tecnologia, a economia e finanças e a infraestrutura do mundo evoluíram a passos largos, mas a maturidade ética e empática parece caminhar a passos lentos, quase estagnada.

A grande “cegueira” global está na incapacidade de encarar a realidade sobre a finalidade da vida. As nações surgiram para oferecer bom preparo, educação de qualidade, emprego digno, espaço para as livres resoluções. Quando faltam esses fatores, imigrar pode se tornar a única saída. Uma situação lamentável.

O desenvolvimento integral da juventude quase nunca esteve no topo das prioridades globais, a menos que essa juventude fosse necessária como mão de obra barata ou linha de frente em conflitos. Os jovens são mantidos fora da realidade, como se estivessem num parque de diversões. São gastos bilhões erguendo muros, reforçando patrulhas e criando leis punitivas, mas há falha no bom preparo das novas gerações, com educação digna e natural, saneamento básico nas regiões de origem, oportunidades para todos que se esforçam.

A verdadeira evolução de uma civilização se mede pela sua responsabilidade com o futuro da nação e sua população. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja, faltaram o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida, e a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. A economia global se apresenta desequilibrada.

De Marrocos-Ceuta avançamos pela história. Mas não é só lá que as condições gerais estão se precarizando. A grande questão a ser enfrentada é: a que tipo de vida e a que tipo de governo a humanidade vai chegar, pois ela ainda não teve propósitos comuns na direção do progresso real.

Pesquisadores têm alertado sobre a crise que avança sobre as novas gerações, comprometendo o futuro. Os nascimentos estão diminuindo. Gerar filhos não é obrigação, é escolha. É necessário fortalecer a esperança e ações no sentido de que a humanidade desperte e pegue o rumo construtivo e benéfico, para que a decisão de gerar filhos não se torne algo temeroso e preocupante.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A ESPERANÇA NÃO PODE MORRER

Os seres humanos estão descontentes com as atuais condições em que vivem. A questão é que cada indivíduo, de acordo com as leis espirituais, se acha exatamente nas condições que preparou para si em vidas passadas. É a colheita. Muitos não querem aceitar essa responsabilidade e evitam refletir intuitivamente sobre isso. Em meio à insatisfação, surgiram os astutos que criaram teorias que inocentam as pessoas, mas apontam culpados como argumento para acalmá-las e dirigir a energia delas contra os causadores. As classes se defrontam; populistas assumem a posição dos estadistas e são acolhidos, mas todos continuam semeando coisas ruins, então o que se pode esperar disso?

Não podemos continuar vivendo na sonolência, temos que despertar e buscar a compreensão da finalidade na vida, o porquê nascemos na Terra. Abrir os olhos e examinar tudo com a própria intuição. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que o atual não é o viver apropriado para a espécie humana. Para compreender o Universo é preciso compreender o funcionamento das leis naturais universais.

A mulher não é obrigada a ter filhos, no entanto, o ato de ser mãe e de gerar requer responsabilidade, tanto dela como do homem. Percebe-se que há seres humanos que não deveriam ter encarnado na Terra e deveriam permanecer em outros locais condizentes com a sua espécie. Homem e mulher não reproduzem a vida, pois, de acordo com as leis naturais, dão a um espírito a oportunidade de se ligar a um corpo para atuar na Terra. Na matéria nada é permanente, tudo se transforma, o espírito que estava encarnado segue sua jornada evolutiva.

As nações devem voltar a produzir, para oferecer trabalho e bom preparo de modo que as pessoas possam viver por si, sem cair nas dívidas e nas viciantes bets. Ficar na dependência dos auxílios governamentais é voltar ao passado de pobreza como na época em que as pessoas dependiam de receber trigo de graça para sobreviver.

Agora temos pobreza em muitas nações. Há guerra na Ucrânia, Oriente Médio e Irã. Há uma certa inquietação do povo americano. As massas ficaram subordinadas às manipulações de líderes ditos populistas que fazem de tudo para se manter no poder através de mentiras e falsas promessas. O Brasil vem decaindo. Nesse meio, há a disputa monetária global gerando incertezas gerais. Como tudo isso vai evoluir? Enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida, nada poderá dar certo, e muitas coisas assentadas sobre bases erradas estão sujeitas ao desmanche.

