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O SANTO GRAAL NA HISTÓRIA

Provavelmente muitas pessoas conhecem o Santo Graal como o cálice sagrado da Última Ceia ou como o segredo de uma linhagem de sangue oculta, popularizada por Hollywood e best-sellers como O Código Da Vinci. Mas, e se a história que nos contaram estiver olhando para o lugar errado?

O Santo Graal atravessou séculos como o símbolo máximo do inacessível. Curiosamente, essa mística é tão poderosa que transbordou a literatura medieval e invadiu o nosso vocabulário contemporâneo. Hoje, em artigos jornalísticos, ensaios científicos e discussões acadêmicas, a expressão “o Santo Graal” é frequentemente usada de forma figurada. Fala-se do “Santo Graal da física”, ou como sendo algo extraordinário em qualquer campo da atividade humana.

A essência literária e mística do Graal, chamado na antiguidade de o cálice da vida, está conectada à jornada de autoconhecimento, à cavalaria arturiana e ao esoterismo dos Templários do que à crucificação de Jesus. A ligação com o sangue de Cristo foi uma roupagem posterior criada para assimilar um mito que já era extremamente poderoso e antigo.

A civilização celta começou a se expandir pela Europa Central e pelas Ilhas Britânicas por volta de 1200 a.C., ou seja, há mais de 3.200 anos, mas na realidade o conhecimento do Graal é bem anterior, porém faltam dados históricos que comprovem isso. Segundo Sirona Knight, no livro Explorando o Druísmo Celta: “O cálice representa o caldeirão mágico, o Graal, a fonte da vida e o poço da inspiração”. Quando o escritor francês Chrétien de Troyes escreveu a primeira obra sobre o tema em 1180 (Percival ou o Conto do Graal), o objeto não rinha relação com o cálice da época de Cristo.

Na busca do Rei Arthur, o Graal foi definido como o “Símbolo da plenitude espiritual”. A busca dos cavaleiros da Távola Redonda era um teste de caráter, honra e maturidade espiritual. Encontrar o Graal significava restaurar a ordem cósmica e a justiça no reino de Arthur.

A conexão com a Ordem dos Templários ganhou força no início do século XIII através da obra Parzival, de Wolfram von Eschenbach. Através do autor Robert de Boron, anos depois de Chrétien de Troyes, a Igreja e a literatura fundiram essa relíquia dita pagã com o cálice de José de Arimateia, numa estratégia medieval comum para absorver os mitos celtas e bretões que o povo se recusava a esquecer.

A teoria do “Porto Graal”, dos Templários, que teria gerado o nome do país (Portus Cale, cuja tradução seria Porto Graal), deu origem a Portugal. Uma leitura esotérica defende que os Templários não buscavam um objeto mágico, mas sim algo mais elevado ligado com a cruz isósceles, a vera cruz.

Os poetas foram inspirados, mas misturaram fantasias. Dan Brown, em Código Da Vinci, criou uma ficção bem articulada, mas irreal. Restaram os templários, que teriam criado o Porto Graal, e talvez estivessem mais perto da verdade.

É na perspectiva espiritual trazida por Abdruschin que o mistério do Graal encontra sua explicação mais grandiosa e despida de fantasias humanas. Na Mensagem do Graal, Abdruschin explica que o Pentecostes é o envio da Força Espiritual, partindo da esfera Divina, chegando para toda a Criação através do Supremo Templo do Graal. É o momento em que ocorre a Renovação da Força na Criação. Trata-se de um jorro de energia cósmica pura vindo diretamente do Divino, indispensável para manter a vitalidade da Criação em movimento, expandida e viva.

É um Fenômeno Cíclico que se repete de tempos em tempos, como o dia da efusão de forças. O evento narrado na Bíblia, com a participação dos discípulos, foi o reflexo físico desse jorro que atinge toda a Criação de forma perfeitamente natural. O Santo Graal é a realidade viva, o elevado e inacessível ponto de transição entre o Divinal e a Criação. Uma taça onde borbulha a energia da vida, a fonte primordial de onde emana a força divina, pura e vivificante que sustenta o universo inteiro. Sem essa radiação, o cosmos simplesmente teria de definhar, pois ela é a energia vital que sustenta a Criação.

Obs.: Este artigo foi escrito com a colaboração do Gemini, a IA do Google.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

NÃO SE TORNE ENGRENAGEM, SEJA HUMANO

Vivemos uma era de transformações profundas, de aceleração e incertezas. O trabalho está se transformando e nós, com ele. Não se torne uma engrenagem entre máquinas e metas, seja humano.

Vivemos tempos em que a lógica da eficiência e a aspereza ameaçam engolir o sentido da vida. Tudo é meta, tudo é entrega, tudo é urgência. Mas há algo em nós que não cabe nessa engrenagem. Algo que sente, que intui, que resiste. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, a pressão cresce. Tudo se move com velocidade, mas, muitas vezes, o sentido se desfaz no caminho. Neste cenário, preservar a humanidade nas relações de trabalho deixou de ser uma escolha: tornou-se um ato de resistência.

