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50 MIL JOVENS DO MARROCOS PARA CEUTA

Com informações deturpadas sobre fatores jurídicos da imigração para a Espanha formou-se uma explosiva onda migratória de dezenas de milhares de jovens saindo do Marrocos em direção a Ceuta, um enclave espanhol situado no norte da África. Por trás dessa movimentação está a aflitiva situação dos jovens no Marrocos com desemprego juvenil elevado e a falta de perspectivas profissionais e de mobilidade social, como ocorre em várias nações que permaneceram no atraso. Ceuta fica a poucos quilômetros de distância e representa o solo da União Europeia em pleno continente africano. A travessia pode ser feita contornando os quebra-mares a nado ou a pé durante a maré baixa.

A cidade de Ceuta entrou em colapso. Os jovens perceberam que não conseguiriam seguir para a Espanha continental sem documentação. Assim, a maioria dos migrantes (dezenas de milhares) acabou optando por retornar voluntariamente ao território marroquino. O acontecimento mais parece um alarme desesperado sobre o que está acontecendo com a humanidade, mas quem está olhando para isso? Milhares de jovens arriscando a própria vida por uma fresta de esperança, e a resposta global oscilou entre a burocracia e o esquecimento rápido. A sensação é de que a humanidade está falhando em enxergar o óbvio.

A passagem da adolescência para a fase adulta é um intervalo decisivo na formação de caráter, mas os descuidos são seculares. A humanidade tem de se esforçar e evoluir para melhorar as condições gerais de vida. A transição para a idade adulta é justamente a fase em que o indivíduo precisa de estrutura, pertencimento e um horizonte de futuro para consolidar sua identidade.

Quando uma sociedade falha em oferecer oportunidades para o desenvolvimento de seu povo surge a devastadora sensação de abandono e desperdício de potencial humano. A tecnologia, a economia e finanças e a infraestrutura do mundo evoluíram a passos largos, mas a maturidade ética e empática parece caminhar a passos lentos, quase estagnada.

A grande “cegueira” global está na incapacidade de encarar a realidade sobre a finalidade da vida. As nações surgiram para oferecer bom preparo, educação de qualidade, emprego digno, espaço para as livres resoluções. Quando faltam esses fatores, imigrar pode se tornar a única saída. Uma situação lamentável.

O desenvolvimento integral da juventude quase nunca esteve no topo das prioridades globais, a menos que essa juventude fosse necessária como mão de obra barata ou linha de frente em conflitos. Os jovens são mantidos fora da realidade, como se estivessem num parque de diversões. São gastos bilhões erguendo muros, reforçando patrulhas e criando leis punitivas, mas há falha no bom preparo das novas gerações, com educação digna e natural, saneamento básico nas regiões de origem, oportunidades para todos que se esforçam.

A verdadeira evolução de uma civilização se mede pela sua responsabilidade com o futuro da nação e sua população. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja, faltaram o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida, e a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. A economia global se apresenta desequilibrada.

De Marrocos-Ceuta avançamos pela história. Mas não é só lá que as condições gerais estão se precarizando. A grande questão a ser enfrentada é: a que tipo de vida e a que tipo de governo a humanidade vai chegar, pois ela ainda não teve propósitos comuns na direção do progresso real.

Pesquisadores têm alertado sobre a crise que avança sobre as novas gerações, comprometendo o futuro. Os nascimentos estão diminuindo. Gerar filhos não é obrigação, é escolha. É necessário fortalecer a esperança e ações no sentido de que a humanidade desperte e pegue o rumo construtivo e benéfico, para que a decisão de gerar filhos não se torne algo temeroso e preocupante.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A COPA E O FUTURO

A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br
A questão da seleção é a questão do Brasil, meio sem rumo. No tempo de Pelé, o Brasil ainda tinha um rumo. Os brasileiros tinham a esperança da melhora das condições gerais de vida, as crianças estudavam. Os pais e mães davam bons exemplos. Os empresários ganhavam dinheiro, mas sempre faziam alguma coisa útil para a população. A classe política defendia a nação e surrupiava pouco. Porém, atualmente muitas coisas já não funcionam bem. Falta nobreza. Falta bom preparo para a vida e o trabalho. O futuro da humanidade depende desses dois fatores. Como fazer isso se as pessoas estão afastadas da real finalidade da vida?

Falta preparo físico, mental e espiritual. O estudo da ciência requer humildade. Em primeira linha, deve ser o estudo e compreensão das leis universais da Criação que são perfeitas, mas o homem quer dominar em vez de reconhecer e respeitar. Todas as descobertas se referem ao funcionamento dessas leis que são a base de tudo o que existe. Os homens querem riqueza e poder. Descobriram a energia do átomo e fizeram a bomba. Em vez do aprimoramento da espécie humana, criaram caos e miséria, com os mais fortes explorando os demais.

