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50 MIL JOVENS DO MARROCOS PARA CEUTA

Com informações deturpadas sobre fatores jurídicos da imigração para a Espanha formou-se uma explosiva onda migratória de dezenas de milhares de jovens saindo do Marrocos em direção a Ceuta, um enclave espanhol situado no norte da África. Por trás dessa movimentação está a aflitiva situação dos jovens no Marrocos com desemprego juvenil elevado e a falta de perspectivas profissionais e de mobilidade social, como ocorre em várias nações que permaneceram no atraso. Ceuta fica a poucos quilômetros de distância e representa o solo da União Europeia em pleno continente africano. A travessia pode ser feita contornando os quebra-mares a nado ou a pé durante a maré baixa.

A cidade de Ceuta entrou em colapso. Os jovens perceberam que não conseguiriam seguir para a Espanha continental sem documentação. Assim, a maioria dos migrantes (dezenas de milhares) acabou optando por retornar voluntariamente ao território marroquino. O acontecimento mais parece um alarme desesperado sobre o que está acontecendo com a humanidade, mas quem está olhando para isso? Milhares de jovens arriscando a própria vida por uma fresta de esperança, e a resposta global oscilou entre a burocracia e o esquecimento rápido. A sensação é de que a humanidade está falhando em enxergar o óbvio.

A passagem da adolescência para a fase adulta é um intervalo decisivo na formação de caráter, mas os descuidos são seculares. A humanidade tem de se esforçar e evoluir para melhorar as condições gerais de vida. A transição para a idade adulta é justamente a fase em que o indivíduo precisa de estrutura, pertencimento e um horizonte de futuro para consolidar sua identidade.

Quando uma sociedade falha em oferecer oportunidades para o desenvolvimento de seu povo surge a devastadora sensação de abandono e desperdício de potencial humano. A tecnologia, a economia e finanças e a infraestrutura do mundo evoluíram a passos largos, mas a maturidade ética e empática parece caminhar a passos lentos, quase estagnada.

A grande “cegueira” global está na incapacidade de encarar a realidade sobre a finalidade da vida. As nações surgiram para oferecer bom preparo, educação de qualidade, emprego digno, espaço para as livres resoluções. Quando faltam esses fatores, imigrar pode se tornar a única saída. Uma situação lamentável.

O desenvolvimento integral da juventude quase nunca esteve no topo das prioridades globais, a menos que essa juventude fosse necessária como mão de obra barata ou linha de frente em conflitos. Os jovens são mantidos fora da realidade, como se estivessem num parque de diversões. São gastos bilhões erguendo muros, reforçando patrulhas e criando leis punitivas, mas há falha no bom preparo das novas gerações, com educação digna e natural, saneamento básico nas regiões de origem, oportunidades para todos que se esforçam.

A verdadeira evolução de uma civilização se mede pela sua responsabilidade com o futuro da nação e sua população. Faltaram propósitos essenciais, sem os quais o viver se tornou uma permanente luta pela sobrevivência, ou seja, faltaram o esforço contínuo para alcançar melhores condições gerais de vida, e a busca contínua do aprimoramento da espécie humana. A economia global se apresenta desequilibrada.

De Marrocos-Ceuta avançamos pela história. Mas não é só lá que as condições gerais estão se precarizando. A grande questão a ser enfrentada é: a que tipo de vida e a que tipo de governo a humanidade vai chegar, pois ela ainda não teve propósitos comuns na direção do progresso real.

Pesquisadores têm alertado sobre a crise que avança sobre as novas gerações, comprometendo o futuro. Os nascimentos estão diminuindo. Gerar filhos não é obrigação, é escolha. É necessário fortalecer a esperança e ações no sentido de que a humanidade desperte e pegue o rumo construtivo e benéfico, para que a decisão de gerar filhos não se torne algo temeroso e preocupante.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A ESPERANÇA NÃO PODE MORRER

Os seres humanos estão descontentes com as atuais condições em que vivem. A questão é que cada indivíduo, de acordo com as leis espirituais, se acha exatamente nas condições que preparou para si em vidas passadas. É a colheita. Muitos não querem aceitar essa responsabilidade e evitam refletir intuitivamente sobre isso. Em meio à insatisfação, surgiram os astutos que criaram teorias que inocentam as pessoas, mas apontam culpados como argumento para acalmá-las e dirigir a energia delas contra os causadores. As classes se defrontam; populistas assumem a posição dos estadistas e são acolhidos, mas todos continuam semeando coisas ruins, então o que se pode esperar disso?

