Posts

AMÉRICA LATINA – COMO CHEGAMOS AO 6 A 4

Depois de 120 minutos de sufoco da equipe da Argentina contra Espanha, fiquei pensando no atraso do Brasil e da América Latina. Vamos aproveitar o futebol para fazer um resumo desses mais de 500 anos, até chegarmos ao 6 a 4. O jogo, com toda a sua dramaticidade, paixão e reviravoltas, é a metáfora perfeita para a nossa complexa história econômica e social; é a cara da América Latina. Afinal, se o placar contra a Europa hoje nos parece desfavorável, o jogo é longo e a bola ainda está rolando. A Argentina não conseguia ultrapassar a defesa da Espanha. O mesmo acontece com a América Latina que não consegue ultrapassar as barreiras econômicas.

Foram sociedades latino-americanas moldadas pela enorme desigualdade, com base no trabalho escravo e no latifúndio. Esse “estilo de jogo” centralizou o poder e a riqueza, criando uma base frágil para o desenvolvimento interno. Mais de 300 anos jogando trancados na defesa, exportando ouro, prata e açúcar. As regras foram ditadas pelo adversário. A riqueza gerada financiou a infraestrutura dele, enquanto ficamos com a desigualdade. Entramos em campo com a tática imposta de exportar matéria-prima e importar manufaturados, consolidando uma base de profunda desigualdade.

Esses países foram a grande “fazenda” e a “mina” da Europa (ouro, prata, açúcar, café). Enquanto a Europa acumulava capital para sua futura industrialização, a América Latina se especializava em exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados. O “atraso” da América Latina é o reflexo da sua inserção histórica global como fornecedora de recursos de baixo valor e consumidora de alta tecnologia.

Brasil, Argentina e México tentaram mudar a estratégia com a “Substituição de Importações” (produzir internamente o que antes era comprado fora). No século 20, o Brasil contava com população majoritariamente jovem e um mercado interno gigantesco. Foi o momento em que foram criadas indústrias de base, mas ainda dependendo de tecnologia estrangeira. Instabilidade política crônica, golpes de Estado e ditaduras mantiveram o atraso.

Conquistamos a independência política, mas mudamos apenas de “técnico”, mantendo a dependência econômica e a instabilidade no vestiário. Tentamos propor o jogo com a industrialização, mas tomamos o gol de contra-ataque nos anos 1980, quando os juros americanos de 20% explodiram nossa dívida e nos empurraram para a hiperinflação.

O Plano Real estabilizou o time, domou inflação, mas o uso prolongado do dólar artificialmente barato cobrou o seu preço, funcionou como um “carrinho por trás” na nossa própria indústria, que nunca se recuperou totalmente. O boom das commodities trouxe dinheiro rápido, mas aprofundou a desindustrialização. Voltamos a ser o grande fornecedor de recursos brutos, perdendo espaço na corrida tecnológica global.

O Brasil entra em campo neste ano eleitoral sob forte incerteza, precisando decidir se continuará jogando na retranca da dependência de commodities ou se desenhará uma nova estratégia focada em educação e tecnologia para parar de tomar gols do exterior. Chegamos ao ano eleitoral no meio do fogo cruzado entre EUA e China pela busca das terras raras e disputa pela moeda global. A velha sedução das massas feita pelos marqueteiros políticos na TV evoluiu. Hoje, o jogo é ditado pela guerra de algoritmos e redes sociais. Na arquibancada, as massas, anestesiadas pelas redes sociais e capturadas pelas ilusões, sofrem um esvaziamento existencial, apostando a sobrevivência no azar. O apito de 2026 é dramático. As massas, sem bom preparo, estão agora com foco nas bets e nos prazeres.

Ignorando a finalidade da vida, a humanidade não consegue segurar o desmanche. Muitas coisas que estão acontecendo atualmente fazem parte do jogo competitivo China/EUA. Para obter melhoras, um povo tem de estar consciente de que está vivendo em situação precária, que não é o viver apropriado para a espécie humana. Uma população que luta diariamente contra o endividamento, sem tempo para o pensamento crítico e capturada por telas, não reúne forças para formular um projeto de nação de longo prazo.

Para que ocorra uma mudança real, a sociedade precisa romper o estado de anestesia provocado pelas redes sociais, pela polarização política cega ou pelos vícios, e atingir a autoconsciência de que o nível atual de sobrevivência não é digno da espécie humana. Resultado final: o placar de 6 a 4 reflete que, apesar de termos recursos naturais vitais e criatividade de sobra, estamos perdendo o jogo por falta de empenho na construção de um projeto tático de longo prazo. A reversão desse quadro não virá de um “salvador da pátria,” mas sim do resgate da consciência dos indivíduos e da humanidade no sentido de que o gol é alcançar o desenvolvimento humano pleno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O SANTO GRAAL NA HISTÓRIA

Provavelmente muitas pessoas conhecem o Santo Graal como o cálice sagrado da Última Ceia ou como o segredo de uma linhagem de sangue oculta, popularizada por Hollywood e best-sellers como O Código Da Vinci. Mas, e se a história que nos contaram estiver olhando para o lugar errado?