A lógica da eficiência, quando levada ao extremo, tende a esvaziar o espaço do encontro. Pessoas passam a funcionar mais do que a conviver. É preciso realizar o trabalho sem perder a humanidade. E quanto mais a atividade se mecaniza, mais aqueles que raciocinam com profundidade, que intuem, sentem, refletem, se ressentem.

Não se torne engrenagem entre máquinas e metas. Há uma diferença entre funcionar e viver. Entre cumprir tarefas e realizar um propósito. Entre competir e colaborar. Não é só sobre salários ou formatos híbridos com trabalho presencial ou remoto. É sobre a tensão interior de trabalhar em ambientes onde propósito e pertencimento foram substituídos por metas frias e relações frágeis, muitas vezes de aparências enganadoras.

E há ainda o desencontro que se aprofunda; o que as empresas querem nem sempre dialoga com o que as pessoas buscam. As organizações pedem resultado, agilidade, resiliência. Os colaboradores pedem escuta, sentido e condições dignas de atuar. Quando esses propósitos não se alinham, surgem desentendimentos. E quando esses desentendimentos são ignorados, surgem rupturas. Essa é a situação atual que envolve competição, disputas e lutas por riqueza e poder.

Mas em meio à pressão por resultados, metas e inovação, não podemos esquecer que é possível, sim, seguir adiante sem cair, nem empurrar o outro que caminha ao lado. Puxar o tapete do outro para se beneficiar não significa crescer.

Resistir, hoje, é também agir com ética. É recusar o cinismo do falso profissionalismo daqueles que cobiçam o poder acima de tudo. É afirmar, com convicção, que cuidar das relações no trabalho não é ingenuidade, é maturidade. É possível evoluir sem ferir, competir sem derrubar, inovar sem desumanizar. Mas no atual viver áspero é importante ser prudente e estar vigilante sobre o que se passa ao nosso redor e tomar decisões defensivas.

O trabalho sempre fez parte da vida humana. A natureza oferece tudo, mas requer trabalho. Lavradores, mineiros, artesãos, técnicos, especialistas. A produção em larga escala, a automação, a busca do máximo ganho com mínimo custo, tudo foi gerando transformações tecnológicas e organizacionais, mas acarretando a perda silenciosa de significado, gerando o vazio existencial.

Na atual aspereza da vida tudo depende do computador e das máquinas. Os seres humanos se tornaram um número, perderam a essência e o bom senso. Desumanização. A alma foi isolada e o cérebro não está suportando tanta pressão. Colapso mental. Os seres humanos perderam o rumo, e não conseguem achar soluções.

A indolência mental e espiritual e a aversão à reflexão nos empurram para respostas rasas, incompletas. Analisar e refletir intuitivamente dá trabalho, mas esse trabalho interior é como a santificação das horas de descanso que nos protege da mecanização insensível. Porque, no fundo, humanizar não é retroceder; é a única forma de evoluir com sentido, buscando caminhos produtivos e realizadores. É o que nos permite não apenas trabalhar, mas viver com inteireza, de corpo e alma. Tudo conspira contra. O grande desafio desta época é seguir em frente, sem deixar de ser verdadeiramente humano.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

OS SÁBIOS DA SUMÉRIA E A HUMANIDADE

Os sábios da Suméria buscavam a integração do ser humano com as leis universais da Criação. Mantinham escolas para orientar os habitantes procedentes de vilarejos distantes, assim como enviavam sábios que auxiliavam as pessoas a se tornarem verdadeiros seres humanos, fortes e corajosos beneficiadores da vida e da natureza. Os indivíduos queriam desenvolver e fortalecer o espírito e alcançar o aprimoramento da própria espécie como a grande finalidade da vida. Foram os sumérios que receberam a incumbência de construir e gravar na Grande Pirâmide do Egito a trajetória declinante escolhida pela humanidade. Os sumérios foram o povo mais desenvolvido espiritualmente sobre a Terra.

No entanto, as trevas sob o comando de Lúcifer, queriam o oposto disso, queriam tornar os seres humanos inúteis e imprestáveis para que se perdessem. Com mentiras e falsidades, criou-se a falsa felicidade, afastando as pessoas da Luz da Verdade, fortalecedora do espírito, promotora da verdadeira felicidade. Tudo conspira para transformar o ser humano em parte da máquina, com a essência espiritual inativa, restringindo a sua condição de ser humano.

Viemos para termos a oportunidade de desenvolver o espírito; isso requer várias encarnações, mas descuidamos disso e hoje colhemos as consequências. Indivíduos e povos, a exemplo da natureza, deveriam beneficiar, embelezar e evoluir. Estagnados espiritualmente, criaram um viver áspero e insustentável. Agora, na grande colheita, têm a oportunidade de reverter a decadência, ou aprofundá-la mais ainda.

Em vez de fortalecer o espírito, o ser humano se afastou de sua essência espiritual e foi se mecanizando progressivamente; dessa forma, não obteve mais energia e saberes procedentes de esferas mais elevadas que deveria aplicar na sua atividade. Por outro lado, tudo que maquinava com seu cérebro intelectivo não tinha força criadora, gerando aridez e aspereza.

