DESARRANJO NA ECONOMIA GLOBAL
A economia enfrenta desafios que se somam. Sem dinheiro, nada se pode fazer e ele tem seu custo. A atividade precisa gerar um retorno que pague seus custos e tenha uma sobra para pagar o custo do dinheiro e a devolução do valor tomado como financiamento. Tudo ia caminhando, mas com a entrada da China no mercado com preços menores, os impactos não tardaram a surgir, e produzir no ocidente deixou de gerar ganhos.
Mesmo com a volatilidade, muito dinheiro foi direcionado para o mercado financeiro. E surgiram as guerras encarecendo o custo da energia, ampliando o desarranjo econômico e financeiro. Já se percebe que a situação requer mais do que simplesmente mexer na política monetária e cambial, mas não está fácil encontrar soluções que promovam o equilíbrio econômico global para propiciar paz e progresso entre os povos.
Quando surgiu o Estado-Nação houve uma esperançosa reação do povo descontente com o poder absoluto dos reis. Mas o que fez o Estado-Nação ao longo do século 20? A julgar pela qualidade de vida, observa-se estagnação e retrocesso. Quando surgem as conversas sobre as tais novas ordens mundiais não fica claro o que se passa. Os donos do poder estão saturados do domínio da classe governante do Estado-Nação, e querem acabar com isso para criar zonas livres da interferência governamental, de modo que o capital atue livremente sem ter que se submeter ao emaranhado de leis e ao policiamento estatal, mas isso é complicado para ser implantado, a menos que o Estado-Nação perca o rumo totalmente, o que pode gerar crises internas, de econômicas a sociais, financeiras, educacionais e de segurança, o que já vem acontecendo.
O homem é o lobo do homem. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca, e não esse salve-se quem puder atual. No geral, a situação do Estado-Nação se complica, a começar pela corrupção administrativa e o avanço do poder econômico. Agora grupos clandestinos com elevado potencial financeiro estão ingressando no mercado com muito dinheiro. A governança vai se fragilizando. O poder paralelo se fortalece. As nações se enfraquecem. O dinheiro público, oriundo da arrecadação e empréstimos, continua sendo mal gerido e está sumindo. O Estado-Nação vai se desestruturando. Como restabelecer o bom ordenamento da gestão pública que conduza ao progresso sadio?
A exemplo do que aconteceu no passado, parece que a China criou uma nova Companhia das Índias Globais para captar matérias-primas e consumidores. O fato é que a transferência da produção fabril para a China criou o maior superávit comercial, gerando um desequilíbrio global. As nações democráticas abusaram das finanças e acabaram perdendo o seu padrão salarial. Agora há salários baixos, lojas fechando, dívidas crescendo e não se sabe como isso vai ficar. Os EUA se apressam na busca para recuperar o equilíbrio.
A descoberta do Brasil representava uma alternativa para escapar da Europa corrupta e para ser um lar para desenvolvimento dos seres humanos. Logo surgiram os inimigos. A imperatriz Leopoldina sofreu várias tentativas de assassinato. Em 1822, o país alcançou a independência política. Mas não tardou a surgirem os inimigos. Em 1889, ocorreu um golpe e o Brasil entrou numa rota de decadência da qual não conseguiu se livrar.
Há uma forte discussão sobre o regime de trabalho 6×1, seis dias de trabalho, um de folga. Conflitos e desentendimentos no trabalho se arrastam há milênios. Se antes envolvia patrões e empregados, hoje envolve o Capitalismo Ocidental, o Capitalismo de Estado, o governo, os sindicatos. Superado o desumano regime escravocrata, o egoísmo e as cobiças perturbaram o desenvolvimento natural e equilibrado, e o relacionamento justo entre empresários e trabalhadores. Não deveria ser assim. A humanidade forma um conjunto que deveria atuar em harmonia em função da finalidade da vida.
A população da Terra está calculada em 8 bilhões de almas encarnadas, mas por que chegou a esse número? O espírito humano veio para a Terra para se desenvolver e retornar à origem, mas enredou-se e teve de voltar muitas vezes acima do que seria necessário, aumentando a população. O Juízo Final é o tempo do balanço e do expurgo. Se os seres humanos cumprissem a sua tarefa, a vida na Terra seria paradisíaca e não esse áspero salve-se quem puder atual.
*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br