O Santo Graal atravessou séculos como o símbolo máximo do inacessível. Curiosamente, essa mística é tão poderosa que transbordou a literatura medieval e invadiu o nosso vocabulário contemporâneo. Hoje, em artigos jornalísticos, ensaios científicos e discussões acadêmicas, a expressão “o Santo Graal” é frequentemente usada de forma figurada. Fala-se do “Santo Graal da física”, ou como sendo algo extraordinário em qualquer campo da atividade humana.

A essência literária e mística do Graal, chamado na antiguidade de o cálice da vida, está conectada à jornada de autoconhecimento, à cavalaria arturiana e ao esoterismo dos Templários do que à crucificação de Jesus. A ligação com o sangue de Cristo foi uma roupagem posterior criada para assimilar um mito que já era extremamente poderoso e antigo.

A civilização celta começou a se expandir pela Europa Central e pelas Ilhas Britânicas por volta de 1200 a.C., ou seja, há mais de 3.200 anos, mas na realidade o conhecimento do Graal é bem anterior, porém faltam dados históricos que comprovem isso. Segundo Sirona Knight, no livro Explorando o Druísmo Celta: “O cálice representa o caldeirão mágico, o Graal, a fonte da vida e o poço da inspiração”. Quando o escritor francês Chrétien de Troyes escreveu a primeira obra sobre o tema em 1180 (Percival ou o Conto do Graal), o objeto não rinha relação com o cálice da época de Cristo.

Na busca do Rei Arthur, o Graal foi definido como o “Símbolo da plenitude espiritual”. A busca dos cavaleiros da Távola Redonda era um teste de caráter, honra e maturidade espiritual. Encontrar o Graal significava restaurar a ordem cósmica e a justiça no reino de Arthur.

A conexão com a Ordem dos Templários ganhou força no início do século XIII através da obra Parzival, de Wolfram von Eschenbach. Através do autor Robert de Boron, anos depois de Chrétien de Troyes, a Igreja e a literatura fundiram essa relíquia dita pagã com o cálice de José de Arimateia, numa estratégia medieval comum para absorver os mitos celtas e bretões que o povo se recusava a esquecer.

A teoria do “Porto Graal”, dos Templários, que teria gerado o nome do país (Portus Cale, cuja tradução seria Porto Graal), deu origem a Portugal. Uma leitura esotérica defende que os Templários não buscavam um objeto mágico, mas sim algo mais elevado ligado com a cruz isósceles, a vera cruz.

Os poetas foram inspirados, mas misturaram fantasias. Dan Brown, em Código Da Vinci, criou uma ficção bem articulada, mas irreal. Restaram os templários, que teriam criado o Porto Graal, e talvez estivessem mais perto da verdade.

É na perspectiva espiritual trazida por Abdruschin que o mistério do Graal encontra sua explicação mais grandiosa e despida de fantasias humanas. Na Mensagem do Graal, Abdruschin explica que o Pentecostes é o envio da Força Espiritual, partindo da esfera Divina, chegando para toda a Criação através do Supremo Templo do Graal. É o momento em que ocorre a Renovação da Força na Criação. Trata-se de um jorro de energia cósmica pura vindo diretamente do Divino, indispensável para manter a vitalidade da Criação em movimento, expandida e viva.

É um Fenômeno Cíclico que se repete de tempos em tempos, como o dia da efusão de forças. O evento narrado na Bíblia, com a participação dos discípulos, foi o reflexo físico desse jorro que atinge toda a Criação de forma perfeitamente natural. O Santo Graal é a realidade viva, o elevado e inacessível ponto de transição entre o Divinal e a Criação. Uma taça onde borbulha a energia da vida, a fonte primordial de onde emana a força divina, pura e vivificante que sustenta o universo inteiro. Sem essa radiação, o cosmos simplesmente teria de definhar, pois ela é a energia vital que sustenta a Criação.

Obs.: Este artigo foi escrito com a colaboração do Gemini, a IA do Google.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

NÃO SE TORNE ENGRENAGEM, SEJA HUMANO

Vivemos uma era de transformações profundas, de aceleração e incertezas. O trabalho está se transformando e nós, com ele. Não se torne uma engrenagem entre máquinas e metas, seja humano.