Não podemos continuar vivendo na sonolência, temos que despertar e buscar a compreensão da finalidade na vida, o porquê nascemos na Terra. Abrir os olhos e examinar tudo com a própria intuição. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que o atual não é o viver apropriado para a espécie humana. Para compreender o Universo é preciso compreender o funcionamento das leis naturais universais.

A mulher não é obrigada a ter filhos, no entanto, o ato de ser mãe e de gerar requer responsabilidade, tanto dela como do homem. Percebe-se que há seres humanos que não deveriam ter encarnado na Terra e deveriam permanecer em outros locais condizentes com a sua espécie. Homem e mulher não reproduzem a vida, pois, de acordo com as leis naturais, dão a um espírito a oportunidade de se ligar a um corpo para atuar na Terra. Na matéria nada é permanente, tudo se transforma, o espírito que estava encarnado segue sua jornada evolutiva.

As nações devem voltar a produzir, para oferecer trabalho e bom preparo de modo que as pessoas possam viver por si, sem cair nas dívidas e nas viciantes bets. Ficar na dependência dos auxílios governamentais é voltar ao passado de pobreza como na época em que as pessoas dependiam de receber trigo de graça para sobreviver.

Agora temos pobreza em muitas nações. Há guerra na Ucrânia, Oriente Médio e Irã. Há uma certa inquietação do povo americano. As massas ficaram subordinadas às manipulações de líderes ditos populistas que fazem de tudo para se manter no poder através de mentiras e falsas promessas. O Brasil vem decaindo. Nesse meio, há a disputa monetária global gerando incertezas gerais. Como tudo isso vai evoluir? Enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida, nada poderá dar certo, e muitas coisas assentadas sobre bases erradas estão sujeitas ao desmanche.

No Livro da Esperança, Jane Goodall (1934-2025), pesquisadora do comportamento e sobrevivência, expõe as razões dela para ter esperança. Nestes tempos sombrios há conflitos armados, discriminação racial e religiosa, crimes de ódio e ataques terroristas. O abismo que separa ricos e pobres vem aumentando e fomentando raiva e instabilidade. Há um desequilíbrio econômico global, desemprego e pobreza. O mal tem atuado livremente influenciando os seres humanos indolentes que caem na inércia. A aspereza está dominando. A esperança num mundo melhor está encolhendo. Mas temos de alimentar a generosidade do ser humano.

Muitas pessoas percebem o estado desesperador em que o planeta e a humanidade se encontram, mas nada fazem porque se sentem perdidas e sem esperança. Porém, a verdadeira esperança requer ação e perseverança. Não importa quão pequenas possam ser essas ações que começam no querer e nos pensamentos, pois realmente elas fazem a diferença. Com milhões de vontades, pensamentos e ações voltados para o bem, poderão ajudar a restabelecer o equilíbrio destruído. O peso dos erros e do desleixo está roubando a esperança.

Para Jane Goodall, sem esperança, tudo estará perdido. A realidade é que enquanto os seres humanos não saírem da ignorância sobre a finalidade da vida e sobre a atuação das leis naturais universais, o declínio será cada vez mais acelerado pela ausência de propósitos de desenvolvimento integral da alma, corpo e mente. Cada ser humano pode fazer a diferença. O primeiro passo tem de ser dado, pois logo serão imitados e seguidos.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O SANTO GRAAL NA HISTÓRIA

Provavelmente muitas pessoas conhecem o Santo Graal como o cálice sagrado da Última Ceia ou como o segredo de uma linhagem de sangue oculta, popularizada por Hollywood e best-sellers como O Código Da Vinci. Mas, e se a história que nos contaram estiver olhando para o lugar errado?

