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PARALISAÇÃO OU ESTAGNAÇÃO?

Na economia global, atropelada pela guerra comercial, as consequências estão se revelando nos países com as contas internas e externas detonadas, que buscam receitas tributárias sobre os preços de itens essenciais esquecendo o todo, dando espaço aos perturbadores que querem o caos. O Brasil precisa de serenidade para não perder o rumo. Se as diversas mercadorias tiverem seus preços reajustados no ritmo dos derivados de petróleo influenciados pelo câmbio, o que vai ser da estabilidade monetária e da inflação?

Alterar o preço dos derivados de petróleo todos os dias, com metodologia calcada no preço do petróleo no mercado internacional e na taxa e câmbio em um regime flutuante, foi uma grande barbeiragem, pois se o preço do petróleo é regulado pela produção e consumo, o câmbio sofre influências manipuladas pelos Bancos Centrais e especuladores. A situação é complexa, há insatisfação popular e lutas pelo poder, nesse meio qual será o futuro do país? Há muitos cargos eletivos, vereadores, deputados, senadores, todos disputando vagas nos ministérios e nas estatais; faltam estadistas patriotas.

Bloquear estradas, impedir o abastecimento das cidades não é atitude civilizada. Se não for traçada a linha entre liberdade e licenciosidade, chutar o balde vai se tornar usual, mas o que poderá trazer soluções é que o Brasil e sua população renasçam para uma fase responsável de busca do progresso e combate ao apagão geral, do espírito e da mente. Basta de tanto descaso com o país e sua consolidação como sociedade que prima pelos valores humanos, não pela baderna e chulices que levam ao declínio moral e falência geral.

Não há segredo. Os políticos, em geral, e ditadores acabam sendo dominados pela tirania e pela ânsia por dinheiro, essa coisa que se tornou abstrata fisicamente, mas circula de forma oculta nos bits dos computadores dando poder aos seus detentores que tudo fazem para que não haja alterações no sistema que permite que se crie dinheiro do nada, o grande ídolo da humanidade que renegou o espiritual. Mas os abusos contra a população, acobertados pela estrutura estatal, tendem ao limite da saturação, inquietando e criando o mundo das incertezas.

A situação é muito complicada. Estamos próximos da eleição. Se ela for impedida, qual será o futuro do Brasil? Que bagunça haverá nesse período. No Brasil tem faltado governo e não é de hoje, mas faltou governo porque a população tem pouco preparo e é incentivada a permanecer na vida indolente sem propósitos nobres. Faltam estadistas sérios e capacitados. Mais de 60 mil cargos eletivos que pouco fazem para a melhora. Enxugar tudo seria o alvo, a começar nas prefeituras, seus secretários e vereadores, até Brasília. As estatais, do jeito que ficaram na mão da classe política, deixaram de servir a população. Organizou-se uma paralisação nos transportes em nível nacional,sem que houvesse uma pauta de melhora geral, a população tem de se unir para melhorar o país de forma sensata.

O Brasil, há décadas explorado por interesses escusos, precisa de um esforço de longo prazo. A paralisação despertou o anseio por um país melhor, uma grande causa que precisa da adesão de todos, de bom senso e uma atitude permanente de exigir que o Brasil se torne um país decente para se viver de forma condigna com saúde, educação e trabalho, caso contrário nos tornaremos meros fornecedores de matérias-primas e minerais para as potências que só pensam nelas, enquanto a população vai regredindo aos estágios de Brasil quando colônia da Europa. O desmando pode gerar desemprego, queda na produção e mais miséria, a sina nos venezuelanos. A cidade turística de Embu das Artes (na rodovia Regis Bittencourt SP) ficou bloqueada com a paralisação dos caminhoneiros, houve prejuízo para os artesãos, para os empresários e risco para os empregos.