No Livro da Esperança, Jane Goodall (1934-2025), pesquisadora do comportamento e sobrevivência, expõe as razões dela para ter esperança. Nestes tempos sombrios há conflitos armados, discriminação racial e religiosa, crimes de ódio e ataques terroristas. O abismo que separa ricos e pobres vem aumentando e fomentando raiva e instabilidade. Há um desequilíbrio econômico global, desemprego e pobreza. O mal tem atuado livremente influenciando os seres humanos indolentes que caem na inércia. A aspereza está dominando. A esperança num mundo melhor está encolhendo. Mas temos de alimentar a generosidade do ser humano.

Muitas pessoas percebem o estado desesperador em que o planeta e a humanidade se encontram, mas nada fazem porque se sentem perdidas e sem esperança. Porém, a verdadeira esperança requer ação e perseverança. Não importa quão pequenas possam ser essas ações que começam no querer e nos pensamentos, pois realmente elas fazem a diferença. Com milhões de vontades, pensamentos e ações voltados para o bem, poderão ajudar a restabelecer o equilíbrio destruído. O peso dos erros e do desleixo está roubando a esperança.

Para Jane Goodall, sem esperança, tudo estará perdido. A realidade é que enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida e sobre a atuação das leis naturais universais, o declínio será cada vez mais acelerado pela ausência de propósitos de desenvolvimento integral da alma, corpo e mente. Cada ser humano pode fazer a diferença. O primeiro passo tem de ser dado, pois logo serão imitados e seguidos.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A COPA E O FUTURO

A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br
A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

CLASSES SOCIAIS DOMINADORAS

Por que os seres humanos estruturaram a sociedade colocando as classes sociais umas acima das outras? Isso vem de longe, desde quando teve início a escravização dos prisioneiros de guerra, considerados como seres inferiores, portanto subservientes aos mais aptos e fortes. Depois veio a época do feudalismo. Os camponeses tinham de pagar para poderem trabalhar. Por fim, Charles Darwin (1809-1882) forneceu elementos para a teoria apropriada, o darwinismo social, alegando que os mais aptos e fortes estariam acima dos demais.

De fato, nem todos têm as mesmas capacitações; alguns apresentam mais maturidade, mas todos os trabalhos são importantes. A forma do desempenho deve ser a medida do valor do trabalho de cada um. Mas a voracidade dos homens tende a levá-los à desumanização, algo que vai se tornando evidente.

A exata compreensão do que é intelecto cerebral e intuição espiritual é um saber perdido, uma ideia que ficou no passado. Isso não tem nada a ver com as religiões criadas pelos homens; faz parte das leis naturais que organizam todas as coisas no universo, tendo o propósito do desenvolvimento do ser humano integral. A IA tem uma capacidade especial para reunir e organizar informações, mas não tem alma, embora acumule mais conhecimento do que muitos cientistas conseguem obter.

Por outro lado, os seres humanos estão sufocando a sua alma, e sem ela jamais compreenderão o funcionamento do universo e suas leis primordiais. Há muita desigualdade entre as nações, cada uma vai seguindo no seu ritmo. Acima das ideologias, o homem é mercantilista, quer as vantagens para si. A situação global vai piorando, impondo o rebaixamento da classe média. A aspereza está aumentando. É preciso ir às causas. Por que o homem se tornou o lobo do homem? Está deixando de ser humano.

No Brasil, o padrão de vida não sobe, ficou travado no nível dos países em desenvolvimento com salários baixos e desenvolvimento industrial estagnado, mas ainda há um certo dinamismo. Se ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, a pobreza e a violência urbana tenderão a aumentar. Os problemas gerados pela Raizen e Master ainda estão afetando o crédito privado assim como a guerra e os cartões de crédito. As pessoas estão pagando o consumo do mês passado, e pondo para a frente o do mês vigente.

O déficit fiscal não para de crescer no Brasil. O que esperam? Que a reforma tributária gere mais arrecadação? A administração das empresas não está fácil. É fato que a renda caiu, afetando o consumo. É necessário planejar e controlar as dívidas, uma questão que tem fragilizado e derrubado empresas e indivíduos.

