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COMÉRCIO E CONVIVÊNCIA PACÍFICA

O sistema econômico tem sido predatório; a governança, oportunista e corrupta. A ONU prevê aumento da população dos atuais 7,6 bilhões para 11 bilhões para as próximas décadas. Esse aumento preocupa porque já estamos no limite do planeta e com o nível de vida tendendo à precarização. As elites do Ocidente se colocaram numa posição de intangibilidade, enquanto surgia um desarranjo econômico decorrente da produção asiática voltada prioritariamente para exportações e acúmulo de divisas, acarretando o fechamento de indústria e destruição de empregos. Os países têm o direito e o dever de buscar melhores condições para sua população, mas sem equilíbrio nas relações entre os povos os conflitos tenderão a recrudescer.

A forma da implantação da Zona Franca de Manaus acabou favorecendo a estagnação, pois enquanto as zonas francas eram implantadas visando à exportação, a de Manaus se tornou um artificial corredor de importados que inviabilizou a industrialização fora dela.

Quando o Brasil implantou uma dolarização disfarçada para combater a inflação, afetou profundamente a insípida estrutura industrial. Com o reducionismo imposto à indústria, surgiram várias consequências negativas, como o atraso geral na esfera de produção, na capacidade técnica da mão de obra e no bom preparo das novas gerações. Nesta fase eleitoral, o que dizem os candidatos sobre a situação da indústria, o que recomendam para recuperar o atraso, pois não dá para importar tudo, nem há dólares suficientes?

O pós-guerra ensejou melhora nas condições de vida nos EUA e Europa. No Brasil, os efeitos não foram sentidos na mesma dimensão, pois o país não foi governado com seriedade. Na China, a rigidez de Mao Tse-Tung foi posta de lado. Deng Xiaoping e seus sucessores deram início a uma virada econômica que favoreceu a melhora das condições de vida do povo e gerou reservas volumosas em dólares. Enquanto isso, estagnavam os rendimentos da classe média no Ocidente. Estamos num momento significativo, mas a grande maioria não consegue ver o futuro com nitidez. Enfrentaremos a confrontação e o caos econômico ou teremos novas diretrizes que permitam uma convivência de progresso pacífico entre os povos?

No livro A queda do Ocidente? Uma provocação, Kishore Mahbubani, da Universidade de Singapura, diz que o ingresso da China na OMC em 2001 representou a entrada de quase um milhão de trabalhadores no sistema comercial global, o que resultaria na perda de postos de trabalho no Ocidente, declínio de salários reais, redução na participação no PIB e aumento da desigualdade, e que as elites não se deram conta desse processo transformador da Ásia. Aqui fica uma dúvida: não perceberam ou deixaram rolar para tirar proveito? Mas houve um desequilíbrio na produção e comércio global que favoreceu a Ásia, enquanto países como o Brasil sofreram perdas na indústria e no preparo das novas gerações. Como corrigir?

É preciso que exista um denominador comum entre as diversas moedas que ficam sujeitas a variações ditadas por interesses de forma que os ajustes feitos em algumas delas repercutam em outras, gerando consequências positivas ou negativas dependendo da situação da economia de cada país envolvido. No jogo intricado do câmbio, tornaram-se possíveis as variações estratégicas ou especulativas que atuam a favor de uns em prejuízo de outros, mas o descontrole poderá levar a consequências perigosas. Quem consegue descobrir como se move esse mercado cambial global? Fato que com dólar mais caro importa-se menos bugigangas da China, mas também se viaja menos para a Flórida.

Quando a produção se concentra numa região, aumenta a produtividade, mas em outras, os empregos se reduzem. Onde obter consumidores para a enorme capacidade de produção? Acirra-se a concorrência. Surge um desequilíbrio na economia global. Como chegar a um denominador comum que favoreça todos os povos? A tentativa de impor tarifas surge como uma revolta à atual situação de comércio internacional do livre mercado que permitiu o desarranjo, admitindo igualdade de tratamento diante de fatores desiguais, afora o câmbio. Os efeitos se mostram em todos os países cuja balança comercial tem apresentado déficits. Como o equilíbrio nas transações gerais poderá ser estabelecido sem provocar rupturas? Algo deve ser feito; a hora exige bom senso de todos visando a melhora das condições gerais de vida.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O QUE É O BRASIL? E O MUNDO?

