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AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

NÃO SE TORNE ENGRENAGEM, SEJA HUMANO

Vivemos uma era de transformações profundas, de aceleração e incertezas. O trabalho está se transformando e nós, com ele. Não se torne uma engrenagem entre máquinas e metas, seja humano.

Vivemos tempos em que a lógica da eficiência e a aspereza ameaçam engolir o sentido da vida. Tudo é meta, tudo é entrega, tudo é urgência. Mas há algo em nós que não cabe nessa engrenagem. Algo que sente, que intui, que resiste. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, a pressão cresce. Tudo se move com velocidade, mas, muitas vezes, o sentido se desfaz no caminho. Neste cenário, preservar a humanidade nas relações de trabalho deixou de ser uma escolha: tornou-se um ato de resistência.

A lógica da eficiência, quando levada ao extremo, tende a esvaziar o espaço do encontro. Pessoas passam a funcionar mais do que a conviver. É preciso realizar o trabalho sem perder a humanidade. E quanto mais a atividade se mecaniza, mais aqueles que raciocinam com profundidade, que intuem, sentem, refletem, se ressentem.

Não se torne engrenagem entre máquinas e metas. Há uma diferença entre funcionar e viver. Entre cumprir tarefas e realizar um propósito. Entre competir e colaborar. Não é só sobre salários ou formatos híbridos com trabalho presencial ou remoto. É sobre a tensão interior de trabalhar em ambientes onde propósito e pertencimento foram substituídos por metas frias e relações frágeis, muitas vezes de aparências enganadoras.

E há ainda o desencontro que se aprofunda; o que as empresas querem nem sempre dialoga com o que as pessoas buscam. As organizações pedem resultado, agilidade, resiliência. Os colaboradores pedem escuta, sentido e condições dignas de atuar. Quando esses propósitos não se alinham, surgem desentendimentos. E quando esses desentendimentos são ignorados, surgem rupturas. Essa é a situação atual que envolve competição, disputas e lutas por riqueza e poder.

Mas em meio à pressão por resultados, metas e inovação, não podemos esquecer que é possível, sim, seguir adiante sem cair, nem empurrar o outro que caminha ao lado. Puxar o tapete do outro para se beneficiar não significa crescer.

Resistir, hoje, é também agir com ética. É recusar o cinismo do falso profissionalismo daqueles que cobiçam o poder acima de tudo. É afirmar, com convicção, que cuidar das relações no trabalho não é ingenuidade, é maturidade. É possível evoluir sem ferir, competir sem derrubar, inovar sem desumanizar. Mas no atual viver áspero é importante ser prudente e estar vigilante sobre o que se passa ao nosso redor e tomar decisões defensivas.

O trabalho sempre fez parte da vida humana. A natureza oferece tudo, mas requer trabalho. Lavradores, mineiros, artesãos, técnicos, especialistas. A produção em larga escala, a automação, a busca do máximo ganho com mínimo custo, tudo foi gerando transformações tecnológicas e organizacionais, mas acarretando a perda silenciosa de significado, gerando o vazio existencial.

Na atual aspereza da vida tudo depende do computador e das máquinas. Os seres humanos se tornaram um número, perderam a essência e o bom senso. Desumanização. A alma foi isolada e o cérebro não está suportando tanta pressão. Colapso mental. Os seres humanos perderam o rumo, e não conseguem achar soluções.

A indolência mental e espiritual e a aversão à reflexão nos empurram para respostas rasas, incompletas. Analisar e refletir intuitivamente dá trabalho, mas esse trabalho interior é como a santificação das horas de descanso que nos protege da mecanização insensível. Porque, no fundo, humanizar não é retroceder; é a única forma de evoluir com sentido, buscando caminhos produtivos e realizadores. É o que nos permite não apenas trabalhar, mas viver com inteireza, de corpo e alma. Tudo conspira contra. O grande desafio desta época é seguir em frente, sem deixar de ser verdadeiramente humano.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

DESARRANJO NA ECONOMIA GLOBAL

A economia enfrenta desafios que se somam. Sem dinheiro, nada se pode fazer e ele tem seu custo. A atividade precisa gerar um retorno que pague seus custos e tenha uma sobra para pagar o custo do dinheiro e a devolução do valor tomado como financiamento. Tudo ia caminhando, mas com a entrada da China no mercado com preços menores, os impactos não tardaram a surgir, e produzir no ocidente deixou de gerar ganhos.

