Posts

DA PRIMEIRA À QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

É necessário olhar a história, observando que a Revolução Industrial foi um divisor, separando o passado, que era mais ligado à natureza, dando início a processos modernos e agressivos. Após as duas grandes guerras mundiais, chegou a ser esboçado um período dourado na obscura trajetória da humanidade, mas por não ter sustentação, pouco tempo durou. As mudanças não se aprofundaram, foram aparentes, mas a cobiça por riqueza e poder permaneceu. O resultado é o caos atual.

Depois de tantas tragédias e sofrimentos, a busca contínua da humanidade pelo lado do bem poderia ter se firmado após a Segunda Guerra, mas os homens do mercado queriam aproveitar a capacidade produtiva, precisavam de consumidores e foram seduzindo as massas para priorizar o conforto, os prazeres, a vaidade. Se uma Terceira Guerra acontecer a população da Terra poderá ser drasticamente reduzida, então talvez o ser humano se humanize de fato percebendo que a sua essência é espírito.

A realidade é dinâmica, nada fica parado, tanto pode perseguir o certo como o errado. Apesar dos inúmeros tropeços, a humanidade chegou à Quarta Revolução Industrial como resultado de uma longa jornada de transformações tecnológicas, sociais e econômicas que deveriam contribuir para o aprimoramento da própria espécie.

Relembrando a trajetória das quatro Revoluções Industriais, a primeira delas, ocorrida de 1760 a 1850, foi marcada pela utilização de máquinas a vapor, do carvão como energia e maior foco na indústria têxtil. A criação da eletricidade caracterizou a Segunda Revolução industrial, que durou de 1850 a 1950, possibilitando a fabricação em massa, a produção de aço e exploração do petróleo. A informática e a robótica, especificamente, permitiram o avanço da automação industrial e junto com a popularização da internet marcaram a Terceira Revolução (1950 a 2000). E finalmente de 2010 até hoje, a Quarta Revolução industrial permitiu a criação e emprego de tecnologias inovadoras como a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas (IoT) e big data, entre outras, impulsionando a biotecnologia e demais segmentos produtivos.

Do vapor ao circuito integrado. Da força do vapor à lógica do silício. Mentes como as de Watt, Kilby e Noyce edificaram o salto entre eras — um percurso histórico e espiritual onde intuição virou estrutura, e estrutura se fez evolução e revolução. As novas tecnologias, incluindo a impressão 3D, nanotecnologia e neurotecnologia já começaram a se integrar e a transformar todos os setores. A partir dos anos 2000, o acesso à internet e aos smartphones criou uma base de dados gigantesca e conectividade global. Diferente da automação da Terceira Revolução, agora as máquinas aprendem, tomam decisões e se adaptam.

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, defende que a atual revolução não é apenas uma extensão da anterior, mas uma nova fase na qual o homem vai sendo conduzido para se integrar ao novo sistema, causando impactos profundos na forma como vivemos e trabalhamos. A Quarta Revolução Industrial não é só sobre tecnologia, pois está avançando e alterando o significado dado ao ser humano: como nos relacionamos, trabalhamos e até como pensamos. O desafio maior talvez seja a evolução ética e consciente da humanidade diante dessas ferramentas poderosas.

O grande diferencial atual é que o ser humano está sendo conduzido para dentro das engrenagens, ou seja, é ele que tem que se adaptar às coisas novas, e não o contrário. Isso sai da naturalidade. As novas gerações já mostram isso, parece que perderam algo. No futuro deverá surgir a Revolução que emparelhará o ser humano com a sua essência, o espírito; sem isso, poderá caminhar na direção oposta e se tornar apenas algo como uma máquina sem coração. É esse o grande dilema da nossa era: a desconexão entre progresso externo e a evolução interior do ser humano.

Aplicativos, algoritmos, rotinas automatizadas… tudo parece querer moldar o ser humano para ser mais eficiente, mais conectado, mais produtivo. Mas não se enxerga espaço para a espiritualidade e a atuação da intuição, que está sendo travada. Quando a atuação se divorcia da alma,  perde-se estatura, abrindo o caminho para a desumanização. Já tivemos situações terríveis por causa disso.

Estamos precisando de uma revolução interior que nos leve para a tecnologia com alma, criada para promover bem-estar, significado e reconexão com valores essenciais, e gerar lucros. O sistema educacional tem de se abrir para o cultivo da sabedoria, empatia e espiritualidade, além das habilidades técnicas. Neste mundo cheio de ruídos e conversas vazias de conteúdo, necessitamos criar espaços para o silêncio e para reaprender a escutar a nós mesmos, à nossa própria intuição.

