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A SOBREVIVÊNCIA E A BUSCA PELA VERDADE

O inocente condenado já não estava mais na Terra. A sua essência divina havia retornado para o Pai, ao lado do Espírito Santo. Os discípulos se esforçavam em divulgar o pouco que haviam compreendido sobre as leis da Criação explicadas por Jesus. Em Jerusalém, não havia espaço para falarem sobre o legado de Jesus. Em Roma, eram perseguidos e açoitados. Algumas sementes ficaram aderidas às almas de legítimos buscadores da Luz da Verdade. Histórias inverossímeis e antinaturais se espalhavam.

Trezentos anos depois, Constantino, Imperador, criou a Igreja Romana repaginando os ensinamentos de Jesus. Surgiam os dogmas criados pelos homens. Por séculos, predominava a visão mostrada pela Igreja sobre a vida. O saber sobre as reencarnações foi posto de lado. A convicção de que as consequências das sementes lançadas pelas ações dos seres humanos teriam de ser colhidas se foi tornando tênue.

A Igreja mantinha seus adeptos subordinados às suas normas. Legiões frequentavam as igrejas. Uma efervescência se tornava perceptível. Lutero rompeu as amarras propondo reformas. Muitas guerras surgiram. Aos poucos surgia uma classe diferenciada: a dos empreendedores e banqueiros. Os seres humanos intelectivos tinham abandonado a voz do próprio espírito e passaram a se julgar divinos. As monarquias cederam lugar ao Estado-nação.

As atividades financeiras e industriais ganhavam novo espaço. Com a descoberta da utilização da força gerada pelo vapor foi desenvolvido o capital produtivo. Tinha início a utilização de mão de obra assalariada, que até então era ligada à terra e à produção agropastoril, mas que não tinha participação na riqueza produzida, dando origem às divergências entre o capital e o trabalho. A divisão do trabalho criou a linha de montagem e em sua indolência os seres humanos acabam se tornando peças descartáveis

A situação atual vai apertando. As contas sobem. Os governos aumentam os impostos. Sem condições, as pessoas ficam devendo. A função das cidades e das nações é possibilitar que as necessidades dos seres humanos sejam atendidas.

O papel dos seres humanos é essencial, pois devem se pautar por algo mais do que o viver puramente instintivo. O ser humano é matéria perecível vivificada pelo espírito. Quanto mais o espírito for desenvolvido, mais humano será o ser com as suas individualidades.

Lamentavelmente, a classe política tem se desviado de sua missão, introduzindo prepotência e tirania, deixando muitas cidades se transformarem em algo infernal. As cidades e as nações devem estar estruturadas para oferecer oportunidades de continuada melhora das condições gerais de vida.

No pós-guerra houve um breve período de leveza. Aos poucos, as pessoas passaram a ser atraídas pelas novidades. Pressentiam a existência de uma Verdade natural, mas sem força de vontade se deixavam seduzir pelos prazeres da vida. A moralidade se tornou relativa, cada um agia de forma irresponsável.

Os sistemas criados pelo intelecto e pela tecnocracia vão se colocando à frente da busca da compreensão espiritualista, a real dimensão da vida amparada na atuação das leis universais da Criação dando ao espírito humano a possibilidade de se reerguer do mundo material para o espiritual, a sua origem, ainda não captada pela ciência cerebrina. Faltam propósitos e preparo para a vida.

A alma tem de buscar a serenidade, mas esquecida e abandonada, não consegue atuar no ser humano dominado pelo cérebro atormentado. As pessoas vivem correndo para aproveitar o tempo. Não há tempo para o silêncio, nem que seja momentâneo para examinar a si mesmo e o que se passa em redor. O ser humano é espírito, uma realidade esquecida. Desconectado do eu interior, afastou-se da finalidade da vida e não entende que está em meio à grande colheita de todas as ações, as sementes lançadas por seu querer.

