AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A COPA E O FUTURO

A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br
A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O SANTO GRAAL NA HISTÓRIA

Provavelmente muitas pessoas conhecem o Santo Graal como o cálice sagrado da Última Ceia ou como o segredo de uma linhagem de sangue oculta, popularizada por Hollywood e best-sellers como O Código Da Vinci. Mas, e se a história que nos contaram estiver olhando para o lugar errado?

O Santo Graal atravessou séculos como o símbolo máximo do inacessível. Curiosamente, essa mística é tão poderosa que transbordou a literatura medieval e invadiu o nosso vocabulário contemporâneo. Hoje, em artigos jornalísticos, ensaios científicos e discussões acadêmicas, a expressão “o Santo Graal” é frequentemente usada de forma figurada. Fala-se do “Santo Graal da física”, ou como sendo algo extraordinário em qualquer campo da atividade humana.

A essência literária e mística do Graal, chamado na antiguidade de o cálice da vida, está conectada à jornada de autoconhecimento, à cavalaria arturiana e ao esoterismo dos Templários do que à crucificação de Jesus. A ligação com o sangue de Cristo foi uma roupagem posterior criada para assimilar um mito que já era extremamente poderoso e antigo.

A civilização celta começou a se expandir pela Europa Central e pelas Ilhas Britânicas por volta de 1200 a.C., ou seja, há mais de 3.200 anos, mas na realidade o conhecimento do Graal é bem anterior, porém faltam dados históricos que comprovem isso. Segundo Sirona Knight, no livro Explorando o Druísmo Celta: “O cálice representa o caldeirão mágico, o Graal, a fonte da vida e o poço da inspiração”. Quando o escritor francês Chrétien de Troyes escreveu a primeira obra sobre o tema em 1180 (Percival ou o Conto do Graal), o objeto não rinha relação com o cálice da época de Cristo.

Na busca do Rei Arthur, o Graal foi definido como o “Símbolo da plenitude espiritual”. A busca dos cavaleiros da Távola Redonda era um teste de caráter, honra e maturidade espiritual. Encontrar o Graal significava restaurar a ordem cósmica e a justiça no reino de Arthur.

A conexão com a Ordem dos Templários ganhou força no início do século XIII através da obra Parzival, de Wolfram von Eschenbach. Através do autor Robert de Boron, anos depois de Chrétien de Troyes, a Igreja e a literatura fundiram essa relíquia dita pagã com o cálice de José de Arimateia, numa estratégia medieval comum para absorver os mitos celtas e bretões que o povo se recusava a esquecer.

A teoria do “Porto Graal”, dos Templários, que teria gerado o nome do país (Portus Cale, cuja tradução seria Porto Graal), deu origem a Portugal. Uma leitura esotérica defende que os Templários não buscavam um objeto mágico, mas sim algo mais elevado ligado com a cruz isósceles, a vera cruz.

Os poetas foram inspirados, mas misturaram fantasias. Dan Brown, em Código Da Vinci, criou uma ficção bem articulada, mas irreal. Restaram os templários, que teriam criado o Porto Graal, e talvez estivessem mais perto da verdade.

É na perspectiva espiritual trazida por Abdruschin que o mistério do Graal encontra sua explicação mais grandiosa e despida de fantasias humanas. Na Mensagem do Graal, Abdruschin explica que o Pentecostes é o envio da Força Espiritual, partindo da esfera Divina, chegando para toda a Criação através do Supremo Templo do Graal. É o momento em que ocorre a Renovação da Força na Criação. Trata-se de um jorro de energia cósmica pura vindo diretamente do Divino, indispensável para manter a vitalidade da Criação em movimento, expandida e viva.

É um Fenômeno Cíclico que se repete de tempos em tempos, como o dia da efusão de forças. O evento narrado na Bíblia, com a participação dos discípulos, foi o reflexo físico desse jorro que atinge toda a Criação de forma perfeitamente natural. O Santo Graal é a realidade viva, o elevado e inacessível ponto de transição entre o Divinal e a Criação. Uma taça onde borbulha a energia da vida, a fonte primordial de onde emana a força divina, pura e vivificante que sustenta o universo inteiro. Sem essa radiação, o cosmos simplesmente teria de definhar, pois ela é a energia vital que sustenta a Criação.