É como se fosse uma galé, um antigo tipo de navio movido a remos e velas. Todos seriam como remadores conduzindo o barco para terras seguras. Mas o grupo que segurava as velas foi se destacando e tirando os remadores da jogada, conduzindo o navio na direção dos interesses próprios. Não tardou para se tornar perceptível que o navio havia perdido a força invisível, oriunda da vontade intuitiva dos remadores; o brilho de outrora foi sendo perdido e a nave Terra se acha doente e atormentada.

Os seres humanos abriram as entranhas do interior da Terra perfurando poços no fundo do solo e do mar, escavaram ouro destruindo montanhas, a beleza e a sustentabilidade. Despejaram sujeira e venenos no ar, no solo e nos rios e mares. A Terra derrama lágrimas de tristeza porque as riquezas foram extraídas, mas na superfície há destruição e miséria. A Terra está ficando doente por causa das feridas abertas. Os homens derramam sangue para obter riqueza e poder, e quando saem da Terra só levam na alma o registro do que fizeram de bem e de mal.

E, de novo, estão surgindo conversas e informações sobre o capítulo do Apocalipse constante da Bíblia, ou seja, o expurgo. Há muita simbologia e previsões difíceis de serem compreendidas, apontando para a difícil situação em que a humanidade se encontra, tendendo a dias ainda piores. A questão é: o que querem os seres humanos? O que querem os jovens para o futuro? É aí que está o problema, pois faltam propósitos e determinação; as pessoas estão levando o seu viver sem saber aonde vão chegar. O vazio existencial está se ampliando. A tecnologia avançou bastante, mas com o atraso no esperado desenvolvimento do espírito, o ser humano perdeu o rumo e se encontra em meio a uma crise emocional sem precedentes, sem saber como voltar à normalidade.

Destruição, guerras, misérias e sofrimentos têm sido semeados ao longo do tempo pela humanidade. Não há inocentes. O conteúdo da obra Na Luz da Verdade Mensagem do Graal, de Abdruschin (1875-1941), destina-se a dar aos seres humanos uma aproximação da realidade espiritual da vida, uma vez mostrada por Jesus, como meio de recuperar a inocência perdida, mas isso fica na dependência do querer e do esforço de cada indivíduo. É preciso que cada um de nós tenha suficiente força de vontade para recuperar a condição de ser humano espiritualizado.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

CLASSES SOCIAIS DOMINADORAS

Por que os seres humanos estruturaram a sociedade colocando as classes sociais umas acima das outras? Isso vem de longe, desde quando teve início a escravização dos prisioneiros de guerra, considerados como seres inferiores, portanto subservientes aos mais aptos e fortes. Depois veio a época do feudalismo. Os camponeses tinham de pagar para poderem trabalhar. Por fim, Charles Darwin (1809-1882) forneceu elementos para a teoria apropriada, o darwinismo social, alegando que os mais aptos e fortes estariam acima dos demais.

De fato, nem todos têm as mesmas capacitações; alguns apresentam mais maturidade, mas todos os trabalhos são importantes. A forma do desempenho deve ser a medida do valor do trabalho de cada um. Mas a voracidade dos homens tende a levá-los à desumanização, algo que vai se tornando evidente.

A exata compreensão do que é intelecto cerebral e intuição espiritual é um saber perdido, uma ideia que ficou no passado. Isso não tem nada a ver com as religiões criadas pelos homens; faz parte das leis naturais que organizam todas as coisas no universo, tendo o propósito do desenvolvimento do ser humano integral. A IA tem uma capacidade especial para reunir e organizar informações, mas não tem alma, embora acumule mais conhecimento do que muitos cientistas conseguem obter.

Por outro lado, os seres humanos estão sufocando a sua alma, e sem ela jamais compreenderão o funcionamento do universo e suas leis primordiais. Há muita desigualdade entre as nações, cada uma vai seguindo no seu ritmo. Acima das ideologias, o homem é mercantilista, quer as vantagens para si. A situação global vai piorando, impondo o rebaixamento da classe média. A aspereza está aumentando. É preciso ir às causas. Por que o homem se tornou o lobo do homem? Está deixando de ser humano.

No Brasil, o padrão de vida não sobe, ficou travado no nível dos países em desenvolvimento com salários baixos e desenvolvimento industrial estagnado, mas ainda há um certo dinamismo. Se ocorrer uma desaceleração da atividade econômica, a pobreza e a violência urbana tenderão a aumentar. Os problemas gerados pela Raizen e Master ainda estão afetando o crédito privado assim como a guerra e os cartões de crédito. As pessoas estão pagando o consumo do mês passado, e pondo para a frente o do mês vigente.

O déficit fiscal não para de crescer no Brasil. O que esperam? Que a reforma tributária gere mais arrecadação? A administração das empresas não está fácil. É fato que a renda caiu, afetando o consumo. É necessário planejar e controlar as dívidas, uma questão que tem fragilizado e derrubado empresas e indivíduos.