Vivemos tempos em que a lógica da eficiência e a aspereza ameaçam engolir o sentido da vida. Tudo é meta, tudo é entrega, tudo é urgência. Mas há algo em nós que não cabe nessa engrenagem. Algo que sente, que intui, que resiste. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, a pressão cresce. Tudo se move com velocidade, mas, muitas vezes, o sentido se desfaz no caminho. Neste cenário, preservar a humanidade nas relações de trabalho deixou de ser uma escolha: tornou-se um ato de resistência.

A lógica da eficiência, quando levada ao extremo, tende a esvaziar o espaço do encontro. Pessoas passam a funcionar mais do que a conviver. É preciso realizar o trabalho sem perder a humanidade. E quanto mais a atividade se mecaniza, mais aqueles que raciocinam com profundidade, que intuem, sentem, refletem, se ressentem.

Não se torne engrenagem entre máquinas e metas. Há uma diferença entre funcionar e viver. Entre cumprir tarefas e realizar um propósito. Entre competir e colaborar. Não é só sobre salários ou formatos híbridos com trabalho presencial ou remoto. É sobre a tensão interior de trabalhar em ambientes onde propósito e pertencimento foram substituídos por metas frias e relações frágeis, muitas vezes de aparências enganadoras.

E há ainda o desencontro que se aprofunda; o que as empresas querem nem sempre dialoga com o que as pessoas buscam. As organizações pedem resultado, agilidade, resiliência. Os colaboradores pedem escuta, sentido e condições dignas de atuar. Quando esses propósitos não se alinham, surgem desentendimentos. E quando esses desentendimentos são ignorados, surgem rupturas. Essa é a situação atual que envolve competição, disputas e lutas por riqueza e poder.

Mas em meio à pressão por resultados, metas e inovação, não podemos esquecer que é possível, sim, seguir adiante sem cair, nem empurrar o outro que caminha ao lado. Puxar o tapete do outro para se beneficiar não significa crescer.

Resistir, hoje, é também agir com ética. É recusar o cinismo do falso profissionalismo daqueles que cobiçam o poder acima de tudo. É afirmar, com convicção, que cuidar das relações no trabalho não é ingenuidade, é maturidade. É possível evoluir sem ferir, competir sem derrubar, inovar sem desumanizar. Mas no atual viver áspero é importante ser prudente e estar vigilante sobre o que se passa ao nosso redor e tomar decisões defensivas.

O trabalho sempre fez parte da vida humana. A natureza oferece tudo, mas requer trabalho. Lavradores, mineiros, artesãos, técnicos, especialistas. A produção em larga escala, a automação, a busca do máximo ganho com mínimo custo, tudo foi gerando transformações tecnológicas e organizacionais, mas acarretando a perda silenciosa de significado, gerando o vazio existencial.

Na atual aspereza da vida tudo depende do computador e das máquinas. Os seres humanos se tornaram um número, perderam a essência e o bom senso. Desumanização. A alma foi isolada e o cérebro não está suportando tanta pressão. Colapso mental. Os seres humanos perderam o rumo, e não conseguem achar soluções.

A indolência mental e espiritual e a aversão à reflexão nos empurram para respostas rasas, incompletas. Analisar e refletir intuitivamente dá trabalho, mas esse trabalho interior é como a santificação das horas de descanso que nos protege da mecanização insensível. Porque, no fundo, humanizar não é retroceder; é a única forma de evoluir com sentido, buscando caminhos produtivos e realizadores. É o que nos permite não apenas trabalhar, mas viver com inteireza, de corpo e alma. Tudo conspira contra. O grande desafio desta época é seguir em frente, sem deixar de ser verdadeiramente humano.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A PALAVRA DE JESUS HOJE

Em meio a tantas informações negativas, falsas ou verdadeiras, a humanidade mostra desânimo com tantos conflitos e precisa de uma pausa para ser aproveitada, um tempo para profundas reflexões antes que seja tarde demais. Observa-se uma exaustão coletiva, algo que muita gente ao redor do mundo está sentindo. Quando um conflito se arrasta, quando as informações se contradizem, quando cada notícia parece pior que a anterior, a humanidade entra num estado de suspensão e não consegue resolver conflitos sem usar violência. Faltam palavras e gestos nobres.

Estamos vivendo momentos decisivos. Para aqueles que merecem, uma pausa para refletir sobre a vida surge como uma oportunidade, talvez derradeira, o “Ser ou Não Ser”. Temos a capacitação da livre resolução, o sim ou não, mas o intelecto é restrito, não enxerga além e, dessa forma, não vislumbra o todo, o grande valor da vida para o espírito humano, e assim permanece preso a muitas ações em desacordo com as leis da vida. Sem clareza, poderá continuar errando, tomando decisões destrutivas.