Obs.: Este artigo foi escrito com a colaboração do Gemini, a IA do Google.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

SER INDEPENDENTE

Os indivíduos estão solitários no meio da multidão. Na falta de atividades com renda compatível, o que tem aumentado é o número de dependentes de auxílios do governo. Ao mesmo tempo, ao lado da perda do bom senso, que é intuitivo, está ocorrendo o encolhimento do cérebro, da capacidade de entender as coisas. Isso vai arrastando grande parte da população para a dependência do Estado, o discernimento vai acabando. A nação, para ser forte, precisa de população esclarecida que ajude na conquista de melhores condições de vida e do bom preparo das novas gerações.

Você pega uma nota de cem reais, se bobear acaba em minutos. O dinheiro emagreceu, compra poucas coisas. O que está acontecendo com a produção e o consumo? A renda é baixa, mas como é possível que haja tanto dinheiro nas casas de apostas e nas contas ligadas às atividades clandestinas e criminosas?

A massa é um conceito composto por indivíduos isolados, distantes fisicamente e fortemente influenciáveis por hábeis condutores, de forma direta ou através dos meios de comunicação, e se consolidam num pensamento homogêneo com poderosa força irracional. A base para isso é a indolência do espírito que mantém a massa moldável e influenciável via cérebro, perdendo a clareza, se deixando influenciar por ideias plantadas, acreditando no seu mentor, podendo praticar atos que o indivíduo isoladamente jamais praticaria. A consequência é que a humanidade deixa de cumprir seu dever perante o Criador, como gratidão pela vida, evoluir espiritualmente, indo ao encontro da autodestruição.

O ser humano não nasceu para isso. Mas o que é o ser humano? Qual é a finalidade da vida? Para que nascemos? O ser humano é uma semente espiritual que precisa de vivências para se fortalecer, mas ao longo dos milênios tem dado força ao cérebro intelectivo, mantendo o espírito inativo.

A IA é o supercérebro criado pelo homem, cuja atuação supera o humano condicionado em várias fases da vida e encarnações. Mas a IA não tem acesso ao além, à esfera espiritual. Com frieza, sem coração, pode planejar o extermínio da espécie humana sob o comando de homens autoritários, cuja essência espiritual não atua mais. Bem conduzida, a IA pode se tornar grande colaboradora da qualidade e melhora das condições gerais de vida e do aprimoramento da espécie humana.

A situação geral vai se complicando, porque muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. É verdade que muitas pessoas estão envolvidas nos acontecimentos, com pouco tempo para um olhar além. Em algum momento, muitas pessoas perceberão a vacuidade de tantas coisas às quais se apegam, deixando abandonada a real finalidade da vida. Que busquem a Luz da Verdade.

Falta bom preparo das novas gerações para a vida e o trabalho. Falta bom senso, raciocínio lúcido, boa vontade, iniciativa. Os seres humanos não se ocuparam em conhecer a real finalidade da vida e, na sua indolência, se tornaram joguete nas mãos daqueles que se julgam aptos para isso. O ser humano está se afastando de sua essência espiritual. Tem faltado consciência de sua responsabilidade com o futuro, tendo sido displicente ao longo dos séculos com a vida, seu futuro, sua sustentabilidade. EUA, Europa e Rússia estão se desgastando em guerras, enquanto a China vai produzindo, acumulando dólares e riquezas.

Educar para bom preparo para a vida e o trabalho está difícil porque as crianças são mantidas presas ao sistema, sem vivências práticas, que lhes dariam um descortínio da vida real, aguçando a inteligência, o bom senso, a correta interpretação dos acontecimentos para acumular experiências úteis. Quanto mais tempo elas passam na escola e manuseando as mídias sociais, mais desatentos e sem iniciativas vão ficando. Há muitas teorias, mas é na vida prática que surgem a compreensão, a eficiência e a independência.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

NÃO SE TORNE ENGRENAGEM, SEJA HUMANO

Vivemos uma era de transformações profundas, de aceleração e incertezas. O trabalho está se transformando e nós, com ele. Não se torne uma engrenagem entre máquinas e metas, seja humano.