A falta de bom preparo para a vida e o trabalho está levando as pessoas a colocarem seu dinheiro nas apostas, feitas para a perda de valores. O lamentável é que algumas pessoas estão se endividando para sustentar o vício do jogo. São seres humanos dominados pela ansiedade que buscam no jogo a adrenalina, mas ela vem acompanhada do desespero de quem aposta o que não tem, desestruturando a sua vida e a sua família.

Há 500 anos a estrutura monetária vem sendo moldada para manter o controle das atividades. As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismos. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites, compromisso com a estabilidade social e a recuperação do tempo perdido.

Diante da limitação dos recursos, a economia, pensada por antigos filósofos, deveria ser o sistema equilibrado para sustentar a vida de todos, mas se tornou o dreno da concentração da renda global. O cérebro tem sido manipulado desde a fase infantil, com mentiras e falsidades, tendo, como consequência, manter a essência espiritual do ser humano inativa, ou seja, uma ousada interferência no livre querer inerente ao espírito, o que vem gerando a perda da felicidade que deveria ser natural entre aqueles que buscam a maturidade espiritual.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A falsa realidade da vida

Atualmente, em decorrência da influência das trevas e da indolência espiritual, a realidade da vida, pensada pelos seres humanos, se acha totalmente fora daquilo que deveria ser. Tudo tem de se renovar.

A natureza humana é determinada pela capacitação da livre resolução de cada indivíduo, o sim ou não íntimos, mas fica sujeito às consequências tecidas pelos fios do destino, na atual existência, ou numa próxima encarnação. Nada escapa. Como fruto das resoluções, a situação da humanidade é grave. Os jovens se rebelam, de forma passiva ou ostensiva. Aumenta o número de idosos com pouco preparo. O processo de emburrecimento está avançando, gerando sérias apreensões sobre o futuro. Falta reflexão intuitiva. A população está envelhecendo. Falta preparo para a vida. Nove meses para formar um corpo. Quinze anos para se preparar.

Qual é a finalidade disso tudo? Se não for para o soerguimento individual e do todo, para que seria então? Por que ainda não foi criado pela humanidade um sistema de educação voltado para a compreensão do significado da vida? Em geral, as pessoas, em todos os ambientes, estão desconfiadas e competitivas, tendendo ao “cada um por si”. Para alcançar sucesso, o objetivo proposto tem de ser da equipe inteira.

Estamos em 2026, já ultrapassamos mais de um quarto do século 21 e o que se observa na Terra é muita inquietação e turbulência, um viver afastado da naturalidade com muitas doenças psíquicas e emocionais. Durante milênios, os seres humanos têm se afastado de sua essência, passando a viver de forma artificial, distante da real finalidade da vida, como se estivessem em permanente sonolência sem perceber o que está se passando, achando que algo está errado na forma de viver, mas se acomodando e se adaptando sem se movimentar para entender e buscar a saída do círculo vicioso em que o viver se tornou,

É uma escravização voluntária aos conceitos errados, semeados pelas trevas, sem aspirações enobrecedoras, em que cada um cuida apenas das necessidades do corpo do jeito que ainda pode, buscando prazeres passageiros, desperdiçando o precioso tempo num viver vazio sem sentido. Como sair desse estado de dormência e despertar para a vida?

A realidade está tão manipulada que não se conhece mais a razão nem a Verdade, mas a grande colheita da humanidade continua apresentando seus frutos de acordo com a espécie das sementes lançadas. O ano de 2020 assinalou um duro golpe na economia popular. A guerra de 2026 está no mesmo caminho. O primeiro-ministro de Israel tem os seus motivos. E o presidente dos EUA? Há o compromisso de defender os aliados, mas haveria outras razões? O fato é que os fios do destino traçados pelos seres humanos não foram de atrair paz e desenvolvimento harmônico, então tudo vai se engrenando de forma a aumentar o caos diante da falsa realidade que foi construída sobre a finalidade da vida.

Estamos diante de uma crise muito profunda, que é a desintegração do tecido moral e espiritual da sociedade. Torna-se necessário um movimento que vise incentivar o despertar para os valores reais e o sentido da vida, um movimento que despretensiosamente possa lembrar os seres humanos do que eles realmente são, e quem sabe se disponham ao despertar para a vida real. As comunicações em geral e as redes sociais lucram com o nosso ódio e com o nosso ego e vaidade. Elas foram desenhadas para nos manter vibrando em frequências baixas (inveja, cobiças, raiva, traição, comparação). Isso atrai a igual espécie baixa, roubando a serenidade e a esperança em dias melhores. Como se poderia influenciar o comportamento e gerar sentimentos que possam direcionar o ser humano para buscar o enobrecimento e a real finalidade da vida?