Em sua restrição, o intelecto não enxerga o todo, gerando o dilema que acompanha a humanidade desde sempre: a liberdade de escolher, mas sem a intuição ativa, vai agindo sem dar muita atenção às consequências. Muitas pessoas não compreendem as leis da vida, e por isso tomam decisões que parecem racionais no curto prazo, mas são devastadoras no longo.

Estamos sendo confrontados com a pergunta: “vocês querem continuar existindo como espécie consciente, responsável, ou preferem repetir ciclos de declínio moral e destruição?”. Ainda há a possibilidade de fazer escolhas, mas tudo está estreitando. O que vemos hoje no mundo é liberdade sem lucidez, poder sem responsabilidade, inteligência sem sabedoria.

Os homens acreditam em suas capacitações e dificilmente reconhecem seus erros com humildade, e isso representa o gatilho da tragédia humana. Não querem atender às leis da vida, mas com seu ego astucioso não vacilam em manter contato com o mal desencadeando destruição na ilusão de que assim terão mais poder. A recusa em reconhecer limites morais, espirituais e naturais é o que empurra a humanidade para o abismo. O momento é de escolha decisiva e de arcar com as consequências. Falta um salto moral e espiritual.

É algo que muitos sentem, mas poucos conseguem expressar com essa nitidez. Falta lucidez e sinceridade. A humanidade só avança quando tem coragem de olhar para o próprio estrago, reconhecer o erro e escolher um caminho diferente. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. É um chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si.

As cobiças por poder já dominavam o mundo quando Jesus veio, trazendo Luz e Verdade para a humanidade que havia caído nas ciladas das trevas subordinadas ao anticristo. Os Discípulos de Jesus se esforçavam, expondo a própria vida na divulgação dos ensinamentos recebidos sobre a Vontade de Deus, até hoje pouco compreendida, embora os seres humanos sempre digam: seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no céu.

Os primeiros escritos sobre as Palavras de Jesus começaram a surgir anos após a crucificação, de memórias falhas, de compreensões erradas, de distorções do real sentido, até caírem no interesse dos imperadores romanos. Por séculos, o afastamento do ser humano de sua essência espiritual se foi consolidando, gerando um viver áspero e cruel, o que se observa nitidamente nas barbaridades cometidas por aqueles sem coração. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um inferno.

Abdruschin, autor de Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, obra esclarecedora da Palavra trazida por Jesus, explica na dissertação O Pai Nosso: “o ser humano desconhece a jubilosa gratidão de usufruir de modo alegre a existência consciente que lhe foi dada, coparticipando na grande Criação para o bem de seu ambiente, assim como é desejado por Deus ou por Deus com razão esperado! Tampouco pressente que é justamente isso, somente isso, que contém seu próprio e verdadeiro bem, seu progresso e sua ascensão.”

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

OS SÁBIOS DA SUMÉRIA E A HUMANIDADE

Os sábios da Suméria buscavam a integração do ser humano com as leis universais da Criação. Mantinham escolas para orientar os habitantes procedentes de vilarejos distantes, assim como enviavam sábios que auxiliavam as pessoas a se tornarem verdadeiros seres humanos, fortes e corajosos beneficiadores da vida e da natureza. Os indivíduos queriam desenvolver e fortalecer o espírito e alcançar o aprimoramento da própria espécie como a grande finalidade da vida. Foram os sumérios que receberam a incumbência de construir e gravar na Grande Pirâmide do Egito a trajetória declinante escolhida pela humanidade. Os sumérios foram o povo mais desenvolvido espiritualmente sobre a Terra.

No entanto, as trevas sob o comando de Lúcifer, queriam o oposto disso, queriam tornar os seres humanos inúteis e imprestáveis para que se perdessem. Com mentiras e falsidades, criou-se a falsa felicidade, afastando as pessoas da Luz da Verdade, fortalecedora do espírito, promotora da verdadeira felicidade. Tudo conspira para transformar o ser humano em parte da máquina, com a essência espiritual inativa, restringindo a sua condição de ser humano.

Viemos para termos a oportunidade de desenvolver o espírito; isso requer várias encarnações, mas descuidamos disso e hoje colhemos as consequências. Indivíduos e povos, a exemplo da natureza, deveriam beneficiar, embelezar e evoluir. Estagnados espiritualmente, criaram um viver áspero e insustentável. Agora, na grande colheita, têm a oportunidade de reverter a decadência, ou aprofundá-la mais ainda.

Em vez de fortalecer o espírito, o ser humano se afastou de sua essência espiritual e foi se mecanizando progressivamente; dessa forma, não obteve mais energia e saberes procedentes de esferas mais elevadas que deveria aplicar na sua atividade. Por outro lado, tudo que maquinava com seu cérebro intelectivo não tinha força criadora, gerando aridez e aspereza.