Numa época em que novos armamentos estão sendo testados é bom refletir sobre a II Guerra Mundial que resultou da decadência da humanidade. Verdade que surgiram alguns avanços tecnológicos, mas uma humanidade evoluída teria reconhecido as leis naturais da Criação e aprendido a usar a energia atômica para fins pacíficos e benéficos, em vez de se dedicar intensamente para construir uma arma destrutiva de guerra. Como preparar as novas gerações para evoluir? Desde cedo as crianças devem ser orientadas para a importância do aprendizado, do trabalho e da busca do significado da vida. Quem somos nós? O que é o planeta onde vivemos? Como ele possibilita a vida? Tudo segue o ritmo das leis naturais da Criação.

É bom desbancar monopólios e ter produtos com preços acessíveis, mas há um grande enrosco no tocante à produção, empregos e renda. Se muitas indústrias se tornarem inviáveis, como vai ficar a economia de vários países como o Brasil? Ficará parecida com o Rio de Janeiro desestruturado, preso às drogas e corrupção?

Seria oportuno relembrar como vem ocorrendo o declínio do Brasil desde os anos 1980, com breve intervalo de folga, mas com terrível destruição geral em muitas décadas perdidas. Perdemos na educação, na saúde e a esperança na melhora. Como sair do insignificante crescimento de 1% e melhorar a produção e empregos? No Brasil despreparado faltam bons gestores. Como enfrentar a conjuntura internacional avassaladora na busca de ganhos, commodities e na distribuição de industrializados? É grande o risco do prosseguimento do desmanche.

O que é o Brasil hoje? Enquanto a China, onde não entra pornografia nem outras drogas, preparava as novas gerações, o Brasil decaía no nível escolar e permitia livremente o uso de bebidas e drogas. Com isso, a moçada foi se prejudicando. A classe política e gestores sempre ficam olhando para a próxima eleição e nada fizeram. O Brasil é hoje um retardatário na indústria e em tudo o mais, ficando espremido entre os que queriam tirar vantagens financeiras e os radicais empenhados em dominar o Estado de forma despótica. Muita gente contribuiu para a precariedade atual. Faltou patriotismo.

A atual situação da humanidade se afigura como a porta para a precarização e declínio generalizado da civilização. Como disse o ministro Jungmann: “Na outra ponta, nós temos aqueles a quem nada falta, aqueles que têm recursos, aqueles que, muitas vezes chamamos de classe média, mas que pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de capacidade de entender os limites entre o que é lícito e ilícito, passam a consumir as drogas”.

Quais os objetivos do capitalismo democrático? E do capitalismo de Estado conduzido sob o ponto de vista dos comunistas? A humanidade tem dedicado tempo mínimo para a compreensão do significado da vida. Em vez de se dedicar ao auto aprimoramento, adestrou-se no manejo das finanças para ampliação e conservação do poder. Com tal meta, o que se poderia esperar? Desequilíbrio geral é o resultado. A marcha para a insensatez se mostra mais nitidamente a cada dia que passa. Correntes religiosas, liberais democratas e autocratas, vão seguindo na mesma direção perigosa.

A história poderá desvendar os enigmas do atual cenário econômico-financeiro global. Com a avantajada população mundial e recursos limitados, não vai dar para todos terem brioches. Com a rápida integração asiática de mais de duzentos milhões de braços na força de trabalho, em condições de custos mais favoráveis, teve início um processo de desarrumação do comércio internacional que, levado pelo imediatismo, já tinha os seus vícios, e poderemos estar adentrando em nova fase de guerra comercial. Essa é uma questão fundamental que requer a atenção dos organismos internacionais, pois a situação atual aponta para a escalada da precarização e declínio da civilização humana pela redução do equilíbrio entre os países e suas contas.

Gradativamente o Ocidente se foi afastando do saber das imutáveis leis da Criação, a Vontade de Deus, o grande regulamento da vida que conduz para o bem. A China do sábio LaoTsé, também. Agora vivemos a era da colheita, os frutos revelarão as verdadeiras intenções dos seres humanos.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7