Vivemos tempos em que a lógica da eficiência e a aspereza ameaçam engolir o sentido da vida. Tudo é meta, tudo é entrega, tudo é urgência. Mas há algo em nós que não cabe nessa engrenagem. Algo que sente, que intui, que resiste. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, a pressão cresce. Tudo se move com velocidade, mas, muitas vezes, o sentido se desfaz no caminho. Neste cenário, preservar a humanidade nas relações de trabalho deixou de ser uma escolha: tornou-se um ato de resistência.

A lógica da eficiência, quando levada ao extremo, tende a esvaziar o espaço do encontro. Pessoas passam a funcionar mais do que a conviver. É preciso realizar o trabalho sem perder a humanidade. E quanto mais a atividade se mecaniza, mais aqueles que raciocinam com profundidade, que intuem, sentem, refletem, se ressentem.

Não se torne engrenagem entre máquinas e metas. Há uma diferença entre funcionar e viver. Entre cumprir tarefas e realizar um propósito. Entre competir e colaborar. Não é só sobre salários ou formatos híbridos com trabalho presencial ou remoto. É sobre a tensão interior de trabalhar em ambientes onde propósito e pertencimento foram substituídos por metas frias e relações frágeis, muitas vezes de aparências enganadoras.

E há ainda o desencontro que se aprofunda; o que as empresas querem nem sempre dialoga com o que as pessoas buscam. As organizações pedem resultado, agilidade, resiliência. Os colaboradores pedem escuta, sentido e condições dignas de atuar. Quando esses propósitos não se alinham, surgem desentendimentos. E quando esses desentendimentos são ignorados, surgem rupturas. Essa é a situação atual que envolve competição, disputas e lutas por riqueza e poder.

Mas em meio à pressão por resultados, metas e inovação, não podemos esquecer que é possível, sim, seguir adiante sem cair, nem empurrar o outro que caminha ao lado. Puxar o tapete do outro para se beneficiar não significa crescer.

Resistir, hoje, é também agir com ética. É recusar o cinismo do falso profissionalismo daqueles que cobiçam o poder acima de tudo. É afirmar, com convicção, que cuidar das relações no trabalho não é ingenuidade, é maturidade. É possível evoluir sem ferir, competir sem derrubar, inovar sem desumanizar. Mas no atual viver áspero é importante ser prudente e estar vigilante sobre o que se passa ao nosso redor e tomar decisões defensivas.

O trabalho sempre fez parte da vida humana. A natureza oferece tudo, mas requer trabalho. Lavradores, mineiros, artesãos, técnicos, especialistas. A produção em larga escala, a automação, a busca do máximo ganho com mínimo custo, tudo foi gerando transformações tecnológicas e organizacionais, mas acarretando a perda silenciosa de significado, gerando o vazio existencial.

Na atual aspereza da vida tudo depende do computador e das máquinas. Os seres humanos se tornaram um número, perderam a essência e o bom senso. Desumanização. A alma foi isolada e o cérebro não está suportando tanta pressão. Colapso mental. Os seres humanos perderam o rumo, e não conseguem achar soluções.

A indolência mental e espiritual e a aversão à reflexão nos empurram para respostas rasas, incompletas. Analisar e refletir intuitivamente dá trabalho, mas esse trabalho interior é como a santificação das horas de descanso que nos protege da mecanização insensível. Porque, no fundo, humanizar não é retroceder; é a única forma de evoluir com sentido, buscando caminhos produtivos e realizadores. É o que nos permite não apenas trabalhar, mas viver com inteireza, de corpo e alma. Tudo conspira contra. O grande desafio desta época é seguir em frente, sem deixar de ser verdadeiramente humano.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

DESARRANJO NA ECONOMIA GLOBAL

A economia enfrenta desafios que se somam. Sem dinheiro, nada se pode fazer e ele tem seu custo. A atividade precisa gerar um retorno que pague seus custos e tenha uma sobra para pagar o custo do dinheiro e a devolução do valor tomado como financiamento. Tudo ia caminhando, mas com a entrada da China no mercado com preços menores, os impactos não tardaram a surgir, e produzir no ocidente deixou de gerar ganhos.