É como se fosse uma galé, um antigo tipo de navio movido a remos e velas. Todos seriam como remadores conduzindo o barco para terras seguras. Mas o grupo que segurava as velas foi se destacando e tirando os remadores da jogada, conduzindo o navio na direção dos interesses próprios. Não tardou para se tornar perceptível que o navio havia perdido a força invisível, oriunda da vontade intuitiva dos remadores; o brilho de outrora foi sendo perdido e a nave Terra se acha doente e atormentada.

Os seres humanos abriram as entranhas do interior da Terra perfurando poços no fundo do solo e do mar, escavaram ouro destruindo montanhas, a beleza e a sustentabilidade. Despejaram sujeira e venenos no ar, no solo e nos rios e mares. A Terra derrama lágrimas de tristeza porque as riquezas foram extraídas, mas na superfície há destruição e miséria. A Terra está ficando doente por causa das feridas abertas. Os homens derramam sangue para obter riqueza e poder, e quando saem da Terra só levam na alma o registro do que fizeram de bem e de mal.

E, de novo, estão surgindo conversas e informações sobre o capítulo do Apocalipse constante da Bíblia, ou seja, o expurgo. Há muita simbologia e previsões difíceis de serem compreendidas, apontando para a difícil situação em que a humanidade se encontra, tendendo a dias ainda piores. A questão é: o que querem os seres humanos? O que querem os jovens para o futuro? É aí que está o problema, pois faltam propósitos e determinação; as pessoas estão levando o seu viver sem saber aonde vão chegar. O vazio existencial está se ampliando. A tecnologia avançou bastante, mas com o atraso no esperado desenvolvimento do espírito, o ser humano perdeu o rumo e se encontra em meio a uma crise emocional sem precedentes, sem saber como voltar à normalidade.

Destruição, guerras, misérias e sofrimentos têm sido semeados ao longo do tempo pela humanidade. Não há inocentes. O conteúdo da obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, de Abdruschin (1875-1941), destina-se a dar aos seres humanos uma aproximação da realidade espiritual da vida, uma vez mostrada por Jesus, como meio de recuperar a inocência perdida, mas isso fica na dependência do querer e do esforço de cada indivíduo. É preciso que cada um de nós tenha suficiente força de vontade para recuperar a condição de ser humano espiritualizado.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

COMO AGIR NO SÉCULO 21?

No início do século 20, o Brasil já estava no regime republicano, com eleições para escolha do presidente e demais integrantes da gestão da nação. No geral, tivemos um período marcado por grandes guerras, lutas sociais e culturais, e uma grande mudança na percepção dos seres humanos sobre o significado da vida. O Brasil passou a contrair mais dívidas externas, e na medida em que ia pagando, mais dívidas foram surgindo. A população era calma. A economia era frágil, voltada para a agricultura de exportação, as pessoas e as famílias viviam influenciadas pela igreja, pelo rádio e, em menor escala, pelos jornais e revistas.

Terminada a primeira grande guerra mundial, a Europa tentava desenvolver um período de reconstrução, enquanto a Alemanha se arrastava diante da dívida de guerra. Nos Estados Unidos estavam se formando as condições para a grande crise de 1929 que abalou a insípida economia global. No Brasil e América do Sul, a situação também se arrastava.

E veio a segunda grande guerra mundial. Miséria para todos os lados. Alemanha e Japão vencidos. Inglaterra e Europa arrasadas. E surgia o dólar trazendo novas esperanças e ilusões. Na América Latina, o clima era de quintal dos outros, como até hoje. Argentina fornecia carne; Brasil, café e açúcar. No restante, minérios especiais como prata e cobre. Os poderosos querem as riquezas e mais poder. América Latina e África ainda são quintal dos outros com a colaboração de políticos e suas negociatas.

Com o fim da segunda grande guerra, novas esperanças acendiam nos corações aflitos. As pessoas eram sentimentais, criavam fantasias mentais, mas ainda havia um pequeno vestígio de intuição, ou seja, a voz do espírito, que dava um pouco de leveza. Isso foi até aos anos 1970. Poderia ter havido uma guinada qualitativa da humanidade voltada para a espiritualidade, pois tudo apelava para isso.

Eis que surgiu a televisão com sua força avassaladora sobre as mentes de adultos e crianças, e dependia de todos a direção que seria dada. Em vez de um incentivo ao aprimoramento mental e espiritual, venceu a manipulação. As pessoas queriam lazer, diversão, vida mansa. E tudo isso veio no pacote que incluía desinformação e consumismo. A venda de tudo foi crescendo, até dos cigarros, nocivos para a saúde. As novas gerações iam emburrecendo, o marketing político definia os candidatos vencedores.