A falta de bom preparo para a vida e o trabalho está levando as pessoas a colocarem seu dinheiro nas apostas, feitas para a perda de valores. O lamentável é que algumas pessoas estão se endividando para sustentar o vício do jogo. São seres humanos dominados pela ansiedade que buscam no jogo a adrenalina, mas ela vem acompanhada do desespero de quem aposta o que não tem, desestruturando a sua vida e a sua família.

Há 500 anos a estrutura monetária vem sendo moldada para manter o controle das atividades. As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismos. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites, compromisso com a estabilidade social e a recuperação do tempo perdido.

Diante da limitação dos recursos, a economia, pensada por antigos filósofos, deveria ser o sistema equilibrado para sustentar a vida de todos, mas se tornou o dreno da concentração da renda global. O cérebro tem sido manipulado desde a fase infantil, com mentiras e falsidades, tendo, como consequência, manter a essência espiritual do ser humano inativa, ou seja, uma ousada interferência no livre querer inerente ao espírito, o que vem gerando a perda da felicidade que deveria ser natural entre aqueles que buscam a maturidade espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A falsa realidade da vida

Atualmente, em decorrência da influência das trevas e da indolência espiritual, a realidade da vida, pensada pelos seres humanos, se acha totalmente fora daquilo que deveria ser. Tudo tem de se renovar.

A natureza humana é determinada pela capacitação da livre resolução de cada indivíduo, o sim ou não íntimos, mas fica sujeito às consequências tecidas pelos fios do destino, na atual existência, ou numa próxima encarnação. Nada escapa. Como fruto das resoluções, a situação da humanidade é grave. Os jovens se rebelam, de forma passiva ou ostensiva. Aumenta o número de idosos com pouco preparo. O processo de emburrecimento está avançando, gerando sérias apreensões sobre o futuro. Falta reflexão intuitiva. A população está envelhecendo. Falta preparo para a vida. Nove meses para formar um corpo. Quinze anos para se preparar.

Qual é a finalidade disso tudo? Se não for para o soerguimento individual e do todo, para que seria então? Por que ainda não foi criado pela humanidade um sistema de educação voltado para a compreensão do significado da vida? Em geral, as pessoas, em todos os ambientes, estão desconfiadas e competitivas, tendendo ao “cada um por si”. Para alcançar sucesso, o objetivo proposto tem de ser da equipe inteira.

Estamos em 2026, já ultrapassamos mais de um quarto do século 21 e o que se observa na Terra é muita inquietação e turbulência, um viver afastado da naturalidade com muitas doenças psíquicas e emocionais. Durante milênios, os seres humanos têm se afastado de sua essência, passando a viver de forma artificial, distante da real finalidade da vida, como se estivessem em permanente sonolência sem perceber o que está se passando, achando que algo está errado na forma de viver, mas se acomodando e se adaptando sem se movimentar para entender e buscar a saída do círculo vicioso em que o viver se tornou,

É uma escravização voluntária aos conceitos errados, semeados pelas trevas, sem aspirações enobrecedoras, em que cada um cuida apenas das necessidades do corpo do jeito que ainda pode, buscando prazeres passageiros, desperdiçando o precioso tempo num viver vazio sem sentido. Como sair desse estado de dormência e despertar para a vida?

A realidade está tão manipulada que não se conhece mais a razão nem a Verdade, mas a grande colheita da humanidade continua apresentando seus frutos de acordo com a espécie das sementes lançadas. O ano de 2020 assinalou um duro golpe na economia popular. A guerra de 2026 está no mesmo caminho. O primeiro-ministro de Israel tem os seus motivos. E o presidente dos EUA? Há o compromisso de defender os aliados, mas haveria outras razões? O fato é que os fios do destino traçados pelos seres humanos não foram de atrair paz e desenvolvimento harmônico, então tudo vai se engrenando de forma a aumentar o caos diante da falsa realidade que foi construída sobre a finalidade da vida.