O Santo Graal atravessou séculos como o símbolo máximo do inacessível. Curiosamente, essa mística é tão poderosa que transbordou a literatura medieval e invadiu o nosso vocabulário contemporâneo. Hoje, em artigos jornalísticos, ensaios científicos e discussões acadêmicas, a expressão “o Santo Graal” é frequentemente usada de forma figurada. Fala-se do “Santo Graal da física”, ou como sendo algo extraordinário em qualquer campo da atividade humana.

A essência literária e mística do Graal, chamado na antiguidade de o cálice da vida, está conectada à jornada de autoconhecimento, à cavalaria arturiana e ao esoterismo dos Templários do que à crucificação de Jesus. A ligação com o sangue de Cristo foi uma roupagem posterior criada para assimilar um mito que já era extremamente poderoso e antigo.

A civilização celta começou a se expandir pela Europa Central e pelas Ilhas Britânicas por volta de 1200 a.C., ou seja, há mais de 3.200 anos, mas na realidade o conhecimento do Graal é bem anterior, porém faltam dados históricos que comprovem isso. Segundo Sirona Knight, no livro Explorando o Druísmo Celta: “O cálice representa o caldeirão mágico, o Graal, a fonte da vida e o poço da inspiração”. Quando o escritor francês Chrétien de Troyes escreveu a primeira obra sobre o tema em 1180 (Percival ou o Conto do Graal), o objeto não rinha relação com o cálice da época de Cristo.

Na busca do Rei Arthur, o Graal foi definido como o “Símbolo da plenitude espiritual”. A busca dos cavaleiros da Távola Redonda era um teste de caráter, honra e maturidade espiritual. Encontrar o Graal significava restaurar a ordem cósmica e a justiça no reino de Arthur.

A conexão com a Ordem dos Templários ganhou força no início do século XIII através da obra Parzival, de Wolfram von Eschenbach. Através do autor Robert de Boron, anos depois de Chrétien de Troyes, a Igreja e a literatura fundiram essa relíquia dita pagã com o cálice de José de Arimateia, numa estratégia medieval comum para absorver os mitos celtas e bretões que o povo se recusava a esquecer.

A teoria do “Porto Graal”, dos Templários, que teria gerado o nome do país (Portus Cale, cuja tradução seria Porto Graal), deu origem a Portugal. Uma leitura esotérica defende que os Templários não buscavam um objeto mágico, mas sim algo mais elevado ligado com a cruz isósceles, a vera cruz.

Os poetas foram inspirados, mas misturaram fantasias. Dan Brown, em Código Da Vinci, criou uma ficção bem articulada, mas irreal. Restaram os templários, que teriam criado o Porto Graal, e talvez estivessem mais perto da verdade.

É na perspectiva espiritual trazida por Abdruschin que o mistério do Graal encontra sua explicação mais grandiosa e despida de fantasias humanas. Na Mensagem do Graal, Abdruschin explica que o Pentecostes é o envio da Força Espiritual, partindo da esfera Divina, chegando para toda a Criação através do Supremo Templo do Graal. É o momento em que ocorre a Renovação da Força na Criação. Trata-se de um jorro de energia cósmica pura vindo diretamente do Divino, indispensável para manter a vitalidade da Criação em movimento, expandida e viva.

É um Fenômeno Cíclico que se repete de tempos em tempos, como o dia da efusão de forças. O evento narrado na Bíblia, com a participação dos discípulos, foi o reflexo físico desse jorro que atinge toda a Criação de forma perfeitamente natural. O Santo Graal é a realidade viva, o elevado e inacessível ponto de transição entre o Divinal e a Criação. Uma taça onde borbulha a energia da vida, a fonte primordial de onde emana a força divina, pura e vivificante que sustenta o universo inteiro. Sem essa radiação, o cosmos simplesmente teria de definhar, pois ela é a energia vital que sustenta a Criação.