No século 21, a humanidade se apresenta apática, sem força de vontade, desanimada, agindo como robô. Mas novas guerras estão se inserindo no cenário, roubando a paz, trazendo inquietação e sofrimentos. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um processo insustentável.

Quem se habilita a reconhecer os estragos promovidos pela própria humanidade? Falta coragem e humildade para que haja o reconhecimento dos erros e a escolha do caminho adequado à espécie humana. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo sob a luz da verdade é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. As tragédias e sofrimentos são o derradeiro chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si, e então optar conscientemente pelo rumo certo que eleva a própria espécie.

O século 21 está se caracterizando por um intenso avanço tecnológico, inversamente ao declínio moral e espiritual. A inquietação e a ansiedade são o denominador comum, e isso vai deixando os indivíduos estressados, incapazes para realizar reflexões intuitivas nos momentos de folga. Os seres humanos estão sendo arrastados pelo relógio acelerado do tempo, deveriam resistir e fazer pequenas pausas, sempre que puderem, para avaliarem a forma áspera como estão vivendo e perceberem que têm de buscar uma sadia mudança de rumo.

 

BRASÍLIA NA VISÃO DE DOM BOSCO

Ao se aproximar das terras do Brasil disse Cabral: esta é a Terra de Vera Cruz. No século XIX, Dom Bosco teve um sonho em que um anjo lhe mostrava uma região entre os paralelos 15° e 20º que se tornaria uma grande civilização rica e próspera. A capital do Brasil foi fundada exatamente nessa área geográfica. “O Brasil é um país escolhido para ser um centro de espiritualidade, uma ancoragem da Luz da Verdade, cujas irradiações encerram auxílio e salvação.” (Roselis von Sass, Revelações Inéditas da História do Brasil).

Na América do Sul, os europeus apareceram a partir do ano 1500, em busca de ouro. Assim foi sendo explorado tudo e todos. Aqueles que foram libertados do trabalho escravo não encontraram oportunidades de subsistência digna. O país do futuro não deu certo. Ganância externa e interna travaram a nação e seu povo. Todo potencial foi brecado. A precariedade tomou conta e a população, em sua vida difícil, permanece sendo enganada e iludida, sem bom preparo para a vida. Quando o Brasil vai sair desse marasmo?

No passado, falava-se sobre os princípios universais, mas com a financeirização da vida e do poder, passaram a valer os interesses financeiros. A produção fabril perdeu espaço, mas a China, com preços menores, se tornou forte na economia real e finanças, inviabilizando a competição ocidental.

A questão do dinheiro e seu lastro não está clara. O dinheiro se amplia através de ganhos e valorizações dos bens, então como fica o lastro? Quem deve ser o responsável pela criação e controle? Há muitas manobras oportunistas e especulativas. EUA cria dólares e tira proveitos. As demais nações se tornaram dependentes. A China, com custos baixos, acumulou reserva financeira e atua de forma global. A humanidade ainda não encontrou a forma sadia de criar dinheiro,

No passado, havia o sacerdote rei que agia com justiça seguindo as leis universais da Criação. A decadência espiritual foi introduzindo tirania, despotismo, cobiças de poder e riqueza que envolve várias esferas do poder. Vieram as monarquias, o Estado-nação, o capitalismo de mercado e o capitalismo de Estado. A democracia republicana estagnou e retrocedeu em vez de evoluir para formas justas e equilibradas de governar o destino da humanidade. Diante disso, a Terra se encontra caótica com o avanço de tumultos e do direito da força, contrária à vida e sua finalidade.
A situação é grave. A classe média já era porque a renda do trabalho fica estagnada e vai baixando, perdendo poder aquisitivo. Tudo arrasta para a acomodação. Tudo vai nivelando por baixo. As pessoas estão sem energia, se queixando da vida que levam, do emprego que têm e tudo o mais. Estamos na grande colheita, hora de se movimentar, sair da estagnação e agradecer por tudo.

Há séculos a humanidade vem perdendo o rumo, espalhando com suas ações muitos estopins com fogo pela Terra. Não se sabe onde e quando vão detonar. Descontentes com os conflitos, muitos seres humanos de cérebro grande esqueceram a alma, são ateus. As novas gerações, desanimadas, não sabem para que nasceram. E tudo isso surgiu dos conceitos errados sobre a vida e sua finalidade. As pessoas têm que se libertar dessa condição.

