Posts

A ÉPOCA NÃO ESTÁ PARA FESTANÇAS

Em muitos países está ocorrendo o esvaziamento industrial. As grandes empresas se voltam para o mercado mundial e escolhem o lugar menos problemático para produzir, distribuir, vender e administrar. Isso acaba sendo desfavorável para muitos países que perdem empregos, renda, atividades e arrecadação, estagnando o desenvolvimento tecnológico. Uma questão complicada que requer análises sinceras. Na renhida luta pela sobrevivência em que a vida se transformou, os caminhões, nas rodovias do Brasil, andam colados no carro da frente e acelerando, e em qualquer imprevisto podem matar.

Nas vacinas, como em tudo o mais, a competição e desequilíbrio estão presentes. É estranho que o ocidente não esteja sendo capaz de abastecer a si mesmo. A vacina tem um preço. Chega mais para uns do que para outros, mas há apenas uma humanidade e, face ao progressivo contágio, deveria estar sendo produzida de forma coordenada. Mas com informações contraditórias e falta de credibilidade, tudo está gerando sensação de desalento. A distribuição deveria ser equitativa e pacífica, mas há brigas dentro dos países e entre eles.

A precarização geral avança pelo mundo, vai nivelando por baixo, redistribuindo a miséria a quase oito bilhões de bocas. A pandemia desorganizou o sistema e algo deve ser feito para evitar o caos. Foram introduzidas medidas para preservar empregos, tais como a redução de jornadas e salários, e auxílio emergencial, sendo que este último se tornou inviável dado a falta de recursos e o tamanho da dívida pública. Cabe à sociedade buscar meios de adaptação para subsistir de forma digna, compatível com a situação, sem entrar em decadência.

A vulnerabilidade fiscal já existia antes da pandemia. O país foi deixando de produzir, as despesas subiram, o PIB não crescia, a arrecadação exigia aumento dos impostos. Através das ações e dividendos, a bolsa seria a democratização do capital, mas se tornou a essência da especulação com riscos elevados. O Brasil, como outros países, precisa de governantes competentes, sérios, empenhados em criar as condições para que a população progrida com preparo e trabalho e não com ilusões desorientadoras.

Recentemente a imprensa noticiou a realização de uma grande festa, realizada em Brasília, após a eleição de Arthur Lira como o novo presidente da Câmara dos Deputados. O Brasil tem andado para trás na saúde, educação, desenvolvimento. O momento é tão crítico, mas grande parte das pessoas continua vivendo com a usual displicência que arrastou o mundo para a beira do abismo. Esperemos que não seja apenas mudança de moscas; já que os antecessores pouco fizeram pelo país, os atuais têm agora a obrigação de fazer um mínimo pelo Brasil, antes que o manjar acabe.

O mundo vive uma época que não é apropriada para festas e aglomerações, pois há sofrimentos, desalento e miséria se esparramando em toda parte. Os maus hábitos se instalaram no poder impondo sua força corrompedora a seres humanos sem fibra e sem ideais enobrecedores. Deixando de lado a festa e seu custo e de onde vieram os recursos, o que o povo do Brasil deseja é que a Câmara e o Senado ajam com responsabilidade e empenho para a melhora das condições gerais de vida da população.

Outro grave problema é o desencanto das novas gerações com a vida que saiu da naturalidade. As ideias consumistas criaram uma visão artificial e ilusória sobre a vida, captando as atenções gerais, mas pouco se fez no sentido de mostrar aos jovens o real valor da existência. Desinteressados, eles se descuidam e não conseguem a necessária força de vontade para buscar o reconhecimento do real significado da vida e contribuir para a construção de um mundo melhor que impulsione a evolução e o aprimoramento da espécie humana.