O pós-guerra (1945) deveria ter sido um importante período de progresso para toda a humanidade, mas por que isso não aconteceu? O ser humano é espírito. Como surgiram as concepções atuais? Uma vida só numa tumultuada concepção, ou várias encarnações em novos corpos? O ser humano se afastou da vida espiritual, prendeu-se à Terra, desenvolveu cobiças e julga-se dono do planeta. Qual é a finalidade da vida? Esta importante questão precisa ser tomada seriamente, a fim de que a espécie humana venha a ocupar o lugar que lhe cabe, progredindo em paz e harmonia, como verdadeiro ser humano.

Os bons tempos já passaram. Tudo era mais simples, mais transparente. Há uma avalanche de informações. Fica tudo bagunçado, a verdade fica oculta. Nesse meio, a população vai perdendo o rumo e o interesse pelas coisas em geral, e enquanto isso, o poder vai se concentrando na mão de poucas pessoas cujo objetivo é controlar e dominar, impondo seus objetivos tranquilamente.

Há desrespeito pela vida aumenta. Amplia-se a falta de consideração. O descaramento é total. As coisas em geral vão sendo levadas como se a vida fosse um videogame, e em épocas de eleição mais ainda. As soluções sempre são postergadas. Surgem as jogadas desenvolvidas pelos marqueteiros eleitorais. Tudo vai sendo prometido para a população que se deixa seduzir para votar com a emoção, deixando de lado a razão. A qualidade de vida da nação vai descendo, mas tem circo, tem as viciantes bets e outras drogas.

Os acontecimentos pesados querem dizer que estamos num tempo de ruptura. As antigas crenças dos seres humanos se perderam sob a pressão das modernas máquinas de desenvolver opiniões. Os indivíduos vão ficando apáticos, as multidões vão perdendo o rumo, nada satisfaz. Todos querem algo, mas não sabem exatamente o quê.

No século 21, as ilusões criadas pela humanidade sobre a vida e sua finalidade estão se dissipando, e não se sabe o que está por vir. Falam do grande reset, o recomeçar tudo outra vez, mas como será esse recomeço? Fala-se que o homem terá de se ajustar à máquina sem alma, e viver como robô com tudo programado, sem vontade própria. Mas também há a visão que a era das ilusões será queimada no fogo dos elementos naturais, e que no futuro só subsistirá aquilo que respeitar as leis universais da Criação. E, enfim, haverá progresso real, aprimoramento da espécie humana e felicidade.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O SANTO GRAAL NA HISTÓRIA

Provavelmente muitas pessoas conhecem o Santo Graal como o cálice sagrado da Última Ceia ou como o segredo de uma linhagem de sangue oculta, popularizada por Hollywood e best-sellers como O Código Da Vinci. Mas, e se a história que nos contaram estiver olhando para o lugar errado?

O Santo Graal atravessou séculos como o símbolo máximo do inacessível. Curiosamente, essa mística é tão poderosa que transbordou a literatura medieval e invadiu o nosso vocabulário contemporâneo. Hoje, em artigos jornalísticos, ensaios científicos e discussões acadêmicas, a expressão “o Santo Graal” é frequentemente usada de forma figurada. Fala-se do “Santo Graal da física”, ou como sendo algo extraordinário em qualquer campo da atividade humana.

A essência literária e mística do Graal, chamado na antiguidade de o cálice da vida, está conectada à jornada de autoconhecimento, à cavalaria arturiana e ao esoterismo dos Templários do que à crucificação de Jesus. A ligação com o sangue de Cristo foi uma roupagem posterior criada para assimilar um mito que já era extremamente poderoso e antigo.

A civilização celta começou a se expandir pela Europa Central e pelas Ilhas Britânicas por volta de 1200 a.C., ou seja, há mais de 3.200 anos, mas na realidade o conhecimento do Graal é bem anterior, porém faltam dados históricos que comprovem isso. Segundo Sirona Knight, no livro Explorando o Druísmo Celta: “O cálice representa o caldeirão mágico, o Graal, a fonte da vida e o poço da inspiração”. Quando o escritor francês Chrétien de Troyes escreveu a primeira obra sobre o tema em 1180 (Percival ou o Conto do Graal), o objeto não rinha relação com o cálice da época de Cristo.

Na busca do Rei Arthur, o Graal foi definido como o “Símbolo da plenitude espiritual”. A busca dos cavaleiros da Távola Redonda era um teste de caráter, honra e maturidade espiritual. Encontrar o Graal significava restaurar a ordem cósmica e a justiça no reino de Arthur.

A conexão com a Ordem dos Templários ganhou força no início do século XIII através da obra Parzival, de Wolfram von Eschenbach. Através do autor Robert de Boron, anos depois de Chrétien de Troyes, a Igreja e a literatura fundiram essa relíquia dita pagã com o cálice de José de Arimateia, numa estratégia medieval comum para absorver os mitos celtas e bretões que o povo se recusava a esquecer.

A teoria do “Porto Graal”, dos Templários, que teria gerado o nome do país (Portus Cale, cuja tradução seria Porto Graal), deu origem a Portugal. Uma leitura esotérica defende que os Templários não buscavam um objeto mágico, mas sim algo mais elevado ligado com a cruz isósceles, a vera cruz.