Estamos diante de uma crise muito profunda, que é a desintegração do tecido moral e espiritual da sociedade. Torna-se necessário um movimento que vise incentivar o despertar para os valores reais e o sentido da vida, um movimento que despretensiosamente possa lembrar os seres humanos do que eles realmente são, e quem sabe se disponham ao despertar para a vida real. As comunicações em geral e as redes sociais lucram com o nosso ódio e com o nosso ego e vaidade. Elas foram desenhadas para nos manter vibrando em frequências baixas (inveja, cobiças, raiva, traição, comparação). Isso atrai a igual espécie baixa, roubando a serenidade e a esperança em dias melhores. Como se poderia influenciar o comportamento e gerar sentimentos que possam direcionar o ser humano para buscar o enobrecimento e a real finalidade da vida?

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A GEOECONOMIA E SEUS IMPACTOS NOS OITO BILHÕES DE PESSOAS NA TERRA

As intenções dos seres humanos moldam os contornos dos acontecimentos. A diferença é que agora as coisas se tornam visíveis mais rapidamente. Na América do Sul, especialmente o Brasil e Argentina, estavam se destacando por contarem com uma população mais consciente, mas com as crises geradas, ambos foram cerceados em sua evolução com declínio do preparo dos cidadãos e dos governantes.
Em meio a guerras e transformações tecnológicas, culturais e sociais, destacaram-se Estados Unidos, Rússia e China. Antes era o colonialismo, disfarçado ou visível. Agora é a geoeconomia. China, com seu superávit comercial global; Rússia, com seu povo e recursos naturais e armamentos. Enquanto isso, os Estados Unidos se defrontam com uma situação geral complexa que encosta na hegemonia do dólar.
Por outro lado, há a questão dos prováveis oito bilhões de almas encarnadas na Terra. Na agitação em que a humanidade está vivendo, o sentido da vida está sendo perdido, pois as pessoas estão se entregando aos prazeres desenfreados, incluindo as redes sociais, como meio de fugir da áspera realidade. O ser humano é espírito que precisa se desenvolver e se fortalecer. Mas o cérebro das pessoas em geral tem sido manipulado desde a fase infantil, tendo, como consequência, a inatividade da essência espiritual, ou seja, uma ousada interferência no natural livre querer inerente ao espírito humano.
Na educação infantil, pais e mães devem examinar o procedimento que estão adotando. O mestre Abdruschin diz que a criança deve aprender desde cedo a lei do equilíbrio, isto é, a criança deve retribuir por tudo que recebe. É a lei do dar e receber, da formação do caráter responsável e reconhecimento do dom da vida. A trajetória do ser humano produziu as consequências decorrentes dos caminhos escolhidos. Está surgindo uma nova consciência sobre a situação em que nos encontramos e como poderemos nos libertar dos conceitos errados que estão arrastando a vida para uma situação insustentável.
Depois da pandemia, a humanidade estava fragilizada. Agora, com sucessivos conflitos e ameaças de crise econômica, a sensação de desânimo está crescendo. Uma sensação de instabilidade vai tomando conta.  A psique humana sente o impacto dos abalos da alma. Não só no trabalho, na vida pessoal também. A caixinha eletrônica, o celular, nos coloca diante de vários problemas de forma simultânea, não dá folga, não há tempo para pausas e reflexões. A pressão cerebral e emocional é muito forte. O celular, embora de grande utilidade, com suas variadas possibilidades de comunicação, é também um grande sugador de energia, por isso, os adultos também têm de usá-lo com moderação.
De onde vem a clareza no pensar? O indivíduo tem de estar focado, olhar atentamente ao que se passa, entender a situação, procurar o gargalo, pensar no problema e nas soluções e deixar fluir. De repente, ideias claras começam a surgir. É a intuição.
Há também a questão da religião que esbarra na indolência do espírito que não quer analisar o que lhe é dado a ver. Ou seja, a renúncia da capacitação que todos receberam ao nascer, o que gera incompreensão e conflitos. Não há religião que não tenha grãos das verdades imutáveis da Criação, assim como não há religião que não tenha os seus postulados fechados e incompreensíveis diante da lógica natural. As religiões devem constituir os degraus para a compreensão da Criação e suas leis e dos propósitos do Criador para com os seres humanos. Em vez disso, tem sido utilizada como plataforma para galgar os degraus do poder. Muitas pessoas pressentem a existência de um relógio universal que se aproxima da hora final das ilusões e da falsa felicidade, da hora de enxergar a vida real com clareza.
O fastio, a ansiedade e a falta de alegria poderão levar muitos seres humanos a buscarem a autêntica espiritualidade que brota do íntimo da alma. Somente ela poderá trazer alívio e libertação do caos que a humanidade criou. Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará.
*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A CIVILIDADE NA CRISE E A GRATIDÃO