Mesmo com a volatilidade, muito dinheiro foi direcionado para o mercado financeiro. E surgiram as guerras encarecendo o custo da energia, ampliando o desarranjo econômico e financeiro. Já se percebe que a situação requer mais do que simplesmente mexer na política monetária e cambial, mas não está fácil encontrar soluções que promovam o equilíbrio econômico global para propiciar paz e progresso entre os povos.

Quando surgiu o Estado-Nação houve uma esperançosa reação do povo descontente com o poder absoluto dos reis. Mas o que fez o Estado-Nação ao longo do século 20? A julgar pela qualidade de vida, observa-se estagnação e retrocesso. Quando surgem as conversas sobre as tais novas ordens mundiais não fica claro o que se passa. Os donos do poder estão saturados do domínio da classe governante do Estado-Nação, e querem acabar com isso para criar zonas livres da interferência governamental, de modo que o capital atue livremente sem ter que se submeter ao emaranhado de leis e ao policiamento estatal, mas isso é complicado para ser implantado, a menos que o Estado-Nação perca o rumo totalmente, o que pode gerar crises internas, de econômicas a sociais, financeiras, educacionais e de segurança, o que já vem acontecendo.

O homem é o lobo do homem. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca, e não esse salve-se quem puder atual. No geral, a situação do Estado-Nação se complica, a começar pela corrupção administrativa e o avanço do poder econômico. Agora grupos clandestinos com elevado potencial financeiro estão ingressando no mercado com muito dinheiro. A governança vai se fragilizando. O poder paralelo se fortalece. As nações se enfraquecem. O dinheiro público, oriundo da arrecadação e empréstimos, continua sendo mal gerido e está sumindo. O Estado-Nação vai se desestruturando. Como restabelecer o bom ordenamento da gestão pública que conduza ao progresso sadio?

A exemplo do que aconteceu no passado, parece que a China criou uma nova Companhia das Índias Globais para captar matérias-primas e consumidores. O fato é que a transferência da produção fabril para a China criou o maior superávit comercial, gerando um desequilíbrio global. As nações democráticas abusaram das finanças e acabaram perdendo o seu padrão salarial. Agora há salários baixos, lojas fechando, dívidas crescendo e não se sabe como isso vai ficar. Os EUA se apressam na busca para recuperar o equilíbrio.

A descoberta do Brasil representava uma alternativa para escapar da Europa corrupta e para ser um lar para desenvolvimento dos seres humanos. Logo surgiram os inimigos. A imperatriz Leopoldina sofreu várias tentativas de assassinato. Em 1822, o país alcançou a independência política. Mas não tardou a surgirem os inimigos. Em 1889, ocorreu um golpe e o Brasil entrou numa rota de decadência da qual não conseguiu se livrar.

Há uma forte discussão sobre o regime de trabalho 6×1, seis dias de trabalho, um de folga. Conflitos e desentendimentos no trabalho se arrastam há milênios. Se antes envolvia patrões e empregados, hoje envolve o Capitalismo Ocidental, o Capitalismo de Estado, o governo, os sindicatos. Superado o desumano regime escravocrata, o egoísmo e as cobiças perturbaram o desenvolvimento natural e equilibrado, e o relacionamento justo entre empresários e trabalhadores. Não deveria ser assim. A humanidade forma um conjunto que deveria atuar em harmonia em função da finalidade da vida.