Mesmo com a volatilidade, muito dinheiro foi direcionado para o mercado financeiro. E surgiram as guerras encarecendo o custo da energia, ampliando o desarranjo econômico e financeiro. Já se percebe que a situação requer mais do que simplesmente mexer na política monetária e cambial, mas não está fácil encontrar soluções que promovam o equilíbrio econômico global para propiciar paz e progresso entre os povos.

Quando surgiu o Estado-Nação houve uma esperançosa reação do povo descontente com o poder absoluto dos reis. Mas o que fez o Estado-Nação ao longo do século 20? A julgar pela qualidade de vida, observa-se estagnação e retrocesso. Quando surgem as conversas sobre as tais novas ordens mundiais não fica claro o que se passa. Os donos do poder estão saturados do domínio da classe governante do Estado-Nação, e querem acabar com isso para criar zonas livres da interferência governamental, de modo que o capital atue livremente sem ter que se submeter ao emaranhado de leis e ao policiamento estatal, mas isso é complicado para ser implantado, a menos que o Estado-Nação perca o rumo totalmente, o que pode gerar crises internas, de econômicas a sociais, financeiras, educacionais e de segurança, o que já vem acontecendo.

O homem é o lobo do homem. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca, e não esse salve-se quem puder atual. No geral, a situação do Estado-Nação se complica, a começar pela corrupção administrativa e o avanço do poder econômico. Agora grupos clandestinos com elevado potencial financeiro estão ingressando no mercado com muito dinheiro. A governança vai se fragilizando. O poder paralelo se fortalece. As nações se enfraquecem. O dinheiro público, oriundo da arrecadação e empréstimos, continua sendo mal gerido e está sumindo. O Estado-Nação vai se desestruturando. Como restabelecer o bom ordenamento da gestão pública que conduza ao progresso sadio?

A exemplo do que aconteceu no passado, parece que a China criou uma nova Companhia das Índias Globais para captar matérias-primas e consumidores. O fato é que a transferência da produção fabril para a China criou o maior superávit comercial, gerando um desequilíbrio global. As nações democráticas abusaram das finanças e acabaram perdendo o seu padrão salarial. Agora há salários baixos, lojas fechando, dívidas crescendo e não se sabe como isso vai ficar. Os EUA se apressam na busca para recuperar o equilíbrio.

A descoberta do Brasil representava uma alternativa para escapar da Europa corrupta e para ser um lar para desenvolvimento dos seres humanos. Logo surgiram os inimigos. A imperatriz Leopoldina sofreu várias tentativas de assassinato. Em 1822, o país alcançou a independência política. Mas não tardou a surgirem os inimigos. Em 1889, ocorreu um golpe e o Brasil entrou numa rota de decadência da qual não conseguiu se livrar.

Há uma forte discussão sobre o regime de trabalho 6×1, seis dias de trabalho, um de folga. Conflitos e desentendimentos no trabalho se arrastam há milênios. Se antes envolvia patrões e empregados, hoje envolve o Capitalismo Ocidental, o Capitalismo de Estado, o governo, os sindicatos. Superado o desumano regime escravocrata, o egoísmo e as cobiças perturbaram o desenvolvimento natural e equilibrado, e o relacionamento justo entre empresários e trabalhadores. Não deveria ser assim. A humanidade forma um conjunto que deveria atuar em harmonia em função da finalidade da vida.