É preciso que cada pessoa se esforce por manter pureza em suas ações. Ao se afastar do espiritual, o ser humano se acorrentou ao mundo material, ao tempo-espaço, perdendo a visão da amplitude da vida. Agora as leis da Criação impulsionam tudo mostrando a colheita indigna, e o raciocínio por si, sem o despertar espiritual, é incapaz de restabelecer o que ele arruinou com o egoísmo. É preciso vontade sincera e querer o bem acima de tudo.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

O APRIMORAMENTO HUMANO COMO META

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Com o aumento da incerteza econômica e social, crescem os movimentos de massa. Quem entende o que está se passando? Falta uma parada para refletir sobre a situação com objetividade e sinceridade na busca de soluções viáveis. Com a teimosia geral, a vida de oito bilhões tende a se precarizar. O foco deveria ser a busca de melhores condições gerais de vida que possibilitem a evolução das pessoas que se dispõem a aprender e a trabalhar com eficiência para, dessa forma, embasar a atividade econômica.

A desequilibrada situação das finanças públicas tende a piorar. O mundo atravessa uma fase de mudanças profundas. Massas desorientadas e acomodadas espiritualmente vão sobrevivendo. Para onde a humanidade está caminhando? Houve um período de busca de melhora no padrão de vida, mas faltaram maiores cuidados com a educação e preparo para a vida. Com a integração do bloco asiático, as deficiências vieram à tona; não está dando para segurar. Está certo dizer que se trata de Capitalismo de Estado ao se organizar a produção e o comércio quando na verdade se trata de governo forte? Que nome poderia ser dado a esse novo sistema econômico de produção?

Há confusão, insegurança e incerteza sobre os objetivos da sociedade. As empresas são formadas para gerar lucros e, para isso, o capital é indispensável, mas requer a colaboração dos que trabalham produzindo e tocando o empreendimento. As mexidas nas leis que regulam o trabalho deveriam incluir algum dispositivo de participação nos resultados, pois se trata de manter o equilíbrio entre as partes.

Nas análises do economista Thomas Piketty sobre a tardia abolição do trabalho escravo no Brasil, faltou observar que isso faz parte do passado colonialista, que criou uma economia caudatária que se habituou a produzir commodities para exportar, assim como o dinheiro também. Assim como no Brasil, em outros países também os ganhos obtidos em sua maior parte não foram reaplicados na origem que permanece no atraso geral, criando a matriz básica da desigualdade global entre os povos.

Muitos abusos foram cometidos quando o acúmulo de dinheiro e poder se tornou um fim em si, gerando a estruturação da economia imediatista, sem bases sólidas com responsabilidade pelo futuro. O foco deveria estar na busca de melhores condições gerais de vida. O mundo está sob controle do ponto de vista dos interesses econômicos das grandes potências que ensaiam um acordo entre si, tendo os mais fracos que se sujeitarem. Isso quer dizer que não haverá uma grande guerra no curto prazo, mas também não haverá paz devido a conflitos localizados e a atos de terrorismo, a menos que algum dirigente perca o equilíbrio e tome atitudes agressivas isoladamente.

A economia poderá seguir com baixo crescimento e com avanço da precarização em algumas áreas tidas como abastecedoras de commodities: Estados Unidos, como centro de atração da liquidez mundial; Ásia, como polo manufatureiro. No restante do planeta, aumento da insatisfação e movimentos de massa, eliminando-se cada vez mais a possibilidade de caudilhos assumirem o poder, ficando os Bancos Centrais na coordenação e o dinheiro e o poder como fins.

Enfrentamos a crise da humanidade que perdeu o rumo por ter esquecido que o futuro surge como consequência do que é feito no presente. Não há esforço para entender a vida e seus marcos fundamentais: nascimento e morte. Falta a consciência da responsabilidade da geração, seguida da encarnação e nascimento. O aprimoramento da espécie humana e a melhora das condições de vida ficam mais uma vez para o futuro do futuro.

A ausência de objetivos nobres e as necessidades do dia a dia envolvem tenazmente os pensamentos que vão se direcionando para as coisas fúteis, conduzindo tudo para baixo. Todas as noções, imperceptivelmente, vão se modificando para pior. No passado, isso não ocorria tão frequentemente como hoje, com bilhões de pensamentos direcionados para baixezas de todos os tipos, tornando a cada dia o viver mais difícil e vazio. Ao conservar puro o foco dos pensamentos, direcionando-os para o bem, as pessoas estarão contribuindo para a própria felicidade e para a melhora geral.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7