A população da Terra está calculada em 8 bilhões de almas encarnadas, mas por que chegou a esse número? O espírito humano veio para a Terra para se desenvolver e retornar à origem, mas enredou-se e teve de voltar muitas vezes acima do que seria necessário, aumentando a população. O Juízo Final é o tempo do balanço e do expurgo. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca e não esse áspero salve-se quem puder atual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A PALAVRA DE JESUS HOJE

Em meio a tantas informações negativas, falsas ou verdadeiras, a humanidade mostra desânimo com tantos conflitos e precisa de uma pausa para ser aproveitada, um tempo para profundas reflexões antes que seja tarde demais. Observa-se uma exaustão coletiva, algo que muita gente ao redor do mundo está sentindo. Quando um conflito se arrasta, quando as informações se contradizem, quando cada notícia parece pior que a anterior, a humanidade entra num estado de suspensão e não consegue resolver conflitos sem usar violência. Faltam palavras e gestos nobres.

Estamos vivendo momentos decisivos. Para aqueles que merecem, uma pausa para refletir sobre a vida surge como uma oportunidade, talvez derradeira, o “Ser ou Não Ser”. Temos a capacitação da livre resolução, o sim ou não, mas o intelecto é restrito, não enxerga além e, dessa forma, não vislumbra o todo, o grande valor da vida para o espírito humano, e assim permanece preso a muitas ações em desacordo com as leis da vida. Sem clareza, poderá continuar errando, tomando decisões destrutivas.

Em sua restrição, o intelecto não enxerga o todo, gerando o dilema que acompanha a humanidade desde sempre: a liberdade de escolher, mas sem a intuição ativa, vai agindo sem dar muita atenção às consequências. Muitas pessoas não compreendem as leis da vida, e por isso tomam decisões que parecem racionais no curto prazo, mas são devastadoras no longo.

Estamos sendo confrontados com a pergunta: “vocês querem continuar existindo como espécie consciente, responsável, ou preferem repetir ciclos de declínio moral e destruição?”. Ainda há a possibilidade de fazer escolhas, mas tudo está estreitando. O que vemos hoje no mundo é liberdade sem lucidez, poder sem responsabilidade, inteligência sem sabedoria.

Os homens acreditam em suas capacitações e dificilmente reconhecem seus erros com humildade, e isso representa o gatilho da tragédia humana. Não querem atender às leis da vida, mas com seu ego astucioso não vacilam em manter contato com o mal desencadeando destruição na ilusão de que assim terão mais poder. A recusa em reconhecer limites morais, espirituais e naturais é o que empurra a humanidade para o abismo. O momento é de escolha decisiva e de arcar com as consequências. Falta um salto moral e espiritual.

É algo que muitos sentem, mas poucos conseguem expressar com essa nitidez. Falta lucidez e sinceridade. A humanidade só avança quando tem coragem de olhar para o próprio estrago, reconhecer o erro e escolher um caminho diferente. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. É um chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si.

As cobiças por poder já dominavam o mundo quando Jesus veio, trazendo Luz e Verdade para a humanidade que havia caído nas ciladas das trevas subordinadas ao anticristo. Os Discípulos de Jesus se esforçavam, expondo a própria vida na divulgação dos ensinamentos recebidos sobre a Vontade de Deus, até hoje pouco compreendida, embora os seres humanos sempre digam: seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no céu.

Os primeiros escritos sobre as Palavras de Jesus começaram a surgir anos após a crucificação, de memórias falhas, de compreensões erradas, de distorções do real sentido, até caírem no interesse dos imperadores romanos. Por séculos, o afastamento do ser humano de sua essência espiritual se foi consolidando, gerando um viver áspero e cruel, o que se observa nitidamente nas barbaridades cometidas por aqueles sem coração. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um inferno.

Abdruschin, autor de Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, obra esclarecedora da Palavra trazida por Jesus, explica na dissertação O Pai Nosso: “o ser humano desconhece a jubilosa gratidão de usufruir de modo alegre a existência consciente que lhe foi dada, coparticipando na grande Criação para o bem de seu ambiente, assim como é desejado por Deus ou por Deus com razão esperado! Tampouco pressente que é justamente isso, somente isso, que contém seu próprio e verdadeiro bem, seu progresso e sua ascensão.”