A população da Terra está calculada em 8 bilhões de almas encarnadas, mas por que chegou a esse número? O espírito humano veio para a Terra para se desenvolver e retornar à origem, mas enredou-se e teve de voltar muitas vezes acima do que seria necessário, aumentando a população. O Juízo Final é o tempo do balanço e do expurgo. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca e não esse áspero salve-se quem puder atual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

CLASSES SOCIAIS DOMINADORAS

Por que os seres humanos estruturaram a sociedade colocando as classes sociais umas acima das outras? Isso vem de longe, desde quando teve início a escravização dos prisioneiros de guerra, considerados como seres inferiores, portanto subservientes aos mais aptos e fortes. Depois veio a época do feudalismo. Os camponeses tinham de pagar para poderem trabalhar. Por fim, Charles Darwin (1809-1882) forneceu elementos para a teoria apropriada, o darwinismo social, alegando que os mais aptos e fortes estariam acima dos demais.

De fato, nem todos têm as mesmas capacitações; alguns apresentam mais maturidade, mas todos os trabalhos são importantes. A forma do desempenho deve ser a medida do valor do trabalho de cada um. Mas a voracidade dos homens tende a levá-los à desumanização, algo que vai se tornando evidente.

A exata compreensão do que é intelecto cerebral e intuição espiritual é um saber perdido, uma ideia que ficou no passado. Isso não tem nada a ver com as religiões criadas pelos homens; faz parte das leis naturais que organizam todas as coisas no universo, tendo o propósito do desenvolvimento do ser humano integral. A IA tem uma capacidade especial para reunir e organizar informações, mas não tem alma, embora acumule mais conhecimento do que muitos cientistas conseguem obter.

Por outro lado, os seres humanos estão sufocando a sua alma, e sem ela jamais compreenderão o funcionamento do universo e suas leis primordiais. Há muita desigualdade entre as nações, cada uma vai seguindo no seu ritmo. Acima das ideologias, o homem é mercantilista, quer as vantagens para si. A situação global vai piorando, impondo o rebaixamento da classe média. A aspereza está aumentando. É preciso ir às causas. Por que o homem se tornou o lobo do homem? Está deixando de ser humano.

No Brasil, o padrão de vida não sobe, ficou travado no nível dos países em desenvolvimento com salários baixos e desenvolvimento industrial estagnado, mas ainda há um certo dinamismo. Se ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, a pobreza e a violência urbana tenderão a aumentar. Os problemas gerados pela Raizen e Master ainda estão afetando o crédito privado assim como a guerra e os cartões de crédito. As pessoas estão pagando o consumo do mês passado, e pondo para a frente o do mês vigente.

O déficit fiscal não para de crescer no Brasil. O que esperam? Que a reforma tributária gere mais arrecadação? A administração das empresas não está fácil. É fato que a renda caiu, afetando o consumo. É necessário planejar e controlar as dívidas, uma questão que tem fragilizado e derrubado empresas e indivíduos.

A falta de bom preparo para a vida e o trabalho está levando as pessoas a colocarem seu dinheiro nas apostas, feitas para a perda de valores. O lamentável é que algumas pessoas estão se endividando para sustentar o vício do jogo. São seres humanos dominados pela ansiedade que buscam no jogo a adrenalina, mas ela vem acompanhada do desespero de quem aposta o que não tem, desestruturando a sua vida e a sua família.

Há 500 anos a estrutura monetária vem sendo moldada para manter o controle das atividades. As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismos. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites, compromisso com a estabilidade social e a recuperação do tempo perdido.

Diante da limitação dos recursos, a economia, pensada por antigos filósofos, deveria ser o sistema equilibrado para sustentar a vida de todos, mas se tornou o dreno da concentração da renda global. O cérebro tem sido manipulado desde a fase infantil, com mentiras e falsidades, tendo, como consequência, manter a essência espiritual do ser humano inativa, ou seja, uma ousada interferência no livre querer inerente ao espírito, o que vem gerando a perda da felicidade que deveria ser natural entre aqueles que buscam a maturidade espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A GEOECONOMIA E SEUS IMPACTOS NOS OITO BILHÕES DE PESSOAS NA TERRA