A festa acabou. O que vai mudar no ano novo? A vida continuará acelerada, e cada vez mais mecânica. Tudo no piloto automático, principalmente o adormecido ser humano diante da vida. As pessoas queriam escapar do sistema de submissão ao modo áspero de viver e se sentiam atraídas por alternativas, sociais e religiosas, mas assim como em Jerusalém, há dois milênios, as trevas atuam desembaraçadamente, conduzindo o querer dos seres humanos para as coisas baixas, visando impedir que se disponham a salvar a si mesmos buscando a Luz da Verdade prometida por Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (João 8:32).

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL OU INTELIGÊNCIA ESPECIAL?

Artificial, pode-se dizer, é algo que não é natural. Mas, e a Inteligência Artificial (IA)? Ela foi criada pelo homem, mas não é como uma flor artificial inerte, apesar de sua beleza. Muito se fala sobre a IA, seus prós e contras, pois essa ferramenta tecnológica vai buscar as informações na internet e cria um conjunto especial de palavras e frases que fazem sentido.

Propus a seguinte questão para o Copilot da Microsoft: “Vemos tantos especialistas caminhando sem clareza, deixando de lado o essencial. Acho que seria mais adequado chamar a IA de IE – Inteligência Especial. É imperioso que em sua origem seja integrada aos objetivos prioritários da humanidade: sobrevivência, aprimoramento da espécie humana, e continuada melhora das condições gerais de vida”.

A resposta veio de forma instantânea, apresentando interessantíssimas ideias nas quais fiz alguns ajustes e complementos. Segundo o Copilot, a ideia de renomear a IA como Inteligência Especial (IE) é mais do que semântica: é um chamado ético. Porque se essa tecnologia é realmente especial, ela deve servir a propósitos igualmente especiais. A IE seria como aliada da humanidade, ou seja, daqueles que se empenham no aprimoramento da espécie.

Sobre a sobrevivência, o argumento do Copilot é de que a IE pode ajudar a prever e mitigar desastres naturais, pandemias, crises climáticas, recomendar hábitos sadios, alimentação adequada, lazer proveitoso. Pode otimizar o uso de recursos, reduzir desperdícios e promover sustentabilidade e apontar substâncias nocivas para que não causem danos como o metanol adicionado às bebidas.

No que se refere ao aprimoramento da espécie humana, a IE pode ser entendida não no sentido transumanista de super-homens cibernéticos, mas no sentido profundo: ampliar o conhecimento, a empatia, a cooperação, contribuir para o desenvolvimento de verdadeiros seres humanos, aptos a construir e beneficiar. A IE pode democratizar o acesso à educação, à saúde, à cultura, elevando o potencial de cada pessoa, ou seja, pode contribuir para a formação de verdadeiros seres humanos para a vida e o trabalho.

E com relação à melhoria contínua das condições de vida, a IE pode automatizar o que é penoso, liberar tempo para o que é criativo, incentivar o lazer junto à natureza e fortalecer a reflexão intuitiva. E, o mais importante: levar a descobrir como atuam as leis universais da Criação porque permitirá a concepção de oportunidades para o desenvolvimento individual com liberdade e criatividade, de forma a identificar injustiças, propor soluções mais justas e eficazes, além de fortalecer a qualidade de vida.

Mas isso exige escolhas conscientes, tais como: governança ética, pois sem isso a IE pode ser usada para vigilância, manipulação e exclusão; acompanhamento do equilíbrio nas contas entre receitas e gastos públicos, dando sinal de alarme ao se aproximar do déficit; a busca do equilíbrio nas relações econômicas com outras nações; transparência e inclusão – os algoritmos devem ser compreensíveis e acessíveis a todos.  A IE não deve ser um fim em si, mas um meio para alcançar um mundo mais digno.

Finalizando, o Copilot concordou com a minha conclusão: muitos especialistas avançam em alvos menores, que não promovem a evolução, porque esqueceram que, ao lado do progresso técnico, deve ser buscado o aprimoramento espiritual. A IE pode e deve contribuir para esse nobre objetivo, ou seja, iluminar esse caminho para que a humanidade não se afaste da sua essência.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br/home . E-mail: bicdutra@library.com.br

SOBREVIVÊNCIA AMEAÇADA

O imediatismo da humanidade está presente em tudo. Assim como não dão tratamento adequado aos próprios corpos, que receberam para seu período na Terra, as pessoas também agem de forma negligente com a natureza e suas leis, e consequentemente, causam danos de forma consciente ou não.