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

OS SÁBIOS DA SUMÉRIA E A HUMANIDADE

Os sábios da Suméria buscavam a integração do ser humano com as leis universais da Criação. Mantinham escolas para orientar os habitantes procedentes de vilarejos distantes, assim como enviavam sábios que auxiliavam as pessoas a se tornarem verdadeiros seres humanos, fortes e corajosos beneficiadores da vida e da natureza. Os indivíduos queriam desenvolver e fortalecer o espírito e alcançar o aprimoramento da própria espécie como a grande finalidade da vida. Foram os sumérios que receberam a incumbência de construir e gravar na Grande Pirâmide do Egito a trajetória declinante escolhida pela humanidade. Os sumérios foram o povo mais desenvolvido espiritualmente sobre a Terra.

No entanto, as trevas sob o comando de Lúcifer, queriam o oposto disso, queriam tornar os seres humanos inúteis e imprestáveis para que se perdessem. Com mentiras e falsidades, criou-se a falsa felicidade, afastando as pessoas da Luz da Verdade, fortalecedora do espírito, promotora da verdadeira felicidade. Tudo conspira para transformar o ser humano em parte da máquina, com a essência espiritual inativa, restringindo a sua condição de ser humano.

Viemos para termos a oportunidade de desenvolver o espírito; isso requer várias encarnações, mas descuidamos disso e hoje colhemos as consequências. Indivíduos e povos, a exemplo da natureza, deveriam beneficiar, embelezar e evoluir. Estagnados espiritualmente, criaram um viver áspero e insustentável. Agora, na grande colheita, têm a oportunidade de reverter a decadência, ou aprofundá-la mais ainda.

Em vez de fortalecer o espírito, o ser humano se afastou de sua essência espiritual e foi se mecanizando progressivamente; dessa forma, não obteve mais energia e saberes procedentes de esferas mais elevadas que deveria aplicar na sua atividade. Por outro lado, tudo que maquinava com seu cérebro intelectivo não tinha força criadora, gerando aridez e aspereza.

É como se fosse uma galé, um antigo tipo de navio movido a remos e velas. Todos seriam como remadores conduzindo o barco para terras seguras. Mas o grupo que segurava as velas foi se destacando e tirando os remadores da jogada, conduzindo o navio na direção dos interesses próprios. Não tardou para se tornar perceptível que o navio havia perdido a força invisível, oriunda da vontade intuitiva dos remadores; o brilho de outrora foi sendo perdido e a nave Terra se acha doente e atormentada.

Os seres humanos abriram as entranhas do interior da Terra perfurando poços no fundo do solo e do mar, escavaram ouro destruindo montanhas, a beleza e a sustentabilidade. Despejaram sujeira e venenos no ar, no solo e nos rios e mares. A Terra derrama lágrimas de tristeza porque as riquezas foram extraídas, mas na superfície há destruição e miséria. A Terra está ficando doente por causa das feridas abertas. Os homens derramam sangue para obter riqueza e poder, e quando saem da Terra só levam na alma o registro do que fizeram de bem e de mal.

E, de novo, estão surgindo conversas e informações sobre o capítulo do Apocalipse constante da Bíblia, ou seja, o expurgo. Há muita simbologia e previsões difíceis de serem compreendidas, apontando para a difícil situação em que a humanidade se encontra, tendendo a dias ainda piores. A questão é: o que querem os seres humanos? O que querem os jovens para o futuro? É aí que está o problema, pois faltam propósitos e determinação; as pessoas estão levando o seu viver sem saber aonde vão chegar. O vazio existencial está se ampliando. A tecnologia avançou bastante, mas com o atraso no esperado desenvolvimento do espírito, o ser humano perdeu o rumo e se encontra em meio a uma crise emocional sem precedentes, sem saber como voltar à normalidade.