Obs.: Este artigo foi escrito com a colaboração do Gemini, a IA do Google.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

SER INDEPENDENTE

Os indivíduos estão solitários no meio da multidão. Na falta de atividades com renda compatível, o que tem aumentado é o número de dependentes de auxílios do governo. Ao mesmo tempo, ao lado da perda do bom senso, que é intuitivo, está ocorrendo o encolhimento do cérebro, da capacidade de entender as coisas. Isso vai arrastando grande parte da população para a dependência do Estado, o discernimento vai acabando. A nação, para ser forte, precisa de população esclarecida que ajude na conquista de melhores condições de vida e do bom preparo das novas gerações.

Você pega uma nota de cem reais, se bobear acaba em minutos. O dinheiro emagreceu, compra poucas coisas. O que está acontecendo com a produção e o consumo? A renda é baixa, mas como é possível que haja tanto dinheiro nas casas de apostas e nas contas ligadas às atividades clandestinas e criminosas?

A massa é um conceito composto por indivíduos isolados, distantes fisicamente e fortemente influenciáveis por hábeis condutores, de forma direta ou através dos meios de comunicação, e se consolidam num pensamento homogêneo com poderosa força irracional. A base para isso é a indolência do espírito que mantém a massa moldável e influenciável via cérebro, perdendo a clareza, se deixando influenciar por ideias plantadas, acreditando no seu mentor, podendo praticar atos que o indivíduo isoladamente jamais praticaria. A consequência é que a humanidade deixa de cumprir seu dever perante o Criador, como gratidão pela vida, evoluir espiritualmente, indo ao encontro da autodestruição.

O ser humano não nasceu para isso. Mas o que é o ser humano? Qual é a finalidade da vida? Para que nascemos? O ser humano é uma semente espiritual que precisa de vivências para se fortalecer, mas ao longo dos milênios tem dado força ao cérebro intelectivo, mantendo o espírito inativo.

A IA é o supercérebro criado pelo homem, cuja atuação supera o humano condicionado em várias fases da vida e encarnações. Mas a IA não tem acesso ao além, à esfera espiritual. Com frieza, sem coração, pode planejar o extermínio da espécie humana sob o comando de homens autoritários, cuja essência espiritual não atua mais. Bem conduzida, a IA pode se tornar grande colaboradora da qualidade e melhora das condições gerais de vida e do aprimoramento da espécie humana.

A situação geral vai se complicando, porque muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. É verdade que muitas pessoas estão envolvidas nos acontecimentos, com pouco tempo para um olhar além. Em algum momento, muitas pessoas perceberão a vacuidade de tantas coisas às quais se apegam, deixando abandonada a real finalidade da vida. Que busquem a Luz da Verdade.

Falta bom preparo das novas gerações para a vida e o trabalho. Falta bom senso, raciocínio lúcido, boa vontade, iniciativa. Os seres humanos não se ocuparam em conhecer a real finalidade da vida e, na sua indolência, se tornaram joguete nas mãos daqueles que se julgam aptos para isso. O ser humano está se afastando de sua essência espiritual. Tem faltado consciência de sua responsabilidade com o futuro, tendo sido displicente ao longo dos séculos com a vida, seu futuro, sua sustentabilidade. EUA, Europa e Rússia estão se desgastando em guerras, enquanto a China vai produzindo, acumulando dólares e riquezas.

