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TENDÊNCIA ELEITORAL

Bildad, o professor sábio de Sabá, dizia, com razão, que somente pessoas espiritualmente elevadas poderiam ter influências benéficas sobre os povos. Mas a história tem mostrado o contrário, guiando ao poder estadistas que não conduzem as nações para a situação esperada de paz e evolução. O ser humano encarna no meio da gestação. Nasce, cresce, se desenvolve, fica adulto, amadurece, fica idoso. O que isso significa? O que vivenciou, o que aprendeu, qual é o seu futuro? Muitos vivem uma vida estúpida, quase inútil, não fazem falta.

Quantos se perguntam: por que nasci? Qual é a finalidade da vida? Assim vão passando pela vida, jogando fora o tempo atrás de ninharias. Não evoluem, não resgatam, acrescentam novo carma. No meio, sempre há os que buscam o sentido da vida.

Desde Dom Bosco, muito se falava do futuro do Brasil como um ponto de uma civilização humana. Com o passar do tempo, pouco se ouviu sobre isso; o que aconteceu? Um futuro promovendo o desenvolvimento de ser humano só ocorrerá com o reconhecimento e respeito às leis universais da Criação, explicadas por Jesus com palavras simples e imagens, para mostrar os fenômenos da Criação.

Em meio à forte turbulência, tudo vai aparecendo. As ataduras estão caindo. O que estava oculto vai se tornando visível. As feridas estão aparecendo. A sociedade humana, nua, com seus tumores. Haverá cura? O engajamento estratégico entre os seres humanos visando o bem geral deveria mostrar todos juntos e integrados em alcançar o alvo. Cada um fazendo a sua parte, cada um auxiliando o outro em tudo que for possível. Cada um executando a sua parte com a energia da alma e o esforço do corpo. As realizações vão surgindo de forma continuada, como se fosse o Paraíso.

Estamos em meio à guerra cambial do fim dos tempos. Há interesses na desvalorização de moedas como o yuan e o iene. Na China, há interesse duplo, pois quer acumular dólares exportando produtos industrializados, mas também quer expandir o yuan global. O Brasil fez o oposto, valorizou, importou, desindustrializou.

Aparentemente, a economia global está a um passo de sério engasgamento. A China permanece produzindo muito, tendo na exportação o principal meio de escoar a sua produção, porque o seu mercado interno tem baixa renda e baixa disposição para consumir. Brasil e Europa, ainda com consumidores com uma parcela de renda, com fronteiras acessíveis, têm propensão a consumir, mas precisam de preços baixos e crédito. A questão é onde isso vai dar. O problema dos empregos e salários vai se espalhando pelas nações; até quando os países estarão aptos a importar e manter o equilíbrio econômico e social?

A Máfia Siciliana evitava contato com as autoridades, preferindo resolver as questões de honra e poder com as próprias mãos. Pode-se supor que atualmente a Máfia Global infiltra-se para ser a autoridade que administra o poder.

A situação das nações no século 21 é desesperadora. Problemas com déficits, dívidas, produção, desemprego, queda na renda. Uma herança de 40 anos de decisões fora do padrão, como a taxa de juros americanos de 20% nos anos 1980. Agora há a questão da população que está sem propósitos e perdendo a fibra. Filmes, seriados, vídeos, streaming, mostram a todo momento violência, indolência, decadência. O seriado Task, entre vários outros, talvez provoque alguma reflexão sobre como o viver está se precarizando. É preciso saber como a história da humanidade vai terminar.