Os poetas foram inspirados, mas misturaram fantasias. Dan Brown, em Código Da Vinci, criou uma ficção bem articulada, mas irreal. Restaram os templários, que teriam criado o Porto Graal, e talvez estivessem mais perto da verdade.

É na perspectiva espiritual trazida por Abdruschin que o mistério do Graal encontra sua explicação mais grandiosa e despida de fantasias humanas. Na Mensagem do Graal, Abdruschin explica que o Pentecostes é o envio da Força Espiritual, partindo da esfera Divina, chegando para toda a Criação através do Supremo Templo do Graal. É o momento em que ocorre a Renovação da Força na Criação. Trata-se de um jorro de energia cósmica pura vindo diretamente do Divino, indispensável para manter a vitalidade da Criação em movimento, expandida e viva.

É um Fenômeno Cíclico que se repete de tempos em tempos, como o dia da efusão de forças. O evento narrado na Bíblia, com a participação dos discípulos, foi o reflexo físico desse jorro que atinge toda a Criação de forma perfeitamente natural. O Santo Graal é a realidade viva, o elevado e inacessível ponto de transição entre o Divinal e a Criação. Uma taça onde borbulha a energia da vida, a fonte primordial de onde emana a força divina, pura e vivificante que sustenta o universo inteiro. Sem essa radiação, o cosmos simplesmente teria de definhar, pois ela é a energia vital que sustenta a Criação.

Obs.: Este artigo foi escrito com a colaboração do Gemini, a IA do Google.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

NÃO SE TORNE ENGRENAGEM, SEJA HUMANO

Vivemos uma era de transformações profundas, de aceleração e incertezas. O trabalho está se transformando e nós, com ele. Não se torne uma engrenagem entre máquinas e metas, seja humano.

Vivemos tempos em que a lógica da eficiência e a aspereza ameaçam engolir o sentido da vida. Tudo é meta, tudo é entrega, tudo é urgência. Mas há algo em nós que não cabe nessa engrenagem. Algo que sente, que intui, que resiste. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, a pressão cresce. Tudo se move com velocidade, mas, muitas vezes, o sentido se desfaz no caminho. Neste cenário, preservar a humanidade nas relações de trabalho deixou de ser uma escolha: tornou-se um ato de resistência.

A lógica da eficiência, quando levada ao extremo, tende a esvaziar o espaço do encontro. Pessoas passam a funcionar mais do que a conviver. É preciso realizar o trabalho sem perder a humanidade. E quanto mais a atividade se mecaniza, mais aqueles que raciocinam com profundidade, que intuem, sentem, refletem, se ressentem.

Não se torne engrenagem entre máquinas e metas. Há uma diferença entre funcionar e viver. Entre cumprir tarefas e realizar um propósito. Entre competir e colaborar. Não é só sobre salários ou formatos híbridos com trabalho presencial ou remoto. É sobre a tensão interior de trabalhar em ambientes onde propósito e pertencimento foram substituídos por metas frias e relações frágeis, muitas vezes de aparências enganadoras.

E há ainda o desencontro que se aprofunda; o que as empresas querem nem sempre dialoga com o que as pessoas buscam. As organizações pedem resultado, agilidade, resiliência. Os colaboradores pedem escuta, sentido e condições dignas de atuar. Quando esses propósitos não se alinham, surgem desentendimentos. E quando esses desentendimentos são ignorados, surgem rupturas. Essa é a situação atual que envolve competição, disputas e lutas por riqueza e poder.

Mas em meio à pressão por resultados, metas e inovação, não podemos esquecer que é possível, sim, seguir adiante sem cair, nem empurrar o outro que caminha ao lado. Puxar o tapete do outro para se beneficiar não significa crescer.

Resistir, hoje, é também agir com ética. É recusar o cinismo do falso profissionalismo daqueles que cobiçam o poder acima de tudo. É afirmar, com convicção, que cuidar das relações no trabalho não é ingenuidade, é maturidade. É possível evoluir sem ferir, competir sem derrubar, inovar sem desumanizar. Mas no atual viver áspero é importante ser prudente e estar vigilante sobre o que se passa ao nosso redor e tomar decisões defensivas.

O trabalho sempre fez parte da vida humana. A natureza oferece tudo, mas requer trabalho. Lavradores, mineiros, artesãos, técnicos, especialistas. A produção em larga escala, a automação, a busca do máximo ganho com mínimo custo, tudo foi gerando transformações tecnológicas e organizacionais, mas acarretando a perda silenciosa de significado, gerando o vazio existencial.

Na atual aspereza da vida tudo depende do computador e das máquinas. Os seres humanos se tornaram um número, perderam a essência e o bom senso. Desumanização. A alma foi isolada e o cérebro não está suportando tanta pressão. Colapso mental. Os seres humanos perderam o rumo, e não conseguem achar soluções.