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A GEOECONOMIA E SEUS IMPACTOS NOS OITO BILHÕES DE PESSOAS NA TERRA

As intenções dos seres humanos moldam os contornos dos acontecimentos. A diferença é que agora as coisas se tornam visíveis mais rapidamente. Na América do Sul, especialmente o Brasil e Argentina, estavam se destacando por contarem com uma população mais consciente, mas com as crises geradas, ambos foram cerceados em sua evolução com declínio do preparo dos cidadãos e dos governantes.
Em meio a guerras e transformações tecnológicas, culturais e sociais, destacaram-se Estados Unidos, Rússia e China. Antes era o colonialismo, disfarçado ou visível. Agora é a geoeconomia. China, com seu superávit comercial global; Rússia, com seu povo e recursos naturais e armamentos. Enquanto isso, os Estados Unidos se defrontam com uma situação geral complexa que encosta na hegemonia do dólar.
Por outro lado, há a questão dos prováveis oito bilhões de almas encarnadas na Terra. Na agitação em que a humanidade está vivendo, o sentido da vida está sendo perdido, pois as pessoas estão se entregando aos prazeres desenfreados, incluindo as redes sociais, como meio de fugir da áspera realidade. O ser humano é espírito que precisa se desenvolver e se fortalecer. Mas o cérebro das pessoas em geral tem sido manipulado desde a fase infantil, tendo, como consequência, a inatividade da essência espiritual, ou seja, uma ousada interferência no natural livre querer inerente ao espírito humano.
Na educação infantil, pais e mães devem examinar o procedimento que estão adotando. O mestre Abdruschin diz que a criança deve aprender desde cedo a lei do equilíbrio, isto é, a criança deve retribuir por tudo que recebe. É a lei do dar e receber, da formação do caráter responsável e reconhecimento do dom da vida. A trajetória do ser humano produziu as consequências decorrentes dos caminhos escolhidos. Está surgindo uma nova consciência sobre a situação em que nos encontramos e como poderemos nos libertar dos conceitos errados que estão arrastando a vida para uma situação insustentável.
Depois da pandemia, a humanidade estava fragilizada. Agora, com sucessivos conflitos e ameaças de crise econômica, a sensação de desânimo está crescendo. Uma sensação de instabilidade vai tomando conta.  A psique humana sente o impacto dos abalos da alma. Não só no trabalho, na vida pessoal também. A caixinha eletrônica, o celular, nos coloca diante de vários problemas de forma simultânea, não dá folga, não há tempo para pausas e reflexões. A pressão cerebral e emocional é muito forte. O celular, embora de grande utilidade, com suas variadas possibilidades de comunicação, é também um grande sugador de energia, por isso, os adultos também têm de usá-lo com moderação.
De onde vem a clareza no pensar? O indivíduo tem de estar focado, olhar atentamente ao que se passa, entender a situação, procurar o gargalo, pensar no problema e nas soluções e deixar fluir. De repente, ideias claras começam a surgir. É a intuição.
Há também a questão da religião que esbarra na indolência do espírito que não quer analisar o que lhe é dado a ver. Ou seja, a renúncia da capacitação que todos receberam ao nascer, o que gera incompreensão e conflitos. Não há religião que não tenha grãos das verdades imutáveis da Criação, assim como não há religião que não tenha os seus postulados fechados e incompreensíveis diante da lógica natural. As religiões devem constituir os degraus para a compreensão da Criação e suas leis e dos propósitos do Criador para com os seres humanos. Em vez disso, tem sido utilizada como plataforma para galgar os degraus do poder. Muitas pessoas pressentem a existência de um relógio universal que se aproxima da hora final das ilusões e da falsa felicidade, da hora de enxergar a vida real com clareza.
O fastio, a ansiedade e a falta de alegria poderão levar muitos seres humanos a buscarem a autêntica espiritualidade que brota do íntimo da alma. Somente ela poderá trazer alívio e libertação do caos que a humanidade criou. Conhecereis a Luz da Verdade e ela vos libertará.
*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

A CIVILIDADE NA CRISE E A GRATIDÃO

A civilidade é mais que educação; é a postura interior. Civilidade não é apenas boas maneiras. É a capacidade de agir com dignidade e gratidão pela oportunidade da vida, mesmo quando o mundo está em crise generalizada. É recusar a lógica do “cada um por si”. É não explorar o medo alheio. É não buscar vantagens às custas da fragilidade do outro. É manter a integridade e serenidade quando tudo ao redor parece instável.

Simbolicamente, o cerne dos cavaleiros do Apocalipse é a balança da justiça que está pendendo para o lado escuro da humanidade, em decorrência de suas próprias escolhas, o que representa o falhar daqueles que se detiveram nas ninharias da vida, em vez de buscar o desenvolvimento do espírito, e nisso foram criadas as condições para o caos que se aproxima. Nesse meio, muitos encontrarão o caminho que eleva, caso se esforcem para isso.

Enquanto não sentirem a vontade de trilhar um novo caminho com uma sintonização voltada para o bem geral e para o aprimoramento moral e espiritual, as dificuldades continuarão crescendo. Como levar avante uma civilidade em tempos de crise, e que não esconda a dureza da realidade? Como direcionar essas informações ao povo em geral?

Vivemos um período em que a humanidade parece ter chegado ao limite de seus próprios caminhos. Pandemias, guerras, instabilidade econômica, crises ambientais e tensões sociais revelam algo que vai além dos fatos: mostram que perdemos a sintonia com aquilo que sustenta a vida em comum.