Destruição, guerras, misérias e sofrimentos têm sido semeados ao longo do tempo pela humanidade. Não há inocentes. O conteúdo da obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, de Abdruschin (1875-1941), destina-se a dar aos seres humanos uma aproximação da realidade espiritual da vida, uma vez mostrada por Jesus, como meio de recuperar a inocência perdida, mas isso fica na dependência do querer e do esforço de cada indivíduo. É preciso que cada um de nós tenha suficiente força de vontade para recuperar a condição de ser humano espiritualizado.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

CLASSES SOCIAIS DOMINADORAS

Por que os seres humanos estruturaram a sociedade colocando as classes sociais umas acima das outras? Isso vem de longe, desde quando teve início a escravização dos prisioneiros de guerra, considerados como seres inferiores, portanto subservientes aos mais aptos e fortes. Depois veio a época do feudalismo. Os camponeses tinham de pagar para poderem trabalhar. Por fim, Charles Darwin (1809-1882) forneceu elementos para a teoria apropriada, o darwinismo social, alegando que os mais aptos e fortes estariam acima dos demais.

De fato, nem todos têm as mesmas capacitações; alguns apresentam mais maturidade, mas todos os trabalhos são importantes. A forma do desempenho deve ser a medida do valor do trabalho de cada um. Mas a voracidade dos homens tende a levá-los à desumanização, algo que vai se tornando evidente.

A exata compreensão do que é intelecto cerebral e intuição espiritual é um saber perdido, uma ideia que ficou no passado. Isso não tem nada a ver com as religiões criadas pelos homens; faz parte das leis naturais que organizam todas as coisas no universo, tendo o propósito do desenvolvimento do ser humano integral. A IA tem uma capacidade especial para reunir e organizar informações, mas não tem alma, embora acumule mais conhecimento do que muitos cientistas conseguem obter.

Por outro lado, os seres humanos estão sufocando a sua alma, e sem ela jamais compreenderão o funcionamento do universo e suas leis primordiais. Há muita desigualdade entre as nações, cada uma vai seguindo no seu ritmo. Acima das ideologias, o homem é mercantilista, quer as vantagens para si. A situação global vai piorando, impondo o rebaixamento da classe média. A aspereza está aumentando. É preciso ir às causas. Por que o homem se tornou o lobo do homem? Está deixando de ser humano.

No Brasil, o padrão de vida não sobe, ficou travado no nível dos países em desenvolvimento com salários baixos e desenvolvimento industrial estagnado, mas ainda há um certo dinamismo. Se ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, a pobreza e a violência urbana tenderão a aumentar. Os problemas gerados pela Raizen e Master ainda estão afetando o crédito privado assim como a guerra e os cartões de crédito. As pessoas estão pagando o consumo do mês passado, e pondo para a frente o do mês vigente.

O déficit fiscal não para de crescer no Brasil. O que esperam? Que a reforma tributária gere mais arrecadação? A administração das empresas não está fácil. É fato que a renda caiu, afetando o consumo. É necessário planejar e controlar as dívidas, uma questão que tem fragilizado e derrubado empresas e indivíduos.

A falta de bom preparo para a vida e o trabalho está levando as pessoas a colocarem seu dinheiro nas apostas, feitas para a perda de valores. O lamentável é que algumas pessoas estão se endividando para sustentar o vício do jogo. São seres humanos dominados pela ansiedade que buscam no jogo a adrenalina, mas ela vem acompanhada do desespero de quem aposta o que não tem, desestruturando a sua vida e a sua família.

Há 500 anos a estrutura monetária vem sendo moldada para manter o controle das atividades. As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismos. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites, compromisso com a estabilidade social e a recuperação do tempo perdido.

Diante da limitação dos recursos, a economia, pensada por antigos filósofos, deveria ser o sistema equilibrado para sustentar a vida de todos, mas se tornou o dreno da concentração da renda global. O cérebro tem sido manipulado desde a fase infantil, com mentiras e falsidades, tendo, como consequência, manter a essência espiritual do ser humano inativa, ou seja, uma ousada interferência no livre querer inerente ao espírito, o que vem gerando a perda da felicidade que deveria ser natural entre aqueles que buscam a maturidade espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br