A civilidade é mais que educação; é a postura interior. Civilidade não é apenas boas maneiras. É a capacidade de agir com dignidade e gratidão pela oportunidade da vida, mesmo quando o mundo está em crise generalizada. É recusar a lógica do “cada um por si”. É não explorar o medo alheio. É não buscar vantagens às custas da fragilidade do outro. É manter a integridade e serenidade quando tudo ao redor parece instável.

Simbolicamente, o cerne dos cavaleiros do Apocalipse é a balança da justiça que está pendendo para o lado escuro da humanidade, em decorrência de suas próprias escolhas, o que representa o falhar daqueles que se detiveram nas ninharias da vida, em vez de buscar o desenvolvimento do espírito, e nisso foram criadas as condições para o caos que se aproxima. Nesse meio, muitos encontrarão o caminho que eleva, caso se esforcem para isso.

Enquanto não sentirem a vontade de trilhar um novo caminho com uma sintonização voltada para o bem geral e para o aprimoramento moral e espiritual, as dificuldades continuarão crescendo. Como levar avante uma civilidade em tempos de crise, e que não esconda a dureza da realidade? Como direcionar essas informações ao povo em geral?

Vivemos um período em que a humanidade parece ter chegado ao limite de seus próprios caminhos. Pandemias, guerras, instabilidade econômica, crises ambientais e tensões sociais revelam algo que vai além dos fatos: mostram que perdemos a sintonia com aquilo que sustenta a vida em comum.

Durante milênios, avançamos em ciência, tecnologia e poder material, mas abandonamos algo essencial: a capacidade de usufruir com gratidão a existência consciente que nos foi dada, contribuindo para o bem geral do ambiente em que vivemos. Como escreveu Abdruschin, Na Luz da Verdade: “o ser humano desconhece a jubilosa gratidão de usufruir de modo alegre a existência consciente que lhe foi dada, coparticipando na grande Criação para o bem de seu ambiente.”

Essa ausência de gratidão e responsabilidade interior se manifesta hoje em todos os níveis: na política, na economia, nas relações sociais e até na vida íntima das pessoas. O resultado é um mundo que parece sempre à beira do colapso, onde cada crise se soma à anterior e onde a sensação de insegurança se tornou permanente.

Mas não estamos condenados a repetir esse ciclo. A mudança começa no bom querer. Nenhuma reforma política, nenhum plano econômico e nenhuma liderança será suficiente enquanto o ser humano não desejar, de forma sincera, trilhar um novo caminho. Um caminho baseado em liberdade para decidir, responsabilidade pessoal, respeito e consideração ao outro, cooperação, verdade, sobriedade, consciência moral, e compromisso com o bem comum e a continuada busca de melhores condições de vida e aprimoramento da espécie. Sem essa base, qualquer sistema desmorona.

As famílias, escolas e profissionais de saúde têm de formar pilares de equilíbrio. Num tempo de ansiedade coletiva, esses três núcleos precisam caminhar juntos. Necessitamos de famílias que conversem, acolham e orientem; de escolas que ensinem os conteúdos adequados ao bom preparo para a vida, mas também autocontrole, empatia e pensamento crítico; de profissionais de saúde que compreendam o impacto emocional das crises e ajudem a sociedade a não sucumbir ao pânico. Sem essa rede, a população fica vulnerável a discursos de ódio, manipulação e desespero.

As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismo. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites e compromisso com a estabilidade social. A economia não é um jogo de vencedores e perdedores; é o sistema equilibrado que deve sustentar a vida de todos.