Durante milênios, avançamos em ciência, tecnologia e poder material, mas abandonamos algo essencial: a capacidade de usufruir com gratidão a existência consciente que nos foi dada, contribuindo para o bem geral do ambiente em que vivemos. Como escreveu Abdruschin, Na Luz da Verdade: “o ser humano desconhece a jubilosa gratidão de usufruir de modo alegre a existência consciente que lhe foi dada, coparticipando na grande Criação para o bem de seu ambiente.”

Essa ausência de gratidão e responsabilidade interior se manifesta hoje em todos os níveis: na política, na economia, nas relações sociais e até na vida íntima das pessoas. O resultado é um mundo que parece sempre à beira do colapso, onde cada crise se soma à anterior e onde a sensação de insegurança se tornou permanente.

Mas não estamos condenados a repetir esse ciclo. A mudança começa no bom querer. Nenhuma reforma política, nenhum plano econômico e nenhuma liderança será suficiente enquanto o ser humano não desejar, de forma sincera, trilhar um novo caminho. Um caminho baseado em liberdade para decidir, responsabilidade pessoal, respeito e consideração ao outro, cooperação, verdade, sobriedade, consciência moral, e compromisso com o bem comum e a continuada busca de melhores condições de vida e aprimoramento da espécie. Sem essa base, qualquer sistema desmorona.

As famílias, escolas e profissionais de saúde têm de formar pilares de equilíbrio. Num tempo de ansiedade coletiva, esses três núcleos precisam caminhar juntos. Necessitamos de famílias que conversem, acolham e orientem; de escolas que ensinem os conteúdos adequados ao bom preparo para a vida, mas também autocontrole, empatia e pensamento crítico; de profissionais de saúde que compreendam o impacto emocional das crises e ajudem a sociedade a não sucumbir ao pânico. Sem essa rede, a população fica vulnerável a discursos de ódio, manipulação e desespero.

As instituições e a economia requerem responsabilidade compartilhada. Governos, empresas, bancos, escolas e cidadãos precisam agir com sobriedade. Não é tempo de oportunismo. É tempo de transparência, prudência, cooperação, respeito aos limites e compromisso com a estabilidade social. A economia não é um jogo de vencedores e perdedores; é o sistema equilibrado que deve sustentar a vida de todos.

Falta um alarme, um chamado à sintonização correta. O mundo não mudará apenas com leis, decretos ou eleições. Ele mudará quando cada pessoa decidir alinhar sua vontade ao bem geral, ao aprimoramento moral e ao respeito pela vida. Essa sintonização não é abstrata. Ela se expressa em cada gesto, cada escolha, cada palavra tudo unido, voltado para o bem geral.

É possível viver com dignidade mesmo em tempos difíceis. É possível reconstruir a confiança e criar uma cultura de paz, responsabilidade e verdade. Mas isso exige que cada um de nós desperte para a grandeza e a responsabilidade de ser humano diante da grandiosa finalidade da vida para nos tornarmos bons feitores do planeta que constroem um futuro cada vez melhor.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

COMO AGIR NO SÉCULO 21?

No início do século 20, o Brasil já estava no regime republicano, com eleições para escolha do presidente e demais integrantes da gestão da nação. No geral, tivemos um período marcado por grandes guerras, lutas sociais e culturais, e uma grande mudança na percepção dos seres humanos sobre o significado da vida. O Brasil passou a contrair mais dívidas externas, e na medida em que ia pagando, mais dívidas foram surgindo. A população era calma. A economia era frágil, voltada para a agricultura de exportação, as pessoas e as famílias viviam influenciadas pela igreja, pelo rádio e, em menor escala, pelos jornais e revistas.

Terminada a primeira grande guerra mundial, a Europa tentava desenvolver um período de reconstrução, enquanto a Alemanha se arrastava diante da dívida de guerra. Nos Estados Unidos estavam se formando as condições para a grande crise de 1929 que abalou a insípida economia global. No Brasil e América do Sul, a situação também se arrastava.

E veio a segunda grande guerra mundial. Miséria para todos os lados. Alemanha e Japão vencidos. Inglaterra e Europa arrasadas. E surgia o dólar trazendo novas esperanças e ilusões. Na América Latina, o clima era de quintal dos outros, como até hoje. Argentina fornecia carne; Brasil, café e açúcar. No restante, minérios especiais como prata e cobre. Os poderosos querem as riquezas e mais poder. América Latina e África ainda são quintal dos outros com a colaboração de políticos e suas negociatas.

Com o fim da segunda grande guerra, novas esperanças acendiam nos corações aflitos. As pessoas eram sentimentais, criavam fantasias mentais, mas ainda havia um pequeno vestígio de intuição, ou seja, a voz do espírito, que dava um pouco de leveza. Isso foi até aos anos 1970. Poderia ter havido uma guinada qualitativa da humanidade voltada para a espiritualidade, pois tudo apelava para isso.