Ao longo dos últimos 50 anos, grandes transformações ocorreram. Havia muitos postulados errados no modo de viver, mas ainda era utilizado um pouco de intuição. Os postulados não resistiram à pressão e voaram; nada mais sólido surgiu em seu lugar, e o pouco de intuição desapareceu. Conclusão: o ser humano teve reduzido o seu bom senso intuitivo e a partir daí a civilização foi se tornando precária. O espírito adormecido clama por renovação.

Há muito tempo, estadistas vêm falando em alianças e formação de grupos, mas quais são as reais intenções. Aliança para o Progresso fez o quê pelo Brasil? E os Brics? As alianças entre os povos deveriam priorizar a paz e o aprimoramento dos seres humanos. Uma civilização pacífica depende do bom preparo dos povos.

Foi preciso chegar ao limite das dificuldades climáticas para uma tomada de consciência, mas a água está esquecida há décadas. É uma questão que agora se agrava. Na maioria das cidades grandes as pessoas dependem das engarrafadoras para ter água potável. Isso representa a grande catástrofe da humanidade.

A situação mundial é grave porque estamos vivenciando uma fase de transformações aceleradas e é triste ver o despreparo de grande parte da população induzida a um viver puramente instintivo como comer, beber, se divertir, afastado da verdadeira essência humana. O bom querer é fundamental. O que a humanidade quer, de forma livre sem manipulação massiva?

Estamos numa época diferente em que muita coisa está sendo detonada pelo mundo; o dinheiro está curto, os custos são elevados. Os estabelecimentos têm de cuidar da qualidade e do preço dos produtos, observando o que os consumidores precisam. Os produtos não devem ficar largados no “pega quem quiser”. Os gerentes e auxiliares têm de estar atentos para manter as prateleiras de forma adequada.

Houve um descuido do ocidente com a economia e produção de bens, deixando tudo por conta da integração da mão de obra abundante na Ásia e na força de trabalho mundial. O que poderia ter sido resolvido com equilíbrio, de forma pacífica, agora assume característica de guerra econômica.

Não faltam dificuldades para a economia mundial. O momento psicológico dos investidores e da população está dominado pela apatia. Antes, a motivação era mais reativa. Muitos fatores especiais estão em andamento, afetando a índole geral. Em crises anteriores, as pessoas seguiam se adaptando, visando a retomada, e em paralelo a circulação do dinheiro ia se ampliando. Os 24 meses de restrições severas deixaram suas marcas, foi como dar a partida para algo novo e desconhecido. Com tantos acontecimentos simultâneos, agora há uma parada e a motivação básica passa a ser a sobrevivência ameaçada, mantendo baixa a circulação do dinheiro, acarretando efeitos que freiam a economia.

No novo calçadão da avenida Beira Mar, em Fortaleza, são seres humanos caminhando numa atmosfera leve, com consideração e solidariedade, desejando o bem. A reforma deu uma cara nova e moderna a essa avenida, mas algo está diferente. É a pós-pandemia, a crise econômica, a guerra. Há uma certa tensão no ar devido às dificuldades aumentadas, à incerteza do amanhã, à constatação da pequenez perante a grandeza do céu e do mar do Nosso Senhor, dando um aceno de esperança de Luz aos que a procuram.