Educar para bom preparo para a vida e o trabalho está difícil porque as crianças são mantidas presas ao sistema, sem vivências práticas, que lhes dariam um descortínio da vida real, aguçando a inteligência, o bom senso, a correta interpretação dos acontecimentos para acumular experiências úteis. Quanto mais tempo elas passam na escola e manuseando as mídias sociais, mais desatentos e sem iniciativas vão ficando. Há muitas teorias, mas é na vida prática que surgem a compreensão, a eficiência e a independência.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

OS SÁBIOS DA SUMÉRIA E A HUMANIDADE

Os sábios da Suméria buscavam a integração do ser humano com as leis universais da Criação. Mantinham escolas para orientar os habitantes procedentes de vilarejos distantes, assim como enviavam sábios que auxiliavam as pessoas a se tornarem verdadeiros seres humanos, fortes e corajosos beneficiadores da vida e da natureza. Os indivíduos queriam desenvolver e fortalecer o espírito e alcançar o aprimoramento da própria espécie como a grande finalidade da vida. Foram os sumérios que receberam a incumbência de construir e gravar na Grande Pirâmide do Egito a trajetória declinante escolhida pela humanidade. Os sumérios foram o povo mais desenvolvido espiritualmente sobre a Terra.

No entanto, as trevas sob o comando de Lúcifer, queriam o oposto disso, queriam tornar os seres humanos inúteis e imprestáveis para que se perdessem. Com mentiras e falsidades, criou-se a falsa felicidade, afastando as pessoas da Luz da Verdade, fortalecedora do espírito, promotora da verdadeira felicidade. Tudo conspira para transformar o ser humano em parte da máquina, com a essência espiritual inativa, restringindo a sua condição de ser humano.

Viemos para termos a oportunidade de desenvolver o espírito; isso requer várias encarnações, mas descuidamos disso e hoje colhemos as consequências. Indivíduos e povos, a exemplo da natureza, deveriam beneficiar, embelezar e evoluir. Estagnados espiritualmente, criaram um viver áspero e insustentável. Agora, na grande colheita, têm a oportunidade de reverter a decadência, ou aprofundá-la mais ainda.

Em vez de fortalecer o espírito, o ser humano se afastou de sua essência espiritual e foi se mecanizando progressivamente; dessa forma, não obteve mais energia e saberes procedentes de esferas mais elevadas que deveria aplicar na sua atividade. Por outro lado, tudo que maquinava com seu cérebro intelectivo não tinha força criadora, gerando aridez e aspereza.

É como se fosse uma galé, um antigo tipo de navio movido a remos e velas. Todos seriam como remadores conduzindo o barco para terras seguras. Mas o grupo que segurava as velas foi se destacando e tirando os remadores da jogada, conduzindo o navio na direção dos interesses próprios. Não tardou para se tornar perceptível que o navio havia perdido a força invisível, oriunda da vontade intuitiva dos remadores; o brilho de outrora foi sendo perdido e a nave Terra se acha doente e atormentada.

Os seres humanos abriram as entranhas do interior da Terra perfurando poços no fundo do solo e do mar, escavaram ouro destruindo montanhas, a beleza e a sustentabilidade. Despejaram sujeira e venenos no ar, no solo e nos rios e mares. A Terra derrama lágrimas de tristeza porque as riquezas foram extraídas, mas na superfície há destruição e miséria. A Terra está ficando doente por causa das feridas abertas. Os homens derramam sangue para obter riqueza e poder, e quando saem da Terra só levam na alma o registro do que fizeram de bem e de mal.

E, de novo, estão surgindo conversas e informações sobre o capítulo do Apocalipse constante da Bíblia, ou seja, o expurgo. Há muita simbologia e previsões difíceis de serem compreendidas, apontando para a difícil situação em que a humanidade se encontra, tendendo a dias ainda piores. A questão é: o que querem os seres humanos? O que querem os jovens para o futuro? É aí que está o problema, pois faltam propósitos e determinação; as pessoas estão levando o seu viver sem saber aonde vão chegar. O vazio existencial está se ampliando. A tecnologia avançou bastante, mas com o atraso no esperado desenvolvimento do espírito, o ser humano perdeu o rumo e se encontra em meio a uma crise emocional sem precedentes, sem saber como voltar à normalidade.