Eis que surgiu a televisão com sua força avassaladora sobre as mentes de adultos e crianças, e dependia de todos a direção que seria dada. Em vez de um incentivo ao aprimoramento mental e espiritual, venceu a manipulação. As pessoas queriam lazer, diversão, vida mansa. E tudo isso veio no pacote que incluía desinformação e consumismo. A venda de tudo foi crescendo, até dos cigarros, nocivos para a saúde. As novas gerações iam emburrecendo, o marketing político definia os candidatos vencedores.

No século 21, a humanidade se apresenta apática, sem força de vontade, desanimada, agindo como robô. Mas novas guerras estão se inserindo no cenário, roubando a paz, trazendo inquietação e sofrimentos. A queda moral e espiritual prossegue fazendo da vida na Terra um processo insustentável.

Quem se habilita a reconhecer os estragos promovidos pela própria humanidade? Falta coragem e humildade para que haja o reconhecimento dos erros e a escolha do caminho adequado à espécie humana. Sem esse reconhecimento, não pode haver transformação verdadeira. Reconhecer o erro, assumir responsabilidade e buscar o caminho certo sob a luz da verdade é algo que ultrapassa fronteiras, religiões e posições de poder. As tragédias e sofrimentos são o derradeiro chamado à consciência que qualquer ser humano pode compreender, se estiver disposto a olhar para dentro de si, e então optar conscientemente pelo rumo certo que eleva a própria espécie.

O século 21 está se caracterizando por um intenso avanço tecnológico, inversamente ao declínio moral e espiritual. A inquietação e a ansiedade são o denominador comum, e isso vai deixando os indivíduos estressados, incapazes para realizar reflexões intuitivas nos momentos de folga. Os seres humanos estão sendo arrastados pelo relógio acelerado do tempo, deveriam resistir e fazer pequenas pausas, sempre que puderem, para avaliarem a forma áspera como estão vivendo e perceberem que têm de buscar uma sadia mudança de rumo.

 

OLHE ATENTAMENTE À SUA VOLTA

Afastados da parte invisível da vida, os seres humanos vão em frente meio às cegas, sem perceber tudo o que se passa à sua volta. Pare, olhe atentamente, perceba que tudo está sendo tecido no campo invisível do qual fazemos parte e cuja ligação foi rompida. Escorregar no atoleiro é fácil; difícil é sair. Nesse jogo há muitos interesses, inclusive o de manter o desgaste dos EUA, que vão envolvendo as autoridades. São as consequências de décadas dedicadas ao acúmulo financeiro, deixando tudo o mais em segundo plano, inclusive o aprimoramento da espécie humana que permanece resvalando para os baixios, sem alvos enobrecedores. Quanto mais passa o tempo, mais afunda e mais difícil será retornar a um viver feliz com naturalidade.

As nações estão se voltando para autocracia ostensiva. No passado, pode ser que isso tenha sido maquiado, ocultado, mas sempre houve homens do estilo tirânico que impunham a sua vontade de forma leve ou pesada. Muitas coisas estão no limite do estresse. Até turbina de avião explode com o aumento da pressão. Com a necessidade de tomar decisões rápidas, muitas acabam surgindo de forma abrupta, pois não há tempo para consultas amplas. A IA tem respostas sensatas, mas quem quer ouvi-las?

Tudo gira em torno do dinheiro. As dívidas também representam dinheiro. O Império Romano espalhou moedas de prata que fizeram sucesso. Mas as moedas sempre despertaram guerras, em vez de serem um meio apropriado para o progresso. Os EUA se debatem para manter o dólar. China faz oposição. E as nações, sem condições de produzir, se endividam. O petróleo e os alimentos permanecem como bens vitais. As alternativas da humanidade estão se estreitando, tanto quanto em Ormuz.

No passado, Leonardo Da Vinci não estava adivinhando o futuro de forma mística, mas sim observando a ambição humana e extrapolando as consequências de suas ações. Observando a natureza de forma continuada, acabou percebendo intuitivamente causas e efeitos, a lei da reciprocidade, ou seja, o ser humano colhe o que semeia. Os cientistas posteriores não tinham a visão especial para perceber a vida humana além do mundo material, e não se tornaram os construtores beneficiadores que deveriam ser. Da Vinci via o homem como um elemento que causaria grande desordem no planeta, correndo de “um hemisfério para outro” e desequilibrando os elementos da natureza.

Atualmente, o planeta está passando por uma poli crise. A decadência geral da humanidade está sendo fabricada por aqueles que se afastaram da real finalidade da vida e se apegaram, de forma crescente, ao dinheiro e à vaidade como as únicas prioridades da vida. A questão fundamental é que o futuro depende da direção que as novas gerações vão dar à própria vida, e do jeito como está indo, não é nada animador. Os jovens se sentem oprimidos diante da aspereza reinante, não aceitam mais a crença sem análise, algo que ficou complicado tanto na religião como na vida mundana.

O ser humano sente que precisa da lógica e coerência, mas o saber ficou restrito ao imediatismo. Perdeu-se o amplo saber sobre a vida e sua real finalidade. Muitas pessoas fazem o sinal da cruz dizendo “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, no entanto, não sabem exatamente o que estão dizendo. O Espírito Santo é o Filho do Homem, anunciado por Jesus, a atuação da Vontade Divina através das leis da Criação.