A indolência mental e espiritual e a aversão à reflexão nos empurram para respostas rasas, incompletas. Analisar e refletir intuitivamente dá trabalho, mas esse trabalho interior é como a santificação das horas de descanso que nos protege da mecanização insensível. Porque, no fundo, humanizar não é retroceder; é a única forma de evoluir com sentido, buscando caminhos produtivos e realizadores. É o que nos permite não apenas trabalhar, mas viver com inteireza, de corpo e alma. Tudo conspira contra. O grande desafio desta época é seguir em frente, sem deixar de ser verdadeiramente humano.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

CLASSES SOCIAIS DOMINADORAS

Por que os seres humanos estruturaram a sociedade colocando as classes sociais umas acima das outras? Isso vem de longe, desde quando teve início a escravização dos prisioneiros de guerra, considerados como seres inferiores, portanto subservientes aos mais aptos e fortes. Depois veio a época do feudalismo. Os camponeses tinham de pagar para poderem trabalhar. Por fim, Charles Darwin (1809-1882) forneceu elementos para a teoria apropriada, o darwinismo social, alegando que os mais aptos e fortes estariam acima dos demais.

De fato, nem todos têm as mesmas capacitações; alguns apresentam mais maturidade, mas todos os trabalhos são importantes. A forma do desempenho deve ser a medida do valor do trabalho de cada um. Mas a voracidade dos homens tende a levá-los à desumanização, algo que vai se tornando evidente.

A exata compreensão do que é intelecto cerebral e intuição espiritual é um saber perdido, uma ideia que ficou no passado. Isso não tem nada a ver com as religiões criadas pelos homens; faz parte das leis naturais que organizam todas as coisas no universo, tendo o propósito do desenvolvimento do ser humano integral. A IA tem uma capacidade especial para reunir e organizar informações, mas não tem alma, embora acumule mais conhecimento do que muitos cientistas conseguem obter.

Por outro lado, os seres humanos estão sufocando a sua alma, e sem ela jamais compreenderão o funcionamento do universo e suas leis primordiais. Há muita desigualdade entre as nações, cada uma vai seguindo no seu ritmo. Acima das ideologias, o homem é mercantilista, quer as vantagens para si. A situação global vai piorando, impondo o rebaixamento da classe média. A aspereza está aumentando. É preciso ir às causas. Por que o homem se tornou o lobo do homem? Está deixando de ser humano.

No Brasil, o padrão de vida não sobe, ficou travado no nível dos países em desenvolvimento com salários baixos e desenvolvimento industrial estagnado, mas ainda há um certo dinamismo. Se ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, a pobreza e a violência urbana tenderão a aumentar. Os problemas gerados pela Raizen e Master ainda estão afetando o crédito privado assim como a guerra e os cartões de crédito. As pessoas estão pagando o consumo do mês passado, e pondo para a frente o do mês vigente.

O déficit fiscal não para de crescer no Brasil. O que esperam? Que a reforma tributária gere mais arrecadação? A administração das empresas não está fácil. É fato que a renda caiu, afetando o consumo. É necessário planejar e controlar as dívidas, uma questão que tem fragilizado e derrubado empresas e indivíduos.

A falta de bom preparo para a vida e o trabalho está levando as pessoas a colocarem seu dinheiro nas apostas, feitas para a perda de valores. O lamentável é que algumas pessoas estão se endividando para sustentar o vício do jogo. São seres humanos dominados pela ansiedade que buscam no jogo a adrenalina, mas ela vem acompanhada do desespero de quem aposta o que não tem, desestruturando a sua vida e a sua família.

Há 500 anos a estrutura monetária vem sendo moldada para manter o controle das atividades. As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismos. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites, compromisso com a estabilidade social e a recuperação do tempo perdido.

Diante da limitação dos recursos, a economia, pensada por antigos filósofos, deveria ser o sistema equilibrado para sustentar a vida de todos, mas se tornou o dreno da concentração da renda global. O cérebro tem sido manipulado desde a fase infantil, com mentiras e falsidades, tendo, como consequência, manter a essência espiritual do ser humano inativa, ou seja, uma ousada interferência no livre querer inerente ao espírito, o que vem gerando a perda da felicidade que deveria ser natural entre aqueles que buscam a maturidade espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A falsa realidade da vida

Atualmente, em decorrência da influência das trevas e da indolência espiritual, a realidade da vida, pensada pelos seres humanos, se acha totalmente fora daquilo que deveria ser. Tudo tem de se renovar.

A natureza humana é determinada pela capacitação da livre resolução de cada indivíduo, o sim ou não íntimos, mas fica sujeito às consequências tecidas pelos fios do destino, na atual existência, ou numa próxima encarnação. Nada escapa. Como fruto das resoluções, a situação da humanidade é grave. Os jovens se rebelam, de forma passiva ou ostensiva. Aumenta o número de idosos com pouco preparo. O processo de emburrecimento está avançando, gerando sérias apreensões sobre o futuro. Falta reflexão intuitiva. A população está envelhecendo. Falta preparo para a vida. Nove meses para formar um corpo. Quinze anos para se preparar.