Unir espiritualidade, tecnologia e consciência deve ser a grandiosa e única tarefa apta a resgatar o ser humano de sua inércia perante a vida e sua finalidade. Um passo que requer coragem e força de vontade para sair do atual ambiente áspero e vazio, fortalecendo a saúde física, mental e da alma, alcançando a paz e o progresso real.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br/home . E-mail: bicdutra@library.com.br

BANALIDADES E ROBOTIZAÇÃO

No relacionamento entre as nações o princípio continua sendo o da confiança vigiada, pois cada país está sempre de olho na galinha e nas armas do vizinho. Competem agressivamente pela supremacia, mas o essencial, que é buscar a melhora das condições gerais de vida da espécie humana na Terra, fica em segundo plano. Assim, a humanidade, em vez de se elevar, tem sido levada para o caminho da estagnação e decadência, e em vez de produzir o bom e o belo, vai arruinando tudo o que alcança com sua cobiça.

A revolução industrial inglesa apertou o laço da mão de obra que, sem ter como sobreviver, aceitava rígidas condições de trabalho. Empresários e trabalhadores poucas vezes se deram bem num esforço conjunto na busca de melhores condições de vida. O Estado ficava observando e pouco fazia para equilibrar o relacionamento, por vezes criando leis complexas, dificultando o bom entendimento entre as partes.

Vieram os sindicatos e os anticapitalistas. Surgiu a polarização entre esquerda e direita, capitalismo e comunismo, patrões e sindicatos. Os sindicatos tinham por objetivo dar voz aos trabalhadores para negociarem com os proprietários das empresas. O conflito se foi acirrando. O esquerdismo no meio sindical pregava que o Estado deveria dirigir tudo, afastando os empresários do poder econômico, adentrando na política e no poder conferido pelos cargos eletivos.

A situação foi se tornando insustentável, dando origem à substituição da mão de obra por máquinas e pela automação dos processos produtivos. A iniciativa privada do ocidente transferiu as fábricas para a Ásia, onde tinha mais liberdade e abundante mão de obra de baixo custo. A China se estruturou para formar a fábrica do mundo, ampliando sua tecnologia e poder econômico. Com esse arranjo, o sindicalismo perdeu sua força e a economia mundial ampliou os desequilíbrios na produção, empregos, renda e consumo.

A economia do ocidente entrou no desvio do mercado financeiro sonhando obter ganhos sem produzir. Surge a chamada Quarta Revolução Industrial, a Indústria 4.0 que engloba um amplo sistema de tecnologias avançadas que estão mudando as formas de produção e comércio mundial.

Com a dependência externa aumentada, despreparo da mão de obra e atraso tecnológico fica difícil para os países atrasados retomarem a produção industrial e empregos. Surge a ideia de implantar auxílios em dinheiro, nivelar por baixo e interferir na economia. Com baixa atividade, a arrecadação não tem onde crescer. Como dar prosseguimento a esse projeto? Recorrendo ao mercado financeiro, tomando mais empréstimos, e depois?

Quando em fevereiro de 2021 foi aprovada, no Brasil, a independência do Banco Central até parece que sabiam o que iria acontecer em 2022. Em meio à turbulência e incertezas, o BC terá de permanecer atento para impedir que o país caia no endividamento e perca a autonomia. Por outro lado, em defesa do bem, as Forças Armadas terão de cobrar resultados para que a nação não decaia novamente na educação tendenciosa, em imoralidades, corrupção e ampliação uso de drogas, destruindo a possibilidade de um futuro digno da espécie humana. Cuidar para que essas situações não aconteçam faz parte da segurança nacional; descuidar disso é descuidar da nação.

O ser humano tem de buscar algo especial em seu viver, indo além das banalidades e da forma de vida instintiva que se constitui em comer, dormir, se alimentar, se reproduzir e procurar por diversão. A dedicação ao trabalho é uma forma de escapar do vazio existencial, cumprir as tarefas e respeitar prazos, pois o cérebro precisa ter algo para pensar e fazer para não ficar vagando a esmo.

Com o abandono da intuição, a humanidade deixou de se aplicar seriamente na busca do significado da existência e de fazer uma incursão séria pela espiritualidade; assim surge a robotização do indivíduo. Nos tratados sobre economia falta um toque de humanização, ou seja, de algo espiritual. Algo difícil porque o ser humano intelectivo não quer ver que é espírito e que deve reconhecer as leis naturais da Criação para agir de acordo com elas e, desse modo, alcançar a paz e progresso real.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br/home . E-mail: bicdutra@library.com.br