As intenções dos seres humanos moldam os contornos dos acontecimentos. A diferença é que agora as coisas se tornam visíveis mais rapidamente. Na América do Sul, especialmente o Brasil e Argentina, estavam se destacando por contarem com uma população mais consciente, mas com as crises geradas, ambos foram cerceados em sua evolução com declínio do preparo dos cidadãos e dos governantes.
Em meio a guerras e transformações tecnológicas, culturais e sociais, destacaram-se Estados Unidos, Rússia e China. Antes era o colonialismo, disfarçado ou visível. Agora é a geoeconomia. China, com seu superávit comercial global; Rússia, com seu povo e recursos naturais e armamentos. Enquanto isso, os Estados Unidos se defrontam com uma situação geral complexa que encosta na hegemonia do dólar.
Por outro lado, há a questão dos prováveis oito bilhões de almas encarnadas na Terra. Na agitação em que a humanidade está vivendo, o sentido da vida está sendo perdido, pois as pessoas estão se entregando aos prazeres desenfreados, incluindo as redes sociais, como meio de fugir da áspera realidade. O ser humano é espírito que precisa se desenvolver e se fortalecer. Mas o cérebro das pessoas em geral tem sido manipulado desde a fase infantil, tendo, como consequência, a inatividade da essência espiritual, ou seja, uma ousada interferência no natural livre querer inerente ao espírito humano.
Na educação infantil, pais e mães devem examinar o procedimento que estão adotando. O mestre Abdruschin diz que a criança deve aprender desde cedo a lei do equilíbrio, isto é, a criança deve retribuir por tudo que recebe. É a lei do dar e receber, da formação do caráter responsável e reconhecimento do dom da vida. A trajetória do ser humano produziu as consequências decorrentes dos caminhos escolhidos. Está surgindo uma nova consciência sobre a situação em que nos encontramos e como poderemos nos libertar dos conceitos errados que estão arrastando a vida para uma situação insustentável.
Depois da pandemia, a humanidade estava fragilizada. Agora, com sucessivos conflitos e ameaças de crise econômica, a sensação de desânimo está crescendo. Uma sensação de instabilidade vai tomando conta.  A psique humana sente o impacto dos abalos da alma. Não só no trabalho, na vida pessoal também. A caixinha eletrônica, o celular, nos coloca diante de vários problemas de forma simultânea, não dá folga, não há tempo para pausas e reflexões. A pressão cerebral e emocional é muito forte. O celular, embora de grande utilidade, com suas variadas possibilidades de comunicação, é também um grande sugador de energia, por isso, os adultos também têm de usá-lo com moderação.
De onde vem a clareza no pensar? O indivíduo tem de estar focado, olhar atentamente ao que se passa, entender a situação, procurar o gargalo, pensar no problema e nas soluções e deixar fluir. De repente, ideias claras começam a surgir. É a intuição.
Há também a questão da religião que esbarra na indolência do espírito que não quer analisar o que lhe é dado a ver. Ou seja, a renúncia da capacitação que todos receberam ao nascer, o que gera incompreensão e conflitos. Não há religião que não tenha grãos das verdades imutáveis da Criação, assim como não há religião que não tenha os seus postulados fechados e incompreensíveis diante da lógica natural. As religiões devem constituir os degraus para a compreensão da Criação e suas leis e dos propósitos do Criador para com os seres humanos. Em vez disso, tem sido utilizada como plataforma para galgar os degraus do poder. Muitas pessoas pressentem a existência de um relógio universal que se aproxima da hora final das ilusões e da falsa felicidade, da hora de enxergar a vida real com clareza.
O fastio, a ansiedade e a falta de alegria poderão levar muitos seres humanos a buscarem a autêntica espiritualidade que brota do íntimo da alma. Somente ela poderá trazer alívio e libertação do caos que a humanidade criou. Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará.
*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

COMO AGIR NO SÉCULO 21?