Destruição, guerras, misérias e sofrimentos têm sido semeados ao longo do tempo pela humanidade. Não há inocentes. O conteúdo da obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, de Abdruschin (1875-1941), destina-se a dar aos seres humanos uma aproximação da realidade espiritual da vida, uma vez mostrada por Jesus, como meio de recuperar a inocência perdida, mas isso fica na dependência do querer e do esforço de cada indivíduo. É preciso que cada um de nós tenha suficiente força de vontade para recuperar a condição de ser humano espiritualizado.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

COMO AGIR NO SÉCULO 21?

No início do século 20, o Brasil já estava no regime republicano, com eleições para escolha do presidente e demais integrantes da gestão da nação. No geral, tivemos um período marcado por grandes guerras, lutas sociais e culturais, e uma grande mudança na percepção dos seres humanos sobre o significado da vida. O Brasil passou a contrair mais dívidas externas, e na medida em que ia pagando, mais dívidas foram surgindo. A população era calma. A economia era frágil, voltada para a agricultura de exportação, as pessoas e as famílias viviam influenciadas pela igreja, pelo rádio e, em menor escala, pelos jornais e revistas.

Terminada a primeira grande guerra mundial, a Europa tentava desenvolver um período de reconstrução, enquanto a Alemanha se arrastava diante da dívida de guerra. Nos Estados Unidos estavam se formando as condições para a grande crise de 1929 que abalou a insípida economia global. No Brasil e América do Sul, a situação também se arrastava.

E veio a segunda grande guerra mundial. Miséria para todos os lados. Alemanha e Japão vencidos. Inglaterra e Europa arrasadas. E surgia o dólar trazendo novas esperanças e ilusões. Na América Latina, o clima era de quintal dos outros, como até hoje. Argentina fornecia carne; Brasil, café e açúcar. No restante, minérios especiais como prata e cobre. Os poderosos querem as riquezas e mais poder. América Latina e África ainda são quintal dos outros com a colaboração de políticos e suas negociatas.

Com o fim da segunda grande guerra, novas esperanças acendiam nos corações aflitos. As pessoas eram sentimentais, criavam fantasias mentais, mas ainda havia um pequeno vestígio de intuição, ou seja, a voz do espírito, que dava um pouco de leveza. Isso foi até aos anos 1970. Poderia ter havido uma guinada qualitativa da humanidade voltada para a espiritualidade, pois tudo apelava para isso.

Eis que surgiu a televisão com sua força avassaladora sobre as mentes de adultos e crianças, e dependia de todos a direção que seria dada. Em vez de um incentivo ao aprimoramento mental e espiritual, venceu a manipulação. As pessoas queriam lazer, diversão, vida mansa. E tudo isso veio no pacote que incluía desinformação e consumismo. A venda de tudo foi crescendo, até dos cigarros, nocivos para a saúde. As novas gerações iam emburrecendo, o marketing político definia os candidatos vencedores.

No século 21, a humanidade se apresenta apática, sem força de vontade, desanimada, agindo como robô. Mas novas guerras estão se inserindo no cenário, roubando a paz, trazendo inquietação e sofrimentos. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um processo insustentável.

Quem se habilita a reconhecer os estragos promovidos pela própria humanidade? Falta coragem e humildade para que haja o reconhecimento dos erros e a escolha do caminho adequado à espécie humana. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo sob a luz da verdade é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. As tragédias e sofrimentos são o derradeiro chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si, e então optar conscientemente pelo rumo certo que eleva a própria espécie.

O século 21 está se caracterizando por um intenso avanço tecnológico, inversamente ao declínio moral e espiritual. A inquietação e a ansiedade são o denominador comum, e isso vai deixando os indivíduos estressados, incapazes para realizar reflexões intuitivas nos momentos de folga. Os seres humanos estão sendo arrastados pelo relógio acelerado do tempo, deveriam resistir e fazer pequenas pausas, sempre que puderem, para avaliarem a forma áspera como estão vivendo e perceberem que têm de buscar uma sadia mudança de rumo.