Qual é a finalidade disso tudo? Se não for para o soerguimento individual e do todo, para que seria então? Por que ainda não foi criado pela humanidade um sistema de educação voltado para a compreensão do significado da vida? Em geral, as pessoas, em todos os ambientes, estão desconfiadas e competitivas, tendendo ao “cada um por si”. Para alcançar sucesso, o objetivo proposto tem de ser da equipe inteira.

Estamos em 2026, já ultrapassamos mais de um quarto do século 21 e o que se observa na Terra é muita inquietação e turbulência, um viver afastado da naturalidade com muitas doenças psíquicas e emocionais. Durante milênios, os seres humanos têm se afastado de sua essência, passando a viver de forma artificial, distante da real finalidade da vida, como se estivessem em permanente sonolência sem perceber o que está se passando, achando que algo está errado na forma de viver, mas se acomodando e se adaptando sem se movimentar para entender e buscar a saída do círculo vicioso em que o viver se tornou,

É uma escravização voluntária aos conceitos errados, semeados pelas trevas, sem aspirações enobrecedoras, em que cada um cuida apenas das necessidades do corpo do jeito que ainda pode, buscando prazeres passageiros, desperdiçando o precioso tempo num viver vazio sem sentido. Como sair desse estado de dormência e despertar para a vida?

A realidade está tão manipulada que não se conhece mais a razão nem a Verdade, mas a grande colheita da humanidade continua apresentando seus frutos de acordo com a espécie das sementes lançadas. O ano de 2020 assinalou um duro golpe na economia popular. A guerra de 2026 está no mesmo caminho. O primeiro-ministro de Israel tem os seus motivos. E o presidente dos EUA? Há o compromisso de defender os aliados, mas haveria outras razões? O fato é que os fios do destino traçados pelos seres humanos não foram de atrair paz e desenvolvimento harmônico, então tudo vai se engrenando de forma a aumentar o caos diante da falsa realidade que foi construída sobre a finalidade da vida.

Estamos diante de uma crise muito profunda, que é a desintegração do tecido moral e espiritual da sociedade. Torna-se necessário um movimento que vise incentivar o despertar para os valores reais e o sentido da vida, um movimento que despretensiosamente possa lembrar os seres humanos do que eles realmente são, e quem sabe se disponham ao despertar para a vida real. As comunicações em geral e as redes sociais lucram com o nosso ódio e com o nosso ego e vaidade. Elas foram desenhadas para nos manter vibrando em frequências baixas (inveja, cobiças, raiva, traição, comparação). Isso atrai a igual espécie baixa, roubando a serenidade e a esperança em dias melhores. Como se poderia influenciar o comportamento e gerar sentimentos que possam direcionar o ser humano para buscar o enobrecimento e a real finalidade da vida?

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

BRASÍLIA NA VISÃO DE DOM BOSCO

Ao se aproximar das terras do Brasil disse Cabral: esta é a Terra de Vera Cruz. No século XIX, Dom Bosco teve um sonho em que um anjo lhe mostrava uma região entre os paralelos 15° e 20º que se tornaria uma grande civilização rica e próspera. A capital do Brasil foi fundada exatamente nessa área geográfica. “O Brasil é um país escolhido para ser um centro de espiritualidade, uma ancoragem da Luz da Verdade, cujas irradiações encerram auxílio e salvação.” (Roselis von Sass, Revelações Inéditas da História do Brasil).

Na América do Sul, os europeus apareceram a partir do ano 1500, em busca de ouro. Assim foi sendo explorado tudo e todos. Aqueles que foram libertados do trabalho escravo não encontraram oportunidades de subsistência digna. O país do futuro não deu certo. Ganância externa e interna travaram a nação e seu povo. Todo potencial foi brecado. A precariedade tomou conta e a população, em sua vida difícil, permanece sendo enganada e iludida, sem bom preparo para a vida. Quando o Brasil vai sair desse marasmo?

No passado, falava-se sobre os princípios universais, mas com a financeirização da vida e do poder, passaram a valer os interesses financeiros. A produção fabril perdeu espaço, mas a China, com preços menores, se tornou forte na economia real e finanças, inviabilizando a competição ocidental.

A questão do dinheiro e seu lastro não está clara. O dinheiro se amplia através de ganhos e valorizações dos bens, então como fica o lastro? Quem deve ser o responsável pela criação e controle? Há muitas manobras oportunistas e especulativas. EUA cria dólares e tira proveitos. As demais nações se tornaram dependentes. A China, com custos baixos, acumulou reserva financeira e atua de forma global. A humanidade ainda não encontrou a forma sadia de criar dinheiro,

No passado, havia o sacerdote rei que agia com justiça seguindo as leis universais da Criação. A decadência espiritual foi introduzindo tirania, despotismo, cobiças de poder e riqueza que envolve várias esferas do poder. Vieram as monarquias, o Estado-nação, o capitalismo de mercado e o capitalismo de Estado. A democracia republicana estagnou e retrocedeu em vez de evoluir para formas justas e equilibradas de governar o destino da humanidade. Diante disso, a Terra se encontra caótica com o avanço de tumultos e do direito da força, contrária à vida e sua finalidade.
A situação é grave. A classe média já era porque a renda do trabalho fica estagnada e vai baixando, perdendo poder aquisitivo. Tudo arrasta para a acomodação. Tudo vai nivelando por baixo. As pessoas estão sem energia, se queixando da vida que levam, do emprego que têm e tudo o mais. Estamos na grande colheita, hora de se movimentar, sair da estagnação e agradecer por tudo.