Oitenta anos depois da grande guerra, a humanidade se acha próxima do abismo, sente as dores, mas sem se esforçar na procura pela Luz, nada encontrará. A nova guerra tende a espalhar os seus efeitos sobre a economia desequilibrada piorando muitas coisas, agitando a mente, gerando inquietação. Para que haja paz entre os homens de boa vontade é fundamental o reconhecimento da realidade espiritual da vida e, para isso, o ser humano precisa sair do marasmo mental e espiritual e olhar atentamente à sua volta.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br

PROBLEMAS COM AS DÍVIDAS

A circulação saudável do dinheiro deve permitir o giro para produzir bens, pagar custos, impostos e dívidas, e sobrar algum lucro. Fatores econômicos podem travar esse giro, como crises, concorrência de importados, queda na renda da população, taxa de juros, e quando isso acontece os consumidores reduzem as compras, inclusive de alimentos, aumentam as dívidas, dificultando a quitação. Pode ocorrer imperícia gerencial. Pode ocorrer desvios de dinheiro e fraudes. Se a população cair nas apostas, vai ver o seu dinheiro sendo sugado e perdido. Parece que todas essas coisas estão acontecendo simultaneamente e, com isso, a economia do Brasil se apresenta fragilizada.

Com o risco aumentado na região de Ormuz, as seguradoras deixaram de operar. O prêmio de seguro dos navios de petróleo ficou inviável. Pelo visto, não dá para prever quando as seguradoras irão voltar ao normal, o que vai requerer o fim da guerra, mas como e quando a guerra terá fim?

Ouvir as mulheres é essencial. Catherine Vautrin, ministra das Forças Armadas da França, e Yvette Cooper, ministra das Relações Exteriores britânica, usam de bom senso ao falarem da necessidade de retorno da paz por via diplomática. A humanidade tem vivido apegada ao crescimento para que os cidadãos tenham uma vida condigna, mas as incertezas geradas com a guerra estão afetando tudo, sem que surja uma luz nesse túnel escuro.

O que vai acontecer é a pergunta oculta que está no coração das pessoas. Mas não se ouvem respostas. Os pesquisadores lidam com uma enormidade de dados, transferindo o trabalho para as novas supermáquinas de IA. Evidentemente, um mercado que se estriba em apostas é algo que foge da naturalidade, podendo atrair resultados desagradáveis. No universo, a lei da atração da igual espécie atua em tudo. A espécie não é o que a coisa aparenta, mas a intenção oculta pela qual surgiu. É aí que reside a chave. A espécie predominante vai ditar o veredicto, bom ou mau, dependendo das intenções dos seres humanos, e a IA começa a aprender isso.

Essa tem sido a grande questão. Em épocas mais amenas, havia confiança e metas mais elevadas. Com desprendimento, as pessoas se auxiliavam no enfrentamento das adversidades e na busca de melhores condições gerais de vida. Mas isso é passado. As pessoas se calam para não revelar o que estão querendo e pensando. Adormecidas, com os olhos vendados, precisam despertar para a vida real. Elas se fecham em seus interesses pessoais, falta um propósito comum.

Antes as pessoas em geral percebiam os acontecimentos numa lógica simples. Hoje, o ego é mais pronunciado e grosseiro, individualista, mantendo-se na defensiva, criando uma camada protetora, quase como uma couraça. Em vez de dialogar, as pessoas se protegem apresentando justificativas sem querer reconhecer que algo tem de ser corrigido.

Se as pessoas ouvem o que não gostam, não respondem, seguem com outras questões. As preocupações se voltam exclusivamente para os aspectos materiais da vida. Em vez de argumentar, a pessoa muda de assunto, silencia ou se afasta. Tais atitudes podem significar medo de perder o controle. Elas não têm mais o entendimento comum sobre a vida o que possibilita diálogos sobre as questões essenciais.

As pessoas se comunicavam com o eu interior, a consciência, mas isso se tornou raro. Com o eu interior atuante, os diálogos eram produtivos. O que se passa hoje é o aumento geral da aspereza. Tudo frio, pesado, afetando as novas gerações. A pesquisa do IBGE sobre a crise emocional dos adolescentes mostra que há jovens que dizem que viver não vale a pena. O fato é que a real finalidade da vida se tornou desconhecida para a humanidade. Enquanto isso, tudo vai ficando como está, para ver como é que vai ficar.

A conclusão é de que a humanidade construiu uma antinatural realidade da vida, na qual tudo depende do dinheiro, o que acarreta frustrações e doenças. Os jovens têm de ser motivados a pesquisar a real finalidade da vida. Para que nascemos? Reconhecer a alegria de ser útil construtor, beneficiador, embelezador da vida.

Voltando à questão das dívidas, quem vai tomar empréstimos, seja pessoa ou empresa, tem de, simultaneamente, planejar como vai pagar. Se gastar tudo que recebe, vai faltar. Nas atuais condições de vida, é indispensável guardar um pouco, formar uma reserva. Como se dizia, quem guarda tem.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: bicdutra@library.com.br