Estamos diante de uma tendência de precarização geral das nações. Fábricas fecham. Empregos se reduzem. Salários ficam estagnados. Ano eleitoral. Em quem não votar? Nos candidatos que têm algo a ver com essa situação deplorável. A massa eleitoral tende a fugir dos culpados. Mas quem são eles? Cada grupo diz que o outro é o culpado; nessa contenda sairá melhor quem conseguir convencer a massa que o outro é o culpado. É trabalho para os marqueteiros eleitorais e a larga participação em todas as mídias. O conceito de eleição levará essa mancha, mas logo será esquecida.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

EFEITOS DOS DESEQUILÍBRIOS GLOBAIS

Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Como explicar a demora em sair do voo de galinha e dar uma arrancada na economia carente? Em países como o Brasil não há poupança, a baixa renda média é direcionada para o consumo. O investimento é pífio, pois não há interesse maior e o dinheiro excedente, assim como os capitais flutuantes, após o desfrute do diferencial da taxa de juro interno e externo, acaba sendo remetido para o exterior em vez de permanecer no ciclo produtivo. É a nova sangria que pereniza a crise. A liquidez global criou duas esferas, a da economia real que deveria ser a fundamental e a das finanças, que se move em vida independente, distante dos problemas e fins da própria humanidade.

Catástrofes da natureza e econômicas afligem a humanidade. São sinais pouco observados. Com a aceleração geral, o ser humano está perdendo a capacidade de refletir e analisar por si a vida e os acontecimentos que o rodeiam. No início do século passado houve um movimento para fortalecer o Estado como meio de suprir os déficits de capital e promover o desenvolvimento. No andar da carruagem, a classe política se foi aboletando na força do poder político, mas paulatinamente o Estado foi perdendo o poder econômico. Estrategicamente as alterações legais iam se infiltrando por convencimento ou imposição, reduzindo o poder do Estado.

Quem deveria ser forte é a população bem preparada para a vida, pois assim os indivíduos seriam autônomos, sabendo que em primeira linha dependem de si mesmos, de seus esforços, e não de um Estado paternalista que amolece a fibra individual. Essa é a fórmula para o Estado poder deixar de tutelar os cidadãos, e estes, por sua vez, estarão atentos para coibir abusos, seja dos gestores do governo ou das empresas.

Ao completar sessenta anos da comunidade europeia, a tradicional Europa deveria com sabedoria estar na frente, mas se tornou um centro de propagação de cobiças e enfrenta as fissuras das escolhas dos indivíduos. A humanidade se encontra longe de onde deveria estar. Algo muito complicado se formou nesses anos de globalização e simultânea fragilização do Estado e dos cidadãos. O sistema foi sendo gerado de improvisos, sem olhar para o futuro visando os interesses imediatistas. A disparidade de custos de produção entre Kuala Lampur, Malásia e Estados Unidos acaba gerando uma situação inusitada de precarização que não era alvo da ciência econômica. As regiões atrasadas que deveriam ter evoluído há mais tempo, agora provocam uma confusão salarial geral atraindo a precarização imposta por diferentes estruturas de remuneração da mão de obra. Dessa forma, em breve o caos será generalizado, e tudo que a humanidade esperava construir de qualidade de vida poderá cair por terra.

O alvo da civilização deveria ser a busca da continuada melhora das condições gerais de vida, como ideal a ser perseguido pela humanidade, desde o bom preparo das novas gerações, até aos cuidados com a preservação da sustentabilidade ambiental. Nisso todos deveriam estar cooperando: governo, empresas, universidades e população em geral.

O mundo se acha diante de ótima oportunidade para refletir sobre a situação da humanidade. O poder econômico na mão do Estado acaba solapando a liberdade, a responsabilidade e o discernimento próprio. Os homens do governo acabam se colocando como os donos da verdade e fazem o que querem para segurar o poder, se tornando, por fim, tiranos. Os homens das empresas também se sentem atraídos pelo poder agindo de forma a manter a população subordinada enquanto decidem de acordo com o que acham que seja o melhor.

Como equilibrar esse embate e promover o progresso com liberdade e responsabilidade, pois com o aumento da população acaba surgindo mais desigualdade? As novas gerações precisam querer ardentemente alcançar a melhora geral, e diante da concorrência global, que as empresas tenham condição de produzir, criar empregos e distribuir renda. Diante das limitações adversas impostas pelos interesses econômicos globais, falta ao Estado vontade e empenho para criar as condições para solucionar as questões básicas que atravancam o dinamismo da economia e a melhora geral, mantendo a humanidade estagnada.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”; “2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7