A natureza e suas leis oferecem tudo que o ser humano necessita para seu progresso e evolução, e o aprendizado infantil deve iniciar por aí e prosseguir por toda a vida, pois essas leis abrangem tudo o que foi criado. O ano de 2020 foi de isolamento, recolhimento interior e percepção de quantas ilusões absorvem o tempo das pessoas. Como será 2021? Esperemos que a Câmara Federal e o Senado retomem a sua posição de estarem a serviço do Brasil, trabalhando para o bem geral da nação.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

ÉPOCA DE REFLEXÕES

As festas de final de ano são propícias para reflexões. É preciso enxergar a realidade da vida com clareza. Durante décadas, a humanidade descontente tem sido envolvida por sonhos utópicos de derrubar o poder e começar tudo de novo, o que levaria a outra situação que logo poria novamente a descoberto o mal-estar existencial decorrente do desconhecimento absoluto do significado da vida. Buscar esse saber deveria ser o grande alvo dos indivíduos, independentemente de onde nasceram e do que foram levados a acreditar. Hoje há desalento, comodismo e grupos radicais. A economia imediatista do dinheiro levou à globalização, a qual promoveu os desequilíbrios que assustam a humanidade.

Há mais de 30 anos atravessamos relaxamento econômico no país. Desde o tempo em que o Brasil se prestava para fornecer açúcar, café, ouro e outras preciosidades com regime escravocrata, não se formou um mercado interno forte dada a baixa renda e despreparo da população.

A política de dólar baixo inviabilizou a indústria e com isso foram trazidos produtos do exterior com preços baixos. Perdemos tempo, ampliamos o atraso. O mundo está convulsionado. Os EUA emitem dólares para o mercado financeiro, e os chineses produzem para abastecer o mundo, acumular dólares e investir de norte a sul. A competição é acirrada e o mercado interno continua fragilizado.

A globalização e os avanços no transporte fizeram com que populações semiestagnadas na economia de subsistência pudessem ser mobilizadas para a produção industrial com custo ínfimo, mas pouco se pensou nas consequências para o mundo, como o desemprego, queda de renda e desigualdade. A integração de mão de obra barata na produção globalizada, feita de forma imediatista e sem um planejamento, acarretou sérias consequências para a classe média. Deveria ter sido buscada uma forma menos traumática para melhorar as condições gerais de vida dessas populações.

A economia do Brasil permanece subordinada e dependente da exportação de matérias-primas e commodities, gerando poucos empregos e baixo valor agregado. A integração nas cadeias globais de produção deve ser feita sem desequilibrar ainda mais a economia do país Há no ar um cheiro de salve-se quem puder. Amplia-se pelo mundo a busca por acumulação de dinheiro, poder e a consequente desigualdade na partilha da renda; a diferença está apenas se a gestão é tipo empresarial ou centralizada no poder estatal.

Vivemos o drama do desequilíbrio econômico, financeiro, cambial e social ampliando a desigualdade, precarização geral, destruição da natureza e o baixo nível educacional, levando a luta pela sobrevivência a extremos jamais vistos. É preciso educar o ser humano efetivamente para a vida, para o bem geral. É preciso enxergar a realidade com clareza. O que restou sobre os ensinamentos de Jesus traz um ranço enganoso, místico e dogmático. O conhecimento do significado da vida deveria ser o grande alvo dos indivíduos. Com palavras simples, Jesus descrevia o processo natural do amadurecimento do germe espiritual que deveria se tornar verdadeiro ser humano. Três reis foram conduzidos para dar proteção, mas se retiraram.

Levou alguns séculos para o dinheiro se tornar o ídolo dominante. Os países foram estruturados para dar suporte legal ao dinheiro e, ao mesmo tempo, se tornarem deficitários. Vale tudo para acumular dinheiro e poder, a situação ficou difícil. No passado, havia expectativa de progresso e melhora, produzia-se, empregava-se. Depois vieram as dívidas e juros.

Os governantes passaram a achar que importar reduziria o custo de vida. A dívida explodiu no Brasil, Argentina e em outros países. Fala-se que o montante geral da dívida mundial ultrapassa 50 trilhões de dólares, um número muito perigoso para taxas de juros acima de zero. A ordem é fazer a despesa caber na receita. No entanto, os empregos estão sumindo, a atividade do governo na educação e saúde torna-se precária. O que fazer? Como gerar trabalho renda e investir no preparo dos jovens?

As novas gerações têm sido mal orientadas e conduzidas, não aprenderam a potencializar os talentos que deveriam ser empregados para o desenvolvimento individual e geral. Importa buscar o significado da vida, voltar-se para o bem, para a melhora das condições de vida, para o aprimoramento da espécie humana. Jesus falou disso tudo, indicou o caminho da Luz da Verdade, mas quem se lembra e pratica isso tudo?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7