 

E SURGIU O ESTADO-NAÇÃO

Olhar a história é fundamental, pois ela contém muitas situações críticas que formaram a situação atual. Como dizem os cientistas atômicos: o relógio do juízo final está próximo das 12 horas. A humanidade se apegou ao dinheiro, gerando a concentração da riqueza. A desigualdade na participação da riqueza produzida e a polarização são o resultado. Cerca de 1,8 bilhão de jovens olham assustados para o futuro. A humanidade precisa de renovação e da busca pelo saber da finalidade da vida para se colocar no lugar que lhe cabe.

No passado, havia subordinação à igreja e ao rei. E surgiu o Estado-nação capacitado para criar dinheiro, mas os governos se tornaram entreguistas, gastadores vorazes, endividaram as nações, sempre sequiosos para elevar a carga tributária. Os governos gastam muito e vão criando dinheiro e dívidas. Os especuladores jogam e põem as finanças em risco. Para segurar o caos, os governos emitem mais e aumentam a dívida. Onde isso vai levar? O Estado-nação, em sua soberania, se tornou um ente pesado, difícil de governar, perturbando a economia. Supõem-se que ajustes estão sendo gerados. O que virá agora?

Há milênios os tiranos cobiçam riqueza e poder. No topo, os mandantes; abaixo, as massas dormentes sem direitos, só obediência às regras e vida rasteira. É a fatalidade da vida cômoda sem reflexões sobre o sentido da vida. É a sina das massas indolentes, a subordinação cega.

O novo Papa tem uma questão difícil para resolver sobre os déficits financeiros do Vaticano. Para sustentar os gastos é preciso que haja receitas. De onde vem e para onde vai o dinheiro? A crença numa vida única muitas vezes reforça comportamentos imediatistas, centrados no materialismo, no dinheiro e na satisfação pessoal. Sem uma perspectiva mais ampla, os princípios mais elevados, como responsabilidade, aprendizado contínuo e conexão espiritual, permanecerão abandonados, criando passivo espiritual ao lado do financeiro. Enquanto o ser humano continuar sendo direcionado para a crença de uma vida única, tudo permanecerá difícil, atendendo aos interesses egoísticos, o que dificulta o reconhecimento da realidade espiritual.

Os seres humanos têm uma existência limitada há alguns anos, isso deveria despertar o anseio pela busca do “Procurai e Achareis”; isso é fundamental para que não se percam no emaranhado das cobiças e vaidades. Como agirá o sucessor do Papa Francisco? O que fará com os tabus? Como agirá com as novas gerações? Esperemos que busque a renovação de teorias sem base nas leis universais da Criação, isto é, sem naturalidade. A finalidade da vida deve ser a elevação espiritual sem causar danos a outros devido às cobiças.

A questão fundamental é que o futuro da humanidade depende da direção que as novas gerações vão dar à própria vida, e do jeito como está indo não é nada animador. Atualmente, os jovens não aceitam mais a crença sem análise, algo que ficou complicado tanto na religião como na vida mundana. O ser humano sente que precisa da lógica e coerência, mas o saber ficou restrito a ponto de não saber mais o que é masculino e feminino, tendo perdido o saber da real finalidade da vida. Não há o que estranhar se os jovens se sentem perdidos e sem rumo.

A humanidade afundava na escuridão. Jesus, o Amor de Deus, veio para religá-la com a Luz da Verdade. O anticristo, através de seus asseclas, tem detonado tudo. Jesus prometeu para a época das atribulações a vinda do Filho do Homem, trazendo aumentada força da Luz. Oitenta anos depois da grande guerra mundial, a humanidade se acha mais próxima do abismo, sente as dores, mas sem se esforçar na procura pela Luz, nada encontrará. Para que haja paz entre os homens de boa vontade é fundamental o reconhecimento da realidade espiritual da vida e, para isso, o ser humano precisa sair do marasmo mental e espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

BRASÍLIA NA VISÃO DE DOM BOSCO

Ao se aproximar das terras do Brasil disse Cabral: esta é a Terra de Vera Cruz. No século XIX, Dom Bosco teve um sonho em que um anjo lhe mostrava uma região entre os paralelos 15° e 20º que se tornaria uma grande civilização rica e próspera. A capital do Brasil foi fundada exatamente nessa área geográfica. “O Brasil é um país escolhido para ser um centro de espiritualidade, uma ancoragem da Luz da Verdade, cujas irradiações encerram auxílio e salvação.” (Roselis von Sass, Revelações Inéditas da História do Brasil).

