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TRIBUTAÇÃO: É MELHOR IMPORTAR OU FABRICAR?

A imprensa informa que diariamente entram nos Estados Unidos um bilhão de dólares de mercadorias importadas da China. Em outras nações também há um expressivo volume de importações. A balança comercial revela a existência de desequilíbrio econômico global forte e será difícil obter mudanças. Se nada for feito, as nações cairão na precarização geral, a humanidade terá falhado na tarefa de alcançar uma economia equilibrada. Falta conscientização e preparo. Escolas e mídia poderiam desenvolver esclarecimentos, transformando o debate econômico em algo acessível para que as novas gerações percebam que devemos sair dos caminhos errados.

Em 1900, Georg Simmel, sociólogo e filósofo alemão, publicou o livro Filosofia do Dinheiro, avaliando que na economia monetária os indivíduos tenderiam a colocar os seus interesses financeiros acima dos objetivos da nação e da sociedade e que o dinheiro tenderia a formar uma aristocracia dos ricos. De fato, o poder do dinheiro atiça as cobiças geopolíticas de dominação e controle. O trabalho se tornaria mercadoria, e o dinheiro, o fundamento do sistema econômico. Popularmente se diz que dinheiro na mão é vendaval. Mas, na realidade, em tudo na vida o problema está no ser humano, no seu ego, vaidade e cobiças, não no dinheiro ou nos sistemas.

Se uma empresa produz em seu país bens para consumo fica sujeita à carga tributária. Se importar o mesmo produto feito em outra nação, em geral não pagará impostos, então a nação que importa fica sem a arrecadação? Como se resolve isso? A nação importadora pode ficar sem arrecadação se a importação não for tributada de forma equivalente ao produto nacional. Isso está correto e é exatamente por isso que a maioria dos países aplica impostos e tarifas sobre produtos importados.

O principal instrumento para garantir a arrecadação na entrada de um produto estrangeiro é o Imposto de Importação que incide sobre o valor da mercadoria no momento da sua entrada no país através do desembaraço aduaneiro. Além do Imposto de Importação, outros tributos internos, que incidiriam sobre o produto nacional, também são cobrados no processo de importação para garantir a isonomia tributária e a arrecadação.

A tributação do produto importado torna-o mais caro. Isso compensa, em parte, os custos operacionais, como a alta carga tributária interna que a indústria nacional tem de arcar. Também desestimula a importação de produtos que já são fabricados internamente, incentivando o consumo do produto nacional e, consequentemente, protegendo empregos e a cadeia produtiva doméstica.

Se o importado não for taxado na entrada, fica difícil para a produção interna competir. Se um produto importado entrar num país sem nenhuma taxação ou com uma alíquota muito baixa, a produção interna enfrentará grande dificuldade, especialmente se o país de origem tiver custos de produção muito menores seja por mão de obra, matéria-prima ou subsídios governamentais.

Sem tarifas de importação ou com tarifas muito baixas, os produtores estrangeiros que exportam e já possuem custos de produção mais baixos, seja por eficiência, subsídios ou salários menores, teriam uma vantagem de preço significativa e duradoura, embora os consumidores pagariam menos. Esse é o benefício imediato e mais visível do livre comércio, ou baixas tarifas. Os consumidores, de fato, se beneficiam de uma maior variedade de produtos a preços mais competitivos. Se a moeda estiver mais valorizada do que na origem exportadora, o benefício será ainda maior.

As consequências negativas para a economia da nação podem ser graves e nem sempre são óbvias para o público em geral, tais como: desindustrialização e perda de empregos, uma vez que as indústrias nacionais, incapazes de competir com os preços mais baixos dos importados, podem ser forçadas a fechar as portas, eliminando empregos e destruindo toda uma cadeia produtiva; vulnerabilidade econômica e segurança nacional, pois uma nação que depende excessivamente de produtos importados (inclusive itens essenciais como medicamentos, alimentos ou componentes eletrônicos) torna-se vulnerável às crises externas; dependência tecnológica, porque a destruição da indústria local pode significar o fim da pesquisa e desenvolvimento (P&D) e da inovação no país. A nação passa a depender de tecnologias de outras nações.