Os seres humanos se afastam da alma, e perdendo a essência espiritual, vão se transformando numa coisa que não cumpre a finalidade de sua existência, mas com seu querer e suas ações vão produzindo o caos que tende ao limite extremo. Infelizmente a situação é essa. Teorias e ideologias camuflam as reais intenções alimentadas pelas cobiças de poder e dinheiro, impondo seus objetivos. As autoridades conhecem bem as consequências da dívida pública, mas por que não se movem para mantê-la sob controle?

Estar vivo é a grande oportunidade de superação, mas exige coragem e perseverança. Se a pessoa tem um emprego que não é bom deve agradecer, pois é o que está colhendo. Tem de se aplicar e reconhecer. Nesse esforço, com certeza lançará boas sementes que se tornarão colheita. Assim deve ser com todos. Pais, filhos avós. A humanidade caiu na indolência e estagnação, tudo empurra para a moleza, mas tem de ser forte, se esforçar, evoluir visando a melhora das condições gerais de vida. É preciso buscar a Luz da Verdade para não cair no abismo da autodestruição.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

SERES HUMANOS DESCARTÁVEIS

A indolência é considerada como preguiça, como a falta de disposição, inércia, apatia, moleza e falta de vontade para agir ou se esforçar. Em sentido mais amplo, trata-se da indolência espiritual, ou seja, é o espírito que deveria se interessar pela vida e seu significado, mas em vez disso fica flautando como a cigarra, jogando fora seu precioso tempo. Na indolência, o ser humano não se desenvolve, não alcança a posição que deveria, permanece estagnado pela falta de esforço pessoal, enquanto as condições gerais de vida vão perdendo qualidade.

Com o surgimento do dinheiro e do crédito, a economia global traçou novo rumo. Houve um raro momento de abundância, que logo cedeu lugar para a austeridade. Seja no ocidente ou na China a situação é semelhante. A produção tem sido feita com máquinas, materiais e mão de obra de baixo custo. A meta é produzir coisas vendáveis por valor superior ao custo, produzindo um excedente que se concentra. Fora isso, nada mais tem interessado à humanidade.

O capitalismo foi a maneira encontrada pelos homens para ampliar a produção, mas a prioridade foi direcionada para o ganho e a acumulação através do aproveitamento de mão de obra barata, surgindo daí o conflito entre o capital e o trabalho. Vários sistemas foram criados, mas em nenhum havia o propósito de eliminar o conflito. Faltou humanismo. Muita miséria foi produzida. A sociedade tem se desumanizado. Não há paz e progresso.

A riqueza produzida tem sido direcionada para produzir mais riqueza. Uma grande parcela é encaminhada ao mercado financeiro e vai inflando e aglutinando poder. A tecnologia avança, substituindo a mão de obra, e não se sabe o que fazer com as pessoas que ficarem fora do mercado de trabalho. Como obterão renda? A capacidade de produzir vai aumentando, mas a renda do consumidor está encolhendo. É preciso encontrar soluções que promovam o desenvolvimento dos seres humanos, antes que se tornem peças inertes, inúteis e descartáveis.

Uma parte dos ganhos poderia ser investida em melhoras gerais das condições de vida, e na premiação de colaboradores aplicados; isso sim seria a adequada contribuição social. O dinheiro circula em um sistema fechado de ativos financeiros, criando bolhas enquanto a economia real sofre com a falta de investimento e com a estagnação salarial.

A mais preocupante questão da humanidade é a indolência espiritual. Vivendo na Terra, cada indivíduo deveria se interessar pela vida e seu significado, mas em vez disso desperdiça seu tempo, correndo o risco de se tornar descartável. O trabalho faz parte da vida. A remuneração tem de ser condizente. Que a renda universal em estudos não se torne muleta incapacitante.

A força de vontade está cedendo lugar para a pasmaceira como resultado da cultura que prioriza o entretenimento fácil em vez das análises com profundidade. Em sua indolência, o ser humano deixa de ser o sujeito que beneficia o mundo, para se tornar o indivíduo que não conversa mais com o eu interior para entender a vida, e que passou a viver em função de estímulos vindos do exterior.
A arte reflete os valores da civilização. Quando ela se torna deprimente, focada na baixaria e em ideologias destrutivas, ela deixa de elevar a alma de forma intuitiva para se tornar o espelho da decadência.

O ano de 2026 está abrindo as portas, vamos em frente com firmeza e alegria. Mas o ano novo principia com sintomas adversos em várias regiões. Há a questão da Rússia que aperta a Ucrânia. Taiwan que se mantém como questão delicada. Os atritos no oriente médio se estendem até o Irã. E de repente também na América Latina afloram conflitos a partir da Venezuela, estagnada pelo governo forte.