Falta um alarme, um chamado à sintonização correta. O mundo não mudará apenas com leis, decretos ou eleições. Ele mudará quando cada pessoa decidir alinhar sua vontade ao bem geral, ao aprimoramento moral e ao respeito pela vida. Essa sintonização não é abstrata. Ela se expressa em cada gesto, cada escolha, cada palavra tudo unido, voltado para o bem geral.

É possível viver com dignidade mesmo em tempos difíceis. É possível reconstruir a confiança e criar uma cultura de paz, responsabilidade e verdade. Mas isso exige que cada um de nós desperte para a grandeza e a responsabilidade de ser humano diante da grandiosa finalidade da vida para nos tornarmos bons feitores do planeta que constroem um futuro cada vez melhor.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

COMO AGIR NO SÉCULO 21?

No início do século 20, o Brasil já estava no regime republicano, com eleições para escolha do presidente e demais integrantes da gestão da nação. No geral, tivemos um período marcado por grandes guerras, lutas sociais e culturais, e uma grande mudança na percepção dos seres humanos sobre o significado da vida. O Brasil passou a contrair mais dívidas externas, e na medida em que ia pagando, mais dívidas foram surgindo. A população era calma. A economia era frágil, voltada para a agricultura de exportação, as pessoas e as famílias viviam influenciadas pela igreja, pelo rádio e, em menor escala, pelos jornais e revistas.

Terminada a primeira grande guerra mundial, a Europa tentava desenvolver um período de reconstrução, enquanto a Alemanha se arrastava diante da dívida de guerra. Nos Estados Unidos estavam se formando as condições para a grande crise de 1929 que abalou a insípida economia global. No Brasil e América do Sul, a situação também se arrastava.

E veio a segunda grande guerra mundial. Miséria para todos os lados. Alemanha e Japão vencidos. Inglaterra e Europa arrasadas. E surgia o dólar trazendo novas esperanças e ilusões. Na América Latina, o clima era de quintal dos outros, como até hoje. Argentina fornecia carne; Brasil, café e açúcar. No restante, minérios especiais como prata e cobre. Os poderosos querem as riquezas e mais poder. América Latina e África ainda são quintal dos outros com a colaboração de políticos e suas negociatas.

Com o fim da segunda grande guerra, novas esperanças acendiam nos corações aflitos. As pessoas eram sentimentais, criavam fantasias mentais, mas ainda havia um pequeno vestígio de intuição, ou seja, a voz do espírito, que dava um pouco de leveza. Isso foi até aos anos 1970. Poderia ter havido uma guinada qualitativa da humanidade voltada para a espiritualidade, pois tudo apelava para isso.

Eis que surgiu a televisão com sua força avassaladora sobre as mentes de adultos e crianças, e dependia de todos a direção que seria dada. Em vez de um incentivo ao aprimoramento mental e espiritual, venceu a manipulação. As pessoas queriam lazer, diversão, vida mansa. E tudo isso veio no pacote que incluía desinformação e consumismo. A venda de tudo foi crescendo, até dos cigarros, nocivos para a saúde. As novas gerações iam emburrecendo, o marketing político definia os candidatos vencedores.

No século 21, a humanidade se apresenta apática, sem força de vontade, desanimada, agindo como robô. Mas novas guerras estão se inserindo no cenário, roubando a paz, trazendo inquietação e sofrimentos. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um processo insustentável.

Quem se habilita a reconhecer os estragos promovidos pela própria humanidade? Falta coragem e humildade para que haja o reconhecimento dos erros e a escolha do caminho adequado à espécie humana. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo sob a luz da verdade é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. As tragédias e sofrimentos são o derradeiro chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si, e então optar conscientemente pelo rumo certo que eleva a própria espécie.

O século 21 está se caracterizando por um intenso avanço tecnológico, inversamente ao declínio moral e espiritual. A inquietação e a ansiedade são o denominador comum, e isso vai deixando os indivíduos estressados, incapazes para realizar reflexões intuitivas nos momentos de folga. Os seres humanos estão sendo arrastados pelo relógio acelerado do tempo, deveriam resistir e fazer pequenas pausas, sempre que puderem, para avaliarem a forma áspera como estão vivendo e perceberem que têm de buscar uma sadia mudança de rumo.