No início do século 20, o Brasil já estava no regime republicano, com eleições para escolha do presidente e demais integrantes da gestão da nação. No geral, tivemos um período marcado por grandes guerras, lutas sociais e culturais, e uma grande mudança na percepção dos seres humanos sobre o significado da vida. O Brasil passou a contrair mais dívidas externas, e na medida em que ia pagando, mais dívidas foram surgindo. A população era calma. A economia era frágil, voltada para a agricultura de exportação, as pessoas e as famílias viviam influenciadas pela igreja, pelo rádio e, em menor escala, pelos jornais e revistas.

Terminada a primeira grande guerra mundial, a Europa tentava desenvolver um período de reconstrução, enquanto a Alemanha se arrastava diante da dívida de guerra. Nos Estados Unidos estavam se formando as condições para a grande crise de 1929 que abalou a insípida economia global. No Brasil e América do Sul, a situação também se arrastava.

E veio a segunda grande guerra mundial. Miséria para todos os lados. Alemanha e Japão vencidos. Inglaterra e Europa arrasadas. E surgia o dólar trazendo novas esperanças e ilusões. Na América Latina, o clima era de quintal dos outros, como até hoje. Argentina fornecia carne; Brasil, café e açúcar. No restante, minérios especiais como prata e cobre. Os poderosos querem as riquezas e mais poder. América Latina e África ainda são quintal dos outros com a colaboração de políticos e suas negociatas.

Com o fim da segunda grande guerra, novas esperanças acendiam nos corações aflitos. As pessoas eram sentimentais, criavam fantasias mentais, mas ainda havia um pequeno vestígio de intuição, ou seja, a voz do espírito, que dava um pouco de leveza. Isso foi até aos anos 1970. Poderia ter havido uma guinada qualitativa da humanidade voltada para a espiritualidade, pois tudo apelava para isso.

Eis que surgiu a televisão com sua força avassaladora sobre as mentes de adultos e crianças, e dependia de todos a direção que seria dada. Em vez de um incentivo ao aprimoramento mental e espiritual, venceu a manipulação. As pessoas queriam lazer, diversão, vida mansa. E tudo isso veio no pacote que incluía desinformação e consumismo. A venda de tudo foi crescendo, até dos cigarros, nocivos para a saúde. As novas gerações iam emburrecendo, o marketing político definia os candidatos vencedores.

No século 21, a humanidade se apresenta apática, sem força de vontade, desanimada, agindo como robô. Mas novas guerras estão se inserindo no cenário, roubando a paz, trazendo inquietação e sofrimentos. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um processo insustentável.

Quem se habilita a reconhecer os estragos promovidos pela própria humanidade? Falta coragem e humildade para que haja o reconhecimento dos erros e a escolha do caminho adequado à espécie humana. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo sob a luz da verdade é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. As tragédias e sofrimentos são o derradeiro chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si, e então optar conscientemente pelo rumo certo que eleva a própria espécie.

O século 21 está se caracterizando por um intenso avanço tecnológico, inversamente ao declínio moral e espiritual. A inquietação e a ansiedade são o denominador comum, e isso vai deixando os indivíduos estressados, incapazes para realizar reflexões intuitivas nos momentos de folga. Os seres humanos estão sendo arrastados pelo relógio acelerado do tempo, deveriam resistir e fazer pequenas pausas, sempre que puderem, para avaliarem a forma áspera como estão vivendo e perceberem que têm de buscar uma sadia mudança de rumo.

 

OLHE ATENTAMENTE À SUA VOLTA

Afastados da parte invisível da vida, os seres humanos vão em frente meio às cegas, sem perceber tudo o que se passa à sua volta. Pare, olhe atentamente, perceba que tudo está sendo tecido no campo invisível do qual fazemos parte e cuja ligação foi rompida. Escorregar no atoleiro é fácil; difícil é sair. Nesse jogo há muitos interesses, inclusive o de manter o desgaste dos EUA, que vão envolvendo as autoridades. São as consequências de décadas dedicadas ao acúmulo financeiro, deixando tudo o mais em segundo plano, inclusive o aprimoramento da espécie humana que permanece resvalando para os baixios, sem alvos enobrecedores. Quanto mais passa o tempo, mais afunda e mais difícil será retornar a um viver feliz com naturalidade.