Para assumir o comando da economia, o dólar passou por um longo processo, mas agora, após mais de 80 anos, está com doenças semelhantes às da libra no início do século 20. Um longo período não muda de forma brusca. A guerra econômica está se aprofundando, uma questão muito difícil envolvendo finanças, tecnologia e recursos naturais escassos. Tudo exerce influência. A moral vem primeiro, com papel fundamental. Há mentiras, cobiças e falsidades. A política segue essa linha. O reflexo disso tudo poderá levar a humanidade às portas do inferno.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

O CAOS ESTÁ SENDO CRIADO

No passado longínquo, havia o sacerdote rei que agia com justiça, seguindo as leis universais da Criação. A decadência espiritual foi introduzindo tirania, despotismo, cobiças de poder, e a riqueza que envolve várias esferas do poder. Vieram as monarquias, o Estado-nação, o capitalismo de mercado e o capitalismo de Estado, que atualmente está em visível confronto. A democracia republicana estagnou e retrocedeu em vez de evoluir para formas justas e equilibradas de governar. Diante disso, a Terra se encontra caótica com o avanço de tumultos e do direito da força.

Sem a sensibilidade intuitiva, o ser humano vai enrijecendo, agindo de forma mecânica, o que elimina alvos enobrecedores em toda a extensão. Restabelecer a sensibilidade intuitiva, isto é, a do coração, significa recuperar a empatia, e assim os objetivos da boa vontade surgem, unindo e fortalecendo o grupo.

O século 20 assinalou a efetiva separação do ser humano do seu “eu interior”, a sua alma, que com isso perdeu sua essência. O homem acabou sendo dominado pela razão, ou pelo raciocínio. Platão reconhecia que acima do corpo perecível paira a alma imortal. Toda estruturação vai se tornando mecânica, o homem também. É algo dito como governo tecnocrático, que vai desumanizando o ser em vez de aprimorar o eu interior.

O ser humano é espírito que dever ser um mediador para atrair Luz para a Terra, mas vaidoso, achando-se muito especial, quer ser a Luz, e com isso espalha escuridão em vez de atrair Luz para a Criação. A cada retorno do espírito para a matéria, o indivíduo vai ao encontro da moradia e das condições que teceu para si, que podem ser boas ou péssimas, a beleza disso é que pode reconstruir tudo com capricho.

Como chegamos a esta situação caótica? Ao longo dos séculos, o querer dos seres humanos foi sendo tecido por etapas: religiões, jacobinismo, darwinismo, nacionalismo, marxismo, fascismo, nazismo. A guerra fria foi o confronto entre o capitalismo e comunismo. No século 21, surge um novo capítulo, o confronto entre o capitalismo de iniciativa privada, dos Estados Unidos, e o capitalismo de Estado, da China.

No fundo, as ideologias ressaltam o poder do homem mais apto para vencer e dominar, com sua força e sua astúcia intelectiva. Nietzsche se encaixa nessa história, no final do século 19, como o pensador que denunciou os limites do racionalismo idolatrado pelos materialistas, e da frouxa moral vigente, propondo uma ruptura radical com os pseudovalores da modernidade. Ele propôs que o ser humano deve reencontrar sua alma criadora.

Provavelmente Darwin não havia pensado que os homens criariam o Darwinismo Social, uma ideologia do século 19 que aplicou, de forma inadequada, os conceitos de evolução e seleção natural das espécies às sociedades humanas. Queriam crer que a “sobrevivência do mais apto” justificaria desigualdades, o imperialismo, o racismo e a hierarquização de grupos, vendo a extinção de “sociedades inferiores” como parte do progresso natural, e sendo usado para justificar atrocidades como o escravagismo, o colonialismo e o nazismo.

O caótico momento presente resulta da falta de bom preparo das novas gerações para a vida e o trabalho. Sem essa formação, não há futuro condigno, permanecendo a espécie humana vivendo de ilusões e circo, afastada do significado da vida e suas leis naturais. Assim foram sendo construídas as ideologias que estão circulando no século 21, tendendo para estabelecer governo tecnocrático forte.

Nos anos 1930, Abdruschin lançou, na Alemanha, a sua obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, visando recolocar o ser humano diante das leis universais da natureza e da Criação. A obra é um chamado à responsabilidade individual, à verdade interior e à reconexão com o espiritual. Sua obra está disponível em vários idiomas para que os seres humanos possam se libertar dos conceitos errados sobre a vida. Enquanto muitos se perdiam em ideologias e guerras, Abdruschin apontava para a necessidade de, com simplicidade, clareza e naturalidade, sair das sombras e retornar à Luz, ao sentido maior da existência.

Apresentada em linguagem simples, clara e natural, a obra é indicada para todos que estão buscando um profundo entendimento da espiritualidade e da existência humana através da ótica das leis universais da Criação. É realmente uma obra que provoca reflexão profunda.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br