Além disso deve-se considerar o déficit na balança comercial, já que aumentar muito as importações sem aumentar as exportações pode levar a déficits comerciais crônicos, o que pode pressionar a moeda nacional e gerar instabilidade financeira. A política tarifária e o controle das importações/exportações são, de fato, alguns dos principais fatores que explicam o grande desequilíbrio econômico entre as nações. A tributação, ou a falta dela, sobre importações não é apenas um detalhe fiscal; é uma poderosa ferramenta de política industrial que, quando usada estrategicamente, constrói e protege economias desenvolvidas e, quando negligenciada, pode perpetuar o atraso das nações fracas e o desequilíbrio econômico global.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br/home . E-mail: bicdutra@library.com.br

A HUMANIDADE E O PODER

Para enfrentar a limitação de recursos da natureza, os humanos têm que superar o egoísmo e encarar a vida com seriedade e solidariedade, estabelecendo metas de continuada melhora das condições gerais de vida, visando o progresso e a paz. Quem realmente está empenhado na melhora da qualidade da humanidade? Tudo está decaindo sob a ilusão do falso progresso que na verdade rebaixa tudo. Os dirigentes dizem agora que o orçamento público está apertado, mas a destruição da natureza e dos rios e mares ocorre há décadas. Rios maravilhosos, que alimentavam a população, tinham água potável, a grande riqueza que sustenta a vida, e eram vias de transporte. Atualmente, esses rios estão poluídos, sujos fétidos, e representam a grande estupidez da humanidade que depende da natureza para ter boa qualidade de vida.

Cada ser humano sentia-se responsável pelo futuro do mundo examinando as causas e consequências. Hoje poucos ainda olham para isso. Como massa entorpecida, o povo vê o mal e a decadência se alastrarem, mas não reage mais. A cada ano que passa aumenta o risco de soçobro da humanidade. A cobiça de poder sobe à cabeça. O ódio contido ameaça extravasar. A inquietação e a depressão se tornam doenças epidêmicas que se espalham pelo mundo. Temos que aprender a enfrentar turbulências até achar a serenidade do céu azul, saber traçar uma rota que escape da tormenta que se avizinha, protegendo a liberdade, a individualidade, o bom preparo de pais e mães para que surjam gerações fortes aptas e dispostas a construir um mundo melhor.

No Brasil, estamos entre os poderosos Banco do Mundo (EUA) e Fábrica do Mundo (China). Ambos visam vantagens para eles próprios. Ambos requerem governantes sábios que saibam obter bons resultados sem comprometer sua autonomia e futuro, sem entregar suas riquezas para benefício de outros como têm feito até agora. Há no mundo uma grande complicação. No ocidente, os trustes e monopólios exercem forte influência em tudo. Na China, o Partido Comunista controla tudo.

O Banco do Mundo nos fez dependentes do dólar para tudo, mas com o surgimento da Fábrica do Mundo, cujos custos são imbatíveis, ocorreu um desequilíbrio geral nos empregos, renda e precarização. No Brasil, com pouca indústria, o dinheiro sumiu. O país exporta commodities, importa tudo pronto e remete dólares. Com isso, a circulação se reduz à importação e comercialização. Quem sabe a projetada inclusão da população da China no consumo possa dar um ajuste, mas o que o Brasil poderia produzir para os chineses e gerar empregos internos? Sem solucionar essa questão, a estagnação econômica não vai encontrar seu limite.

Produzir, gerar empregos, pagar impostos, ter lucro e distribuir dividendo estão se tornando cada vez mais difíceis neste mundo competitivo e desleal. A produção mundial ficou concentrada em grupos que dispõem de mão de obra de baixo custo, automação e monopólio. A economia se tornou luta desenfreada devido à ganância dos homens que a desequilibraram e extinguiram a consideração e a solidariedade. O dinheiro se tornou a prioridade obsessiva em escala mundial. No Brasil, é importante que os trabalhadores não se deixem contaminar pelo ódio e se esforcem para executar suas tarefas com atenção e responsabilidade.

O país precisa resolver seus problemas, acabar com essa miséria desumana. Tem de manter a livre iniciativa, embora a economia mundial esteja desarrumada com o confronto entre livre mercado e capitalismo de Estado. Os empregos foram desaparecendo, a renda caindo, mas não o custo de vida, acarretando estagnação e a continuada precarização geral. Com a elevação da dívida, o governo não conseguiu recircular o dinheiro, e quando o fez, ampliou o consumo de importados. Resolver esse desequilíbrio é o grande desafio.

Lao-Tse, assim como Buda e Zoroastro, foi um dos mestres abnegados que no seu tempo ofereceu aos seres humanos, emaranhados em seus erros, degraus do saber sobre a origem e o significado da vida. Confúcio também apresentou explicações sobre a vida, mas sua filosofia pragmática punha de lado a amplitude espiritual, o que acabou criando confusão sobre a real finalidade da vida. Assim, a indicação da escada da elevação acabou sendo perdida pelas teorias ligadas aos interesses materialistas, estagnando a evolução da humanidade.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. É autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012…e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens”; “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin – Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7