Na América do Sul, os europeus apareceram a partir do ano 1500, em busca de ouro. Assim foi sendo explorado tudo e todos. Aqueles que foram libertados do trabalho escravo não encontraram oportunidades de subsistência digna. O país do futuro não deu certo. Ganância externa e interna travaram a nação e seu povo. Todo potencial foi brecado. A precariedade tomou conta e a população, em sua vida difícil, permanece sendo enganada e iludida, sem bom preparo para a vida. Quando o Brasil vai sair desse marasmo?

No passado, falava-se sobre os princípios universais, mas com a financeirização da vida e do poder, passaram a valer os interesses financeiros. A produção fabril perdeu espaço, mas a China, com preços menores, se tornou forte na economia real e finanças, inviabilizando a competição ocidental.

A questão do dinheiro e seu lastro não está clara. O dinheiro se amplia através de ganhos e valorizações dos bens, então como fica o lastro? Quem deve ser o responsável pela criação e controle? Há muitas manobras oportunistas e especulativas. EUA cria dólares e tira proveitos. As demais nações se tornaram dependentes. A China, com custos baixos, acumulou reserva financeira e atua de forma global. A humanidade ainda não encontrou a forma sadia de criar dinheiro,

No passado, havia o sacerdote rei que agia com justiça seguindo as leis universais da Criação. A decadência espiritual foi introduzindo tirania, despotismo, cobiças de poder e riqueza que envolve várias esferas do poder. Vieram as monarquias, o Estado-nação, o capitalismo de mercado e o capitalismo de Estado. A democracia republicana estagnou e retrocedeu em vez de evoluir para formas justas e equilibradas de governar o destino da humanidade. Diante disso, a Terra se encontra caótica com o avanço de tumultos e do direito da força, contrária à vida e sua finalidade.
A situação é grave. A classe média já era porque a renda do trabalho fica estagnada e vai baixando, perdendo poder aquisitivo. Tudo arrasta para a acomodação. Tudo vai nivelando por baixo. As pessoas estão sem energia, se queixando da vida que levam, do emprego que têm e tudo o mais. Estamos na grande colheita, hora de se movimentar, sair da estagnação e agradecer por tudo.

Há séculos a humanidade vem perdendo o rumo, espalhando com suas ações muitos estopins com fogo pela Terra. Não se sabe onde e quando vão detonar. Descontentes com os conflitos, muitos seres humanos de cérebro grande esqueceram a alma, são ateus. As novas gerações, desanimadas, não sabem para que nasceram. E tudo isso surgiu dos conceitos errados sobre a vida e sua finalidade. As pessoas têm que se libertar dessa condição.

Os seres humanos se afastam da alma, e perdendo a essência espiritual, vão se transformando numa coisa que não cumpre a finalidade de sua existência, mas com seu querer e suas ações vão produzindo o caos que tende ao limite extremo. Infelizmente a situação é essa. Teorias e ideologias camuflam as reais intenções alimentadas pelas cobiças de poder e dinheiro, impondo seus objetivos. As autoridades conhecem bem as consequências da dívida pública, mas por que não se movem para mantê-la sob controle?

Estar vivo é a grande oportunidade de superação, mas exige coragem e perseverança. Se a pessoa tem um emprego que não é bom deve agradecer, pois é o que está colhendo. Tem de se aplicar e reconhecer. Nesse esforço, com certeza lançará boas sementes que se tornarão colheita. Assim deve ser com todos. Pais, filhos avós. A humanidade caiu na indolência e estagnação, tudo empurra para a moleza, mas tem de ser forte, se esforçar, evoluir visando a melhora das condições gerais de vida. É preciso buscar a Luz da Verdade para não cair no abismo da autodestruição.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br