Há séculos a humanidade vem perdendo o rumo, espalhando com suas ações muitos estopins com fogo pela Terra. Não se sabe onde e quando vão detonar. Descontentes com os conflitos, muitos seres humanos de cérebro grande esqueceram a alma, são ateus. As novas gerações, desanimadas, não sabem para que nasceram. E tudo isso surgiu dos conceitos errados sobre a vida e sua finalidade. As pessoas têm que se libertar dessa condição.

Os seres humanos se afastam da alma, e perdendo a essência espiritual, vão se transformando numa coisa que não cumpre a finalidade de sua existência, mas com seu querer e suas ações vão produzindo o caos que tende ao limite extremo. Infelizmente a situação é essa. Teorias e ideologias camuflam as reais intenções alimentadas pelas cobiças de poder e dinheiro, impondo seus objetivos. As autoridades conhecem bem as consequências da dívida pública, mas por que não se movem para mantê-la sob controle?

Estar vivo é a grande oportunidade de superação, mas exige coragem e perseverança. Se a pessoa tem um emprego que não é bom deve agradecer, pois é o que está colhendo. Tem de se aplicar e reconhecer. Nesse esforço, com certeza lançará boas sementes que se tornarão colheita. Assim deve ser com todos. Pais, filhos avós. A humanidade caiu na indolência e estagnação, tudo empurra para a moleza, mas tem de ser forte, se esforçar, evoluir visando a melhora das condições gerais de vida. É preciso buscar a Luz da Verdade para não cair no abismo da autodestruição.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

MENSAGEM AOS PEQUENOS E MÉDIOS EMPRESÁRIOS

A situação econômica está complicada. Custos sobem, vendas caem. Está difícil selecionar colaboradores. O que se poderia dizer para pequenos e médios empresários? No Brasil, tudo foi ficando diferente. A partir dos anos 1980, o país entrou num processo de estagnação. A indústria deu um “cavalo de pau” e perdeu a força de reação. Atualmente, as dificuldades são maiores, as oportunidades estão se restringindo e a renda salarial, caindo.

Quem sobreviveu ao golpe precisa de muita atenção, porque a situação muda de forma rápida. Os pequenos e médios empresários, e os empreendedores, devem ficar atentos e bem-preparados para manter a clientela, não relaxando a qualidade e o atendimento. Não devem tomar dinheiro emprestado a descoberto, precisam conter os gastos para formar uma reserva e aumentar o capital de giro próprio.

A equipe precisa estar automotivada. Com frequência, grupos atuam com dinamismo por um tempo, mas é comum adentrar numa fase mais lenta, tipo zona de conforto. A atualidade exige renovada disposição diária para enfrentar as dificuldades buscando soluções prontamente, como no famoso “não deixar a peteca cair”.

Estamos vendo horrorosas ocorrências de inadimplência. Teve lojas Americanas, Braskem, Raizen, Master. Poderíamos ver nisso displicência com a finança, ou será que outros fatores foram a causa?

Durante anos, o mundo aceitou produtos baratos, importados de economias de Capitalismo de Estado porque ajudavam a conter a inflação. Permitiam consumo maior com renda estagnada. Reduziam custos industriais. Pareciam inofensivos. As nações aceitaram porque era conveniente. Agora pagam o preço. As ondas de choque começam a aparecer, como o equilíbrio global que está se rompendo. As consequências já estão visíveis com a desindustrialização acelerada em vários países, além da dependência estratégica de cadeias externas, tensões comerciais crescentes, perda de autonomia tecnológica e falta de preparo das novas gerações.

Os jovens precisam de oportunidades e cada nação não pode continuar da forma como se estivesse em desmanche. Isso tudo está gerando um ambiente insustentável. Com tantos recursos, o que falta para o Brasil ser uma nação com qualidade de vida decente? A riqueza é conquistada com trabalho e produção, e tem de ser partilhada com equilíbrio, mas tem se concentrado em poucas mãos que querem permanecer dominando tudo.

As novas gerações estão crescendo num mundo repleto de instabilidades. Está faltando a noção de pertencimento, confiança no futuro, motivação para construir, coragem para sonhar e se pôr em movimento para alcançar os sonhos. E uma sociedade sem sonho vira uma sociedade enrijecida, desmotivada. Diante disso, o futuro da humanidade está sob ameaça, pois está faltando propósito e coesão diante de alvos enobrecedores prejudicados pelo individualismo egocêntrico. Falta o anseio de humanizar a civilização. E a gravidade é que isso não está sendo discutido pela sociedade com a seriedade necessária. É preciso despertar nos jovens o anseio para conhecer a origem do ser humano e a finalidade da vida.