As nações estão se voltando para autocracia ostensiva. No passado, pode ser que isso tenha sido maquiado, ocultado, mas sempre houve homens do estilo tirânico que impunham a sua vontade de forma leve ou pesada. Muitas coisas estão no limite do estresse. Até turbina de avião explode com o aumento da pressão. Com a necessidade de tomar decisões rápidas, muitas acabam surgindo de forma abrupta, pois não há tempo para consultas amplas. A IA tem respostas sensatas, mas quem quer ouvi-las?

Tudo gira em torno do dinheiro. As dívidas também representam dinheiro. O Império Romano espalhou moedas de prata que fizeram sucesso. Mas as moedas sempre despertaram guerras, em vez de serem um meio apropriado para o progresso. Os EUA se debatem para manter o dólar. China faz oposição. E as nações, sem condições de produzir, se endividam. O petróleo e os alimentos permanecem como bens vitais. As alternativas da humanidade estão se estreitando, tanto quanto em Ormuz.

No passado, Leonardo Da Vinci não estava adivinhando o futuro de forma mística, mas sim observando a ambição humana e extrapolando as consequências de suas ações. Observando a natureza de forma continuada, acabou percebendo intuitivamente causas e efeitos, a lei da reciprocidade, ou seja, o ser humano colhe o que semeia. Os cientistas posteriores não tinham a visão especial para perceber a vida humana além do mundo material, e não se tornaram os construtores beneficiadores que deveriam ser. Da Vinci via o homem como um elemento que causaria grande desordem no planeta, correndo de “um hemisfério para outro” e desequilibrando os elementos da natureza.

Atualmente, o planeta está passando por uma poli crise. A decadência geral da humanidade está sendo fabricada por aqueles que se afastaram da real finalidade da vida e se apegaram, de forma crescente, ao dinheiro e à vaidade como as únicas prioridades da vida. A questão fundamental é que o futuro depende da direção que as novas gerações vão dar à própria vida, e do jeito como está indo, não é nada animador. Os jovens se sentem oprimidos diante da aspereza reinante, não aceitam mais a crença sem análise, algo que ficou complicado tanto na religião como na vida mundana.

O ser humano sente que precisa da lógica e coerência, mas o saber ficou restrito ao imediatismo. Perdeu-se o amplo saber sobre a vida e sua real finalidade. Muitas pessoas fazem o sinal da cruz dizendo “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, no entanto, não sabem exatamente o que estão dizendo. O Espírito Santo é o Filho do Homem, anunciado por Jesus, a atuação da Vontade Divina através das leis da Criação.

Oitenta anos depois da grande guerra, a humanidade se acha próxima do abismo, sente as dores, mas sem se esforçar na procura pela Luz, nada encontrará. A nova guerra tende a espalhar os seus efeitos sobre a economia desequilibrada piorando muitas coisas, agitando a mente, gerando inquietação. Para que haja paz entre os homens de boa vontade é fundamental o reconhecimento da realidade espiritual da vida e, para isso, o ser humano precisa sair do marasmo mental e espiritual e olhar atentamente à sua volta.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

PROBLEMAS COM AS DÍVIDAS

A circulação saudável do dinheiro deve permitir o giro para produzir bens, pagar custos, impostos e dívidas, e sobrar algum lucro. Fatores econômicos podem travar esse giro, como crises, concorrência de importados, queda na renda da população, taxa de juros, e quando isso acontece os consumidores reduzem as compras, inclusive de alimentos, aumentam as dívidas, dificultando a quitação. Pode ocorrer imperícia gerencial. Pode ocorrer desvios de dinheiro e fraudes. Se a população cair nas apostas, vai ver o seu dinheiro sendo sugado e perdido. Parece que todas essas coisas estão acontecendo simultaneamente e, com isso, a economia do Brasil se apresenta fragilizada.