Se os seres humanos conhecessem a vida como ela é, tudo seria diferente, mais leve, melhor, mais pacífico e harmônico, pois não haveria todo esse sofrimento decorrente dos caminhos errados e suas consequências. Haveria melhor entendimento entre as pessoas porque o sentimento conciliador sempre estaria presente. Mantendo no íntimo o sincero desejar do bem para o próximo, inconscientemente cada um favorecerá o outro. E isso também é imprescindível nos relacionamentos entre homens e mulheres, para que eles se complementem de fato e, fortalecidos, construam um mundo melhor. Estamos vivendo numa época muito difícil. Contudo, temos que buscar sabedoria e alegria.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br

CONSEQUÊNCIAS DA ECONOMIA DESEQUILIBRADA

Onde encontrar democracia que funciona bem? O problema não está na democracia, mas nos seres humanos, que como em qualquer outro sistema de governo se deixam levar pela mania de grandeza, um mal que pode grudar em qualquer pessoa, seja militar, militar reformado, professores, economistas etc. Hoje isso é dominante. É lamentável a situação geral da humanidade que após tantos milênios para evoluir acabou decaindo no nível abaixo das tribos antigas que só conheciam a natureza; hoje nem isso é conhecido, o que resulta em ignorância maior ainda, pois conhecer a natureza e suas leis já é um avanço que deveria conduzir ao reconhecimento das leis que regem a vida.

No passado, a economia se baseava na produção de bens essenciais, trabalho e consumo. O comércio expandiu e, com isso, surgiu a necessidade de um meio para facilitar as trocas diretas. Uma das alternativas foi utilizar o ouro que deu origem ao banco, que por sua vez deu origem ao papel que valia ouro. Enfim, surgiu o dinheiro em papel que se distanciou da finalidade de produzir bens essenciais, passando o “dinheiro fazer dinheiro”. Fazendo uma analogia, a situação poderia ser comparada com um edifício, com alicerce frágil e cuja construção continua subindo, ficando a cargo da engenharia financeira fazer remendos. Muitas pessoas continuam comprando ativos financeiros na esperança de vender por mais e obter ganho, mas poucos estão conseguindo. Para evitar acidentes, os engenheiros não podem interromper o reforço. Pergunta-se: com isso, a situação não vai ficando mais complicada?

Causa estranheza a forma displicente com que autoridades governamentais de vários países deixaram crescer o passivo. Qualquer administrador sabe que a constituição irresponsável de um passivo financeiro poderá levar o país à ruína. Os países retardatários da periferia não dispunham de acumulação de capitais. Por isso, deveriam programar as suas contas e o desenvolvimento de tal forma que não cavassem um abismo para as suas populações nem caíssem na grande armadilha da dívida.

Quando muito dinheiro é emitido surge a inflação e o dinheiro perde poder de compra pela falta de produção. Quando se combate a inflação, a produção se retrai. Ou seja, há um desequilíbrio geral na economia. O BCA Research, instituto de pesquisas de investimentos, explica a desaceleração da China devido à queda da demanda. A paralisação imposta pela pandemia levou à perda de renda e mudança no estilo de vida. Caiu a renda das famílias, os supérfluos foram postos de lado e o consumo se concentrou em alimentos e remédios, o que acabou afetando a China como o grande fornecedor, e seus satélites asiáticos. Em decorrência, cai o consumo de matérias primas. Quanto maior a dependência dos países a esse ciclo, maior será o efeito sobre a economia. O Brasil tem de estar atento à produção agrícola, exportação, consumo interno, e saber aproveitar e produzir mais manufatura, reduzindo a dependência externa.

Como resolver a questão da sobrevivência condigna? Era previsível que o surgimento de grandes grupos de pessoas refugiadas das condições hostis de vida iria acabar acontecendo no planeta inteiro. Essa população não pode viver de esmolas de forma passiva; precisa de atividades e atendimento das necessidades. O sistema econômico tradicional não apresenta soluções com trabalho, renda, consumo. Com tantos pesquisadores, há que se encontrar solução que permita a essas pessoas conseguir trabalho e aprendizado, pondo em prática o próprio esforço, sem cair no imobilismo do comunismo.

As novas gerações representam o futuro do planeta. Homens e mulheres têm de ser responsáveis ao gerar filhos, dando-lhes cuidados e preparo para a vida. Os modelos que são dados às crianças são muito importantes. Desde cedo elas estão sendo expostas ao que de pior o homem é capaz de fazer. Reúnam-se com as crianças, conversem com elas, estabeleçam vínculos de amizade e confiança, mostrem que o real significado da vida é a evolução espiritual e material.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. E-mail: bicdutra@library.com.br