O dinheiro corre como rio, não dá para fugir. O oceano monetário cresce, quer juros, uma minoria tem o controle. Juros comem a receita tributária das nações, enquanto as condições de vida vão apertando. Mas não dá para ficar se lamentando. É preciso manter o ritmo do barco. Perceber as tormentas à distância e se resguardar. Tem de se manter firme, prosseguir, alcançar alguma estabilidade para não ser levado pela correnteza e para conquistar resultados.

Para dizer algo mais seria necessário conhecer melhor a situação do empreendimento para descobrir gargalos ocultos e os caminhos mais adequados. A verdade é simples e natural. Com perseverança, desenvolvendo um trabalho sério para atingir os objetivos, será possível ultrapassar as dificuldades e colher resultados positivos.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS NOVAS GERAÇÕES?

Preocupante é o futuro da humanidade e especialmente das novas gerações, algo que não está sendo olhado. Os jovens estão meio apartados do sistema; como conduzi-los para a busca do sentido da vida? O ser humano está se afastando da sua essência e ficando sem rumo. Uma alma perdida na escuridão criada pelos homens. Os jovens não estão perdidos por falta de capacidade. Eles estão desalinhados com um mundo que está mudando de forma acelerada devido à instabilidade do trabalho, excesso de informação, falta de propósito, pressão por performance, comparação constante nas redes, sensação de que “nada é suficiente”.

O mundo ficou super agitado com muitas informações, muitas coisas acontecendo, muitas dificuldades surgindo. O dinheiro, cada vez mais difícil e mais sujeito à perda de valor, está deixando de ser um papel na mão, disponível a qualquer momento, e se tornando dígito de aplicativo que fica sob o controle dos bancos. Diante desse maremoto, os jovens não conseguem prestar atenção na voz interior ditada pela essência humana.

Há um vazio interior. As novas gerações estão crescendo num mundo repleto de instabilidades. Está faltando a noção de pertencimento, confiança no futuro, motivação para construir, coragem para sonhar e se pôr em movimento para alcançar os sonhos. E uma sociedade sem sonho vira uma sociedade enrijecida. Diante disso, o futuro da humanidade está sob ameaça, pois está faltando propósito, coesão diante de alvos enobrecedores prejudicados pelo individualismo egocêntrico, e anseio de humanizar a civilização. E a gravidade é que isso não está sendo discutido pela sociedade com a seriedade necessária.

Como despertar nos jovens o desejo para conhecer a origem do ser humano e a finalidade da vida? A reconexão tem de sair do imaginário e se voltar para algo real e dinâmico como a natureza, com sua beleza e suas leis lógicas, e daí para a arte, para o cultivo do silêncio, a análise das relações, identificando as artificiais e as interesseiras, e as verdadeiramente sinceras. Desde cedo a criança tem de aprender a lei natural do equilíbrio, ou seja, retribuir por tudo que receber.

Como conduzir os jovens de volta ao sentido da vida? Não devem continuar afastados da essência humana e precisam de orientação sobre isso. No passado, eles tinham mais iniciativa e força de vontade. Conheciam pessoas inspiradoras, professores marcantes, buscavam livros esclarecedores. Ou seja, isso requer participação de todos, das famílias, dos responsáveis pelo sistema de educação, dos professores e, principalmente, dos jovens que precisam ter o anseio do saber.

No abandono da falta de sentido, falta o pertencimento, o acolhimento. É importante sentir-se parte de algo significativo, ter um objetivo construtivo na busca de melhores condições de vida, onde haja coesão com pessoas cuja vontade esteja dirigida para o bem geral, sem fantasias. Pessoas capazes de enxergar o que se passa ao seu redor, ansiosas para ampliar o saber sobre a vida, dispostas a dialogar e permutar saberes. Enfim, pessoas que querem criar beleza à sua volta, de serem criativas e de sentirem-se vivas e participantes da maravilhosa jornada do ser humano em busca do fortalecimento da individualidade do seu eu interior.

Olhar para a frente, ter visão de longo prazo. As coisas surgem no tempo com a perseverança no alvo. Os jovens precisam de orientação, inspiração, descortinar caminhos, firmeza e estabilidade emocional. Os adultos podem e devem auxiliar e orientá-los, sem imposição, sem exigências, pois eles são o futuro da humanidade.

Na adolescência, com o despertar da força sexual, os jovens querem o belo, mas se deparam com a aspereza da vida. E tudo conspira contra, visando arrastá-los para a sordidez que abafa o encantamento da juventude. Sufocado o encantamento pela vida, o jovem perde a força e se torna folha morta arrastada pelo vento da ignorância. O encantamento não pode ser destroçado, uma vez que, sem ele, o jovem perde o anseio do saber, e cai na massa inerte incapaz de refletir intuitivamente sobre a vida e sobre as causas do declínio geral da humanidade.