Com o risco aumentado na região de Ormuz, as seguradoras deixaram de operar. O prêmio de seguro dos navios de petróleo ficou inviável. Pelo visto, não dá para prever quando as seguradoras irão voltar ao normal, o que vai requerer o fim da guerra, mas como e quando a guerra terá fim?

Ouvir as mulheres é essencial. Catherine Vautrin, ministra das Forças Armadas da França, e Yvette Cooper, ministra das Relações Exteriores britânica, usam de bom senso ao falarem da necessidade de retorno da paz por via diplomática. A humanidade tem vivido apegada ao crescimento para que os cidadãos tenham uma vida condigna, mas as incertezas geradas com a guerra estão afetando tudo, sem que surja uma luz nesse túnel escuro.

O que vai acontecer é a pergunta oculta que está no coração das pessoas. Mas não se ouvem respostas. Os pesquisadores lidam com uma enormidade de dados, transferindo o trabalho para as novas supermáquinas de IA. Evidentemente, um mercado que se estriba em apostas é algo que foge da naturalidade, podendo atrair resultados desagradáveis. No universo, a lei da atração da igual espécie atua em tudo. A espécie não é o que a coisa aparenta, mas a intenção oculta pela qual surgiu. É aí que reside a chave. A espécie predominante vai ditar o veredicto, bom ou mau, dependendo das intenções dos seres humanos, e a IA começa a aprender isso.

Essa tem sido a grande questão. Em épocas mais amenas, havia confiança e metas mais elevadas. Com desprendimento, as pessoas se auxiliavam no enfrentamento das adversidades e na busca de melhores condições gerais de vida. Mas isso é passado. As pessoas se calam para não revelar o que estão querendo e pensando. Adormecidas, com os olhos vendados, precisam despertar para a vida real. Elas se fecham em seus interesses pessoais, falta um propósito comum.

Antes as pessoas em geral percebiam os acontecimentos numa lógica simples. Hoje, o ego é mais pronunciado e grosseiro, individualista, mantendo-se na defensiva, criando uma camada protetora, quase como uma couraça. Em vez de dialogar, as pessoas se protegem apresentando justificativas sem querer reconhecer que algo tem de ser corrigido.

Se as pessoas ouvem o que não gostam, não respondem, seguem com outras questões. As preocupações se voltam exclusivamente para os aspectos materiais da vida. Em vez de argumentar, a pessoa muda de assunto, silencia ou se afasta. Tais atitudes podem significar medo de perder o controle. Elas não têm mais o entendimento comum sobre a vida o que possibilita diálogos sobre as questões essenciais.

As pessoas se comunicavam com o eu interior, a consciência, mas isso se tornou raro. Com o eu interior atuante, os diálogos eram produtivos. O que se passa hoje é o aumento geral da aspereza. Tudo frio, pesado, afetando as novas gerações. A pesquisa do IBGE sobre a crise emocional dos adolescentes mostra que há jovens que dizem que viver não vale a pena. O fato é que a real finalidade da vida se tornou desconhecida para a humanidade. Enquanto isso, tudo vai ficando como está, para ver como é que vai ficar.

A conclusão é de que a humanidade construiu uma antinatural realidade da vida, na qual tudo depende do dinheiro, o que acarreta frustrações e doenças. Os jovens têm de ser motivados a pesquisar a real finalidade da vida. Para que nascemos? Reconhecer a alegria de ser útil construtor, beneficiador, embelezador da vida.

Voltando à questão das dívidas, quem vai tomar empréstimos, seja pessoa ou empresa, tem de, simultaneamente, planejar como vai pagar. Se gastar tudo que recebe, vai faltar. Nas atuais condições de vida, é indispensável guardar um pouco, formar uma reserva. Como se dizia, quem guarda tem.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

 

PROFECIAS BÍBLICAS E A ECONOMIA

Apesar da redação confusa e pouco inteligível, as profecias do Apocalipse indicam: “choro e ranger de dentes”, ou seja, um período de dificuldades com miséria e sofrimentos. Mas a profecia nada mais é do que a severidade e justiça da Lei da Reciprocidade, da colheita obrigatória de todas as ações praticadas pelos seres humanos, que receberam a Terra como morada transitória para o fortalecimento do espírito e retorno à origem espiritual, mas em vez disso agarraram-se aos pendores da vida material criando as condições para um futuro de dificuldades, um futuro que está se tornando a realidade atual.

As nações acumularam dívidas enormes, como mostram as informações econômico-financeiras colhidas no link MSN.com. São fatos marcantes que dão prognósticos de um futuro apertado de dificuldades e aflições, oportunidade para que os seres humanos busquem a compreensão da finalidade da vida, conhecer a Luz da Verdade, para se libertarem dos conceitos errados que fazem da vida um vale de lágrimas, muito distante do paraíso terrestre que poderiam e deveriam ter construído sobre a Terra.

Vale lembrar que Abdruschin escreveu a Mensagem do Graal, obra que ele ansiava trazer à humanidade para esclarecer a atuação completa da Criação sem lacunas. Nela, os seres humanos reconhecem os caminhos que devem seguir, a fim de alcançarem a paz interior e, com isso, uma atividade alegre já aqui na Terra.

Segundo o site mns.com (https://www.msn.com/pt-br/dinheiro/economia-e-negocios/de-volta-aos-anos-1970-investidores-globais-se-preparam-para-retorno-da-estagfla%C3%A7%C3%A3o/ar-AA1XQYTg): A guerra afetou duramente os mercados globais de títulos, à medida que os investidores se desfazem de ativos de renda fixa, onde a inflação corrói os retornos futuros. O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, disse ao Wall Street Journal na sexta-feira que um “ambiente de estagflação tão desconfortável quanto qualquer outro pode estar se aproximando. Os investidores não gostam de estagflação, porque ela prejudica as ações, os títulos que não estão indexados à inflação, e até mesmo o ouro, potencialmente, visto que o metal não gera rendimento. O único porto seguro que realmente se manteve firme desde o início da guerra foi o dólar, que se valorizou em relação a quase todas as outras moedas de mercados desenvolvidos”.

Um dos trechos afirma o seguinte: “Se houver outra guerra prolongada, com os preços do petróleo subindo significativamente, o status de porto seguro dos títulos do governo estará em risco e, com isso, todos os ativos. A alta dos preços do petróleo contribuiu para as recessões nos EUA em 1973, 1980, 1990 e 2008”.

E Rainer Guntermann, estrategista de taxas do Commerzbank, argumentou: “Parece que apenas a queda dos preços do petróleo poderia reverter os temores de aumento das taxas de juros, mesmo com a postura mais cautelosa do BCE também enfatizando os riscos de queda no crescimento”.

A História mostra que, na Roma antiga, o Denário de prata era o dinheiro aceito por todos os lados. Mas com a perda do dinamismo das conquistas militares de riqueza e escravos, Roma passou a entregar moedas com cada vez menos metal precioso, o que foi abalando a credibilidade, gerando o aumento de preços e até recusa em aceitar as moedas desvalorizadas.

Atualmente, como emissor do dólar, os Estados Unidos podem ser tolerantes com o crescimento da dívida porque ela é denominada em sua moeda. O dólar é a moeda global consolidada há mais de 80 anos, amplamente aceita, mas estão surgindo rumores de desdolarização. Se o dólar viesse a ser impactado por outra moeda bem aceita, isso traria severas consequências para os Estados Unidos que perderiam sua poderosa vantagem estratégica. A questão do dólar se constitui na grande contenda monetária da atualidade. Esperemos que os jogadores possam chegar a bom termo, e que a humanidade possa progredir e se aprimorar em paz e harmonia.

A pergunta que se faz é: estará a humanidade evoluída a ponto de, em meio a tantas dívidas e desequilíbrios entre as nações, alcançar uma situação de equilíbrio econômico-financeiro civilizado, com respeito aos indivíduos e à natureza e suas leis universais que, sendo respeitadas, doam aos seres humanos tudo que necessitam para uma sobrevivência condigna?

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br