Devem lutar para sair da escuridão da ignorância buscando a Luz da Verdade para se libertarem dos conceitos errados sobre a vida. É na beleza da vida e da natureza e suas leis que o jovem deve reencontrar o encantamento sem o qual nenhuma criatura consegue alcançar o alvo de se tornar verdadeiro ser humano, participante da grande obra construtiva e beneficiadora do mundo.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

POR QUE A INQUIETAÇÃO ESTÁ AUMENTANDO?

A pergunta que todos fazem: somos mais ricos, temos mais remédios, vivemos mais tempo, porém uma inquietação geral atravessa o planeta; por quê? O viver na Terra estava tumultuado no século 20, mas havia uma certa ordem, ainda que um rumo meio nebuloso. No século 21 parece que tudo desandou, não há uma direção, muitas pessoas se acham perdidas.

Os seres humanos receberam na natureza os elementos que necessitam para a sua subsistência, mas precisam entrar com o trabalho de forma natural, sem abusos, de maneira metódica e continuada. Com o surgimento da produção industrial no século 18 consolidou-se a ideia de que, para dar andamento à produção, é necessário que haja ganhos. Produzir exige trabalho, por isso surgiu a classe dos assalariados, que podiam consumir mediante o salário recebido. Inicialmente, as jornadas eram longas e os salários baixos, algo que ainda não está plenamente resolvido. O sistema sempre foi cercado de desentendimentos entre o que se produz e o que se recebe, estabelecendo-se desigualdade na distribuição da renda.

As novas gerações estão perdendo capacitações especiais, sem conquistar outras, a não ser o uso dos dedos na tela do smartphone. Quem perdeu com isso foi a própria humanidade que reduziu as habilidades para o progresso e bom relacionamento. O que fazer agora? Descontentes com a situação, os jovens do século 21 se rebelam, mas, desatentos, não anseiam consumo elevado. Com pouca perseverança, não manifestam grande interesse pelo trabalho formal.

No entanto, os jovens devem reconhecer que para consumir é necessário trabalhar. O essencial é restabelecerem a enfraquecida conexão com o eu interior, de modo a que se esforcem para refletir intuitivamente, buscar o saber do significado e finalidade da vida e das leis universais que a regem para realmente se tornarem seres humanos. É notório que estejam reduzindo a capacidade de se comunicarem, ou seja, o dom de poder formar palavras para dialogarem, resolver dificuldades, exteriorizar os nobres sentimentos da alma. Poucas pessoas estão se utilizando da palavra de forma correta, com seriedade e sinceridade.

Os acontecimentos atropelam as estruturas. Apesar das duas grandes guerras sangrentas, o século 20 foi o derradeiro na esperança da humanidade de alcançar um futuro melhor. O século 21 começou com estrondos de Nova York à Brasília. Tudo em rebuliço. Acabou o ordenamento geral da vida. A causa disso está nas bases frágeis nas quais a humanidade construiu a sua trajetória, e que agora não está suportando o peso das consequências geradas. Apesar da rigidez e do despotismo, nada pode deter o desmanche de tudo que foi erigido sobre bases falsas e enganadoras. Tem de surgir uma nova e sadia construção da sociedade assentada na justiça das leis universais da Criação que visam o desenvolvimento e o fortalecimento do espírito do ser humano.

O momento é complicado. Os Estados Unidos não estão mais sozinhos, pois agora há um concorrente na economia global. Uma enxurrada de mentiras e meias verdades desorientam. Há muitas incertezas. Ninguém sabe para onde estamos indo. Não dá para acreditar que os EUA atacariam militarmente para conquistar a Groelândia.
A humanidade se ligou rigidamente ao mundo material esquecendo que há outras esferas que interagem no viver, tendo deixado de procurar o sentido e a finalidade da vida, ou seja, entrou num viver mecanizado voltado para segurança, comida, abundância, tranquilidade, lazer.

A IA chega num momento especial em que as novas gerações estão perdendo habilidades que promovem o fortalecimento individual. Isso se deve ao fato de que na vida agitada não está sobrando espaço para reflexões intuitivas e avaliações pessoais e dos acontecimentos. A IA poderia contribuir alertando para que cada indivíduo não abandonasse irremediavelmente a sua origem espiritual, perdendo a sua humanidade. Ao se afastarem da natureza, a pessoas se afastaram da sua alma, o que explica o retrocesso e o aumento de atos desumanos.

Pesquisadores dizem que estamos no ponto de viragem, ponto de ruptura, ou ponto de grandes transformações universais. Há um reboliço geral e muito desentendimento. Aparentemente, é gritante o embate geoeconômico entre os Estados Unidos e a China. Há movimentos agitados na periferia. No fundo, a turbulência geral está no ponto em que a humanidade chegou em sua trajetória. Em eras longínquas foi concedido ao espírito humano a possibilidade de adquirir autoconsciência para se tornar útil e beneficiador. Agora o ser humano está sendo examinado para demonstrar a que veio.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br